17 dezembro, 2008

Instalar um Apiário II

7. A Disposição das Colmeias
Acerca deste ponto tenho visto de tudo um pouco, desde os apiários colocados numa linha recta muito certinha, aos que, para irmos de uma colmeia a outra temos de ir de carro...
É outra das situações em que se apela ao bom senso, e podemos optar por uma série de soluções muitas vezes condicionadas pelo terreno.

A) – Linha Recta: Facilita bastante o trabalho de inspecção, agrava no entanto o problema da deriva de abelhas quando há poucos referenciais.
Quando se opta por este esquema, convém pintar de cor diferente a parede frontal de cada colmeia, ou colocar símbolos que facilitem a respectiva distinção pelas abelhas.

B) – Linhas Rectas Paralelas: Tem as mesmas vantagens e desvantagens do modelo anterior, com a agravante de as abelhas das filas de trás encontrarem uma ou mais “barreiras” de colmeias no regresso a casa. Minimiza-se o problema quando o terreno tem um declive muito acentuado.
Em circunstâncias de falta de espaço já o tenho utilizado sem grandes problemas, mas é uma opção que evito sempre que possível.

C) – Curva ou Semicírculo: Há quem o defenda apontando vantagens sobre a linha recta, alegando que as colmeias estão viradas para direcções diferentes, reduzindo o risco de deriva. No entanto, existem apicultores que dizem exactamente o contrário.
Muitas vezes opta-se por ele pelas características do terreno, mas não sou grande adepto deste modelo.

D) – Colmeias Dispersas: Do ponto de vista da deriva de abelhas é talvez o esquema mais correcto, agora em termos de desempenho para o operador não parece ser lá muito eficaz.
Diria que menos de 10% dos apicultores optam por este desenho, mas lá vai encontrando os seus adeptos. São quase sempre as condições do terreno, normalmente acidentado e rochoso, que levam os apicultores a optar por ele.
Estes apiários têm quase sempre acesso difíceis e por isso pouco práticos para quem faça transumância.

E) – Linha Irregular: Esta disposição parece juntar os aspectos positivos dos pontos anteriores. Por um lado, as colmeias em linha recta facilitam o trabalho ao apicultor, e por outro, a rotação suave para direcções diferentes decerto reduzirá a deriva de abelhas.
Não é um esquema muito comum, costumo utilizá-lo mais vezes quando tenho pouco espaço e as colmeias estejam demasiado próximas, evitando que as entradas fiquem muito juntas.
Em resumo, a forma de colocar as colmeias num apiário é importante, mas... há aspectos bem mais influentes.

8. Suportes e Distâncias entre as Colmeias

A existência de suportes sob as caixas irá sem dúvida prolongar-lhes a longevidade, sobretudo a do estrado, e por outro lado evitará o excesso de humidade no interior da colmeia.
Nesta matéria, mais uma vez a imaginação dos apicultores não tem limites: Blocos de cimento, lajes de xisto, traves de madeira, vigas, pneus,... por aí a fora. Não há uma regra definida, convém optar por materiais baratos e resistentes.
Já a distância entre as colmeias tem “pano para mangas”, desde encostadas umas às outras até aos casos em que não se percebe se pertencem ao mesmo apiário. Dizem as referências que não há uma distância ideal, convém que estejam suficientemente afastadas que permitam a passagem do operador entre elas.
No meu caso deixo espaço suficiente para outra colmeia no intervalo, para o caso de ter de fazer desdobramentos.

Há quem opte por uma solução aparentemente cara, mas que é muito resistente e duradoura. Trata-se de um suporte feito com dois blocos de cimento e duas vigas de pré-esforçado com três metros cada. Os custos afinal rondam os 1,5 a 2,0 €/colmeia, mas são quase eternos e facilmente recicláveis.

9. Protecção Anti-Formigas

Tenho o maior respeito por quem as utiliza, e até gosto de ver, dão um ar cuidado ao apiário e são extremamente úteis. Mas para quem tem muitas colmeias e passa o tempo com “elas às costas”, torna-se muito difícil de realizar.
Prefiro continuar a ser apologista de que colmeias fortes são à prova de formigas; ratos; vespas; traças; etc...
Actualmente há um aspecto muito importante a ter em conta: o transporte, manuseio e utilização de óleos lubrificantes usados ou “queimados”. Já soube de muito boa gente que foi multada por haver uma mancha de óleo no solo da quinta, no local onde habitualmente estacionam o tractor. Bem basta não sermos reconhecidos como merecedores de ajudas agroambientais, só faltava sermos acusados de poluir o ambiente...

16 dezembro, 2008

Um Conto de Natal...

