O que valeu ainda mais foi o facto de termos a simpática família Rogão à espera, entre muitos outros amigos.
Bayvarol
Thymovar
Apistan
Apivar
Hive Clean
Timol em Placas
Acadrex
Klartan
Ácido Fórmico
Um representante da Direcção Geral de Veterinária, não inscrito nem esperado no evento, surgiu no local da formação com instruções para boicotar os testes com produtos não homologados. A sua presença foi “notoriamente” discreta, apesar do equipamento amarelo que contrastava com os restantes cento e tal brancos.
Fui inclusivamente abordado por um dirigente associativo da região Norte que fez questão que se publicasse o seguinte: “O que se está aqui a fazer hoje é deveras importante para a apicultura nacional, estamos a tentar salvar as abelhas dos produtos homologados sem eficácia e os serviços oficiais aparecem para impedir esse trabalho, quando deviam ser eles próprios a organizar tais iniciativas”
É minha opinião que não deviam ser comercializados nem utilizados quaisquer produtos clandestinos, por razões que de óbvias nem vale a pena adiantar muito mais. Mas quando ouvimos um dirigente associativo, de uma entidade cuja idoneidade é do conhecimento geral afirmar que “…estamos a tentar salvar a apicultura nacional dos produtos homologados sem eficácia (acaricidas para a apicultura)”, é porque algo de grave se está a passar.
Desde há uns bons anos a esta parte que a eficácia dos acaricidas é um assunto pertinente e polémico, sem que no entanto se tenha chegado a alguma conclusão, pelo menos que indique para cada região qual o produto mais eficaz. Pese embora o facto de o Programa Apícola Nacional continuar a gastar uma boa fatia do seu orçamento em medicamentos, na ausência de resposta para esta questão…
Aparte o referido incidente, a formação encheu as medidas a todos os participantes, e divertimo-nos como só se divertem mais de cem apicultores em simultâneo num apiário.
Continuando a sessão:
Os testes de contagem de varroas, nomeadamente da aferição do grau de infecção inicial antes da aplicação do medicamento tornam-se bastante mais fáceis, rápidos e expeditos de executar quando se recorre a um sistema de filtros que permitam separar as abelhas das varroas e assim facilitar as contagens:
Seguiu-se o almoço convívio onde os apicultores presentes tiveram oportunidade de degustar a excelente gastronomia transmontana e sobretudo dar largas à muito nossa vontade-de-falar-de-abelhas. Tanto que desta vez não ouvi ninguém queixar-se da falta de tempo para a conversa informal e a tertúlia apícola.
Mais uma vez vieram à baila perguntas inconvenientes como: porque razão os produtos veterinários para a apicultura (e não só) são muito mais baratos em Espanha que em Portugal? Porque razão produtos homologados em Espanha são considerados clandestinos em Portugal, estando ambos ao países na Comunidade Europeia?
Porque razão as ajudas ao sector apícola necessitam obrigatoriamente de um comprovativo (factura de aquisição dos medicamentos homologados) quando na maioria dos sectores ligados à agricultura tal não se verifica?
A minha conclusão:
Nobody expects the portuguese Direcção Geral de Veterinária…
Entre 1999 e 2010 já tive a meu cargo quer do ponto de vista técnico como de direcção, três associações de apicultores. Período em que não poucas vezes tive de recorrer aos serviços da Direcção Geral de Veterinária enquanto autoridade sanitária nacional para a apicultura.
A última vez, aquando da realização do Avis mellifera 2008, em cujo colóquio era suposto haver uma comunicação sobre o Registo de Unidades Primárias de Produção, solicitamos a presença de um técnico para o efeito e com meses de antecedência. À falta de resposta enviamos um fax e fizemos vários telefonemas para saber o que se passava. Recebi uma lacónica chamada para o telemóvel na tarde da véspera das referidas jornadas, a informar que não havia nenhum técnico disponível…
Cortesia You Tube e Ricardo Pinto
Agora (infelizmente) muito a sério
Não querendo de modo algum apontar o dedo à funcionária da DGV que esteve presente no local, cuja simpatia, discrição, sentido de responsabilidade e profissionalismo foram notados pelos presentes. Quero no entanto deixar uma história, que “peca” por… ser verdadeira e muito recente:
Há poucos anos atrás, ainda havia agricultura e agricultores no Alentejo, numa determinada acção de fiscalização do Ministério da Agricultura (já não me recordo a que sector), um técnico agrícola e meu amigo, chamou a atenção aos referidos fiscais. Que tivessem cuidado, apesar de apenas obedecerem a ordens, que os agricultores em causa tinham outras fontes de rendimento, onde apesar dos magros lucros conseguiam e podiam sobreviver noutra ocupação, enquanto que eles dependiam de facto da “existência” da agricultura.
Não tardaram muitos meses para que a lei dos disponíveis na função pública fizesse as primeiras vítimas: centenas de funcionários do Ministério da Agricultura que por magia da legislação foram tornados obsoletos e como tal dispensáveis. Não era para mais, as pequenas, médias e até grandes explorações agrícolas abandonaram a actividade.
Hoje, quem circule pelo país, verá sem dúvida que a maior parte dos campos estão abandonados, pousios eternos, zonas rurais despovoadas e a triste proliferação de incêndios, mercê dos pastos e matos que cobrem os terrenos incultos.
O técnico agrícola meu amigo encontrou dois desses funcionários do MADRP sentados num banco de jardim, tinham agora o estatuto de “disponíveis da função pública”. Teve no entanto o pudor de não os recordar de uma conversa que eles decerto ainda lembravam.
Precisamos da Direcção Geral de Veterinária para levar os nossos objectivos a bom porto, à qual damos obviamente as boas vindas quando regressar!
Para finalizar, e agora como nas histórias do Asterix, tudo acabou em festa:

