05 março, 2009

Ascensão e Queda dos Muros Apiários

Não foi há muito tempo que regressei ao local dos muros apiários. Só me queria certificar que ainda lá estavam.
Para quem anda mais arredado destas lides, informo que os ditos muros “não são lá muito móveis”, a eventual ausência poderia dever-se à erosão das frágeis paredes em taipa.
Felizmente lá estavam, camuflados de pasto, com as quatro fileiras de lajes de xisto, onde outrora se perfilavam várias dezenas de cortiços. Acho os locais muito nostálgicos, não sei se este mundo tende para o silêncio ou se imagino o “antigamente” mais buliçoso... Antes havia muita gente pelos campos.
As paredes de taipa pareciam ter cedido sob uma enorme pressão, o peso dos anos, eram agora mais largas que altas. As chuvas desgastaram o topo das paredes nuas, e acumularam os detritos lateralmente, reforçando essa impressão.
É mais fácil de perceber esse processo se soubermos como foram construídos os muros:

O apicultor não só escolhia uma encosta suave, de matos e virada a nascente, como também seleccionava o local pela natureza do solo. Terras ricas em barro prestavam-se mais à construção em taipa.
A matéria prima era recolhida ali próxima, escavava-se e amassava-se com pouca água, o mínimo: pouco mais que humedecida. O “truque” estava na forma com era prensada entre os taipais. As pancadas secas mas constantes dos maços haviam de lhe conferir a rigidez necessária para aguentarem o temporal. Adicionavam pequenas pedras à argila, para dar consistência, até havia quem lhe metesse alguma palha para ligar melhor.

Estamos a falar de paredes com pouco mais de um metro, os cuidados arquitectónicos não eram determinantes, bastava resistirem à chuva, aos texugos e a alguma raposa.
No fim “escarranchavam” Estevas sobre as paredes, as raízes para cima e a folhagem para baixo permitiam que a água escorresse sem danos maiores. Se lhe adicionassem uns tojos, pouco travavam os humores de S. Pedro, mas os animais selvagens já pensariam duas vezes...

O “montão” de xistos que o apicultor coleccionava há vários meses, era agora distribuído em três ou quatro filas paralelas, com ou sem socalcos, dependia do declive. Os cuidados com o frio e a humidade já são antigos, e a estinhagem no fim do Inverno não resolvia tudo.

Os mais metódicos erigiam estas “malhadas” na proximidade de uma árvore, um poleiro para os enxames e uma sombra para as colónias já estabelecidas.

Pareceu-me “ouvir” alguém doutras paragens a imaginar um “chaparro” bem Alentejano a velar pelas abelhas. Mas desenganem-se, não há árvore mais Transtagana que o Carrasco: o Quercus coccifera, pela folhagem mais lembra a azinheira, mas é mais pequeno.

Muro do Mouchão Velho
Erigido no lado poente da Herdade do Mouchão – Casa Branca, mais famosa p'los vinhos que pelo mel. Ainda assim o “Zé Gonilha” e a esposa lá labutaram a crestar e a apanhar enxames durante muitos e bons anos. Justiça seja feita a quem a merece, era mais “abelheira” a Dª. Luísa do que ele, que muito pavor tinha das abelhas.

Quando se acabaram as abelhas e o apicultor, faliu o muro, restam os “camalhões” de terra a delimitar uma área quase sagrada, quem sabe se um dia...

Muro da Estrada das “Tesas”
Localizado entre as freguesias de Vimieiro – Arraiolos e Casa Branca – Sousel, muito próximo da mítica Estrada das Tesas, que em tempos medievais fazia a ligação entre Lisboa e Badajoz. Pertencia ao “Ti Bento Antão” que o vendeu ao Inácio Buxo, “abelheiros” de tempos antigos, este último ainda cuida de um punhado de cortiços.

04 março, 2009

Transgénicos

Temos o problema, temos culpados, mas a solução (ou a tentativa) vem sempre de fora...

"Deixando para trás os seus empregos e famílias em prol de um objectivo comum, o casal alemão Maria e Markus Schlegel partiram há sete meses do seu país e encetaram uma viagem de cerca de oito mil quilómetros pela Europa. Num coche, puxado por dois cavalos, este casal já percorreu metade de uma longa viagem cujo objectivo é dar a conhecer os malefícios da produção de alimentos transgénicos."
03-03-2009 Jornal FONTE NOVA - Portalegre

03 março, 2009

MelToon - 29

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01 março, 2009

Apontamentos: Inseminação Artificial de Rainhas


1. Lupa electrónica.
2. Manipulador esquerdo.
3. Manipulador direito, (com orifício).
4. Seringa do sémen.
5. Tubo de fixação da rainha, ligado à botija de CO2.

