21 julho, 2010

Planta Apícola (desconhecida)...

Planta com interesse apícola enviada pelo Octávio Rodrigues.
Caso alguém a conheça/consiga identificar, agradeciamos a informação.
Também já a vi muitas vezes (não sabia que era visitada por abelhas) mas não conheço o nome...

16 julho, 2010

Apicultura na Serra da Estrela

Há muito que trocava mails com o Ricardo de Jesus, acerca da apicultura e sobretudo da sua criação de rainhas. Durante esse tempo o Ricardo falava-me das características apícolas da Serra da Estrela, mas só o pude visitar aquando do segundo aniversário do Forum de Apicultura, em Seia no dia 22 de Maio de 2010.

Tem o apiário na Senhora do Desterro – S. Romão, Concelho de Seia, um local muito agradável, a meia encosta, com pinheiros e carvalhos a emoldurar as colmeias.
Abrimos umas quantas caixas, bem povoadas, onde o Ricardo, orgulhoso, me mostrou algumas rainhas marcadas e com muito bom aspecto, a prová-lo estavam os quadros cheios de criação.

Desde há alguns meses que optou por criar as suas próprias rainhas, tendo construído uma Colmeia Criadeira Horizontal para o efeito:

A colmeia “funciona” com duas câmaras laterais com rainha e uma câmara central, isolada por grades excluidoras de rainhas, onde coloca o quadro porta cúpulas. O princípio deste método baseia-se no fornecimento constante de amas que acedem à câmara central a partir das colmeias laterais. Desta forma é possível produzir rainhas continuamente.

A possibilidade de colocar alças e produzir mel nas câmaras laterais (com rainha) é outra das vantagens deste método, basta para tal que se construam tampos independentes.

Uma vez produzidas as rainhas, entra “em cena” outro equipamento construído pelo Ricardo: um nucléolo de fecundação com seis mini-quadros, sendo um deles um quadro alimentador:

Segundo o apicultor, este nucléolo apresenta uma boa funcionalidade. E de facto, nada podia ser mais verdadeiro: uma jovem rainha recem fecundada fugia apressada sobre o quadro.
Porque digo “recem fecundada” se nem sequer tinha postura?
Resposta: A rainha ainda trazia consigo os “despojos” do acasalamento, o aparelho sexual do zangão encontrava-se na parte terminal do abdómen da abelha, como prova da sua nova condição de fecundidade.

Nunca tinha presenciado tal facto, apesar de muito ter lido e ouvido sobre o assunto…

11 julho, 2010

Mel Directamente no Frasco II

Inspirado por uma página do Monte do mel que apresentava umas abelhas especiais que, elas próprias colocavam o mel nos frascos, para poupar trabalho e despesa ao seu "patrão" - o Sr Vicente Furtado, decidi copiar o modelo e fazer uma prancheta do género!”

Post: Mel Directamente no Frasco, 11/08/2009 Montedomel

http://montedomel.blogspot.com/2009/08/mel-directamente-no-frasco.html

Foi com estas palavras que o Ricardo Pinto me enviou umas quantas imagens acerca da sua interessante montagem de embalagens de vidro sobre uma prancheta.

O resultado, se tivesse resultado, culminaria numas quantas embalagens de mel em favo, com a diferença que este favo seria construído pelas abelhas no próprio frasco. Infelizmente a “coisa” não correu bem, e segundo o Ricardo Pinto o problema poderá ter-se devido a:

- Número exagerado de frascos (25, contra 9 na experiência original).
- Diâmetro da passagem das abelhas para dentro dos frascos (mais reduzido).
- Influência da prancheta e dos frascos no processamento do mel.

Outra desvantagem do aumento do número de frascos:

- Dificuldade em monitorizar o processo de enchimento por causa do excessivo número de embalagens.

São estas “peculiaridades” que tornam a apicultura um dos passatempos mais agradáveis que conheço.
Imaginem que em vez de apicultores éramos vaqueiros, faria sentido “entregar” uma dúzia de pacotes tetra pack a cada vaca para que a mesma se encarregasse de…???

