24 fevereiro, 2009

Construção de um Nucléolo de Estágio/Fecundação de Abelhas Rainhas

Vamos construir um Nucléolo de Fecundação/Estágio?


São necessários os materiais do costume, para quem gosta destas coisas: madeira, vidro, pregos, parafusos, tintas, metal... estojo de primeiros socorros... o costume.
(VER: "Nucléolos de Fecundação e Estágio de Abelhas Rainhas" 21/02/2009)


Mesmo assim verifiquem as medidas, não vá alguma coisa correr mal...
Caso alguém se prontifique a alterar e reconstruir estes equipamentos, adaptando-os às dimensões de quadros standard, fica o pedido para me enviarem os esquemas para serem publicados e todos possamos beneficiar com eles.

23 fevereiro, 2009

Café com Mel... e Letras

Foi esta a notícia publicada no Jornal "A Ponte", acerca do Café com Letras: Conversas à Volta do Mel, de 22 de Janeiro...


... há dois anos que não faço o teste da glicémia, como é que só com a máquina fotográfica perceberam que?... modernices!

21 fevereiro, 2009

Nucléolos de Fecundação e Estágio de Abelhas Rainhas

Mais uma das “maravilhas” apícolas que o Vicente Furtado, de Lagos, terá trazido da Suécia e decerto aperfeiçoado.
Estes pequenos nucléolos de estágio de rainhas, concentram vários adjectivos como: versatilidade, economia e sobretudo muita eficiência. Uma pequena caixa contem dois módulos, cada um com um pedaço de favo, um alimentador e um punhado de abelhas para cuidarem da respectiva rainha, até esta iniciar a postura e estar pronta para ser expedida.

Os módulos têm saídas para os lados opostos da mesma caixa, para evitar desvios caso a rainha saia da “mini-colmeia”.
O problema dos núcleos/nucléolos de fecundação não é só o custo, ou os materiais para os construir, como também a quantidade de abelhas mobilizadas.
Com estes mini-nucléolos resolvem-se esses problemas, na medida em que são fáceis de fazer com materiais reciclados, e sobretudo necessitam de quantidades mínimas de abelhas para funcionarem. Cada um dos módulos leva na câmara principal um pedaço de favo, cera puxada, cortada de forma que fique perfeitamente encaixada e sem obstruir os orifícios de saída (lateral), de introdução da rainha (por cima) e o respirador tapado com rede (em baixo).
O ideal talvez seja colocar-se um pedaço de favo com criação, acompanhado das respectivas abelhas. Segundo Vicente Furtado, a aceitação da rainha virgem, recém saída da incubadora, é fácil quando se “borrifa” todo o conjunto com um aroma forte. Ele costuma usar um aroma à base de aniz.
Como se trata de uma colmeia pouco equilibrada, pouco estável, pela quantidade de abelhas envolvidas, o alimentador artificial deve estar sempre presente, numa câmara secundária, contígua, com acesso na parte superior da câmara principal. O alimentador usado nestes nucléolos não passa de um pequeno pacote de leite ou de natas, reciclado e bem lavado, após o que é cheio com candy ou outro alimento sólido.
As rainhas virgens, ou princesas, (se bem que o sinónimo hoje em dia já tenha pouca aplicação), permanecem uns dias no respectivo módulo até estarem prontas para serem inseminadas artificialmente, só depois regressam ao mesmo local. Após a inseminação “estagiam” mais uma ou duas semanas até efectuarem a postura, até essa postura (quantidade/qualidade) ser avaliada, e possam ser expedidas para venda ou introduzidas numa colónia orfanizada. Curiosamente, a postura “deixada” por uma rainha providenciará as abelhas necessárias aos cuidados da próxima rainha, uma vez que a produção é contínua.
O mesmo módulo pode servir como nucléolo de fecundação, basta para isso regular a abertura exterior para permitir a saída da rainha e deixá-la efectuar naturalmente o voo nupcial.
Trata-se de um “engenhoso” mecanismo, que ornamenta a abertura para o exterior: numa posição (aberto) permite a saída e entrada de obreiras e rainha, noutra posição só permite a circulação das obreiras e numa terceira em que nada pode entrar ou sair do módulo.


