06 outubro, 2009

Ajudem os Polinizadores a Ajudar-nos...

Como diriam os Monty Python's: “e agora algo completamente diferente”... enfim, não é assim tão diferente do habitual...

Sempre que vou ao edifício do Município de Avis, dá-me um tremendo prazer deter-me frente à entrada a observar um arbusto completamente cheio de insectos.
Aquele arbusto é um autêntico “centro comercial”: estão sempre a chegar e a partir insectos polinizadores, fora a nuvem daqueles que andam sempre por ali a voar. É um barulho ensurdecedor. Parece mesmo a Torre de Babel: tanta gente a falar línguas diferentes, mas neste caso todos se parecem entender...
Quando visito uma horta, passa-se precisamente o mesmo, bichinhos voadores (além das abelhas) a cruzarem os ares em todas as direcções.
De facto, há imensas espécies vegetais cultivadas e espontâneas que não podem ser polinizadas por abelhas. O sistema floral está adaptado a outro tipo de polinizador. E como sabemos, toda a flora é imprescindível à vida, tal como a fauna...

Uma vez vi uma curiosa publicação da FAPAS, chamada “A Casa Ninho”, em que ensinavam a construir abrigos para os animais selvagens, tal como a adaptar a nossa própria casa para a coabitação com algumas dessas espécies.
Houve uma que me chamou particularmente a atenção: a construção de abrigos para polinizadores. De facto, se montarmos tais estruturas nas proximidades de hortas e jardins, esses insectos preferirão “trabalhar/polinizar” nas proximidades de casa do que deslocarem-se para longe. Melhorando muito as nossas produções.
A capacidade de suporte de um determinado local, em termos de nichos e locais para nidificar é muito mais importante do que se pensa.
Daí a grande vantagem e importância da apicultura. O apicultor ao montar um apiário com 20 ou 30 colmeias, concentra milhares e milhares (ou milhões) de insectos que fazem sentir a sua actividade numa determinada área, o que resulta numa polinização de grande sucesso.
No fundo, o apicultor alterou a capacidade de suporte do meio ao colocar “ninhos artificiais” para abelhas, que são as colmeias e cortiços. Se não o fizesse, decerto não se conseguia juntar um número de insectos tão grande e eficaz como o permite a prática apícola.

Para quem estiver interessado posso descrever o processo de construção de um (ou mais) desses abrigos/ninhos para outros polinizadores que tanto beneficiam a nossa horta ou jardim...

1º Precisamos de um bloco de madeira com dimensões semelhantes (ou aproximadas) às da figura:

2º Com um berbequim e brocas de vários diâmetros fazer uma série de orifícios no bloco de madeira, só de um lado e sem o atravessar completamente:

Até podem separar os orifícios por grupos de diâmetros diferentes, que tanto podem ser como os da imagem seguinte ou com outros valores e densidades. Podem até fazer “blocos de madeira” só com orifícios de igual diâmetro, não vão as diversas espécies que os vão povoar entrar em conflito, o que eu duvido...

3º Podemos e devemos colocar uma protecção em madeira ou metal para proteger o ninho da chuva, como se fosse um telhado. Não esquecendo que o ideal é mesmo colocar o ninho num local abrigado, debaixo de um telheiro ou noutro abrigo qualquer.
A orientação dos orifícios também será determinante, se os virarmos para Sul ou Nascente decerto que conseguiremos muitos mais inquilinos.

4º Finalmente é aguardar a chegada de insectos de tamanhos, cores, feitios e hábitos muito diferentes. Parece um bloco de apartamentos numa grande cidade: uns vão polinizar as couves, outros os feijões, enfim... cada qual parte para o seu emprego, aparte a crise que obrigará muitos a ficar em casa...

5º Mas isto seria bem menos interessante se não pudéssemos espreitar o interior de cada ninho e monitorizar (eufemismo para espiar), o que se passa na “vida privada” de cada polinizador. Seja a “arrumação da casa”, a disposição dos ovos e larvas, os armazéns de nutrientes e sabe-se lá o que mais se pode ver...
Para isso, podemos comprar tubos de vidro (tubos de ensaio dos laboratórios), e colocá-los no interior de cada orifício, desde que os diâmetros sejam compatíveis.
Quando virmos que o insecto se ausentou, é retirar o tubo à pressa, observar e fotografar tudo e recolocá-lo no sítio, antes do regresso do inquilino.
É uma etapa arriscada, o insecto pode não achar graça a tal habilidade e na próxima reunião de condóminos...

