
Mais um “assunto apícola” que tem levado a inúmeras discussões, e quem sabe um dia a correntes de pensamento ou até a doutrinas...
Os carpinteiros, munidos de régua e esquadro, labutam para que lhes saiam das mãos autênticas maravilhas da geometria. As alças “encaixam” perfeitamente sobre o ninho e noutras alças.
À primeira vista parecia que bastava retirar o tampo, a prancheta e... colocar a alça, mas não!!! Os nossos teóricos iluminados acabaram por desencantar uns quantos métodos, mais ou menos elaborados para processar esse trabalho, a saber:
Método I, o meu preferido...

A primeira alça é colocada normalmente sobre o ninho. A segunda alça é colocada sobre a primeira. A novidade vem com a 3ª alça, em vez de ser colocada sobre a 2ª, como era de esperar, é colocada debaixo das outras e sobre o ninho.
Justifica-se esta acção para evitar que as abelhas tenham de atravessar uma distância cada vez maior até chegar à nova alça, através de espaços exíguos e cheios de “tráfego”.
A 4ª alça, não fugindo à regra, será colocada debaixo da 3ª e assim sucessivamente, de modo a que a alça mais recente fique sempre sobre o ninho.
Este método, uso-o muitas vezes, tem a grande vantagem de encurtar caminho às abelhas, mas também tem um grande inconveniente. Sempre que queremos colocar nova alça, ou apenas ver se esta já é necessária, temos de “carregar” com todas as outras, colocá-las de lado e voltar a colocar tudo no mesmo sítio.
Mas também tem o lado “engraçado”, como uma vez em que inspeccionava o meu apiário para avaliar as produções. Só retirava o tampo e a prancheta e via que a alça de cima estava completamente cheia, e assim sucessivamente em todas as colmeias. Já no fim da operação é que me lembrei que a alça mais recente estava por baixo... e não por cima!
Método II, descrito pelo Professor Rosário Nunes.

É um método em tudo semelhante ao anterior, mas com outra abordagem. O objectivo é também colocar a alça mais recente sobre o ninho, para encurtar caminho, mas antes de ir para esse local a nova alça estagia sobre todas as outras.
A razão desse estágio ou “familiarização”, serve para as abelhas se habituarem a ela, propolizarem a madeira e a cera aceitando-a mais facilmente quando colocada no local definitivo de produção: sobre o ninho. Tem as vantagens e desvantagens do processo anterior.
Método III, para quem não liga a teorias...

Esta modalidade é talvez a mais comum, basta ir colocando as alças umas sobre as outras sem qualquer método, sempre que seja necessária.
Tem a vantagem das inspecções serem menos “pesadas” para o apicultor, mas as abelhas percorrem distâncias superiores.
Na minha opinião, a opção pelos primeiros dois métodos, mais elaborados, trará sem dúvida alguma vantagem e maiores produções. Mas não esperem encher mais uma alça que seja, só pelo facto de optarem por eles...
Quando colocar uma alça?
Outra decisão nem sempre pacífica.
Entre os que a colocam só pelo facto de ela não estar lá colocada e os que o fazem só quando a anterior já está operculada vê-se de tudo um pouco...
Normalmente faço isso quando todos os quadros do ninho ou da alça anterior têm a cera puxada e estão ocupadas por abelhas. Independentemente ou não da quantidade de mel; pólen ou criação que já possuam.
Na imagem seguinte, opto pela figura “A”

Dentro da figura “A” procuro primeiro certificar-me que alem das abelhas ocuparem os quadros, a cera já esteja puxada, como se pode ver nas imagens “2” e “3” da próxima figura:

Há no entanto excepções:
Se estivermos no mês de Maio, só coloco nova alça se a anterior estiver muito cheia, a população de abelhas for grande e se se adivinhar mais uma ou duas semanas de Rosmaninho. Caso contrário terei de “carregar” com ela vazia à cresta.
No Verão, no Girassol, por vezes coloco duas alças vazias em simultâneo sobre o ninho. Basta a colmeia ter uma grande quantidade de abelhas para tomar esta decisão.
As temperaturas são suficientemente altas para lhe disponibilizar tanto espaço de uma vez e evita tantas idas ao apiário.
Truque para estimular as abelhas a “puxar” cera nas alças:
Muitas vezes depara-se-nos uma imagem como a seguinte:

As abelhas juntam-se nos quadros centrais e mostram alguma dificuldade em avançar para as extremidades.
Isto é mais comum na primeira alça que se coloca, só com cera moldada, ou então no fim de estação, com a última alça.
O que faço nestas situações é colocar os quadros do centro, já ocupados, nas extremidades e vice versa. Homogeneizando assim as abelhas pela alça.
Normalmente resulta, os restantes quadros são então ocupados e a cera é puxada. Devemos ter atenção não haja criação nesse núcleo central, neste caso não podemos desfazer o grupo.
De qualquer forma, esta acção só resulta se houver néctar suficiente no exterior, ou a colónia não tenha enxameado, caso contrário nem que coloque os quadros a “fazer o pino”...
VER: O PICO DE PRODUÇÃO DO ROSMANINHO(05/01/2009).















































