30 julho, 2008
24 julho, 2008
Outra vez o Programa Apícola Nacional

Detesto insistir nestas coisas, mas por vezes não há alternativa.
Há pouco mais de um mês fizemos as candidaturas ao PAN 2008, devido aos atrasos na publicação do Despacho Normativo n.º 23/2008. Foram preenchidos e entregues os respectivos modelos de candidatura, disponíveis no site do IFAP.
Nessa altura, copiei mais que um exemplar da cada modelo, sabendo que dentro de um mês teria que fazer a candidatura para a época seguinte. Até porque nos primeiros modelos já estavam previstos os campos para os anos de 2009 e 2010 (ver imagem PAN 2008).
Então não é que volvidos pouco mais de 30 dias o dito impresso já estava desactualizado? Já estava disponível no site do IFAP outro impresso para a Medida 1B, praticamente igual ao anterior, só que lhe faltavam os campos de 2008.
Será possível que estiveram tantos meses (ou anos?) para criar um documento e em menos de um mês já lhe detectaram falhas? ... mistério ...
O modelo recente, curiosamente trás os campos para a campanha de 2010, adivinha-se um documento duradouro ... no entanto aposto 5 € e o esquerdo em como no ano seguinte vamos ter um impresso novinho em folha e pronto a estrear.
22 julho, 2008
As Gafes do Bayvarol


Não pretendo criticar a eficácia do medicamento, apesar dos dados controversos que recolhi de alguns ensaios que fiz, longe de mim tal intento.
No entanto, gostaria que vissem com “olhos de ver”, a forma simpática e a sensibilidade com que são tratados alguns assuntos relacionados com a apicultura.
1. “Ácaros de Varroa danificando uma larva de Abelha”
A fé leva-me a acreditar que a “larva de Abelha” esteja escondida atrás da crisálida (de Abelha) patente na imagem, ou então que já se encontre tão “danificada” que desapareceu...
2. “Eliminar com segurança as tiras utilizadas envolvendo-as em papel e colocando-as no lixo doméstico”
Aconselhar a colocação de quimiotóxicos usados no “lixo doméstico” é mesmo novidade para mim. O laboratório responsável não ficaria muito melhor na fotografia se disponibilizasse uma forma de recolher as tiras usadas junto das associações de apicultores e lhes desse um fim mais “digno”?
3. “Unicamente para tratamento de abelhas com os ácaros de Varroose sensíveis à flumetrina...”
Esta é a minha preferida. Caso gaste uma fortuna em medicamento e a Varroa resista, já sabe, os ácaros não eram sensíveis à flumetrina, a substância activa do Bayvarol.
Como saber se os seus ácaros são sensíveis à flumetrina? Nada mais fácil, dirija-se a um alergologista em Badajoz, que com a conhecida técnica de fazer uma série de riscos nos bracinhos dos seus ácaros, depressa saberá a que substâncias são sensíveis...
A Colheita de Verão

Sempre que visito as colmeias para colectar e anotar dados lembro-me das palavras de Leonel Belchior, que recolhe este tipo de informações há mais de quatro décadas: “Nunca há dois anos iguais, quando muito parecidos, mas iguais nunca”.
Assim me aconteceu no fim de semana passado, bem cedo, madrugada profunda para evitar o calor, lá fui a caminho do Lameirão ver as abelhas. No caminho percebi que as Abetardas jovens que vira outro dia ... não eram Abetardas, mas sim Sisões, segundo me informaram. Lá por terem asas e se encontrarem no Girassol não implica que sejam do meu domínio.
À chegada ao apiário vi uma grande movimentação de abelhas que entravam e saiam das colmeias. Traziam muito pólen de cor amarela e outro laranja vivo, provavelmente de Poejo e de Orégão uma vez que o Girassol ainda não floriu. Imaginei logo as alças a transbordar de melada de Azinho, mas ... nada, quando muito um quadro por outro, manchas de mel escuro e outras de mel claro. De facto não há duas campanhas iguais, o ano passado nesta fase estava quase a fazer a segunda cresta.
É uma fonte de néctar estranha, a melada de Azinho é muito imprevisível, apesar das copas frondosas das árvores, do bom estado vegetativo e das condições locais, a produção adivinha-se escassa. Por vezes tem a ver com as populações de Afídeos que excretam o néctar ou com a inexistência de manhãs húmidas que permitam a sua recolha.
Como compensação deparei-me com as colmeias fortes e populosas, muita criação emergente e postura recente, pode ser que o melhor esteja para vir.
15 julho, 2008
OGM Monforte
No sábado 12 de Julho concentraram-se em Monforte – Portalegre, várias dezenas de ambientalistas para protestar contra os ensaios com milho transgénico nos campos desta localidade.
A acção foi bastante mediática, tendo em conta a quantidade de participantes e os meios de comunicação presentes.
De assinalar também a presença de apicultores associados da ADERAVIS, cuja proximidade geográfica a esta zona é suficiente para lhes tirar o sono. As abelhas recolhem o néctar e o pólen da vegetação natural e da cultivada, pelo que qualquer alteração nos componentes daquelas substâncias poderá colocar em risco a vida das abelhas.
Curiosidade: Consegui perceber o motivo do tiroteio e da confusão em Loures, a GNR estava toda em Monforte !!!