Estas imagens que se seguem foram “tiradas” no Insectozoo de Pedro Cappas e Sousa, onde ele mantém alguns destes interessantes e úteis abrigos de polinizadores.

Finalmente o meu próprio ninho de polinizadores, que espero colocar em breve na horta.
Como não podia deixar de ser, ou não fosse a minha curiosidade inata, lá recheei os orifícios com os ditos tubos de ensaio para depois monitorizar o que se vai passando...

Também se pode optar por uma modalidade mais fácil, rápida e económica. Basta para isso cortar várias canas de diferentes diâmetros em pedaços de dez a vinte centímetros e atá-las num molhe. Os cuidados com o local onde instalar este "engenho" são semelhantes ao anterior e é só esperar que os insectos ocupem os buracos.

Quando houver resultados, e... se houver resultados, cá estaremos a publicar as observações...

04 outubro, 2009

"Nova" Visão das Abelhas, um comentário...

Não era suposto eu publicar “deste lado” qualquer que fosse o comentário feito por um visitante, a qualquer um dos posts/notícias aqui publicados. Até porque todos os comentários estão disponíveis para quem os quiser ler.
De qualquer forma, e face à resposta tão tocante dada por Valdir Oliveira, de S.Paulo – BRASIL, tal como pelo facto de tal assunto já se ter passado há tantos meses, resolvi publicá-lo “deste lado”...

No referido post, eu interrogo-me porque razão tanta gente no Brasil andava a fazer buscas na web sobre a “Visão das Abelhas”, e até perguntei:
“...só queria que alguém do Brasil me dissesse porque razão todo o mundo anda interessado na VISÃO DAS ABELHAS ??? Dá-me uma curiosidade enorme...”
(Ver: A Visão das Abelhas 22/12/2008)
http://montedomel.blogspot.com/2008/12/viso-das-abelhas.html

A Resposta dada por Valdir Oliveira há poucos dias atrás:

Os Olhos da abelha – Uma visão Incrível
Elas são muito interessantes de serem estudadas.
As abelhas são conhecidas como insetos. Na ciência elas são chamadas de artrópodes. Esta palavra é a junção de duas palavras da língua dos gregos antigos: arthros, que significa “articulado” e podos que signifca “patas”. Portanto, um dos significados de artrópodo é “pés com articulações”.
Embora as abelhas sejam muito conhecidas pelo mel que elas produzem, pouco se fala sobre o que a ciência tem aprendido delas.
Por exemplo, você sabiam que o olho da abelha é muito diferente do nosso?
Os cientistas descobriram que a visão das abelhas é muito mais complexa do que se pensava.
Veja só este exemplo.
A televisão mostra aproximadamente 30 imagens diferentes por segundo. Porque o olho humano não consegue distinguir mais do que isso, a impressão que você tem ao assistir televisão é que as coisas estão se movimentando. Mas cada imagem é como uma fotografia. Cada imagem da televisão pode ser considerada como um flash de luz.
O olho da abelha é um olho composto. Isto significa que ele é formado por aproximadamente 6.300 pequenos receptores de luz hexagonais, chamado de omatídeos.
Através desses pequenos receptores, as abelhas conseguem distinguir até 300 flashes de luz por segundo! Lembre-se que nós, seres humanos distinguimos aproximadamente 30 por segundo. Isto faz com que elas, mesmo voando rapidamente, consigam distinguir cores e formas, como flores, árvores e pessoas.
Toda a informação recebida pelos olhos de uma abelha, é enviada para um pequeno cérebro com cerca de 1 milhão de neurônios, aproximadamente 0,01% do número de neurônios do nosso cérebro (0,01% é igual a um décimo de um milésimo da quantidade de neurônios do cérebro humano).

Isto tudo é algo fascinante e também muito intrigante. Coisas complexas como olhos e cérebros não são produzidos por processos aleatóreos e espontâneos como a teoria da evolução propõe. Seria como dizer que computadores e câmeras digitais aparecem sem que hajam engenheiros para projetá-los e construí-los. Isto não faria nenhum sentido!
O que dizer dos olhos e do cérebro de uma abelha?
Da próxima vez que uma abelha passar voando perto de você, lembre-se de que ela foi inteirinha projetada para fazer coisas e achar coisas que as nossas máquinas e computadores mais sofisticados não conseguem fazer, usando uma visão e um cérebro que a verdadeira Ciência sabe que não teriam aparecido pelos processos da evolução, mas sim pelo design inteligente de um Criador.

