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23 janeiro, 2009
21 janeiro, 2009
Criação de Rainhas na Costa Algarvia
Já conhecíamos o Sr. José Vicente Furtado, o nosso anfitrião, reformado depois de umas décadas de trabalho na Europa do Norte, na Suécia, regressou a Portugal há uns anos atrás, notando-se-lhe algumas dificuldades na língua mãe, “ faltam-me algumas palavras “ refere.
O objectivo da nossa visita prende-se com o seu pequeno negócio de produtor de rainhas das raças Ligústica e Buckfast* ( esta última, resultado dos famosos cruzamentos do Padre Adams* ), e que segundo o apicultor são duas estirpes muito produtivas, dóceis e fáceis de manusear.Nos primeiros anos na Suécia trabalhava num estaleiro naval, e foi nesta fase que se apaixonou pela apicultura, paixão que já lhe dura há mais de 20 anos, - “ ... tudo começou com uma dor nas costas”, confessa-nos, e como era hábito naquelas paragens, este tipo de dores era curado com picadas de abelha. O paciente ia a um apiário, expunha a parte dorida, abria uma colmeia à qual dava umas pancadas e as abelhas faziam o resto.
Movido pela curiosidade começou a interessar-se cada vez mais pelos laboriosos bichinhos, frequentou uma série de mini - cursos pós laborais, promovidos pelo estado, desde a apicultura para iniciados passando pela criação de rainhas, até à própria construção de colmeias, núcleos e outros equipamentos. Recorda com saudade esses tempos “ o companheirismo, as pausas para o café e a troca de experiências eram determinantes para a aquisição de conhecimentos”.
Compra as primeiras colmeias, velhas e em mau estado iniciando assim a sua produção, “ eram tão grandes e pesadas que tiveram de ser deslocadas com uma grua”.
Adquiriu o equipamento de inseminação artificial, foi apurando a técnica, ganhou fama e chegou a receber inúmeras rainhas virgens em pacotes postais, provenientes de outros criadores suecos, as quais reenviava na volta do correio já fecundadas segundo o cruzamento pretendido pelo cliente.
É nesta fase que começa a trabalhar para o Ministério da Agricultura da Suécia, onde durante cerca de 15 anos foi o responsável pela apicultura na região de Gotemburgo, onde residia.
Refere-nos a este propósito, que a apicultura na Suécia é uma actividade de grande mérito, a importância das abelhas na polinização e consequentemente na manutenção do equilíbrio ambiental era mais reconhecida que a própria produção de mel ou outros produtos apícolas. Inclusivamente, interessava mais ao estado que houvessem muitos pequenos apicultores, com poucas colmeias, mas disseminadas por todos os locais, como hortas, jardins, quintais, etc, que cobrissem uma vasta área do território, em detrimento de apicultores com muitas colmeias, com assentamentos apenas nas regiões de flora apícola. Uma prova inequívoca do valor dado à actividade polinizadora, “Haviam imensos cartazes de promoção da apicultura, para que todos tivessem as suas próprias colmeias”, cartazes esses que o Sr. Vicente ainda exibia no seu local de laboração, agora traduzidos para Português
As instalações em Lagos - Algarve, uma garagem com uma divisão, num lado instrumentos de serralharia e madeiras para a confecção de colmeias, núcleos, nucléolos e alimentadores, no outro lado, o laboratório onde procede à inseminação das rainhas.
Algum do equipamento adquirido, como a lupa binocular, os micromanipuladores e seringas para a inseminação, tal como todo um rol de pequenos utensílios, outros construídos pelo próprio, como as estufas de incubação, mercê dos conhecimentos de electrónica. Á data da visita preparava-se para inseminar uma rainha Buckfast com o esperma de dois zangãos (duas doses) que já tinha preparado numa seringa, um dos machos Buckfast, tal como a rainha, o outro da raça Ligústica, a pedido do cliente “ o cliente pede e nós fazemos” diz-nos em tom de graça,“ ... quando a fêmea é Buckfast e o macho Ligústica, a colónia resultante é menos agressiva”.
É curioso que durante este período, o apicultor foi diversas vezes ao apiário, a uns escassos dez metros da casa onde trabalhava, no entanto fê-lo sempre sem luvas, sem máscara ou qualquer outra protecção, dada a pouca ou nenhuma agressividade das abelhas.O apiário propriamente dito era constituído por pouco mais de meia dúzia de colmeias, outros tantos núcleos e cerca de 20 nucléolos de diversas cores, que habitualmente são usados para a fecundação de rainhas, desta vez servem apenas para as receber recém inseminadas para iniciarem a postura.
Questionado pelo facto de não reproduzir nem trabalhar com a raça Ibérica, a abelha negra, justifica-se com o facto de ser um grupo pouco estudado, sobre o qual não há ainda uma base de trabalho ou uma caracterização preliminar, logo os resultados seriam também imprevisíveis. Reconhece no entanto a importância de se começar a trabalhar na abelha autóctone, disponibilizando os seus conhecimentos técnicos para o efeito.
Aliás, este foi outro dos grandes objectivos desta visita, nomeadamente a futura formação de técnicos e apicultores na propagação de rainhas para melhorias quantitativas e qualitativas nas explorações nacionais.
Quanto aos números, o que são sempre uma curiosidade nestas actividades, o Sr. Vicente produz mais de 100 rainhas por ano, as quais vende para apicultores que o solicitam um pouco por todo o país.
“ Tudo isto dá muito trabalho, é necessário muito planeamento e um controlo rigoroso das datas e horas de postura, de transferência de larvas, do tempo de incubação, etc ...”, “ ...faço isto para me manter ocupado e porque gosto das abelhas”.
Voltei a visitar o Vicente há dois anos, lá estava com a alegria do costume para receber e ensinar quem o procura...
PADRE ADAM OBE, 1898
Um dos mais conhecidos apicultores britânicos, o irmão Adam, é conhecido no mundo inteiro pelo seu trabalho, especialmente no que diz respeito à criação de abelhas na abadia de St. Mary, em Buckfast, Devon. Nascido em Biberach, perto do lago Constance, Adam Kerle veio para Buckfast ainda menino, em 1910.
A seguir a uma doença que o atacou durante o Inverno de 1914/1915, o seu abade encorajou-o a dedicar-se à apicultura para melhorar a sua saúde. Os seus primeiros anos como apicultor situam-se portanto numa altura em que não pôde obter experiência em primeira mão acerca da devastação causada nas colónias de abelhas pela chamada doença da ilha de Wight” (Acariose). A impressão que lhe causaram os diferentes tipos de resistência das diversas raças e seus híbridos havia de ter uma profunda influência em todo o seu trabalho.
(...) Padre Adam, dedicou-se à normalização de colmeias, usando a Modified Dadant, mas acrescentando-lhe características concebidas por ele próprio,(...)
(...) O trabalho prático que desenvolveu no apiário está resumido no seu livro Beekeeping at Buckfast Abbey , Geddington, UK, 1975.
(...) Em 1948, o Padre Adam decidiu fazer uma série de viagens através da Europa Ocidental e da Ásia Menor para recolher e estudar as abelhas nas suas regiões nativas.
(...) O padre Adam recebeu o OBE, a vice presidência da Associação Internacional de Pesquisas sobre Abelhas, em cujo conselho trabalhou, (...)
In, Roger Morse e Ted Hooper, Enciclopédia Ilustrada de Apicultura, Vol. I
Col. Euroagro - Pub. Europa América
20 janeiro, 2009
Apin Mellado
Apin Mellado, a primeira fotonovela apícola.
Patrocinada pelo Mel Natural de Portugal, Caseiro e Puro, embalado nos tradicionais frascos da Tofina e com rótulo de papel pardo...
Reparem que já não caí na idiotice de lhe colocar um número de ordem (N.º1),o que só me livra da responsabilidade de dar continuidade a esta...
Clique na imagem para ampliar (ou não...)
Patrocinada pelo Mel Natural de Portugal, Caseiro e Puro, embalado nos tradicionais frascos da Tofina e com rótulo de papel pardo...
Reparem que já não caí na idiotice de lhe colocar um número de ordem (N.º1),o que só me livra da responsabilidade de dar continuidade a esta...Clique na imagem para ampliar (ou não...)
19 janeiro, 2009
Cortiços... de Cortiça

