02 agosto, 2009

Mel de Melada de Azinheira

Já andava com esta “fisgada” há muitos meses, anos até...
Levantar-me muito cedo, máquina fotográfica a tiracolo, e “espiar” as abelhas na colecta da melada de Azinheira.
Como é sabido, a melada que se acumula sobre as folhas e ramos da Azinheira tem uma grande concentração de açúcares, em detrimento da humidade, até porque ocorre durante os meses mais quentes: Julho e Agosto. Para o efeito esperei por uma manhã húmida e com algum nevoeiro, que liquefizesse os ditos açúcares sobre a folhagem de modo a atrair as abelhas.

Esta substância só pode ser recolhida nestas condições, pelo que a partir das 08:00 horas da manhã é já demasiado tarde.
Não foi preciso andar muito para encontrar uma Azinheira a “transbordar” de melada: mesmo atrás da minha garagem. Não eram muitas as abelhas que por lá andavam, menos de meia dúzia de cada vez, a árvore é ainda muito pequena: cerca de três metros de altura por outros tantos no diâmetro da copa.
Ainda assim eram bem visíveis as gotas da dita substância sobre folhas, raminhos e bolotas. O primeiro impulso foi procurar as colónias de ácaros responsáveis pela melada.

Vi, revi, olhei, virei ramos e folhas, mas nada de Afídeos, nem um só que posasse frente à objectiva. De qualquer forma já sabia que nem toda a melada da Azinheira era produzida por tais insectos. Sempre ouvi dizer aos mais idosos que tais secreções muitas vezes se devem ao excesso de “viço” da planta, eventualmente por qualquer fenómeno fisiológico. Nestas circunstâncias vêem-se quase sempre bolotas verdes rebentadas ou destacadas da cápsula, por onde escorrem os ditos açúcares.
Para ter a certeza que se tratava de melada ainda passei a língua por uma folha, onde se tinha acumulado boa quantidade desse líquido: era mesmo doce e até gelatinoso.
Não consegui foi perceber por que razão as abelhas evitavam os locais onde a melada se acumulava em maior quantidade, entretendo-se antes a libar as folhas ligeiramente manchadas.

Por outro lado, não deixou de ser curioso ver a quantidade de outras espécies de insectos que se encontravam neste “Ecossistema” para aproveitarem o “maná” doce e abundante oferecido pela Natureza:

Repare-se nesta imagem o aspecto “esbranquiçado” dos açúcares, o que indiciará decerto o baixo grau de humidade que os caracteriza.

Os predadores também foram convidados: esta vespa terá “almoçado” a sua dose de açúcares na melada e tratou de levar um lanche para as larvas...

Este “post” valeu sobretudo pelas imagens, algumas até novidade para mim que vivo nesta região, mas de facto esperava desvendar muitas mais coisas acerca desta importante fonte de mel que são os Montados de Azinho.
A melada não ocorre todos os anos, é necessária a conjugação de diversos factores para que a sua produção se dê. Lembro-me de um ano em que foi tão abundante, e eu tinha um apiário sob a copa de uma destas árvores, que o tampo de algumas colmeias escorria açúcares. Cheguei até a ponderar destapá-las de forma a que a melada caísse directamente lá dentro...
Acerca desse fenómeno, também me surpreendeu a razão porque não havia qualquer abelha sobre os tampos a recolher tamanha abundância de néctares que acabaram por secar.

Já depois do "fecho da edição", percebi que a "hora da melada" não é só na alvorada, pois às sete da tarde as abelhas e outros insectos continuam a banquetear-se com estes açúcares gratuitos.
Por outro lado, as minha preocupações acerca da "indiferença" das abelhas para com os locais onde se libertava mais melada (bolotas e respectivas cápsulas) também se dissipou, pois noutra manhã encontrei-as cheias de abelhas a beber:

01 agosto, 2009

Até que a Varroa os separe...

Os chineses Li Wenhua e Yan Hongxia, criadores de abelhas há mais de 25 anos no norte do país, resolveram casar-se cobertos por uma densa camada desses insectos.
A ideia de convidar as "velhas amigas" surgiu quando o chinês pediu a mão de Yan em casamento.