Louvado seja nosso Senhor e Criador
Abraço a todos


Pb Valdir Oliveira
IPB Mogi das Cruzes-SP
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30 setembro, 2009

VÍDEO: Transumância de Colmeias na Escócia



Mais um excelente trabalho feito pelo António Sérgio Franco e a "sua equipa", durante a transumância de colmeias nas Montanhas da Escócia...
... Obrigado Sérgio!!!

27 setembro, 2009

Uma "Aventura" Apícola na Escócia

Se esta notícia tivesse sido escrita por Emílio Salgari ou por Júlio Verne, decerto se chamaria “A Maravilhosa Aventura de Sérgio na Apicultura Escocesa”.
Digo-o pelo encanto que deve encerrar tal empreendimento, tal como da iniciativa de um jovem e pacato português de 25 anos.
Todos conhecemos o António Sérgio, quer pelo amor que nutre e partilha pela causa apícola, como pela sua omnipresença em tudo quanto são acontecimentos do género. Não há apicultor ou técnico que não tenha tido já o prazer de trocar umas impressões com ele.
Ao contrário dos tempos de Verne e de Salgari, os stresses da idade da informática precipitam estas coisas a uma velocidade alucinante: “decidi em dois ou três dias, e menos de uma semana depois do primeiro mail já estava a sair do avião em Edimburgo, a 13 de Maio...”
À pergunta acerca dos principais objectivos de tal viagem, recebi simultâneamente a resposta mais lacónica e esclarecedora que jamais ouvi:
“ Há comboios que só passam uma vez na vida!”

O que mais o impressionava, visto do avião, era a paisagem verdejante cá em baixo, as casas, as quintas, os campos e sobretudo imensas manchas de um amarelo muito intenso que logo calculou tratar-se de Colza.
A Colza é uma oleaginosa muito cultivada e com excelentes características para a produção de mel.

E à chegada, não te sentiste "esmagado" por uma exploração apícola tão grande (p'ra um pequeno apicultor)?

“esmagado” não senti, mas percebi de imediato que se tratavam de apiculturas e realidades muito diferentes das que eu estava habituado”

Em jeito de graça disse que o impressionou bastante o “contacto” que o aguardava no aeroporto. Um indivíduo com aspecto de “bárbaro”, calças militares, camisola de alças, cabelo longo e ondulado, mais parecia um guerreiro saído das épicas batalhas dos clãs escoceses de outrora...
Já em casa e a recebê-lo, uma equipa muito internacional, além do patrão (apicultor escocês), um colega da Polónia e outro da Estónia, com dezoito e vinte e um anos, respectivamente: “trocámos logo experiências, era um pessoal muito aberto e porreiro...”
Ainda surgiu outro colega da Alemanha e outro da Lituânia, um verdadeiro “congresso de nações”.

Nessa fase, boa parte dos apiários encontrava-se a polinizar e a produzir nos campos de Colza, apesar das condições climatéricas não serem as mais favoráveis. A primeira missão para o nosso jovem “aventureiro” foi precisamente a deslocação de colmeias dos apiários mais numerosos para a polinização de culturas de morangueiro e framboesas, a pedido dos agricultores. Estes tinham muita sensibilidade para a importância das abelhas não só nas suas culturas em particular, como no ambiente em geral.
Refere ainda que tal transumância ocorreu durante o dia, frio e chuvoso, o que mantinha as abelhas “sossegadas” nas colmeias.

“Na Escócia, as colónias de abelhas passam um Inverno difícil, com recurso a muito alimento artificial: xaropes de frutose, tipo Apinvert”.
As condições climatéricas são muito inconstantes, chove muito, o que não lhes permite tirar grande partido da Colza, cuja floração não dura mais que duas a três semanas”.

Outra das funções de que fora incumbido era a de fazer desdobramentos sempre que encontravam alvéolos reais nas inspecções às colmeias.

“Só quando as colmeias se encontraram mais equilibradas em termos de população/criação é que fizemos desdobramentos de uma forma mais intensa: recorrendo à criação de rainhas”.