Para quem quiser construir os nucléolos e os respectivos módulos:

As dimensões que apresento nas próximas figuras poderão obviamente ser alteradas para outras mais “ao agrado” de cada um, podendo até ser interessante modificar o conjunto de forma a que possam albergar “meio quadro” de alça. Desta feita seria mais fácil obter a cera “puxada” e inclusivamente poderia permitir outras “habilidades” no maneio...

Deixo-vos um concelho IMPORTANTE: caso queiram “bricolar” é melhor verificarem e reverificarem as dimensões que apresento, não vá alguma coisa correr mal. Sempre que utilizo martelos, pregos e madeira, raramente resulta em algo que me possa orgulhar. De facto, pareço um “relâmpago” a pregar pregos, nunca acerto duas vezes no mesmo sítio... e com as medições é semelhante!

Agora a legenda dos módulos:

1. Caixilho de Madeira.
2. Parede móvel, de vidro, para monitorização da câmara principal e captura da rainha. A parede oposta também é de vidro.
3. Câmara (secundária), do alimentador, com parede de vidro de um lado, para monitorizar a quantidade de alimento, e de madeira no lado oposto.
4. Bloco de madeira (ou outro material), para suporte e dar a altura correcta ao alimentador.
5. Mola de metal, pregada ao caixilho, para segurar as paredes de vidro.
6. Alimentador com candy, pode ser reciclado a partir de um mini-pacote de leite ou de natas (bem lavado).
7. Orifício de entrada/saída de abelhas.
8. Comunicação entre a câmara principal e a do alimentador.
9. Orifício de introdução de rainhas, alvéolos reais*?, tapada com uma rolha.
10. Abelha rainha.
11. Parede de madeira para separação entre a câmara principal e a do alimentador.
12. Orifício (respirador) tapado com rede.

* O reduzido número de obreiras envolvidas no processo, aparenta ser insuficiente para aquecerem e cuidarem de um alvéolo real, até ao nascimento da rainha. No entanto, modificando o esquema para dimensões maiores, mais abelhas, creio que poderá executar essa tarefa sem grande risco.

Apiário de Nucléolos de Fecundação/Estágio:

As pequenas dimensões destas “colmeias” permitem colocar o “apiário” sobre uma estrutura de madeira construída ou adaptada para o efeito:

As “asas” laterais de cada nucléolo permitem o seu encaixe na estrutura de madeira, podendo colocar-se ou retirar-se sempre que necessário.
Estes apiários têm sempre o dobro dos efectivos que aparentam ter, na medida em que cada nucléolo tem dois módulos com saídas para lados opostos. As cores usadas devem ser facilmente diferenciadas pelas abelhas para evitar desvios.
Qualquer dia faço um “post” com o modelo de nucléolos de fecundação que utilizamos há dois anos na ADERAVIS, adaptados de colmeias reversíveis mas igualmente funcionais... e coloridos!
Até lá e para quem se quiser “entreter” com estes, já tem muito que fazer...

20 fevereiro, 2009

Mais "Abelhas" na Net...

Nasceu um novo blogue de apicultura, e ainda por cima aqui bem perto!
Chama-se "Abelhas do Sor" e para quem quiser visitar tem o link aí ao lado...
Referindo-me apenas às páginas sem fins comerciais, já temos seis blogues e dois fóruns de apicultura (perdoem-me se esqueci algum), por ordem crescente de idades:

19 fevereiro, 2009

MelToon - 27

Clique na imagem para ampliar...

18 fevereiro, 2009

A minha primeira colmeia


Tinha eu cinco ou seis anos quando construi a minha primeira colmeia, que mais parecia a ONU. Digo isso porque não tinha só abelhas, tinha um pouco de tudo o que conseguia capturar, vespas, formigas e até gafanhotos.
Comecei por dividir uma caixa de cartão canelado com uma prateleira central, na qual abri um orifício com rampa para acesso ao “primeiro andar”. Pintei umas flores no cartão do fundo, em jeito de cenário e colei um plástico na frente, para os poder observar.
Os insectos que pousavam no tanque dos meus pais, levavam com tal esguicho de água que os atordoava. Apanhava-os com muito cuidado e depositava-os naquela colmeia de Babel, onde ficavam até recuperarem do breve afogamento.
A cresta, horas depois, só podia ter corrido mal, mel não havia nenhum, mas o plástico descolou-se e apareci a casa num berreiro e com o lábio inchado...
A partir desse dia o tanque dos meus pais tornou-se o bebedouro mais seguro para os insectos das redondezas.

