15 setembro, 2008

Use os seus €urónios...


Há duas ou três semanas entrei numa loja “minipreço” da minha área de residência, um mini mercado já com dimensões consideráveis.

Inevitavelmente deito sempre o olho à prateleira do mel, e até me detive por ali, parecia hipnotizado por um rótulo muito apelativo.
Olhei à minha volta não fosse algum dos meus clientes de mel ou outro apicultor ver-me e desconfiar de alguma marosca. Como não havia ninguém agarrei o frasco e li... li a proveniência, e o resto, o preço, o produtor... li tudo. O que mais me interessava era mesmo a proveniência, a origem do dito néctar, mas a minha curiosidade apenas teve direito a um lacónico: “mistura de méis CE e não CE”. A legislação nem sequer obriga a mais - estava em conformidade.
Então, mesmo sem usar os €urónios, percebi que a CE é constituída por 27 países, e a parte não CE do globo por mais de duas centenas ou perto disso. Ou seja, entre a dita menção e a ausência dela fiquei exactamente na mesma, não consegui saber onde tinha sido produzido o mel. Ainda fiquei dois ou três minutos armado em idiota com o frasquinho na mão, tentando adivinhar a língua dos apicultores que o produziram, quando me ocorreu uma ideia brilhante e que de imediato pus em prática.
Procurei o gerente e disse-lhe que havia uma pequena associação de apicultores em Avis, cujo mel tem uma excelente qualidade e seria interessante, até bom para ambas as partes, que aquele fosse comercializado no dito mini mercado. Depois da surpresa o gerente mostrou-se mais compreensivo que interessado, mas... confessou-me que a politica comercial do “minipreço” não autorizava tal negócio, a loja era obrigada à exclusividade do mel que lhe era fornecido pelo dito “minipreço”, a tal mistela oriunda algures da Europa Comunitária e de outro ou outros locais do planeta.
Agradeci a atenção dispensada e afastei-me. Enquanto atafulhava o carrinho com pacotes, sacos e latinhas, matutava na dúvida que ainda tenho: se misturar-mos 200g de um excelente mel nacional num depósito com várias toneladas de mel oriundo do Sudoeste Asiático ou da África Sub Saariana, já o pudemos rotular com a desdita “mistura de méis CE e não CE”?.
Ainda os “€urónios” da cabeça andavam nesta confusão, quando os do bolso me ficaram quase todos na caixa registadora à saída.
Foi já fora da loja que me iluminei: então estes gajos não só querem os nossos €urónios, como ainda evitam que nós os ganhemos para... mais tarde lhos vir devolver!!! A política comercial do “minipreço” desqualifica assim os nossos produtos, o nosso labor, o nosso mel, substituindo-o por outro de proveniência incerta ou pelo menos desconhecida para o consumidor. Desde há alguns anos a esta parte, não só estas lojas como os hipermercados se instalam cada vez mais no interior, chegam como uma lufada de ar fresco, falam em desenvolvimento e depois dão nisto, no fundo vêm é pedir-nos os nossos “€urónios”...
Há vinte e tal mil apicultores em Portugal, mais umas centenas de milhares de produtores de carne, leite, ovos e hortícolas entre muitos outros, potenciais clientes minipreço entre outros, e cujos produtos vêm assim vedada a sua entrada neste tipo de lojas. Sempre que interrompem a programação da TV para nos mandarem usar os €urónios ou outras baboseiras do género, deviam logo informar os produtores (que também são clientes), para evitarem aparecer com as “zurrapas” que produzem, pois a política comercial que os rege não se compadece com o desenvolvimento dos locais em que se instalam. O que lhes interessa de facto não cabe nas prateleiras, engorda sim é a caixa registadora...

Face a esta desilusão e como já vai sendo meu hábito, resolvi fazer uma pequena investigaçãozinha sobre as origens e outras curiosidades acerca do mel comercializado noutros mercados da região e que passo a apresentar:

Feira Nova – Ponte de Sor

Mel de marca branca “Pingo Doce”, de origem portuguesa e com número de licenciamento de melaria.
Também tinha o já clássico “Mel Granja São Francisco”, mais clássico que o embalado nos frascos da Tofina. Tem a denominação de venda “Mel de Néctar”, é embalado em Espanha, e trata-se de uma mistura de méis CE e não CE. 500G a 4,99€ face aos 1,99€ pelas 470g de mel português da marca branca.

LIDL – Ponte de Sor

Mel da marca “Maribel”(Pure Clear Honey) uma mistura de méis não CE: América do Sul e Central.
Também tinha mais duas referências em embalagens de plástico, marca “Maribel” (Wildbluten Honig e Wald Honig), ou seja Mel de Flores Silvestres e de Flores do Bosque. Mistura de méis CE e não CE, embalados na Alemanha para o LIDL.

Modelo – Ponte de Sor

Uma verdadeira feira apícola, ele era mel simples, com favo, com frutos secos, pólen, própolis, havia de tudo um pouco, várias referências e a grande maioria de origem portuguesa, como o proveniente das conhecidas “Colmeia Belchior”; “Pulo do Lobo”; “Serramel”, “Europrópolis” e “Quinta da Urgeira”.
Fiquei deveras surpreendido com a qualidade e a variedade disponibilizadas pelo “Modelo”.
Também lá havia o “Mel Granja São Francisco” mistura CE e não CE, com o respectivo antigoteo e um “Mel de Nectar” da Ferbar, produzido na Argentina.

