03 agosto, 2010

MACMEL: Eficácia dos acaricidas contra a Varroose

No passado fim de semana de 17 de Julho lá nos fizemos à estrada para percorrer os trezentos e noventa e tal quilómetros que separam o Monte do Mel de Macedo de Cavaleiros. Um calor abrasador e centenas de quilómetros de estrada em obras, valeu o facto do governo ainda não ter chegado a um acordo sobre as portagens nas SCUT’s …
O que valeu ainda mais foi o facto de termos a simpática família Rogão à espera, entre muitos outros amigos.

Tenho visitado centenas ou mesmo milhares de apiários, mas nunca tinha estado num onde havia quase mais apicultores que abelhas. Não é que as colmeias estivessem fracas, muito pelo contrário, o facto é que os participantes eram imensos: 130 apicultores de todo o país que acorreram a mais uma formação promovida pela MACMEL.

Não era para menos, o que estava em jogo nesse dia interessava a todo o sector apícola: testes de eficácia de produtos acaricidas para combate à Varroose, além da aplicação correcta dos mesmos e o uso de estrados sanitários. Segundo as palavras da própria organização: “a sede de informação e conhecimentos acerca deste assunto é tanta que veio gente de todo o país participar (…) iniciativas que deviam ter origem nos serviços oficiais, nomeadamente na Direcção Geral de Veterinária…”

Desta feita foram preparadas antecipadamente as colmeias a testar com:
Bayvarol
Thymovar
Apistan
Apivar
Hive Clean
Timol em Placas
Acadrex
Klartan
Ácido Fórmico

Os resultados: maior mortalidade de Varroas provocada pelo Bayvarol. Já os piores resultados ocorreram nas colmeias onde se usaram os medicamentos à base de Timol, nomeadamente o Apiguard e o Thymovar. Referimo-nos às condições de Mirandela.

O método passou por contar o número de ácaros de Varroa destructor em cada estrado sanitário, mortas pelas diferentes formulações testadas, duas colmeias para cada medicamento: com e sem estrado sanitário.


Foi precisamente enquanto o Francisco Rogão fazia os testes de contagem de varroas, para sabermos a infecção inicial de cada colónia, que me apercebi da agitação entre os apicultores presentes e de determinado burburinho que sobressaía do habitual zumbido das abelhas:
Um representante da Direcção Geral de Veterinária, não inscrito nem esperado no evento, surgiu no local da formação com instruções para boicotar os testes com produtos não homologados. A sua presença foi “notoriamente” discreta, apesar do equipamento amarelo que contrastava com os restantes cento e tal brancos.
Fui inclusivamente abordado por um dirigente associativo da região Norte que fez questão que se publicasse o seguinte: “O que se está aqui a fazer hoje é deveras importante para a apicultura nacional, estamos a tentar salvar as abelhas dos produtos homologados sem eficácia e os serviços oficiais aparecem para impedir esse trabalho, quando deviam ser eles próprios a organizar tais iniciativas

É minha opinião que não deviam ser comercializados nem utilizados quaisquer produtos clandestinos, por razões que de óbvias nem vale a pena adiantar muito mais. Mas quando ouvimos um dirigente associativo, de uma entidade cuja idoneidade é do conhecimento geral afirmar que “…estamos a tentar salvar a apicultura nacional dos produtos homologados sem eficácia (acaricidas para a apicultura)”, é porque algo de grave se está a passar.

Desde há uns bons anos a esta parte que a eficácia dos acaricidas é um assunto pertinente e polémico, sem que no entanto se tenha chegado a alguma conclusão, pelo menos que indique para cada região qual o produto mais eficaz. Pese embora o facto de o Programa Apícola Nacional continuar a gastar uma boa fatia do seu orçamento em medicamentos, na ausência de resposta para esta questão…
Aparte o referido incidente, a formação encheu as medidas a todos os participantes, e divertimo-nos como só se divertem mais de cem apicultores em simultâneo num apiário.