As Abelhas que Semeiam Arvores
O Natal é uma quadra que nos remete para o mais profundo e belo que há em nós. Será sempre um período de reflexão onde conseguimos vasculhar o passado e encontrar motivos de orgulho que nos iluminam o futuro. Creio sinceramente que todas as pessoas em todos os recantos do mundo fazem, fizeram ou irão fazer uma obra, que de alguma forma afectará o melhor possível as pessoas à sua volta.
Ontem, por exemplo, um jornalista do Iraque atirou com um par de sapatos ao George W. e só agora percebi que o W. é a abreviatura de Walker, enfim... mas o dito jornalista passou de simples anónimo a herói planetário em dois arremessos. Nem sequer acertou no alvo, imaginem se acertasse. Mas estamos no Natal e vou acabar com as ironiazinhas... desafio a quem encontrar mais uma que seja pelo texto abaixo... vale uma embalagem de mel. Mas acreditem que no desenho do início me senti tentado a substituir a abelha “semeada” por um par de sapatos.
Continuando...
Para que a vida não tenha sido em vão, todos temos como objectivo plantar árvores, fazer filhos e escrever livros, ou pelo menos cumprir uma parte disso. Outros há, que sem realizar nenhum daqueles feitos, conseguem uma vida plena e realizada, apenas pelo facto das suas acções, de uma forma desinteressada e quantas vezes sem reconhecimento, melhorarem ou tornarem possível as vidas alheias.
Até porque há muitas formas de plantar arvores, escrever livros ou fazer filhos.

Recordo-me de uma história, verídica, passada nos Alpes no principio do século XX, onde um pastor solitário munido de um varão com um bico e um saco de bolotas, tinha como passatempo fazer buracos no solo onde enterrava as ditas sementes. Muitas, cerca de 100.000 todos os anos, dessas, apenas 20.000 germinavam, perder-se-iam ainda metade, mas 10.000 Carvalhos nascidos anualmente naquelas encostas áridas eram muitas arvores. Mais serão ainda se multiplicarmos esse número por quarenta anos de actividade e solidão do pastor Elzéard Bouffier, que de uma forma desinteressada e sem subsídios plantou centenas de milhares de Carvalhos, Faias e Bétulas. Mudou a face e o clima de uma região, as fontes e regatos voltaram a correr, a vida tornou-se possível.
Mais tarde, a esse mesmo local foi reconhecida importância nacional, tendo ganho o estatuto de área protegida. Sabe-se que mais tarde o pastor trocou as ovelhas por cerca de uma centena de colmeias, não fossem as primeiras destruir as arvores jovens.
Pergunto-me, quantos Elzéard Bouffier haverá no mundo ? Posso adiantar que segundo os últimos censos, em Portugal existirão mais de 15.000, 1.800 dos quais fazendo-o profissionalmente. Desculpam-se que produzem mel, ou pólen ou própolis, perante terceiros, mas na realidade o que eles fazem é plantar arvores, arbustos e herbáceas. Propagam e disseminam milhares e milhões de plantas, por hectares e hectares de terreno, umas para madeira, outras para frutos, outras apenas para sombra e ornamentação, mas todas para uma renovação contínua da atmosfera e do ar que respiramos. Removendo constantemente milhões de toneladas de dióxido de carbono, entre outros gases tóxicos e substituindo-os por oxigénio.
Esta acção passa-se a uma escala espaciotemporal para a qual não temos sensibilidade, não por razões de negligência ou desinteresse, apenas porque é um processo imperceptível no contexto humano, limitamo-nos a respirar sem com isso fazer esforços voluntários e sem pensarmos sequer no assunto.
Mas para haver ar respirável têm de existir plantas, vegetais, para haver plantas têm de haver sementes fecundadas, viáveis, estas por sua vez devem a existência a insectos incansáveis que visitam constantemente as flores provocando a polinização – as abelhas.
Infelizmente, e desde a disseminação do ácaro Varroa destructor, as abelhas para subsistirem precisam da ajuda dos apicultores. É assim um pouco por todo o mundo, abelhas e apicultores são os guardiões do ambiente, de uma forma desinteressada e muitas vezes incompreendida, levantam-se de madrugada para limpar e purificar o ar que todos respiramos.
A apicultura é uma actividade económica, quem a pratica visa a produção de mel, cera, pólen, própolis, geleia real e toda uma série de produtos que acaba por vender para daí extrair algum lucro.
Para os apicultores, o mel, o produto principal, é sempre vendido muito barato, no entanto o consumidor acha-o sempre muito caro, ironicamente o serviço ambiental promovido pelas abelhas, de longe o mais importante... é gratuito.
Poucos governos reconhecem e gratificam este serviço público, como acontece na Suécia. Um país onde o Ministério da Agricultura incentiva as pequenas explorações familiares, de modo a que todos tenham algumas colmeias no jardim, cobrindo vastas áreas do território. O mesmo não se pode exigir aos grandes produtores que para rentabilizarem as explorações apenas fazem os apiários em zonas de grande floração, polinizando apenas esses locais.
O objectivo desta mensagem é provocar alguma reflexão sobre a actividade apícola, sobre a forma como todos os apicultores sempre que capturam um enxame, fazem desdobramentos, criam rainhas ou simplesmente tratam das colónias, estão no fundo a fazer muito mais que isso, estão a manter este planeta habitável, estão a plantar árvores...
Bem hajam e Feliz Natal...

