10 setembro, 2010

Insólito!!! Abelhas na Praia…

Foi no Domingo passado, 5 de Setembro durante a tarde, quando o António Sérgio recebeu uma chamada de um amigo a alertá-lo para a presença de um enxame de abelhas na Praia Azul – Santa Cruz, onde se encontrava com a família.
Se a opção da praia para um enxame pousar não for suficientemente insólita, a escolha de um chapéu-de-Sol que já albergava uma família humana foi no mínimo incrível…

Ao que se consta, os veraneantes começaram por ficar alarmados, e até assustados com a nuvem zumbidora que se aproximava, acalmando-se depois quando as abelhas se “estabeleceram”. Muitos houve que acabaram depois por fazer fotos e vídeos da ocorrência.

Já com a presença do apicultor (António Sérgio) devidamente equipado, ou quase…, os presentes interessados acabaram por fazer as costumeiras perguntas acerca dos nossos insectos, o que resultou numa tarde inesquecível de momentos bem passados.
O enxame permaneceu na praia entre as 16 e as 19 horas, tendo sido depois transportado para o apiário do Sérgio.

Atendendo ao trabalho e esforços que fazem ao longo do ano, três horas de praia para uma abelha deve ser pouco, eu que o diga, que nem lá fui este ano. De qualquer forma e se a moda da “apicultura náutica” se mantiver, deixo já a minha proposta para o próximo Verão:

Fotografei numa feira em Montemor o Novo...

09 setembro, 2010

Formação APICULTURA - Terceira AÇORES

Clique nas imagens para ampliar...

08 setembro, 2010

SDC: Ninguém informou o ministro :-(

6 | SETEMBRO | 2010 I aponte I

O famoso cientista Albert Einstein terá dito que "se as abelhas desaparecerem, ao homem restarão apenas quatro anos de vida". Esta visão catastrofista pode não concretizar-se mas deve ser, no mínimo, razão de preocupação da humanidade, Os apicultores, até porque retiram dividendos da actividade, têm alertado através da comunicação social para o problema do «Sindroma do despovoamento de colmeias» mas «as autoridades sanitária nacional - a Direcção Geral de Veterinária (DGV) - não tem sobre o assunto feito qualquer comentário», afirmou à «aponte» Joaquim Pífano. O Ministério da Agricultura responde que «nunca nos foi reportado em concreto nenhum fenómeno desta natureza» mas que tem acompanhado e apoiado os apicultores nacionais na sua actividade.