CONCLUSÕES:
Em conversa com o responsável de cada loja percebi que as compras eram da responsabilidade de um organismo central que recolhia os produtos e os distribuía por todas as lojas do mesmo grupo. Também percebi que nalgumas situações (raras), se não tinham mel nacional era porque não haviam propostas dos respectivos produtores ao dito organismo central que depois os distribuía, resta no entanto saber os preços praticados.
Fica também a informação que o Feira Nova se encontra numa fase de procura ou pelo menos de interesse por produtos regionais para venda nas lojas locais, no entanto o contacto terá de ser feito com a respectiva central.
Surgem algumas marcas portuguesas, com especial destaque para o Modelo, sendo no entanto a maioria de origem estrangeira e principalmente de fora da CE.
Face ao exposto, era interessante que apicultores e respectivas associações pensassem numa estrutura supra associativa que se debruçasse sobre estes e outros problemas, e que de certa forma pressionasse no sentido de se alterarem estes números. A apicultura podia ser um importante pólo de desenvolvimento para as regiões interiores, caso houvesse um fácil, ou possível? escoamento do mel.
Já o governo, podia aproveitar a dica e criar também uma espécie de ministério que se ocupasse da gestão e dos problemas da agricultura e dos agricultores.
Caso estas instituições já existam... que me perdoem, pois daqui não se nota nada.

Curso de Apicultura


A Associação TRILHO - Associação para o Desenvolvimento Rural, vai organizar uma Acção de Formação Inicial para Apicultores em Pavia, concelho de Mora.
O curso terá início em princípios de Outubro e durará até Dezembro, num total de 150 horas pós laborais, distribuídas por quatro noites/semana.
Para mais informações e inscrições contactar a TRILHO pelo telefone 266 701 210

09 setembro, 2008

Meltoon - 3

Especial 11 Setembro (7 anos)...


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X Concurso de Mel MONTEMORMEL


Tipos de Mel a Concurso

MEL DE SOAGEM (12 Amostras)
1.º - Cuizcamp - Escoural - Montemor o Novo

MEL DE ROSMANINHO (11 Amostras)
1.º - Vicente Maltêz - Baldios - Montemor o Novo

MEL MULTIFLORAL (16 Amostras)
1.º - Cuizcamp - Escoural - Montemor o Novo

JÚRI
José Gardete
Dulce Alves
Joaquim Pífano

04 setembro, 2008

OGM não obrigado...

Autocolante

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03 setembro, 2008

Muros Apiários em Casa Branca

Casa Branca foi uma localidade com marcada tradição apícola em tempos idos. Haviam inclusivamente várias famílias que não vivendo exclusivamente da produção de mel, este seria um dos principais sustentos, senão o principal.
Tinham na ordem dos 200 ou 300 cortiços, que albergavam em pequenos muros apiários. Estes muros localizavam-se em encostas com mato, nomeadamente a Esteva e o Rosmaninho, os mais abundantes.
Os apiários encontravam-se sempre perto dos terrenos de cultivo onde as famílias passavam largas temporadas na lavoura e noutras ocupações agrícolas.
Nesses tempos abundavam a caça e os predadores, os cortiços eram muitas vezes pilhados por animais selvagens. Entre os mais citados encontravam-se os Javalis e os Texugos, que pela sua voracidade causavam grandes danos quer na produção de mel, quer nos próprios cortiços que acabavam destruídos com estas visitas. Para proteger os apiários destes ataques construíam-se pequenas fortificações em taipa que não teriam mais de metro e meio de altura.
Como nem sempre havia disponibilidade de pedras para construções mais sólidas, usava-se o barro muito abundante nestas paragens e faziam-se as paredes em taipa. Para o efeito limpava-se o local, normalmente uma encosta pouco inclinada, fazia-se um pequeno alicerce e colocavam-se moldes de madeira (taipais) para segurar a “lama” enquanto estava fresca.


A terra era escavada ali mesmo ao lado, era misturada com pequenas pedras para dar estrutura, e com água claro, mas em quantidades mínimas, ao contrário do que possa parecer. Ás vezes pouco mais era que humedecida, o mais importante era o aperto que se lhe dava com os paus, conforme referem os mais velhos. Iam adicionando mais material e batendo lentamente como se se tratasse de um pilão.

O muro tinha sempre uma forma quadrada ou rectangular, com cerca de 20 x 20m ou 25 x 25m e uma altura de 1,5m.

Deixavam-lhe uma abertura mais ou menos estreita para acesso ao interior e que tapavam com uma porta rudimentar, normalmente feita de ramalhos de azinho e mato.
Um dos aspectos mais curiosos tinha a ver com a protecção das paredes de taipa contra a chuva. Como estes materiais eram muito friáveis, depois de um Inverno as paredes desprotegidas por cima muito rapidamente se desgastavam, o que obrigaria a frequentes trabalhos de reparo. Para evitar esta situação arrancavam-se Estevas verdes, abria-se-lhe a ramagem e eram colocadas sobre o muro com as raízes para cima, de modo que a água da chuva escorresse pelo arbusto e não danificasse a parede. Isto era feito a toda a extensão da parede de taipa, desta forma duravam muitos anos sem precisarem de concertos importantes. Essas Estevas que eram substituídas anualmente.

