08 janeiro, 2009

A Teoria da Colocação das Alças...


Mais um “assunto apícola” que tem levado a inúmeras discussões, e quem sabe um dia a correntes de pensamento ou até a doutrinas...
Os carpinteiros, munidos de régua e esquadro, labutam para que lhes saiam das mãos autênticas maravilhas da geometria. As alças “encaixam” perfeitamente sobre o ninho e noutras alças.
À primeira vista parecia que bastava retirar o tampo, a prancheta e... colocar a alça, mas não!!! Os nossos teóricos iluminados acabaram por desencantar uns quantos métodos, mais ou menos elaborados para processar esse trabalho, a saber:

Método I, o meu preferido...

A primeira alça é colocada normalmente sobre o ninho. A segunda alça é colocada sobre a primeira. A novidade vem com a 3ª alça, em vez de ser colocada sobre a 2ª, como era de esperar, é colocada debaixo das outras e sobre o ninho.
Justifica-se esta acção para evitar que as abelhas tenham de atravessar uma distância cada vez maior até chegar à nova alça, através de espaços exíguos e cheios de “tráfego”.
A 4ª alça, não fugindo à regra, será colocada debaixo da 3ª e assim sucessivamente, de modo a que a alça mais recente fique sempre sobre o ninho.
Este método, uso-o muitas vezes, tem a grande vantagem de encurtar caminho às abelhas, mas também tem um grande inconveniente. Sempre que queremos colocar nova alça, ou apenas ver se esta já é necessária, temos de “carregar” com todas as outras, colocá-las de lado e voltar a colocar tudo no mesmo sítio.
Mas também tem o lado “engraçado”, como uma vez em que inspeccionava o meu apiário para avaliar as produções. Só retirava o tampo e a prancheta e via que a alça de cima estava completamente cheia, e assim sucessivamente em todas as colmeias. Já no fim da operação é que me lembrei que a alça mais recente estava por baixo... e não por cima!

Método II, descrito pelo Professor Rosário Nunes.

É um método em tudo semelhante ao anterior, mas com outra abordagem. O objectivo é também colocar a alça mais recente sobre o ninho, para encurtar caminho, mas antes de ir para esse local a nova alça estagia sobre todas as outras.
A razão desse estágio ou “familiarização”, serve para as abelhas se habituarem a ela, propolizarem a madeira e a cera aceitando-a mais facilmente quando colocada no local definitivo de produção: sobre o ninho. Tem as vantagens e desvantagens do processo anterior.

Método III, para quem não liga a teorias...

Esta modalidade é talvez a mais comum, basta ir colocando as alças umas sobre as outras sem qualquer método, sempre que seja necessária.
Tem a vantagem das inspecções serem menos “pesadas” para o apicultor, mas as abelhas percorrem distâncias superiores.

Na minha opinião, a opção pelos primeiros dois métodos, mais elaborados, trará sem dúvida alguma vantagem e maiores produções. Mas não esperem encher mais uma alça que seja, só pelo facto de optarem por eles...

Quando colocar uma alça?
Outra decisão nem sempre pacífica.
Entre os que a colocam só pelo facto de ela não estar lá colocada e os que o fazem só quando a anterior já está operculada vê-se de tudo um pouco...
Normalmente faço isso quando todos os quadros do ninho ou da alça anterior têm a cera puxada e estão ocupadas por abelhas. Independentemente ou não da quantidade de mel; pólen ou criação que já possuam.
Na imagem seguinte, opto pela figura “A”

Dentro da figura “A” procuro primeiro certificar-me que alem das abelhas ocuparem os quadros, a cera já esteja puxada, como se pode ver nas imagens “2” e “3” da próxima figura:

Há no entanto excepções:

Se estivermos no mês de Maio, só coloco nova alça se a anterior estiver muito cheia, a população de abelhas for grande e se se adivinhar mais uma ou duas semanas de Rosmaninho. Caso contrário terei de “carregar” com ela vazia à cresta.
No Verão, no Girassol, por vezes coloco duas alças vazias em simultâneo sobre o ninho. Basta a colmeia ter uma grande quantidade de abelhas para tomar esta decisão.
As temperaturas são suficientemente altas para lhe disponibilizar tanto espaço de uma vez e evita tantas idas ao apiário.

