25 agosto, 2008

Diagnóstico da Varroose

Contagem de Varroas

Desde meados da década de 80 que a Varroose constitui um dos principais problemas da apicultura e dos apicultores portugueses. Seja pelas baixas na produção, custo dos medicamentos, trabalho/tempo suplementar despendido e os riscos de contaminação do mel. Regra geral, os apicultores fazem pelo menos duas aplicações de medicamento acaricida por ano, podendo até chegar às três ou quatro em casos de reinfestação.
Muitas vezes estes tratamentos são feitos em função de datas: como o período antes da Primavera, o pós cresta ou o fim do Verão, à semelhança da Luta Química Cega praticada noutros sectores. Raramente o grau de infestação é tido em conta, quando muito a observação dos sintomas mais comuns poderá acelerar ou antecipar a decisão de tratamento.
Não é meu objectivo discutir ou criticar a aplicação de acaricidas em períodos como antes da Primavera, porque é uma fase em que há todo o interesse em baixar o número de Varroas para um limite inferior e que garanta que não venham a haver infestações graves durante a fase de produção principal.
É regra nos seres vivos as populações aumentarem exponencialmente o número de indivíduos durante uma determinada fase, em que a capacidade de suporte do meio o permite, até atingirem um limite superior (de equilíbrio) em que o crescimento fique estável, não aumente nem diminua - (GRÁFICO 1).
No caso da Varroose, como em qualquer ser vivo, a curva de crescimento teria um desenho semelhante, só não acontece por a coabitação entre Apis mellifera e Varroa destructor ser recente e ainda não haver uma fase de equilíbrio, levando à morte da colónia de abelhas e consequentemente ao fim das próprias Varroas numa colmeia. Não é de facto um verdadeiro fim para as Varroas porque entretanto já infestaram nova(s) colónia(s) - (GRÁFICO 2).
Os apicultores ao aplicarem os medicamentos têm como resultado diminuir (raramente anular) a população de Varroas até um nível mínimo que não causa danos à colónia de abelhas e respectivas produções - (GRÁFICO 3).


A actividade que hoje proponho, levada a bom termo, permite ao apicultor a monitorização do crescimento da população de Varroas e tomar a decisão mais acertada sobre o momento em que deve intervir para combater a moléstia. Evitam-se assim os custos e trabalhos acrescidos, tal como os riscos de contaminação do mel e até de tratar tarde demais.

RECOLHA DE ABELHAS ADULTAS PARA CONTAGEM DE VARROAS:

Material:
Frascos de vidro de boca larga (pelo menos um por apiário e com
capacidade de 1 kg de mel).
Água e detergente líquido.
Escova ou um ramo de arbusto.
Etiquetas para marcar os frascos.
Pinça.

Procedimento: Em casa devemos preparar para cada apiário pelo menos um frasco meio de água, onde deitamos uma colher de sopa de detergente, para receber as Abelhas. O detergente quebra a tensão superficial da água e alem de proporcionar uma morte mais rápida às Abelhas, obriga as Varroas a afundarem facilitando as contagens.



No apiário serão amostradas 30% das colmeias, escolhidas aleatoriamente, incluindo sempre as das extremidades que pelo facto de receberem abelhas de todas as outras são consideradas muito representativas, logo devem ser sempre testadas.



Nas colmeias sorteadas devemos colher cerca de 50 Abelhas em cada uma (aproximadamente). As Abelhas a recolher devem ser o mais novas possível, quando ainda apresentam muitos pelos e uma cor acinzentada. São mais frequentes nos quadros de criação, pelo que se devem evitar os quadros das alças e os das extremidades do ninho.
Claro que também irão abelhas mais velhas, o que não constitui qualquer problema, muito grave é se varrermos a rainha para dentro do frasco...



Uma vez seleccionado o quadro de onde retirar as Abelhas, com a ajuda da escova ou um ramo varrem-se cerca de 50 Abelhas para dentro do frasco com água e detergente. Devemos encontrar primeiro a rainha, colocar esse quadro num local seguro dentro da colmeia, e seleccionar outro quadro com o tipo de Abelhas desejado para o efeito. O ideal são duas pessoas para este trabalho, enquanto uma varre as Abelhas a outra segura o frasco que deve tapar imediatamente.
Todas as Abelhas de um apiário vão para dentro do mesmo frasco (50 Abelhas x 30% das colmeias).



Os frascos etiquetados, uma vez em casa, são destapados e com a ajuda de uma pinça retiram-se e contam-se todas as Abelhas, tomando nota desse número. No frasco apenas ficam as Varroas, cuja contagem é muito fácil elevando o frasco e contando-as pelo fundo.
Sabendo o número de Abelhas e de Varroas basta calcular a percentagem de infecção: VER RESULTADOS.




RECOLHA DE LARVAS DE ABELHA PARA CONTAGEM DE VARROAS:

A contagem de Varroas pode e deve ser efectuada também nas larvas de Abelha, cujo resultado irá complementar o encontrado nas Abelhas adultas.
Nos testes efectuados nas colmeias dos associados da ADERAVIS apenas temos calculado o grau (percentagem) de infecção nas Abelhas adultas, o que tem sido suficiente para os nossos objectivos.

Material:
Faca ou canivete.
Sacos etiquetados ou numerados (um por apiário).
Faca de desopercular.
Tubo fino ligado à torneira.
Funil e papel de filtro.

Procedimento:Nas mesmas colmeias onde recolhemos as Abelhas na etapa anterior, seleccionamos um quadro com criação operculada em ambas as faces e cortamos um pedaço de favo com cerca de 8 x 8 cm. Todos os pedaços de criação oriundos do mesmo apiário devem ser guardados no mesmo saco.



