02 setembro, 2009

Cardo de Abelha

Não conheço flora melífera mais surpreendente e enigmática que o “Cardo de Abelha” ou “Cardo Asnil”. Mas se quiserem parecer mais eruditos chamem-lhe Carlina racemosa L.

Já alguém se aventurou por caminhos de terra batida em pleno Verão Alentejano? Naquelas tardes em que o termómetro vai para lá dos 40ºC?
A paisagem é de pura desolação nalguns locais. Se seguirmos à risca a cartilha da correcta instalação de apiários decerto afastaríamos as abelhas desses sítios. Por vezes nem as ovelhas ou cabras mais esfaimadas se arriscam em tais pastagens.

Um olhar mais atento permite-nos ver manchas amarelo-esverdeadas aqui e acolá. Aliás, nem necessitamos de as ver: as picadas nas pernas lembram-nos constantemente que a opção de abandonar a estrada ou os trilhos não foi lá muito feliz...
Mas vamos focar-nos com toda a tenção nessas manchas de aspecto espinhoso e maravilhar-nos com mais um capricho da Natureza:

Essa vegetação espinhosa tem flores, pequeninas, amarelas e de aspecto ressequído:

Ainda assim, ninguém parece dar nada por elas. Uma planta tão espinhosa e de aspecto pouco viçoso, poucos benefícios parece trazer seja para que animal for.
Continuamos a admirá-la pelo estoicismo de “mais morta que viva” gastar as últimas energias na flor, quase seca e ainda “preocupada” com a reprodução...
Foram imensas as vezes em que vi o “Cardo de Abelha” completamente seco e cheio de flores. O amarelo das folhas (picos) chega a rivalizar com o amarelo das flores.

Não tarda muito que para “completar o quadro”, ouvimos o zumbido já nosso conhecido: abelhas nas proximidades. Centenas, milhares delas a deambularem por ali.
Ocorre-nos tudo menos o facto destes insectos aproveitarem tal floração para a recolha de néctar e pólen. Na volta andam na Melada de Azinho, mas já começa a ser tarde para esses açúcares! E não há outra floração num raio de quilómetros!
Olhem lá de novo, mas “com olhos de ver”: as abelhas andam mesmo no Cardo!!! Pousam e demoram-se em cada flor. Os pequenos botões amarelo-moribundo escondem muita vida, muito pólen e néctar:

Este ano, depois de uma Primavera muito aquém do esperado e de um Verão/Girassol ainda pior, voltei a insistir e colocar de novo as alças sobre os ninhos.
Confesso que a esperança não era muita, as florações principais tinham falhado e e o resto do Verão não parecia (parece?) muito promissor. Mesmo nos melhores dias de Girassol só via grande tráfego de abelhas nas primeiras horas da manhã e nas últimas da tarde, e nesse período (Junho/Julho) os calores eram quase “glaciais” quando comparados com os do mês de Agosto...
Foi então que num dos primeiros dias de altas temperaturas, por volta do meio dia (para ajudar à festa) resolvi passar por um desses apiários. Não ia à procura ou à espera de nada de especial, apenas parar o carro à sombra e olhar para as colmeias por trás do parabrisas (é mais seguro).
Notei logo que algo de anormal se passava: o vai-vem de abelhas era demasiado mesmo para um dos melhores dias de Primavera (ainda por cima ao meio dia). Ocorreu-me logo que andavam a recolher água para combaterem as altas temperaturas, mas o fluxo era em sentido contrário ao da fonte...
Um olhar mais atento permitiu-me ver que boa parte das abelhas regressavam “apernadas” de pólen, entre muitas outras que entravam e saiam apressadamente das colmeias.

Ainda é cedo para estimativas, de qualquer forma tal fenómeno já dura acerca de um mês, data em que fiz a cresta do Girassol e lhes devolvi as alças vazias. Semanalmente passo pelo local e a dita azáfama não parece querer parar.
Nem calculam a curiosidade que tenho em abrir as alças para ver o que se passa lá dentro, mas ainda não o fiz, nem farei senão no dia da cresta, da terceira cresta que espero fazer lá para finais de Setembro, e seja o que Deus quiser...
Acredito que tal buliço se deva à flor do Cardo que abunda nestas paragens. Há dois anos também fiz uma terceira cresta (2ª de Verão) à custa desta vegetação humilde, ainda assim de importância extrema no Alentejo. O Cardo de Abelha “aprecia” chuvas tardias, trata-se de uma herbácea e por isso detentora de um sistema radicular pouco desenvolvido, é de facto muito resistente mas não se lhe pode exigir o impossível...
Tenho alguma dificuldade em caracterizar o mel de Cardo, normalmente vem misturado com a Melada de Azinho e apresenta-se mais escuro. Também já o tenho colhido bem mais claro e a cristalização é mais ou menos rápida consoante as misturas de outros néctares.


