25 setembro, 2009

Novo modo de Introdução de Abelhas Rainhas na nova Colónia

Já pensavam que as “novidades” trazidas do Vicente Furtado tinham acabado?
Desenganem-se, ainda trouxe esta, sobre o novo modo/modelo de introduzir e fazer aceitar uma rainha virgem (ou recém fecundada) numa nova colónia.
Só que... o modelo ainda não existe..., mantêm-se ainda na “cabeça” do nosso amigo Vicente. Já tem a ideia estudada, as coisas mais ou menos delineadas, os materiais seleccionados, mas não passa disso.
Pedi-lhe uns pormenores, um “levantar a ponta do véu” e mostrou-me o que vocês mesmos podem ver na imagem acima: Um alguidar de plástico, um filtro (passador), uma gaiola de transporte de rainhas, um cartão e um garrafão de plástico...

Vem cá para o ano, que decerto já estará a funcionar

Ainda vamos ter de esperar uns meses para nos maravilharmos com mais esta “descoberta” que só pode ter como autor o Vicente “Algarvio”...

22 setembro, 2009

Melaria COLMEICENTRO: Abrantes

Esta melaria foi a 2ª em Portugal a ser licenciada como Estabelecimento, de acordo com o DL nº1/2007.
Segundo o Artigo 2.º Classificação dos locais de extracção e processamento de produtos apícolas, alínea b) "estabelecimentos" os que procedem à extracção ou processamento de mel ou outros produtos apícolas, com destino à introdução no mercado.

Contactos: Parque Industrial Norte, Lote 12/35 - 2200-480 Alferrarede - ABRANTES.
Telef. 241 366 659 / Fax. 241 371 271 / Tlm. 919 953 877

Os esquemas que se seguem, tal como os respectivos componentes (salas e equipamentos) não correspondem exactamente à realidade da Melaria COLMEICENTRO, apenas servem para ilustrar, de uma forma muito generalista, a forma como se "arrumam" e "funcionam" tais espaços...



Armadilhas Raticidas, estas são as minhas preferidas, o ícone mais "Made in Bruxelas" da industrialização do nosso mundo rural.
Fico a imaginar uma equipa técnica vinda de longe, que se monta num carro, faz quilómetros e quilómetros pela nossa rede viária, pára à porta de cada um destes e doutros estabelecimentos licenciados e mãos à obra:
Um dos técnicos pede o dossier com a localização das armadilhas, localiza as armadilhas, enquanto outro substitui os iscos inúteis por outros mais venenosos. Não sei se apontam o número de ratinhos eliminados no dito dossier, mas decerto que o rubricam com a data e a hora da passagem.´
Feitas estas diligências, passa-se um cheque gordo e cabeludo à equipa da desratização e está-se pronto para a fiscalização...
A minha vizinha tem um gato chamado Tareco que não precisa de dossiers e...

Desculpa lá Abílio, a culpa não é tua, eu é que reajo assim às ditas casinhas para ratos junto às paredes, tal como às equipas que lhes dão assistência.

O que importa é que tanto eu como os apicultores e outros amigos que te conhecem, têm um enorme orgulho em ti e no trabalho que fizeste, que fazes e que decerto ainda hás-de desenvolver por muitos e bons anos...

20 setembro, 2009

Criadeira de Rainhas: Um modelo Alemão

Na última visita ao Vicente Furtado, enquanto aguardava o seu regresso de Lagos, houve uma estranha colmeia que me chamou a atenção. Era muito maior que as outras e tinha uns acabamentos muito “estilizados”, além disso ainda era suportada por quatro pés que a mantinham bastante elevada do solo.
Tinha o formato e o volume aproximado de uma colmeia Jumbo, mas percebia-se facilmente que era diferente

Quando o Vicente chegou é que me informou de tal novidade, duas “Criadeiras de Rainhas” de modelo alemão, tinha-as comprado.
Entenda-se por “criadeiras” as colmeias onde se colocam os quadros porta cúpulas, e respectivas larvas, onde serão construídos os alvéolos reais que albergam as jovens abelhas rainhas.
Estas colmeias costumam ter como características “biológicas” uma forte população de abelhas saudáveis que recolham nutrientes em quantidade suficiente e aqueçam a criação (rainhas). Devem igualmente possuir boa quantidade de abelhas “amas”, com poucos dias de vida, que produzam geleia real em quantidade suficiente para o número de rainhas a criar nas cúpulas.
... já me esquecia de uma característica muito importante: estas caixas não devem ter RAINHA, pelo menos que possa contactar com as cúpulas e alvéolos reais, caso contrário destrui-los-iam.