Truque para estimular as abelhas a “puxar” cera nas alças:
Muitas vezes depara-se-nos uma imagem como a seguinte:

As abelhas juntam-se nos quadros centrais e mostram alguma dificuldade em avançar para as extremidades.
Isto é mais comum na primeira alça que se coloca, só com cera moldada, ou então no fim de estação, com a última alça.
O que faço nestas situações é colocar os quadros do centro, já ocupados, nas extremidades e vice versa. Homogeneizando assim as abelhas pela alça.
Normalmente resulta, os restantes quadros são então ocupados e a cera é puxada. Devemos ter atenção não haja criação nesse núcleo central, neste caso não podemos desfazer o grupo.
De qualquer forma, esta acção só resulta se houver néctar suficiente no exterior, ou a colónia não tenha enxameado, caso contrário nem que coloque os quadros a “fazer o pino”...
VER: O PICO DE PRODUÇÃO DO ROSMANINHO(05/01/2009).

07 janeiro, 2009

Café com Letras... e Mel

Organização: Amigos do Concelho de Avis

Colmeias Diferentes - 5

Mais uma vez, as colmeias até são iguais, os quadros porta-cúpulas é que são diferentes...
Esta habilidade deu-se durante um processo de Criação de Rainhas protagonizado pelos associados da ADERAVIS.
Na primeira sessão, a grande dificuldade para alguns apicultores, prendeu-se com a fixação do alvéolo real na colmeia orfã, creio eu, já não me recordo bem dos pormenores.
Sei que houve um, de "carácter mais inventivo", que desencantou um equipamento engraçado, mas muito funcional. E olhem que um apicultor para ser distinguido como "inventivo" entre os outros, estará entre o Einstein e o Professor Pardal, no mínimo.
A invenção era um quadro porta cúpulas, em que o suporte destas era feito em metal, e tinha uma estrutura móvel, também em metal, que encaixava no suporte através de uma rotação, ficando muito segura.
Os arames que a fixavam ao suporte, serviam mais tarde para fixar o alvéolo real na nova colónia.
Engenhoso não?

05 janeiro, 2009

O Pico de Produção do Rosmaninho


O Rosmaninho é uma das principais fontes de néctar nas regiões de matos e encostas suaves. Surge um pouco por todo o Alentejo, Beiras, Algarve e na Terra Quente Transmontana, entre outros locais.
O mel caracteriza-se por uma cor amarelo limão muito clara, aroma suave e sabor ácido. Mantém-se líquido, sem cristalizar, durante anos, razão pela qual é muito apreciado pelos consumidores.
Trata-se de uma planta essencialmente nectarífera, valha-nos o facto de surgir sempre associado a matagais com Esteva, Cistus ladanifer, C. salvifolia e outras. As Estevas, desprovidas de néctar são no entanto mais ricas em pólen.
Há muitos apicultores que apostam nesta floração para a produção principal de mel, e que ocorre durante a Primavera. Alguns chegam a marcar a primeira alça que colocam sobre os ninhos, em Março, uma vez que estas ainda recebem néctares de flores de Inverno, para serem separadas à cresta.
Em inícios de Maio param a produção, chegam a fazer crestas muito cedo para que não haja misturas com néctares de florações subsequentes, como a da Soagem.
Creio que não há necessidade de tantos preciosismos para obter um bom mel de Rosmaninho, mas para algumas DOP's ou para concursos de mel, há que proceder desta forma.

Costuma proporcionar grandes produções, sempre que as condições climatéricas o permitem. Quando chove bem nos meses de Janeiro e Fevereiro, seguido de temperaturas amenas em Março e Abril, normalmente é garante de boas produções. Por vezes estas condições verificam-se, mas ventos fortes e constantes durante o mês de Abril deitam tudo a perder, ou pelo menos reduzem bastante a produção.
No ano passado, contei cerca de duas semanas em toda a Primavera, com boas condições para as abelhas recolherem néctar. Todo o restante tempo foi com chuva ou fortes vendavais que secaram o néctar na planta. Ainda assim a produção foi óptima.
Quase que é preferível chover menos e a Primavera ser mais quente, como se trata de um arbusto, o sistema radicular resiste mais à seca que numa herbácea. Pior ficam os apicultores que apostaram nas zonas de Soagem...