Cada vez mais as “colmeias malditas”, já não há cartilha apícola que não lhe atribua defeitos, problemas só resolvidos pelas caixas de madeira. A saber:
- Pouco produtivos pela falta de espaço, os melhores com 10% da produção das colmeias móveis.
- De difícil controlo sanitário, pela dificuldade/impossibilidade de acesso ao interior.
- Impossibilidade de encontrar/manipular a rainha, pelas razões do ponto anterior.
- Medicamentos aplicados na própria câmara (única) de produção.
- Transumância impossível ou muito difícil.
- E outros que não me ocorrem...
Restam-lhes os argumentos estéticos, talvez até a leveza e os baixos custos, que permitem uma fácil aquisição e a possibilidade de os disseminarem pelo mato para a captura de enxames. “Se os roubarem a perda é pequena”, dizem os apicultores.
Não foi a primeira batalha perdida pela cortiça, nem será decerto a última, o orgulho da terra Transtagana, que antes animava a economia nacional com exportações record. Hoje não passa de uma casca rija e enrugada, igual á pele dos “tiradores” que ainda restam.
Eram precisamente esses tiradores, de machada em punho, que separavam os melhores “caneiros” e os apartavam da restante cortiça, não fosse o “rachador” fazê-la em “pranchas”. Se não eram “abelheiros” a encomenda era-lhes feita por outros com esse vício.
Quando a cortiça era boa, “amadia”, densa, um cilindro quase perfeito, originava os melhores e mais cobiçados cortiços, de forma obviamente cilíndrica. Eram os mais comuns:

Os bordos eram “aparelhados” em bisel, de modo que os “sovinos” de pau de Esteva os pudessem pregar e unir sem lhe tirar a forma.

No interior, a um terço e dois terços da altura eram colocadas as chamadas “trancas”, grupos de duas varas de Esteva em forma de cruz, cujo objectivo era dar maior firmeza aos favos que nelas se apoiavam.
As mesmas trancas ainda delimitavam áreas com funções diferentes no interior do cortiço, nomeadamente onde o apicultor operava diversas tarefas:“Estinha” - No fim do Inverno, era o acto de cortar a parte de baixo dos favos, próxima do chão. Servia para retirar as ceras velhas, negras e com bolor, para as abelhas reporem ceras novas. Estas eram cortadas até à altura das trancas de baixo, outras vezes nem tanto.
“Cresta”- O retirar dos favos com mel, “no quarto minguante de Agosto, quando não havia criação”. Primeiro arrancavam os sovinos do tampo, para o poderem remover, depois, com a ajuda da “crestadeira”, utensílio metálico que lembra uma gadanha, “ceifavam” os favos carregados de mel até às trancas de cima.
A crestadeira tem duas extremidades, uma em forma de espátula com que separam os favos da cortiça, e outra parecida à lâmina de uma gadanha com que seccionam os favos junto às trancas.