Há quatro ou cinco anos atrás frequentei um mini-curso de inseminação artificial de rainhas, no Algarve, nas instalações do Sr. Vicente Furtado.
Não substituindo de modo algum os ensinamentos do Sr. Vicente, nem tão pouco uma visita guiada, vou tentar contar-vos a forma como as “coisas” se processam...

Recolha de Sémen
Começamos por recolher o sémen dos zangãos com a ajuda de uma seringa concebida para o efeito. A “agulha” utilizada é de vidro para que se possam visualizar as doses recolhidas para injectar na rainha.
Na recolha de sémen, seleccionam-se os zangãos mais velhos, ou seja, mais maduros.
Seguram-se pelo abdómen, fazendo uma ligeira pressão até o insecto “projectar” para o exterior uma estrutura constituída pelo pénis e dois ganchos. Em condições naturais esses ganchos servem para “ancorar” o zangão à rainha, durante a transferência do sémen:

São aconselhadas seringas cuja “agulha” tenha graduação, para que se possam quantificar as doses de sémen. A mesma agulha, desinfectada com soro fisiológico, tem a ponta afunilada para entrar na abertura sexual da rainha.
Antes de “apertar” o abdómen do zangão, aspiram-se 3 ou 4 mm de soro fisiológico na agulha (na ponta afunilada) e só depois se recolhe a “gota” de sémen, que surge na extremidade do pénis do zangão. A gota de sémen tem uma cor rosada-alaranjada.

Deve haver todo o cuidado para que o sémen ou o aparelho sexual do zangão não toquem nos nossos dedos, ou noutra superfície que possa estar suja e provocar uma infecção.
Durante esta fase pode ser recolhido sémen a muitos indivíduos, juntando na mesma dose as “gotas” de cerca de sete zangãos. As diversas doses podem ser espaçadas por uma “bolha de ar” para as diferenciar, cada uma servirá para fecundar uma rainha:


Inseminação Artificial
As rainhas virgens, após emergirem do alvéolo real na incubadora, foram colocadas nos nucléolos de estágio uns dias antes, até estarem preparadas para a fecundação.
A próxima figura é uma espécie de “cachimbo” em vidro ou plástico, e serve para capturar a rainha nos quadros com muita facilidade. Coloca-se-lhe a abertura maior por cima, obrigando-a a entrar e a subir pelo tubo. A entrada é depois tapada com uma esponja.
Já no laboratório, retira-se a tampa da extremidade mais estreita e a rainha sai, onde lhe podemos pegar da forma correcta, ou seja, pelo tórax.


A rainha é então “enfiada” de cabeça num tubo, ficando com o abdómen de fora. O tubo foi previamente ligado a uma botija de CO2, Dióxido de Carbono, cujo fluxo a vai manter “adormecida”, de modo a que possa ser manipulada.

O tubo é orientado de forma a que o abdómen da rainha fique virado para cima, com a abertura sexual exposta.
Em seguida, à lupa, e com a ajuda de dois “manipuladores”, abre-se a vagina da rainha:

Como pode ser observado na figura com os dois “manipuladores”, o do lado direito apresenta um orifício onde se enfia o ferrão curvo da rainha.
Trata-se de uma etapa onde é necessária grande precisão: com o manipulador esquerdo na abertura sexual da rainha, “puxa-se” levemente para baixo, de modo que o ferrão faça um movimento para a esquerda. Após várias repetições, e “olho”..., consegue-se enfiar o ferrão curvo no orifício do outro instrumento, e assim dar a melhor exposição à abertura sexual da abelha.


Finalmente, a rainha “adormecida” e imobilizada, fica com a abertura sexual exposta de forma a poder receber o sémen que é injectado com a mesma seringa que serviu para o recolher.


