16 maio, 2009

Colmeias Diferentes - 8

Disseram-me que se tratava de uma antiga centrifugadora de mel, estrangeira. Mas será mesmo essa a sua utilidade?
À primeira vista, parece, mas com um interior destes:

Se alguém conhecer semelhante "engenhoca" e me puder ajudar, agradecia desde já...

15 maio, 2009

“Obrigado, mas dispensamos o serviço das colmeias...”

Uma vez disseram-me para nunca escrever nada quando estivesse com raiva.
Eu não estou com raiva. Estou com aquela sensação de vazio no estômago (estou a escrever isto depois de almoço, um bom almoço), e estou com essa sensação. Talvez um “estou conformado” seja mais correcto...
Creio que foi Miguel Esteves Cardoso, quem escreveu sobre não haver sentimento pior do que quando nos conformamos com uma tristeza. Quando estamos inconformados temos a sensação de poder remediar algo, quando nos conformamos está tudo perdido.

Mas antes que alguém se derreta em lágrimas, é melhor contar o que se passou.
Logo no início deste ano consegui girassol para a transumância de todas as minhas colmeias. Melhor ainda, consegui girassol para as abelhas de mais uns quantos apicultores. No entanto, tenho cerca de 25 núcleos ainda atrasados, a Primavera não correspondeu e queria dimensioná-los antes da produção de Verão.
Para minha felicidade, também encontrei uns bons hectares de girassol mais adiantado, ainda por cima a meio do percurso do primeiro girassol que “guardava” para o Verão.
Pensei duas vezes antes de falar com o proprietário, não o conhecia, nem o conheço ainda, é espanhol. É um desses espanhóis que compraram/arrendaram uns largos milhares de hectares de terra no Alentejo, para substituírem o que quer que fosse que lá houvesse pelo dito olival intensivo (AS OLIVEIRAS DA DISCÓRDIA 05/11/2008).
Telefonei ao administrador, português, que me atendeu com a maior das deferências e que anotou convenientemente a minha solicitação. Pediu-me 24 horas para falar com o proprietário, uma vez que não podia ser ele a tomar a decisão.
Liguei no dia seguinte para o ouvir dizer “obrigado mas dispensamos o serviço das colmeias”. Frisei que o “serviço” era gratuito, uma vez que ambos beneficiávamos com tal negócio e até referi o aumento de produção que a polinização lhe traria. Voltei a ouvir outra mensagem lacónica que pouco variava da primeira.
Foi quando senti o dito nó no estômago. Mas dissipei a raiva quando pensei que de facto o terreno era dele. Comprado ou alugado era dele e contra isso não havia nada a fazer.

Nesse momento ocorreu-me um artigo que lera recentemente sobre agricultores americanos que se debatiam para conseguir abelhas que lhes polinizassem as culturas. O SDC nesta altura é um entrave para muitas produções agrícolas nos EUA. Ocorreu-me também que no ano passado, produtores de girassol espanhóis pagavam pela polinização do girassol (em Portugal).
Ocorreram-me ainda uma série de coisas, entre as quais alguns versos e trocadilhos que em crianças fazíamos com o nome dessa herdade, Herdade do Ramalho. Prestava-se a umas quantas rimas engraçadas que pouco servem agora para o efeito.
Mas também se prestava para as melhores produções de Verão que alguma vez tive. Entre o girassol, o cardo e uma excelente melada de Azinho, tinha sempre muita água fresca à superfície. Até já tinha imaginado as colmeias à sombra de um bosque de choupos que ladeia um charco cuja água é sempre transparente, vendo-se o fundo a mais de três metros de profundidade.

Obrigado mas dispensamos o serviço das colmeias”, foi a castelhana sentença que me afogou o reforço energético dos desdobramentos na tal água cristalina.