16 fevereiro, 2009

Uma experiência apícola muito curiosa...


Coisas dos antigos, mas numa reflexão muito actual

Hipótese: A existência de factores ambientais menos óbvios ou difíceis de detectar, poderão determinar o desenvolvimento das colónias de abelhas e respectivas produções.

Obviamente que não me refiro à quantidade/qualidade da flora; à chuva; à seca; à neve; aos ventos; ao frio e tantos outros que difíceis de prever, são no entanto muito fáceis de detectar e avaliar.
Também não vou dizer quais são, prefiro que sigam o meu raciocínio e concluam por vós próprios. Hoje é Domingo, 10 horas da manhã, será que consigo raciocinar? Vou tentar...

Os Factos: O meu calendário apícola de 2008 com 30 colmeias iniciais:


*(Populações) Apiário nº 1 Médio; nº 2 Fraco; nº 3 Forte; nº 4 Forte.
** (Populações) Apiário nº 1 Médio/Forte; nº 2 Fraco/Médio; nº 3 Forte; Nº 4 Muito Forte.

Os Locais: Entre os dois apiários mais afastados, a distância não é superior a 4 km, a flora é igual nos quatro locais: flora de Primavera rica em Rosmaninho e Esteva, algum Alecrim, Medronho e Urze, esta última pouco mais que vestigial. No Inverno têm Eucalipto com floração quase nula e temperaturas demasiado baixas. No Verão as colmeias são deslocadas para outros locais.
Apiários nº1 e 3 expostos a Sul, os nº 2 e 4 expostos a Nascente. Todos estão protegidos (na retaguarda) contra os ventos, de uma forma natural e ou artifial.

Resumidamente:
Factores externos “facilmente identificáveis”: Todos os apiários, salvo melhor observação, estiveram sujeitos às mesmas circunstâncias, em termos de flora e clima.
Ainda que houvessem diferenças significativas na flora, o tempo que as abelhas tiveram para a explorar (entre Novembro e Fevereiro) foi mínimo, por causa do clima e nunca justificaria as diferenças entre as colónias.

Factores internos: Todas as colónias inicialmente muito fortes, com rainhas aproximadamente da mesma idade, tiveram tratamento igual e foram distribuídas aleatoriamente pelos quatro apiários (muito próximos).
Quando me refiro à qualidade das rainhas, afirmo-o porque mesmo no apiário mais fraco (nº2), a quantidade/qualidade da postura/criação relativamente à população adulta demonstra um arranque excelente e que decerto dimensionará as colónias antes do fim do mês.
Ausência de sintomas patológicos em qualquer um dos quatro apiários.

Questão: Porque razão, partindo de colónias inicialmente tão homogéneas, passando por circunstâncias externas aparentemente iguais, se obtiveram resultados diferentes?

Não acredito que entre meados de Outubro de 2008, data em que tratei contra a Varroose, em que todas as colónias estavam fortes, e finais de Novembro de 2008, quando tirei as tiras de medicamento e registei as primeiras diferenças, as abelhas dos apiários nº 3 e 4 tivessem aprovisionado a colmeia com algum nutriente especial que desse mais vigor às colónias. Até porque o apiário nº 2 (mais fraco), está a cerca de um km do nº 3.
Por outro lado, as condições climatéricas adversas, poucas oportunidades deram para a recolha de qualquer coisa nesse período.
Entre Novembro e Fevereiro (dia 14), os apiários mais fortes (nº3 e 4) foram alimentados duas vezes, os mais fracos (nº 1 e 2) foram alimentados três vezes.