Vejam o que “desencantei” acerca do mesmo post, num fórum apícola da América do Sul:

07 julho, 2010

Metrosideros excelsa, uma “invasora” bem vinda…

Os Metrosíderos são árvores cujo nome vulgar deriva directamente da designação científica do género, Metrosideros estabelecido por Joseph Banks (1743-1820) naturalista inglês e grande mecenas da ciência que participou na primeira viagem de James Cook ao Sul do Pacífico a bordo do Endeavour, considerada a primeira expedição dedicada a fins exclusivamente científicos.
A designação, aponta a uma das principais características destas árvores (e arbustos). A dureza da sua madeira, semelhante ao ferro - sideros, em grego; com o primeiro elemento do nome - metro, do grego metra (útero) a transmitir a ideia de meio, interior, excelsa, do latim excelsus-a-um = alto, pelo porte que alcança.

Os Metrosíderos pertencem à extensa família das Mirtáceas, onde igualmente se incluem os eucaliptos, as murtas, etc. Há cerca de 20 espécies de Metrosíderos, onze das quais são originárias da Nova Zelândia. Em Portugal os mais comuns são os Metrosideros excelsa, sendo este último termo, referente à espécie, indicativo do porte que a árvore pode atingir em plena maturidade: acima dos 20 metros de altura, com copas de mais de 30 metros de diâmetro.
A designação sinónima de Metrosideros tomentosa que esta espécie ainda assume em alguma literatura, refere-se à característica lanugem branca que recobre a página inferior das folhas.
Na Nova Zelândia estas árvores são conhecidas pelo seu nome indígena, neste caso "pohutukawa", o que significa em linguagen maori, "salpicada pelo mar". Em Portugal são conhecidas simplesmente por Metrosídero ou árvore do fogo.

A sua distribuição no arquipélago dos Açores ocorre em todas ilhas excepto no Corvo. São muito resistentes à salinidade por isso são também utilizados nos Açores como sebes vivas, nomeadamente para protecção de bananais e pomares tendo no entanto uma desvantagem: crescimento demasiado lento e muito consumidoras de água e nutrientes. Devido à lentidão do seu crescimento, os fruticultores optam por espécies menos esgotantes como é o caso das Banksias e pelo Incenso (Pittosporum undulatum Vent) também originário da Oceânia mas das áreas húmidas da costa oriental da Austrália.

A espectacular floração produzida pelas inflorescências destas árvores ocorre, nos Açores, desde Maio até início de Julho. Como curiosidade a cor vermelha das flores, por ser semelhante ao azevinho, levou os primeiros colonizadores a utilizarem ramos desta árvores para enfeitarem as suas casas no Natal, sendo que na Nova Zelândia esta árvore é também conhecida por “árvore do Natal” e noutros países por “árvore de Natal da Nova Zelândia".


Estas árvores, apesar de ameaçadas em certas zonas do seu país de origem, são consideradas invasoras noutros países, como é o caso de Portugal – Açores, à semelhança do Incenso.
Observando um Metrosídero em plena floração e num dia de sol radioso ficamos com a plena sensação de que existe um enxame à volta da copa da árvore. Mas não é um enxame. São quantidades incomensuráveis de abelhas à procura de néctar e pólen que existem em grande abundância nas inflorescências do Metrosídero.

Numa breve passagem pelas ruas e avenidas ajardinadas de Angra do Heroísmo, tal como em contextos mais rurais, é notória a importância do Metrosideros. Espécie cada vez mais apreciada pelos apicultores face aos incrementos que induz na produção de mel.

Estames de flores já fecundadas caídos na calçada:

Senão vejam-se alguns números referentes ao Metrosideros excelsa, segundo Schmidt-Adam, 1999 ( http://hdl.handle.net/2292/1102 ):
- Cada inflorescência possui cerca de 14,3 flores hermafroditas que ficam abertas durante sete dias.