Os movimentos de aproximação e afastamento dos manipuladores ou da seringa, são feitos indirectamente com um dispositivo que evita os movimentos bruscos e que possam danificar a rainha.
Na “injecção” do sémen, é muito fácil reconhecer a vagina da rainha, quando o movimento é bem feito surge-nos uma estrutura em forma triangular que se encontra na base do ferrão curvo.
A introdução da seringa (no triângulo) deve ser feita com o máximo cuidado e até ao nível do ponto “G” da rainha. Perdoem-me, mas não consegui resistir... risquem lá essa do ponto “G”..., mas a introdução deve ser mesmo muito cuidadosa para não inviabilizar a abelha.

No fim, “desmonta-se” tudo pela ordem seguinte:
Retirar a seringa de sémen da abertura sexual.
Retirar os dois manipuladores.
Desligar o fluxo de Dióxido de Carbono e retirar a rainha do tubo.

Normalmente aproveita-se esta fase de “entorpecimento” da abelha para a marcar com tinta, ou com um número colado no tórax.
Só depois de completamente “restabelecida” a rainha regressa ao nucléolo de estágio, onde fica até iniciar e normalizar a postura. Caso não seja “bem recebida” pelas outras abelhas, uma borrifadela de aroma de aniz tornará o processo mais fácil.

28 fevereiro, 2009

Desdobramento de Colónias... Interactivo

E se fizéssemos um simulador de "desdobramentos"?


Em vez de arriscar uma multiplicação de colónias, real, podíamos ter um simulador em que manipulássemos à nossa vontade e depois era só conferir os resultados...
Volto a este assunto porque tinha planeado desdobrar umas quantas colmeias este fim de semana e dizem-me que vai estar mau tempo.
Espero que não seja verdade, mas se for deixo-vos este desafio: "desdobrar" uma colónia de abelhas "virtual", cuja composição podem ver na imagem "Desdobramento Situação Real", dividindo os dez quadros por dois núcleos, um com rainha e outro sem rainha, como se de um desdobramento de verdade se tratasse.
Vamos supor que cada quadro é igual de ambos os lados.
Como base de comparação fica também a imagem já publicada de uma situação ideal, cuja solução foi exemplificada em 09/02/2009:


A colmeia a desdobrar virtualmente:


Os quadros disponíveis para o desdobramento:


Quais os cinco quadros para o núcleo com rainha? e sem rainha?


Fico agora à espera da(s) solução(ões) nos comentários...
Infelizmente não se trata de um simulador a sério, senão podíamos acompanhar o desenvolvimento de cada proposta... por isso não poderão ser avaliadas...

26 fevereiro, 2009

Colmeias Diferentes - 6

Um marcador de rainhas diferente.
A partir de uma seringa de 100 ml, revestiu-se o êmbolo com esponja e cortou-se a extremidade (onde se encaixa a agulha), que se tapou com rede:


Agora não façam como um amigo meu, apicultor experimentado, a primeira vez que usou tal utensílio, molhou a esponja do êmbolo em tinta e entreteve-se a dar "toques" na rainha enclausurada, de modo que a "marcou" para toda a vida...

Flora Apícola: Tojo e Alecrim

Dois dignos representantes da flora da minha região:
O Alecrim, não muito abundante, mas pela quantidade de flores na mesma planta, anima bastante os apiários próximos. Surge um pouco durante todo o Inverno e parte da Primavera, pelo que se torna importante no crescimento das colónias para a época principal.
O Tojo, segundo alguns apicultores de regiões bem próximas, é pouco interessante para a pastagem das abelhas, mas onde não há outra coisa...

25 fevereiro, 2009

MelToon - 28

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24 fevereiro, 2009

Construção de um Nucléolo de Estágio/Fecundação de Abelhas Rainhas

Vamos construir um Nucléolo de Fecundação/Estágio?


São necessários os materiais do costume, para quem gosta destas coisas: madeira, vidro, pregos, parafusos, tintas, metal... estojo de primeiros socorros... o costume.
(VER: "Nucléolos de Fecundação e Estágio de Abelhas Rainhas" 21/02/2009)


Mesmo assim verifiquem as medidas, não vá alguma coisa correr mal...
Caso alguém se prontifique a alterar e reconstruir estes equipamentos, adaptando-os às dimensões de quadros standard, fica o pedido para me enviarem os esquemas para serem publicados e todos possamos beneficiar com eles.

23 fevereiro, 2009

Café com Mel... e Letras

Foi esta a notícia publicada no Jornal "A Ponte", acerca do Café com Letras: Conversas à Volta do Mel, de 22 de Janeiro...


... há dois anos que não faço o teste da glicémia, como é que só com a máquina fotográfica perceberam que?... modernices!