Existem no entanto alguns “truques” que nos permitem maximizar as produções de mel de Rosmaninho...

A ALIMENTAÇÃO ARTIFICIAL ESTIMULANTE aplicada no início de Fevereiro, permite dimensionar as colónias, fortificá-las e prepará-las para a produção, em zonas sem floração de Inverno. O que sucede nestes locais é que as colónias saem muito fracas do Inverno e usam a maior parte do néctar de Primavera (o Rosmaninho) para se dimensionarem, vindo a produzir quase só mel de Verão.

Com ou sem Alimentação Artificial, convém “investir” no CONTROLO DE ENXAMEAÇÃO, principalmente se se administrarem xaropes muito líquidos. Caso contrário acabamos por perder muitas abelhas na enxameação e consequentemente: a produção!

MUITO IMPORTANTE:
O outro truque, ou melhor “o truque” para maximizar a produção de mel de Rosmaninho, trata-se de um dos ensinamentos mais importantes que aprendi enquanto apicultor.
Conhecendo a biologia desta flor, durante o mês de Abril, mais precisamente na 3ª ou 4ª semana, há uma fase em que a produção de néctar é máxima, os nectários segregam grande quantidade desta “água açucarada”.
Como devem calcular, as abelhas durante essa semana vivem num vai-vem tremendo, não dando à conta a carregar e armazenar tamanha quantidade de néctar. Em termos de produção é, ou poderia ser algo de fantástico para o apicultor.
Digo “poderia ser” porque raros são os apicultores que aproveitam esta oportunidade, que em determinadas circunstâncias poderá significar o dobro da produção.

O que acontece então para os apicultores perderem esta oportunidade?
Normalmente, durante a Primavera, o apicultor visita os apiários semanalmente. Como trabalha, aproveita o fim de semana para inspeccionar as colmeias e caso necessitem... colocar alças.
O apicultor coloca alças nas colmeias que delas necessitem, a seguir, vem a dita semana do “Pico de Produção do Rosmaninho”, e todas as alças vazias são rapidamente cheias. Alças colocadas no Sábado ou no Domingo, já estão completamente cheias na 4ª feira. Outra alça seria ainda cheia durante essa semana especial se... as colmeias lá a tivessem, mas quase nunca a têm!
O apicultor só faz a nova visita uma semana depois, chega ao apiário vê as alças cheias, e sem desconfiar de nada coloca novas alças, mas... o melhor já passou. Essa última alça, no fim de Abril já quase que demora duas semanas a encher, e por vezes já nem é cheia, a Primavera e o Rosmaninho estão a acabar.

Como resolver esta situação?
Obviamente com visitas mais regulares ao apiário, principalmente nas duas últimas semanas de Abril, quando as condições meteorológicas nos levam a desconfiar que o dito fenómeno se vai dar. Isto é, se houve chuva abundante antes da Primavera, as temperaturas sejam superiores a 20/25ºC e não haja muito vento.
Mesmo que as condições não sejam as melhores, o Rosmaninho tem sempre uma resposta semelhante, mesmo que não encha as duas alças durante uma semana, acabará por produzir muito mais nesse período. O ano passado, 2008, o “pico de produção do Rosmaninho” ocorreu poucos dias a seguir ao dia 25 de Abril, e notou-se...
Uma visita a meio da semana, coisa simples: basta levantar o tampo e a prancheta, para saber-mos se faz falta nova alça, e temos o problema resolvido. Esta acção pode ser muito melhorada se dispusermos de alças com cera puxada para o efeito.

Há outros “fenómenos” deveras interessantes ligados a essa semana, que poderão ver em “O MEL FEITO NO SOL” e “A TEORIA DA COLOCAÇÃO DAS ALÇAS” logo que eu tenha os escritos terminados...
Importa agora é reter que durante a Primavera, uma observação mais cuidada das colmeias permitir-nos-á aumentar muito a produção.
Há muitos anos que observo, e benefício com esse fenómeno do Rosmaninho, acredito no entanto que ele possa ser comum a muitas outras florações...