Agora um aspecto que achei particularmente curioso: os desdobramentos que fizeram eram demasiado tardios para se fortalecerem na Colza e ainda era demasiado cedo para a Urze.
Acontece que os agricultores locais, sensibilizados para a causa apícola, semeiam nas bordaduras dos terrenos de cultura (ex: batatal), normalmente naqueles locais onde o tractor faz a manobra de inversão de marcha, com uma espécie vegetal muito curiosa: a Facília.

Segundo o António Sérgio, a Facília, tem uma função semelhante à das leguminosas, pois acaba por fertilizar o solo onde é semeada. De referir que é o apicultor que compra e fornece a semente de tal planta: parece justo...
A flor da Facília na bordadura dos terrenos de cultura, dura duas a três semanas e é responsável pelo dimensionamento das jovens colónias feitas durante a estadia na Colza.

Pelo grande (e complexo) aparato ligado à produção e ministração de alimento artificial, deve ser uma prática comum na Escócia, ou pelo menos nessa região, que condições se verificaram para que tal se justifique?

“aconteceu numa fase em que já não havia flor da Colza, mas as colmeias continuavam no mesmo local, e o tempo estava sempre de chuva ou nublado, não permitindo ás abelhas saírem e procurar alimento”

e ainda não havia a flor da Facília...

“a “coisa” agravou-se tanto que quando abria-mos a colmeia só encontrava-mos abelhas e alguma criação, nem uma gota de mel ou pólen nos favos, até a rainha diminuiu postura. Os campos de Facília são poucos, e a sua área é sempre reduzida. Os que haviam estavam destinados aos desdobramentos...”

Chamou-me a atenção o equipamento para o fabrico de alimento artificial: um grande depósito com um misturador de hélice que homogeneizava a água com o açúcar (1:1). A mistura era depois transferida para depósitos de 1000 kg e transportados até às colmeias.
Junto aos apiários, um operador colocava um punhado de palha no alimentador artificial (para as abelhas não se afogarem) e só depois adicionavam o xarope doce. Consoante a população de cada colónia aplicavam-se cinco a sete litros de cada vez.


Finalmente, a “grande operação” de transumância para a Urze nas Montanhas...

“começá-mos a deslocar colmeias para a Urze a partir de 18 de Julho, com o total do efectivo, menos os desdobramentos mais tardios (...) 3 pessoas (duas na fase final), um camião Unimog, um Range Rover com atrelado e 500 a 600 colmeias a caminho das montanhas, (...) evitavam-se as deslocações nocturnas nas Montanhas, pois se houvessem problemas era muito mais difícil pedir ajuda.

Pelo que saíamos de casa às 3:00 da manhã (ainda escuro) e chegávamos aos apiários quando começava a clarear (...) encerrávamos todas as colmeias com esponja, depois carregava-mos e colocava-mos as cintas de aperto para as caixas não oscilarem, e isto tudo com a luz do nascer do Sol e sem haver abelhas na rua”


Que distâncias faziam entre os locais de Inverno e a Urze nas Montanhas?

“As colmeias não foram todas para a mesma Montanha, fizeram-se distâncias entre os 70 e os 150 km para “jogar” com os microclimas. Entre o condado de Angus (origem) e Perth e Kinross (os destinos), (...) se não me falha a memória, deixá-mos colmeias em 3 cadeias montanhosas, todas elas com a sua particularidade floral, seja no tipo de Urze seja no arranque da floração. Faziam-se assentamentos com cerca de 50 colmeias, por vezes à distância de dois km uns dos outros...”

E as produtividades na Colza, Facília e na Urze ?

“Na Colza, e para a minha experiência, foram médias a baixas, cerca de 10kg/colmeia. Na Facília nem se fez cresta, pois o objectivo era fortalecer os tais desdobramentos mais tardios.
No entanto, ouvi falar em anos que se levaram colmeias muito fortes para esta cultura e obtiveram-se grandes produções. A conclusão final é que as condições meteorológicas é que mandam no apicultor...
A colheita da Urze foi posterior ao meu regresso a Portugal, mas ainda acompanhei situações de muito mau tempo em que as abelhas chegavam a expulsar ninfas para o exterior e outros casos em que se teve de colocar um segundo corpo sobre o ninho.”


Já devia ter perguntado, mas que raça(s) de abelhas e tipo(s)/modelo(s) de colmeis utilizavam?