No dia da cerimónia, o casal atraiu o grupo de insectos usando abelhas
rainhas como iscas. E, apesar de muitos dos convidados terem preferido
manter distância, Li e Yan parecem ter-se sentido confortáveis com a
"vestimenta". "Foi emocionante ter um enxame movendo-se sobre nós. Eu sempre
amei abelhas, mas foi uma experiência totalmente nova", diz a noiva, feliz.
É, de fato, há gosto para tudo

Enviado do Brasil pelo amigo Carlos Correa

29 julho, 2009

Favos de Colmeia e de Cortiço

Em resposta ao pedido que fiz em 18/07/2009, sobre o envio de imagens/textos/assuntos interessantes sobre a apicultura de cada lugar, recebi as seguintes fotografias do amigo António Fernandes:

Quadro de Criação, Local: Espinho

Um excelente quadro de criação, não há mais espaço para reservas de mel ou pólen, decerto se trata de rainhas e ceras novas.
É curiosa a forma como a rainha evitou a linha de alvéolos onde se encontram os arames do quadro. É uma situação muito comum. Este ano observei algumas situações semelhantes (em quadros de mel), onde as abelhas não usaram tais alvéolos e mais tarde talvez por falta de espaço, preencheram essas “linhas” com um néctar mais escuro, ficando os quadros com um aspecto “riscado”.

A segunda imagem, quando a vi pela primeira vez pensei: e ainda dizem que as abelhas constroem os favos segundo um determinado ângulo com o Norte Magnético! Estas construíram-no em várias direcções, à revelia das regras naturais.
Só depois o António Fernandes me disse que o cortiço onde tirou a fotografia estava numa determinada posição, tendo sido posteriormente deslocado...

Favos de Cortiço, Local: Arouca

É um assunto em que penso muitas vezes. Quando se instala um apiário de cortiços, independentemente da orientação, as abelhas constroem os favos como querem. Mas quando se trata de colmeias móveis, os quadros e a cera já condicionam a orientação dos favos...

Mesmo que cumpramos todas as regras da correcta instalação de um apiário, este facto não causará distúrbios nas produções / sanidade / comportamento da colmeia ? por muito subtis que sejam...
(VER: UMA EXPERIÊNCIA APÍCOLA MUITO CURIOSA - 16/02/2009)

28 julho, 2009

Monte do Mel na Roménia

Hoje encontrei este blog, da Roménia, onde faziam referências ao montedomel e ao vídeo do António Sérgio sobre as melarias.
Parece ter notícias interessantes sobre apicultura, o pior é mesmo a língua, mas com os tradutores digitais fica tudo mais fácil.
Eu gostei principalmente da imagem sobre as "abelhas rainhas" romenas, é pena nós por cá não termos...

Se quiserem visitar vão a http://drone69.blogspot.com
... obviamente que me refiro ao blog,

27 julho, 2009

Colmeias Diferentes - 11

Colmeia de palha entrançada, oriunda da Suécia e pertença do Sr. Vicente Furtado.
É a colmeia típica e muito iconográfica do Norte da Europa...

24 julho, 2009

Vespa crabro, cuidado mas não tanto ...

Há um ditado antigo acerca desta vespa que diz que: “Sete picadas matam um cavalo, três um adulto e duas uma criança”.
Esta crença fez com que em muitas regiões da Europa Central a Vespa crabro fosse perseguida e quase levada à extinção.
No entanto, e segundo estudos efectuados, a vespa é extremamente tímida e só se torna agressiva nas imediações do ninho (num raio de 2 a 3m), onde defende a rainha e o resto da colónia, à semelhança das abelhas.
Quanto à toxicidade do veneno, parece que os apicultores “vivem a paredes meias” com insectos bem mais perigosos que a Vespa crabro: a Apis mellifera, cujo veneno é 1,7 a 15 vezes mais eficaz que o da vespa. Não devemos esquecer que o sistema de defesa da nossa abelha visa sobretudo o ataque a mamíferos, os seus principais “pilhadores”, enquanto que as vespas “desenvolveram” um veneno para neutralizar as suas presas, ou seja, outros insectos.
Em resumo, a picada desta vespa poderá levar à sintomatologia da picada da abelha, incluindo as situações extremas como o choque anafilático e a morte em caso de hipersensibilidade.

Pensa-se que a antiga crença acerca da toxicidade do seu veneno venha já de tempos Bíblicos, onde uma vespa semelhante a esta, a (Vespa orientalis) em tempos de guerra eram colocadas em potes de barro e lançadas por catapultas sobre as linhas inimigas provocando o pânico.
A maioria das populações dos Vespões expandiram-se inicialmente no Leste da Ásia, sendo habitantes típicos das zonas Subtropicais. Dos 23 tipos de Vespões conhecidos mundialmente, só a nossa Vespa crabro e a Vespa orientalis avançaram até às zonas do Norte e Oeste da Eurasia. Em 1840 foi introduzida artificialmente nos EUA e Canadá.
Actualmente existem cerca de dez variedades geográficas ou raças de V. crabro espalhadas por todo o mundo.