- Cada flor produz cerca de 45 microlitros de néctar por dia, néctar com 18% (peso/volume) de sacarose.

No país de origem (Nova Zelândia) são polinizados sobretudo por aves da família Meliphagidae e por algumas espécies de abelhas selvagens.

Apesar do design floral ser muito consistente com a auto-fecundação (Schmidt-Adam, 1999) é fácil perceber o interesse da Apis mellifera pela enorme quantidade de néctar disponibilizada nos nectários. As quantidades de néctar tal como outras características parecem no entanto demonstrar que os polinizadores naturais mais importantes são de facto as referidas aves e não os insectos:

1. Dimensão dos estames, o que torna demasiado longa a distância (para uma abelha) entre as anteras (onde se encontra o pólen) e o nectário, que atrai as abelhas. Supostamente, (e na maioria das espécies polinizadas por abelhas) o design da flor deve fazer com que o corpo da abelha roce pelos grãos de pólen quando acede aos nectários, o que aqui nem sempre se verifica.

2. Dimensão “gigantesca” dos nectários, com produções de néctar proporcionais. Obviamente que se fosse para atrair insectos não havia necessidade por parte da planta para tamanho investimento na disponibilização de néctar.

Tais quantidades são mais compatíveis com animais de maiores dimensões, como as aves.

3. Cor predominante das flores. Não são as pétalas as responsáveis pela cor da flor do Metrosideros, mas sim os estames. De qualquer forma, o vermelho é uma cor que atrai sobretudo as aves e não os insectos. Estes são mais atraídos pela cor azul, amarela e branca, como podem confirmar com a maioria das plantas melíferas da nossa flora.

Estes argumentos não servem de modo algum para desvalorizar tal espécie como excelente produtora de néctar, antes pelo contrário, não havendo polinizadores naturais no arquipélago dos Açores, as abelhas cumprem com agrado essa tarefa. As quantidades de néctar que satisfazem uma única ave, hão-de satisfazer decerto umas largas dezenas (ou centenas?) de abelhas…

Face ao “ódio” que determinados arquitectos paisagistas têm votado a algumas espécies ornamentais, por razões como a alergia aos pólenes, folhas caídas na calçada, entre outros actos de “terrorismo vegetal”, fica a proposta para a utilização geral do Metrosideros. Como é de crescimento lento decerto nunca será uma infestante descontrolada, as folhas são perenes tornando desnecessário contratar jardineiros suplementares. Para nós “abelheiros”, será sem dúvida mais uma importante fonte de néctar, ainda por cima num período considerado de carência em quase todo o país: meados de Maio a princípios de Julho.

Nos Açores, onde já é considerada uma importante espécie melífera, não se produz no entanto qualquer mel monofloral de Metrosideros, sobretudo por razões de maneio apícola. Esta floração surge pouco antes da cresta do Incenso (Pittosporum undulatum Vent.) pelo que se torna difícil separar os méis.
De assinalar o caso da Ilha do Pico, onde muitos apicultores já fazem a cresta do Incenso em Abril/Maio.
Quanto mais tarde se faz a primeira cresta, maior a quantidade de néctar de Metrosideros acumulada ao de Incenso, e consequentemente mais escuro se torna o mel.
Por outro lado, a “concorrência” das imensas variedades de trevo dos prados também dificulta a obtenção de monoflorais da espécie em causa. Fica no entanto a proposta para que se marquem alças e se separem os quadros pela cor, em locais sem trevo, talvez assim se consiga valorizar ainda mais o Metrosideros

Curiosa a forma como estas árvores são tratadas na Ilha de S. Jorge, onde a poda de tão elaborada mais lembra uma tosquia... mais um ponto para a versatilidade do Metrosideros, que não dispensa a ida ao cabeleireiro para uma conveniente recepção às abelhas!!!

António Marques - FRUTERCOOP
Joaquim Pifano - ADERAVIS