Uma vez em casa, os pedaços de favo são desoperculados, e retiradas as larvas de Abelha com a ajuda de um pequeno jacto de água, que se consegue ligando um tubinho de diâmetro reduzido a uma torneira.
As larvas de Abelha, os eventuais ácaros de Varroa e a água devem cair para dentro de um funil ou outro utensílio equipado com um papel de filtro.




Logo que todo o favo esteja limpo de ambos os lados, retira-se o papel de filtro e contam-se as larvas de Abelha e as Varroas. Somam-se os resultados de todas as amostras do mesmo apiário e com os resultados totais calcula-se a percentagem de infecção da criação de Abelhas, resultado que complementa o encontrado nas Abelhas adultas.





CONCLUSÕES
Segundo algumas fontes, quando a percentagem de infecção è igual ou inferior a 5%, temos cerca de um mês para efectuar os tratamentos contra a Varroose. Quando esse número ronda os 15% ou próximo deste valor, convém não demorar mais de uma semana a aplicar o acaricida. Quando o resultado encontrado é igual ou superior a 20/25% devemos tratar imediatamente e vigiar as abelhas com frequência.
Há cerca de dois anos conseguimos recuperar cerca de 20 colónias com 56,4% de infecção, ou seja, em cada duas abelhas havia uma que carregava com uma Varroa.

FACTORES QUE PODEM MASCARAR OS RESULTADOS FINAIS:

A recolha de amostras para fins estatísticos deve obedecer a um grande rigor e imparcialidade, caso contrário poderemos obter resultados e respectivas extrapolações muito diferentes da realidade, levando a um mau procedimento à posteriori.

- Tal como já foi dito, não devem ser recolhidas Abelhas das alças ou dos quadros sem criação, pois têm quase que exclusivamente Abelhas adultas onde o número de ácaros é muito inferior.
- Por vezes os apicultores mostram pouca vontade na recolha de Abelhas para análises, temendo o enfraquecimento da colónia, e menos de 50 Abelhas/colmeia podem comprometer os resultados.
50 Abelhas numa colmeia normal representam cerca de 0,08% da população, ou seja, menos de 1%.
- A contagem de Varroas em larvas de zangão apresenta valores muito superiores à realidade da colónia, pelo que amostras de favos com estas características levam-nos a valores erróneos. Devemos notar que a população de zangãos numa colónia é de cerca de 3% das obreiras, como tal è pouco representativa.
- Quando retiramos as Abelhas adultas do frasco com água e detergente devemos lavá-las bem, não tragam algum ácaro junto, o que poderá levar a estimativas por baixo.

Há portanto um conjunto de pormenores a observar neste teste diagnóstico para retirarmos todo o potencial e ajuda que ele nos pode valer, e que dada a facilidade de execução, em pouco tempo qualquer apicultor estará apto a realizar.

Clique nas Imagens e Fotos para ampliar

14 agosto, 2008

Dali no apiário



Ou o Salvador Dali me tira o pincel ou ...

12 agosto, 2008

ADERAVIS “Filha” da Tradição



Já este ano a ADERAVIS, fez uma parceria com o RURALENTEJO para o uso da marca “Filhos da Tradição”, registada por esta entidade.
Para tal criou um rótulo genérico que poderá ser utilizado por todos os associados e outros apicultores interessados, após a celebração de um contrato com o RURALENTEJO.
A marca “Filhos da Tradição” não é mais que uma forma de certificação participativa, onde o produtor de mel (e outros géneros alimentares que já utilizam a marca) se comprometem a cumprir um determinado conjunto de regras que visem a qualidade, entre as quais o acesso do consumidor a todas as fases da produção ao embalamento.

09 agosto, 2008

Histórias de arrepiar...


Agora é tempo de férias, e para quem não pode passar sem as abelhas também é bom dar-lhes descanso para depois voltar com mais saudade. De qualquer forma, e como o tema também é apicultura, vamos lá a mais uma história daquelas... para desanuviar das agruras da estação.
Esta passou-se no primeiro ano que fui técnico apícola, com o meu amigo “Badalo”, nome fictício para ocultar a entidade do rapaz.

Andava eu a recolher amostras de mel para tipificar as produções da região, quando me calhou em sorte pedir um frasco ao Badalo.
Essa tipificação de méis era feita ao abrigo do Programa Mel, esse mito das melhorias na produção e comercialização do mel, que agora por melhorias mais faz lembrar os antigos comprimidos “Melhoral”.
Quando eu pedi a amostra ao Badalo, ele ficou completamente atrapalhado, ele atrapalhava-se com facilidade, e confessou-me que as suas vinte e tal colmeias há mais de três anos que não davam uma gota de mel. Nem para consumo lá de casa, quanto mais para amostras. Marquei logo uma visita de urgência, para saber o que se passava com as abelhas dele, não fosse tratar-se de doença grave ou outro problema qualquer.
Por esses tempos a legislação apícola era bem mais permissiva, ainda nem se sonhava com o 37/2000 do ordenamento, pelo que ele aproveitava para colocar as colmeias no próprio quintal.
Logo à chegada deparei-me com um apiário que mais parecia um quadro do Salvador Dali, cortiços interligados entre si por uma intrincada rede de tubos que saíam de uns e entravam noutros. De vez em quando lá via umas abelhitas apatetadas, a circularem pelos tubos transparentes. Aquela porcaria lembrava mesmo um sistema orgânico extraterrestre dos filmes de ficção científica.
Nem cheguei sequer a formular a pergunta, já ele estava com aquele ar de parvo, que Deus lhe perdoe pois também não lhe deu outro, a responder-me:
Dava-me cá uma pena ver estragar a cera nos cortiços que morriam! As casinhas já feitas e sem nenhum proveito!! Assim resolvi fazer as ligações para que as abelhas dos outros cortiços as possam utilizar!
Ou seja, ele tinha inventado as colmeias com anexo, tipo retiro ou casa de férias para as abelhas mudarem de ares. Sentença: Daqui a quinze dias quando eu cá vier, não quero voltar a ver essa “tubagem apícola”, até parece que vai canalizar o mel para dentro de casa.
Momentos depois, quando me preparava para tapar uma colmeia emalhetada da casa Alberto da Silva Duarte & Filhos, Lda, arrancou-me a prancheta das mãos e colocou-a noutra posição, dizendo:
Desculpe lá, mas a palavra Coimbra fica sempre virada para o lado da janela da casa de banho!”
Só tive vontade de lhe dar com a prancheta na cabeça, quando a sogra dele nos interrompeu aos gritos e a esfregar muito a testa.
Merda da velha, eu bem lhe disse para não vir agora ao quintal porque íamos mexer nas abelhas.” Felizmente que a idosa também era aficionada e já perdera a conta às picadas que levara em toda a vida.

