23 junho, 2010

Mel dos AÇORES

Durante o tempo que permaneci na Feira Agrícola Açores 2010 – Angra do Heroísmo – Ilha Terceira, não pude ficar indiferente à forma carinhosa como vi ser tratado o mel, a apicultura e os apicultores da região.

A exposição de méis na entrada do pavilhão principal, tal como os vários stands colectivos e individuais dedicados ao sector apícola, e ainda os diversos eventos relacionados com a prática da apicultura demonstravam claramente a sua importância para a região.

Marcou-me sobretudo a atenção que lhe era dedicada tanto pelos organismos oficiais como pelas associações de apicultores envolvidas na organização da Feira.
Pela variedade de rótulos adivinhavam-se igualmente a diversidade de sabores, florações, técnicas, apicultores e associações envolvidas.

Agradou-me de sobremaneira e por isso deixo os mais sinceros parabéns à forma harmoniosa como no mesmo stand conviveram os apicultores e respectivas entidades das principais ilhas produtoras de mel, obviamente que sob o lema: “O Sabor das Nossas Ilhas”.

O Mel da Ilha Terceira, onde a FRUTER representa os apicultores:

Uma publicação da FRUTER dedicada às crianças “As Abelhas são Minhas Amigas”, aposta que a associação tem feito em termos de sensibilização das camadas mais jovens para a importância da apicultura.

Outras valências da FRUTER/FRUTERCOOP, nomeadamente a Fruticultura, Horticultura e Floricultura:

O Mel da Ilha de S. Miguel, com a CASERMEL como organização de produtores:

Exposição de equipamentos da CASERMEL, onde uma das colmeias expostas foi oferecida num sorteio entre os diversos apicultores que participaram na palestra e no workshop.

A Ilha do Faial com a Cooperativa Agrícola da Ilha do Faial:

A Ilha do Pico com a Cooperativa Flor do Incenso:

A Ilha de Santa Maria com a AGROMARIENSECOOP:

Alguns dos Organizadores, participantes e convidados para os eventos apícolas, o factor humano sempre presente…

Face ao exposto fica a vontade de visitar cada recanto, cada apiário, cada colmeia, cada apicultor e “abelheiro”, as vivências e “estórias” individuais, aquelas que tanto enriquecem este nosso maravilhoso sector.
Por falar em recantos, deixo-vos alguns, escolham a melhor localização para o apiário e deleitem-se com a sensação de “retirar a cabeça de dentro da colmeia” depois de procurar a rainha, observar os quadros, a criação, as reservas de néctar e pólen, o alívio de “endireitar as costas” e depararmo-nos com qualquer uma destas paisagens pela frente:

Mais perigosas que as nossas abelhas, não dão mel, mas nem por isso desmerecem uma espreitadela:

21 junho, 2010

CONCURSO DE MEL: Feira Agrícola Açores 2010

Angra do Heroísmo, no passado dia 03 de Junho, no âmbito da Feira Agrícola Açores 2010 realizou-se um concurso de mel cuja comissão organizadora era composta por elementos da FRUTER - Associação de Produtores de Frutas, de Produtos Hortícolas e Florícolas da Ilha Terceira, da Direcção Regional dos Assuntos Comunitários da Agricultura e dos Serviços de Desenvolvimento Agrário da Ilha Terceira.

O júri foi composto pelo Eng.º José Gardete, Maria Luísa Garcia e por mim, que provamos trinta amostras de mel divididas em treze méis claros e dezassete escuros, avaliados nos parâmetros Cor, Aroma e Sabor.

As diferenças na cor, com óbvia correspondência nos aromas e sabores, deviam-se às diferentes florações sazonais equiparáveis na maioria das ilhas, sendo esta diferença acentuada com a data da cresta. O Incenso, Pittosporum undulatum Vent. Floresce durante os meses de Janeiro, Fevereiro e Março, sendo a floração principal do arquipélago. Findo este período, com a cresta, obtém-se um mel muito aromático, suave e de característica cor clara entre o amarelo suave e o acentuado.