À laia de conclusão, não devemos avaliar seja o que for pelo aspecto: uma paisagem que pouco mais parece dar que pedras e picos, esconde um verdadeiro "tesouro dourado" que permite não só a sobrevivência das nossas abelhas como também excelentes produções de mel...

30 agosto, 2009

CRIAÇÃO DE RAINHAS: Quadros Articulados para Nucléolo e Alça

Como o prometido é devido lá fui visitar o amigo Vicente Furtado, movido pela saudade e pela curiosidade acerca da “misteriosa” invenção que me tinha falado ao telefone.
É sempre uma alegria rever os amigos, mais ainda quando comungamos de opiniões e interesses semelhantes, neste caso: as abelhas...
Era grande a minha expectativa em torno do novo tipo de quadro inventado pelo Vicente, (Vicente Algarvio – como lhe chamam os amigos). Tratava-se de um quadro de alça dividido ao meio e adaptável para os nucléolos de fecundação ou para as alças.

O objectivo era colocá-lo numa alça com uma lâmina de cera moldada para que as abelhas puxassem a cera e lá colocassem mel, pólen e criação. Uma vez completo, a grande novidade: podia dobrar-se ao meio obtendo-se um duplo quadro pronto a utilizar num Nucléolo de Fecundação e Estágio.

Para quem faz e gosta da Criação de Abelhas Rainhas, a disponibilidade de quadros com estas características é sempre uma mais valia. No entanto, a procura do modelo de quadro ideal é mais um dos muitos “mitos apícolas”:
Os mais conhecidos são os quadros desmontáveis, com um sistema de encaixe mais ou menos complexo (em madeira, metal ou plástico) e que permitem o seu uso alternado nos ditos nucléolos ou em alças ou ninhos. Os principais problemas prendem-se quase sempre com a eficácia do encaixe, muitos soltam-se ou partem-se com facilidade, e quase sempre resultam numa estrutura pouco firme ou segura.
Há quem resolva o problema usando quadros de ninho ou alça em Nucléolos de Fecundação/Estágio exageradamente grandes, que obrigam a um maior consumo de cera, reservas nutricionais e até a uma maior disponibilidade de abelhas. Vale-lhes no entanto o facto de tais quadros poderem ter outras aplicações.
Por fim, os quadros pequenos só para nucléolos, difíceis de puxar a cera com tão poucas abelhas, ou que obrigam a cortar cera puxada de quadros maiores para montar nestes pequenos caixilhos. Para não falar na armazenagem e conservação destas estruturas fora da época de criação de rainhas, pois não têm outra utilidade.

De tanto trabalhar, matutar e aperfeiçoar estes “utensílios” o Vicente “Algarvio” conseguiu um novo mecanismo de quadro convertível, aparentemente muito mais eficaz que qualquer outro dos modelos conhecidos.
O “truque” desta invenção prende-se com a engenhosa dobradiça a meio do quadro que permite transformar um quadro de alça em dois de Nucléolo, sem nunca se separarem as duas metades.

As dobradiças metálicas (chapa zincada), muito funcionais e fáceis de fabricar, ainda permitem a fixação do “duplo quadro” ou “quadro dobrado” na câmara do Nucléolo:

Na imagem anterior, a forma das quatro dobradiças (duas para a parte superior do quadro e duas para a parte inferior), mais dois pregos para fixar cada dobradiça e um rebite para unir as duas dobradiças de cada par de modo a permitir a rotação entre elas.

Na anterior sequência de imagens percebemos a rotação que permite transformar o quadro de alça (ou meia alça) num duplo quadro de Nucléolo de Fecundação/Estágio.

O mesmo esquema das dobradiças, mas que nos permite ver a diferença entre as montagens inferior e superior. De notar que nas dobradiças superiores há uma tira metálica mais comprida que ao ficar exposta após a dobragem permite fixar o quadro no encaixe do nucléolo.