Durante o mês de maio, as fêmeas nascidas e fertilizadas no Outono anterior (rainhas), acordam da hibernação e começam à procura de um local para iniciar a nova colónia, pois passaram o Inverno escondidas em buracos nas árvores ou no solo.
Normalmente, o ninho é construído no tronco oco de uma árvore, em casas, ninhos de madeira para aves e em cortiços ou colmeias, raramente o fazem no solo ao contrário de outras vespas.
Os primeiros alvéolos de papel (madeira putrefacta amassada), cerca de 50, são erigidos pela jovem rainha ainda solitária. Coloca aí os primeiros ovos, cujas larvas ela própria alimenta com insectos capturados. É um período bastante crítico onde a rainha se expõe demasiado com as saídas para o exterior, se é morta termina aí a colónia.

Ao fim de cinco a oito dias nascem as primeiras larvas, que em doze a catorze dias atravessam os cinco estádios de desenvolvimento. A larva produz uma espécie de ceda com que “opercula” o alvéolo e passa à fase de ninfa ou crisálida.

Finalmente, os insectos adultos rompem as tampas dos alvéolos e emergem as primeira obreiras que à semelhança das abelhas passam por várias funções ao longo da vida. Uma das primeiras tarefas consiste em aquecer as larvas adjacentes, bastando-lhe para tal manterem-se nos alvéolos o que provoca um aumento de temperatura de 21 para 31ºC. Ainda antes de saírem para o campo, as jovens obreiras participam na construção de novos alvéolos e ampliação do ninho.

Quando saem para o campo as obreiras (18 – 25mm) carregam para o ninho água, néctares e proteínas sob a forma de insectos capturados.
Os insectos capturados, entre os quais a Apis mellifera, são decapitados e desmembrados, ficando apenas a massa muscular mais desenvolvida (a do tórax) correspondente aos músculos das asas. A V. crabro pendura-se de um ramo por uma pata, e com as restantes realiza aquela tarefa, finalmente a massa muscular resultante é amassada numa pequena bola e transportada para o ninho para alimentar as larvas.
Logo que hajam cinco a dez obreiras disponíveis, a rainha (35 mm) sai cada vez menos do ninho, diminuindo os riscos para a colónia. À medida que o número de vespas aumenta, a rainha acaba por ficar apenas no ninho onde só põe ovos até ao fim da vida.
Só por curiosidade, e já que achamos estas vespas demasiado grandes, ainda existe outra do mesmo género (a V. mandarina) que têm o dobro do tamanho.
Até aqui conseguimos identificar algumas semelhanças em termos de biologia com a Apis mellifera, mas as diferença são notórias, senão veja-se, a V. crabro continua a voar e a recolectar materiais mesmo durante a noite, conseguem ver com intensidades luminosas de 0,01 Lux, onde o olho humano já não vê nada.

Seria curioso “transplantar” o gene responsável por isto para as nossas abelhas !
Os materiais de construção dos ninhos, a madeira apodrecida, é retirada de árvores em decomposição nas proximidades. Elas vão arrancando pedaços que mastigam e misturam com saliva, fazendo pequenas bolas que moldam com as patas. Estas bolas são depois reamassadas e moldadas às paredes do ninho em crescimento, conferindo-lhe diversas tonalidades consoante a origem da madeira, o que faz lembrar a superfície de uma chapa de zinco.
A V. crabro, não terá necessidade de armazenar grandes quantidades de nutrientes como a abelha, uma vez que nos períodos mais difíceis as suas larvas funcionam como armazéns vivos segregando gotas nutritivas para as obreiras adultas.
A colónia das vespas atinge o desenvolvimento máximo durante o Verão, onde chegam a ter largas centenas de indivíduos (400 a 700 no Norte da Europa, e provavelmente muitos mais no clima quente do nosso país). O ninho atinge nesta fase umas dimensões record de 60 cm de alto por 20 a 30 cm de diâmetro, dependendo também do espaço disponível.