Continuando a sessão:
Os testes de contagem de varroas, nomeadamente da aferição do grau de infecção inicial antes da aplicação do medicamento tornam-se bastante mais fáceis, rápidos e expeditos de executar quando se recorre a um sistema de filtros que permitam separar as abelhas das varroas e assim facilitar as contagens:

Ver: http://montedomel.blogspot.com/2008/08/diagnstico-da-varroose.html

Seguiu-se o almoço convívio onde os apicultores presentes tiveram oportunidade de degustar a excelente gastronomia transmontana e sobretudo dar largas à muito nossa vontade-de-falar-de-abelhas. Tanto que desta vez não ouvi ninguém queixar-se da falta de tempo para a conversa informal e a tertúlia apícola.

Depois do almoço, o Colóquio onde se debateram os temas destacados ao longo da manhã. Sem qualquer surpresa o tema que reuniu mais (des)créditos foi mesmo a inesperada visita da DGV…
Mais uma vez vieram à baila perguntas inconvenientes como: porque razão os produtos veterinários para a apicultura (e não só) são muito mais baratos em Espanha que em Portugal? Porque razão produtos homologados em Espanha são considerados clandestinos em Portugal, estando ambos ao países na Comunidade Europeia?
Porque razão as ajudas ao sector apícola necessitam obrigatoriamente de um comprovativo (factura de aquisição dos medicamentos homologados) quando na maioria dos sectores ligados à agricultura tal não se verifica?

A minha conclusão:

Nobody expects the portuguese Direcção Geral de Veterinária…

Entre 1999 e 2010 já tive a meu cargo quer do ponto de vista técnico como de direcção, três associações de apicultores. Período em que não poucas vezes tive de recorrer aos serviços da Direcção Geral de Veterinária enquanto autoridade sanitária nacional para a apicultura.

Assuntos como a própria sanidade apícola directa; entrada descontrolada de colmeias estrangeiras violando todas as regras do ordenamento e que colocavam em risco explorações nacionais registadas; unidades primárias de produção… etc…, motivos mais que justificados em que era necessária a ajuda e presença dos técnicos da DGV, e por isso os convocamos. Nada, contam-se pelos dedos de uma mão (e sobram dedos) as vezes em que os pedidos foram atendidos e os técnicos compareceram.
A última vez, aquando da realização do Avis mellifera 2008, em cujo colóquio era suposto haver uma comunicação sobre o Registo de Unidades Primárias de Produção, solicitamos a presença de um técnico para o efeito e com meses de antecedência. À falta de resposta enviamos um fax e fizemos vários telefonemas para saber o que se passava. Recebi uma lacónica chamada para o telemóvel na tarde da véspera das referidas jornadas, a informar que não havia nenhum técnico disponível…

Face ao exposto e na tensão gerada pela chegada da técnica da DGV de Trás os Montes ao local da formação promovida pela MACMEL, só me ocorreu um famoso sketch humorístico protagonizado pela Monty Python's na conhecida série The Flying Circus: onde se celebrizou a expressão “nobody expects the spanish inquisition”…



Cortesia You Tube e Ricardo Pinto

Agora (infelizmente) muito a sério

Não querendo de modo algum apontar o dedo à funcionária da DGV que esteve presente no local, cuja simpatia, discrição, sentido de responsabilidade e profissionalismo foram notados pelos presentes. Quero no entanto deixar uma história, que “peca” por… ser verdadeira e muito recente:
Há poucos anos atrás, ainda havia agricultura e agricultores no Alentejo, numa determinada acção de fiscalização do Ministério da Agricultura (já não me recordo a que sector), um técnico agrícola e meu amigo, chamou a atenção aos referidos fiscais. Que tivessem cuidado, apesar de apenas obedecerem a ordens, que os agricultores em causa tinham outras fontes de rendimento, onde apesar dos magros lucros conseguiam e podiam sobreviver noutra ocupação, enquanto que eles dependiam de facto da “existência” da agricultura.
Não tardaram muitos meses para que a lei dos disponíveis na função pública fizesse as primeiras vítimas: centenas de funcionários do Ministério da Agricultura que por magia da legislação foram tornados obsoletos e como tal dispensáveis. Não era para mais, as pequenas, médias e até grandes explorações agrícolas abandonaram a actividade.
Hoje, quem circule pelo país, verá sem dúvida que a maior parte dos campos estão abandonados, pousios eternos, zonas rurais despovoadas e a triste proliferação de incêndios, mercê dos pastos e matos que cobrem os terrenos incultos.
O técnico agrícola meu amigo encontrou dois desses funcionários do MADRP sentados num banco de jardim, tinham agora o estatuto de “disponíveis da função pública”. Teve no entanto o pudor de não os recordar de uma conversa que eles decerto ainda lembravam.