SINDROMA DO DESPOVOAMENTO DE COLMEIAS

Apicultores perdem cerca de 50% do efectivo

Os apicultores estão a ficar desesperados com o despovoamento que as abelhas estão a fazer das suas colmeias. Uma constatação com seis anos e poucas certezas sobre as verdadeiras causas deste fenómeno. Joaquim Pífano, biólogo e director técnico da ADERAVIS -Associação para o Desenvolvimento Rural e Produções Tradicionais do Concelho de Avis, critica o Ministério da Agricultura por não tomar uma posição sobre o Sindroma do despovoamento de colmeias e deixar os apicultores à deriva: «não sabemos qual a sua posição sobre o assunto e desconhecemos a investigação que está a ser feita para saber as causas e encontrar soluções. Em Espanha o Estado está a levar este assunto a sério com diversos investigadores a estudar o fenómeno» Recentemente o jornal Público publicava um trabalho de Sara Dias Oliveira titulado «As abelhas estão a desaparecer do país e ninguém sabe porquê». Pífano clarifica, «estão a desaparecer mas temos a certeza que estão mortas, não se esconderam dentro de nenhum guarda-fato. Como morrem há uma causa, mas como não se sabe a razão diz-se que há um sindroma do despovoamento de colmeias, porque elas abandonam a colmeia e vão morrer longe». A história deste fenómeno - aliás como o blog «monte do mel» de Joaquim Pífano abordava em 2008 e citava um trabalho do jornal «Le Monde» -, terá começado na Europa e tem cerca de uns 6 anos. Um investigador espanhol que Joaquim Pífano trás à conversa, terá referido que na base do abandono das colmeias podem estar alterações climáticas que, a nível global, produziram anos muito quentes. Isto poderá ter eliminado determinado tipo de vegetação que alimenta as abelhas já no final do verão. As explicações podem ser diversas. Fala-se, entre outras razões, nos Organismos Geneticamente Modificados, no aumento da utilização dos pesticidas na agricultura e nas radiações electromagnéticas. Mas Pífano argumenta e inclina-se para uma variedade de explicações, mas dá ênfase às alterações climáticas, tendo por base a explicação do técnico espanhol: «Ora, se as abelhas não se alimentam no final do período em que estão mais activas, que dura cerca de uns trinta dias, a rainha não consegue repor as obreiras e durante o inverno -que pode durar 3 a 4 meses de inactividade no exterior - não provocou a necessário renovação das populações de abelhas. Como na época seguinte as que ficaram estão mais velhas e menos capazes», com as consequências que conhecemos.
No concelho de Fronteira, o ano passado, houve muitas colmeias completamente abandonadas paredes meias com colmeias em que este fenómeno não aconteceu. Enquanto não se encontram soluções o número de abandono de colmeias vai engrossando. O ano passado, em Portalegre, de 450 colmeias perderam-se 230. Em Avis vários apicultores perderam cerca de 50 por cento do seu efectivo.
Confrontado com estas críticas o Ministério da Agricultura esclareceu que «nunca nos foi reportado em concreto nenhum fenómeno desta natureza», sendo «a diminuição de efectivo sido sempre associada a causas naturais (incêndios, seca) ou a causas sanitárias (doenças das abelhas»>. Aliás, refere o gabinete de António Serrano, «no âmbito da apicultura, a DGV tem trabalhado sempre ao lado dos apicultores, nomeadamente organizando cursos técnicos multidisciplinares, implementando desde 2008 o Programa de Controlos Sanitários a apiários a nível nacional, e tem participado, sempre que solicitado, em várias acções de formação/ divulgação junto das Associações de Apicultores e divulga informação específica sobre "Apicultura" no respectivo portal». Alega desconhecer a existência de algum «estudo especifico realizado em território nacional sobre desaparecimento e/ou despovoamento de colmeias», mas que tem contribuído no âmbito da EFSA - European Food Safety Agency, que tem «um estudo especifico que se encontra disponível no site daquela entidade», e para a qual a DGV colaborou «nomeadamente» no que respeita às «estatísticas e aos dados relativos a Portugal». As repercussões económicas nos Estados Unidos já são significativas. Numa região onde a principal fonte de rendimento dos apicultores locais não é a venda de mel mas o aluguer das colmeias para o processo de polinização em pomares, o valor do aluguer de uma colmeia para polinização ronda agora os 120 euros, quando há uns três anos era cerca de um terço. «Os preços subiram fruto da diminuição da oferta de colmeias», refere.
Mas há outros problemas que atormentam os apicultores. Para o técnico da ADERAVIS - que reúne cerca de 120 apicultores com um universo de cerca de 6000 colmeias - a Varroase, uma das doenças que mais ataca as abelhas, «não esta controlada, ao contrário do que dizem» e critica as autoridades que homologam os medicamentos, «caros e raros e sem a eficácia desejada», mas que os apicultores são de certo modo obrigados a comprar e a utilizar. J.L.R.

06 setembro, 2010

Desdobramentos: Colmeia modificada para Criação de Abelhas MACMEL

Em tempos imaginava a apicultura assim:
Sempre que alguém fazia uma descoberta, uma nova técnica de maneio, equipamentos mais eficazes, fosse o que fosse que pudesse ser útil a todos, divulgado de imediato para que todos beneficiassem. A apicultura e não só...
O “montedomel” até surgiu para servir esse propósito.