Porque carga d'água a Herdade do Ramalho, à semelhança de tantas centenas de herdades no Alentejo, são economicamente rentáveis para os agricultores espanhóis e nunca o foram para os proprietários/agricultores portugueses?
Em algumas, muitas, até substituíram o olival, imaginem, por... olival!
O que recearia o agricultor espanhol? Que as abelhas colectassem sementes em vez de néctar e pólen?
Mas quem pensa/age desta forma pode ser agricultor? Saberá o que está a fazer?
Eu não quero extrapolar este incidente para os restantes milhares de hectares espanhóis em solo luso, mas o Ministro da Agricultura terá ponderado sobre estas e outras consequências ao permitir que “isto”...?
Uma coisa eu tenho a certeza, nunca nenhum apicultor espanhol vai levar uma nega ao tentar polinizar girassol português em Espanha. E não será pela “má vontade” dos agricultores portugueses...

Felizmente que ainda “tenho” à disposição o girassol do agricultor português, grande amigo e pessoa extremamente educada. Já foram muitas as horas que passamos frente ao monte dele a falar nas culturas e quanto elas beneficiam com o serviço das abelhas...

14 maio, 2009

Ó formiga, formiguinha...

Sempre gostei de insectos, em particular dos insectos sociais e dentro destes... as formigas.
Confesso que há uns bons anos nem gostava muito de abelhas, preferia as vespas, achava as primeiras muito “domesticadas”, pelo que perdiam a graça toda.
Ao mesmo tempo custava-me a “inutilidade económica” das formigas, pelo menos a económica positiva. Sabia que nunca haveria de ser um formicicultor, desculpem, um mirmecultor, é o termo mais correcto. Não havia nada que elas colectassem com valor, em quantidades rentáveis e passível de ser “crestado” pelo criador.
Mas na semana passada, o Sr. António Bonito, artesão de Avis, mostrou-me que eu estava errado. Contou-me uma história da infância dele, em que andava com o pai a guardar ovelhas. Nesse tempo a rapaziada do campo ligava pouco à Playstation entre outras inutilidades, tinha então como passatempo a procura e pilhagem de ninhos.
Parece uma barbaridade, mas é curioso como a rapaziada do campo nunca conseguiu extinguir nenhuma espécie de passarinho, ao contrário dos desequilíbrios ambientais provocados pela indústria moderna, inclusive a que produz as ditas consolas de jogos.
Voltando ao Sr. António, disse-me ele que um dia capturou um casal de rolas, retirou-as do ninho e propôs-se a criá-las numa gaiola construída com canas. Dava-lhes trigo, as cearas já estavam bem douradas no tempo dos ninhos de rola, ele colhia umas quantas espigas, debulhava-as à mão e alimentava as avezinhas.
Como tal trabalho era extenuante e com pouco rendimento, “estudou uma manha” para conseguir os grãos de trigo sem grande esforço. Abeirou-se de um carreiro de formigas que carregavam os ditos grãos a partir de uma eira, onde o trigo aguardava pela debulha.
Abriu um buraco profundo mesmo no local onde passava o longo carreiro, colocou uma lata lá dentro e aconchegou-lhe a terra à volta.

De ambos os lados da lata onde o carreiro fora interrompido, construiu uma ponte com dois paus espetados no chão e uma linha esticada a fazer a ligação.

Desta feita, as formigas subiam a custo pelo pau, passavam para a linha “bamba”, tremiam, oscilavam e lá ia a carga para o abismo de lata. Umas atrás das outras quase lhe encheram a enorme lata de trigo.
Contou-me ele que antes das formigas resolverem contornar o obstáculo, ainda juntou trigo para criar as pequenas rolas.

A ideia não me pareceu má, quem gosta de insectos sociais podia diversificar um pouco para a cerealicultura, o pior será mesmo convencer os proprietários da ceara. Por outro lado, as formigas poucas hipóteses tiveram com o fim das eiras, substituídas então pelas modernas ceifeiras. Até estas já enferrujam pelos campos, o trigo no Alentejo pouco mais é que uma miragem...

Esqueceu-me um pormenor, os idosos destas paragens quando “apanham” alguém mais novo gostam muito de os “entalar” com estas histórias-que-pouco-faltam-para-ser-verdade, mas creio que o Sr. António nunca me iria mentir com um assunto destes...