Este texto foi publicado na revista “O Apicultor” e outros jornais há uns anos atrás, reproduzi-o aqui com algumas alterações.

15 dezembro, 2008

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11 dezembro, 2008

Instalar um Apiário I

A instalação de um apiário sempre encerra decisões determinantes no sucesso da exploração.
Dependendo das características do local onde se faz o assentamento, assim estimulamos ou comprometemos aspectos como a produtividade ou a sanidade das nossas colónias.
A bibliografia apícola é extremamente rica em conselhos acerca dos melhores sítios onde podemos/devemos colocar as colmeias. Fica no entanto um conselho que nunca aparece nas referências: além dos preceitos normais, convém decidirmo-nos por um local onde nós próprios nos sintamos bem, uma vez que vamos lá passar muitas horas a tratar das abelhas.

1. Flora apícola
Como é óbvio, este será sempre o factor mais importante a ter em conta na instalação de um apiário. É da quantidade e da diversidade da flora que irá depender a quantidade e a qualidade do mel produzido.
Raros são os locais em Portugal onde é possível manter as colónias em produção por mais de três ou quatro meses, os períodos de floração normalmente demoram menos tempo. A transumância é o método pelo qual podemos ter as abelhas em floração quase contínua.

2. Distância a Vias Públicas e Edifícios em Utilização

De acordo com o Artigo 5º do DL 203/2005 de 25 de Novembro, os apiários devem estar implantados a mais de: a) 50 m da via pública; b) 100m de qualquer edificação em utilização. Exceptuando-se os caminhos rurais e agrícolas, bem como as edificações destinadas à actividade apícola do apicultor detentor do apiário.
Muitas vezes é uma tentação colocar duas ou três colmeias no quintal ou no jardim de casa, principalmente quando a rua é ajardinada com uma longa fila de laranjeiras ou tílias. No entanto é sempre desagradável quando as nossas abelhas causam problemas a terceiros, e mesmo o respeitar da referida lei não nos livra da responsabilidade civil...

3. Exposição

Uma vez escolhido o local, importa agora decidir acerca da exposição das colmeias, ou seja, para que lado virar a entrada/saída das abelhas. Quando o apiário se situa numa encosta não há muito a decidir, esta escolha recairá obviamente sobre a exposição da própria encosta.
Diz a regra que as colmeias deverão estar viradas para Sul – Nascente, uma margem de manobra de 90º, para que a entrada tenha o maior número de horas de luz por dia, tal como também protege as ditas entradas dos ventos frios do Norte.
Há dois meses encontrei um excelente local para fazer um apiário. Muito rosmaninho e estevas na encosta de um ribeiro, e sem abelhas por perto. Nem pensei duas vezes, passei uma rica tarde a cavar e arrancar mato. Só no fim me apercebi que... estava quase virado para Norte! Nem tudo ficou perdido, é um excelente local para o Verão, e acabei por encontrar outra encosta próxima e com boa exposição.

4. Protecção de Ventos Dominantes

Este ponto acaba por estar muito relacionado com o anterior.
Quer pelas baixas temperaturas a que poderão estar associados, ou pelos distúrbios que causam no voo de tão pequenos insectos, os ventos dominantes podem e devem ser evitados de várias formas:
i) Instalação do apiário em socalcos a meia encosta.
ii) Protecção por sebes naturais, árvores ou arbustos.
iii) Muros de pedra ou alvenaria, etc.
Creio que se torna desnecessária a construção de elaborados, e caros, muros em alvenaria, com telhado e outras extravagâncias, a não ser que se tenham poucas colónias e tratadas como animais de estimação.

5. Proximidade de Água

Apesar de não parecer trata-se de um dos factores de produção mais importantes, sobretudo na estação quente. A água a grandes distâncias implica a mobilização de muitas abelhas para essa função, abelhas que fazem falta para outras funções...
Os apicultores costumam resolver o problema com bebedores artificiais, atestados periodicamente, mas a água parada com o calor do Verão tende sempre a ficar insalubre. No entanto, acho sempre curiosas as pequenas pranchas de cortiça, colocadas em tanques ou outros recipientes para que as abelhas não se afoguem.
O ideal será sempre uma fonte de água corrente e não poluída, ribeiro ou regato, com margens baixas e arenosas onde as abelhas possam beber.

6. Afastamento de Fontes de Poluição

A proximidade de ETARes, rios poluídos e outras fontes de contaminação química e bacteriológica, é altamente desaconselhada para o assentamento de colmeias.
Nos últimos anos a instalação exagerada de antenas das operadoras de telemóveis e outro tipo de retransmissores, além dos já antigos cabos de alta e muito alta tensão, têm causado diversos distúrbios nas colónias de abelhas. Mercê de sensores específicos, sensíveis a estímulos que a nós passam despercebidos, as abelhas reconhecem, orientam-se e “desorientam-se” com a radiação electromagnética, pelo que a distância às referidas antenas, postes e cabos é sempre desejável.
Continua...