Estes recintos, por vezes tinham três ou quatro socalcos baixos e pouco nítidos onde o apicultor dispunha filas paralelas de lajes de xisto, sobre as quais assentavam então os cortiços.
As visitas aos apiários eram mais frequentes consoante os trabalhos agrícolas sazonais obrigavam a estadias mais ou menos prolongadas na proximidade das colmeias. Fora isso, os apicultores poucas mais vezes lá iam que as necessárias para capturar novos enxames e fazerem a cresta. Até porque a sanidade apícola nunca tinha grandes novidades, as colónias só pereciam com fome ou sem rainha, e nessa altura a traça tomava conta do resto. Era ainda cedo para se ouvir falar em Loque Americana ou na Varroose.
De qualquer forma, quando os cortiços “morriam” infestado de traça, era normal o apicultor colocá-los nos fornos onde cozia o pão e dar-lhes o calor necessário para destruir esta moléstia.
Era uma vida pacata a de “apicultor da antiguidade”, ouvi falar de um caso nesta localidade, onde o apicultor tinha um certo receio das abelhas e pouco se aproximava do muro, era antes a esposa que desempenhava as funções de “abelheira”. Ao que parece, as vezes que o marido lá ia, era para retirar umas garrafas de aguardente que escondia nos troncos das árvores, pois com a proximidade das abelhas não tinha de recear que alguém lhas roubasse...
Dos muros em taipa, pouco mais resta que pequenas saliências de terra em forma quadrangular, a falta de protecção e reparos levou á sua quase total erosão. Até há cerca de três anos, um deles ainda estava activo, albergava um apiário com mais de 50 cortiços, no entanto, também este já foi desactivado.

02 setembro, 2008

MelToon - 2

Desertificação...

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01 setembro, 2008

Alentejanices


Só espero que a ASAE e as colheres de pau não façam "faísca"...

ADERAVIS Polinização do Girassol

No fim da Primavera, a ADERAVIS conseguiu que vários dos seus associados deslocassem cerca de 700 colmeias para as florações de Verão.
Tal facto deveu-se à celebração de contratos de polinização entre os apicultores e produtores de girassol espanhóis que alugaram terras na região para esse efeito. Para a produção de sementes híbridas era necessária a polinização cruzada entre várias cultivares de girassol, tarefa que foi levada a cabo pelas abelhas.
Acabou por ser um Verão positivo para os apicultores que alem do incentivo monetário pago pelo serviço de polinização (9,00€/colmeia), ainda viram a produção anual acrescida com o mel obtido na transumância.
As exigências feitas pelos agricultores limitavam-se a colmeias bem povoadas, crestadas e com alças vazias sobre o ninho, uma densidade de 3 colmeias/hectare e a permanência no local durante todo o período de floração. Em contrapartida e além do pagamento da polinização, os produtores de girassol ainda disponibilizaram “sombreros” que protegiam as abelhas do Sol e do ataque dos Abelharucos.




Os sombreiros eram longas redes suportadas por cabos e postes de ferro com cerca de dois metros de altura, e que albergariam 60 a 80 colmeias cada um. Foi opinião unânime dos apicultores que aqueles teriam desempenhado melhor a sua função se a rede utilizada fosse substituída por rede verde, de sombreamento, uma vez que protegia mais da luz solar. De qualquer forma não houve baixas assinaláveis nos efectivos e as produções foram muito satisfatórias.



O balanço final foi bastante bom quer para os apicultores, pelas razões apontadas, quer para os agricultores que conseguiram a respectiva produção de sementes, ficando a vontade de ambas as partes em continuarem no ano seguinte.




Será que ouvi alguém pensar alto em utopias como o Ministério da Agricultura nacional conceder ajudas aos agricultores para pagamento de serviços de polinização? Pelo menos era uma alternativa às anedóticas Agroambientais para a apicultura com que ninguém beneficiou há poucos anos atrás.

29 agosto, 2008

MelToon - 1



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MelToon n.º1? ...Como se estivessem para sair muitos...
Vou tentar que seja com uma periodicidade mensal
ou como o Jornal do Padre Fontes: "Sempre que Deus queira..."

25 agosto, 2008

Diagnóstico da Varroose

Contagem de Varroas

Desde meados da década de 80 que a Varroose constitui um dos principais problemas da apicultura e dos apicultores portugueses. Seja pelas baixas na produção, custo dos medicamentos, trabalho/tempo suplementar despendido e os riscos de contaminação do mel. Regra geral, os apicultores fazem pelo menos duas aplicações de medicamento acaricida por ano, podendo até chegar às três ou quatro em casos de reinfestação.
Muitas vezes estes tratamentos são feitos em função de datas: como o período antes da Primavera, o pós cresta ou o fim do Verão, à semelhança da Luta Química Cega praticada noutros sectores. Raramente o grau de infestação é tido em conta, quando muito a observação dos sintomas mais comuns poderá acelerar ou antecipar a decisão de tratamento.
Não é meu objectivo discutir ou criticar a aplicação de acaricidas em períodos como antes da Primavera, porque é uma fase em que há todo o interesse em baixar o número de Varroas para um limite inferior e que garanta que não venham a haver infestações graves durante a fase de produção principal.
É regra nos seres vivos as populações aumentarem exponencialmente o número de indivíduos durante uma determinada fase, em que a capacidade de suporte do meio o permite, até atingirem um limite superior (de equilíbrio) em que o crescimento fique estável, não aumente nem diminua - (GRÁFICO 1).
No caso da Varroose, como em qualquer ser vivo, a curva de crescimento teria um desenho semelhante, só não acontece por a coabitação entre Apis mellifera e Varroa destructor ser recente e ainda não haver uma fase de equilíbrio, levando à morte da colónia de abelhas e consequentemente ao fim das próprias Varroas numa colmeia. Não é de facto um verdadeiro fim para as Varroas porque entretanto já infestaram nova(s) colónia(s) - (GRÁFICO 2).
Os apicultores ao aplicarem os medicamentos têm como resultado diminuir (raramente anular) a população de Varroas até um nível mínimo que não causa danos à colónia de abelhas e respectivas produções - (GRÁFICO 3).