A forma dos cortiços também dependia muito da região e das tradições, outras vezes era a qualidade e a disponibilidade de cortiça. Quando não se “apanhavam” caneiros redondos, cilíndricos, faziam-se cortiços de formas mais caprichosas. Meia cana pregada a uma prancha mais recta, que normalmente fazia de parede frontal, resolviam o problema e albergavam o enxame. Não são raros os que apresentam esta forma:
Menos comuns, mas igualmente belos, são os de secção quadrada ou rectangular. “Têm mais mão de obra”, são necessários mais pregos de Esteva, mas o resultado é funcional e muito estético. E as abelhas não se queixam da geometria rectilínea...
Outras habilidades que se faziam com os cortiços...
Sempre ouvi dizer aos mais velhos que o método mais eficaz para combater a “tinha” era o de colocar os cortiços no forno, após a “cozedura do pão”.
A “tinha” ou traça era o pesadelo dos antigos abelheiros, ainda nem se sonhava com a Varroa, como se tal ácaro colorisse os sonhos a alguém, e já aquelas larvas destruíam imensas colónias. Sempre que “morria um cortiço” retiravam-se os favos velhos, cuja cera era “apurada” para vender aos “carpinteiros de obra fina”.
Para desinfectar as colmeias colocavam-nas dentro do forno, quando as temperaturas ainda letais para a traça e outras moléstias, eram mais baixas, o que só se conseguia momentos depois de retirar o pão.
Depois de desinfectados, os cortiços estavam outra vez prontos para albergarem abelhas. Para capturarem em enxame, aromatizavam-nos esfregando certas plantas no interior, como o Rosmaninho, a Esteva, o Alecrim, ou outras, consoante a região do país.Após a “esfrega”, que também higienizava, deixavam-lhe o bouquet de flores e aromas no interior para acentuar a função. Só as retiravam quando colocavam o cortiço no “tal sítio” especial, onde os enxames “nunca falham”, pudera, a “canada” das abelhas passava justamente por ali...

O sítio especial compunha-se quase sempre de um rochedo enfeitado de vegetação, mato fechado, que podia esconder o cortiço dos amigos do alheio, sendo no entanto fácil de detectar pelo olfacto apurado das abelhas.Nesta fase o ramo de flores, facto curioso, era deslocado do interior para cima do tampo, onde se mantinha graças a uma pedra estratégicamente colocada e que evitava que o vento as levasse. Ainda hoje não percebi, nem procurei saber, se tal hábito visa manter o aroma activo ou camuflar ainda mais a colmeia, se calhar... ambos. Mas trata-se de um quadro muito comum.
Nem sempre a “montanha ia a maomé”, muitas eram as vezes que tinha de ser o cortiço a “ir às abelhas”. Bastava para isso que o enxame pousasse num ramo alto e de difícil acesso, o que nunca desmotivava os abelheiros.Uma corda lançada sobre o ramo içava o cortiço até perto das abelhas. Uma escada de madeira, que costumava fazer parte da “mobília” do apiário e uma ponta de coragem, levavam o apicultor aos píncaros, onde um toque certeiro derrubava o enxame para dentro do cortiço. Paciente, o ajuda descia o conjunto, agora mais pesado. Colocava-o na posição correcta e aí ficava até ao Inverno, quando as ceras ficavam “rijas” e lhe permitiam o transporte para local definitivo.
Haviam também os criativos de vanguarda, ou talvez... vanguardistas saudosos!? que aliavam estas relíquias da apicultura às modernas alças para maiores produções.O resultado final desafiava a gravidade e a lógica, mas mercê de vários artifícios conseguiam equilibrar uma e até mais alças sobre o cortiço.
Muitas eram as perícias e habilidades que se faziam com tais colmeias de quadros fixos.Com o passar dos anos, as fracturas, os buracos da traça ou os incêndios traçavam-lhes o destino, ainda assim honrado pela “morte em combate”. Pior era quando acabavam como ninhos num pombal ou cortados ao meio e “de cabeça para baixo”, albergando um florido vaso, onde antes labutavam miríades desses insectos que nos adoçam a vida.
16 janeiro, 2009
Notícias: Lavagem de mel Chinês
E agora? Quem é que me diz, ou garante, o país de origem de um “Mel não CE” ???