... outro pensamento

O surgimento da Varroa até "aliviou" a consciência do apicultor.
Antes “roubávamos” o mel às abelhas, agora dão-no-lo em troca da vida...

09 dezembro, 2008

As Zonas Sanitárias Controladas e o Mito do Correio Azul...


Há uns anos atrás, era eu criança, aprendi que se colocasse uma carta no Correio, regra geral ela chegava ao destino no dia seguinte. Tempos mais tarde, alguém inventou o “Correio Azul”, muito mais rápido e caro que o convencional, cheguei a pensar que a correspondência chegasse ao destinatário no próprio dia. Nada disso, o Correio Azul demorava as mesmíssimas 24 horas, o convencional é que ganhou o estatuto de não prioritário, passando a demorar mais tempo.
No fundo, o Correio Azul não trouxe nada de novo, a não ser mais lucros para os CTT de então.
Depois inventaram o Correio Verde, foi quando me ocorreu que a escala de cores do visível ainda tinha pano para mangas a explorar e decidi-me então pelo correio electrónico, impessoal e cinzentão, mas é rápido e barato...

Há uns anos atrás, eu já não era criança e aprendi que o Programa Apícola Nacional(1) levado a bom termo, poderia controlar e quase erradicar boa parte dos problemas sanitários da apicultura.
Nesse tempo, a filosofia do dito Programa era precisamente o combate à Varroose, mediante o recenseamento dos apicultores e respectivas existências, culminando na extremamente importante: distribuição gratuita de medicamentos.
Foi também quando se começou a falar nas Zonas Sanitárias Controladas (ZSC), cujo estatuto só previa deveres para os respectivos gestores e por isso depressa foram esquecidas.
Recentemente, verificou-se uma alteração aparentemente pouco importante na filosofia das ditas Zonas, mas que marcou toda a diferença: o direito a um ou mais técnicos pagos por fundos comunitários para gestão e controlo das ZSC. Começaram então a surgir um pouco por todo o lado como cogumelos, o que à primeira vista parecia ser o fim das moléstias apícolas.
A grande novidade veio então como uma revelação, no Programa Apícola Nacional – 2008/2010, a distribuição gratuita de medicamentos passou a contemplar apenas as referidas ZSC. O resto do país talvez tenha ficado com o estatuto de Latrina Sanitária Descontrolada, pois apesar da ajuda de 90%(2) para aquisição do medicamento, os apicultores ainda tinham de pagar uma quantia avultada...

À semelhança do Correio Azul da minha infância, as Zonas Sanitárias Controladas também não trouxeram nada de novo, ficaram com o estatuto que antes contemplava a totalidade do território, remetendo as restantes áreas para um plano secundário e sem importância do ponto de vista da sanidade apícola.

Lembro-me de nos “tempos áureos” do Programa Apícola os técnicos serem instruídos no sentido de angariarem o maior número possível, senão a totalidade, de registos de apicultores, de modo a que os medicamentos acaricidas homologados chegassem a todos os apiários, e só assim se podia debelar a temível doença. Uma das premissas dessa estratégia era que as colmeias tivessem um tratamento sincronizado e de preferência com o mesmo produto. Caso contrário, a Varroa mantinha-se nos apiários não tratados durante a medicação dos outros e vice versa, sobrevivendo assim aos sucessivos tratamentos.
Agora só se focam as atenções nas áreas de estatuto especial em detrimento do resto, cada associação compra os medicamentos que quer... ou que pode... ou nem compra.
Ficam-me no entanto algumas questões sem resposta:
Assumindo que a Varroa é de facto controlada nas ZSC's, como impedem que os ácaros respeitem essa fronteira? Com áreas tampão? E a mobilidade dos enxames? E a dos zangãos? E as colónias selvagens? Por vezes assumimos para as abelhas comportamentos e características próprios de outros animais, como as vacas, as ovelhas ou os porcos, por isso surgem sempre uma série de imprevistos que nos fogem ao controlo.
E a proximidade de outros apiários, das “Zonas Descontroladas”?, o ordenamento que há uns anos se previa fazer com levantamentos por GPS, caríssimos e adquiridos pelas associações ao abrigo do Programa, não passou da fase teórica.
Assumindo igualmente que as Zonas Sanitárias Controladas obrigam ao uso exclusivo de medicamentos homologados, até porque os outros não existem, o que fazer no caso de Loque Americana ou outra enfermidade que não a Varroose? Talvez o Programa preveja a contratação de algum curandeiro para fazer rezas e mezinhas às abelhas... Tenho pouca fé nos abates sanitários e respectivas indemnizações, até porque estas últimas custam mesmo muito dinheiro.
E relativamente aos transgénicos nas ZSC's? A sanidade das abelhas não é só afectada por agentes químicos e microbiológicos...

