Finda a Primavera e a cresta do Rosmaninho é tempo de “fazer as malas” e partir para o Girassol, o Cardo e a Melada de Azinho.Aqui no Alentejo é possível fazer o circuito da “floração contínua” em poucos quilómetros, e raros são os anos em que a deslocação de colmeias não resulte num saldo positivo. Há dois anos, por exemplo, regressei sem mel e com uma infestação de Varroa na ordem dos 56%!!! Em contra partida o ano passado fiz duas colheitas de Verão. Não há que desesperar.
Os preparativos são o ritual do costume: durante o dia D verificar as condições da carrinha, nível de combustível, pressão dos pneus e outras subtilezas que nos podem deixar imobilizados no centro de uma localidade com a carga “mortífera”. Os seguros de responsabilidade civil continuam a ser um mito, e em caso de acidente... é melhor nem tocar no assunto.
Uns dias antes há toda a conveniência em visitar o local de destino, avaliar a floração e contactar o proprietário para obter a respectiva autorização de assentamento. As características desse local condicionarão boa parte da produção, normalmente opto por um local com sombra durante todo o dia, o que se consegue em pequenos bosques formados por quatro ou cinco azinheiras juntas, a proximidade da água também é determinante, nunca mais de 50 ou 100 metros.
Tenho por experiência que não é muito conveniente o acumular de alças sobre o ninho durante o Verão. Por um lado, a manutenção desse mel fica muito caro em termos de mão de obra, uma vez que são mobilizadas muitas abelhas para controlarem a temperatura nas alças, logo diminuem a recolha, por outro lado e quando as reservas são muitas, elas também aliviam o trabalho. Aliando estes factos à não necessidade de deixar opercular o mel de Verão, há toda a conveniência em crestar logo que as alças estejam cheias.
Só mais uma dica: nunca esqueçam uma boa pomada ou gel para a dor de costas, tirando isso a transumância para a floração de Verão é muito gratificante...