A acção foi bastante mediática, tendo em conta a quantidade de participantes e os meios de comunicação presentes.
De assinalar também a presença de apicultores associados da ADERAVIS, cuja proximidade geográfica a esta zona é suficiente para lhes tirar o sono. As abelhas recolhem o néctar e o pólen da vegetação natural e da cultivada, pelo que qualquer alteração nos componentes daquelas substâncias poderá colocar em risco a vida das abelhas.
Curiosidade: Consegui perceber o motivo do tiroteio e da confusão em Loures, a GNR estava toda em Monforte !!!


11 julho, 2008
10 julho, 2008
09 julho, 2008
Captura de um enxame numa cave


No início deste ano pediram-me para desalojar uma gigantesca colónia de abelhas que se instalara numa casa de férias em Sousel.
Nunca tinha visto nada tão grande, os favos tinham cerca de 90 cm de comprido e a colónia já tinha perto de dez favos. Estes foram cortados à medida dos quadros onde foram embutidos e atados com um fio de algodão.
A operação correu bem, de uma colónia conseguiram-se fazer duas.
À Sombra de uma Azinheira

O meu apiário de Verão: sombra; água próxima; azinheiras; cardo e girassol. È muito mais relaxante que na Primavera, livre do stress da enxameação e da vigília quase contínua às colmeias.
No Verão diminuo muito o número de visitas ao apiário, a cada quinze dias, ou mais raramente uma vez por semana.
Por causa do calor escolho sempre o período após as dezoito ou dezanove horas para inspeccionar os fluxos de entrada de néctar ou alguma moléstia que se possa manifestar. Há sempre um aroma muito agradável a essa hora nas tardes de Verão, a funcho, tágueda, orégão e sobretudo a montado. É deveras curioso, mas o montado tem um aroma muito característico durante o Verão, não sei se devido à decomposição das folhas pelo chão ou mesmo às da copa. Trata-se de um cheiro quente, quase ardente, no entanto muito familiar e confortável para quem passou a vida nestas paragens.
A última visita valeu mesmo a pena, além das habituais perdizes ainda vi duas ou três abetardas que esgaravatavam calmamente o solo no campo de girassol.
Alguém escreveu uma vez que sempre havia muita vida junto aos apiários.
Curiosidade: na Herdade do Lameirão – Cano – Sousel, e mesmo sob o meu apiário, passa um rio subterrâneo muito caudaloso que rasgou o subsolo calcário e ninguém sabe onde vai desaguar.
08 julho, 2008
Cerificador Solar de luxo, a preço de lixo

Há tempos encontrei uma caixa de inox de parede dupla, que terá sido uma tina para manter as refeições quentes num restaurante, antes de ser abandonada no lixo.
No fundo coloquei uma grelha metálica de um frigorífico já inutilizado, que cobri com uma rede mosquiteira de plástico.
A tampa de alumínio e vidro é que poderia ter sido mais cara, mas valeu-me um familiar que tem uma oficina dessas artes e também ficou a custo zero.
De qualquer forma os materiais utilizados, reciclados, poderiam ser de muitas outras proveniências. É pena que num país como o nosso, com um Verão tão quente e com tantas horas de Sol, não se aproveite mais esta forma de energia para fundir a cera.
VANTAGENS
Preço do cerificador a gás
Preço do gás
Nunca há risco de explosão
Não necessita de se acompanhar o processo
Benefícios ambientais
04 julho, 2008
Abelhas e OGM's
« No dia em que as abelhas desaparecerem do globo, o homem não terá mais que quatro anos de vida»
Albert Einstein

A Plataforma "Transgénicos Fora" está a preparar uma acção de protesto a realizar no fim-de-semana de 12 e 13 de Julho em Monforte.
O objectivo será marcar posição perante a recente decisão do Ministério do Ambiente em autorizar a realização de ensaios de campo com milho geneticamente modificado naquela localidade.
Cada vez é mais urgente o envolvimento dos apicultores nestas "preocupações globais".
Albert Einstein

