Conforme se devem recordar, o Sr. Vicente Furtado (Lagos – Algarve), produz e insemina centenas de rainhas que distribui por todo o país.Ao que parece, a taxa de sucesso na introdução das rainhas adquiridas e até produzidas pelos apicultores, encontra-se muito aquém do que seria desejável (menos de 50%). Não esqueçamos que as rainhas custam caro, e todo o cuidado é pouco no seu manuseio...
Confrontado com esta situação, o Sr. Vicente Furtado aconselha-nos dois métodos, semelhantes, mas que melhoram bastante os indíces de aceitação das novas rainhas, por parte das colónias receptoras.
Método I: “Quadro – gaiola”
O “Quadro – gaiola” de introdução de rainhas, é feito em madeira, com o formato e dimensões de acordo com a figura seguinte:
Para melhor visualização de todos os pormenores deve ampliar as imagens clicando sobre elas. A1 – Quadro de madeira, cujas dimensões variam consoante o tipo de colmeia.
B1 – Câmara da rainha (10,00cm x 8,00cm), coberta com rede mosquiteira de ambos os lados.
C1 – Câmara do Candy (alimento sólido).
D1 – Tampa de plástico que impede o acesso das obreiras à Câmara do Candy nos primeiros dias.
E1 – Orifícios no quadro de madeira (2,5cm de diâmetro), que permitem a circulação do ar e a passagem das abelhas.
Após a recepção ou criação da rainha pelo apicultor, esta é colocada dentro da Câmara da Rainha (B1), colocando-se em seguida o Candy* já preparado nos compartimentos (C1). Estes compartimentos são tapados com as tampas (D1), antes de colocar o quadro (A1) num núcleo** preparado para esse efeito.
Todo o equipamento vai permanecer assim no núcleo durante quatro dias, sem qualquer perturbação, e obviamente com o acesso das obreiras ao Candy impedido pelas tampas (D1).
Volvido este tempo, abrem-se as Câmaras do Candy, ou seja, baixam-se as ditas tampas e a rainha é libertada em 24 a 36 horas após esta operação.
Por vezes, a libertação da rainha demora mais tempo, pelo que não é conveniente ir verificar o sucesso deste trabalho senão passados uns cinco dias após a abertura das tampas (D1).
Por curiosidade, o Sr. Vicente Furtado referiu que já deixou rainhas “presas” no quadro de introdução, por esquecimento, cerca de 30 a 45 dias e sem retirar qualquer eficácia ao processo ou perda de viabilidade às rainhas.A abertura da porta do Candy (tampas (D1)), deve ser feita de forma a que apenas a circunferência da câmaras (C1) fique aberta. Se passados os cinco dias a rainha não tiver sido libertada, deve então abrir-se a totalidade de cada câmara, proporcionando um maior acesso ao Candy pelas obreiras.
(*) CONFECÇÃO DO CANDY
Este alimento artificial, sólido, pode ser adquirido já preparado, ou então confeccionado pelo apicultor, juntando 1kg de açúcar a 4 dl de água e uma colher de chá de ácido láctico.
Primeiro aquece-se a água e o açúcar numa panela de pressão e só depois se adiciona o ácido láctico. Finalmente fecha-se a panela e deixa-se ferver durante 15 minutos.
(**) PREPARAÇÃO DO NÚCLEO OU COLMEIA RECEPTORA.
O quadro (A1) com a rainha é colocado no centro. De ambos os lados e simetricamente, são colocados os restantes quatro quadros: 2 com mel e pólen e 2 só com cera puxada, não esquecendo também as abelhas, jovens, como é óbvio.
Nos quadros não pode haver ovos nem qualquer criação.
É aconselhável pulverizar uma mistura de água com essência de aniz sobre as abelhas, no momento da introdução do quadro (gaiola) com a rainha, o que dá mais garantias ao processo.
Procedimento que também deve ser seguido na junção de colónias.
Método II: “Placa – gaiola”
Trata-se de um método muito semelhante ao anterior, as diferenças residem basicamente no equipamento.
A2 – Rectângulo de madeira (40,00cm x 8,00cm) (placa).B2 – Câmara da Rainha (14,00cm x 5,00cm), coberta com rede só de um dos lados da placa.
C2 – Câmara do Candy, ou outro alimento sólido.
D2 – Tampa de plástico que impede o acesso das obreiras à Câmara do Candy, nos primeiros dias.
E2 – Tampa de vidro que permite ao apicultor visualizar o evoluir do processo ao retirar a prancheta da colmeia/núcleo receptor.
A placa é colocada directamente sobre os quadros, com a parte em rede virada para baixo, para que as obreiras possam contactar directamente, alimentar e libertar a rainha. A parte de vidro virada para cima permite ao apicultor monitorizar o processo.
As vantagens deste método prendem-se com facilidade em acompanhá-lo sem grandes “mexidas” na colmeia, basta levantar a prancheta, e adapta-se a todos os tipos de colmeia, ao contrário do quadro.
A desvantagem tem a ver com a espessura da placa de madeira, que dificulta a sua colocação no espaço exíguo entre o topo dos quadros e a prancheta.A Placa de Introdução de Rainhas é igualmente feita em madeira e as suas dimensões e desenho podem ser observadas na imagem seguinte:

Com os métodos convencionais de introdução de rainhas, a taxa de sucesso é habitualmente inferior a 50%, com estes métodos e segundo o Sr. Vicente Furtado, conseguem-se resultados na ordem dos 90 a 95%, mesmo quando se trata da nossa abelha negra Apis mellifera ibérica.










