Quando visitei os apiários da MACMEL em Macedo de Cavaleiros, no passado mês de Julho, despertou-me a atenção (era impossível não despertar) a presença de colmeias gigantescas. Baixas, mas gigantescas, devo dizê-lo.

Face à minha estupefacção, o Francisco Rogão apressou-se a abrir uma delas e mostrar-me o interior: um espaço amplo onde se alinhavam duas filas de dezasseis quadros Langstrooth, num total de 32 quadros. E as abelhas ocupavam a totalidade!
Para que serve uma colmeia tão grande? Nem alças pode suportar…
A resposta era simples: destinava-se a produzir quadros de abelhas em quantidade, que pudessem ser utilizados para a produção de núcleos (enxames de abelhas), para aumento de efectivos ou comercialização.

Ocorreu-me um dilema comum, a disponibilidade de quadros quando faço desdobramentos e consequentemente a modalidade de divisão de colónias a praticar:

1. Divisão da colónia original em duas colónias.

VANTAGEM Ambas as colónias (mãe e filha) são pouco afectadas, ficam com cinco quadros cada uma, muitas reservas nutricionais e muitas abelhas. Em suma, as colónias ficam fortes e com boas probabilidades de sobrevivência. Regra geral, a colmeia que fica com rainha ainda produzirá mel em quantidade nessa campanha.
DESVANTAGEM O rendimento é baixo, apenas duplicamos o efectivo: de uma colmeia obtemos duas.

2. Divisão da colónia original em três ou mais colónias.

VANTAGEM O rendimento é muito alto, podemos triplicar ou quadruplicar os efectivos. Método ideal para quem comercializa colónias de abelhas.
DESVANTAGEM As colónias resultantes (reduzidas a 4; 3 ou menos quadros) ficam bastante fragilizadas. A sua viabilidade depende em larga escala da disponibilidade de néctar e pólen do meio e da data em que é praticada, entre outros factores.
Normalmente é praticada quando no acto do desdobramento disponibilizamos de muitos alvéolos reais, naturais ou criados para o efeito.

3. Selecção de quadros em várias colónias originais para a montagem de uma única colónia.

VANTAGEM A colónia resultante terá decerto as condições ideais para ser viável, visto ter sido obtida a partir de quadros seleccionados para o efeito. As colónias dadoras (originais) pouco ou nada foi afectada, pois só perdeu um quadro, no máximo dois.
DESVANTAGEM Trata-se do método com o rendimento mais baixo: assumindo que retiramos um único quadro por colmeia (ainda que seja o quadro “ideal”), são necessárias cinco colmeias originais para obtermos um efectivo final de seis unidades.

Face ao exposto, a colmeia apresentada neste post e criada pela MACMEL, parece resolver todos os problemas numa assentada, mantendo as vantagens. A mobilização de uma única colónia permite-nos a obtenção continua de quadros e abelhas para desdobramentos.
Não devemos no entanto esquecer que a colónia a utilizar deverá ter uma rainha nova, saudável e de boa estirpe. À falta de nutrientes no meio necessitará obviamente de alimentação artificial.
O apicultor referiu que chega a adicionar-lhes quadros com criação (de outras colmeias) para ajudar no arranque.

A referida colmeia, em termos de dimensões é equivalente a quatro colmeias Langstrooth, seria igual se suportasse 40 quadros:

Não vou apresentar as dimensões da colmeia porque as mesmas são óbvias e possíveis de adaptar a qualquer outro modelo de colmeia ou de quadros. Trata-se portanto de um equipamento muito acessível à “habilidade” de qualquer apicultor, encontrando-lhe apenas o defeito de pelo peso e dimensões ser difícil de manusear por um único operador.
A caixa está construída de modo a que os quadros fiquem dispostos em duas filas paralelas. Todos os 32 quadros assentam num separador central que não terá mais de cinco centímetros, permitindo facilmente a passagem das abelhas entre os dois lados. A não opção por uma colmeia sobre o comprido, que permitisse a colocação dos 32 quadros lado a lado é óbvia, atendendo à conformação pouco natural que teria o espaço resultante.