A Plataforma "Transgénicos Fora" está a preparar uma acção de protesto a realizar no fim-de-semana de 12 e 13 de Julho em Monforte.
O objectivo será marcar posição perante a recente decisão do Ministério do Ambiente em autorizar a realização de ensaios de campo com milho geneticamente modificado naquela localidade.
Cada vez é mais urgente o envolvimento dos apicultores nestas "preocupações globais".
03 julho, 2008
A Teoria dos Fumigadores
Depois das mezinhas e das rezas para capturar enxames, o combustível dos fumigadores é o assunto mais controverso e apaixonante para a maioria dos apicultores. Ficam horas a fio a discutir e a argumentar, são autenticos duelos entre a serapilheira e a bosta de vaca.
Ouço dizer aos mais antigos que primeiro se usavam carvões incandescentes dentro de uma telha de barro e se soprava o fumo para o interior do cortiço. Também havia quem usasse uma mecha de serapilheira, num método semelhante ao anterior.
Com a “descoberta” dos modernos fumigadores, autênticas incineradoras de bolso, é uma tentação inventar novas porcarias para meter lá dentro e assim acalmar as abelhas. A serapilheira e a bosta de vaca seca já são consideradas verdadeiros clássicos. Atenção que o que deve estar seco é mesmo a bosta e não a vaca, ao contrário do que a nossa traiçoeira língua parece sugerir.
E vê-se de tudo um pouco, cartão canelado, pasto seco, carvão, pedaços de madeira, serradura (funciona melhor humedecida), cascas de eucalipto e bagas da mesma árvore. Um conhecido apicultor da nossa praça quase andou à porrada para demonstrar as vantagens desta última.
Também é digna de registo a forma como grande parte dos apicultores meteu na cabeça que um punhado de Rosmaninho na parte superior do fumigador arrefece e aromatiza o fumo, tornando-o mais agradável para as abelhas. Então mas é suposto o fumo ser agradável para as abelhas?
Eu ultimamente tenho usado casca de Cipreste e cartão canelado para a ignição, a resina torna o fumigador menos “apagadiço” e dura muito tempo. Não sei se é do agrado das abelhas, mas nunca nenhuma se queixou.
A Propósito de Picadas...
Ficam duas histórias, uma antiga e outra recente:
Fez dez anos no passado dia oito de Maio, que adquiri a minha primeira colmeia e consequentemente o primeiro fato de apicultor. Era um casaco com máscara quadrada, que completava com umas luvas.
Lembro-me de ter perguntado ao vendedor se com aquele equipamento podia levar toda uma vida de apicultor a salvo das picadas. Recordo-me que ele olhou para mim e riu-se com vontade, mas acabei por não dar muita importância ao facto. No dia seguinte, primeira vez no apiário, partilhei o casaco com uma abelha que “entrou” comigo lá para dentro...
Há três meses fui ajudar um apicultor idoso a aplicar o medicamento contra a Varroose. Logo na primeira colmeia que abri, muito forte e populosa, fiquei coberto de abelhas que saíam da caixa em tal quantidade que mais pareciam água a escorrer. No primeiro acto vi-me a colocar as tiras muito à pressa para fechar rapidamente a colmeia. No segundo já ia eu e o velhote a correr colina acima, cada um com uma nuvem de centenas de abelhas enfurecidas em torno da cabeça.
Em plena fuga lembrei-me de gracejar advertindo-o que era melhor desfazer-se daquela colónia tão violenta, e que muito atrapalhava o maneio no apiário. Ele, muito pequenino e com os seus 83 anos cheios de energia, olhou para mim muito sério e disse-me:
“Não, estas não são bravas! bravas eram as da outra colmeia e que felizmente já morreram!”
Fiquei muito mais aliviado depois deste esclarecimento...
Fez dez anos no passado dia oito de Maio, que adquiri a minha primeira colmeia e consequentemente o primeiro fato de apicultor. Era um casaco com máscara quadrada, que completava com umas luvas.
Lembro-me de ter perguntado ao vendedor se com aquele equipamento podia levar toda uma vida de apicultor a salvo das picadas. Recordo-me que ele olhou para mim e riu-se com vontade, mas acabei por não dar muita importância ao facto. No dia seguinte, primeira vez no apiário, partilhei o casaco com uma abelha que “entrou” comigo lá para dentro...
Há três meses fui ajudar um apicultor idoso a aplicar o medicamento contra a Varroose. Logo na primeira colmeia que abri, muito forte e populosa, fiquei coberto de abelhas que saíam da caixa em tal quantidade que mais pareciam água a escorrer. No primeiro acto vi-me a colocar as tiras muito à pressa para fechar rapidamente a colmeia. No segundo já ia eu e o velhote a correr colina acima, cada um com uma nuvem de centenas de abelhas enfurecidas em torno da cabeça.