A apicultura, enquanto parte do tecido económico nacional e há semelhança de todos os outros sectores, é muito necessária à economia nacional, tal como ao ambiente e à sociedade. Para que continue a desenvolver-se e a contribuir para o bem estar geral é necessária a participação de todas as entidades e sectores com ela relacionados.
Precisamos da Direcção Geral de Veterinária para levar os nossos objectivos a bom porto, à qual damos obviamente as boas vindas quando regressar!
Para finalizar, e agora como nas histórias do Asterix, tudo acabou em festa:

Mais uma vez os parabéns à família Rogão pelo excelente acolhimento e simpatia que nos proporcionaram.

02 agosto, 2010

MelToon - 43

Sobreaquecimento das Colmeias

Aqui fica a proposta do amigo Octávio Rodrigues para minorar o problema do sobreaquecimento das colmeias no Verão.

31 julho, 2010

Produções de 2010 “derretidas”…

Há muito que tinha pensado em abordar o assunto, mas para não parecer alarmista…

O Inverno/Primavera de 2010 foi muito chuvoso, a flora despontou com bastante vigor e tal bonança reflectiu-se nas produções apícolas. Digo até, a título de comparação, que as Primaveras de 2008 e 2009 tiveram respectivamente 10 e 9 dias de trabalho útil para as abelhas e cerca de 15 dias em 2010.
Entenda-se por “dias de trabalho útil” os dias de Primavera sem chuva, sem ventos fortes que sequem os nectários e com temperaturas amenas para a saída das abelhas. Os cinco ou seis dias suplementares da última Primavera foram suficientes para duplicar as produções dos anos anteriores, ou seja, a passagem de uma média de duas alças/colmeia para as quatro alças.
Não posso deixar de pensar no que sucederia numa Primavera com 60 dias úteis para a produção do Rosmaninho, sendo esse o período aproximado em que tal vegetação se encontra florida.

A acompanhar o aumento nas produções e de uma forma aparentemente contraditória, também se verificou uma forte enxameação. De assinalar no entanto que este fenómeno em vez de diminuir as produções, o seu efeito pouco se fez sentir uma vez que os enxames foram muito pequenos.

Tenho por hábito fazer a cresta na última semana de Maio, ou na primeira de Junho. Mas este ano e por questões de agenda só o consegui fazer em finais de Junho, felizmente e antes de se sentirem os fortes calores que já estão a caracterizar este Verão. Digo felizmente porque consegui retirar todo o mel antes das altas temperaturas fazerem estragos, ao contrário de muitos apicultores que só crestam em Julho e Agosto.

Foi precisamente no início de Julho que recebi o primeiro alerta por parte de um apicultor de Brotas que viu “escorrer” boa parte da produção pela porta das colmeias. O elevado número de alças sobre os ninhos, sob o Sol escaldante, dificultou o arrefecimento das colmeias pelas abelhas, os favos derreteram e a cera e o mel vieram por aí abaixo arrastando e matando os insectos.

Nas semanas subsequentes outros apicultores relataram fenómenos semelhantes, alguns com perdas de centenas de quilogramas e morte de muitas colónias. Em tempos ouvia os apicultores mais idosos falarem em “colmeias alagadas” referindo-se ao derreter dos favos das alças e ao escorrimento do mel até ao ninho e daí para o exterior. Seguiam-se as consequentes sessões de pilhagem e acentuada confusão em todo o apiário, com danos e prejuízos elevados.

A explicação é simples: a grande quantidade de alças, virtude de uma boa Primavera, associada aos fortes calores estivais e perante a dificuldade das abelhas em manterem as temperaturas levou ao sucedido.
Resta saber o motivo da impossibilidade das abelhas em evitarem tal desastre, poder-se-ia pensar que a forte enxameação levasse a grandes reduções nas populações, mas tal não se verificou. Ainda se podia alegar problemas na substituição das rainhas que saíram com o enxame (não são raros os casos de orfandade no pós enxameação de Primavera) mas nem disso se tratou este ano.