A actividade que hoje proponho, levada a bom termo, permite ao apicultor a monitorização do crescimento da população de Varroas e tomar a decisão mais acertada sobre o momento em que deve intervir para combater a moléstia. Evitam-se assim os custos e trabalhos acrescidos, tal como os riscos de contaminação do mel e até de tratar tarde demais.

RECOLHA DE ABELHAS ADULTAS PARA CONTAGEM DE VARROAS:

Material:
Frascos de vidro de boca larga (pelo menos um por apiário e com
capacidade de 1 kg de mel).
Água e detergente líquido.
Escova ou um ramo de arbusto.
Etiquetas para marcar os frascos.
Pinça.

Procedimento: Em casa devemos preparar para cada apiário pelo menos um frasco meio de água, onde deitamos uma colher de sopa de detergente, para receber as Abelhas. O detergente quebra a tensão superficial da água e alem de proporcionar uma morte mais rápida às Abelhas, obriga as Varroas a afundarem facilitando as contagens.



No apiário serão amostradas 30% das colmeias, escolhidas aleatoriamente, incluindo sempre as das extremidades que pelo facto de receberem abelhas de todas as outras são consideradas muito representativas, logo devem ser sempre testadas.



Nas colmeias sorteadas devemos colher cerca de 50 Abelhas em cada uma (aproximadamente). As Abelhas a recolher devem ser o mais novas possível, quando ainda apresentam muitos pelos e uma cor acinzentada. São mais frequentes nos quadros de criação, pelo que se devem evitar os quadros das alças e os das extremidades do ninho.
Claro que também irão abelhas mais velhas, o que não constitui qualquer problema, muito grave é se varrermos a rainha para dentro do frasco...



Uma vez seleccionado o quadro de onde retirar as Abelhas, com a ajuda da escova ou um ramo varrem-se cerca de 50 Abelhas para dentro do frasco com água e detergente. Devemos encontrar primeiro a rainha, colocar esse quadro num local seguro dentro da colmeia, e seleccionar outro quadro com o tipo de Abelhas desejado para o efeito. O ideal são duas pessoas para este trabalho, enquanto uma varre as Abelhas a outra segura o frasco que deve tapar imediatamente.
Todas as Abelhas de um apiário vão para dentro do mesmo frasco (50 Abelhas x 30% das colmeias).



Os frascos etiquetados, uma vez em casa, são destapados e com a ajuda de uma pinça retiram-se e contam-se todas as Abelhas, tomando nota desse número. No frasco apenas ficam as Varroas, cuja contagem é muito fácil elevando o frasco e contando-as pelo fundo.
Sabendo o número de Abelhas e de Varroas basta calcular a percentagem de infecção: VER RESULTADOS.




RECOLHA DE LARVAS DE ABELHA PARA CONTAGEM DE VARROAS:

A contagem de Varroas pode e deve ser efectuada também nas larvas de Abelha, cujo resultado irá complementar o encontrado nas Abelhas adultas.
Nos testes efectuados nas colmeias dos associados da ADERAVIS apenas temos calculado o grau (percentagem) de infecção nas Abelhas adultas, o que tem sido suficiente para os nossos objectivos.

Material:
Faca ou canivete.
Sacos etiquetados ou numerados (um por apiário).
Faca de desopercular.
Tubo fino ligado à torneira.
Funil e papel de filtro.

Procedimento:Nas mesmas colmeias onde recolhemos as Abelhas na etapa anterior, seleccionamos um quadro com criação operculada em ambas as faces e cortamos um pedaço de favo com cerca de 8 x 8 cm. Todos os pedaços de criação oriundos do mesmo apiário devem ser guardados no mesmo saco.



Uma vez em casa, os pedaços de favo são desoperculados, e retiradas as larvas de Abelha com a ajuda de um pequeno jacto de água, que se consegue ligando um tubinho de diâmetro reduzido a uma torneira.
As larvas de Abelha, os eventuais ácaros de Varroa e a água devem cair para dentro de um funil ou outro utensílio equipado com um papel de filtro.




Logo que todo o favo esteja limpo de ambos os lados, retira-se o papel de filtro e contam-se as larvas de Abelha e as Varroas. Somam-se os resultados de todas as amostras do mesmo apiário e com os resultados totais calcula-se a percentagem de infecção da criação de Abelhas, resultado que complementa o encontrado nas Abelhas adultas.





CONCLUSÕES
Segundo algumas fontes, quando a percentagem de infecção è igual ou inferior a 5%, temos cerca de um mês para efectuar os tratamentos contra a Varroose. Quando esse número ronda os 15% ou próximo deste valor, convém não demorar mais de uma semana a aplicar o acaricida. Quando o resultado encontrado é igual ou superior a 20/25% devemos tratar imediatamente e vigiar as abelhas com frequência.
Há cerca de dois anos conseguimos recuperar cerca de 20 colónias com 56,4% de infecção, ou seja, em cada duas abelhas havia uma que carregava com uma Varroa.

