09 novembro, 2009

Apicultura no Parque Nacional da Peneda - Gerês

Antes de mais, não fiquem à espera de um artigo de fundo, completo e exaustivo, sobre o assunto do título. Se por um lado a minha curta estadia no local não me permitiu ir mais longe, por outro, também não encontrei nenhum apicultor activo com quem falar, além do Sr. Pires das “Corpelas dos Cortiços”.
No entanto, aproveitei o que tinha à mão, fossem os apiários que encontrava nos passeios pela serra, a flora que muito me impressionou e outras ilações que fui tirando durante a viagem.
Na pior das hipóteses, e à falta de informações mais interessantes, apreciem as imagens que à partida me parecem sugestivas de um lugar com fortes aptidões apícolas.
Comecemos pelos Castanheiros, abundantes e responsáveis pela produção do característico mel de Castanheiro e Urze, de cor escura e com sabores e aromas inconfundíveis, que tanto aprecio.

Nunca antes visitara esta região, mas já contava com a presença dos Medronheiros que decerto terão bastante influência nas características do Mel do Gerês:

Esta vegetação sempre me impressionou, porque tal como a Laranjeira conseguem apresentar o fruto e a flor da próxima geração em simultâneo.

E agora, talvez uma das fontes de néctar mais importantes para a apicultura da Serra do Gerês, a Urze, tal como o Medronheiro é da família das Ericaceas.
Encontrei grandes extensões desta vegetação (creio que já na fase final) e não me cansei de lhes tirar fotografias, gosto do aspecto da flor e são muito raras na minha região.

São muitas as espécies e variedades em Portugal e impressionam-me sobretudo os nomes vernáculos: Urze, Queiró, Morganiça, Mongoiriça, Mangoiriça, etc…

As próximas duas flores têm “ar” de espécies protegidas, não me são estranhas, mas desconheço-lhes o nome.
Alguém sabe do que se trata? Têm alguma importância do ponto de vista apícola?
Pelo menos parecem-me bastante bonitas e atractivas para as abelhas…

O Tojo é uma “velha conhecida”, muito abundante no meu Alentejo, não sei se se trata da mesma espécie mas creio que sim.
Para uns apicultores é muito importante para as abelhas, como primeira flora de Inverno (no Sul), para outros não tem qualquer importância. Para mim digo que “quem não tem cão caça com gato”, onde as abelhas não têm outra alternativa o Tojo é o melhor petisco…

Esta é que eu não estava à espera, uma Cistacea (família a que pertencem as Estevas), julgava-a uma espécie de climas mais Mediterrânicos, mas como existem tantas espécies e variedades… Na minha região florescem só na Primavera.
Aqui só vi uma, esta que fotografei!

Alguns dos apiários que encontrei pelo caminho. Trata-se de um tipo de estrutura que a qualquer apicultor nunca passa despercebida, mesmo quando vamos a conduzir.
Aquele conjunto de formas geométricas cúbicas e de aspecto muito colorido, a contrastar com a vegetação, chamam-nos sempre a atenção: “Olha, lá está mais um…”
Ainda andei uns dias a pensar nos apicultores proprietários e no esforço que deveriam fazer aquando das crestas, com as alças carregadas por caminhos tão… impraticáveis…
Mas a zona pareceu-me ser muito boa para a prática da apicultura.

No próximo apiário, parabéns ao proprietário pelo aspecto saudável das colónias, pelo menos pela frequência e abundância com que as abelhas entravam e saiam das colmeias.

No entanto, para fotografar o dito apiário devo ter “violado” alguma regra local, tive que parar o carro na berma de estrada e não andei meia dúzia de metros quando se me deparou a placa da imagem seguinte:

Gostei do local e da disposição em “cascata” do próximo apiário. Se por um lado dificulta o acesso aos “amigos do alheio”, o proprietário também deve penar para se aproximar dele…

Sem desmérito de tudo o que vi e relatei até então sobre a apicultura do Gerês, o próximo aspecto foi o que mais invejei. Se pudesse teria trazido umas quantas para “plantar” um pouco por todo o Alentejo…
Não calculam o número de vezes que enchi e despejei os cantis para provar esta e aquela e mais aquela ainda. A Água, o verdadeiro tesouro desta região! Que pena não ser assim em todo o lado…

Fica a promessa para uma segunda visita, mais demorada, onde espero acompanhar alguns apicultores na sua labuta e apresentar uma notícia completa e digna dessa magnífica região que é o Parque Nacional da Peneda – Gerês.