Junto à lareira de uma pequena dependência ao fundo do quintal, uma boa dúzia de abelhas jaziam inertes numa caixinha de fósforos, algumas já mexiam as patas. Lá me explicou que as tinha apanhado junto às colmeias, vítimas do frio, e que recobravam junto ao lume até estarem de novo aptas ao serviço.

Meses depois apareceu-me na associação com um ar muito enfezado, onde me contou de imediato a sua recente desgraça. Logo na primeira cresta que se preparava para fazer, um azar com o fumigador e umas faúlhas no pasto custaram cerca de 20 hectares de montado.
Salvaram-se a mulher e a sogra, porque o Badalo ainda lhe ouviu os gritos quando fugia desesperado a chamar os bombeiros, voltou atrás para as resgatar, pior sorte tiveram os documentos que teve de renovar mais tarde. Desta vez confesso que tive pena dele, apesar de não ter de pagar os estragos foi expulso do local onde recentemente tinha feito o novo assentamento. E logo estas colmeias que não tinham à mão a tubagem das outras e que decerto daria jeito para apagar o incêndio...

Um ano depois, véspera de Natal e eu regressava apressado de Ponte de Sôr para Avis, afim de gozar umas merecidas férias. Os 30 km de estrada entre aquelas duas localidades, só tinham rede da TMN no cabeço das Galveias, nuns restritos 500 metros, ou seja, a probabilidade de me ligarem nesse caminho é de 1 para 60. Tal não foi a pontaria do Badalo que acertou, precisamente nos últimos 100 metros com rede móvel. Encostei o carro, atendi o telefone e preparei-me para o chorrilho de idiotices que decerto iria sair daquela cabeça:
Desta vez o problema foi o misterioso azedamento do mel recem crestado e sem motivo aparente. Mel recentemente crestado? Mas estávamos a três dias do Natal! Lá me explicou então que desde o infame incêndio que lhe ia vitimando as abelhas a mulher e a sogra, nunca mais crestou antes das chuvas encharcarem o terreno. Como o ano foi seco, a cresta quase coincidiu com o dia de Natal.
Com isso conseguiu a proeza de obter um excelente monofloral de Medronheiro que oscilava entre o muito amargo e o intragável, 60 quilogramas dele...

Tenho confiança suficiente com o “Badalo” para contar estas histórias.

05 agosto, 2008

CSI Abelhas ...



Recorte da Revista “Nova Gente” desta semana.
É curiosa a forma como o “mundo lá fora” vê a apicultura, o pior é que insistem sempre em ilustrar a coisa com uma vespa preta e amarelinha. A estes ainda se perdoa, mas ao IFAP... nem posso esquecer.

Podíamos era adaptar o texto para:
As abelhas – ou melhor, os seus hábitos – poderão ajudar os apicultores a perceber (e resolver mais facilmente) os problemas do sector.
Só um exemplo: tal como elas vivem com a máxima “a união faz a força”, os apicultores deviam fazer o mesmo.

04 agosto, 2008

O Teste de Comportamento Higiénico

Cada vez é mais importante para o apicultor o conhecimento das características genéticas e comportamentais das suas colónias de abelhas. O controlo e a selecção de características como o Comportamento Higiénico, a Agressividade, a Tendência para Enxamear, a Capacidade de Recolha de Néctares entre muitos outros é determinante para o sucesso da exploração apícola.
A maioria destes testes são relativamente fáceis de executar pelo apicultor, vou hoje debruçar-me sobre o Teste do Comportamento Higiénico, que aliás já o fiz nas minhas colónias com bons resultados.
As abelhas com bom comportamento higiénico também são susceptíveis às doenças como quaisquer outras, no entanto essa probabilidade é muito reduzida, na medida em que as colónias com essa característica detectam e eliminam rapidamente qualquer larva ou adulto com sintomas anómalos.

Para fazer o dito teste, o apicultor deve munir-se de tantos saquinhos de plástico etiquetados quanto o número de colmeias que pretende testar, uma faca e o equipamento habitual. Devo adiantar desde já que há colónias que não necessitam do teste, chumbando logo na primeira análise, como é o caso das colmeias regularmente infectadas com a micose, sinal inequívoco de Mau Comportamento Higiénico.

No apiário, e em cada colmeia, deve retirar um quadro com uma boa superfície de criação operculada em ambos os lados.

Afaste as abelhas com a escova ou um raminho, e com a faca corte um quadrado com 8 x 8 ou 10 x 10 cm de criação operculada, tenha cuidado com os arames do quadro.

O pedaço de favo com a criação (amostra) deverá ser colocado num saco de plástico ou papel, etiquetado com o número correspondente à colmeia testada.

O quadro de onde se cortou a amostra é recolocado no local original da colmeia, e faz-se-lhe uma marca na tábua superior, com a ajuda do alicate levanta quadros ou com a faca, de modo a que seja mais fácil de encontrar nas visitas seguintes.
Estas etapas são repetidas em todas as colmeias que se pretendem testar (idealmente em todas as colmeias do apiário).

Reunidos todos os sacos com as amostras num saco maior ou numa caixa, são colocados no frigorífico onde vão permanecer umas horas. O ideal será fazer as recolhas ao entardecer, colocar tudo no frigorífico a essa hora e retirar no outro dia de manhã, é tempo mais que suficiente para que todas as larvas (criação) sejam mortas pelo frio.


No dia seguinte de manhã todas as amostras (pedaços de favo com criação) voltam ao respectivo local, no quadro e colmeia correspondente, tarefa muito facilitada pela numeração dos sacos e pela marca deixada no quadro. O pedaço de favo é embutido no buraco feito na tarde anterior e fixo com a ajuda de um palito.
Aguardam-se 24 horas e na manhã seguinte voltamos a abrir as colmeias para verificar os resultados, mais uma vez com a tarefa facilitada pelas marcas dos quadros de teste.

RESULTADOS POSSÍVEIS:

BOM COMPORTAMENTO HIGIÉNICO
A totalidade ou a grande maioria das larvas mortas da amostra foram detectadas pelas abelhas, os opérculos foram destapados e as larvas removidas. Os alvéolos apresentam-se vazios e limpos. As colónias com esta característica devem ser marcadas, mantidas na exploração e são óptimas para reproduzir, quer por desdobramento ou criação de rainhas.

COMPORTAMENTO HIGIÉNICO RAZOÁVEL
Cerca de 50% das larvas mortas foram removidas, apresentando os respectivos alvéolos vazios e limpos. Todos os restantes se mantêm intactos com as larvas mortas no interior.
Estas colónias podem ser mantidas temporariamente na exploração, se forem produtivas, no entanto é uma péssima ideia usá-las como reprodutoras para aumentar efectivos. De qualquer forma seria desejável substituir-lhe a rainha por outra obtida a partir de colónias com as características anteriores.

MAU COMPORTAMENTO HIGIÉNICO
Quando a maioria ou a totalidade das larvas mortas não foram removidas nas 24 horas. Os opérculos mantêm-se incólumes e é como se nada se tivesse passado.
As colónias com este comportamento são um problema, adoecem mais que as outras e são uma fonte de contágio para todo o apiário. Por outro lado, os zangãos nelas produzidos poderão acasalar com rainhas de boa estirpe, disseminando esta característica.
As rainhas desta colmeias devem ser substituídas o mais depressa possível por outras com bom comportamento higiénico.



Face às incertezas e polémicas em torno dos medicamentos, o Teste do Comportamento Higiénico parece ser um óptimo trabalho de prevenção para as moléstias das abelhas.

01 agosto, 2008

Bolinhos de Mel


Vamos aproveitar a época balnear, quando toda a gente anda preocupada com as formas que exibem na praia, para arredondar ainda mais essa curva majestosa que nos faz usar roupa um ou dois números acima do desejado. Na minha terra sempre ouvi dizer que gordura é formosura.
As receitas que passo a apresentar datam de 1960, retiradas de um livro de apicultura brasileiro, chamado “APICULTURA – Científica e Prática” da autoria do conhecido investigador Warwick Estevam Kerr, creio que o responsável pela criação das famosas abelhas africanizadas ou “abelhas assassinas” e de Erico Amaral.

PÃO DE MEL

Composição: ½ xícara de farinha de trigo peneirada.
2 colheres de chá de fermento.
½ colher de chá de sal.
1 ovo.
½ xícara de leite.
3 colheres de sopa de banha derretida.


Modo de Fazer: Peneire juntamente a farinha, o fermento e o sal. Bata o ovo, junte o mel, o leite e a banha. Misture bem. Adicione então à mistura da farinha e mexa bem. Depois despeje tudo numa forma untada com manteiga. Cubra com a seguinte mistura:

¼ de xícara de farinha.
2 colheres de manteiga ou margarina.
¼ de xícara de mel.


Leva-se ao forno com temperatura moderada cerca de 35 minutos.

BOLO DE MEL E NOZES

Composição: 2 xícaras de farinha de trigo peneirada.
2 colheres de chá de fermento.
½ colher de chá de sal.
2/3 de xícara de manteiga ou margarina.
½ xícara de açúcar.
½ xícara de mel.
3 ovos.
1 xícara de nozes cortadas em pedacinhos.
¼ de xícara de leite.
1 colher de chá de baunilha.


Modo de Fazer: Peneire a farinha, meça-a, adicione o fermento e o sal, e peneire tudo junto mais três vezes. Bata a manteiga, adicione o açúcar pouco a pouco, batendo-se sempre; então junte o mel aos poucos, batendo-se bem. Adicione ¼ da farinha e bata até ficar macio e bem misturado.
Bata os ovos numa vasilha separada, misture a massa e bata bem. Junte as nozes, adicione o resto da farinha alternando com o leite, batendo-se muito bem depois de cada adição.
Junte a baunilha. Unte uma forma e coza em forno lento. Este bolo pode ser colocado no frigorífico.