FACTORES QUE PODEM MASCARAR OS RESULTADOS FINAIS:

A recolha de amostras para fins estatísticos deve obedecer a um grande rigor e imparcialidade, caso contrário poderemos obter resultados e respectivas extrapolações muito diferentes da realidade, levando a um mau procedimento à posteriori.

- Tal como já foi dito, não devem ser recolhidas Abelhas das alças ou dos quadros sem criação, pois têm quase que exclusivamente Abelhas adultas onde o número de ácaros é muito inferior.
- Por vezes os apicultores mostram pouca vontade na recolha de Abelhas para análises, temendo o enfraquecimento da colónia, e menos de 50 Abelhas/colmeia podem comprometer os resultados.
50 Abelhas numa colmeia normal representam cerca de 0,08% da população, ou seja, menos de 1%.
- A contagem de Varroas em larvas de zangão apresenta valores muito superiores à realidade da colónia, pelo que amostras de favos com estas características levam-nos a valores erróneos. Devemos notar que a população de zangãos numa colónia é de cerca de 3% das obreiras, como tal è pouco representativa.
- Quando retiramos as Abelhas adultas do frasco com água e detergente devemos lavá-las bem, não tragam algum ácaro junto, o que poderá levar a estimativas por baixo.

Há portanto um conjunto de pormenores a observar neste teste diagnóstico para retirarmos todo o potencial e ajuda que ele nos pode valer, e que dada a facilidade de execução, em pouco tempo qualquer apicultor estará apto a realizar.

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14 agosto, 2008

Dali no apiário



Ou o Salvador Dali me tira o pincel ou ...

12 agosto, 2008

ADERAVIS “Filha” da Tradição



Já este ano a ADERAVIS, fez uma parceria com o RURALENTEJO para o uso da marca “Filhos da Tradição”, registada por esta entidade.
Para tal criou um rótulo genérico que poderá ser utilizado por todos os associados e outros apicultores interessados, após a celebração de um contrato com o RURALENTEJO.
A marca “Filhos da Tradição” não é mais que uma forma de certificação participativa, onde o produtor de mel (e outros géneros alimentares que já utilizam a marca) se comprometem a cumprir um determinado conjunto de regras que visem a qualidade, entre as quais o acesso do consumidor a todas as fases da produção ao embalamento.

09 agosto, 2008

Histórias de arrepiar...


Agora é tempo de férias, e para quem não pode passar sem as abelhas também é bom dar-lhes descanso para depois voltar com mais saudade. De qualquer forma, e como o tema também é apicultura, vamos lá a mais uma história daquelas... para desanuviar das agruras da estação.
Esta passou-se no primeiro ano que fui técnico apícola, com o meu amigo “Badalo”, nome fictício para ocultar a entidade do rapaz.

Andava eu a recolher amostras de mel para tipificar as produções da região, quando me calhou em sorte pedir um frasco ao Badalo.
Essa tipificação de méis era feita ao abrigo do Programa Mel, esse mito das melhorias na produção e comercialização do mel, que agora por melhorias mais faz lembrar os antigos comprimidos “Melhoral”.
Quando eu pedi a amostra ao Badalo, ele ficou completamente atrapalhado, ele atrapalhava-se com facilidade, e confessou-me que as suas vinte e tal colmeias há mais de três anos que não davam uma gota de mel. Nem para consumo lá de casa, quanto mais para amostras. Marquei logo uma visita de urgência, para saber o que se passava com as abelhas dele, não fosse tratar-se de doença grave ou outro problema qualquer.
Por esses tempos a legislação apícola era bem mais permissiva, ainda nem se sonhava com o 37/2000 do ordenamento, pelo que ele aproveitava para colocar as colmeias no próprio quintal.
Logo à chegada deparei-me com um apiário que mais parecia um quadro do Salvador Dali, cortiços interligados entre si por uma intrincada rede de tubos que saíam de uns e entravam noutros. De vez em quando lá via umas abelhitas apatetadas, a circularem pelos tubos transparentes. Aquela porcaria lembrava mesmo um sistema orgânico extraterrestre dos filmes de ficção científica.
Nem cheguei sequer a formular a pergunta, já ele estava com aquele ar de parvo, que Deus lhe perdoe pois também não lhe deu outro, a responder-me:
Dava-me cá uma pena ver estragar a cera nos cortiços que morriam! As casinhas já feitas e sem nenhum proveito!! Assim resolvi fazer as ligações para que as abelhas dos outros cortiços as possam utilizar!
Ou seja, ele tinha inventado as colmeias com anexo, tipo retiro ou casa de férias para as abelhas mudarem de ares. Sentença: Daqui a quinze dias quando eu cá vier, não quero voltar a ver essa “tubagem apícola”, até parece que vai canalizar o mel para dentro de casa.
Momentos depois, quando me preparava para tapar uma colmeia emalhetada da casa Alberto da Silva Duarte & Filhos, Lda, arrancou-me a prancheta das mãos e colocou-a noutra posição, dizendo:
Desculpe lá, mas a palavra Coimbra fica sempre virada para o lado da janela da casa de banho!”
Só tive vontade de lhe dar com a prancheta na cabeça, quando a sogra dele nos interrompeu aos gritos e a esfregar muito a testa.
Merda da velha, eu bem lhe disse para não vir agora ao quintal porque íamos mexer nas abelhas.” Felizmente que a idosa também era aficionada e já perdera a conta às picadas que levara em toda a vida.

