23 abril, 2009
22 abril, 2009
Ele há com cada ideia...
Numa das repartições públicas onde entro diariamente trabalha um funcionário, meu amigo, que todos os dias me apresenta uma nova proposta de negócio. A última, ou melhor, a que mais tem insistido tem a ver com a produção de um mel especial que combata o tabagismo.Começou por me perguntar como reagiriam as abelhas se fossem colocadas na proximidade de uma cultura de tabaco. Se tal como noutras florações as abelhas recolhiam o néctar e produziam um mel rico em... nicotina!?
Não tive resposta para lhe dar, a planta do tabaco, uma Solanácea tal como a batateira e o tomateiro, apresentam alguma toxicidade, nem sei se a nível do néctar ou outro composto qualquer. Duvido até que as abelhas demonstrassem alguma preferência por tais açúcares.
De qualquer forma, e assumindo que o projecto avançava, sempre à revelia da Tabaqueira Nacional ou da Philip Morris, pretendia-se injectar o mel em pequenas cápsulas que depois seriam colocadas no interior dos cigarros. O fumador “viciado”, começava logo a poupar nos fósforos ou no isqueiro, limitava-se a chupar e em vez de fumo saía... mel!
Acredito que os números referentes às doenças respiratórias sofressem um forte revés, o pior seria depois a diabetes...
Eu gosto muito de mel, infelizmente nutro o mesmo sentimento pelo tabaco, agora uma “salada” com os dois não me parece grande ideia, mas se alguém quiser arriscar...
21 abril, 2009
Visita n.º 10.000
20 abril, 2009
Quando é o Pico do “Rosmaninho” ?
Boa pergunta. As perguntas são sempre boas, as respostas é que nem sempre ajudam muito...
Esta Primavera, à semelhança das últimas, foi “esquisita”. Um mês de Janeiro anormalmente chuvoso, o que dava bons augúrios para a campanha, segue-se um Fevereiro seco e frio, um Março muito quente e ventoso, e um Abril igual ao Março, com chuvadas na semana passada.
No final de Março e no princípio de Abril, datas em que o Rosmaninho já estava a abrir, a falta de água no solo associada aos ventos fortes e constantes, anularam completamente esta floração.
Curiosamente, gabava-me eu há poucos dias que há muitos anos não tinha criação nas alças, creio que a propósito do controlo de enxameação, e desde que uso quase que exclusivamente as colmeias Lusitanas. Esta Primavera já tenho criação em quase duas dezenas de alças...
Os alvéolos “sujos” de mel funcionaram como uma “tentação” para as obreiras que os limparam completamente. Como não havia qualquer entrada de néctar a rainha aproveitou para fazer o que melhor sabe.
O pior é maldita mania das abelhas em colocarem o pólen junto à criação. Situação que me poderá comprometer umas boas dúzias de quadros de alça para a próxima época. Caso esse pólen armazenado (pão de abelha) não venha a ser mobilizado durante o ano, vai criar problemas no armazenamento. As medidas que aconselhei para a conservação das ceras das alças (CONSERVAÇÃO DAS CERAS E ALÇAS – 10/11/2008), visa sobretudo combater a traça, pouco ou nenhuma protecção confere contra os bolores que afectam o pólen. Quando muito pode-se tentar evitar a humidade, mas no Inverno é muito difícil.
O mistério das rainhas, após os desdobramentos...
Este fim de semana, dado o “bom astral apícola” que se adivinhava, fui procurar as rainhas dos 25 desdobramentos que fiz no início de Março.
O período que medeia entre os desdobramentos (separação física dos quadros e abelhas) e a visualização dos primeiros ovos/criação nas novas colónias, atravessa uma série de fases críticas que podem comprometer tal trabalho:
As abelhas não fizeram alvéolos reais/rainhas.
O frio/chuva/falta de nutrientes poderá ter comprometido as novas colónias (muito frágeis).
A nova rainha nasceu mas era biologicamente inviável ou muito fraca, foi obtida de uma larva demasiado velha ou houve falta de nutrientes.
A nova rainha nasceu saudável e biologicamente viável, mas não fez o voo nupcial (não foi fecundada) por causa do mau tempo.
A rainha fez o voo nupcial mas foi comida “literalmente” por um Abelharuco ou outra ave.
A rainha regressou do voo nupcial mas por falta de referências/deriva entrou na colmeia errada e foi morta pela respectiva rainha. Muitas vezes até morrem as duas, duplicando-se o problema...
...
Quase sempre fazemos as continhas todas a partir do dia do desdobramento:
Larvas com dois dias (mais velhas não servem), faltam onze dias para nascer a rainha,
Mais uma semana para amadurecer sexualmente e fazer o voo nupcial,
Mais outra semana para iniciar a postura, vá lá... mais duas para não haver falhas...
11 + 7 + 14 = 32 dias
Por vezes já quase que passaram dois meses e nem sinais da rainha, começa o desespero: qualquer coisa correu mal.
Vamos lá com mais calma, de facto pode ter corrido mal alguma das etapas enumeradas lá atrás. Mas regra geral não corre nada mal, e se não encontramos postura foi porque a rainha ainda não a iniciou, e se não encontramos a rainha devemo-nos lembrar que:
- As rainhas virgens, tal como as recem fecundadas são muito pequenas, confundindo-se mais facilmente com as obreiras. Por outro lado, são muito ariscas e nervosas, não param muito tempo no mesmo sítio e deslocam-se a grande velocidade. Contrastam bastante com as rainhas já maduras cuja calma e “nobreza” de comportamento as distingue.
Mas há indícios a observar que nos dão informações muito seguras acerca da presença da rainha e do seu estado de desenvolvimento:
A presença de alvéolos reais abertos e outros destruídos garantem-nos que a colónia “fez” novas rainhas:
A existência de uma zona central nos quadros, onde os alvéolos se encontrem vazios e com um aspecto muito polido e até brilhante, indicam-nos que a postura se irá iniciar muito em breve. As obreiras, antes da postura da rainha, limpam com esmero os respectivos alvéolos e “envernizam-nos” com uma película de própolis, o que lhes confere o aspecto brilhante.
Estes alvéolos, ou melhor a cera, têm quase sempre uma cor escura, uma vez que se tratam dos quadros da colónia original (velha). A área limpa e propolizada para a postura tem quase sempre 10cm x 10cm a 15cm x 15cm, e ocorre em dois, três ou quatro quadros contíguos. Também se vêm alguns alvéolos com pólen (pão de abelha) dispersos no meio da referida área:
Esta imagem é um dos indícios mais seguros de que o desdobramento correu bem, e a rainha não só nasceu como já está fecundada e iniciará a postura muito brevemente.
Os pontos brancos (redondos) nos alvéolos da imagem não são ovos, pretendem apenas simbolizar o brilho provocado pelo facto da cera estar propolizada.
Outras vezes, para nosso desespero, surgem-nos imagens como a seguinte:
Alvéolos com dois e três ovos juntos: o equivalente aos ovos com duas gemas, trata-se de uma “super rainha!!! Claro que estou a brincar!!! Tal imagem nunca é muito bom sinal e normalmente informa-nos de três situações:
A rainha é demasiado velha.
A postura deve-se a uma obreira poedeira.
A rainha (muito nova) iniciou agora a postura.
Como se reporta a uma colónia nova, resultante de desdobramentos, trata-se obviamente da terceira opção, a postura normaliza ao fim de um ou dois dias com o número normal de ovos por alvéolo.
E o Pico do Rosmaninho ???
Pois...
A Primavera não está para grandes previsões, mas... se as condições meteorológicas estabilizarem com temperaturas amenas e sem vento (nem chuva), é muito natural que durante a próxima semana a disponibilidade de néctar de Rosmaninho atinja o máximo.