13 maio, 2009

MelToon - 37

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11 maio, 2009

Réguas Reguladoras de Entrada e outros mistérios...

Habituado a ver cortiços, foi para mim uma surpresa quando me apercebi da grande quantidade de componentes e peças que constituíam a colmeia de quadros móveis. A princípio era um autêntico quebra cabeças. Valeu-me a presença do fabricante ou não montaria a minha primeira colmeia.

Um dos componentes que mais me prendeu a atenção foi precisamente a régua reguladora de entrada, pareceu-me quase um instrumento de tortura medieval...
Os primeiros conselhos foram no sentido de a manter sempre... a “regular” a entrada da colmeia. Durante a Primavera e Verão na posição com mais buracos (30 ou perto disso), no tempo frio e chuvoso devia reorientá-la para a posição menos esburacada.
Assim fiz, e no Primeiro Verão (tinha começado a actividade a 8 de Maio), deparei-me com grande engarrafamento de abelhas à entrada da colmeia. Lembravam-me as cabines das portagens nas autoestradas em fins de semana prolongados. Num olhar mais acurado percebi o motivo do entupimento: dúzias de escaravelhos entalados nos buracos impediam a livre passagem das abelhas.
Tratavam-se das “cetónias”, coleópteros com cerca de dois cm e característicos das regiões de montado. Não aquecem nem arrefecem, apenas escavam pelos favos onde devem comer de tudo um pouco: mel, pólen e cera, mas com poucos prejuízos. Por vezes já mal se mexem, graças às camadas de própolis com que as abelhas as cobrem até à imobilização total.

A parte pior é mesmo o entupimento dos orifícios na régua reguladora de entrada e a consequente dificuldade que causam ao normal tráfego das abelhas.
Mas os apicultores em geral inventaram e mostraram-me dúzias de ferros retorcidos e pontiagudos, com e sem cabo, destinados a espetarem as ditas cetónias sobre a tábua de voo. As conversas na associação andavam à volta da quantidade de “carochos” colocados dentro de uma garrafa de plástico que cada um tinha conseguido...

Numa bela manhã, despido de preconceitos e farto dos “carochos”, resolvi eliminar nas minhas próprias colmeias um dos mitos mais enraizados na apicultura: a régua reguladora de entrada! Nem no Inverno lá as admitia, se bem que ultimamente já tive umas recaídas.
Pouco mais as uso que quando dou alimento artificial estimulante às abelhas. Este tipo de alimento, mesmo com alimentadores internos, induz a pilhagem. Por isso coloco as ditas réguas com a abertura mínima nos desdobramentos e com os “30 buracos” nas colónias com dez quadros ocupados.

Repare-se agora no efeito das réguas reguladoras de entrada com diversos graus de regulação (número de buracos ou dimensões da entrada) em dois tipos distintos de colmeia: as mais comuns e as colmeias características da fábrica Alberto da Silva Duarte & Filhos:

Régua Reguladora de Entrada com a abertura máxima:

Régua Reguladora de Entrada com a abertura miníma:

Colmeias sem Régua Reguladora da Entrada:

Aparentemente, o melhor sistema, para mim, é mesmo o último: ausência de qualquer impedimento à entrada de abelhas. Certo é que tal “desimpedimento” serve também às cetónias, ratos e outros problemas. Costumo argumentar que uma colónia forte se defende facilmente de qualquer invasor, se a colónia for fraca... não sei se vale a pena a sua manutenção, mas... há sempre as réguas reguladoras de entrada!
Num último olhar às imagens acima, as réguas das colmeias da marca Alberto da Silva Duarte & Filhos, na abertura máxima, parecem ter uma boa funcionalidade. Pessoalmente não sou grande (nem pequeno) apreciador deste modelo de colmeias.

Esta Primavera, após ter feito os desdobramentos, resolvi fornecer alimento artificial estimulante às colmeias resultantes. Reduzidas a metade da população e ocupando apenas cinco quadros, coloquei as ditas réguas reguladoras na posição de cinco orifícios. É mais fácil proteger uma entrada reduzida das tentativas de pilhagem ao alimento muito líquido.
Findo o período de alimentação, esqueci-me de retirar as réguas. Estiveram na colmeia durante os dez ou quinze dias de chuva em Abril. Quando as fui retirar no fim do mês deparei-me com o seguinte fenómeno: larvas mortas no exterior de várias colmeias.