Há imensas formas e modelos de “criadeiras” concebidas ou modificadas para o efeito. Aliás, qualquer colmeia com as características biológicas apresentadas atrás pode ou deve funcionar.
Existem no entanto pormenores que poderão tornar o processo muito mais eficaz, sobretudo quando a opção é a produção contínua de rainhas.
Senão veja-se: como foi dito atrás, eram necessárias muitas abelhas amas para a produção de geleia real e para cuidarem das novas rainhas (larvas), mas era “proibida” a presença física de uma rainha e sem rainha, não há produção de abelhas novas...
Como resolver este dilema? Retirar periodicamente umas mão-cheias de amas de uma colmeia com rainha e adicioná-las à criadeira?
Era um processo difícil, moroso e até chato,... mas há quem o faça.

O ideal (nas “criadeiras” que conheço) é manter uma rainha em actividade (a pôr ovos e a nascerem amas) separada fisicamente do quadro porta cúpulas. O que se consegue com uma grade excluidora de rainhas. As amas obviamente que acabam por migrar através da grade excluidora e aceder às larvas no porta cúpulas.

Na minha região usavam (usam) uns curiosos modelos adaptados de uma colmeia Langstroth, que mais lembram uma colmeia Reversível associado a um núcleo Reversível:

No entanto, tal "apetrecho" não passa de uma colmeia Langstroth modificada:

A “parte da colmeia” alberga uma colónia normalíssima, igual a todas as outras, com rainha, (até serve para produzir mel). É então na parte do núcleo (sem rainha) que se coloca(m) o(s) quadro(s) porta cúpulas.
É como se a Colmeia estivesse acoplada lateralmente ao Núcleo, apenas estão separadas por uma grade excluidora de rainhas. Têm no entanto entradas distintas.
As amas que nascem na colmeia podem assim passar livremente para a o Núcleo (pela grade excluidora) e aceder às larvas de rainha, sem que a rainha velha as possa destruir.

Como se constrói (adapta), esta colmeia “criadeira” a partir de uma Langstroth?

Como se sabe, as colmeias Langstroth têm dez quadros (muito compridos):

Retiram-se as réguas dos quadros, que estão nas paredes mais curtas, e colocam-se réguas maiores nas paredes mais compridas. Desta feita, em vez de dez quadros Langstroth, passa a levar cerca de quatorze ou quinze quadros Reversíveis.
Não devemos é esquecer de tapar a entrada original e agora substituí-la por duas entradas laterais: Uma para a câmara com 10 quadros (onde fica a rainha) e outra para a câmara com 5 quadros (onde fica o quadro porta cúpulas.
Não esquecendo obviamente de dividir estas duas câmaras com uma parede de madeira onde se instala uma janela com grade excluidora de rainhas...



Com a Colmeia Criadeira Alemã o processo é semelhante ao anterior. Só que esta possuindo uma divisão longitudinal (2 x 16 quadros), possui uma multiplicidade de combinações de câmaras com rainhas e outras com quadros porta cúpulas, obviamente separados por grades excluidoras. O número de câmaras com rainha e de câmaras com quadros porta cúpulas, tal como das combinações entre elas depende obviamente da vontade e dos objectivos do operador.

A situação ideal para a criação de rainhas (segundo Vicente Furtado), resulta na combnação de duas câmaras com rainha a produzirem “amas” para duas câmaras com quadros porta cúpulas.

Quando se abre o tampo destas colmeias (com dobradiças) deparam-se-nos logo duas pranchetas longitudinais em esferovite. Como este equipamento é proveniente da Europa do Norte compreendem-se as preocupações com a temperatura:

Sob cada uma das “pranchetas térmicas” está a respectiva prancheta em acrílico para uma monitorização do interior sem ter de abrir a colmeia:

Pormenor do interior da colmeia com os dois espaços, os quadros em plástico, grades excluidoras (longitudinais) e os “separadores de colónias”:

Pormenor dos quadros de plástico, da prancheta em acrílico e do quadro porta cúpulas.

No fim, e como é hábito, o Vicente falou-me noutro tipo de criadeira, esta sim idealizada por ele. Tratar-se-ia de uma colmeia com trinta quadros, dividida em três câmaras (rainhas nas extremidades, rainhas da mesma idade), e no meio “isolada” por duas grades excluidoras, uma terceira câmara com dois quadros porta cúpulas.
Desta forma, seja pela maior separação física das rainhas, seja pela grande produção de abelhas ama que migrariam para a câmara central, poder-se-iam obter cerca de 48 rainhas de grande qualidade.
Pode ser, pode ser que para o ano tal utensílio já seja uma realidade...