Lavagem de Mel Chinês nos Estados Unidos, Jornal de Seattle revela fraude
Por: Alan Harman
Grandes carregamentos de mel contaminado da china estão a ser “lavados” noutros países, para evitar encargos de importação e as tarifas protectoras ou impostos estabelecidos nos EUA sobre produtos estrangeiros para evitar situações de “dumping”.
Uma investigação de cinco meses realizada pelo Seattle Post-Intelligencer, descobriu que em alguns carregamentos, durante o ano passado, toneladas de mel produzidas na China passaram pelos portos de Tacoma e Long Beach, Califórnia, depois de serem ilegalmente marcados como produtos livres de tarifas e provenientes da Rússia.
Foram também encontrados outros carregamentos com com rotas através da Índia, Malásia, Austrália, Indonésia e Tailândia.
O relatório, que revela uma história no Bee Culture de 2002, diz que toneladas de mel entradas nos EUA a cada ano, vinham de países com pequenas produções apícolas e nem tinham sequer um histórico de produção de mel para exportação.
“Nos Estados Unidos, onde estão a morrer muitas colónias de abelhas, necessitando de muito mel importado, os comerciantes deste produto elaboram esquemas para evitar tarifas/taxas e controlos sanitários para evitar mel barato no mercado” relatam os jornais.
“O comércio está contaminado/invadido por vendedores estrangeiros e importações duvidosas que iludem os embaladores dos EUA, com mel diluído em água de açúcar ou xarope de milho, e pior: contaminado com pesticidas ou antibióticos.”
O jornal enumera cerca de 350 barris contendo 223.300 libras de mel Chinês que foram enviados em Agosto a partir de Hubei Yangzijiang Apiculture Co. em Wuhan – China, e carregados num navio em Shanghai. Num mês, o carregamento chegou a Tuglakabad, um importador perto de New Delhi.
“Lá (em New Delhi), de acordo com o relatório do Indian Customs, o mel marcado com o propósito da re-exportação” era aceite pelo Apis Índia Natural Products.
“Os barris ainda continham instruções da Companhia Chinesa, informando que o carregamento era para ser enviado para a mais antiga e maior cooperativa da América: Iowa – Sue Bee Honey. Dois dos contentores de mel, segundo as informações, foram enviados para Norfolk, Va., e mais três foram para Jacksonville, Fla.; e tudo foi mais tarde para Iowa.”
O Post Intelligencer diz que a “lavagem” de mel é uma medida tão violenta que são empurrados para outros países, incluindo a Rússia, a Índia e a Austrália.
“Enquanto uma pequena quantidade de mel produzido na Rússia é exportado de acordo com o Federal Customs Service da Rússia, registos obtidos pelo P-I mostram que mais de 11 milhões de libras de mel, originariamente da Rússia entraram nos EUA só no ano passado.”
Em Fevereiro do ano passado, diz-se que o Australian Supreme Court impôs quase meio milhão de dólares em multas, contra duas companhias que transportavam 1,8 milhões (de libras?), uma quarta parte do mel da China que entra nos Estados Unidos, depois de falsificarem o produto como sendo Australiano.
O Directório Indiano da Revenue Intelligence descobriu que entre meados de Novembro do ano passado, 471 dos 665 carregamentos de mel que estavam registados como oriundos da Índia, na realidade vieram da China.
Os Estados Unidos importaram 237 milhões de libras de mel no ano passado. Mas os jornais dizem que os agentes/comerciantes de mel, técnicos apícolas, e os foreign customs officials, estão desconfiados que sete dos doze países do topo da lista, aparentemente exportam muito mais mel do que as suas abelhas conseguem produzir. Estes países incluem o Vietname, Índia, Tailândia, Rússia, Taiwan, Indonésia e Malásia.
Diz ainda o Jornal:
“Países com reduzida “apicultura comercial” como Singapura, apresentam registos de estarem agora a exportar quantidades significantes de mel.”
“Isso inclui as Bahamas, que está assinalado como país de origem do mel enviado para Houston, dizem as autoridades.”
“Outros países que produzem apenas méis escuros e de sabor forte, como a Índia, o Vietname e a Coreia do Sul, estão a transportar toneladas de mel claro.”
“O Vietname está em segundo lugar na exportação de mel para os Estados Unidos, seguido do Canadá.”
“Mas as autoridades do mel no Vietname dizem que muito mel da China está a ser transportado por via marítima através do seu país, citando 24 contentores que chegaram a Los Angeles durante este mês (Dezembro 08),” diz o registo.
Tradução: Natascha Reifenberg
Notícias extraídas de Bee Culture, The Magazine of American Beekeeping.
www.beeculture.com.
Entretanto..., em Portugal, os apicultores forçados pela ASAE e pela DGV, andam atarefados a colocar armadilhas para os ratos da melaria e a substituir os azulejos por tintas laváveis e cantos redondos.
As frinchas entre azulejos e mosaicos escondem o terrível Cerâmicossauros lusitanicus, espécie de monstro extremamente perigoso para o mel e operadores de melarias...
Para quem preferir o original (mais completo) e na língua de S. Majestade:
Chinese Honey Laundered in U.S., Seattle Paper Exposes the continued fraud.
By Alan Harman
Big shipments of contaminated honey from China are being laundered in other countries to avoid U.S. import fees, protective tariffs or taxes imposed on foreign products that intentionally undercut domestic prices.
A five-month investigation by the Seattle Post-Intelligencer found that in a series of shipments in the past year, tons of honey produced in China passed through the ports of Tacoma and Long Beach, Calif., after being fraudulently marked as a tariff-free product from Russia.
It found other shipments routed through India , Malaysia , Australia , Indonesia , and Thailand .
The report, which mirrors a story in Bee Culture back in 2002, says tens of thousands of pounds of honey entering the U.S. each year come from countries that raise few bees and have no record of producing honey for export.
“In the U.S., where bee colonies are dying off and demand for imported honey is soaring, traders of the thick amber liquid are resorting to elaborate schemes to dodge tariffs and health safeguards in order to dump cheap honey on the market,” the newspaper reports.
“The business is plagued by foreign hucksters and shady importers who rip off conscientious U.S. packers with honey diluted with sugar water or corn syrup - or worse, tainted with pesticides or antibiotics.”
The newspaper cites 350 drums containing 223,300 pounds of Chinese honey that were shipped in August from Hubei Yangzijiang Apiculture Co. in Wuhan , China , and loaded on a ship in Shanghai . Within a month, the shipment arrived at Tuglakabad, an import warehouse near New Delhi.
Find out what's new at Mann Lake www.mannlakeltd. com/catchthebuzz /index.html
“There, according to Indian Customs reports, the honey marked ‘for re-export purposes’ was accepted by Apis India Natural Products,” it says. “The drums still contained instructions from the Chinese company, saying the load was to be shipped to America's biggest and oldest honey cooperative - Iowa-based Sue Bee Honey. Two containers of the honey reportedly were shipped to Norfolk , Va. , and three more went to Jacksonville , Fla. ; all were later routed to Iowa .”
The Post Intelligencer says honey laundering is so rampant crackdowns are being pushed in a number of countries, including Russia , India and Australia .
“While very little Russian-made honey is exported, according to the Federal Customs Service of Russia, records obtained by the P-I show more than 11 million pounds of honey purportedly originating in Russia entered the U.S. last year alone,” it says.
In February, it says, the Australian Supreme Court imposed almost a half-million dollars in fines against two companies that shipped 1.8 million quarts of Chinese honey to the U.S. after falsely relabeling the product as Australian.
The Indian Directorate of Revenue Intelligence found that through mid-November last year, 471 out of 665 honey shipments that listed India as the country of origin actually came from China .
The U.S. imported 237 million pounds of raw honey last year. But the newspaper says honey brokers, bee experts and foreign customs officials are suspicious that seven of the top 12 countries appear to be exporting far more honey than their domestic bees produce or their export agencies acknowledge. These countries include Vietnam , India , Thailand , Russia , Taiwan , Indonesia and Malaysia .
“Countries that have few if any commercial beekeepers, such as Singapore , are now exporting significant quantities of honey, records show,” the newspaper says. “That includes the Grand Bahamas, which has been listed as the country of origin for honey shipped into Houston , authorities say.
“And other countries that locally produce mostly dark, strong-tasting honey, such as India , Vietnam and South Korea , are shipping tons of the more marketable white honey.
Vietnam now is the No. 2 honey exporter to the U.S. , second to Canada .
“But Vietnamese honey officials say much Chinese honey is being transshipped through their country, citing 24 containers that arrived in Los Angeles earlier this month (December),” the report says.
This message brought to you by Bee Culture, The Magazine Of American Beekeeping
www.BeeCulture. com

