Cada vez é mais importante para o apicultor o conhecimento das características genéticas e comportamentais das suas colónias de abelhas. O controlo e a selecção de características como o
Comportamento Higiénico, a
Agressividade, a
Tendência para Enxamear, a
Capacidade de Recolha de Néctares entre muitos outros é determinante para o sucesso da exploração apícola.
A maioria destes testes são relativamente fáceis de executar pelo apicultor, vou hoje debruçar-me sobre o
Teste do Comportamento Higiénico, que aliás já o fiz nas minhas colónias com bons resultados.
As abelhas com bom comportamento higiénico também são susceptíveis às doenças como quaisquer outras, no entanto essa probabilidade é muito reduzida, na medida em que as colónias com essa característica detectam e eliminam rapidamente qualquer larva ou adulto com sintomas anómalos.
Para fazer o dito teste, o apicultor deve munir-se de tantos saquinhos de plástico etiquetados quanto o número de colmeias que pretende testar, uma faca e o equipamento habitual. Devo adiantar desde já que há colónias que não necessitam do teste, chumbando logo na primeira análise, como é o caso das colmeias regularmente infectadas com a micose, sinal inequívoco de
Mau Comportamento Higiénico.
No apiário, e em cada colmeia, deve retirar um quadro com uma boa superfície de criação operculada em ambos os lados.

Afaste as abelhas com a escova ou um raminho, e com a faca corte um quadrado com 8 x 8 ou 10 x 10 cm de criação operculada, tenha cuidado com os arames do quadro.

O pedaço de favo com a criação (amostra) deverá ser colocado num saco de plástico ou papel, etiquetado com o número correspondente à colmeia testada.

O quadro de onde se cortou a amostra é recolocado no local original da colmeia, e faz-se-lhe uma marca na tábua superior, com a ajuda do alicate levanta quadros ou com a faca, de modo a que seja mais fácil de encontrar nas visitas seguintes.
Estas etapas são repetidas em todas as colmeias que se pretendem testar (idealmente em todas as colmeias do apiário).

Reunidos todos os sacos com as amostras num saco maior ou numa caixa, são colocados no frigorífico onde vão permanecer umas horas. O ideal será fazer as recolhas ao entardecer, colocar tudo no frigorífico a essa hora e retirar no outro dia de manhã, é tempo mais que suficiente para que todas as larvas (criação) sejam mortas pelo frio.

No dia seguinte de manhã todas as amostras (pedaços de favo com criação) voltam ao respectivo local, no quadro e colmeia correspondente, tarefa muito facilitada pela numeração dos sacos e pela marca deixada no quadro. O pedaço de favo é embutido no buraco feito na tarde anterior e fixo com a ajuda de um palito.
Aguardam-se 24 horas e na manhã seguinte voltamos a abrir as colmeias para verificar os resultados, mais uma vez com a tarefa facilitada pelas marcas dos quadros de teste.
RESULTADOS POSSÍVEIS:BOM COMPORTAMENTO HIGIÉNICOA totalidade ou a grande maioria das larvas mortas da amostra foram detectadas pelas abelhas, os opérculos foram destapados e as larvas removidas. Os alvéolos apresentam-se vazios e limpos. As colónias com esta característica devem ser marcadas, mantidas na exploração e são óptimas para reproduzir, quer por desdobramento ou criação de rainhas.
COMPORTAMENTO HIGIÉNICO RAZOÁVEL Cerca de 50% das larvas mortas foram removidas, apresentando os respectivos alvéolos vazios e limpos. Todos os restantes se mantêm intactos com as larvas mortas no interior.
Estas colónias podem ser mantidas temporariamente na exploração, se forem produtivas, no entanto é uma péssima ideia usá-las como reprodutoras para aumentar efectivos. De qualquer forma seria desejável substituir-lhe a rainha por outra obtida a partir de colónias com as características anteriores.
MAU COMPORTAMENTO HIGIÉNICOQuando a maioria ou a totalidade das larvas mortas não foram removidas nas 24 horas. Os opérculos mantêm-se incólumes e é como se nada se tivesse passado.
As colónias com este comportamento são um problema, adoecem mais que as outras e são uma fonte de contágio para todo o apiário. Por outro lado, os zangãos nelas produzidos poderão acasalar com rainhas de boa estirpe, disseminando esta característica.
As rainhas desta colmeias devem ser substituídas o mais depressa possível por outras com bom comportamento higiénico.


Face às incertezas e polémicas em torno dos medicamentos, o Teste do Comportamento Higiénico parece ser um óptimo trabalho de prevenção para as moléstias das abelhas.