Junto à lareira de uma pequena dependência ao fundo do quintal, uma boa dúzia de abelhas jaziam inertes numa caixinha de fósforos, algumas já mexiam as patas. Lá me explicou que as tinha apanhado junto às colmeias, vítimas do frio, e que recobravam junto ao lume até estarem de novo aptas ao serviço.

Meses depois apareceu-me na associação com um ar muito enfezado, onde me contou de imediato a sua recente desgraça. Logo na primeira cresta que se preparava para fazer, um azar com o fumigador e umas faúlhas no pasto custaram cerca de 20 hectares de montado.
Salvaram-se a mulher e a sogra, porque o Badalo ainda lhe ouviu os gritos quando fugia desesperado a chamar os bombeiros, voltou atrás para as resgatar, pior sorte tiveram os documentos que teve de renovar mais tarde. Desta vez confesso que tive pena dele, apesar de não ter de pagar os estragos foi expulso do local onde recentemente tinha feito o novo assentamento. E logo estas colmeias que não tinham à mão a tubagem das outras e que decerto daria jeito para apagar o incêndio...

Um ano depois, véspera de Natal e eu regressava apressado de Ponte de Sôr para Avis, afim de gozar umas merecidas férias. Os 30 km de estrada entre aquelas duas localidades, só tinham rede da TMN no cabeço das Galveias, nuns restritos 500 metros, ou seja, a probabilidade de me ligarem nesse caminho é de 1 para 60. Tal não foi a pontaria do Badalo que acertou, precisamente nos últimos 100 metros com rede móvel. Encostei o carro, atendi o telefone e preparei-me para o chorrilho de idiotices que decerto iria sair daquela cabeça:
Desta vez o problema foi o misterioso azedamento do mel recem crestado e sem motivo aparente. Mel recentemente crestado? Mas estávamos a três dias do Natal! Lá me explicou então que desde o infame incêndio que lhe ia vitimando as abelhas a mulher e a sogra, nunca mais crestou antes das chuvas encharcarem o terreno. Como o ano foi seco, a cresta quase coincidiu com o dia de Natal.
Com isso conseguiu a proeza de obter um excelente monofloral de Medronheiro que oscilava entre o muito amargo e o intragável, 60 quilogramas dele...

Tenho confiança suficiente com o “Badalo” para contar estas histórias.

05 agosto, 2008

CSI Abelhas ...



Recorte da Revista “Nova Gente” desta semana.
É curiosa a forma como o “mundo lá fora” vê a apicultura, o pior é que insistem sempre em ilustrar a coisa com uma vespa preta e amarelinha. A estes ainda se perdoa, mas ao IFAP... nem posso esquecer.

Podíamos era adaptar o texto para:
As abelhas – ou melhor, os seus hábitos – poderão ajudar os apicultores a perceber (e resolver mais facilmente) os problemas do sector.
Só um exemplo: tal como elas vivem com a máxima “a união faz a força”, os apicultores deviam fazer o mesmo.

04 agosto, 2008

O Teste de Comportamento Higiénico

Cada vez é mais importante para o apicultor o conhecimento das características genéticas e comportamentais das suas colónias de abelhas. O controlo e a selecção de características como o Comportamento Higiénico, a Agressividade, a Tendência para Enxamear, a Capacidade de Recolha de Néctares entre muitos outros é determinante para o sucesso da exploração apícola.
A maioria destes testes são relativamente fáceis de executar pelo apicultor, vou hoje debruçar-me sobre o Teste do Comportamento Higiénico, que aliás já o fiz nas minhas colónias com bons resultados.
As abelhas com bom comportamento higiénico também são susceptíveis às doenças como quaisquer outras, no entanto essa probabilidade é muito reduzida, na medida em que as colónias com essa característica detectam e eliminam rapidamente qualquer larva ou adulto com sintomas anómalos.

Para fazer o dito teste, o apicultor deve munir-se de tantos saquinhos de plástico etiquetados quanto o número de colmeias que pretende testar, uma faca e o equipamento habitual. Devo adiantar desde já que há colónias que não necessitam do teste, chumbando logo na primeira análise, como é o caso das colmeias regularmente infectadas com a micose, sinal inequívoco de Mau Comportamento Higiénico.

No apiário, e em cada colmeia, deve retirar um quadro com uma boa superfície de criação operculada em ambos os lados.

Afaste as abelhas com a escova ou um raminho, e com a faca corte um quadrado com 8 x 8 ou 10 x 10 cm de criação operculada, tenha cuidado com os arames do quadro.

O pedaço de favo com a criação (amostra) deverá ser colocado num saco de plástico ou papel, etiquetado com o número correspondente à colmeia testada.

O quadro de onde se cortou a amostra é recolocado no local original da colmeia, e faz-se-lhe uma marca na tábua superior, com a ajuda do alicate levanta quadros ou com a faca, de modo a que seja mais fácil de encontrar nas visitas seguintes.
Estas etapas são repetidas em todas as colmeias que se pretendem testar (idealmente em todas as colmeias do apiário).

Reunidos todos os sacos com as amostras num saco maior ou numa caixa, são colocados no frigorífico onde vão permanecer umas horas. O ideal será fazer as recolhas ao entardecer, colocar tudo no frigorífico a essa hora e retirar no outro dia de manhã, é tempo mais que suficiente para que todas as larvas (criação) sejam mortas pelo frio.