Fundação Abreu Callado

A Fundação Abreu Callado - Benavila - AVIS, editou um livro sobre o seu fundador,
Cosme de Campos Callado - O Homem e a Obra (1948 - 2008).
Pediram-me um pequeno texto que ilustrasse a apicultura da região, em tempos idos...

MelToon - 20


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Flora Apícola - Nespereira

Surge nos meses de Novembro e Dezembro e costuma dar uma boa ajuda, quando há abelhas por perto...

03 janeiro, 2009

INSECTOZOO - Cappas e Sousa


Um lugar extremamente interessante de visitar por quem se interessa por insectos, principalmente por insectos sociais.
Sempre que posso, invento uma desculpa para me deslocar a Vila Ruiva – Cuba, a seguir a Viana do Alentejo, para visitar o Pedro Cappas e Sousa. Um lugar agradável, uma quinta antiga adaptada a museu – zoológico.
Todos os insectos sociais e não só, lá se encontram: abelhas, formigas, vespas, meliponíneos, térmites,... etc. A primeira parte é dedicada aos meliponíneos, as famosas “abelhas sem ferrão” sobre as quais Cappas e Sousa antes escrevia na Revista “O Apicultor”. Insectos que o têm elevado inúmeras vezes à América do Sul, o local originário dos Meliponíneos, e onde faz investigação.

Contacto para visitas:
CAPPAS INSECTOZOO
Rua 5 de Outubro, 40
7940-456 Vila Ruiva – CUBA
Portugal
284 495 136
http://www.cappas-insectozoo.com.pt

Fig. 1 Os característicos “potes” de cerume onde os meliponíneos armazenam o mel. A “cresta” é feita com uma seringa, para retirar um mel muito líquido mas igualmente saboroso.
Já o alimento artificial, água açucarada, é também injectada com a seringa nos ditos potes.
Fig. 2 A mesma colónia da imagem anterior, zona de alvéolos de tamanho muito reduzido onde as “abelhas sem ferrão” fazem criação. Há uma nítida diferença de formato entre os alvéolos de criação e os de armazenamento de mel.
Fig. 3 “Colmeia” específica para albergar uma determinada variedade de meliponíneos, pintada com tinta vermelha. Originalmente, os insectos desta espécie eram criados em caixas pintadas com sangue obtido em sacrifícios para esse fim, feitos na antiga civilização Maia na América do Sul.
Fig. 4 Uma colmeia na “palma da mão”, que alberga outra espécie de meliponíneos de dimensões muito reduzidas, lembram mosquitos.
Fig. 5 Codex Maia, colecções de pictogramas pertencentes àquela antiga civilização e descodificados por Pedro Cappas e Sousa.

Outro dos destaques do Insectozoo são as colónias de formigas, desde sempre criadas pelo nosso anfitrião. Metros e metros de galerias com armazéns de sementes, cemitérios, maternidades e infantários de formigas, acessíveis através do vidro dos terrários.
Numa das salas podemos utilizar um curioso equipamento que nos permite “ver” e “sentir” o mundo tal como estes laboriosos insectos o fazem...

Fig. 6 Decoração de uma parede.
Fig. 7 e 8 Duas colónias de formigas.

Fig. 9 Uma gigantesca colónia de abelhas, constituída por um único favo de grandes dimensões fechado entre dois vidros. As abelhas têm acesso ao exterior por um tubo.
Fig. 10 Todo o ciclo de vida de uma obreira, representado por 21 espécimes conservados em formol em pequenos frascos.
Fig. 11 As baratas, outros “pequenos” insectos que nos acompanham no dia a dia. E se acham estas demasiado grandes vejam a próxima imagem...
Fig. 12 Barata gigante, que nem por sombras é das maiores...
Fig. 13 Estas mãos sim, já são as minhas, a embalar uma “maria café” da América do Sul, bichinho deveras simpático, igual aos que povoam os nossos bosques, só que... umas centenas de vezes maior. É um dos meus preferidos...

30 dezembro, 2008

Alimento Artificial de Inverno


Detesto fazer isto, mas tem mesmo de ser...
Não é por nada, apenas porque mete uma parte na cozinha, e cada vez que eu lá entro disparam uma série de alarmes e... normalmente com razão.
Depois tenho que “afinar” as proporções de nutrientes, os tempos no fogão, o ponto do açúcar, a viscosidade final e... pasmem-se: o número de orifícios ou cortes no saco “alimentador”, para não falar no trabalho que dá incorporar os componentes numa mistura tão viscosa.