Os factos que nos escapam...:
1-
Ao contrário do que se postula nas regras da boa instalação de apiários, quando nos aconselham a proteger as colmeias dos ventos dominantes, atrás de uma encosta, ou sebes naturais e artificiais, não existirão outros acidentes do terreno que terão maior influência nos ventos e massas de ar frio? Nomeadamente empurrando-os para o apiário?
Não nos é possível identificar ou prever tais coisas.
Posso-vos dizer que desde que vivo no campo campo, não estou a gaguejar, é que antes vivia numa aldeia... no campo, tenho uma maior sensibilidade para estes fenómenos do que antes. Ainda assim insuficiente.
Senão “vejam” isto: Nas noites quentes de Verão, quando me desloco de carro nestes locais, numa estrada de “sobe e desce”, é muito notória a diferença de temperatura entre o “cabeço” e a “cova”, percebe-se perfeitamente que as massas de ar frio descem pelos vales, aparecendo acompanhar as linhas de água, como se de um rio invisível se tratasse. Disse “de carro” porque a velocidade é maior e notamos melhor a diferença de temperatura, a variação é menos gradual.
Quantas vezes não colocamos um apiário bem protegido do vento, a meia encosta, e... acabamos por colocá-lo no “leito” de um destes rios de ar frio? De Verão as abelhas até agradecem, mas no Inverno...
2- As massas rochosas e minerais que se encontram no subsolo são diferentes de local para local. Tenho os quatro apiários em zonas de xisto. No entanto não é necessária grande deslocação para encontrar granitos, calcários ou argilas. Ainda assim, dentro de cada um destes grupos existirão sub grupos com outros constituintes e efeitos de proximidade com outras características.
As massas de água que existem e ou circulam no subsolo, decerto também influenciarão as características de cada local.
Não querendo entrar em exoterismos, os minerais, cristais, circulação de águas e outros constituintes do subsolo, acabam por “vibrar”, emitir radiações e de certa forma influenciar muitas características da superfície. As zonas de granito têm maiores níveis de radiação natural que outros locais, por exemplo.
Há tempos alguém dizia num programa de televisão, que o “desligar” do Homem à Natureza tem levado a uma perda de sensibilidade para boa parte dos estímulos externos, que outrora eram determinantes à sobrevivência dos humanos. E ainda hoje o são para os animais selvagens.
No exemplo, até se referiam ao facto do Homem andar sempre calçado e perder boa parte dos sinais , estímulos e fenómenos telúricos.
Agora não me vão andar para aí descalços a “apalpar” o solo do próximo apiário, senão ainda culpam a apicultura pelo fecho de mais uma fábrica de calçado. Também, para quem já tem as costas largas...
Um amigo meu, apicultor, pessoa bastante conceituada e a ocupar um alto cargo, dizia-me há tempos que quando percorria determinada estrada na Serra de S. Mamede – Portalegre, sentia o motor do carro a perder potência, e “sempre” no mesmo local! Justificava tal fenómeno com a existência de qualquer massa mineral (magnetite ou qualquer coisa do género), que havia no subsolo e afectava o motor e instrumentos do veículo.
Porque será que quando tocamos nestes assuntos, menos óbvios, temos sempre de recorrer ao estatuto ou ao curriculum da testemunha, para que não restem dúvidas acerca do estranho relato que se segue? Fica para outro dia...
De qualquer forma, é do conhecimento geral a existência em quase todas as localidades, daqueles indivíduos, “vedores”, que com a ajuda de uma varinha flectida, percebem no terreno as vibrações emitidas pelas “veias de água” ou lençóis freáticos. Local onde mais tarde se abre um poço.

Conclusão:...
Mas o que têm as abelhas a ver com deslocações de ar frio, depósitos minerais no subsolo, lençóis freáticos e respectivas radiações ou vibrações? Em que medida, factores que nós não nos apercebemos, podem afectar as vidas daqueles insectos?
Creio que já forneci a melhor pista: “ factores que nós não nos apercebemos”, factores para os quais não temos orgãos sensoriais, o que não invalida que as abelhas não os sintam, e por eles sejam afectadas.
Esta problemática, em que temos sempre a tentação de canalizar para as nossas vivências pessoais situações referentes a outras pessoas e principalmente a outros seres vivos, muitas vezes tolda-nos o raciocínio. Senão, veja-se esta anedota que vi ou ouvi já não me lembro onde:

Numa escola, o professor pediu a todos os alunos que fizessem uma redacção sobre uma família pobre. Entre todos os trabalhos que os alunos fizeram, houve um, feito por um rapaz rico que lhe chamou particularmente a atenção: “Era uma vez uma família em que todos eram pobres. O pai era pobre, a mãe era pobre, os filhos também, tal como o mordomo, o jardineiro e o motorista, todos eram pobres...”