Lavagem de Mel Chinês nos Estados Unidos, Jornal de Seattle revela fraude
Por: Alan Harman
Grandes carregamentos de mel contaminado da china estão a ser “lavados” noutros países, para evitar encargos de importação e as tarifas protectoras ou impostos estabelecidos nos EUA sobre produtos estrangeiros para evitar situações de “dumping”.
Uma investigação de cinco meses realizada pelo Seattle Post-Intelligencer, descobriu que em alguns carregamentos, durante o ano passado, toneladas de mel produzidas na China passaram pelos portos de Tacoma e Long Beach, Califórnia, depois de serem ilegalmente marcados como produtos livres de tarifas e provenientes da Rússia.
Foram também encontrados outros carregamentos com com rotas através da Índia, Malásia, Austrália, Indonésia e Tailândia.
O relatório, que revela uma história no Bee Culture de 2002, diz que toneladas de mel entradas nos EUA a cada ano, vinham de países com pequenas produções apícolas e nem tinham sequer um histórico de produção de mel para exportação.
“Nos Estados Unidos, onde estão a morrer muitas colónias de abelhas, necessitando de muito mel importado, os comerciantes deste produto elaboram esquemas para evitar tarifas/taxas e controlos sanitários para evitar mel barato no mercado” relatam os jornais.
“O comércio está contaminado/invadido por vendedores estrangeiros e importações duvidosas que iludem os embaladores dos EUA, com mel diluído em água de açúcar ou xarope de milho, e pior: contaminado com pesticidas ou antibióticos.”
O jornal enumera cerca de 350 barris contendo 223.300 libras de mel Chinês que foram enviados em Agosto a partir de Hubei Yangzijiang Apiculture Co. em Wuhan – China, e carregados num navio em Shanghai. Num mês, o carregamento chegou a Tuglakabad, um importador perto de New Delhi.
“Lá (em New Delhi), de acordo com o relatório do Indian Customs, o mel marcado com o propósito da re-exportação” era aceite pelo Apis Índia Natural Products.
“Os barris ainda continham instruções da Companhia Chinesa, informando que o carregamento era para ser enviado para a mais antiga e maior cooperativa da América: Iowa – Sue Bee Honey. Dois dos contentores de mel, segundo as informações, foram enviados para Norfolk, Va., e mais três foram para Jacksonville, Fla.; e tudo foi mais tarde para Iowa.”
O Post Intelligencer diz que a “lavagem” de mel é uma medida tão violenta que são empurrados para outros países, incluindo a Rússia, a Índia e a Austrália.
“Enquanto uma pequena quantidade de mel produzido na Rússia é exportado de acordo com o Federal Customs Service da Rússia, registos obtidos pelo P-I mostram que mais de 11 milhões de libras de mel, originariamente da Rússia entraram nos EUA só no ano passado.”
Em Fevereiro do ano passado, diz-se que o Australian Supreme Court impôs quase meio milhão de dólares em multas, contra duas companhias que transportavam 1,8 milhões (de libras?), uma quarta parte do mel da China que entra nos Estados Unidos, depois de falsificarem o produto como sendo Australiano.
O Directório Indiano da Revenue Intelligence descobriu que entre meados de Novembro do ano passado, 471 dos 665 carregamentos de mel que estavam registados como oriundos da Índia, na realidade vieram da China.
Os Estados Unidos importaram 237 milhões de libras de mel no ano passado. Mas os jornais dizem que os agentes/comerciantes de mel, técnicos apícolas, e os foreign customs officials, estão desconfiados que sete dos doze países do topo da lista, aparentemente exportam muito mais mel do que as suas abelhas conseguem produzir. Estes países incluem o Vietname, Índia, Tailândia, Rússia, Taiwan, Indonésia e Malásia.
Diz ainda o Jornal:
“Países com reduzida “apicultura comercial” como Singapura, apresentam registos de estarem agora a exportar quantidades significantes de mel.”
“Isso inclui as Bahamas, que está assinalado como país de origem do mel enviado para Houston, dizem as autoridades.”
“Outros países que produzem apenas méis escuros e de sabor forte, como a Índia, o Vietname e a Coreia do Sul, estão a transportar toneladas de mel claro.”
“O Vietname está em segundo lugar na exportação de mel para os Estados Unidos, seguido do Canadá.”
“Mas as autoridades do mel no Vietname dizem que muito mel da China está a ser transportado por via marítima através do seu país, citando 24 contentores que chegaram a Los Angeles durante este mês (Dezembro 08),” diz o registo.
Tradução: Natascha Reifenberg
Notícias extraídas de Bee Culture, The Magazine of American Beekeeping.
www.beeculture.com.
Entretanto..., em Portugal, os apicultores forçados pela ASAE e pela DGV, andam atarefados a colocar armadilhas para os ratos da melaria e a substituir os azulejos por tintas laváveis e cantos redondos.
As frinchas entre azulejos e mosaicos escondem o terrível Cerâmicossauros lusitanicus, espécie de monstro extremamente perigoso para o mel e operadores de melarias...
Para quem preferir o original (mais completo) e na língua de S. Majestade:
Chinese Honey Laundered in U.S., Seattle Paper Exposes the continued fraud.
By Alan Harman
Big shipments of contaminated honey from China are being laundered in other countries to avoid U.S. import fees, protective tariffs or taxes imposed on foreign products that intentionally undercut domestic prices.
A five-month investigation by the Seattle Post-Intelligencer found that in a series of shipments in the past year, tons of honey produced in China passed through the ports of Tacoma and Long Beach, Calif., after being fraudulently marked as a tariff-free product from Russia.
It found other shipments routed through India , Malaysia , Australia , Indonesia , and Thailand .
The report, which mirrors a story in Bee Culture back in 2002, says tens of thousands of pounds of honey entering the U.S. each year come from countries that raise few bees and have no record of producing honey for export.
“In the U.S., where bee colonies are dying off and demand for imported honey is soaring, traders of the thick amber liquid are resorting to elaborate schemes to dodge tariffs and health safeguards in order to dump cheap honey on the market,” the newspaper reports.
“The business is plagued by foreign hucksters and shady importers who rip off conscientious U.S. packers with honey diluted with sugar water or corn syrup - or worse, tainted with pesticides or antibiotics.”
The newspaper cites 350 drums containing 223,300 pounds of Chinese honey that were shipped in August from Hubei Yangzijiang Apiculture Co. in Wuhan , China , and loaded on a ship in Shanghai . Within a month, the shipment arrived at Tuglakabad, an import warehouse near New Delhi.
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“There, according to Indian Customs reports, the honey marked ‘for re-export purposes’ was accepted by Apis India Natural Products,” it says. “The drums still contained instructions from the Chinese company, saying the load was to be shipped to America's biggest and oldest honey cooperative - Iowa-based Sue Bee Honey. Two containers of the honey reportedly were shipped to Norfolk , Va. , and three more went to Jacksonville , Fla. ; all were later routed to Iowa .”
The Post Intelligencer says honey laundering is so rampant crackdowns are being pushed in a number of countries, including Russia , India and Australia .
“While very little Russian-made honey is exported, according to the Federal Customs Service of Russia, records obtained by the P-I show more than 11 million pounds of honey purportedly originating in Russia entered the U.S. last year alone,” it says.
In February, it says, the Australian Supreme Court imposed almost a half-million dollars in fines against two companies that shipped 1.8 million quarts of Chinese honey to the U.S. after falsely relabeling the product as Australian.
The Indian Directorate of Revenue Intelligence found that through mid-November last year, 471 out of 665 honey shipments that listed India as the country of origin actually came from China .
The U.S. imported 237 million pounds of raw honey last year. But the newspaper says honey brokers, bee experts and foreign customs officials are suspicious that seven of the top 12 countries appear to be exporting far more honey than their domestic bees produce or their export agencies acknowledge. These countries include Vietnam , India , Thailand , Russia , Taiwan , Indonesia and Malaysia .
“Countries that have few if any commercial beekeepers, such as Singapore , are now exporting significant quantities of honey, records show,” the newspaper says. “That includes the Grand Bahamas, which has been listed as the country of origin for honey shipped into Houston , authorities say.
“And other countries that locally produce mostly dark, strong-tasting honey, such as India , Vietnam and South Korea , are shipping tons of the more marketable white honey.
Vietnam now is the No. 2 honey exporter to the U.S. , second to Canada .
“But Vietnamese honey officials say much Chinese honey is being transshipped through their country, citing 24 containers that arrived in Los Angeles earlier this month (December),” the report says.
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www.BeeCulture. com
15 janeiro, 2009
Meliponídeos - "Abelhas" sem ferrão
14 janeiro, 2009
12 janeiro, 2009
O Mel feito no Sol...
A produção do mel começa a milhões de quilómetros do planeta Terra, mais precisamente no Sol. Os raios solares percorrem toda essa distância à velocidade da luz, atingem as folhas das plantas e provocam uma reacção fotoquímica onde se formam moléculas de açúcar. Por sua vez, as abelhas recolhem esse açúcar nas flores e transformam-no em mel.Mas vamos mais devagar, o que se passa de facto nas folhas das plantas que lhes permitem receber a luz solar e produzir açúcares?
Comecemos por observar uma célula, unidade estrutural dos seres vivos, uma célula vegetal e algumas peculiaridades que a caracterizam...