Infelizmente não tirei fotografias, mas as larvas aparentavam sintomas de micose numa fase inicial. Numa inspecção ao interior confirmei as minhas suspeitas: boa parte das colmeias padeciam de micose numa fase muito precoce.

Colónia com criação saudável:

Colónia infectada com micose:
Habitualmente as larvas afectadas por esta patologia perdem a cor branca e brilhante e adquirem uma tonalidade mais creme e sem brilho. A partir desta fase a larva perde volume e ganha uma consistência cada vez mais dura.

Fica agora a questão: Ter-se-á devido tal moléstia à conjugação do tempo húmido, alimento artificial estimulante (muito húmido) e as réguas reguladoras com abertura mínima a restringirem o arejamento das colmeias?
Certo é que com o regresso do bom tempo todos os sintomas desapareceram, mas nunca me sucedera nada semelhante. Fiquei com mais esta má experiência a desfavor das réguas reguladoras de entrada associadas ao “clima abafado” e prejudicial no interior da colmeia.

06 maio, 2009

Apicultura no BRASIL

Desde há algum tempo que tenho vindo a trocar mail's com um apicultor brasileiro do Estado de S. Paulo e que conheci no montedomel.
Pedi-lhe que me enviasse fotos da sua exploração e me falasse um pouco da sua apicultura, para que todos pudéssemos conhecer a forma como os nossos irmãos do outro lado do Atlântico convivem com as abelhas.

Contou-me que não explora o mel, ou pelo menos da mesma forma que o fazemos no nosso país. Prefere a comercialização em favo, é mais rentável, menos trabalhosa e o investimento mais suave. Interessante o pormenor de adicionarem óleo de Soja à cera durante a moldagem, o que a torna mais macia ao mastigarmos o favo.

O mel vendido em quantidade rende pouco, ou melhor, rende pouco para o apicultor, afinal não partilhamos apenas a língua...
Percebi que a apicultura no Brasil é vivida com muita poesia e sobretudo com muita dedicação. O Carlos Correa dedica-se à colecta de pólen, usando para o efeito umas curiosas armadilhas internas colocadas sob a colmeia.

Faz imenso sentido, os nossos equipamentos de colheita de pólen, exteriores, pouco serviriam numa região tropical onde chegam a haver chuvadas de hora a hora.
Para maximizar a colheita, o Carlos alimenta artificialmente as colónias durante esta fase, para compensar o pólen que lhes é subtraído. Os alimentadores são colocados lateralmente na colmeia e com acesso pelo interior. Um aspecto curioso: fora da época de colecta daquele produto, e para habituar as abelhas, coloca um “coxo” de farinha no exterior. Confessou-me que acha imensa graça às abelhitas que pousam ou “caem” na farinha e regressam à colmeia todas brancas.
Quanto ao processamento pós-colheita do pólen, montou um curioso (mas muito funcional) equipamento, que lhe permite secar o dito produto e separá-lo em três tamanhos. Bastou-lhe para isso um vulgar secador de cabelo e uma série de tubos e ligações: por “meia dúzia” de Reais.

Um secador de pólen, em Portugal, ronda os 1.500,00€ e não selecciona os grãos.
Falou-me ainda numa doença a que chamou “doença da pupa” que pelos sintomas aparenta a nossa micose, e da qual apresento a seguinte imagem:

A doença está a causar-lhe grandes baixas nos efectivos, apesar dos esforços para a controlar.
Gostava que o Brasil fosse aqui mais perto, seria interessante visitar-mos essas explorações apícolas, tal intercâmbio havia de ser muito proveitoso para ambas as partes. Mas para um português quando pensa no Brasil, creio que lhe ocorre tudo menos a apicultura...