Este fenómeno normalmente surge após uns dias de calor depois das chuvas, o que normalmente acontece no fim de Abril, circunstâncias que parecem verifica-se apesar de algum vento residual. Se quiserem o meu concelho, comecem já esta semana com visitas mais regulares ao apiário, logo que as alças tenham os quadros bem cobertos de abelhas coloquem-lhe outra alça. Desta forma é garantido que não se perde uma pitada de mel.
Fica mais uma vez a proposta de informarem o MONTEDOMEL da(s) data(s) em que ocorreu o máximo de disponibilidade de néctar (Pico do Rosmaninho) em cada região, o que nos ajudará a todos a tomar melhores decisões na próxima época...
Esta Primavera, à semelhança das últimas, foi “esquisita”. Um mês de Janeiro anormalmente chuvoso, o que dava bons augúrios para a campanha, segue-se um Fevereiro seco e frio, um Março muito quente e ventoso, e um Abril igual ao Março, com chuvadas na semana passada.No final de Março e no princípio de Abril, datas em que o Rosmaninho já estava a abrir, a falta de água no solo associada aos ventos fortes e constantes, anularam completamente esta floração.
Curiosamente, gabava-me eu há poucos dias que há muitos anos não tinha criação nas alças, creio que a propósito do controlo de enxameação, e desde que uso quase que exclusivamente as colmeias Lusitanas. Esta Primavera já tenho criação em quase duas dezenas de alças...
Os alvéolos “sujos” de mel funcionaram como uma “tentação” para as obreiras que os limparam completamente. Como não havia qualquer entrada de néctar a rainha aproveitou para fazer o que melhor sabe.
O pior é maldita mania das abelhas em colocarem o pólen junto à criação. Situação que me poderá comprometer umas boas dúzias de quadros de alça para a próxima época. Caso esse pólen armazenado (pão de abelha) não venha a ser mobilizado durante o ano, vai criar problemas no armazenamento. As medidas que aconselhei para a conservação das ceras das alças (CONSERVAÇÃO DAS CERAS E ALÇAS – 10/11/2008), visa sobretudo combater a traça, pouco ou nenhuma protecção confere contra os bolores que afectam o pólen. Quando muito pode-se tentar evitar a humidade, mas no Inverno é muito difícil.
O mistério das rainhas, após os desdobramentos...
Este fim de semana, dado o “bom astral apícola” que se adivinhava, fui procurar as rainhas dos 25 desdobramentos que fiz no início de Março.
O período que medeia entre os desdobramentos (separação física dos quadros e abelhas) e a visualização dos primeiros ovos/criação nas novas colónias, atravessa uma série de fases críticas que podem comprometer tal trabalho:
As abelhas não fizeram alvéolos reais/rainhas.
O frio/chuva/falta de nutrientes poderá ter comprometido as novas colónias (muito frágeis).
A nova rainha nasceu mas era biologicamente inviável ou muito fraca, foi obtida de uma larva demasiado velha ou houve falta de nutrientes.
A nova rainha nasceu saudável e biologicamente viável, mas não fez o voo nupcial (não foi fecundada) por causa do mau tempo.
A rainha fez o voo nupcial mas foi comida “literalmente” por um Abelharuco ou outra ave.
A rainha regressou do voo nupcial mas por falta de referências/deriva entrou na colmeia errada e foi morta pela respectiva rainha. Muitas vezes até morrem as duas, duplicando-se o problema...
...
Quase sempre fazemos as continhas todas a partir do dia do desdobramento:
Larvas com dois dias (mais velhas não servem), faltam onze dias para nascer a rainha,
Mais uma semana para amadurecer sexualmente e fazer o voo nupcial,
Mais outra semana para iniciar a postura, vá lá... mais duas para não haver falhas...
11 + 7 + 14 = 32 dias
Por vezes já quase que passaram dois meses e nem sinais da rainha, começa o desespero: qualquer coisa correu mal.
Vamos lá com mais calma, de facto pode ter corrido mal alguma das etapas enumeradas lá atrás. Mas regra geral não corre nada mal, e se não encontramos postura foi porque a rainha ainda não a iniciou, e se não encontramos a rainha devemo-nos lembrar que:
- As rainhas virgens, tal como as recem fecundadas são muito pequenas, confundindo-se mais facilmente com as obreiras. Por outro lado, são muito ariscas e nervosas, não param muito tempo no mesmo sítio e deslocam-se a grande velocidade. Contrastam bastante com as rainhas já maduras cuja calma e “nobreza” de comportamento as distingue.
Mas há indícios a observar que nos dão informações muito seguras acerca da presença da rainha e do seu estado de desenvolvimento:
A presença de alvéolos reais abertos e outros destruídos garantem-nos que a colónia “fez” novas rainhas:
A existência de uma zona central nos quadros, onde os alvéolos se encontrem vazios e com um aspecto muito polido e até brilhante, indicam-nos que a postura se irá iniciar muito em breve. As obreiras, antes da postura da rainha, limpam com esmero os respectivos alvéolos e “envernizam-nos” com uma película de própolis, o que lhes confere o aspecto brilhante.Estes alvéolos, ou melhor a cera, têm quase sempre uma cor escura, uma vez que se tratam dos quadros da colónia original (velha). A área limpa e propolizada para a postura tem quase sempre 10cm x 10cm a 15cm x 15cm, e ocorre em dois, três ou quatro quadros contíguos. Também se vêm alguns alvéolos com pólen (pão de abelha) dispersos no meio da referida área:
Esta imagem é um dos indícios mais seguros de que o desdobramento correu bem, e a rainha não só nasceu como já está fecundada e iniciará a postura muito brevemente.Os pontos brancos (redondos) nos alvéolos da imagem não são ovos, pretendem apenas simbolizar o brilho provocado pelo facto da cera estar propolizada.
Outras vezes, para nosso desespero, surgem-nos imagens como a seguinte:
Alvéolos com dois e três ovos juntos: o equivalente aos ovos com duas gemas, trata-se de uma “super rainha!!! Claro que estou a brincar!!! Tal imagem nunca é muito bom sinal e normalmente informa-nos de três situações: A rainha é demasiado velha.
A postura deve-se a uma obreira poedeira.
A rainha (muito nova) iniciou agora a postura.
Como se reporta a uma colónia nova, resultante de desdobramentos, trata-se obviamente da terceira opção, a postura normaliza ao fim de um ou dois dias com o número normal de ovos por alvéolo.
E o Pico do Rosmaninho ???
Pois...
A Primavera não está para grandes previsões, mas... se as condições meteorológicas estabilizarem com temperaturas amenas e sem vento (nem chuva), é muito natural que durante a próxima semana a disponibilidade de néctar de Rosmaninho atinja o máximo.
Este fenómeno normalmente surge após uns dias de calor depois das chuvas, o que normalmente acontece no fim de Abril, circunstâncias que parecem verifica-se apesar de algum vento residual. Se quiserem o meu concelho, comecem já esta semana com visitas mais regulares ao apiário, logo que as alças tenham os quadros bem cobertos de abelhas coloquem-lhe outra alça. Desta forma é garantido que não se perde uma pitada de mel.
Fica mais uma vez a proposta de informarem o MONTEDOMEL da(s) data(s) em que ocorreu o máximo de disponibilidade de néctar (Pico do Rosmaninho) em cada região, o que nos ajudará a todos a tomar melhores decisões na próxima época...
16 abril, 2009
Um Fogão Económico
Um fogão económico para fundir cera