O Porquê da Alimentação Artificial de Manutenção ou de Inverno?
A maioria das colmeias que possuo são do modelo “Lusitana”, e as reservas de mel chegam e sobram para os três ou quatro meses de frio. O pior são as reservas de pólen, apesar dos eucaliptais e de algum alecrim, a flora polinífera da zona é muito escassa no Inverno.
Por isso, durante os meses de Novembro/Dezembro, confecciono sempre o dito suplemento nutritivo, dito de manutenção, uma vez que pela pequena percentagem de humidade é muito diferente dos néctares naturais recolhidos pelas abelhas, e como tal não estimulam a postura da rainha nem o consequente desenvolvimento da colónia.
Seria desastrosa a ministração de alimentos muito líquidos nesta data, uma vez que tal facto levaria a aumentos exagerados de criação e a impossibilidade das abelhas alimentarem tantas “bocas” com tais condições climatéricas.

Ingredientes por colónia:
Pólen ....................... 100g
Mel ......................... 100g
Açúcar ...................... 150g

O Pólen é de facto o componente mais importante, a parte proteica tão necessária na estação fria. No entanto é importante torná-la apetecível para as abelhas, pelo que se deve misturar com mel e ou açúcar. As 100 gramas de pólen podiam ser substituídas, neste caso, por 200 gramas de farinha de soja ou 50 de levedura de cerveja, mas prefiro o pólen por todas as razões.
O açúcar em maior quantidade que o mel deve-se ao facto de ser mais barato, e por outro lado torna mais fácil o controlo da viscosidade da mistura.

Os Custo$
Pólen ...................... 3,50 €/Kg ......... 0,35 €/colmeia.
Açúcar ..................... 0,85 €/Kg ......... 0,13 €/colmeia.
Mel ........................ 2,35 €/Kg ......... 0,24 €/colmeia.

O que dá um total de 0,72 €/colmeia em nutrientes, assumido agora um custo de 0,28 €/colmeia em gás, água, combustíveis e no saco, custa aproximadamente 1,00 €/colmeia. Mas acreditem que este número se encontra sobrestimado.

Procedimento:
Esta é a parte mais polémica e susceptível à crítica, no entanto vou apenas descrever como habitualmente faço as coisas, nem sempre isentas de erros.

1º – Começo por colocar o açúcar numa panela ao fogão, com um mínimo de água, pouco mais de meio litro a um litro para cinco quilogramas de açúcar. Por vezes adiciono também uma colher de sopa, quase cheia de sal grosso.
Deixo ferver até que a mistura fique transparente, ou seja, até que o açúcar seja todo dissolvido.

2º - Em seguida apago o fogão, deixo arrefecer uns minutos e coloco o mel que normalmente está cristalizado. A temperatura do açúcar é suficiente para descristalizar o mel e homogeneizar a mistura. É bom que se vá mexendo tudo com uma colher para não perder a fluidez durante o arrefecimento.

3º – Coloco a panela dentro de um alguidar ou outro recipiente com água fria para acelerar o arrefecimento.
Nesta fase, costumo humedecer o pólen, em pó, num recipiente à parte, com um mínimo de água tépida, para facilitar a dissolução na mistura de mel com açúcar. Não sei se facilitará muito...

4º – Quando a temperatura da mistura de mel e açúcar desce para os 40 a 30ºC, adiciono “bolas” de pólen previamente humedecido, com a ajuda de uma colher de sopa. Coloco quatro ou cinco bolas de cada vez e depois com a ajuda de uma colher de pau dissolvo o melhor possível. À partida parece missão impossível, pois a mistura está muito concentrada, mas apertando os grumos de pólen contra a parede da panela e não parando de mexer, consegue-se homogeneizar tudo.

5º – Finalmente, ...nem calculam como a palavra “finalmente” me é cara neste episódio do alimento artificial, com a ajuda de uma concha ou caço/cace de sopa, coloco três a quatro doses num saco de plástico. Cada dose rondará aproximadamente as 100 gramas.
Aqui são mesmo necessárias duas pessoas, uma para segurar o saco, junto à parede da panela, e outra para deitar o alimento.
Os sacos são depois atados com um nó, o mais baixo possível, cortando-se o excesso de plástico que só vai é atrapalhar as abelhas... e o apicultor.