MANTEIGA DE MEL

Composição: 1 xícara de manteiga.
1 xícara de mel.


Modo de Fazer: Bata bem a manteiga e adicione o mel aos poucos. Servir com pão, bolos ou bolachas.

BOLACHA DE MEL E NOZES

Composição: 2/3 de xícara de farinha de trigo peneirada.
½ colher de chá de fermento.
¼ de colher de chá de sal.
1/3 de xícara de manteiga ou outra banha.
2 quadradinhos de chocolate amargo.
½ xícara de açúcar.
½ xícara de mel.
2 ovos bem batidos.
½ xícara de nozes partidas.
1 colher de chá de baunilha.


Modo de Fazer: Peneire a farinha uma vez, meça-a, junte o fermento e o sal e peneire novamente. Derreta a manteiga e o chocolate em banho maria. Adicione aos poucos o açúcar aos ovos, batendo vigorosamente. Junte o mel e a mistura de chocolate com os ovos e bata bem. Junte a farinha e misture bem; então junte as nozes e a baunilha.
Unte uma forma e coza em forno moderado cerca de 40 minutos. Depois de pronto corte em quadradinhos.

E agora, depois deste festival para a diabetes e o colesterol só espero que a Maria de Lurdes Modesto não leve a minha intromissão muito a peito.
Tenham um bom apetite.

31 julho, 2008

Vamos cantar com as abelhas ?


Imagem: Abelhas "apoisadas" à entrada do cortiço

Como o sector tem tido poucos encantos, e anda tudo embrulhado nos meandros desse labirinto que é o programa apícola, vou deixar-vos uma história curiosa que transcrevi da obra “Um Povo Miúdo – As Abelhas” do conhecido Agrónomo Eduardo Sousa de Almeida e editado há 50 anos, em Novembro de 1958.

RITUAL DOS ABELHEIROS

“ (...) Usam um cerimonial de estranhas práticas, em que se adivinham interessantes tradições muito antigas, à mistura com superstições e muita ignorância.
Ainda hoje, e principalmente nas províncias do Norte do país, a apanha de um enxame faz-se segundo os ritos de uma velha tradição em que há muito pitoresco, que apesar do progresso, se tem mantido.
Logo que o abelheiro verifique que as abelhas de um dos seus cortiços estão prestes a enxamear, (...) corre a “temperar” um cortiço vazio e limpo. Este “tempero” consiste em esfregar o interior com uma erva aromática, tomilho, funcho ou erva cidreira, e borrifá-lo com vinho branco e mel, ou defumá-lo com alecrim ou incenso queimado.”

Só aqui já havia pano para mangas ...

“Ao mesmo tempo (...) expede avisos para mobilizar auxiliares. Em geral não lhe faltam voluntários recrutados entre os garotos da vizinhança.
(...) de todos os pontos do povoado aparecem auxiliares munidos dos instrumentos de ocasião, panelas e tachos velhos, latas de gasolina, foices, barras de ferro, (...) tudo o que é susceptível de fazer barulho quando batido por pau ou pedra.
Reunido o pessoal, mestre abelheiro dispõe as gentes com a importância de um general a colocar as suas forças em véspera de batalha campal.
(...) no ar levanta-se uma nuvem escura e movediça (...) o mestre abelheiro grita:
- Toca, Toca, agora com força!
Começa então a mais extraordinária cacofonia que jamais ouvidos humanos suportaram.

Pousa! Pousa! Pousa!
Pousa ! Abelha – Mestra!
Pousa! Pousa! Pousa!


(...) mestre abelheiro dá saltos de braços erguidos, vai atirando-lhe mão-cheias de terra, ao mesmo tempo que grita, rubro, quase sem fôlego:

Apoisa! Apoisa! Apoisa!
Oh! Mãe, apoisa!
Apoisa! Apoisa! Apoisa!
Apoisa, ó, Mãe!


Todo o rancho corre atrás dele repetindo o estribilho (...) _ Mais força rapazes! Ele vai pousar!

Apoisa! Ó Mãe! Apoisa!
_ Alto! Agora só com a boca e devagarinho. Vá, todos certos! Certos! Certos!

Atenção, ainda estamos falar de apicultura...

Casa Nova, Abelha-Mestra!
Apoisa! Apoisa! Apoisa!

(...) o enxame vai pousando e formando um enorme cacho castanho, (...) _ Alto lá! Caluda! Agora todos quietos e calados!
Mestre abelheiro corre a pegar no cortiço (...) começa a bater nas paredes exteriores com os nós dos dedos enquanto cantarola a seguinte melopeia:

Casa Nova, Abelha-Mestra!
Casa Nova, Abelha-Mestra!
Casa Nova, Casa Nova!
Casa Nova, Abelha Mestra!


As abelhas a princípio hesitam, (...) Algumas entram, (...) até que passa a Mestra e então é que uma multidão entra apressadamente na casa nova.”

Casa Nova Abelha Mestra


Nos dias de hoje a canção do “Mestre Abelheiro” teria uma letra diferente:

Apoisa! Apoisa! Apoisa!
Casa nova! Abelha Mestra!
Euribor, Euribor, Euribor!
Crédito à Habitação, Abelha Mestra!


E a abelha mestra “apoisaria” a milhas da casa nova...

Vamos lá mas é ao que interessa: no número um do jornal “As Abelhas” publicado neste blog, os mais atentos terão reparado num apelo aos apicultores, publicado com o título “Vocabulário Apícola”. Na referida rubrica, o autor pede aos leitores que conheçam antigas histórias e expressões ou termos usados na apicultura, para os comunicarem à direcção do jornal, com o objectivo de recuperar todo esse tesouro cultural para ser publicado.