Deve ser um “invento” muito antigo, no entanto só o vi uma vez a funcionar...
Entrei numa pequena oficina, onde o meu pai guardava as ferramentas e fazia a “bricolagem” dele, quando me deparei com um estranho fogão. Não passava de uma lata reciclada de 20 ou 30 litros de capacidade. A lata estava cheia de serradura incandescente, libertando um calor agradável naquela manhã de Inverno.
A lata teria uns 60 cm de alto por 30 ou 35cm de largo. Muito próximo da base tinha outro orifício com cerca de dez centímetros de diâmetro.
Segundo me explicou o meu pai, o fogão funcionava da seguinte maneira:

1º Começava-se por colocar serradura na lata até à altura do buraco lateral, (10 cm).
2º Nesse buraco enfiava-se um pau arredondado até ao centro da lata, apoiado sobre a primeira camada de serradura. O pau tinha uns 25 cm de comprido por 8 ou 9 cm de diâmetro.
3º Sobre a extremidade desse pau, no interior da lata, segurava-se na vertical um segundo pau, mais comprido, com cerca de meio metro.

4º Montada a estrutura, enchia-se o resto da lata com serradura. À medida que se iam adicionando novas camadas, estas eram comprimidas com a ajuda de um maço.
5º Com a lata cheia de serradura apertada, retiravam-se os dois paus com muito cuidado, de modo a que ficassem dois “túneis”: o vertical seria a chaminé e o horizontal o respirador.

Estava montado o “fogão”, restava agora incendiá-lo, o que se conseguia muito facilmente enfiando um papel a arder na base da chaminé.

Já não me recordo de alguns pormenores, mas acho que o referido fogão ficava quase um dia inteiro a arder só com a lata cheia de serradura. Não atingia grandes temperaturas, mas decerto que seria bem útil nestes dias de Primavera “Invernosa”, na oficina onde faço as reparações do meu material apícola.
Por outro lado, alegra-me pensar que não é necessário abater uma árvore para conseguir o combustível, na medida em que trabalha com materiais reciclados.
Uma forma curiosa de aproveitar esta fonte de calor “reciclado”, pode ser na própria “reciclagem” da cera das abelhas.
Basta para isso colocar sobre o fogão uma lata de menor volume, com água, e seguir o método que os apicultores mais antigos por aqui praticavam:
A cera retirada dos quadros velhos, os opérculos e as bolas de cera resultantes da prensagem dos favos de cortiço, eram metidos dentro de um saco de serapilheira. O saco era por sua vez colocado dentro de uma lata com água, sob a qual acendiam uma fogueira (ou o nosso fogão).

Para que o saco de cera se mantivesse no fundo colocavam-lhe pedras por cima. Desta forma, a cera fundida saía e era filtrada pela trama do saco, vindo depois à superfície. As restantes impurezas ficavam retidas dentro da serapilheira e nunca se misturavam com a cera.

Finalmente, o apicultor munido de um pau com uma lata na extremidade, ia retirando a cera à superfície e despejava-a para dentro dos respectivos moldes.
Uma vez fiz esta proeza, mas com um lume de chão. Uma lareira gigantesca, queimei a roupa, cabelos, parecia que estava numa sauna e em pleno Inverno...
Com este método enchem-se uma série de moldes de cera, mas sobrestimamos sempre a produção. No outro dia verificamos que os últimos recipientes pouco mais têm que uma fina película de cera à superfície da água.

Deve ser um “invento” muito antigo, no entanto só o vi uma vez a funcionar...
Entrei numa pequena oficina, onde o meu pai guardava as ferramentas e fazia a “bricolagem” dele, quando me deparei com um estranho fogão. Não passava de uma lata reciclada de 20 ou 30 litros de capacidade. A lata estava cheia de serradura incandescente, libertando um calor agradável naquela manhã de Inverno.
A lata teria uns 60 cm de alto por 30 ou 35cm de largo. Muito próximo da base tinha outro orifício com cerca de dez centímetros de diâmetro.
Segundo me explicou o meu pai, o fogão funcionava da seguinte maneira:

1º Começava-se por colocar serradura na lata até à altura do buraco lateral, (10 cm).
2º Nesse buraco enfiava-se um pau arredondado até ao centro da lata, apoiado sobre a primeira camada de serradura. O pau tinha uns 25 cm de comprido por 8 ou 9 cm de diâmetro.
3º Sobre a extremidade desse pau, no interior da lata, segurava-se na vertical um segundo pau, mais comprido, com cerca de meio metro.

4º Montada a estrutura, enchia-se o resto da lata com serradura. À medida que se iam adicionando novas camadas, estas eram comprimidas com a ajuda de um maço.
5º Com a lata cheia de serradura apertada, retiravam-se os dois paus com muito cuidado, de modo a que ficassem dois “túneis”: o vertical seria a chaminé e o horizontal o respirador.

Estava montado o “fogão”, restava agora incendiá-lo, o que se conseguia muito facilmente enfiando um papel a arder na base da chaminé.

Já não me recordo de alguns pormenores, mas acho que o referido fogão ficava quase um dia inteiro a arder só com a lata cheia de serradura. Não atingia grandes temperaturas, mas decerto que seria bem útil nestes dias de Primavera “Invernosa”, na oficina onde faço as reparações do meu material apícola.
Por outro lado, alegra-me pensar que não é necessário abater uma árvore para conseguir o combustível, na medida em que trabalha com materiais reciclados.
Uma forma curiosa de aproveitar esta fonte de calor “reciclado”, pode ser na própria “reciclagem” da cera das abelhas.
Basta para isso colocar sobre o fogão uma lata de menor volume, com água, e seguir o método que os apicultores mais antigos por aqui praticavam:
A cera retirada dos quadros velhos, os opérculos e as bolas de cera resultantes da prensagem dos favos de cortiço, eram metidos dentro de um saco de serapilheira. O saco era por sua vez colocado dentro de uma lata com água, sob a qual acendiam uma fogueira (ou o nosso fogão).

Para que o saco de cera se mantivesse no fundo colocavam-lhe pedras por cima. Desta forma, a cera fundida saía e era filtrada pela trama do saco, vindo depois à superfície. As restantes impurezas ficavam retidas dentro da serapilheira e nunca se misturavam com a cera.

Finalmente, o apicultor munido de um pau com uma lata na extremidade, ia retirando a cera à superfície e despejava-a para dentro dos respectivos moldes.
Uma vez fiz esta proeza, mas com um lume de chão. Uma lareira gigantesca, queimei a roupa, cabelos, parecia que estava numa sauna e em pleno Inverno...
Com este método enchem-se uma série de moldes de cera, mas sobrestimamos sempre a produção. No outro dia verificamos que os últimos recipientes pouco mais têm que uma fina película de cera à superfície da água.
14 abril, 2009
12 abril, 2009
Primavera 2009
Todos os dias levamos com vendedores de “banha da cobra” a anunciar-nos o Apocalipse: as alterações climáticas, o aquecimento global, o buraco do ozono, este último fez mais sucesso nas décadas de 1980 e 1990.Acho que assuntos importantes e polémicos como estes são tão falados, e mal falados, até à exaustão. As pessoas dessensibilizam, as mesmas razões e argumentos são repetidas tantas vezes que se chega a odiar mais o mensageiro que a própria mensagem.
Há um ano e dois anos, respectivamente, assisti na televisão à comunicação de um alegado cientista que nos alertava para os dois Verões mais quentes e rigorosos das últimas décadas, ou séculos: o de 2007 e o de 2008. A comunicação aparentava mais ser proferida por alguém que queria a todo o custo manter o posto de trabalho, do que de alguém convicto da profecia.
Sempre tive pavor dos Verões quentes, mas nesses dois anos não consegui jantar uma única vez no quintal, tal era o frio que se fazia sentir a essa hora...
Os problemas ambientais causados pela pressão humana, o aquecimento global, as alterações climáticas e tantos outros fenómenos meteorológicos anómalos são já uma realidade. O que incomoda é mesmo a forma leviana e gratuita como se têm abordado esses temas.
Tenho reparado que nos últimos anos raras são as Primaveras em que boa parte do mês de Abril não tenha ventos moderados a fortes na minha região. Esta “boa parte do mês de Abril” chega a ultrapassar os 75%...
Como já disse num texto há tempos atrás, os solos desta zona têm algum corpo, aguentam a humidade mesmo em Primaveras pouco chuvosas. A floração principal baseada no Rosmaninho está quase sempre assegurada, quer pelo tipo de solo quer pelo sistema radicular arbustivo da dita vegetação.
Normalmente a diferença entre uma boa e razoável produção de Primavera explicava-se com o regime de chuvas durante os meses de Fevereiro e Março. Ironicamente lembro-me de anos de má produção em que as chuvas contínuas em Abril impediam as abelhas de trabalhar: “a chuva lava o néctar todo às flores”, assim o justificavam os mais velhos.
A chuva lava, ou dilui o néctar, mas o vento dos últimos anos seca-o completamente. Quando passeio no campo, tenho o costume de esmagar umas cabeças de Rosmaninho para avaliar as quantidades de néctar. Nas últimas Primaveras chego a ficar com os dedos roxos, por causa das pétalas, mas o característico néctar pegajoso há muito que não o vejo.
Ainda assim, os 25% que restam de tempo útil, boas condições climatéricas, em Abril, permitem produções na ordem dos 10 a 15 kg/colmeia, 20kg nalguns apiários. O que corresponde respectivamente a uma alça, uma e meia ou duas alças/colmeia.
Lembro com alguma saudade os últimos anos da década de 1990, e os primeiros do novo milénio, em que podíamos contar com a totalidade da Primavera. Produtividades médias a rondar os 30 a 40 kg/colónia, e por vezes 50kg ou mais.
Incomoda muito o sentimento de impotência face a este fenómeno meteorológico: o vento, até a nós nos entontece, quanto mais às abelhas que lhes impede o voo. Na minha terra há uma série de ditados que “desfavorecem” o vento Suão, secam toda a vegetação e ainda carregam uma série de moléstias.Quando os referidos ventos se associam à falta de chuva, então temos mesmo “o caldo entornado”, a apicultura pára quase por completo, as abelhas pouco mais saem da colmeia que para recolherem água.
A semana passada, para ajudar à festa, chegou a colónia de Abelharucos de que sou patrocinador já há alguns anos. Vêm esfomeados, a avaliar pelos “pios”, fazem voos rasantes às colmeias mas de pouco lhes valem, as abelhas pouco têm saído...
Anteontem até registei um fenómeno curioso, os Abelharucos que sobrevoavam o lago do monte vinham lá das alturas e mergulhavam como as aves marítimas que vimos nos documentários. Ainda pensei que se tratasse de suicídio, mas como voltavam a subir após o mergulho, das duas três: estranha forma de beber água ou então andam a alimentar-se de peixe...
Ora vejam lá nas fotos, pouco nítidas, se não ficam com a mesma sensação:

Outros fenómenos curiosos que directa ou indirectamente tenho registado nos últimos meses:
A semana passada ligou-me um apicultor que após aturada inspecção às colmeias observou o seguinte: Colónias com muita (imensa) criação, dividida apenas em “ovos” e “criação operculada”, faltavam todos os outros estados larvares.
Os ovos então abundavam, ocupavam quase todos os alvéolos vazios nas colmeias. Justificou-mo (e faz muito sentido) que face às condições climatéricas, as abelhas não alimentam as larvas recém eclodidas, que acabam por morrer e ou são removidas. Isso faz com que haja sempre muito espaço para a postura da rainha. As larvas operculadas resultaram de posturas feitas há mais tempo e que sobreviveram.
Nunca assisti a um acontecimento semelhante, ou pelo menos que estivesse alertado para isso, mas não deixa de fazer sentido, ainda por cima, segundo o apicultor, o fenómeno é comum a todas as colmeias e apiários que possui.
A semana passada, à conversa com um dos maiores apicultores de Portalegre, soube que o mesmo perdeu cerca de 250 colónias das 430 que possuía. O apicultor fez sempre um controlo rigoroso à Varroose e garante que a morte/desaparecimento das colónias não faz qualquer sentido, a não ser pelo dito SDC, Síndroma do Despovoamento de Colmeias.
Tal como ele, outros apicultores dessa região registaram perdas da mesma magnitude. O problema continua a ser muito ocultado à opinião pública em geral e apicultores em particular, mas cada vez é menos discreto. A Autoridade Sanitária Nacional para os assuntos apícolas, vulgo: Direcção Geral de Veterinária, mantém o já habitual “silêncio ensurdecedor”...
Quanto aos laboratórios que também podiam andar na linha da frente, nada mostram, nem sei se estão a fazer alguma coisa pelo assunto. No entanto deixo-lhe estas amêndoas:
Se o SDC não lhes suscita interesse suficiente de modo a procurarem e combaterem as suas causas, lembrem-se que atrás das abelhas, ironicamente, perecerão as Varroas, e assim a “mina de ouro” pode sofrer um forte revés...
Uma boa Páscoa para todos, infelizmente com menos mel que amêndoas...
10 abril, 2009
Páscoa Feliz !!!
09 abril, 2009
Colmeias Diferentes - 7
A Arca das Abelhas...
Há meses escrevi sobre a “arca do mel”.
Hoje era suposto escrever sobre a “arca das abelhas”, só não o faço porque nem sei o que é ou como funciona...
À primeira vista parece uma adaptação portuguesa do modelo Layens: colmeia grande e tampa com dobradiças.
Mas afinal é apenas mais uma “habilidade” de um grande amigo e apicultor muito promissor!!!
Há meses escrevi sobre a “arca do mel”. Hoje era suposto escrever sobre a “arca das abelhas”, só não o faço porque nem sei o que é ou como funciona...
À primeira vista parece uma adaptação portuguesa do modelo Layens: colmeia grande e tampa com dobradiças.
Mas afinal é apenas mais uma “habilidade” de um grande amigo e apicultor muito promissor!!!
08 abril, 2009
MelToon - 33
06 abril, 2009
Controlo de Enxameação