04 maio, 2009

MelToon - 36

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02 maio, 2009

Moldagem de Cera em Fortios - Portalegre

Trata-se de uma industria familiar, gerida pelo Sr. José Pires Gil, também construtor de colmeias e apicultor.

30 abril, 2009

Muros Apiários em Sousel

Muro Apiário Monte do João Pardo

Por vezes estamos tão perto que não conseguimos ver nada...
Foi a frase que me ocorreu quando numa noite da semana passada recebi um mail do Sr. Daniel Casado, Açoriano de S. Miguel e quase há um ano radicado em Sousel, onde desempenha as funções de Técnico de Turismo. Tem por hábito calcorrear o concelho que o acolheu em busca de novas atracções para mostrar aos visitantes. Em suma, passa os tempos livres a fazer o que melhor sabe: trabalhar com afinco e excelência, assim afirma quem o conhece.
Foi num desses passeios pela Serra de S. Miguel que o Daniel Casado encontrou dois muros apiários, assunto sobre o qual já tínhamos conversado outras vezes, por causa de alguns posts do montedomel.
Quando recebi as primeiras fotos fiquei deveras surpreso, pois eu próprio já tinha palmilhado a Serra noutros tempos e nunca vira nenhum. Curiosamente andei bem perto, mas os amores desses tempos eram mesmo as ervas aromáticas e flora autóctone em geral.
Mais tarde, e seguindo os concelhos do amigo Leonel Belchior, fui caçar enxames na Serra de S. Miguel, onde a floração é sempre mais atrasada e por isso as novas colónias se dirigem para lá. Desde esse tempo que tirei duas conclusões acerca do local: uma grande abundância de flora melífera associada a uma lamentável falta de água à superfície, o que a torna simultâneamente boa e má para a apicultura. Foi mesmo a falta de água que nunca me levou a ter abelhas nessas paragens.

Mas voltando aos “nossos” muros, no Domingo passado lá fui com o Daniel ver as ditas construções, das quais tiramos as seguintes fotos:

Muro Apiário Monte do João Pardo: Pormenor da data – 1945
As paredes são baixas, entre 1,20 e 1,50m, no segundo muro são ligeiramente mais altas.
Fica a nota de que na maioria dos muros que visitei não tinham a data assinalada.

Muro Apiário Monte do João Pardo: Pormenores do bebedouro
Outra estrutura que não estava habituado a ver neste tipo de construções: um bebedouro construído para o efeito com os mesmos materiais de construção.

Reparem nesta segunda imagem, no pormenor das paredes interiores do bebedouro, como são inclinadas de modo a que as abelhas possam pousar sem cair na água.

Muro Apiário do Monte do Gião de Fora
Muito semelhante ao anterior, não dista mais que dois ou três quilómetros, usaram os mesmos materiais e técnicas de construção, sendo no entanto de maiores dimensões que o primeiro.

Muro Apiário do Monte do Gião de Fora: Pormenor dos degraus e bebedouro.
As dimensões, a arquitectura e o pormenor dos degraus lembram quase o piso de um templo romano. Se a mão de obra não fosse tão barata à data da construção teriam de vender o mel bem caro.
Tal obra suportaria decerto duas centenas de cortiços, tais são as suas dimensões.
À semelhança do primeiro muro também tinha um bebedouro, mas mais comprido, proporcional às dimensões desta segunda silha.
Foi quando vi os bebedouros que me ocorreu a observação que fiz anos antes, ao classificar a Serra de S. Miguel como pouco aconselhada às abelhas por causa da falta de água. Característica que já devia ter há muitos anos.
Ambos os muros estão a ser usados por apicultores, um melhor tratado que outro. Ainda bem que os actuais abelheiros continuam a dar uso ao património apícola de Sousel.
Segundo Daniel Casado é possível que hajam outras construções semelhantes na Serra de S. Miguel, mas ficam para outro dia, outro passeio. Entretanto podem ver também as fotos de um Forno de Cal, construção muito característica desta localidade em tempos idos. A natureza do subsolo, muito rico em calcário, tornava rentável a exploração da cal, que depois de cozida era vendida nas redondezas para pintar as casas com a característica cor do Alentejo.