No dia seguinte de manhã todas as amostras (pedaços de favo com criação) voltam ao respectivo local, no quadro e colmeia correspondente, tarefa muito facilitada pela numeração dos sacos e pela marca deixada no quadro. O pedaço de favo é embutido no buraco feito na tarde anterior e fixo com a ajuda de um palito.
Aguardam-se 24 horas e na manhã seguinte voltamos a abrir as colmeias para verificar os resultados, mais uma vez com a tarefa facilitada pelas marcas dos quadros de teste.

RESULTADOS POSSÍVEIS:

BOM COMPORTAMENTO HIGIÉNICO
A totalidade ou a grande maioria das larvas mortas da amostra foram detectadas pelas abelhas, os opérculos foram destapados e as larvas removidas. Os alvéolos apresentam-se vazios e limpos. As colónias com esta característica devem ser marcadas, mantidas na exploração e são óptimas para reproduzir, quer por desdobramento ou criação de rainhas.

COMPORTAMENTO HIGIÉNICO RAZOÁVEL
Cerca de 50% das larvas mortas foram removidas, apresentando os respectivos alvéolos vazios e limpos. Todos os restantes se mantêm intactos com as larvas mortas no interior.
Estas colónias podem ser mantidas temporariamente na exploração, se forem produtivas, no entanto é uma péssima ideia usá-las como reprodutoras para aumentar efectivos. De qualquer forma seria desejável substituir-lhe a rainha por outra obtida a partir de colónias com as características anteriores.

MAU COMPORTAMENTO HIGIÉNICO
Quando a maioria ou a totalidade das larvas mortas não foram removidas nas 24 horas. Os opérculos mantêm-se incólumes e é como se nada se tivesse passado.
As colónias com este comportamento são um problema, adoecem mais que as outras e são uma fonte de contágio para todo o apiário. Por outro lado, os zangãos nelas produzidos poderão acasalar com rainhas de boa estirpe, disseminando esta característica.
As rainhas desta colmeias devem ser substituídas o mais depressa possível por outras com bom comportamento higiénico.



Face às incertezas e polémicas em torno dos medicamentos, o Teste do Comportamento Higiénico parece ser um óptimo trabalho de prevenção para as moléstias das abelhas.

01 agosto, 2008

Bolinhos de Mel


Vamos aproveitar a época balnear, quando toda a gente anda preocupada com as formas que exibem na praia, para arredondar ainda mais essa curva majestosa que nos faz usar roupa um ou dois números acima do desejado. Na minha terra sempre ouvi dizer que gordura é formosura.
As receitas que passo a apresentar datam de 1960, retiradas de um livro de apicultura brasileiro, chamado “APICULTURA – Científica e Prática” da autoria do conhecido investigador Warwick Estevam Kerr, creio que o responsável pela criação das famosas abelhas africanizadas ou “abelhas assassinas” e de Erico Amaral.

PÃO DE MEL

Composição: ½ xícara de farinha de trigo peneirada.
2 colheres de chá de fermento.
½ colher de chá de sal.
1 ovo.
½ xícara de leite.
3 colheres de sopa de banha derretida.


Modo de Fazer: Peneire juntamente a farinha, o fermento e o sal. Bata o ovo, junte o mel, o leite e a banha. Misture bem. Adicione então à mistura da farinha e mexa bem. Depois despeje tudo numa forma untada com manteiga. Cubra com a seguinte mistura:

¼ de xícara de farinha.
2 colheres de manteiga ou margarina.
¼ de xícara de mel.


Leva-se ao forno com temperatura moderada cerca de 35 minutos.

BOLO DE MEL E NOZES

Composição: 2 xícaras de farinha de trigo peneirada.
2 colheres de chá de fermento.
½ colher de chá de sal.
2/3 de xícara de manteiga ou margarina.
½ xícara de açúcar.
½ xícara de mel.
3 ovos.
1 xícara de nozes cortadas em pedacinhos.
¼ de xícara de leite.
1 colher de chá de baunilha.


Modo de Fazer: Peneire a farinha, meça-a, adicione o fermento e o sal, e peneire tudo junto mais três vezes. Bata a manteiga, adicione o açúcar pouco a pouco, batendo-se sempre; então junte o mel aos poucos, batendo-se bem. Adicione ¼ da farinha e bata até ficar macio e bem misturado.
Bata os ovos numa vasilha separada, misture a massa e bata bem. Junte as nozes, adicione o resto da farinha alternando com o leite, batendo-se muito bem depois de cada adição.
Junte a baunilha. Unte uma forma e coza em forno lento. Este bolo pode ser colocado no frigorífico.

MANTEIGA DE MEL

Composição: 1 xícara de manteiga.
1 xícara de mel.


Modo de Fazer: Bata bem a manteiga e adicione o mel aos poucos. Servir com pão, bolos ou bolachas.

BOLACHA DE MEL E NOZES

Composição: 2/3 de xícara de farinha de trigo peneirada.
½ colher de chá de fermento.
¼ de colher de chá de sal.
1/3 de xícara de manteiga ou outra banha.
2 quadradinhos de chocolate amargo.
½ xícara de açúcar.
½ xícara de mel.
2 ovos bem batidos.
½ xícara de nozes partidas.
1 colher de chá de baunilha.