Gostaria de usar o “Montedomel” para renovar o mesmo apelo a todos os visitantes, no sentido de colectar as expressões, termos e histórias apícolas que conheçam ou tenham ouvido falar. Em breve vou criar uma secção permanente, onde todos possam consultar e deleitar-se com o “material” que vai chegando.

Podem enviar as informações para montedomel@gmail.com ou directamente nos comentários do blog, o que agradeço antecipadamente.

24 julho, 2008

Outra vez o Programa Apícola Nacional


Detesto insistir nestas coisas, mas por vezes não há alternativa.
Há pouco mais de um mês fizemos as candidaturas ao PAN 2008, devido aos atrasos na publicação do Despacho Normativo n.º 23/2008. Foram preenchidos e entregues os respectivos modelos de candidatura, disponíveis no site do IFAP.
Nessa altura, copiei mais que um exemplar da cada modelo, sabendo que dentro de um mês teria que fazer a candidatura para a época seguinte. Até porque nos primeiros modelos já estavam previstos os campos para os anos de 2009 e 2010 (ver imagem PAN 2008).
Então não é que volvidos pouco mais de 30 dias o dito impresso já estava desactualizado? Já estava disponível no site do IFAP outro impresso para a Medida 1B, praticamente igual ao anterior, só que lhe faltavam os campos de 2008.
Será possível que estiveram tantos meses (ou anos?) para criar um documento e em menos de um mês já lhe detectaram falhas? ... mistério ...
O modelo recente, curiosamente trás os campos para a campanha de 2010, adivinha-se um documento duradouro ... no entanto aposto 5 € e o esquerdo em como no ano seguinte vamos ter um impresso novinho em folha e pronto a estrear.

22 julho, 2008

As Gafes do Bayvarol



Não pretendo criticar a eficácia do medicamento, apesar dos dados controversos que recolhi de alguns ensaios que fiz, longe de mim tal intento.
No entanto, gostaria que vissem com “olhos de ver”, a forma simpática e a sensibilidade com que são tratados alguns assuntos relacionados com a apicultura.

1. “Ácaros de Varroa danificando uma larva de Abelha
A fé leva-me a acreditar que a “larva de Abelha” esteja escondida atrás da crisálida (de Abelha) patente na imagem, ou então que já se encontre tão “danificada” que desapareceu...

2. “Eliminar com segurança as tiras utilizadas envolvendo-as em papel e colocando-as no lixo doméstico
Aconselhar a colocação de quimiotóxicos usados no “lixo doméstico” é mesmo novidade para mim. O laboratório responsável não ficaria muito melhor na fotografia se disponibilizasse uma forma de recolher as tiras usadas junto das associações de apicultores e lhes desse um fim mais “digno”?

3. “Unicamente para tratamento de abelhas com os ácaros de Varroose sensíveis à flumetrina...
Esta é a minha preferida. Caso gaste uma fortuna em medicamento e a Varroa resista, já sabe, os ácaros não eram sensíveis à flumetrina, a substância activa do Bayvarol.
Como saber se os seus ácaros são sensíveis à flumetrina? Nada mais fácil, dirija-se a um alergologista em Badajoz, que com a conhecida técnica de fazer uma série de riscos nos bracinhos dos seus ácaros, depressa saberá a que substâncias são sensíveis...

A Colheita de Verão


Sempre que visito as colmeias para colectar e anotar dados lembro-me das palavras de Leonel Belchior, que recolhe este tipo de informações há mais de quatro décadas: “Nunca há dois anos iguais, quando muito parecidos, mas iguais nunca”.
Assim me aconteceu no fim de semana passado, bem cedo, madrugada profunda para evitar o calor, lá fui a caminho do Lameirão ver as abelhas. No caminho percebi que as Abetardas jovens que vira outro dia ... não eram Abetardas, mas sim Sisões, segundo me informaram. Lá por terem asas e se encontrarem no Girassol não implica que sejam do meu domínio.
À chegada ao apiário vi uma grande movimentação de abelhas que entravam e saiam das colmeias. Traziam muito pólen de cor amarela e outro laranja vivo, provavelmente de Poejo e de Orégão uma vez que o Girassol ainda não floriu. Imaginei logo as alças a transbordar de melada de Azinho, mas ... nada, quando muito um quadro por outro, manchas de mel escuro e outras de mel claro. De facto não há duas campanhas iguais, o ano passado nesta fase estava quase a fazer a segunda cresta.
É uma fonte de néctar estranha, a melada de Azinho é muito imprevisível, apesar das copas frondosas das árvores, do bom estado vegetativo e das condições locais, a produção adivinha-se escassa. Por vezes tem a ver com as populações de Afídeos que excretam o néctar ou com a inexistência de manhãs húmidas que permitam a sua recolha.
Como compensação deparei-me com as colmeias fortes e populosas, muita criação emergente e postura recente, pode ser que o melhor esteja para vir.

15 julho, 2008

OGM Monforte

No sábado 12 de Julho concentraram-se em Monforte – Portalegre, várias dezenas de ambientalistas para protestar contra os ensaios com milho transgénico nos campos desta localidade.
A acção foi bastante mediática, tendo em conta a quantidade de participantes e os meios de comunicação presentes.
De assinalar também a presença de apicultores associados da ADERAVIS, cuja proximidade geográfica a esta zona é suficiente para lhes tirar o sono. As abelhas recolhem o néctar e o pólen da vegetação natural e da cultivada, pelo que qualquer alteração nos componentes daquelas substâncias poderá colocar em risco a vida das abelhas.