Uma criança rica não conseguia conceber uma família sem jardineiro, motorista,... etc. Da mesma forma, muitas vezes somos induzidos em erro por não nos conseguirmos despir de preconceitos, que se agarram a nós que nem Varroas, e perceber que os elementos que “comandam” a vida das abelhas poderão ser muito distintos dos nossos.
É exemplo disso a forma como elas se apercebem dos campos magnéticos, e nós só os “sentimos” munidos duma bússola...

Outro exemplo: Stephen Jay Gould, um conceituado cientista e excelente divulgador cientifico, apresenta-nos na obra “O Polegar do Panda”, uma situação em que investigadores não conseguiam de modo algum perceber como determinadas bactérias (micróbios) se orientavam. Tentavam à viva força explicar tal facto a luz da força gravitacional. Mas como é que animais com uma massa corporal praticamente desprezável, podiam ser atraídos pela Terra?
Foi necessária alguma “humildade” para perceber que nem tudo está sujeito aos fenómenos que afectam os humanos. Descobriram então nas ditas bactérias, que alguns grânulos de magnetite eram responsáveis pela orientação destes micróbios através do campo magnético da Terra, chamaram-lhes bactérias magnetotácticas...

Em jeito de conclusão “de facto, serão muitos os factores que não controlamos quando fazemos o assentamento de um apiário, mesmo munidos da melhor vontade e conhecimentos.
Restam-nos duas opções: a tentativa e erro, ou seja, se tudo devia ter corrido bem e não correu, se a culpa não foi do apicultor ou das abelhas, por exclusão de partes são os restantes factores ambientais que “pagam as favas”. A outra opção leva-nos a ouvir mais vezes os idosos, ligados à terra e aos “ritmos” naturais, e com eles aprendermos alguma coisa.

Não sei se trouxe alguma “luz” sobre este assunto...
Mas venham lá daí esses comentários, onde se relatem casos semelhantes, em que situações aparentemente controladas do ponto de vista apícola resvalem para surpresas negativas ou positivas.
Quem me falar das “queimadas” com aguardente e mel, protagonizadas pelo Padre Fontes para exorcizar as colmeias da Varroose, leva um cartão amarelo...

14 fevereiro, 2009

MelToon - 26

ESPECIAL: Dia dos Namorados II...
Estavam à espera de quê ???!!!

MelToon - 25

ESPECIAL: Dia dos Namorados... Mais logo, e para quem tem curiosidade: como "se come" uma rainha virgem, só para maiores de 18 anos...

12 fevereiro, 2009

Desdobramentos de Colmeias – Os casos “Bicudos”

Durante a multiplicação das colónias de abelhas por “desdobramento”, muitos são os casos ditos “bicudos” que nos surgem.
Um dos mais comuns, e que dei algum destaque no “MANEIO APÍCOLA – Desdobramentos” (09/02/2009), cujo assunto ficou longe de estar esgotado, tem a ver com as Rainhas de Emergência:
Como é sabido, quando o apicultor voluntária ou acidentalmente provoca a morte ou a subtracção da rainha, essa colónia, orfanizada, procura “criar” uma nova rainha o mais rapidamente possível. Para tal aproveita a criação disponível na colmeia, a que passa a alimentar exclusivamente com geleia real. Quando se tratam de ovos, ou de larvas com um ou dois dias de vida, corre tudo bem: os ovos ainda não eclodiram e as larvas referidas ainda só foram alimentadas com geleia real.
O pior é quando a “urgência em criar uma rainha” leva as obreiras a “reciclar” larvas com mais de dois dias de vida, larvas que estariam “destinadas” para obreiras e ao terceiro dia já receberam uma alimentação diferente. E algumas com quatro dias de vida também são “repescadas”...
Nestas situações, as rainhas resultantes, capazes de acasalar e efectuarem a postura, biologicamente são menos capazes que as rainhas de “origem”. O(s) dia(s) em que foram alimentadas com mel e pólen atrofiaram-lhe os ovários, tornando-as por isso de menor qualidade.
Para piorar as coisas, estas rainhas de qualidade inferior, feitas de larvas mais velhas, são obviamente as primeiras a nascer, destruindo as mais atrasadas e... de melhor qualidade!
No outro escrito aconselho à destruição das larvas com mais de dois dias de vida, no núcleo que ficar sem rainha. Mas surgem dois (ou mais) problemas:

-Como distinguir as larvas com dois e três dias de vida, para quem tem pouca prática?
-E se houverem centenas de larvas com as características referidas? Vamos passar umas horas a “picotar” os favos para as destruir???


Há formas mais expeditas de resolver tal problema:

Ao “montarmos” o núcleo sem rainha, fazemo-lo independentemente do tipo de criação disponível, ou seja, não ligando à existência de larvas demasiados velhas para rainhas (com mais de dois dias de vida).
Conhecendo o Ciclo de Vida da Rainha, sabemos que a larva eclode ao quarto dia e é operculada ao oitavo/nono, vindo o insecto adulto a emergir do alvéolo real ao décimo sexto dia:

Na próxima imagem podemos ver a simulação de nascimentos de rainhas a partir de ovos (exemplos A1; A2 e A3); larvas com um e dois dias de vida (exemplos B1 e B2) e larvas com mais de dois dias de vida (exemplos C1 e C2).
Suponhamos que fizemos um desdobramento no dia um de Março (um dia tão bom quanto outro qualquer) e na criação disponível para as obreiras “fazerem” rainhas haviam todos esses casos e que normalmente até existem...

Caso a caso:
Na primeira observação do quadro, notamos que nas condições naturais (sem a nossa intervenção) acontece o que mais temíamos: A rainha com piores características (iniciada a partir de uma larva com 4 dias de vida, ou seja 7 contando a partir da postura do ovo) é a primeira a nascer. Nasce logo no dia 10 de Março (do nosso exemplo).
Ao nascer primeiro vai destruir todos os restantes alvéolos reais...
Nos exemplos A1; A2 e A3 (ovos com um, dois e três dias), as rainhas só irão nascer nos dias 16; 15 e 14 de Março, respectivamente.
Nos exemplos B1 e B2 (larvas com um e dois dias de vida), as rainhas só irão nascer nos dias 13 e 12 de Março, respectivamente.
Nos exemplos C1 e C2 (larvas com 3 e 4 dias de vida), as rainhas irão nascer nos dias 11 e 10 de Março, respectivamente, com as consequências já referidas.

Procedimento:
Como nos interessam apenas as rainhas obtidas a partir de ovos (A1; A2 e A3), ou de larvas com um ou dois dias, alimentadas só com geleia real (B1 e B2), podemos resolver o nosso problema de uma forma muito fácil:
Quatro dias após o desdobramento (4 de Março, no nosso exemplo), abrimos os núcleos/colmeias e destruímos todos os alvéolos reais que já estejam operculados!
Desta feita destruímos as rainhas que se estão a formar a partir de larvas demasiado velhas (os exemplos C1 e C2) , garantindo que as que restam (alvéolos reais ainda por opercular) tenham sido iniciadas a partir de ovos ou larvas de um ou dois dias de vida.

Para aqueles que fazem da “segurança” o lema da vida, podem fazer esta tarefa ao 5º dia, “arrumando” igualmente as rainhas iniciadas a partir de larvas com dois dias de vida (exemplo B2, a azul no esquema). Devemos ter presente que este “determinismo” da larva eclodir ao 4º dia, da operculação do alvéolo ao 9º e do nascimento da rainha ao 16º é estatístico e facilita-nos a vida, mas a Natureza é pouco dada a certezas...

Só fiz isto uma única vez na minha vida apícola, quatro dias após o desdobramento, armado em “Jack o Estripador”, abri as colmeias recem desdobradas e... Correu mal, não teve nada a ver com a destruição dos alvéolos reais da forma que tenho vindo a descrever, mas esse ano foram poucos os desdobramentos viáveis, nem sequer cheguei a saber o porquê...