18 setembro, 2009

Transumância na Apicultura Profissional

Muitas são as vezes em que acordo de madrugada (à força), tomo um duche, visto o equipamento e parto para os meus apiários.
Num ano ano normal-a-bom, consigo ganhar algum para umas férias mais folgadas, adquirir e renovar alguns equipamentos e obviamente ter mel para mim e para os amigos.
Nessas madrugadas em que saio contrariado da cama, boa parte dos pensamentos que me ocorrem andam à volta de:
se eu hoje não for, não se há-de ressentir muito nas produções...
se eu hoje não for, não é por isso que vou deixar de ter férias...
se eu hoje não for, não há-de ser por isso que vou deixar de ter mel para comer...
se eu hoje (e noutros dias) não for de forma que comprometa a produção e a exploração, não há-de ser por isso que vá à falência ou venha a passar dificuldades...

Em suma: eu não sou um apicultor profissional, não vivo da produção de mel. As grandes oscilações que o sector possa sofrer só as sinto indirectamente como técnico, o meu investimento é mais pessoal e profissional, para não falar da paixão que nutro pelas abelhas...

Mas há quem não possa pensar assim, há quem fazendo chuva ou Sol, apeteça ou não sair da cama tem de o fazer.
Do bom e oportuno maneio de centenas ou milhares de colmeias depende toda uma economia empresarial (e familiar), um modo de vida, uma profissão, empregados, compromissos... vidas.

As paixões que afectam o pescador de fim de semana que vai até ao lago com a cana e a lata das minhocas deve sr semelhante à do pescador que embarca numa casca de noz e se faz ao mar alto, ambos são pescadores, mas as motivações...

Costumo gracejar com o meu amigo Abílio da COLMEICENTRO – Abrantes: Posso telefonar-te a qualquer hora do dia ou da noite sem riscos de te incomodar, estás sempre acordado, as abelhas não te deixam parar... Pudera, perto de 3.000 colónias chegam e sobram para tirar o sono a muita gente.
Pior ainda quando se multiplica esse número pelo dobro ou pelo triplo ao apostar-se numa transumância contínua para manter as abelhas sempre a produzir.

Não há post sobre transumância neste blogue em que eu não me queixe das dores nas costas, e falo de umas dezenas de colmeias, será que o Abílio tem costas?
Tem, e tem melhor que isso, o tema central deste artigo, uma excelente grua adaptada à camioneta permitem-lhe transportar centenas de colmeias por noite e com um mínimo de esforço. O “truque” está na excelente ideia que teve em modificar as colmeias e adaptá-las a paletes de quatro unidades.



As colmeias não têm pranchetas, para um melhor arejamento durante o transporte. Aliado a isso, o tampo, perfurado para o mesmo efeito, não “encaixa” na colmeia, apenas se apoia sob os bordos da caixa. À primeira vista parece uma montagem pouco segura, mas as colmeias são aparafusadas à palete e os tampos são ligados aos ninhos através de grampos de mola.
Esta estratégia permite-lhe também transportar as alças sobre os ninhos – fixas com os ditos grampos.

As colmeias ainda possuem outras particularidades:

Uma chapa metálica perfurada no fundo para aumentar o arejamento.
Uma entrada de abelhas reduzida com duas tampas perfuradas, que lhes permite fechar hermeticamente a colmeia para o transporte e servem simultâneamente de tábua de voo.
Um segunda entrada de abelhas mais elevada, tapada com uma porta semelhante, onde poderá encaixar uma armadilha capta-pólen.

Tudo parece mais fácil assim, luzes retrovisoras de cor vermelha para não incomodar as abelhas, o braço extensível da grua encaixa nas duas asas da palete e levanta ou baixa quatro colmeias (com ou sem alças) sem o mínimo esforço.
Soube também que o Abílio se prepara agora para construir paletes para oito colmeias, uma vez que a grua o permite, o que decerto facilitará e acelerará ainda mais a transumância.

O único senão é a procura de assentamentos planos ou aplanados para o efeito, mas nada que não se corrija com paus, pedras ou blocos de cimento para que as paletes fiquem bem horizontais.
As características do local onde o Abílio tem boa parte das colónias dá uma boa ajuda, os aceiros florestais permitem o descarrego das colmeias ao longo desses caminhos à medida que o camião se vai deslocando.

Eu continuo com os meus braços, a coluna e uma cinta lombar para ajudar nos esforços. Quando tenho ajudas, além da Luísa que leva a lanterna, também usamos uma padiola onde equilibramos uma colmeia de cada vez, mas o esforço é mais dividido e a transumância não deixa de se fazer.
Vou sugerir à Luísa que use uma lanterna de luz vermelha para não incomodar as abelhas, e quanto à minha cinta lombar, perdidos vinte quilogramas, descai-me para a cintura e só me protege essa zona, mais das picadas que do esforço.
Quem não tem cão...
Fica no entanto o apelo às Associações de Apicultores e ao Programa Apícola que em vez de investirem tanto nos laboratórios possam dotar cada associação com uma destas máquinas, incentiva a transumância e decerto aumentará as produções.