O “atraso” na cresta destes méis torna-os cada vez mais escuros, devido à entrada de néctares provenientes de outras florações também elas muito importantes quer na abundância respectiva, quer na qualidade que conferem ao mel dos Açores. Trata-se sobretudo de uma arbórea oriunda da Nova Zelândia o Metrosideros excelsa, com um bonito efeito estético nos jardins, e os característicos trevos dos prados e pastagens das ilhas, entre muitas outras fontes de néctar.

Estes méis apresentam uma cor que evolui desde o amarelo suave, passando por uma vasta gama de âmbares até quase ao negro, quanto mais tardia for a cresta e a consequente multiplicidade de néctares concorrentes. Estas alterações na cor e na composição são também acompanhadas por variantes subtis no sabor que conferem a cada tipo de mel características únicas e muito agradáveis.

Foi opinião unânime do júri a dificuldade em distinguir e classificar as melhores amostras, dada a excelente qualidade e características próprias de cada um, o que se reflectiu em pontuações muito próximas (com variação de décimas) nos méis melhor classificados:

Méis Claros:
1º lugar (136,5 pontos) Paulo Jorge Meneses Rico – Ilha Terceira
2º lugar (136,2 pontos) Maria de Fátima P. da Costa – Ilha do Pico
3º lugar (128,5 pontos) Manuel Fernando Jorge Furtado – Ilha do Pico

Méis Escuros:
1º lugar (125,5 pontos) Manuel Jorge Moules Ferreira – Ilha Terceira
2º lugar (125,4 pontos) Luís Carlos Silveira de Melo – Ilha Terceira
3º lugar (120,0 pontos) César Fernando da Silva – Ilha do Faial

De assinalar o facto de que a grande maioria, senão a totalidade, das amostras levadas a concurso não sofreram qualquer penalização devido a impurezas, cheiros impróprios ou qualquer outra característica menos favorável, atestando o profissionalismo e a maturidade técnica dos apicultores envolvidos.

A ausência de Varroose na maioria da ilhas e a consequente não utilização de acaricidas, também contribuirá decerto para as excelentes características organolépticas do mel açoreano…

Os agradecimentos ao Eng.º António Marques (FRUTER) e Eng.º Paulo Miranda (DRACA) pelo profissionalismo, disponibilidade e apoio constante durante a prova de méis.

17 junho, 2010

ROUBO DE COLMEIAS NA LOUSÃ

Na edição on line do Diário de Notícias...

Prejuízo de 140 mil euros causado por roubo de cerca de 700 colmeias na serra da Lousã

Lousã Apicultores que produzem mel certificado na serra da Lousã foram nos últimos meses alvo de roubos, cujos prejuízos ascendem a 140 mil euros, disseram fontes do sector.

Segundo o presidente da Lousãmel (Cooperativa Agrícola de Apicultores da Lousã e Concelhos Limítrofes), António Carvalho, cuja exploração também foi assaltada, aquela estimativa dos danos "inclui mel, abelhas e colmeias".

"Só no meu caso foram uns 5000 euros de prejuízo", disse.

António Carvalho deu pela falta de 25 colmeias, com enxames e mel. "Há pelo menos um apicultor que perdeu 150 colmeias", acrescentou ontem o dirigente à agência Lusa.

O diário As Beiras noticiou ontem assaltos a diversos apiários da serra da Lousã, indicando que "nas últimas semanas já foram roubadas 700 colmeias e os apicultores estão desesperados".

Realçando que "todo o mel roubado" tem Denominação de Origem Protegida (DOP) da serra da Lousã, António Carvalho confirmou que um dos lesados "está a dormir na serra" com o objectivo de evitar mais roubos.

Os sócios da Lousãmel que perderam colmeias têm apresentado queixa na GNR dos concelhos onde possuem explorações.

O presidente da Lousãmel afirmou que vai promover uma reunião com os membros da cooperativa, com sede na Lousã e que abrange uma dezena de concelhos dos distritos de Coimbra e Leiria, para analisar o problema.

http://dn.sapo.pt
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1594162