Ao que parece, a culpa terá sido mesmo das elevadas temperaturas, justificando-se cada vez mais as crestas precoces ou a opção por tapar as colmeias com materiais isolantes que evitem o excesso de calor no interior da colmeia.
Fica o aviso para o próximo ano, ou ainda para este…

Uma confissão: Apesar de ter conseguido “safar” a minha produção a tempo, logo que começaram os grandes calores começaram-me os “problemas de consciência”, não me sentia bem com as abelhas sob o Sol abrasador. Este ano não houve girassol por estas bandas, os incentivo$ à sua produção não justificaram o lançar das sementes à terra, pelo que a transumância para os apiários de Verão além de uma perda de tempo resultariam também em investimentos sem retorno.
Não interessa, não é pela falta de girassol que vou prescindir de uma das actividades que mais prazer me dá: circular pelos caminhos de terra batida com a carrinha carregada de colmeias. Levar com o vento fresco das noites de Verão e os aromas que caracterizam o campo nesta estação. Desencantei um lugar que poderá produzir algum cardo e melada, muita sombra e junto a uma lagoa de águas transparentes.
Aproveito também para vos dizer que o fiz depois de uma semana stressante e de muito trabalho extenuante, tudo me tirava a paciência. Dei comigo a circular com as colmeias “às costas” e com um sorriso de orelha a orelha, parecia um idiota.

Além de todas as vantagens que já atribuí à prática da transumância, adicionem mais uma: é bastante terapêutica, para as abelhas e para nós !!!

21 julho, 2010

Apicultura na Ilha Terceira - AÇORES

Sexta-feira, 4 de Junho de 2010, acompanhados pelo Engº António Marques, técnico de apicultura da FRUTER/FRUTERCOOP, fomos finalmente realizar a “expedição apícola” que há muito almejávamos: um passeio pelos apiários e paisagens “apícolas” da Ilha Terceira – AÇORES.
Não precisamos de muitos quilómetros para perceber a forma equilibrada como os apiários, colmeias e abelhas “encaixavam” na paisagem Açoriana. As colmeias em madeira de Criptoméria sem qualquer pintura, harmonizavam-se perfeitamente com as sebes de Incenso, os muros de pedra ou com os prados de trevo sempre verdes.

A madeira de Criptoméria apresenta uma série de vantagens sobre o Pinheiro para a construção de colmeias, pelo menos no ambiente húmido do Arquipélago dos Açores. Segundo os apicultores da região, enquanto uma caixa de madeira de Pinheiro pouco mais dura que 4 ou 5 anos, a de Criptoméria pode chegar aos 20 anos ou mais.
Por outro lado é muito mais leve o que só facilita o maneio.
A sua conservação é feita com um banho de parafina em fusão para impermeabilizar. Regista-se um único senão: madeira demasiado “mole” para resistir ao formão do apicultor sempre que queremos separar as alças ou a prancheta, podendo até abrir buracos. Para o evitar devemos executar tal tarefa com cuidado.

No entanto compensa largamente e é o material mais utilizado.
Trata-se de uma árvore (Conífera) muito abundante na ilha, sobretudo em altitude, o que a poderá tornar numa importante fonte de matéria prima para o fabrico de colmeias, até porque já é muito utilizada na construção de mobiliário.

Havendo obviamente quem também pinte as colmeias, e se julgam que de alguma forma “chocam” com a paisagem vejam as próximas imagens:

Continuando a deambular pelos campos e jardins, encontramos muita e variada flora com interesse apícola, ou não se encontrassem as flores constantemente visitadas por abelhas:

O trevo é uma planta cuja abundância pelos prados o tornam numa importante fonte de néctar para o mel da região. Curiosamente víamos mais abelhas no trevo em jardins e rotundas, talvez houvesse outras alternativas no campo…

Muito curiosa esta, lembra o Rosmaninho, tratando-se no entanto de outra planta da mesma família (Labiadas):

Agora uma vegetação rasteira, muito abundante, cobrindo muros, canteiros e terrenos incultos, muito fácil de propagar e com as pequenas flores brancas sempre cobertas de abelhas:

O já nosso conhecido Metrosideros excelsa,

E a excelente fonte de néctar para o mel de Incenso:

Esta vegetação, muito característica nas Ilhas dos Açores, chega a cobrir vastas áreas, onde o coberto vegetal ganha um relevo muito curioso e característico: visto à distância lembra a pele de um elefante. Infelizmente só visitamos a região muito depois do período de floração.