Uma das características que mais a distinguem das células animais é a presença de determinadas estruturas verdes, móveis e designadas por Cloroplastos. Os Cloroplastos possuem no interior as famosas moléculas de Clorofila, que conferem a cor verde às plantas e cuja abundância é tal que podem ser vistas do espaço.

A Clorofila é então a responsável por essa “magia” de converter o Dióxido de Carbono (CO2) atmosférico e a Água (H2O), em Açúcares (C6H12O6) que são armazenados na planta, e Oxigénio (O2) libertado na atmosfera. Claro que a energia deste processo é proveniente do Sol, sob a forma de radiação luminosa. A este processo, só conseguido pelas plantas verdes e pelas algas, chamamos FOTOSSINTESE.


Os Cloroplastos são micro-fábricas que quase tocam a perfeição, os computadores e máquinas mais evoluídas construídas pelo Homem pouco mais são que “machados de pedra lascada”, quando comparados com a complexidade e eficácia de tais estruturas biológicas.
O açúcar produzido na Fotossíntese, normalmente sob a forma de Glicose e outros açúcares simples, é armazenado na planta em açúcares mais complexos como a Celulose e o Amido. Um desses açúcares é a Sacarose, muito comum no néctar recolhido pelas abelhas.
A Sacarose, constituinte da seiva das plantas, é canalizada para estruturas especificas e localizadas nas flores, os NECTÁRIOS.

Essa seiva, com muita humidade entre outros constituintes, (Néctar), é disponibilizado pelas plantas para atrair as abelhas, funcionando como “moeda de troca” para um “serviço” prestado por estes insectos: a POLINIZAÇÃO.
Na imagem seguinte, repare-se na “armadilha” montada pela flor de Alecrim, Rosmarinus officinalis: quando a abelha pousa para recolher o néctar há uma estrutura carregada de pólen que lhe vai tocar nas costas.
As abelhas recolhem então o néctar que transportam para a colmeia, mas que não podem armazenar por causa do excesso de humidade. Para que esses açúcares possam ser armazenados para a estação fria, deve ser-lhe reduzida a humidade até menos de 20%, o que as abelhas conseguem fazendo descer uma gota de néctar pela língua, expondo-a ao ar e fazendo passar essa gota de abelha em abelha. Entretanto outras abelhas, a bater as asas, renovam o ar húmido do interior da colmeia, substituindo-o por atmosfera mais seca.
Durante este processo, que antes fazia parte do “segredo da abelha”, não só é retirado o excesso de humidade ao néctar, como também sofre uma pré digestão, são-lhe adicionadas enzimas e a Sacarose é desdobrada em Frutose e Glicose, tendo como resultado: o MEL.

Idealmente, as coisas deviam processar-se dessa forma, mas, a dita reacção química não é completa. Nem toda a Sacarose é desdobrada em Frutose e Glicose, surgindo também no produto final, ou seja, no mel.

Isto não tem qualquer importância para o mel, ou melhor, não tinha. Até que há uns anos atrás ao serem analisados alguns lotes de mel de Rosmaninho (Lavandula spp.), se percebeu que excediam os limites do teor de Sacarose permitidos na lei:
Mel Geral ..................... 5g/100g
Mel de Acácia/Luzerna/Citrus spp........10g/100g
Como tal, rotulou-se o mel de Rosmaninho como sendo adulterado.
Seguiram-se estudos para perceber o que se passava com o mel de Rosmaninho, e concluiu-se que mesmo em condições naturais, os índices de Sacarose eram muito superiores ao permitido por lei. Segundo A.G. Pajuelo (comunic. pessoais), durante a floração do Rosmaninho, a entrada de néctar é tão grande (Ver PICO DE PRODUÇÃO DO ROSMANINHO 05/01/2008) que as abelhas não conseguem completar a “pré digestão” da Sacarose do néctar, vindo esta a surgir em maior quantidade no produto final: o mel de Rosmaninho.
Nessa fase, com tal disponibilidade de néctar, a única “preocupação” das abelhas é de facto recolher e armazenar rapidamente a maior quantidade possível.
Com a conclusão dos referidos estudos a legislação foi alterada para:
Mel Geral ....................... 5g/100g
Mel de Acácia/Luzerna/Citrus spp......... 10g/100g
Mel de Lavandula spp. (Rosmaninho)....... 15g/100g
Disto tudo ainda ressalta um facto interessante: conhecida a Fotossíntese realizada pelas plantas, repare-se na fórmula geral, simplificada, da Respiração dos animais:
É fácil perceber que cada processo é complementar do outro, os produtos da Fotossíntese são os substratos da Respiração e vice versa. Assim percebemos a interdependência entre animais e plantas, a importância desta últimas para o equilíbrio ambiental e o contributo das abelhas na reprodução/manutenção do coberto vegetal.Claro que as plantas também respiram (consomem), mas é largamente compensado com o que produzem.
09 janeiro, 2009
08 janeiro, 2009
A Teoria da Colocação das Alças...

Mais um “assunto apícola” que tem levado a inúmeras discussões, e quem sabe um dia a correntes de pensamento ou até a doutrinas...
Os carpinteiros, munidos de régua e esquadro, labutam para que lhes saiam das mãos autênticas maravilhas da geometria. As alças “encaixam” perfeitamente sobre o ninho e noutras alças.
À primeira vista parecia que bastava retirar o tampo, a prancheta e... colocar a alça, mas não!!! Os nossos teóricos iluminados acabaram por desencantar uns quantos métodos, mais ou menos elaborados para processar esse trabalho, a saber:
Método I, o meu preferido...

A primeira alça é colocada normalmente sobre o ninho. A segunda alça é colocada sobre a primeira. A novidade vem com a 3ª alça, em vez de ser colocada sobre a 2ª, como era de esperar, é colocada debaixo das outras e sobre o ninho.
Justifica-se esta acção para evitar que as abelhas tenham de atravessar uma distância cada vez maior até chegar à nova alça, através de espaços exíguos e cheios de “tráfego”.
A 4ª alça, não fugindo à regra, será colocada debaixo da 3ª e assim sucessivamente, de modo a que a alça mais recente fique sempre sobre o ninho.
Este método, uso-o muitas vezes, tem a grande vantagem de encurtar caminho às abelhas, mas também tem um grande inconveniente. Sempre que queremos colocar nova alça, ou apenas ver se esta já é necessária, temos de “carregar” com todas as outras, colocá-las de lado e voltar a colocar tudo no mesmo sítio.
Mas também tem o lado “engraçado”, como uma vez em que inspeccionava o meu apiário para avaliar as produções. Só retirava o tampo e a prancheta e via que a alça de cima estava completamente cheia, e assim sucessivamente em todas as colmeias. Já no fim da operação é que me lembrei que a alça mais recente estava por baixo... e não por cima!
Método II, descrito pelo Professor Rosário Nunes.