No Outono, dos óvulos fecundados nascem as novas rainhas, e dos não fecundados nascem os zangãos (21 a 28mm). É neste período que a colónia se desarticula completamente, a ordem e disciplina que reinaram durante o período quente termina nesta fase. Logo que nascem as primeiras formas sexuadas (zangãos e rainhas) as obreiras deixam de cuidar da velha rainha , cada ovo que é posto é comido imediatamente pelas obreiras “amotinadas”. A rainha velha, esgotada, abandona a colónia e morre com aproximadamente um ano de vida.
Algumas obreiras em estado larvar que ainda subsistam, deixam de ser alimentadas, definham e caiem dos alvéolos. Outras mais desenvolvidas que tentam tecer o casulo, não conseguem pois os zangãos e obreiras adultas comem-no de imediato uma vez tecido. Outras larvas são expulsas do ninho, outras ainda são seccionadas pelas obreiras e dadas como alimento às formas sexuadas.
As obreiras preocupam-se agora em nutrir bastante as jovens rainhas e zangãos, uma vez que as primeiras necessitam de muitas reservas para a hibernação após a fecundação.
Nos dias mais quentes de Outono, as rainhas e zangãos formam pequenos enxames e juntam-se em torno de uma árvore ou próximo do ninho para acasalarem. Tal como nas abelhas, cada jovem rainha acasala com diversos zangãos, e estes, de vida curta, morrem algum tempo depois.
Uma vez acasaladas, as rainhas procuram abrigos para se livrarem aos rigores do Inverno, acabando mesmo assim por morrerem em grandes quantidades. Finalmente, no início de Novembro, morrem as últimas obreiras completando-se assim o ciclo.


Pelo exposto, espero que se tenha desmistificado um pouco a crença acerca da má fama destes animais, não servirão decerto para mandar-mos um pauzinho lá para longe e esperar que eles o tragam à nossa mão a abanar a cauda, mas podemos perfeitamente (enquanto apicultores) conviver pacificamente com eles.

“Avispones”
Kosmeier, D.; Billig, E.; Rickinger, T.; Buchner, A.
www. vespa-crabro.com

22 julho, 2009

Colmeias Diferentes - 10

Antiga colmeia "fixista", oriunda da Suécia e pertença do Sr. Vicente Furtado.
O "cortiço" em madeira, foi escavado no tronco de qualquer árvore típica de climas temperados a frios.
De notar a curiosa semelhança das "trancas" interiores aos cortiços utilizados em Portugal...

20 julho, 2009

Cuidado com as Vespas Gigantes...

Vespa crabro conservada em álcool.

Outono de 2004, alguns dias depois do Congresso dos Açores e do susto com a “alegada” Aethinose no Alentejo, quando a almejada bonança que vem depois das tempestades era esperada, entra-me um apicultor pela porta dentro a queixar-se de um ataque de vespas às colmeias.
Situação bastante normal, no fim do verão estes ataques são frequentes, lá lhe dei a ensaboadela do costume: se a colmeia estivesse saudável, forte e bem povoada, as vespas não constituiriam problema, etc. etc. etc.
É então que ele me interrompe e coloca um frasco em cima de secretária com as ditas vespas conservadas em álcool. Bem, de vespas aquelas só tinham as cores e a forma, pois quanto ao tamanho não vos conto nada, eram mesmo “gigantes”.

Segundo o relato do apicultor, estes vespões esperavam as abelhas na tábua de voo da colmeia, agarravam-nas sem qualquer luta, dada a desproporção e carregavam-nas em voo para longe. Estes raptos decorriam com grande frequência, dado o vaivém de vespas junto às colmeias.
Mais tarde, outro apicultor da mesma localidade, Torre das Vargens – Ponte de Sor, telefona-me com um relato semelhante, viu abelhas a beberem água na margem de um regato, ouviu um voo ruidoso, surge a vespa gigante e desaparece com uma abelha. Logo surge outro vespão e captura uma vespa de tamanho normal que bebia junto às abelhas (nem estas se escapam...).
Este segundo apicultor encontrou o vespeiro das gigantes, alojado no tronco oco de um Choupo e via-as entrar e sair em grande quantidade, num fluxo tal que era equivalente “a uma colmeia bem povoada em plena Primavera” segundo as palavras dele.