Curiosidade: Consegui perceber o motivo do tiroteio e da confusão em Loures, a GNR estava toda em Monforte !!!


10 julho, 2008

Jornal "As Abelhas" n.º 1







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09 julho, 2008

Captura de um enxame numa cave



No início deste ano pediram-me para desalojar uma gigantesca colónia de abelhas que se instalara numa casa de férias em Sousel.
Nunca tinha visto nada tão grande, os favos tinham cerca de 90 cm de comprido e a colónia já tinha perto de dez favos. Estes foram cortados à medida dos quadros onde foram embutidos e atados com um fio de algodão.
A operação correu bem, de uma colónia conseguiram-se fazer duas.

À Sombra de uma Azinheira


O meu apiário de Verão: sombra; água próxima; azinheiras; cardo e girassol. È muito mais relaxante que na Primavera, livre do stress da enxameação e da vigília quase contínua às colmeias.
No Verão diminuo muito o número de visitas ao apiário, a cada quinze dias, ou mais raramente uma vez por semana.
Por causa do calor escolho sempre o período após as dezoito ou dezanove horas para inspeccionar os fluxos de entrada de néctar ou alguma moléstia que se possa manifestar. Há sempre um aroma muito agradável a essa hora nas tardes de Verão, a funcho, tágueda, orégão e sobretudo a montado. É deveras curioso, mas o montado tem um aroma muito característico durante o Verão, não sei se devido à decomposição das folhas pelo chão ou mesmo às da copa. Trata-se de um cheiro quente, quase ardente, no entanto muito familiar e confortável para quem passou a vida nestas paragens.
A última visita valeu mesmo a pena, além das habituais perdizes ainda vi duas ou três abetardas que esgaravatavam calmamente o solo no campo de girassol.
Alguém escreveu uma vez que sempre havia muita vida junto aos apiários.
Curiosidade: na Herdade do Lameirão – Cano – Sousel, e mesmo sob o meu apiário, passa um rio subterrâneo muito caudaloso que rasgou o subsolo calcário e ninguém sabe onde vai desaguar.

08 julho, 2008

Perdizes com mel


A rapaziada da minha terra leva a vida muito a sério ...

Cerificador Solar de luxo, a preço de lixo


Há tempos encontrei uma caixa de inox de parede dupla, que terá sido uma tina para manter as refeições quentes num restaurante, antes de ser abandonada no lixo.
No fundo coloquei uma grelha metálica de um frigorífico já inutilizado, que cobri com uma rede mosquiteira de plástico.
A tampa de alumínio e vidro é que poderia ter sido mais cara, mas valeu-me um familiar que tem uma oficina dessas artes e também ficou a custo zero.
De qualquer forma os materiais utilizados, reciclados, poderiam ser de muitas outras proveniências. É pena que num país como o nosso, com um Verão tão quente e com tantas horas de Sol, não se aproveite mais esta forma de energia para fundir a cera.

VANTAGENS

Preço do cerificador a gás
Preço do gás
Nunca há risco de explosão
Não necessita de se acompanhar o processo
Benefícios ambientais

04 julho, 2008

Abelhas e OGM's

« No dia em que as abelhas desaparecerem do globo, o homem não terá mais que quatro anos de vida»
Albert Einstein



A Plataforma "Transgénicos Fora" está a preparar uma acção de protesto a realizar no fim-de-semana de 12 e 13 de Julho em Monforte.

O objectivo será marcar posição perante a recente decisão do Ministério do Ambiente em autorizar a realização de ensaios de campo com milho geneticamente modificado naquela localidade.

Cada vez é mais urgente o envolvimento dos apicultores nestas "preocupações globais".

03 julho, 2008

A Teoria dos Fumigadores


Depois das mezinhas e das rezas para capturar enxames, o combustível dos fumigadores é o assunto mais controverso e apaixonante para a maioria dos apicultores. Ficam horas a fio a discutir e a argumentar, são autenticos duelos entre a serapilheira e a bosta de vaca.
Ouço dizer aos mais antigos que primeiro se usavam carvões incandescentes dentro de uma telha de barro e se soprava o fumo para o interior do cortiço. Também havia quem usasse uma mecha de serapilheira, num método semelhante ao anterior.
Com a “descoberta” dos modernos fumigadores, autênticas incineradoras de bolso, é uma tentação inventar novas porcarias para meter lá dentro e assim acalmar as abelhas. A serapilheira e a bosta de vaca seca já são consideradas verdadeiros clássicos. Atenção que o que deve estar seco é mesmo a bosta e não a vaca, ao contrário do que a nossa traiçoeira língua parece sugerir.
E vê-se de tudo um pouco, cartão canelado, pasto seco, carvão, pedaços de madeira, serradura (funciona melhor humedecida), cascas de eucalipto e bagas da mesma árvore. Um conhecido apicultor da nossa praça quase andou à porrada para demonstrar as vantagens desta última.
Também é digna de registo a forma como grande parte dos apicultores meteu na cabeça que um punhado de Rosmaninho na parte superior do fumigador arrefece e aromatiza o fumo, tornando-o mais agradável para as abelhas. Então mas é suposto o fumo ser agradável para as abelhas?
Eu ultimamente tenho usado casca de Cipreste e cartão canelado para a ignição, a resina torna o fumigador menos “apagadiço” e dura muito tempo. Não sei se é do agrado das abelhas, mas nunca nenhuma se queixou.

A Propósito de Picadas...