À data do “fecho da edição”, conversava animadamente sobre o assunto com um apicultor associado na ADERAVIS. Contou-me ele que possui um apiário privilegiado, instalado numa ZSC, onde foi colhida uma amostra de abelhas para análises anatomopatológicas em Março passado, pela qual pagou a módica quantia de 5,00€. Nove meses depois, ainda não recebeu o resultado da dita análise. Se as respectivas colónias forem portadoras de uma moléstia grave, em vez do diagnóstico o laboratório pode enviar-lhe é a certidão de óbito.

Zonas Sanitárias Controladas? Sim! Com toda a urgência, mas uma única que abarque a totalidade do território, a totalidade das colmeias e moléstias, e... com controlo...

(1) Nesse tempo, chamava-se Programa de Acções de Melhoria da Produção e Comercialização do Mel.
(2) 90% em 2008, 50% em 2009 e ... 0% em 2010.

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07 dezembro, 2008

Avis mellifera 2008...


O CONCURSO DE MEL

Júri: Eng.º José Joaquim Gardete
Eng.º Paulo Varela
Dr. Pedro Branco

Mel Multifloral: 24 amostras

José Manuel Amâncio – Fronteira
João Domingos Rosa – Avis
Hélder Jesus Ventura – Vale de Maceiras

Mel de Rosmaninho: 16 amostras

1º Maria Luísa S. Garcia – Benavila
2º Carolina Paraire Durão – Ponte de Sor
3º José Francisco Cortes Traquinas – Avis

O Júri...

O Mel de Rosmaninho

Mel Multifloral

Os troféus...


O COLÓQUIO
Presidente da Câmara Municipal de Avis e Direcção da ADERAVIS

Apesar das condições meteorológicas, o colóquio contou com mais de 70 participantes, entre associados da ADERAVIS e provenientes de outros locais do país.
O Presidente da Câmara Municipal de Avis, Dr. Manuel Libério Coelho, e a Direcção da ADERAVIS abriram o colóquio dando as boas vindas a todos os participantes.
Os oradores...


Moderador: Eng.º José Joaquim Gardete

1º tema: Programa Apícola Nacional, Dr.ª Helena Cosinha, DRAPAL.
Nesta comunicação foram apresentadas as diversas “Acções” e respectivas “Medidas” do referido programa, com especial ênfase para a Assistência Técnica.

2º tema: Sanidade Apícola – Varroose, Dr. Filipe Nunes, Laboratório Hifarmax.
Apresentação sumária da biologia do ácaro Varroa destructor, os efeitos nas colónias de abelhas e os métodos e medicamentos usados no controlo da doença.
Foram ainda apresentados estudos de eficácia, conselhos e metodologias de aplicação de diversas substâncias activas.

3º tema: Comercialização do Mel, Dr. Vitor Morgado, COOP Lisboa.
Uma abordagem curiosa à problemática das dificuldades de comercialização do mel, face às complexas e crescentes exigências do mercado. Um notório apelo ao associativismo e organização dos pequenos produtores, no sentido de mais facilmente enfrentarem os obstáculos inerentes a tal processo.

4º tema: Unidades Primárias de Produção, Eng.º Paulo Varela, Montemormel.
O assunto que está na ordem do dia e no topo das preocupações dos produtores/vendedores de mel. Foram apresentadas as exigências legais necessárias ao registo das referidas instalações, tal como os principais equipamentos e materiais aconselhados para a obtenção de um mel salubre e sem riscos de laboração para o operador.

O DEBATE

Um dos momentos altos da tarde e sobretudo muito participado.
As primeiras “farpas” foram para o Programa Apícola Nacional, parece mentira, nomeadamente para o atraso de oito meses e para a ridiculamente exagerada carga burocrática, prazos surreais e demais “infuncionalidades” que há muito o caracterizam.
Ainda relativo ao dito Programa, foi levantado o problema da voluntariamente forçada “perda de direito” ao medicamento, pelos apicultores fora das Zonas Sanitárias Controladas, ou seja, pela maioria dos apicultores. Neste ponto foi largamente reconhecida a importância da apicultura para lá das razões económicas, nomeadamente a sua importância social e ambiental, razões de sobra para que os apicultores TODOS continuassem a receber as habituais ajudas.
Mais uma vez, as exigências inerentes ao registo das Unidades Primárias de Produção, foram alvo de crítica pelos apicultores, dado o desajustamento da legislação em vigor face ao sector apícola. Demonstrando-se mais uma vez que tais regras pouco mais são que uma colagem sem imaginação e adaptada de outros sectores pouco ou nada relacionados.
Relativamente à comercialização, lamentaram-se as regras selvagens que regem os mercados, em particular a especulação promovida por armazenistas e grandes superfícies comerciais.