Não pude deixar de perguntar ao Francisco Rogão sobre a diferença entre a referida colmeia ou a opção (mais simples) pela utilização de três corpos Langstrooth sobre um ninho do mesmo modelo. Neste caso não havia necessidade de adaptar o material utilizado…

Segundo o F. Rogão, a diferença nem é muita, importa no entanto a vantagem da presente construção face à possibilidade do isolamento térmico em todas as paredes internas da colmeia com roofmate, conferindo larga vantagem à colónia no arranque. Por outro lado o maneio é muito facilitado sem a necessidade de colocar e retirar os corpos tão pesados para a inspecção e avaliação dos quadros.

A utilização é fácil, basta escolher na colmeia grande os quadros necessários à “construção” das novas colónias, tendo atenção para que as mesmas fiquem equilibradas: quantidade de reservas nutricionais, abelhas adultas, amas e criação e adicionar-lhe um alvéolo real ou uma abelha rainha.

http://montedomel.blogspot.com/2009/02/equilibrar-uma-colonia-de-abelhas.html

http://montedomel.blogspot.com/2009/02/multiplicacao-de-colonias.html

Os alvéolos reais são obviamente mais fáceis de obter, a partir de um quadro porta cúpulas concebido para o efeito, ou alvéolos naturais:

As rainhas em fase de postura já implicam o domínio dessa técnica, tal como a utilização de Nucléolos de Fecundação de Rainhas:

http://montedomel.blogspot.com/2009/02/nucleolos-de-fecundacao-e-estagio-de.html

http://montedomel.blogspot.com/2009/02/construcao-de-um-nucleolo-de.html

Para um maior rendimento na obtenção de novas colónias também podemos optar por núcleos com menos de cinco quadros, igualmente funcionais e viáveis.

05 setembro, 2010

01 setembro, 2010

Apiário “FERRADELA” !!!

No passado dia 18 de Julho, regresso da “Formação às Claras – MACMEL”, resolvemos “entortar” a volta e passar pelos amigos Mário e Natália Serrano, autores do excelente blog “Ferradela”.

É precisamente junto à bonita cidade do Porto, local que tanto aprecio e tão poucas vezes visito, que o Mário erigiu o seu apiário. Trata-se de uma história curiosa e de paixão pelas abelhas, espero que ele não se importe por eu a divulgar.
O Mário já tinha abelhas há mais tempo, mas muito longe, apesar de bem entregues ou não fossem cuidadas pelo Mestre Duarte, quem também lhe ensinou a arte e o gosto por esta actividade.

A espera pelas férias ou fins-de-semana prolongados para envergar a “máscara” criaram tal ansiedade que só se curou com um apiário à beira de casa.
E não escolheu mal, uma quinta antiga com toda a vegetação que as caracteriza: flores de jardim, horta e pomar com variadíssimas espécies onde as abelhas têm muito por onde escolher e ao longo de todo o ano. O apiário com uma excelente localização e à sombra de ameixeiras que protegem as abelhas dos fortes calores da estação, o Inverno resolve-se com uma poda caprichada e o Sol trata do resto.

Dá gosto trabalhar num local assim, o ambiente urbano também ajuda no despiste dos amigos do alheio e tem-se tudo à mão.
Passamos uns bons momentos com as abelhas no apiário “Ferradela”, onde (segundo a regra do Mário) não terei sido lá muito digno de lhes provar o excelente mel, pois acabei por não ser picado!!!
Mas, aqui só para nós que ele não nos ouve, não será exagero chamar-lhe “ferradela”? É que com tais condições as abelhas pensam em tudo menos em ferrar seja quem for…

Um apicultor "babado":

Um apicultor "muito babado":

Obrigado Mário e Natália, pela simpatia com que nos receberam e pela forma como tratam as abelhas.

Abelhas, ovelhas, quem se importa?...