É um método em tudo semelhante ao anterior, mas com outra abordagem. O objectivo é também colocar a alça mais recente sobre o ninho, para encurtar caminho, mas antes de ir para esse local a nova alça estagia sobre todas as outras.
A razão desse estágio ou “familiarização”, serve para as abelhas se habituarem a ela, propolizarem a madeira e a cera aceitando-a mais facilmente quando colocada no local definitivo de produção: sobre o ninho. Tem as vantagens e desvantagens do processo anterior.
Método III, para quem não liga a teorias...

Esta modalidade é talvez a mais comum, basta ir colocando as alças umas sobre as outras sem qualquer método, sempre que seja necessária.
Tem a vantagem das inspecções serem menos “pesadas” para o apicultor, mas as abelhas percorrem distâncias superiores.
Na minha opinião, a opção pelos primeiros dois métodos, mais elaborados, trará sem dúvida alguma vantagem e maiores produções. Mas não esperem encher mais uma alça que seja, só pelo facto de optarem por eles...
Quando colocar uma alça?
Outra decisão nem sempre pacífica.
Entre os que a colocam só pelo facto de ela não estar lá colocada e os que o fazem só quando a anterior já está operculada vê-se de tudo um pouco...
Normalmente faço isso quando todos os quadros do ninho ou da alça anterior têm a cera puxada e estão ocupadas por abelhas. Independentemente ou não da quantidade de mel; pólen ou criação que já possuam.
Na imagem seguinte, opto pela figura “A”

Dentro da figura “A” procuro primeiro certificar-me que alem das abelhas ocuparem os quadros, a cera já esteja puxada, como se pode ver nas imagens “2” e “3” da próxima figura:

Há no entanto excepções:
Se estivermos no mês de Maio, só coloco nova alça se a anterior estiver muito cheia, a população de abelhas for grande e se se adivinhar mais uma ou duas semanas de Rosmaninho. Caso contrário terei de “carregar” com ela vazia à cresta.
No Verão, no Girassol, por vezes coloco duas alças vazias em simultâneo sobre o ninho. Basta a colmeia ter uma grande quantidade de abelhas para tomar esta decisão.
As temperaturas são suficientemente altas para lhe disponibilizar tanto espaço de uma vez e evita tantas idas ao apiário.
Truque para estimular as abelhas a “puxar” cera nas alças:
Muitas vezes depara-se-nos uma imagem como a seguinte:

As abelhas juntam-se nos quadros centrais e mostram alguma dificuldade em avançar para as extremidades.
Isto é mais comum na primeira alça que se coloca, só com cera moldada, ou então no fim de estação, com a última alça.
O que faço nestas situações é colocar os quadros do centro, já ocupados, nas extremidades e vice versa. Homogeneizando assim as abelhas pela alça.
Normalmente resulta, os restantes quadros são então ocupados e a cera é puxada. Devemos ter atenção não haja criação nesse núcleo central, neste caso não podemos desfazer o grupo.
De qualquer forma, esta acção só resulta se houver néctar suficiente no exterior, ou a colónia não tenha enxameado, caso contrário nem que coloque os quadros a “fazer o pino”...
VER: O PICO DE PRODUÇÃO DO ROSMANINHO(05/01/2009).
07 janeiro, 2009
Colmeias Diferentes - 5
Mais uma vez, as colmeias até são iguais, os quadros porta-cúpulas é que são diferentes...
Esta habilidade deu-se durante um processo de Criação de Rainhas protagonizado pelos associados da ADERAVIS.
Na primeira sessão, a grande dificuldade para alguns apicultores, prendeu-se com a fixação do alvéolo real na colmeia orfã, creio eu, já não me recordo bem dos pormenores.
Sei que houve um, de "carácter mais inventivo", que desencantou um equipamento engraçado, mas muito funcional. E olhem que um apicultor para ser distinguido como "inventivo" entre os outros, estará entre o Einstein e o Professor Pardal, no mínimo.

A invenção era um quadro porta cúpulas, em que o suporte destas era feito em metal, e tinha uma estrutura móvel, também em metal, que encaixava no suporte através de uma rotação, ficando muito segura.
Os arames que a fixavam ao suporte, serviam mais tarde para fixar o alvéolo real na nova colónia.
Engenhoso não?

Esta habilidade deu-se durante um processo de Criação de Rainhas protagonizado pelos associados da ADERAVIS.
Na primeira sessão, a grande dificuldade para alguns apicultores, prendeu-se com a fixação do alvéolo real na colmeia orfã, creio eu, já não me recordo bem dos pormenores.
Sei que houve um, de "carácter mais inventivo", que desencantou um equipamento engraçado, mas muito funcional. E olhem que um apicultor para ser distinguido como "inventivo" entre os outros, estará entre o Einstein e o Professor Pardal, no mínimo.


A invenção era um quadro porta cúpulas, em que o suporte destas era feito em metal, e tinha uma estrutura móvel, também em metal, que encaixava no suporte através de uma rotação, ficando muito segura.
Os arames que a fixavam ao suporte, serviam mais tarde para fixar o alvéolo real na nova colónia.

Engenhoso não?
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