06 novembro, 2009

Avis mellifera 2009 - O Programa

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No seguimento do trabalho iniciado em 2008, o Avis mellifera 2009 pretende continuar com a melhoria e divulgação da apicultura da região.
Este ano, o tema central será a Diversificação da Produção Apícola, tentando com isso estimular os apicultores para rentabilização das explorações com outras mais-valias da colmeia, que não só o mel.
Para tal, foram convidados especialistas nas mais diversas áreas, entenda-se Produtos da Colmeia, cuja experiência deverá sensibilizar os apicultores presentes para a importância desta temática, onde se espera concluir que o trabalho das abelhas vai muito para além da produção do mel...

Para mais informações sobre o evento deverá contactar:
Joaquim Pífano: 965818250 / montedomel@gmail.com
Dália Peças: 965778681 / daliapecas@gmail.com

05 novembro, 2009

Avis mellifera 2009

FALTAM 30 DIAS, É "JÁ" NO SÁBADO 5 DE DEZEMBRO 2009
Este ano com diversas novidades, o Programa deve ser publicado até ao fim de semana...

04 novembro, 2009

Alimentadores Artificiais Colectivos e Individuais: BRASIL

Depois da “passagem” do Minho para o Algarve, vamos até S. Paulo no Brasil. A descida das temperaturas e o mau tempo que se começa a fazer sentir na nossa região já nos faz sonhar com climas mais paradisíacos…

Há cerca de um mês atrás, na minha troca habitual de E.mail’s com o amigo Carlos Correa de Guarulhos – SP – Brasil, revelou-me a existência de umas estruturas peculiares para ministrar alimento artificial às abelhas.
O que mais me impressionou é que um desses alimentadores está concebido para conter alimento sólido para as abelhas (farinhas de milho, trigo, soja, pólen, etc.) …
Mas comecemos pelo início, um dos alimentadores colectivos é para xaropes líquidos, constituído por um bidão de plástico (tipo banheira) obtido a partir de um depósito de plástico cortado em dois.
O alimentador, colocado no chão perto do apiário, é fixo entre quatro pilares que suportam simultaneamente uma chapa ondulada, que serve de sombreiro, com dois blocos de cimento em cima para não ser arrastada pelo vento. O telhado de chapa ondulada serve principalmente para a evitar a entrada de água da chuva, não esqueçamos que se trata de um clima tropical, e o excesso de água iria diluir o xarope tornando-o menos atractivo ou até fermentá-lo.
Esse depósito é cheio com mato (além do xarope açucarado) para que as abelhas não se afoguem:

Em Portugal, e sobretudo nos últimos anos, cada vez são mais desaconselhados e menos usados os alimentadores colectivos, visto que o seu uso pode fomentar a pilhagem. Já são muito raros os que encontro no campo, desde a habitual lata ou panela, até ao canal feito com telhas que os apicultores enchem com xaropes à base de mel, açúcar e sumos de fruta.
Voltando ao nosso assunto, o que mais me surpreendeu foi uma segunda fotografia, semelhante à anterior mas com uma nova montagem: o Alimentador Colectivo para Alimentos Sólidos:

Obtém-se colocando um suporte sobre o primeiro alimentador, e por cima um recipiente semelhante mas de menores dimensões. A curiosidade tem a ver com o estranho alimentador feito em lata que é colocado no interior do recipiente de cima. É nesta lata modificada que se colocam as referidas farinhas (secas) ou o pólen (também seco) e que acabam por ser muito procuradas pelas abelhas…

Como se constrói o Alimentador Colectivo para Pólen e Farinhas?

1. Começa por usar-se uma lata reciclada, vazia, (quadrada, neste caso) onde se abre uma porta lateral para colocar as farinhas no interior, e obviamente para a entrada e saída das abelhas:

2. Na parte superior da lata (na tampa), são abertos quatro orifícios, um a cada canto, para a saída de ar quente provocado pelo esvoaçar das abelhas no interior. Caso contrário boa parte da farinha em suspensão no ar seria expulsa pela entrada principal perdendo-se, com a entrada e saída intempestiva das abelhas e principalmente pelo bater de asas no interior da lata:

Segundo Carlos Correa, as abelhas entram na lata, batem as asas levantando nuvens de pó (farinha mais fina) recolhendo-a em suspensão no ar, agregando-a depois em pelotas nas corbículas (nas patas) e transportando-a para a colmeia como o pólen “natural” que colectam nas flores. A farinha é assim recolhida em voo, enquanto umas abelhas desmancham o monte de farinha batendo as asas, outras recolhem-na em suspensão no ar.