Contaram-me também que um indivíduo dessa localidade foi picado por uma vespa na cabeça, o ferrão perfurou através do chapéu e andou dois dias com dores.
Tendo ficado bastante intrigado com esta série de acontecimentos liguei para um amigo meu, apicultor no Algarve, que me confirmou a existência destes estranhos insectos também naquela região. Segundo ele, as Vespas Gigantes chegavam a capturar as abelhas em pleno voo, pousavam num arbusto decepavam-nas e posteriormente comiam-nas.
Segundo consegui saber mais tarde assim é, de facto, as vespas adultas alimentam-se do néctar transportado no estômago do mel das abelhas, e a parte muscular rica em proteínas é dada como alimento às larvas das vespas, estas sim carnívoras.
No entanto, durante muitos anos com a presença destas vespas, nunca tinha visto tantas e tantos ataques como no ano de 2004, segundo os relatos de diversos apicultores algarvios.
Já no início deste ano recebo uma chamada de um apicultor de Benavila – Avis a queixar-se de um alegado ataque de Vespas anormalmente grandes, que desalojaram as abelhas de um cortiço e aí instalaram o seu ninho.

A “coisa” prometia, pensei eu, deve vir aí uma bronca das grandes.
Resolvi ir visitar o apiário de Benavila para ver o dito vespeiro alojado no cortiço. Mas como era de esperar, em pleno Inverno as vespas coloniais não estão activas, nem sequer formam uma colónia. Durante o Outono morrem, sobrevivendo apenas as fêmeas fecundadas que se escondem em locais abrigados para no fim da Primavera iniciarem nova colónia cada uma.

No cortiço apenas restava o vespeiro, igual a todos os vespeiros das vespas “normais” só que cada alvéolo tinha aproximadamente um centímetro de diâmetro, cabia um dedo lá dentro.

Esta estrutura do tamanho de uma bola de futebol, era feita de “papel”, restos vegetais amassados (madeira podre) e encontrava-se em andares ou camadas interligadas por pilares feitos com a mesma substância. Estes “favos” tal como os das restantes vespas coloniais tinham alvéolos apenas numa das faces e com as aberturas viradas para baixo.

Já não havia qualquer vespa viva ou morta no cortiço.
Já tinha visto outro vespeiro igual a este encontrado por um apicultor da Cunheira – Alter do Chão há três ou quatro anos atrás.
Um amigo meu, a viver na Serra de Portalegre teve também um ninho com estas “simpatias” alojado no interior da casa, mais precisamente dentro da chaminé, quando o vespeiro foi destruído despertou-lhe a atenção o tamanho descomunal da rainha da colónia. Felizmente ninguém da casa foi picado, aparte um susto por outro.
Muitos apicultores, confrontados com a amostra de vespas em álcool alegaram desconhecer estes insectos, apesar de um por outro já as terem visto no passado, afirmando que eram bastante raras.

Ao que parece, o ano de 2004 pode ter reunido diversas condições que potenciaram um bom desenvolvimento e expansão desta espécie, o que não é de modo algum indicativo de que daqui para a frente estas se tornem mais uma praga para a apicultura e provoquem estragos notáveis.
No entanto, e em caso de ataques graves poderemos consultar qualquer “cartilha da apicultura” e montar o ataque:
A saber ...
Carne envenenada próxima das colmeias, mas dentro de uma gaiola onde possam passar as vespas e inacessível aos outros animais. As abelhas também cabem mas são “vegetarianas”. Tenham mesmo muito cuidado com este método, os EUA já têm invadido países por coisas menores...
Se não quiserem usar veneno sempre podem cortar uma garrafa plástica de refrigerante, a dois terços de altura, e encaixarem a parte afunilada com a boca para baixo sobre o “copo” ou seja sobre a base da garrafa. Coloca-se também um atractivo lá dentro, as vespas entram e já não saem.

Há semelhança de tantos outros animais menos queridos pelos apicultores, como os Abelharucos, Ratos, Lagartos, Texugos, Formigas e outros, a Vespa crabro, terá decerto uma importância determinante no equilíbrio ambiental, esse assunto ainda tão obscuro para nós e cujas reacções às acções Humanas por vezes se fazem sentir da forma mais brutal e inesperada.
Importa pois estarmos atentos a tudo o que se passa no apiário e só então agir se tal se tornar necessário, ao invés de avançarmos já com as nossas costumeiras profilaxias exageradas com pesticidas e outros venenos do género, não vá o tiro sair-nos pela culatra.
Não devemos esquecer que as abelhas e os apicultores gozam de muito boa reputação como guardiões da Natureza e do ambiente, convém não perder de vista este sentimento, pelo que respeitar seres vivos que de alguma forma colidam com os nossos interesses ou das nossas explorações só reforçará essa fama que tanto nos tem evidenciado.

A título de curiosidade, esta vespa é alvo de grande admiração e protecção na Alemanha, chegando até a haver quem coloque ninhos artificiais (caixas de madeira) para lhe providenciar alojamentos.