Esta não!!! Uma planta da família das Solanáceas, normalmente tóxica e evitada pelas abelhas, apesar da sua abundância:

Noutro local, descemos por uma azinhaga em direcção ao mar e com imensa vegetação de ambos os lados. Saltamos uma cancela e frente a um característico apiário encontramos um enxame de grandes dimensões:

Chamou-me a atenção o movimento de abelhas frente a um núcleo de onde terá saído o referido enxame. Na volta tinha acabado de sair e ainda havia algumas “indecisas” entre o “tu vais e eu fico…”
Uma boa mão cheia delas pousadas numa folha denunciavam qualquer coisa de interessante, ou não estivessem mais de uma dúzia de abelhas em rosário de volta de um ponto central:

Foi quando a “destacada” figura central se moveu pela folha e percebi o motivo de tanto interesse da plebe:

Uma bonita rainha, de grandes dimensões, passeava-se pela folha de uma Solanaceae, como habitualmente o deve fazer sobre os quadros de criação. Estávamos a mais de 1500 km do Entroncamento, pelo que ainda fiquei mais absorto pela presença da dita “mestra” no exterior da colmeia e ainda por cima sobre uma folha.
Só depois de aturada observação das fotos é que percebi porque razão a rainha não enxameara com o resto das abelhas: tinha uma asa cortada! O que parece ser um bom método para evitar a desagradável perda de abelhas da enxameação, muito utilizado na Ilha Terceira.
Fica apenas a dúvida para o caso de ter aparecido algum predador, mas esta “safou-se” como o soubemos mais tarde por parte do apicultor.
Noutro apiário, o Eng.º Gardete deu-nos uma lição de apiterapia, com um método controlado de aplicar a apitoxina, de modo a aumentar a circulação sanguínea e diminuir a dor no local. É caso para perguntar: e a dor da picada? Como acabar com ela agora???



Repare-se na forma engenhosa como a abelha foi presa num pequeno raminho de modo a localizar a picada de uma forma quase cirúrgica… Vejam como aumenta o rubor e o inchaço à medida que o tempo passa.
Outra das particularidades da apicultura da Terceira refere-se à grande quantidade de abelhas híbridas que se encontram nos apiários em geral. Decerto pelas importações de Apis mellifera ligustica aliada ao espaço restrito da ilha tenham levado a esta alteração no pool genético.
De qualquer forma não ouvi qualquer crítica por parte dos apicultores a esta situação. O carácter agressivo destes híbridos deve estar muito controlado pelos apicultores através da selecção constante desse factor genético-comportamental. Encontravam-se no entanto muitas colmeias (e apiários) onde apenas se via a característica abelha negra.

Também permanecemos sem máscara em alguns apiários e nem por isso se verificaram ataques.
Mas nem só de abelhas nos ocupamos na “expedição”, aparecem sempre algumas surpresas dignas de registo. Tal como este Bombus que apesar da concorrência apícola não prescindiu dos deveres de polinizador:

Ou a pequena ave que não deixou de comer enquanto posou para a fotografia:

Finda a viagem apetece “esquecer” tudo… apenas para voltar atrás e repetir a volta…


ALGUNS DADOS REFERENTES À APICULTURA DA ILHA TERCEIRA:

ASSOCIAÇÃO/COOPERATIVA: Fruter/Frutercoop
IDADE: 20 Anos
IDADE DA SECÇÃO DE APICULTURA: 14 Anos
Nº DE APICULTORES ASSOCIADOS: 18
EFECTIVO TOTAL DOS ASSOCIADOS: 576 Colmeias
PRODUÇÃO TOTAL DE MEL: 4500 Kg
MEL DOP "MEL DOS AÇORES": 1000 Kg
PROJECTOS DE FUTURO: Melaria/Estabelecimento e Mel MPB