3. Agora um dos pormenores mais importantes: a (s) farinhas (s) e ou pólen a utilizar, não são meramente despejados no interior da lata - alimentador. Há algum cuidado, ou melhor um truque na sua colocação. As farinhas são compactadas manualmente contra a parede de trás da lata, formando um monte em diagonal entre o fundo e a parede de trás como se pode ver na próxima imagem:

Esta informação já tinha sido visto num dos esquemas anteriores, na imagem 4.
Desta forma, as abelhas recolhem apenas a farinha e o pólen mais fino, uma vez que com o bater de asas e desfazendo o montão, colocam a farinha em suspensão mais facilmente, deixando as partículas maiores no fundo da lata. Periodicamente o apicultor volta a compactar as farinhas diagonalmente e repete-se o processo, até ao consumo total (ou quase) de todo o alimento sólido.

Alguma farinha que saia acidentalmente pela entrada das abelhas (buraco maior, lateralmente na lata) ainda é reaproveitada pois cai dentro da tina mais pequena, aí colocada para o efeito, onde se encontra a lata:

Segundo Carlos Correa, esta modalidade de alimentar as abelhas é usada em duas situações: para uma alimentação normal em caso de carências nutritivas, e para preparar/ “treinar” as abelhas para a recolha/produção de pólen.
Como é produtor de pólen, para preparar as abelhas para esta tarefa, normalmente começa por lhe colocar o alimentador com as farinhas (como se fosse um treino ou uma preparação) e só depois começam a colectar o pólen nas flores.
Usa preferencialmente farinhas de milho, trigo, cevada e mandioca, visto que a farinha de soja e o próprio pólen de refugo são demasiado caros. Há quem use levedura de cerveja na mistura, o que ainda encarece mais.

Sempre que forneço pólen às minhas abelhas, tenho de o misturar com algo mais atractivo como o mel e xarope de açúcar, com todo o trabalho e confusão que já descrevi numa série de posts.
Por isso não me contive e acabei por perguntar ao Carlos porque carga d’ água, as abelhas dele se sentiam tão atraídas pela farinha seca e simples…?
Ele confessou-me que para facilitar o processo e tornar o alimento seco mais atractivo, antes de colocar as farinhas na lata unta-lhe todo o interior com mel ou outro xarope açucarado, o que atrai mais facilmente as abelhas. O facto de colocar a tina mais pequena sobre a do xarope líquido (onde as abelhas já estão habituadas a ir) também ajuda n o processo) mas mesmo assim não estou a ver as minhas abelhas …

Como se pode ver na segunda imagem, este alimentador (para sólidos) pode ser combinado com o alimentador maior para xaropes açucarados, sobrepondo-se-lhe.

Estes alimentadores podem ser usados em qualquer altura do ano, mas fazem-no preferencialmente na entrada do Inverno e da Primavera (quando o pólen ainda é escasso). Uma inspecção cuidadosa ao interior da colmeia (favos) indicará ao apicultor a melhor oportunidade para alimentar.

Curiosidade: nesta região do Brasil existe uma árvore chamada “Barba Timão”, cujo pólen é muito tóxico provocando a mortalidade das abelhas. O Carlos referiu-me terem morrido muitas colónias a um amigo dele durante essa produção de pólen, o que ele conseguiu evitar alimentando-as com as referidas farinhas.

Perguntei ao apicultor porque razão a farinha não era apenas colocada dentro da lata, mas sim prensada na diagonal num formato tão peculiar. Respondeu-me que o truque era esse, só dessa forma as abelhas conseguem fazer “nuvens” de farinha no interior da lata para que as outras a pudessem recolher no ar.
Quando o apicultor regressa ao apiário deve levar mais farinha, voltar a compactar tudo e recolher os grânulos mais grossos (que as abelhas não recolhem) e aproveitam-no para dar às galinhas.