O único aspecto negativo a assinalar: a ausência de um representante da DGV, convidado para a apresentação do 4º tema. De lamentar que as referidas Jornadas não tenham suscitado junto da autoridade sanitária nacional um mínimo de interesse que justificasse o envio de um técnico.
Fica a dúvida para a autoridade moral a que um dia poderão ter de apelar na fiscalização das mesmas unidades primárias de produção.


Um obrigado especial a todos os participantes, em particular aos que se deslocaram de locais distantes para assistirem às jornadas.

03 dezembro, 2008

Avis mellifera

Só faltam 3 dias, é já no Sábado,
14:30 Salão da Junta de Freguesia


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Notícias: Seixal Mel


A 6.ª edição do Seixal Mel decorre entre os dias 2 e 6 de Dezembro, na Estação de comboios da Fertagus, em Corroios. A feira pretende divulgar o mel e sensibilizar, em especial as crianças das escolas do concelho, para os benefícios que o mel e os benefício que tem para a saúde. Durante este período os visitantes podem participar em provas, visitar uma exposição sobre o mel e adquirir os produtos da colmeia disponibilizados por vários apicultores da ASBA - Associação dos Apicultores do Seixal, Barreiro e Almada.
As crianças das escolas do concelho podem ainda visionar um vídeo didáctico sobre a vida das abelhas e participar numa exposição colectiva através dos desenhos que venham a realizar durante a iniciativa.
A iniciativa é organizada com a colaboração da ASBA e conta com o apoio da Fertagus - Travessia da Tejo, SA.

O Sexo dos Anjos


Nada caracteriza mais um apicultor que a vontade de falar ou discutir qualquer assunto relacionado com a actividade. Às vezes a coisa mais disparatada que se possa imaginar é motivo para horas de conversa.
Já me justificaram isso como resultado das horas de solidão no meio do mato, entre covas e cabeços, ainda por cima separados do mundo pela rede omnipresente da máscara. Um amigo meu dizia-me uma vez que depois de um dia nas abelhas via tudo aos quadradinhos...
Certo é que uma vez tive uma discussão dessas, aliás tive dúzias delas, mas nesta não chegamos a consenso. O diferendo prendia-se com o transporte de colmeias povoadas, onde eu era apologista dos quadros paralelos ao deslocamento do veículo e o outro apicultor defendia a perpendicularidade dos mesmos.
Quem não tiver nada a ver com a apicultura e ler o parágrafo anterior vai passar a olhar para um frasco de mel como quem olha para uma fórmula matemática... mas acredite que isto são só aparências, o mel continua a ser doce como era e até engorda...
O imbróglio da dita conversa encalhava na incerteza dos dois contendores, sobre se um veículo em andamento oscilava mais para os lados ou para a frente e para trás. No primeiro caso a verdade era dele, no segundo, contando com as travagens e acelerações bruscas a razão era minha.
Até que alguém invente um “oscilômetro” que registe os solavancos do caminho, resolvemos deixar a conversa em espera, até lá conduzam com cuidado para não sacrificar as abelhas.

02 dezembro, 2008

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O primeiro MelToon de FELIZ NATAL...

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01 dezembro, 2008

A Extinção das Abelhas


O mundo dos insectos sociais é um sistema complexo e intrincado de pequenos seres vivos, cuja presença discreta muitas vezes nos passa despercebida. Da mesma forma que sensorialmente nos parecem invisíveis, também as suas acções pouca ou nenhuma importância parecem trazer ao nosso quotidiano.

Um olhar mais atento permite-nos descobrir um carreiro de formigas, um vespeiro, um enxame de abelhas selvagens ou outra qualquer colónia de insectos. Para quem gosta destas coisas, pode procurar nos buracos das árvores ou do chão, debaixo das pedras ou na madeira em decomposição.
Todos têm uma importância fundamental no equilíbrio dos ecossistemas, quanto mais não seja pelos números elevados cujas colónias alcançam.
As abelhas e os Bombus, são as responsáveis pela polinização de milhares de espécies vegetais espontâneas e cultivadas, além da importância económica das primeiras na produção de mel. As vespas também têm muita importância na polinização, tal como no combate a pragas indesejáveis. Juntamente com as formigas fazem ainda o saneamento dos campos, através da remoção e reciclagem de toneladas e toneladas de cadáveres que lhes servem de alimento.
Todos estes animais já povoavam o planeta muito antes do aparecimento do Homem, exactamente com as mesmas funções e comportamentos que ainda hoje os caracterizam. Infelizmente as abelhas já não gozam da mesma independência que ainda assiste aos seus parentes aqui referidos. Há mais de 20 anos, desde a proliferação do ácaro Varroa destructor como parasita da Apis mellifera, que estas estão totalmente dependentes do ser humano.