Problemas mais comuns até esta fase:
A) - O alimento fica demasiado fluido para o efeito que queríamos
, e como tal pouco apropriado para esta estação.
Das duas três, se detectou o problema no dia seguinte, quando a mistura já está dentro dos sacos de plástico e suficientemente arrefecida: não há nada a fazer!!! Quando isso me acontece guardo esses sacos para a ALIMENTAÇÃO ARTIFICIAL ESTIMULANTE, para lhes dar em meados de Fevereiro. Se tiver olho clínico para a culinária, e detectar o problema na panela antes de ensacar a mistura: ainda há remédio. Ou se junta mais um pacote de açúcar, não o derreta, adicione-o tal como sai do pacote, ou uma porção de farinha de soja ou ... mais pólen. Atenção que a última opção se bem que desejável é a mais cara.

Este problema, o mais comum, resulta dos “facilitismos” durante o processo de confecção, a adição exagerada de água para facilitar a dissolução do açúcar ou do pólen acaba sempre por se pagar mais tarde.

B) - O aquecimento exagerado do açúcar aumentará o HMF da mistura e tornará o alimento menos aconselhável/saudável para as abelhas.
De facto assim é, por essa razão verificaram que só aqueci o açúcar, exageradamente, para o poder dissolver e conferir à mistura o ponto desejado. O mel só recebeu o calor do açúcar fundido e pouca ou nenhuma alteração lhe trouxe.

Este problema pode ser resolvido de duas formas:
B1)-
Fazer a mistura toda a frio, é muito fácil, bate-se o mel, pouco ou nada cristalizado, com o açúcar e com o pólen em pó. O truque é tentar homogeneizar o máximo possível até conseguir uma consistência semelhante ao barro amassado.




Esta imagem ilustra o resultado dos dois métodos propostos, mas com um erro: devia ter sido utilizado pólen em pó...
Não gosto deste método, apesar da facilidade de execução e de aplicação, pois basta ser colocado directamente em cima da prancheta ou sobre um prato de plástico. Normalmente sucede que as abelhas apenas sugam o mel, a parte húmida, já os cristais de açúcar juntamente com o pólen não são levados para o ninho, e perde-se o principal objectivo.

B2)- Misturar a frio apenas o mel líquido, mas muito viscoso, com o pólen, até obter a consistência desejada e aplicar como no caso anterior.
O principal inconveniente desta opção é o preço, uma vez que se usa apenas mel.

De qualquer forma, não creio que seja assim um problema tão grave, sempre tenho utilizado o método descrito sem qualquer surpresa desagradável.

C) – O saco está roto e começa a sair o xarope para o exterior. É preferível colocar o saco dentro de outro do que despejar o conteúdo do primeiro. Como está tão viscoso a maior parte vai-se perder.

Aplicação do Alimento Artificial de Manutenção

Outra dor de cabeça. Mais uma vez o truque é a redução de custos e a facilidade de execução.
Os alimentadores habituais, muito acessíveis no mercado, até são baratos. Mas quando o número de colmeias é grande... começam a ficar caros. Para não falar na dificuldade em transportar e montar várias dúzias de alimentadores.





Os sacos de plástico apresentam uma boa funcionalidade, e são muito baratos. Têm no entanto um problema: a dificuldade em aferir o número e o tamanho dos orifícios para a saída do alimento, em função da viscosidade deste e da população de abelhas.
Se está muito líquido e as abelhas são poucas, vai escorrer para o exterior. Se está demasiado sólido, torna-se difícil o acesso das abelhas.





Acabei por optar por colocar o saco com grandes aberturas dentro de um prato de plástico. O prato evita que o alimento se perca e tem bom acesso para as abelhas. Corre-se no entanto o risco de muitas morrerem afogadas, o que se resolve colocando ramos e folhas dentro do prato.


As abelhas não comem cogumelos!!!, só que encontrei-os no dia da "alimentação" e resolvi partilhar as imagens...

FELIZ 2009...

MelToon - 19


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