O Carlos Correa ainda disse:

“Você se encantaria em ver as abelhas entrando na lata e saindo todas brancas, voando de frente para a lata se penteando e depositando a farinha nas corbiculas e novamente voltando para aumentar o volume das pelotas nas perninhas.
O vento levando ora para direita hora esquerda as abelhas todas branquinhas é encantador, e sem agressividade , já no xarope é melhor despejar no cocho e sair correndo ...”


Outras modalidades de Alimentadores Artificiais, desta vez individuais:

Na continuidade desta conversa, ainda me apresentou outra modalidade de alimentador para xaropes líquidos. Mas tratam-se de alimentadores individuais (um por colmeia) apesar de se encontrarem no exterior.

O alimentador não é mais que uma caixa de madeira impermeabilizada, com uma tampa deslizante e cuja entrada (acesso das abelhas) encaixa e entra pela própria entrada da colmeia (fixando-se na tábua de voo).

Na próxima imagem, podemos observar o dito alimentador desmontado:

Um dos aspectos que achei mais interessante foi a existência de um flutuador de madeira que se coloca dentro do alimentador, descendo à medida que o nível do xarope também desce.
O flutuador tem quatro pregos espetados por baixo, como se fossem pés de apoio, não o deixando assentar totalmente no fundo. Esse pormenor permite às abelhas recolherem o alimento artificial até ao fim, nomeadamente a as partículas mais densas e pesadas.

Agora, outro procedimento muito curioso com a alimentação artificial das abelhas:
Habitualmente, e após a instalação de um apiário (para a produção de rainhas onde o fluxo de néctar tem de ser contínuo), o Carlos usa um método muito peculiar de ministrar o dito alimento às colónias:
Coloca um depósito de plástico de cinco litros de capacidade, cheio de xarope, dentro de uma melgueira (alça) vazia sobre o ninho ou sobre outra alça.
Esta “dose” dá para cerca de 30 dias, desde que se tenham alguns cuidados, nomeadamente a adição de uma colher de ácido cítrico para cada 20 litros de xarope, que deve ferver até aos 100ºC. Após a fervura há que retardar o arrefecimento da mistura, forrando o recipiente (onde se ferveu o xarope) com papelão ou cartão canelado.
O arrefecimento lento permite a inversão dos açúcares, o que resultará numa alimento melhor aceite pelas abelhas e com maior durabilidade sem se alterar (cerca de 30 dias).

Repare-se no pormenor do acesso das abelhas ao xarope no depósito de cinco litros: uma fenda no dito depósito, onde se encaixa um pequeno “cesto” de rede metálica e onde as abelhas podem aceder sem se afogarem.
Este alimentador/depósito é colocado numa alça vazia (sem quadros) colocada sobre outra alça (melgueira) ou directamente sobre o ninho, com diversas vantagens:
A alça sob o alimentador permite o armazenamento do xarope sem que se “roube” espaço no ninho para a postura da rainha. Por outro lado, a alça vazia serve de abrigo ao excesso de abelhas colectoras em dias de chuva ou calor, não atrapalhando o serviço das amas ou “nodrizas”. Muito engenhoso, não?

01 novembro, 2009

O Mel de Laranjeira do ALGARVE

Depois dos cortiços no Minho, vamos agora ao Mel de Laranjeira no Algarve.
Trata-se de um conjunto de perguntas que há muito queria fazer ao meu amigo Chumbinho (Pbinho) e só agora surgiu a oportunidade. O objectivo deste post é dar a conhecer um tipo de mel quase que específico do Algarve (há alguma produção em Alcácer do Sal) e infelizmente desconhecido em quase todo o país…
José Chumbinho, presidente da Assembleia Geral da MELGARBE - Associação de Apicultores do Algarve, que tem mais de 140 associados com um número aproximado de 25.000 colmeias.

MMel: Quantas colmeias tem habitualmente na produção de Mel de Laranjeira?

Pbinho: Aproximadamente 60, que produzem anualmente entre 500 a 900 kg deste tipo de mel.
(Não era suposto referir estes números, pois a Portaria diz que o sector primário não pode vender mais de 500 kg / ano de mel embalado; os políticos é que deviam viver e sustentar uma família com uma reforma como a que eu tenho ao fim de 39 anos de descontos, sem baixas por doença; "foi o que ganhei por não ser velho e já não poder com as botas "; assim serei obrigado a viver com o produto da venda de 500 kg de mel por ano ) e da " reforma choruda que recebo e faz inveja à reforma de qualquer político aposentado que " lamentavelmente nem recebe o suficiente como compensação pelas agruras que sofreu enquanto no activo".