Nas imagens anteriores (esquemas da dobragem do quadro vista por cima e por baixo) permite-nos perceber o mecanismo relatado no ponto anterior.

Estes Nucléolos de Fecundação/Estágio são ligeiramente diferentes dos apresentados em (Nucléolos de Fecundação e Estágio de Abelhas Rainhas: http://montedomel.blogspot.com 21/02/2009), uma vez que deixamos de ter dois nucléolos por módulo, ou seja: desta forma cada caixa só nos permite colocar uma única rainha ou alvéolo real. A vantagem deste método, além da versatilidade do quadro, tem a ver com a população acrescida de amas para cuidar da rainha/alvéolo real, uma vez que trabalhamos com um quadro duplo:

Legenda da figura anterior:
1.Câmara para o alimento artificial.
2.Encaixe da dobradiça do quadro.
3.Acesso das abelhas ao alimentador.
4.Câmara do quadro e das abelhas.
5.Porta de entrada/saída de abelhas.
6.Encaixe ou suporte normal de quadros em chapa zincada.

Na próxima figura podemos ver um apiário de módulos com dois nucléolos (por cima), e por baixo um apiário com o novo tipo de nucléolos, de quadro duplo ou dobrado:

Tanto a forma do apiário como o sistema de ancoragem do Nucléolo aos suportes de fixação é perfeitamente indiferente, pois o modelo de Nucléolo apresentado neste artigo poderia perfeitamente ser utilizado em estruturas como as da parte superior da imagem e vice versa.

Outras diferenças/semelhanças aos Nucléolos anteriores:

Este nucléolo já não possui paredes laterais em vidro para monitorização do interior, esta é feita por cima mediante o uso de uma “prancheta” em acrílico muito fino. É nesta tela de acrílico que se encontra um orifício (tapado com fita gomada) por onde se introduz a rainha ou se coloca a cúpula com o alvéolo real.
É curioso o pormenor que o Vicente fez: um orifício no forro em esferovite da tampa do Nucléolo, onde a cúpula que suporta o alvéolo real vai encixar:

A dita “prancheta” de acrílico possui um segundo orifício sobre a câmara do alimento artificial por onde se adiciona o xarope. Esta prancheta é presa à caixa de madeira (Nucléolo) com fita gomada, evitando assim perder-se ou cair para o chão quando a mesma se abre.
A porta de acesso ao interior/exterior, à semelhança dos nucléolos anteriores, trata-se de um disco rotativo que permite várias posições:
Acesso a todos os tipos de abelhas (Rainhas, Zangãos e Obreiras).
Acesso restrito a Obreiras.
Sem acesso (entrada ou saída) de qualquer tipo de abelhas, mas permitindo a ventilação:

Os alimentadores também me pareceram mais versáteis, bastou para tal forrar a câmara de madeira com “chapa” de estanho (acho que é esse o nome), inclusivamente reciclando aquelas que vêm com as empadas...

À data da Visita não sei se o Vicente já se encontrava a patentear este novo tipo de quadro articulado, mas confessou-me ser seu objectivo fazê-lo.

Uma última curiosidade: à despedida perguntei ao Vicente “Algarvio” se não se importava que publicasse/divulgasse as imagens e pormenores deste quadro, ao que ele me respondeu com aquela humildade que tanto o caracteriza:

“Se não divulgássemos as novidades e as descobertas que vamos fazendo, isto não teria graça nenhuma, a magia da apicultura é isso mesmo...”

26 agosto, 2009

MONTEMORMEL - Colóquio e Concurso de Mel


A Montemormel – Associação dos Apicultores do Concelho de Montemor-o-Novo, convida todos os Apicultores e público em geral a participar no colóquio a realizar no dia 5 de Setembro de 2009, no Auditório da Freguesia de Nª Sª da Vila - Montemor o Novo, Largo Dr. Banha de Andrade em Montemor-o-Novo (junto ao quartel da GNR).