Em plena fuga lembrei-me de gracejar advertindo-o que era melhor desfazer-se daquela colónia tão violenta, e que muito atrapalhava o maneio no apiário. Ele, muito pequenino e com os seus 83 anos cheios de energia, olhou para mim muito sério e disse-me:
“Não, estas não são bravas! bravas eram as da outra colmeia e que felizmente já morreram!”
Fiquei muito mais aliviado depois deste esclarecimento...
01 julho, 2008
24 junho, 2008
Diz que é uma espécie de Programa Apícola
Lá veio o ansiado Programa Apícola Nacional 2008 – 2010, atrasado 8 meses, mas o que é isso comparado com o marasmo em que o sector e o país se encontram.A rapaziada voltou a animar-se com a corrida às repartições públicas, atestados, certidões, fotocópias autenticadas, assinaturas reconhecidas, pilhas e pilhas de celulose, colecções de papel que nunca ninguém vai consultar. As fotocópias do meu B.I. já têm uma tiragem maior que o livro da Carolina Salgado, ainda assim nunca chegam.
Agora expliquem-me lá como se eu fosse muito burro, o que se passou este ano com os medicamentos tão gentilmente oferecidos pelo Programa Apícola em anos anteriores ?
Antes, os medicamentos homologados eram muito caros, o apicultor tinha direito a 3,00€/colmeia, os serviços oficiais negociavam com os laboratórios e o dito medicamento chegava gratuito a todos os interessados.
Este ano, o apicultor continua a ter direito aos mesmos 3,00€/colmeia, ou pelo menos 90% desse valor, os medicamentos sofreram significativas baixas no preço, as associações de apicultores negoceiam directamente com os laboratórios e... a ajuda não chega para pagar o acaricida !!!
Há aqui qualquer milagre da engenharia financeira que me escapa.
23 junho, 2008
A Vespa do PAN
Esta é a imagem que o IFAP colocou no Manual de Candidaturas do Programa Apícola Nacional.Não é lá grande coisa como abelha, mas admitamos que é uma vespa bonita, amarela e preta, até pousou numa flor.
Isto não é importante, nem quero com isto dizer que há desinteresse do Ministério pl'o sector apícola, estavam só distraídos e o Google por vezes confunde as buscas ... vespas, abelhas, são insectos sociais e pronto...
18 junho, 2008
Destino: Girassol
Finda a Primavera e a cresta do Rosmaninho é tempo de “fazer as malas” e partir para o Girassol, o Cardo e a Melada de Azinho.Aqui no Alentejo é possível fazer o circuito da “floração contínua” em poucos quilómetros, e raros são os anos em que a deslocação de colmeias não resulte num saldo positivo. Há dois anos, por exemplo, regressei sem mel e com uma infestação de Varroa na ordem dos 56%!!! Em contra partida o ano passado fiz duas colheitas de Verão. Não há que desesperar.
Os preparativos são o ritual do costume: durante o dia D verificar as condições da carrinha, nível de combustível, pressão dos pneus e outras subtilezas que nos podem deixar imobilizados no centro de uma localidade com a carga “mortífera”. Os seguros de responsabilidade civil continuam a ser um mito, e em caso de acidente... é melhor nem tocar no assunto.
Uns dias antes há toda a conveniência em visitar o local de destino, avaliar a floração e contactar o proprietário para obter a respectiva autorização de assentamento. As características desse local condicionarão boa parte da produção, normalmente opto por um local com sombra durante todo o dia, o que se consegue em pequenos bosques formados por quatro ou cinco azinheiras juntas, a proximidade da água também é determinante, nunca mais de 50 ou 100 metros.
Tenho por experiência que não é muito conveniente o acumular de alças sobre o ninho durante o Verão. Por um lado, a manutenção desse mel fica muito caro em termos de mão de obra, uma vez que são mobilizadas muitas abelhas para controlarem a temperatura nas alças, logo diminuem a recolha, por outro lado e quando as reservas são muitas, elas também aliviam o trabalho. Aliando estes factos à não necessidade de deixar opercular o mel de Verão, há toda a conveniência em crestar logo que as alças estejam cheias.
Só mais uma dica: nunca esqueçam uma boa pomada ou gel para a dor de costas, tirando isso a transumância para a floração de Verão é muito gratificante...
13 junho, 2008
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