MMel: (aparte) quem conhece o Chumbinho sabe que a resposta anterior é uma resposta -tipo do referido apicultor, pelo que não se admirem com o que vem aí para a frente…

MMel: Passam todo o ano no Pomar ou são transumantes?

Pbinho: Passam todo o ano no pomar; eventualmente poderei deslocar algumas, mas não é um número significativo.

MMel: Onde se situam os principais Pomares de laranjeira?

Pbinho: Num raio de 10 Kms partindo da minha casa em S. João da Venda - Almancil.

MMel: Qual a produção média por colmeia? (de mel de laranjeira).

Pbinho: Muito variável, dependendo do ano e das doenças (principalmente da nosemose)

MMel: Qual o período da floração/produção da laranjeira?

Pbinho: Abril / Maio com um período óptimo de 20 a 25 dias.

MMel: Há outras florações em simultâneo (no mesmo período mas noutros locais) ?

Pbinho: Sim! Há a "ERVA AZEDA ou BOAS NOITES", que é um tipo de trevo espontâneo que infesta todo o Algarve e é de grande importância no Inverno e início de Primavera, nomeadamente para o desenvolvimento das abelhas, para fazerem a criação de preparação para a " grande colheita " e também a "MOSTARDA BRAVA" como aqui se chama e centenas de outras pequenas flores espontâneas e flores de hortícolas, embora predomine sempre a Laranjeira. Normalmente na altura da floração dos citrinos e em zonas mais temporãs, quem tem apiários na Laranjeira, já está farto de fazer desdobramentos e enxames. Eu inicio normalmente os meus desdobramentos a partir do meio de Fevereiro e em alguns apiários mais temporões no fim de Janeiro já faço alguns desdobramentos.

MMel: Se sim, opta pela laranjeira, pelas outras florações ou divide as colmeias?

Pbinho: Opto pela laranjeira, pois é a predominante.

MMel: Em que data se faz a cresta da laranjeira?

Pbinho: Eu faço no mês de Julho.

MMel: Há vantagens (polinização) para o fruticultor?

Pbinho: Sim! Aumenta a produção, a doçura e normaliza o calibre da fruta.

MMel: É convidado/contactado/pago pelo fruticultor para a polinização?

Pbinho: Sou quase que obrigado pelo citricultor (meu amigo), a colocar as colmeias no pomar, pois além da polinização feita às laranjeiras, também polinizam nas estufas: culturas de melão, feijão verde, pimentos, abóboras, courgettes, (morangos no Inverno) etc.

MMel: Há problemas com o fruticultor no caso de hibridações indesejáveis de raças de laranjeiras?

Pbinho: Nunca ouvi falar em tal, nem nunca me foi colocado o problema, pois os citricultores com quem lido, discordam da aplicação de químicos para eliminar sementes e também discordam da aplicação de químicos agressivos para o ambiente e para as espécies animais.
Só tenho a acrescentar que há algum tempo e na qualidade de Presidente da Direcção da Associação MELGARBE, dirigi aos Presidentes das diversas Associações de produtores de Citrinos e outras frutas, bem como ao Presidente de uma Associação de Produtores de Alfarroba, uma carta em que pedia um encontro para se discutir a forma mais racional de atribuir aos apicultores através das Associações, lugares para instalação dos apiários para polinização de modo a que não existissem atropelos entre apicultores, nem envenenamentos de colónias derivados de uma errada aplicação de fitofármacos.
O meu amigo Pífano respondeu-me? Assim me responderam as entidades a quem enderecei a minha missiva. Posteriormente e quando os encontrei em diversas reuniões, "assim de lado perguntei-lhes o porquê do silêncio e a resposta atabalhoada de cada um, foi assim uma coisa do tipo de despachar e não me chateies". Se é assim que diversas Organizações de Agricultores e também porque não, Apicultores funcionam, (vou ali já volto!) ".
Julgo que há que dizer as verdades e "conhecer os bois pelos cornos, como por cá se diz ".