O que faço habitualmente...
Ao desdobrar as colónias sigo mais ou menos escrupulosamente todos os passos que descrevi, mas a viabilidade biológica da rainha nunca me preocupa muito. Porquê? Duas razões:
1- Para uma grande quantidade de colmeias, procurar e destruir alvéolos reais operculados quatro dias após o desdobramento é muito moroso. Por outro lado, a experiência que tenho dessas intervenções é que esses núcleos sem rainha gostam de ficar sossegados, sem grandes mexidas...
2- Fé, um sentimento tão comum nos agricultores em geral e apicultores em particular. Tenho “fé” que as rainhas biologicamente duvidosas que daí possam resultar venham a ser substituídas.
De facto, se aos desdobramentos se seguir uma época muito produtiva, ou melhor, uma época produtiva muito prolongada, o estímulo constante para que haja postura da rainha decerto a levará ao limite. Caso ela não corresponda às necessidades da colónia, o mais certo é ser substituída por outra, não de emergência mas de qualidade.
Após os desdobramentos entre o Rosmaninho e as florações de Verão (com transumância) contam-se cerca de sete meses de actividade.
Não são raras as tardes de Verão em que visito as abelhas no Girassol e encontro dois ou três enxames pequenos (secundários) pendurados nas Azinheiras. Quase decerto que esses enxames resultaram da saída de rainhas virgens que sobraram, produzidas para a substituição de alguma velha, exausta... ou biologicamente inviável. Mas tudo isto pode ser apenas fé...


Mas há mais casos “bicudos” nos desdobramentos, porque isto de ser-se apicultor sem enfrentar “bicos” não tem graça nenhuma...

Outro dos problemas é a dificuldade/impossibilidade de encontrarmos a rainha, o que acontece bastantes vezes.
Além das alternativas que propus no outro post, há quem faça uso de uma técnica que consiste em colocar todos os quadros, ou pelo menos aqueles que têm criação, num corpo igual ao ninho, mas sem fundo. As abelhas são todas varridas para o ninho original, sobre o qual se coloca uma grade excluidora de rainhas e sobre esta o corpo com os quadros.
Todas as abelhas adultas vão passar para cima, para junto da criação, e a rainha fica no ninho original muito mais desacompanhada, sendo por isso mais fácil de encontrar.
Em jeito de graça, repito: em jeito de graça, porque isto não é para fazer, quase que preferia o método que uma vez me ensinaram para encontrar a rainha:
“O melhor é pintar todo o quadro onde a rainha se encontra com um spray e... passados 30 dias a única abelha que está pintada é a rainha...”

Finalmente, apesar de haverem muitos mais: temos ainda o problema da divisão das abelhas que andam no campo, pelas duas (ou mais) colmeias resultantes do desdobramento.
Este é particularmente “enervante”.
Ao dividirmos os quadros de uma colmeia por dois núcleos/colmeias, ainda que com cores diferentes da original, as abelhas que andam no exterior têm sempre tendência para entrar para aquela que alberga a rainha. Observam-se em grandes quantidades na tábua de voo e junto à entrada.

Se um dos núcleos/colmeias usados para albergar as colónias resultantes do desdobramento, tiver a mesma cor da colmeia original, é certo que as abelhas que andam fora regressam maioritariamente a esta caixa. O problema ainda é mais acentuado se se reutilizar a colmeia original para albergar uma das colónias resultantes:

Para evitar estas situações (será que evito?), costumo dividir os quadros da colónia a desdobrar por dois núcleos ou colmeias de cor diferente da original. A caixa de onde retirei esses quadros é passada a maçarico e usada como receptora noutro desdobramento.
Ainda assim, resta a preferência pela caixa onde coloquei a rainha, que tento remediar compensando a outra colmeia/núcleo com mais abelhas. Ou ainda, com uma “dança de colmeias” trocando e destrocando a sua posição para “confundir” as abelhas.
Não esquecendo que se retirarmos imediatamente um dos núcleos/colmeia do local, o problema fica resolvido...