Programa:

9h30mDr. Filipe Nunes (Hifarmax) Apresentação do produto para tratamento da Varroose – THYMOVAR

10h00m Dr. Antonio Gomez Pajuelo – tema “O colapso das colónias de abelhas”

12h00m – Entrega dos prémios do XI Concurso de Mel de Montemor-o-Novo

12 agosto, 2009

Poupar Ceras

Muitas foram as vezes em que apicultores se me desculparam de não trocar as ceras velhas por causa do elevado custo desta operação.
De facto, um quilograma de lâminas de cera moldada pode chegar aos 8,00€ e até aos 9,00€, conforme os escrúpulos de quem a vende. Se bem que o preço médio seja substancialmente mais baixo, arriscaria a dizer entre os 6,50€ e os 7,50€. Ainda assim, e comparativamente aos preços do mel, podemos afirmar que se trata de um produto muito caro.
Quem teve o trabalho e a paciência de aproveitar, fundir e apurar toda a cera dos quadros velhos substituídos, colmeias que morreram, opérculos e quadros quebrados durante a cresta, conseguiu decerto um “bolo” de cera considerável para trocar por cera moldada. O que lhe permitirá significativas poupanças. O custo da moldagem poderá oscilar entre os 1,50€ e os 2,00€ e às vezes mais uns “trocos” consoante as necessidades de quem a comercializa...

No entanto ainda há mais uma série de problemas:
A origem da cera
O teor de parafina
Outros aditivos
A maior ou menor elasticidade
A cor
O aroma
etc

Enfim, uma série de requisitos que levam os apicultores a comprar esta ou aquela referência, neste ou naquele local, mais por uma questão de fé que por outro motivo qualquer, à semelhança de tantas outras decisões no sector apícola.
Mas desta vez o “assunto” é outro, vamos usar a cera que temos e aproveitá-la/poupá-la de modo a ter sempre ceras novas nos quadros do ninho e alças, sem que com isso tenhamos de dispor de muito dinheiro.

Um dos métodos que mais utilizo, obviamente que não há aqui grande magia, pois o espaço de manobra é curto, trata-se de usar cera de dimensões inferiores ao quadro, nomeadamente:

Cera Reversível em Quadros Lusitanos
Cera de Alça em Quadros Reversíveis

Tal procedimento faz com que a cera fique “aparentemente” mal fixa ao quadro, na medida em que não chega aos arames inferiores. O que nunca me trouxe qualquer problema, como poderão observar nas imagens seguintes:

Neste caso podemos ver o arame inferior porque a colmeia não estaria bem nivelada aquando da construção do favo, o que é irrelevante para o efeito.

Poder-se-ia argumentar que na imagem anterior as abelhas não construíram a totalidade do favo, onde faltava a lâmina de cera. No entanto e como podem ver pela quantidade de pólen acumulado nesse local, trata-se antes de uma fase de recolha tão activa que as abelhas se apressam a utilizar todo o espaço disponível para armazenar néctar e pólen, mesmo antes da conclusão da totalidade dos alvéolos.
De qualquer forma, posso afirmar que noventa e muitos por cento dos quadros se assemelham à primeira destas três imagens, ou seja, os favos ficam exactamente iguais ao que ficariam se tivesse usado lâminas de cera completas.
Com isto tudo consegui uma poupança superior a 30% de cera...

Ao usar a cera de alças nos quadros Reversíveis o procedimento e os resultados são de todo semelhantes.
Já nas alças opto mesmo p'la “extravagância”, uso o formato próprio para alças, como a urgência é “puxar cera” e encher de mel prefiro não arriscar. Aliás, acho um exagero utilizar o termo arriscar, pois se se tratar de uma colónia populosa e com boas fontes de néctar, com ou sem lâminas de cera moldada os favos crescem rapidamente.

Os únicos “riscos” decorrentes deste prática poderão prender-se essencialmente com a orientação dos favos na ausência das lâminas de cera que lhes serviam de guia, senão veja-se o descrito em: (FAVOS DE COLMEIA E DE CORTIÇO – 29/07/2009). As abelhas “puxam” a cera até ao fim das lâminas e depois podem reorientar os favos segundo o dito ângulo em relação ao Norte Magnético.

Na figura anterior (uma colmeia aberta, vista por cima) as abelhas “puxaram” os pedaços de cera moldada e depois reorientaram os novos favos de uma forma mais natural, independentemente da posição dos quadros.
Aliás, creio que toda a gente já viu o resultado quando nos esquecemos de completar o ninho com os quadros em falta após um desdobramento: os favos naturais (sem cera moldada) podem ser paralelos aos quadros já existentes ou surgirem numa posição mais caprichosa:

MUITO IMPORTANTE: Devo informar que nunca me aconteceu nada semelhante ao esquematizado na penúltima imagem. Apesar da cera moldada que coloco nos quadros do ninho (Lusitanos e Reversíveis) não ocupar todo o quadro, as abelhas continuam o favo até abaixo como se tivessem uma lâmina de cera completa.
Volto portanto a referir que este método compensa bastante em termos de poupança de cera.