MMel: Há problemas com os pesticidas? Uma vez que se tratam de culturas intensivas…

Pbinho: Não, pois sempre que o citricultor faz os tratamentos, fecha as estufas com rede mosquiteira durante o período de segurança e normalmente trabalha no regime de protecção integrada. Nas laranjeiras, só aplicam pesticidas no Verão na época em que a mosca da fruta danifica as laranjas de " D. João"; assim não há flores nem incompatibilidades entre as aplicações e as abelhas.

MMel: Outros problemas e ou vantagens dos apiários nos pomares

Pbinho: Problemas - Agressões das abelhas a trabalhadores da recolha da fruta, pois essa mão-de-obra normalmente é de pessoal oriundo dos países de Leste e na sua grande maioria são alérgicos, mas "normalmente não há alergia que não se cure com uns frasquitos de mel".
Vantagens - Obtenção de um produto bastante agradável e direccionado para uma clientela específica que gosta de um mel mais doce e com aroma de citrinos.


MMel: Qual o principal (ais) mercado (s) para o mel de laranjeira?

Pbinho: Como o vendo todo embalado tenho clientes fiéis, e a somar a esses, novos se juntam a eles após realizarem provas de sabor nos locais onde vendo o meu mel ao público em geral (feiras e exposições).

MMel: Caracterize-me sumariamente o mel de laranjeira:

Pbinho: Além do sabor e cores características, direi que é um mel com propriedades calmantes devido ao pólen de laranjeira que contém. Para pessoas que gostam de mel cristalizado, é um produto que cristaliza com bastante facilidade e ao ser barrado no pão, dá uma sensação de doçura fresca sem igual.

MMel: Há variedades de laranjeira mais indicadas para a apicultura? (quer em quantidade, quer em qualidade) …

Pbinho: Desconheço…


MMel: Faça-me uma estimativa da produção total de mel de laranjeira no Algarve (ou na sua associação)

Pbinho: Desconheço, pois os apicultores fecham-se e nada dizem sobre a sua vida privada. Há pelo menos 10 grandes apicultores que conheço, os quais básicamente obtêm só 2 colheitas de mel significativas; Laranjeira e Rosmaninho, embora também produzam quantidades significativas de mel de Alfarrobeira, Girassol e Medronheiro. Todos eles têm mais de 800 colmeias, e há pelo menos 3 que possuem acima das 1 500 cada um.

MMel: Faça-me uma estimativa do nº de apicultores a produzir mel de laranjeira no Algarve (ou na sua associação)

Pbinho: Cerca de 80% dos apicultores profissionais o produzem.

MMel: Truques/dicas para a produção de um bom monofloral de laranjeira:

Pbinho: Nos moldes actuais isso é impossível, atendendo a que os pomares se situam em locais onde existem outras florações em simultâneo, embora o mel que se extrai, normalmente só tem sabor a laranjeira, predominando sobre os outros sabores. Neste momento o mel de laranjeira que possuo, sabe inicialmente a laranjeira forte e no final tem um ligeiro travo a abacate.

MMel: Daqui para a frente fica ao seu critério…

Pbinho: É pena que muitos citricultores não pratiquem a sua cultura em Protecção Integrada e não respeitem as directivas sobre proibições de pesticidas durante a floração. Em especial os citricultores que não querem sementes na fruta. Também é de lamentar que não respeitem a actividade dos apicultores nem os compensem pelos dividendos resultantes da polinização feita pelas abelhas que muitas vezes acabam por morrer em resultado dos tratamentos fitossanitários feitos. Há bastantes citricultores que dizem à laia de desdém: “Eu sou criador de laranjas e não de abelhas; quero lá saber!”…
Enquanto existirem indivíduos deste tipo, nada pode ir para a frente condignamente, pois atropelam tudo à sua passagem.


O ideal para este trabalho (Sobre o mel de laranjeira e não só) seria uma visita sua nos próximos 3 meses e assim faria as fotos e perguntas que entendesse. É claro que também haveria qualquer coisa de tradicional para petiscar; será obrigatório nessa visita um rigoroso cumprimento de horário, pois de manhã se começa o dia e ao fim da manhã se almoça e no fim do almoço (lá para as 16 ou 17 horas poderá "endireitar para casa"), ficando com a satisfação de se ter visto livre de um "chato".

MMel: Eu avisei …