Ficam duas histórias, uma antiga e outra recente:

Fez dez anos no passado dia oito de Maio, que adquiri a minha primeira colmeia e consequentemente o primeiro fato de apicultor. Era um casaco com máscara quadrada, que completava com umas luvas.
Lembro-me de ter perguntado ao vendedor se com aquele equipamento podia levar toda uma vida de apicultor a salvo das picadas. Recordo-me que ele olhou para mim e riu-se com vontade, mas acabei por não dar muita importância ao facto. No dia seguinte, primeira vez no apiário, partilhei o casaco com uma abelha que “entrou” comigo lá para dentro...
Há três meses fui ajudar um apicultor idoso a aplicar o medicamento contra a Varroose. Logo na primeira colmeia que abri, muito forte e populosa, fiquei coberto de abelhas que saíam da caixa em tal quantidade que mais pareciam água a escorrer. No primeiro acto vi-me a colocar as tiras muito à pressa para fechar rapidamente a colmeia. No segundo já ia eu e o velhote a correr colina acima, cada um com uma nuvem de centenas de abelhas enfurecidas em torno da cabeça.
Em plena fuga lembrei-me de gracejar advertindo-o que era melhor desfazer-se daquela colónia tão violenta, e que muito atrapalhava o maneio no apiário. Ele, muito pequenino e com os seus 83 anos cheios de energia, olhou para mim muito sério e disse-me:
“Não, estas não são bravas! bravas eram as da outra colmeia e que felizmente já morreram!”
Fiquei muito mais aliviado depois deste esclarecimento...

01 julho, 2008

Avis Mellifera



Programa e data a definir,
mas será em grande !!!

24 junho, 2008

Diz que é uma espécie de Programa Apícola

Programa Apicola Nacional Lá veio o ansiado Programa Apícola Nacional 2008 – 2010, atrasado 8 meses, mas o que é isso comparado com o marasmo em que o sector e o país se encontram.
A rapaziada voltou a animar-se com a corrida às repartições públicas, atestados, certidões, fotocópias autenticadas, assinaturas reconhecidas, pilhas e pilhas de celulose, colecções de papel que nunca ninguém vai consultar. As fotocópias do meu B.I. já têm uma tiragem maior que o livro da Carolina Salgado, ainda assim nunca chegam.

Agora expliquem-me lá como se eu fosse muito burro, o que se passou este ano com os medicamentos tão gentilmente oferecidos pelo Programa Apícola em anos anteriores ?
Antes, os medicamentos homologados eram muito caros, o apicultor tinha direito a 3,00€/colmeia, os serviços oficiais negociavam com os laboratórios e o dito medicamento chegava gratuito a todos os interessados.

Este ano, o apicultor continua a ter direito aos mesmos 3,00€/colmeia, ou pelo menos 90% desse valor, os medicamentos sofreram significativas baixas no preço, as associações de apicultores negoceiam directamente com os laboratórios e... a ajuda não chega para pagar o acaricida !!!

Há aqui qualquer milagre da engenharia financeira que me escapa.

23 junho, 2008

A Vespa do PAN

Esta é a imagem que o IFAP colocou no Manual de Candidaturas do Programa Apícola Nacional.

Não é lá grande coisa como abelha, mas admitamos que é uma vespa bonita, amarela e preta, até pousou numa flor.

Isto não é importante, nem quero com isto dizer que há desinteresse do Ministério pl'o sector apícola, estavam só distraídos e o Google por vezes confunde as buscas ... vespas, abelhas, são insectos sociais e pronto...

18 junho, 2008

Destino: Girassol

Finda a Primavera e a cresta do Rosmaninho é tempo de “fazer as malas” e partir para o Girassol, o Cardo e a Melada de Azinho.

Aqui no Alentejo é possível fazer o circuito da “floração contínua” em poucos quilómetros, e raros são os anos em que a deslocação de colmeias não resulte num saldo positivo. Há dois anos, por exemplo, regressei sem mel e com uma infestação de Varroa na ordem dos 56%!!! Em contra partida o ano passado fiz duas colheitas de Verão. Não há que desesperar.

Os preparativos são o ritual do costume: durante o dia D verificar as condições da carrinha, nível de combustível, pressão dos pneus e outras subtilezas que nos podem deixar imobilizados no centro de uma localidade com a carga “mortífera”. Os seguros de responsabilidade civil continuam a ser um mito, e em caso de acidente... é melhor nem tocar no assunto.

Uns dias antes há toda a conveniência em visitar o local de destino, avaliar a floração e contactar o proprietário para obter a respectiva autorização de assentamento. As características desse local condicionarão boa parte da produção, normalmente opto por um local com sombra durante todo o dia, o que se consegue em pequenos bosques formados por quatro ou cinco azinheiras juntas, a proximidade da água também é determinante, nunca mais de 50 ou 100 metros.

Tenho por experiência que não é muito conveniente o acumular de alças sobre o ninho durante o Verão. Por um lado, a manutenção desse mel fica muito caro em termos de mão de obra, uma vez que são mobilizadas muitas abelhas para controlarem a temperatura nas alças, logo diminuem a recolha, por outro lado e quando as reservas são muitas, elas também aliviam o trabalho. Aliando estes factos à não necessidade de deixar opercular o mel de Verão, há toda a conveniência em crestar logo que as alças estejam cheias.

Só mais uma dica: nunca esqueçam uma boa pomada ou gel para a dor de costas, tirando isso a transumância para a floração de Verão é muito gratificante...

13 junho, 2008

07 maio, 2008

Curiosidade???
Saiba porque foi reencaminhado para aqui, muito em breve...