Outra forma de chegar ao mesmo resultado alterando um pouco o método e poupando 50% da cera, passa por cortar as lâminas de cera moldada na diagonal. Era um método que via usar nalguns apicultores em Portalegre.
Neste caso, uma lâmina de cera Lusitana dava para dois quadros Lusitanos, e uma de cera Reversível para dois quadros do mesmo modelo:

Talvez seja mais correcto e a montagem fique mais resistente, se não fizermos passar o corte diagonal pelos cantos da lâmina de cera. Até porque os referidos apicultores procediam dessa forma, obtendo na mesma dois pedaços exactamente iguais:

Exactamente o mesmo procedimento para os quadros Reversíveis:

A próxima imagem, fotografia tirada em Portalegre há cerca de oito anos, documenta uma situação menos feliz, mas que obviamente não atribuo ao corte da cera e sim à sua qualidade ou outra razão qualquer:

Até porque este método me parece mais eficaz que o que pratico, pois se por um lado poupa 50% da cera (em vez de 30%), por outro, o facto de uma das extremidades da lâmina vir até ao limite inferior do quadro impedirá os possíveis desvios à orientação dos favos.

Finalmente, a “poupança total”: ideal para os tempos que correm.
Esta foi-me contada por um amigo, que ainda a deve ter em projecto, pois não sei se já a praticou. Consiste em cortar uma lâmina de cera em várias tiras (muitas), colocar cada tira num quadro e deixar as abelhas construírem o resto...
Tal método pode levar a uma poupança de 80% de cera, excelente, não posso é garantir que desta forma não suceda mesmo o que temíamos lá atrás... E quando nos prepararmos para retirar um quadro do ninho os outros nove não venham acompanhá-lo por simpatia...
Sempre podemos é orientar a colmeia e os respectivos favos no ângulo natural, relativamente ao Norte Magnético.
Agora a sério, quando me referiram este último método foi mais no sentido de obter cera biológica de facto, uma “guia” fininha para orientar as abelhas no topo do quadro e toda a cera restante vinda directamente do corpo das abelhas. Esquecemo-nos é que dentro de poucos meses a nossa cera biológica irá contactar com mais acaricidas...

11 agosto, 2009

Mel Directamente no Frasco

Mais uma das muitas artes e curiosidades do nosso amigo Vicente Furtado, de Lagos – Algarve.
Nas várias visitas que lhe fiz, era comum ele gracejar com umas abelhas “especiais” que faziam e colocavam o mel directamente no frasco. Era uma grande poupança em termos financeiros, de tempo e trabalho, pois tais abelhas evitavam as alças, a cresta, a extracção e inclusivamente a própria melaria.
Um dia resolvi confrontá-lo com tal afirmação, pois fiquei curioso em relação a tal prática.
Foi quando ele me mostrou um frasco que em vez de mel tinha favos, mas não eram pedaços de favo como é comum alguns apicultores fazerem, tinha os favos fixos pelas próprias abelhas no interior do frasco!!!

Ainda não estava refeito da surpresa quando ele me contou e mostrou a forma como as suas abelhas faziam tais habilidades:

Uma prancheta modificada, com nove buracos, onde coubessem as bocas dos frascos que ficavam assim seguros nessa posição. Após esta montagem era colocada uma alça vazia sobre o conjunto para protecção dos frascos.
Sem lâminas de cera disponíveis ou outro espaço para a construção de favos, as abelhas acediam ao interior de cada frasco e era aí que construíam os favos, enchendo-os posteriormente com mel...

Finda a produção, a cresta resume-se à recolha dos frascos sobre as ditas pranchetas modificadas, basta colocar a tampa, o rótulo e... vender ou oferecer aos amigos...

Na foto anterior, o Vicente exibe um dos ditos frascos de mel e o cartaz que legendava tal fenómeno quando ele o apresentou no Congresso de Apicultura realizado nos Açores em 2004.