“ A abelha negra europeia, e colmeias Langstroth de esferovite. Além destas usávamos também o modelo “Smith”, em madeira, (semelhante às nossas Reversíveis – com alça igual ao ninho).
Por curiosidade também se usavam (uma minoria) de colmeias modelo Nathional, com quadros muito iguais aos Smith, só que com as “orelhas” mais compridas. Trata-se de uma colmeia tradicional do Reino Unido.”


Sanidade Apícola: Que doenças “encontras-te” por lá e como as combateram ?

“Sobretudo a Ascosferiose e a Loque Europeia, moléstias potenciadas pelo tempo muito húmido e pela irregularidade na entrada de nutrientes, nunca lhe aplicamos qualquer tratamento.
Também havia alguma Varroa e casos raros de Loque Americana”


Nessas já aplicaram medicamentos...

“A Varroa era tratada no início do Inverno. Logo após as colmeias virem das Montanhas e usava-se um medicamento á base de flumetrina.
Com a Loque Americana o procedimento era diferente, só se aproveitavam mesmo as colmeias. De resto: abelhas, ceras, quadros... ia tudo para a fogueira”.


Para terminar, e muito sumariamente, que trabalhos fazias na Melaria? Além do que já vimos no excelente vídeo que me ofereceste...

“Desde a extracção do mel, encher os frascos, até á ultima fase da rotulagem e despachar as paletes com os frascos para os camiões da transportadora...”

O Sérgio não me contou, e eu também não perguntei, mas consigo calcular as saudades e a imensa vontade que ele já deve ter em regressar à Escócia...

Joaquim Pifano

Já à hora do "fecho da edição" ainda pedi ao António Sérgio que nos revelasse o "ponto alto" da sua experiência com a apicultura escocesa, ao que ele respondeu:

Acho que toda a minha estadia foi um momento alto, tenho saudades e muito boas memórias, desde contactar com pessoas de várias nações e culturas à descoberta da cultura escocesa e um pouco a sua história.
Não esqueço também o 1º dia de transumância para as Montanhas, depois de encerrar e carregar 70 colmeias á força de braços e com a chuva a fazer-nos companhia. Fizémo-nos à estrada com a ideia de que iria ser um dia longo e esgotante, no entanto quando começo a avançar no interior das montanhas era cada vez mais bela e selvagem a paisagem que nos rodeava, as encostas já com a urze florida, grupos de veados, ribeiros com água do degelo do topo das montanhas, enfim apenas se ouvia o cantar da água nos ribeiros e o vento que soprava no alto das montanhas.
Era pouca a presença humana naquelas paragens, todas estas sensações que pude experimentar fizeram-me carregar baterias e no final disse para comigo mesmo "- se calhar aqui a transumância não é o pior dos trabalhos - ".
Há uma ideia que muitas vezes me passou pela cabeça e que julgo ser bom partilhar: em Portugal temos excelentes condições meteorológicas e ambientais para a Apicultura, isto comparando com a Escócia, o ultimo ano bom na Escócia foi em 2006 com boas produções na Colza e Urze (mel bem valorizado no mercado) nos ultimos anos devido ás condições climatéricas adversas, chuva, frio (um dos primeiros ensinamentos que recebi dos meus colegas escoceses foi que um scotish day é um dia de chuva).


25 setembro, 2009

Novo modo de Introdução de Abelhas Rainhas na nova Colónia

Já pensavam que as “novidades” trazidas do Vicente Furtado tinham acabado?
Desenganem-se, ainda trouxe esta, sobre o novo modo/modelo de introduzir e fazer aceitar uma rainha virgem (ou recém fecundada) numa nova colónia.
Só que... o modelo ainda não existe..., mantêm-se ainda na “cabeça” do nosso amigo Vicente. Já tem a ideia estudada, as coisas mais ou menos delineadas, os materiais seleccionados, mas não passa disso.
Pedi-lhe uns pormenores, um “levantar a ponta do véu” e mostrou-me o que vocês mesmos podem ver na imagem acima: Um alguidar de plástico, um filtro (passador), uma gaiola de transporte de rainhas, um cartão e um garrafão de plástico...

Vem cá para o ano, que decerto já estará a funcionar

Ainda vamos ter de esperar uns meses para nos maravilharmos com mais esta “descoberta” que só pode ter como autor o Vicente “Algarvio”...