Se deixarmos de as assistir com os tratamentos acaricidas, aquela moléstia em menos de um ano acaba com todas as colónias levando as abelhas à extinção. Até há poucos anos haviam uma série de ilhas isentas de Varroas, mas com as importações de abelhas das regiões contaminadas, depressa a moléstia chegou a todas as latitudes.
Desde o surgimento da doença que os laboratórios se têm desdobrado em esforços para a combater, só no nosso país são comercializadas quatro marcas homologadas e outras tantas clandestinas. Em Portugal existem cerca de 500.000 colónias de abelhas na posse de apicultores registados, cada uma tratada duas vezes por ano pelo menos.
Assumindo um preço médio, estimado, de 2,00€/colmeia/tratamento, equivale a 4,00€/colmeia/ano, o que soma cerca de 2 milhões de euros por ano, gastos em Portugal no combate a uma única doença das abelhas, por enquanto e em parte suportados pelo Programa Apícola. Se extrapolarmos estes valores para o resto da Europa, EUA, América do Sul e Central, Canadá e Austrália entre outros grandes produtores de mel, atingimos somas fabulosas, que fazem da apicultura uma tremenda mina de ouro para os laboratórios. Curiosamente, volvidos vinte e tal anos da proliferação do dito ácaro, ainda não se conseguiu um medicamento ou uma medida de facto eficaz que debelasse a doença.
A manutenção do Varroa destructor, e dos respectivos tratamentos obrigatórios, aumenta substancialmente os custos de produção do mel, os riscos de contaminação dos produtos da colmeia, e o risco de surgimento de uma variante mais agressiva e resistente do referido ácaro.

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28 novembro, 2008

MelToon - 14


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27 novembro, 2008

Colmeias Diferentes - 4

Retirado de: falta_de_absurdo.spaceblog.com.br


Desta vez nem faço comentários, só sei que TAMBÉM QUERO UM!!!

Juraci, o jumento apicultor de Itatira, tem atraído atenção não só dos outros produtores de mel da região, mas também de dezenas de curiosos e até da imprensa.O dono, Manoel Juraci Vieira, trabalha no ramo há dois anos e conta que tinha dificuldade em carregar o mel dos apiários, uma espécie de colméia artificial, até as casas de mel, onde o produto é beneficiado."Tíanhamos que andar mato a dentro, em lugar que não dava pra levar um carrinho de mão, por exemplo. Estão eu tive essa idéia", conta.Em dezembro do ano passado, e com a ajuda de outros apicultores, ele criou a indumentária para o bicho, com direito a tela e tecido especial, para não incomodar o animal."Ele não acha ruim. É meu amigo, daqueles fiéis mesmo, sabe?", avalia Manoel. Na hora de vestir a roupa, Juraci não faz cerimônia: até levanta as patas para facilitar o trabalho do dono.
"É uma graça", diz Socorro, esposa de Manoel. Todos os trabalhadores do mel da região têm registro na Associação dos Apicultores de Itatira e agora Manoel quer que Juraci também seja registrado."Acho mais do que justo", argumenta. A presidente da associação afirma que está avaliando o pedido: "Estamos analisando como é que vamos certificar esse jumento, mas que é merecidíssimo é!", reconhece Cláudia Guerra.A expectativa dos associados é ampliar a experiência para todos os outros produtores. "É só uma questão de dias", afirma Cláudia.
A produção de mel é recente no município de Itatira. Há apenas 4 anos a cultura foi introduzida entre os produtores rurais e fez tanto sucesso que já ocupa a terceira posição na economia local."Antes tínhamos o ouro branco, que era o algodão. E os nossos pais compravam tudo com o dinheiro da venda dele. Agora não, o ouro é dourado mesmo", explica um dos apicultores da região, Júlio César Muniz.O sabor da iguaria por lá é característico, graças à florada do marmeleiro, planta típica da região. Das casas de mel e em sachês, o produto segue para as escolas e é a parte preferida da merenda das crianças.
Redação Terra

26 novembro, 2008

Rouxinóis e Abelhas



Saudades da Primavera...

A vida de apicultor tem destas coisas...
Com a chegada do Inverno e do tempo frio, de alguma forma nos chega o ócio, ou pelo menos algum descanso em contraste com a azáfama da estação quente.
Nesta fase recordamos os dias soalheiros, em que tudo nos serve de desculpa para “incomodar-mos” as abelhas e passar-mos longas horas no apiário.
Numa das noites em que fazia transumância para o Girassol, fim da Primavera, início do Verão, ouvi um som muito melódico de um rouxinol em rituais de acasalamento. Como ando sempre com um gravador digital no bolso, para o caso da Natureza surgir com alguma revelação destas, resolvi gravá-lo para agora poder matar saudades do tempo quente...