Talvez um dos aspectos mais ingratos do maneio apícola. O objectivo (teórico) é impedir a perda de abelhas, e de potencial produtivo, mas na prática acabam quase sempre por sair com as consequências conhecidas.
A captura sistemática de enxames faz com que as colmeias com maior tendência para enxamear se reproduzam mais, seleccionando-se e mantendo-se essa característica indesejável. Com o passar dos anos torna-se mesmo um ciclo vicioso.
Em tempos tive colmeias com tais tendências para enxamear, que ainda lhes faltava ocupar metade do ninho e já tinham dúzias de alvéolos reais. Chegava a destruir os alvéolos semanalmente e nem assim “dava conta do recado”. Uma vez, tinha acabado de fechar uma colmeia e preparava-me para destruir os alvéolos da seguinte, ao ouvir o característico ruído, virei-me, e assisti impotente à saída de mais um. Persegui-o de carro, por raiva, e consegui capturá-lo, nesse tempo compravam-se carros com muita facilidade...
Factores que levam uma colónia a enxamear:
Rainhas demasiado velhas
Excesso de população para o espaço disponível
Muito calor e ventilação deficiente
Ninho bloqueado/ceras velhas
Propensão genética
Captura sistemática de enxames
Factores ambientais
Sanidade da colmeia
...
Para combater estes factores e controlar a situação há uma série de práticas, mais ou menos “praticáveis”, mais ou menos eficazes, que não “dando conta do recado” pelo menos atrasam ou aliviam o problema.
1. Dar espaço à colónia
A falta de espaço no ninho, seja pelo desenvolvimento da colónia/dimensões da população, ou pelo facto dos respectivos quadros se encontrarem bloqueados com mel e pólen velho, potenciam bastante a enxameação. A indisponibilidade de alvéolos para a rainha fazer a postura quase sempre desencadeia tal estímulo.
Pelas mesmas razões, a existência de ceras velhas no ninho também potenciam a enxameação uma vez que a rainha evita fazer aí a postura.
Para evitar esta situação devemos colocar a alça logo que os dez quadros do ninho estejam ocupados por abelhas. Infelizmente, esta acção não nos garante que a colmeia não enxameie, mas se não o fizermos, ela enxameará de certeza.
É comum nesta fase a rainha subir às alças e aí colocar os ovos. Não é um acontecimento muito agradável para alguns apicultores, alegando que mais tarde isso criará dificuldades na cresta, que têm demasiada criação a ocupar o espaço ao mel, chegando até a isolar a rainha no ninho com uma grade excluidora.Pessoalmente é o que menos me incomoda. Desde que substitui a maioria das colmeias (Reversíveis) por Lusitanas, raramente tal me acontece, mas se suceder, a rainha que disponha do espaço que entender para cumprir a sua função. Raras são as alças ocupadas com criação que até ao fim da estação produtiva (Primavera + Verão) não sejam cheias de mel.
2. Arejamento da Colmeia
O ar abafado e húmido no interior da colmeia é mais um dos factores que leva à enxameação. Quase sempre os apicultores pensam que o bater de asas das abelhas no interior, à entrada e na tábua de voo, é suficiente para renovar a atmosfera interna. “Agarrados” a este preconceito tapam todos e quaisquer “buraquinhos” que a caixa possa ter, não se constipem as abelhas: Réguas reguladoras de entrada durante a Primavera, buraco da prancheta tapado e sabe-se lá que mais...
Sempre se pode argumentar que muito antes do Homem “pôr” os pés na Terra, já haviam abelhas em “tocas” naturais, e algumas sem qualquer arejamento, mas se nós pudermos dar uma ajuda...
Desta feita, importa retirar a régua reguladora da entrada (pelo menos colocá-la na posição com mais aberturas), logo que terminem as sessões de alimento estimulante, tal como remover a tampa do buraco da prancheta.
Também se pode fomentar o arejamento eliminando aquelas estranhas “esculturas” que as abelhas tanto gostam de fazer sobre a cera velha e no estrado da colmeia.
3. Cortar as asas à rainha...Exactamente isso que eu disse, pior ainda: que escrevi. Há quem o tenha feito (faça?) e até vem aconselhado nalguns manuais. Nunca fiz tal coisa, já me disseram no entanto que este método também não prima pela eficácia.
Dizem que a rainha tenta sair da colmeia, normalmente, como se tivesse asas. Cai, ou fica-se pela tábua de voo, as abelhas saem todas com ela e gera-se uma grande confusão...
Se alguém tiver uma opinião diferente sobre este procedimento agradecia-lhe que partilhasse o seu ponto de vista, pois conheço-o muito mal...
4. Grade excluidora de rainhas à entrada da colmeiaTal como o anterior, é um processo pouco comum.
Consiste na colocação de uma “armadilha” em rede, cujos orifícios permitem a passagem das obreiras mas a rainha não o pode fazer. Pouco conheço este método, mas apontam-lhe falhas semelhantes ao anterior.
5. Arrefecer o ninhoAparenta ser um bom método, ainda assim pouco eficaz.
Consiste em intercalar quadros de cera moldada entre os quadros de criação. Tem até uma série de vantagens: a substituição de ceras velhas por novas, o que torna o ninho mais atractivo para a postura da rainha, favorece o arejamento e cria mais espaço. Tudo isto contraria a enxameação.
Mas será possível controlar de facto esse arrefecimento? E se a criação morrer? É pior a emenda que o soneto... Se as temperaturas forem altas até é tentador, mas o mês de Abril costuma ser frio.
Ainda que tudo corra bem nada nos garante que a rainha não parta com o seu séquito...
Talvez seja mais correcto se esse arrefecimento for faseado: Substituindo primeiro os quadros das extremidades (só com mel e ceras velhas), e só mais tarde colocar um ou dois quadros de cera moldada entre os quadros de criação.Mas isto não é bem um “arrefecimento”, é mais uma troca de ceras!!! o que já ajuda bastante...
6. Destruição de alvéolos reaisÉ o método mais moroso e cansativo, ainda assim o que nos dá mais garantias de sucesso.
Não tem nada de especial, limitamo-nos a destruir todos os alvéolos reais que encontramos na colmeia. Esta tarefa deve ser feita de oito em oito dias (semanalmente), procurando com todo o cuidado os alvéolos reais no ninho e inclusivamente nas alças.
Normalmente iniciamos esta acção em finais de Março (depende dos anos e das regiões). Logo que se destruam os primeiros não podemos falhar mais nenhuma sessão, ou perde-se todo o trabalho.
Os primeiros alvéolos reais encontram-se quase sempre no centro e extremidades dos quadros (junto à criação), a partir da primeira sessão começam a surgir um pouco por todo o lado, na parte de baixo dos favos (quando a cera não encosta à madeira), entre os quadros do ninho e das alças e até em alças com pouca ou nenhuma criação. Parece que as abelhas “adivinham” as nossas intenções, camuflando e escondendo os ditos alvéolos nos locais mais inesperados.
O “perigo” de enxameação só passa com o fim das fontes exteriores de néctar, data em que podemos parar com o controlo.
MUITO IMPORTANTE:Antes de iniciarmos a destruição dos alvéolos de cada colmeia, convém verificar alguns aspectos que possam indiciar o facto da colmeia já ter enxameado. Nesse caso, tal tarefa além de uma perda de tempo, ainda pode condenar a colónia, na medida em que a rainha (o enxame) já saiu e convém deixar alguns alvéolos para que nasça uma nova rainha.
Ausência da rainha (velha), podemos apenas não a encontrar, como pode já ter saído no enxame.
Ausência de ovos, ou ovos do dia (posição vertical).
Alvéolos reais abertos lateralmente, indício muito seguro da saída do enxame, não só a rainha velha já saiu como também já nasceu a nova e destruiu os restantes alvéolos.
Existência de rainhas jovens a percorrer os quadros ou mortas no exterior. Reconhecem-se pelas pequenas dimensões, quando estão vivas deslocam-se muito depressa, aparentemente “nervosas” quando comparadas com uma rainha fecundada e já estabelecida.
Legenda da figura anterior:1 - Alvéolo real em forma de cálice, existem na colmeia durante quase todo o ano. Podem ou não ter ovos/larvas, consoante irão ou não ser utilizados.
2 - Alvéolo real com ovo ou larva no interior. Ainda está por opercular, mas é um alvéolo real activo e em crescimento.
3 – Alvéolo real já operculado. No máximo, em sete ou oito dias irá nascer a nova rainha.
4 – Alvéolo real aberto. A rainha já nasceu, quase sempre é visível a “tampinha” do orifício aberto pela rainha ao nascer. Nestas situações o controlo de enxameação falhou ou já não se justifica.
5 – Alvéolo real destruído antes da saída da rainha. Outro indício de falhas no controlo de enxameação. A abertura lateral foi provocada pela rainha velha, pela(s) primeira(s) rainha(s) nova(s) que eclodiu, e ou até pelas obreiras.
Outro indício da proximidade da enxameação é quando se acumulam grande número de abelhas no exterior da colmeia ou do cortiço. Os espanhóis têm uma expressão curiosa para este fenómeno: hacer la barba, pois de facto o acumular de abelhas na tábua de voo e parede frontal lembram uma barba.
Pouco tempo depois é visível na frente da colmeia uma grande nuvem de abelhas, num voo ruidoso e que podem ou não pousar nas proximidades do apiário.
Não devemos confundir este comportamento com outro, em tudo semelhante, onde as abelhas voam em grande número viradas para a entrada da colmeia. Trata-se de um grupo de abelhas jovens, que fazem o primeiro voo, mantendo-se durante algum tempo a pairar naquela posição.
Na Primavera de 2001, com trinta colmeias consegui produzir uma tonelada de mel (aprox. 35Kg/colónia). Todos os fins de semana entre quinze de Março e quinze de Maio fiz o controlo de enxameação pela destruição de alvéolos reais.Foi um trabalho bastante duro, não só pelo facto de carregar com 300 quadros do ninho e 810 quadros de alça, fazer uma rotação com o pulso para os ver na frente e verso e ainda a atenção necessária para encontrar e destruir os ditos alvéolos.
Finda a Primavera, sem perder um enxame, desdobrei todas as colónias. Com as 60 resultantes ainda produzi cerca de 700 kg de mel de Girassol. Foi um ano bem produtivo, mas confesso que estive sempre lá, a trabalhar com elas...
02 abril, 2009
Enxameação, consequências...
Os enxames, as jóias da coroa apícola, amados por uns e odiados por outros, vêm e vão como os amores na Primavera.
Ninguém constrói uma vacaria e deixa as portas abertas à espera que as vacas caiam do céu, quem as quiser tem de as pagar... caras. Já a apicultura é uma das actividades com menores custos iniciais. Os enxames não “caem” do céu, mas é pelos céus que se dirigem em todas as direcções para povoar quantas caixas e cortiços os apicultores preparem para o efeito.
São ainda o cartão de visita de qualquer abelheiro, não há apicultor digno desse nome que não guarde na memória as peripécias que passou para capturar uns quantos enxames. Para não falar da forma como contam essas histórias até à exaustão (de quem os ouve...).
Agora mais a frio, o termo “enxameação” nunca trás nada de bom, perdem-se abelhas (muitas abelhas), perde-se potencial produtivo e consequentemente o mel e os lucros.
É sob essa óptica que vou tentar relatar como se processa tal fenómeno em duas regiões próximas mas distintas e como isso afecta toda a apicultura local.
Ponte de Sor: Muita Flora de Inverno e Primavera, em detrimento do Verão.
É uma região caracterizada por extensas herdades com montado de sobro, cruzada pelo rio Sor e imensas linhas de água. O solo é essencialmente arenoso, muito sujeito à erosão pelos ventos e águas de escorrência. O mato que o cobre, de importância apícola, compreende sobretudo o Rosmaninho, Estevas, Alecrim, e algumas Ericácias entre outras espécies menos abundantes.
Apesar da flora mais importante ser de porte arbustivo, cujos sistemas radiculares são mais resistentes à seca, a ausência de chuvas Primaveris depressa interrompe a produção de néctares, por causa da fraca capacidade de retenção de água dos solos arenosos.
O ano apícola em Ponte de Sor inicia-se após um Inverno normalmente rico em fontes de néctar, o que se traduz em colmeias populosas e dimensionadas muito cedo. Este estímulo, que evita a alimentação artificial na estação fria, deve-se ao Alecrim, a algumas matas de Eucalipto e sobretudo à prolificidade de Salgueiros que acompanham as linhas de água.
Por estas razões, as colmeias enxameiam muito e muito cedo, logo a partir de meados de Fevereiro. Pior que isto é o facto do aumento de efectivos nesta região há muito se fazer pela captura de enxames, o que tem seleccionado esta característica. A maioria dos apicultores duplica o número de colónias durante a Primavera, à custa de fortes perdas na produção.
Com a chegada do Verão, a segunda parte do problema, não há néctares disponíveis nesta estação. Segue-se um período de forte mortalidade, as colónias velhas não tiveram tempo de refazer as reservas e populações e com as novas passa-se o mesmo. A ausência de floração mantém as abelhas na colmeia, a inactividade aumenta a longevidade dos insectos doentes e a proximidade das outras leva ao fácil contágio das moléstias.
Cheguei a visitar apiários em várias horas do dia em que nos podíamos passear sem equipamento frente às colmeias, o movimento de abelhas era mesmo nulo.
Os efectivos muito aumentados na Primavera eram agora reduzidos aos números iniciais. Quando se faziam declarações de existências em Junho e Dezembro, o gráfico ao longo dos anos parecia um serrote por causa do sobe e desce. O pior é que as produções de mel eram muito reduzidas por causa da enxameação:

A única forma de resolver este problema passava pela proposta aos apicultores no sentido de fazerem o CONTROLO DE ENXAMEAÇÃO durante o período crítico. Este processo levado a bom termo, impedindo a saída de abelhas, aumentaria as produções de mel.
Finda a Primavera o apicultor poderia então optar por fazer DESDOBRAMENTOS, para aumentar os efectivos e TRANSUMÂNCIA para regiões com flora de Verão. A Transumância tornava-se mesmo uma necessidade no caso da opção pelos desdobramentos, pelos motivos óbvios.
Houve apicultores que modificaram o tipo de maneio neste sentido e com óptimos resultados.

Do gráfico (e proposta) anteriores ressaltam duas tarefas difíceis de executar, seja pela morosidade, dificuldade física (para apicultores idosos) e alguma incerteza nos resultados. Trata-se, claro está, do Controlo de Enxameação e até da Transumância.
O Controlo de Enxameação mais vezes se baseia na fé que em métodos fiáveis. Tal como o tentarei demonstrar no próximo “post”, ou se seleccionam colónias sem tendência para enxamear ou lutaremos para sempre contra este problema.
Podemos optar por uma abordagem diferente, que nos evitará o stress do Controlo de Enxameação: o maneio é em tudo semelhante ao anterior, apenas fazemos os desdobramentos no início da Primavera, em meados de Fevereiro.
As colónias iniciais também “perdem” abelhas neste processo, mas aumentamos os efectivos sem riscos de perder abelhas (de facto) e sem a necessidade de fazer sentinela no apiário durante semanas (meses?) à espera dos ditos enxames.

De ressalvar uma grande vantagem deste método: os desdobramentos operados nesta data, extensível até meados de Março, apresentam uma taxa de sucesso muito superior aos feitos no fim da Primavera, depois da cresta. A criação de rainhas, inerente aos desdobramentos, encontra muito melhores condições de humidade, temperatura, disponibilidade de pólen e néctar no início da Primavera que à entrada do Verão.
Como devem calcular, esta abordagem irá custar alguns kg de mel à produção de Primavera, mas se os enxames escaparem ainda é pior. O ano passado fiz 20 desdobramentos em meados de Fevereiro, que me produziram exactamente 200kg de mel, uma alça por cada uma das novas colónias. As colmeias que ficaram com a rainha produziram em média uma e meia a duas alças por colónia. Já no Verão, no Girassol, cada colmeia produziu uma alça de mel. Não foi grande produção, mas o ano também não foi excepcional, e a minha zona é diferente de Ponte de Sor.
Avis, Sousel, e Fronteira: Muita flora de Primavera e ou Verão, em detrimento do Inverno.
Nesta região, à semelhança da anterior, também se verifica uma oscilação nas existências dos apicultores. A diferença é que se parte de um Inverno mais pobre em floração, o que vai atrasar os acontecimentos registados no caso anterior.
A flora é semelhante à de Ponte de Sor, havendo no entanto menos Alecrim e Salgueiros, o que empobrece bastante as fontes de néctar da estação fria. Já o Verão é bem mais acolhedor dada a disponibilidade da Melada de Azinho, o Cardo e o Girassol. Nas Primaveras chuvosas (parte final) a Soagem possibilita grandes colheitas de mel.
Podemos até afirmar que os solos mais argilosos, fazem com que a vegetação continue produtiva mesmo nos anos secos, salvo no caso da Soagem e do Cardo (herbáceas), cujas raízes não têm o rendimento das arbustivas.
O ano apícola inicia-se com colónias muito fracas, resultado de um Inverno rigoroso e sem flores. A enxameação só acontece durante os meses de Abril e Maio, uma vez que as colónias usam os néctares de Primavera (Rosmaninho) para se dimensionarem (encherem o ninho).

O “sobe e desce” dos efectivos é em tudo semelhante à região anterior, menos acentuada e desfasada no tempo. O mesmo já não se pode dizer das produções de mel e da mortalidade acentuada, pois o prolongamento da época produtiva com muita flora de Verão possibilita crestas razoáveis de méis escuros (durante o mês de Agosto), tal como boas reservas para as colónias enfraquecidas com a enxameação.
No gráfico acima podemos ver duas interrogações: 1 – Alimentação Estimulante e 2 – Transumância. A primeira deve-se ao facto de boa parte dos apicultores ainda não a fazerem, a segunda porque a deslocação de colónias pode ou não justificar-se consoante o local onde o apicultor tenha os assentamentos.
Esta “apicultura” também pode e deve ser maximizada em termos de produções:

Como se pode observar no gráfico anterior, a ministração de Alimento Artificial Estimulante a partir de finais de Janeiro, não só dimensionará as colónias como possibilitará a prática de desdobramentos durante o mês de Fevereiro (finais) e Março.
IMPORTANTE: Em teoria tudo é possível, mas admitamos que na prática estimular as abelhas tão cedo é, ou pode ser, muito arriscado. Esta decisão é sempre uma das mais difíceis que tomo. Imaginem que temos dias soalheiros em Janeiro, estimulamos as colónias e “surge-nos” um Fevereiro (ou Março), frios e chuvosos. As colmeias cheias de criação (com as reservas sempre no limite, e sem espaço para elas) podem colapsar em pouco dias se não forem mais alimentadas. Torna-se assim um ciclo vicioso...
Quando preparo o alimento artificial estimulante (líquido) para esse efeito, costumo fazer também um “seguro”, preparando boa quantidade de alimento de manutenção (sólido). Caso a meteorologia não colabore terei de travar o estímulo com alimento sólido, o que felizmente nunca foi necessário...
Mas voltando ao gráfico, e assumindo que o S. Pedro vai ajudar, podemos fazer os ditos desdobramentos com boa taxa de sucesso. Tal acção alivia-nos muito o controlo de enxameação, fenómeno que é muito potenciado após as sessões de alimento estimulante.
Verifica-se uma ligeira mortalidade durante a Primavera (Mortalidade 1), o que se justifica com o facto de alguns desdobramentos não terem corrido bem: não criaram rainha, a rainha não foi fecundada ou foi morta no voo nupcial...
Mais uma vês a transumância. Raramente (nesta região) um bom local de Primavera será um bom local de Verão, convém ponderar nesta hipótese. Eu opto sempre pelo “sim”, até porque as distâncias maiores raramente vão além dos 20 ou 30 km, e é uma garantia para os desdobramentos mais atrasados.
O controlo de enxameação ou os desdobramentos e a transumância permitem duas crestas anuais, o que acaba por tornar este tipo de apicultura muito compensadora, para não falar nas vantagens de manter as colónias activas a maior parte do ano.
Já no Inverno torna-se necessária (determinante) a alimentação artificial de manutenção, com os ditos alimentos sólidos, uma vez que a flora desta região pouco ou nada ajuda nesse período. E quando o Eucalipto ajuda, (mau sinal), trata-se de um Inverno demasiado quente com consequências piores ainda na Primavera...
A Mortalidade 2, refere-se obviamente a perdas durante o período frio, acho que incontornáveis, o regresso da transumância do Girassol prega-nos sempre algumas partidas e os rigores da estação também ajudam à festa...
Neste “post” reporto-me a duas regiões bem definidas, mas as observações podem ser extrapoladas para tantos outros locais do país com condições semelhantes.
Ninguém constrói uma vacaria e deixa as portas abertas à espera que as vacas caiam do céu, quem as quiser tem de as pagar... caras. Já a apicultura é uma das actividades com menores custos iniciais. Os enxames não “caem” do céu, mas é pelos céus que se dirigem em todas as direcções para povoar quantas caixas e cortiços os apicultores preparem para o efeito.São ainda o cartão de visita de qualquer abelheiro, não há apicultor digno desse nome que não guarde na memória as peripécias que passou para capturar uns quantos enxames. Para não falar da forma como contam essas histórias até à exaustão (de quem os ouve...).
Agora mais a frio, o termo “enxameação” nunca trás nada de bom, perdem-se abelhas (muitas abelhas), perde-se potencial produtivo e consequentemente o mel e os lucros.
É sob essa óptica que vou tentar relatar como se processa tal fenómeno em duas regiões próximas mas distintas e como isso afecta toda a apicultura local.
Ponte de Sor: Muita Flora de Inverno e Primavera, em detrimento do Verão.
É uma região caracterizada por extensas herdades com montado de sobro, cruzada pelo rio Sor e imensas linhas de água. O solo é essencialmente arenoso, muito sujeito à erosão pelos ventos e águas de escorrência. O mato que o cobre, de importância apícola, compreende sobretudo o Rosmaninho, Estevas, Alecrim, e algumas Ericácias entre outras espécies menos abundantes.
Apesar da flora mais importante ser de porte arbustivo, cujos sistemas radiculares são mais resistentes à seca, a ausência de chuvas Primaveris depressa interrompe a produção de néctares, por causa da fraca capacidade de retenção de água dos solos arenosos.
O ano apícola em Ponte de Sor inicia-se após um Inverno normalmente rico em fontes de néctar, o que se traduz em colmeias populosas e dimensionadas muito cedo. Este estímulo, que evita a alimentação artificial na estação fria, deve-se ao Alecrim, a algumas matas de Eucalipto e sobretudo à prolificidade de Salgueiros que acompanham as linhas de água.
Por estas razões, as colmeias enxameiam muito e muito cedo, logo a partir de meados de Fevereiro. Pior que isto é o facto do aumento de efectivos nesta região há muito se fazer pela captura de enxames, o que tem seleccionado esta característica. A maioria dos apicultores duplica o número de colónias durante a Primavera, à custa de fortes perdas na produção.
Com a chegada do Verão, a segunda parte do problema, não há néctares disponíveis nesta estação. Segue-se um período de forte mortalidade, as colónias velhas não tiveram tempo de refazer as reservas e populações e com as novas passa-se o mesmo. A ausência de floração mantém as abelhas na colmeia, a inactividade aumenta a longevidade dos insectos doentes e a proximidade das outras leva ao fácil contágio das moléstias.
Cheguei a visitar apiários em várias horas do dia em que nos podíamos passear sem equipamento frente às colmeias, o movimento de abelhas era mesmo nulo.
Os efectivos muito aumentados na Primavera eram agora reduzidos aos números iniciais. Quando se faziam declarações de existências em Junho e Dezembro, o gráfico ao longo dos anos parecia um serrote por causa do sobe e desce. O pior é que as produções de mel eram muito reduzidas por causa da enxameação:

A única forma de resolver este problema passava pela proposta aos apicultores no sentido de fazerem o CONTROLO DE ENXAMEAÇÃO durante o período crítico. Este processo levado a bom termo, impedindo a saída de abelhas, aumentaria as produções de mel.
Finda a Primavera o apicultor poderia então optar por fazer DESDOBRAMENTOS, para aumentar os efectivos e TRANSUMÂNCIA para regiões com flora de Verão. A Transumância tornava-se mesmo uma necessidade no caso da opção pelos desdobramentos, pelos motivos óbvios.
Houve apicultores que modificaram o tipo de maneio neste sentido e com óptimos resultados.

Do gráfico (e proposta) anteriores ressaltam duas tarefas difíceis de executar, seja pela morosidade, dificuldade física (para apicultores idosos) e alguma incerteza nos resultados. Trata-se, claro está, do Controlo de Enxameação e até da Transumância.
O Controlo de Enxameação mais vezes se baseia na fé que em métodos fiáveis. Tal como o tentarei demonstrar no próximo “post”, ou se seleccionam colónias sem tendência para enxamear ou lutaremos para sempre contra este problema.
Podemos optar por uma abordagem diferente, que nos evitará o stress do Controlo de Enxameação: o maneio é em tudo semelhante ao anterior, apenas fazemos os desdobramentos no início da Primavera, em meados de Fevereiro.
As colónias iniciais também “perdem” abelhas neste processo, mas aumentamos os efectivos sem riscos de perder abelhas (de facto) e sem a necessidade de fazer sentinela no apiário durante semanas (meses?) à espera dos ditos enxames.

De ressalvar uma grande vantagem deste método: os desdobramentos operados nesta data, extensível até meados de Março, apresentam uma taxa de sucesso muito superior aos feitos no fim da Primavera, depois da cresta. A criação de rainhas, inerente aos desdobramentos, encontra muito melhores condições de humidade, temperatura, disponibilidade de pólen e néctar no início da Primavera que à entrada do Verão.
Como devem calcular, esta abordagem irá custar alguns kg de mel à produção de Primavera, mas se os enxames escaparem ainda é pior. O ano passado fiz 20 desdobramentos em meados de Fevereiro, que me produziram exactamente 200kg de mel, uma alça por cada uma das novas colónias. As colmeias que ficaram com a rainha produziram em média uma e meia a duas alças por colónia. Já no Verão, no Girassol, cada colmeia produziu uma alça de mel. Não foi grande produção, mas o ano também não foi excepcional, e a minha zona é diferente de Ponte de Sor.
Avis, Sousel, e Fronteira: Muita flora de Primavera e ou Verão, em detrimento do Inverno.
Nesta região, à semelhança da anterior, também se verifica uma oscilação nas existências dos apicultores. A diferença é que se parte de um Inverno mais pobre em floração, o que vai atrasar os acontecimentos registados no caso anterior.
A flora é semelhante à de Ponte de Sor, havendo no entanto menos Alecrim e Salgueiros, o que empobrece bastante as fontes de néctar da estação fria. Já o Verão é bem mais acolhedor dada a disponibilidade da Melada de Azinho, o Cardo e o Girassol. Nas Primaveras chuvosas (parte final) a Soagem possibilita grandes colheitas de mel.
Podemos até afirmar que os solos mais argilosos, fazem com que a vegetação continue produtiva mesmo nos anos secos, salvo no caso da Soagem e do Cardo (herbáceas), cujas raízes não têm o rendimento das arbustivas.
O ano apícola inicia-se com colónias muito fracas, resultado de um Inverno rigoroso e sem flores. A enxameação só acontece durante os meses de Abril e Maio, uma vez que as colónias usam os néctares de Primavera (Rosmaninho) para se dimensionarem (encherem o ninho).