Modo de Fazer: Peneire a farinha uma vez, meça-a, junte o fermento e o sal e peneire novamente. Derreta a manteiga e o chocolate em banho maria. Adicione aos poucos o açúcar aos ovos, batendo vigorosamente. Junte o mel e a mistura de chocolate com os ovos e bata bem. Junte a farinha e misture bem; então junte as nozes e a baunilha.
Unte uma forma e coza em forno moderado cerca de 40 minutos. Depois de pronto corte em quadradinhos.

E agora, depois deste festival para a diabetes e o colesterol só espero que a Maria de Lurdes Modesto não leve a minha intromissão muito a peito.
Tenham um bom apetite.

31 julho, 2008

Vamos cantar com as abelhas ?


Imagem: Abelhas "apoisadas" à entrada do cortiço

Como o sector tem tido poucos encantos, e anda tudo embrulhado nos meandros desse labirinto que é o programa apícola, vou deixar-vos uma história curiosa que transcrevi da obra “Um Povo Miúdo – As Abelhas” do conhecido Agrónomo Eduardo Sousa de Almeida e editado há 50 anos, em Novembro de 1958.

RITUAL DOS ABELHEIROS

“ (...) Usam um cerimonial de estranhas práticas, em que se adivinham interessantes tradições muito antigas, à mistura com superstições e muita ignorância.
Ainda hoje, e principalmente nas províncias do Norte do país, a apanha de um enxame faz-se segundo os ritos de uma velha tradição em que há muito pitoresco, que apesar do progresso, se tem mantido.
Logo que o abelheiro verifique que as abelhas de um dos seus cortiços estão prestes a enxamear, (...) corre a “temperar” um cortiço vazio e limpo. Este “tempero” consiste em esfregar o interior com uma erva aromática, tomilho, funcho ou erva cidreira, e borrifá-lo com vinho branco e mel, ou defumá-lo com alecrim ou incenso queimado.”

Só aqui já havia pano para mangas ...

“Ao mesmo tempo (...) expede avisos para mobilizar auxiliares. Em geral não lhe faltam voluntários recrutados entre os garotos da vizinhança.
(...) de todos os pontos do povoado aparecem auxiliares munidos dos instrumentos de ocasião, panelas e tachos velhos, latas de gasolina, foices, barras de ferro, (...) tudo o que é susceptível de fazer barulho quando batido por pau ou pedra.
Reunido o pessoal, mestre abelheiro dispõe as gentes com a importância de um general a colocar as suas forças em véspera de batalha campal.
(...) no ar levanta-se uma nuvem escura e movediça (...) o mestre abelheiro grita:
- Toca, Toca, agora com força!
Começa então a mais extraordinária cacofonia que jamais ouvidos humanos suportaram.

Pousa! Pousa! Pousa!
Pousa ! Abelha – Mestra!
Pousa! Pousa! Pousa!


(...) mestre abelheiro dá saltos de braços erguidos, vai atirando-lhe mão-cheias de terra, ao mesmo tempo que grita, rubro, quase sem fôlego:

Apoisa! Apoisa! Apoisa!
Oh! Mãe, apoisa!
Apoisa! Apoisa! Apoisa!
Apoisa, ó, Mãe!


Todo o rancho corre atrás dele repetindo o estribilho (...) _ Mais força rapazes! Ele vai pousar!

Apoisa! Ó Mãe! Apoisa!
_ Alto! Agora só com a boca e devagarinho. Vá, todos certos! Certos! Certos!

Atenção, ainda estamos falar de apicultura...

Casa Nova, Abelha-Mestra!
Apoisa! Apoisa! Apoisa!

(...) o enxame vai pousando e formando um enorme cacho castanho, (...) _ Alto lá! Caluda! Agora todos quietos e calados!
Mestre abelheiro corre a pegar no cortiço (...) começa a bater nas paredes exteriores com os nós dos dedos enquanto cantarola a seguinte melopeia:

Casa Nova, Abelha-Mestra!
Casa Nova, Abelha-Mestra!
Casa Nova, Casa Nova!
Casa Nova, Abelha Mestra!


As abelhas a princípio hesitam, (...) Algumas entram, (...) até que passa a Mestra e então é que uma multidão entra apressadamente na casa nova.”

Casa Nova Abelha Mestra


Nos dias de hoje a canção do “Mestre Abelheiro” teria uma letra diferente:

Apoisa! Apoisa! Apoisa!
Casa nova! Abelha Mestra!
Euribor, Euribor, Euribor!
Crédito à Habitação, Abelha Mestra!


E a abelha mestra “apoisaria” a milhas da casa nova...

Vamos lá mas é ao que interessa: no número um do jornal “As Abelhas” publicado neste blog, os mais atentos terão reparado num apelo aos apicultores, publicado com o título “Vocabulário Apícola”. Na referida rubrica, o autor pede aos leitores que conheçam antigas histórias e expressões ou termos usados na apicultura, para os comunicarem à direcção do jornal, com o objectivo de recuperar todo esse tesouro cultural para ser publicado.

Gostaria de usar o “Montedomel” para renovar o mesmo apelo a todos os visitantes, no sentido de colectar as expressões, termos e histórias apícolas que conheçam ou tenham ouvido falar. Em breve vou criar uma secção permanente, onde todos possam consultar e deleitar-se com o “material” que vai chegando.

Podem enviar as informações para montedomel@gmail.com ou directamente nos comentários do blog, o que agradeço antecipadamente.