Colmeias Diferentes - 3


REGRESSO À ESTRADA
Desta vez as colmeias até são bastante normais, engraçado é o apiário... na faixa de rodagem...
Mas pensem só nas vantagens, acesso facilitado e o carro pode estacionar mesmo junto ás colmeias.
Podíamos ir distribuindo assim colmeias pela nossa rede viária, era até muito mais fácil cumprir a legislação do ordenamento. Atentos ao conta quilómetros deixávamos os apiários à distância regulamentar uns dos outros e a transumância também ficaria muito facilitada... só rosas.
De facto, trata-se de um assentamento muito correcto, as colmeias encontram-se num corte de estrada, sem utilização.

Alerta: Varroose


Durante esta semana recebi vários telefonemas do Centro e Sul do País, informando sobre infecções de Varroa destructor anómalas para a época, até porque esta data coincide com o fim dos tratamentos.
Independentemente dos medicamentos utilizados registaram-se vários casos de Varroose, o que á primeira vista parece indicar resistência dos ácaros ou reinfestações.
Não é de modo algum um sinal de alarme, no entanto... o seguro morreu de velho, convém que se façam inspecções aos apiários no sentido de se detectarem os respectivos sintomas. As baixas temperaturas e ventos fortes dos últimos dias dificultam bastante uma inspecção acurada às colmeias, no entanto devem mesmo ser feitas.
O ideal é aguardar por um dia mais calmo, ensolarado, e abrir as colmeias ao fim da manhã ou depois de almoço, quando as temperaturas estão mais elevadas. Nunca esquecendo que esta intervenção deverá ser o mais célere possível. Antes de abrir as caixas, o apicultor deverá observar bem o terreno frente às mesmas, para procurar abelhas expulsas e que normalmente têm as asas atrofiadas.
Cuidado com os falsos diagnósticos, muitas vezes encontramos o terreno limpo frente às colmeias, só porque nesta estação algumas vespas coloniais procuram alimentos activamente, removendo todos os cadáveres de abelha.

Resta agora saber se esta anomalia sanitária não seja já um reflexo da “novidade” do actual Programa Apícola Nacional, pois com o fim da distribuição gratuita de medicamentos milhares de colmeias ficaram sem tratamento.

25 novembro, 2008

"Estórias" da Apicultura IV


Provérbios retirados de http://www.nossogrupo.com
A abelha perto do monte, com fonte e casa abrigada, produz mel e cera dobrada.
A abelha procura a parelha.
A abelha, gado santo de vento, conhece o dono que a trata bem e farta, não ferra ninguém.
A abelha-mestra não tem sesta e se a tem, pouca e depressa.
A rainha das abelhas não tem aguilhão.
Abelha e ovelha e a pena de trás da orelha e parte na igreja, desejava para o filho a velha.
Abelha, ovelha e parte na igreja, desejava para seu filho a velha.
Abelha-mestra não tem sesta e se a tem, pouca e depressa.
Abelhas e ovelhas têm as suas defesas.
Abelhas e ovelhas, em suas defesas.
Abelhas sem comida, colmeia perdida.
Ainda que doce seja o mel, a mordidela da abelha é cruel.
Ano de abelhas, ano de ovelhas.
Atrás do mel correm as abelhas.
Da mesma flor a abelha tira o mel e a vespa o fel.
Deus não queira, nas minhas colmeias, abelha que não coma mel.
Diz a abelha: traz-me cavaleira, dar-te-ei mel e cera.
Do que diz que não bebe mel, livre Deus minhas colmeias.
É com mel que se pega a abelha.
Longe das minhas colmeias, semelham zângão.
Morta é a abelha que dava mel e cera.
Mosca, gente; abelha, presente.
Não morde a abelha senão a quem trata com ela.
O que não é bom para a colmeia não é bom para a abelha.
O rei das abelhas não tem aguilhão.
O rei das abelhas não tem ferrão.
Pelas abelhas de São Pedro pagam as de São Paulo.
Quando chupa a abelha, mel torna; e quando a aranha, peçonha.
Quanto chupa a abelha, mel torna; e quanto a aranha, peçonha.
Quanto chupa a abelha, se torne mel e quanto a aranha, peçonha e fel.
Tanta chuva pelas Candeias, tantas abelhas para as colmeias.
Uma boa abelha não pousa em flores murchas.
Enxame de Abril para mim, de Maio para meu irmão.
Enxame de Abril vem para o covil e o de Março vem para o regaço.
Enxame de Abril, deixai-o ir; o de Maio, agarrai-o e ao de Junho, nem que seja com um punho.
Enxame de Maio, a quem to pedir, dá-lho e o de Abril, guarda-o para ti.
Enxame de Março, apanha-o no regaço; o de Abril, não deixes ir; o de Maio, deixai-o.
Enxames em Abril, mil; em Maio, apanhai-os; pelo São João, apanhai-os ou não.
O enxame de Abril, não o deixes ir.
O enxame de Maio, quem to pedir, dá-lho; o de Abril, guarda para ti.
O enxame de Março, mete-o no regaço.
O enxame pica o matreiro onde quer que ele se encontre.

24 novembro, 2008

MelToon - 13


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