O “sobe e desce” dos efectivos é em tudo semelhante à região anterior, menos acentuada e desfasada no tempo. O mesmo já não se pode dizer das produções de mel e da mortalidade acentuada, pois o prolongamento da época produtiva com muita flora de Verão possibilita crestas razoáveis de méis escuros (durante o mês de Agosto), tal como boas reservas para as colónias enfraquecidas com a enxameação.
No gráfico acima podemos ver duas interrogações: 1 – Alimentação Estimulante e 2 – Transumância. A primeira deve-se ao facto de boa parte dos apicultores ainda não a fazerem, a segunda porque a deslocação de colónias pode ou não justificar-se consoante o local onde o apicultor tenha os assentamentos.
Esta “apicultura” também pode e deve ser maximizada em termos de produções:

Como se pode observar no gráfico anterior, a ministração de Alimento Artificial Estimulante a partir de finais de Janeiro, não só dimensionará as colónias como possibilitará a prática de desdobramentos durante o mês de Fevereiro (finais) e Março.
IMPORTANTE: Em teoria tudo é possível, mas admitamos que na prática estimular as abelhas tão cedo é, ou pode ser, muito arriscado. Esta decisão é sempre uma das mais difíceis que tomo. Imaginem que temos dias soalheiros em Janeiro, estimulamos as colónias e “surge-nos” um Fevereiro (ou Março), frios e chuvosos. As colmeias cheias de criação (com as reservas sempre no limite, e sem espaço para elas) podem colapsar em pouco dias se não forem mais alimentadas. Torna-se assim um ciclo vicioso...
Quando preparo o alimento artificial estimulante (líquido) para esse efeito, costumo fazer também um “seguro”, preparando boa quantidade de alimento de manutenção (sólido). Caso a meteorologia não colabore terei de travar o estímulo com alimento sólido, o que felizmente nunca foi necessário...
Mas voltando ao gráfico, e assumindo que o S. Pedro vai ajudar, podemos fazer os ditos desdobramentos com boa taxa de sucesso. Tal acção alivia-nos muito o controlo de enxameação, fenómeno que é muito potenciado após as sessões de alimento estimulante.
Verifica-se uma ligeira mortalidade durante a Primavera (Mortalidade 1), o que se justifica com o facto de alguns desdobramentos não terem corrido bem: não criaram rainha, a rainha não foi fecundada ou foi morta no voo nupcial...
Mais uma vês a transumância. Raramente (nesta região) um bom local de Primavera será um bom local de Verão, convém ponderar nesta hipótese. Eu opto sempre pelo “sim”, até porque as distâncias maiores raramente vão além dos 20 ou 30 km, e é uma garantia para os desdobramentos mais atrasados.
O controlo de enxameação ou os desdobramentos e a transumância permitem duas crestas anuais, o que acaba por tornar este tipo de apicultura muito compensadora, para não falar nas vantagens de manter as colónias activas a maior parte do ano.
Já no Inverno torna-se necessária (determinante) a alimentação artificial de manutenção, com os ditos alimentos sólidos, uma vez que a flora desta região pouco ou nada ajuda nesse período. E quando o Eucalipto ajuda, (mau sinal), trata-se de um Inverno demasiado quente com consequências piores ainda na Primavera...
A Mortalidade 2, refere-se obviamente a perdas durante o período frio, acho que incontornáveis, o regresso da transumância do Girassol prega-nos sempre algumas partidas e os rigores da estação também ajudam à festa...
Neste “post” reporto-me a duas regiões bem definidas, mas as observações podem ser extrapoladas para tantos outros locais do país com condições semelhantes.
Varroose na Idade Média: Parte II
Afinal não foi necessário o laboratório de referência...O sacristão de serviço desvendou (quase) todo o mistério. Como também é apicultor, resolveu guardar o medicamento que lhe sobrou na dita caixa, à revelia do Padre. O seguro morreu de velho: como se tratava de uma substância tóxica guardou-a numa caixa onde há séculos ninguém mexia, mais vale prevenir...
Quanto à Cruz dos Templários, foi uma coincidência engraçada, usou cartão canelado da embalagem de uma conhecida marca de lixívia que usa a dita Cruz como logotipo.
Faltou-me resolver a assinatura do bispo, mas... o que seria da nossa apicultura se não fossem estes mistérios ???
Perdoem-me lá mais esta...!!!
01 abril, 2009
Varroose na Idade Média ???
Apetece responder que sim, ou pelo menos os factos parecem confirmá-lo...
É do conhecimento geral que esta moléstia só entrou em Portugal em meados da década de 1980, pouco depois de ter infestado toda a Europa.
Mas... na semana passada, durante uma visita de rotina às colmeias do Padre Gervásio Pinote, pároco de uma das freguesias do concelho de Avis, deparo-me com esta estranha mas grandiosa descoberta:
Uma tira acaricida, muito velha e ornamentada com a cruz da Ordem dos Templários!!!, onde se pode também observar uma assinatura quase ilegível.
A principio nem me surpreendeu, ou não fosse o dito padre comunicar-me que a caixa de onde a retirei ninguém lhe mexia há uns três ou quatro séculos. O cheiro apesar de vestigial não deixava dúvidas: tratava-se de “amitraz” a conhecida substância activa do “acadrex”, medicamento clandestino usado no combate à Varroose. Isto foi mais tarde confirmado pelo Zanganeiro, nome fictício do produtor local deste medicamento, e a seu pedido por recear consequências maiores, cujo olfacto detecta tal produto a quilómetros.
O Sr. Padre Pinote ainda comparou a assinatura, ou o que resta dela, com outras existentes em velhos documentos da paróquia, e acreditem ou não, assemelha-se muito à de um bispo que viveu entre 1302 e 1386.
Existiria de facto tal parasitose nas abelhas medievais? E já havia tratamento para ela? Porque razão a ornamentaram com a cruz dos Templários? E porquê assinatura do bispo da época? Seria ele o responsável pelo Programa Apícola desses tempos?
De facto, sempre que me falam no Programa Apícola só me ocorrem “coisas” Medievais, mas assim? Perdoem lá esta do dito Programa, mas a excitação de tal descoberta está a mexer muito comigo...
Ponto da situação: A tira de cartão foi anteontem enviada para um laboratório de referência, onde irão tentar aferir a data em que tal objecto foi feito.
Logo que tenha notícias... já sabem!
É do conhecimento geral que esta moléstia só entrou em Portugal em meados da década de 1980, pouco depois de ter infestado toda a Europa.Mas... na semana passada, durante uma visita de rotina às colmeias do Padre Gervásio Pinote, pároco de uma das freguesias do concelho de Avis, deparo-me com esta estranha mas grandiosa descoberta:
Uma tira acaricida, muito velha e ornamentada com a cruz da Ordem dos Templários!!!, onde se pode também observar uma assinatura quase ilegível.
A principio nem me surpreendeu, ou não fosse o dito padre comunicar-me que a caixa de onde a retirei ninguém lhe mexia há uns três ou quatro séculos. O cheiro apesar de vestigial não deixava dúvidas: tratava-se de “amitraz” a conhecida substância activa do “acadrex”, medicamento clandestino usado no combate à Varroose. Isto foi mais tarde confirmado pelo Zanganeiro, nome fictício do produtor local deste medicamento, e a seu pedido por recear consequências maiores, cujo olfacto detecta tal produto a quilómetros. O Sr. Padre Pinote ainda comparou a assinatura, ou o que resta dela, com outras existentes em velhos documentos da paróquia, e acreditem ou não, assemelha-se muito à de um bispo que viveu entre 1302 e 1386.
Existiria de facto tal parasitose nas abelhas medievais? E já havia tratamento para ela? Porque razão a ornamentaram com a cruz dos Templários? E porquê assinatura do bispo da época? Seria ele o responsável pelo Programa Apícola desses tempos?
De facto, sempre que me falam no Programa Apícola só me ocorrem “coisas” Medievais, mas assim? Perdoem lá esta do dito Programa, mas a excitação de tal descoberta está a mexer muito comigo...
Ponto da situação: A tira de cartão foi anteontem enviada para um laboratório de referência, onde irão tentar aferir a data em que tal objecto foi feito.
Logo que tenha notícias... já sabem!
Subscrever:
Mensagens (Atom)





