01 setembro, 2010

Apiário “FERRADELA” !!!

No passado dia 18 de Julho, regresso da “Formação às Claras – MACMEL”, resolvemos “entortar” a volta e passar pelos amigos Mário e Natália Serrano, autores do excelente blog “Ferradela”.

É precisamente junto à bonita cidade do Porto, local que tanto aprecio e tão poucas vezes visito, que o Mário erigiu o seu apiário. Trata-se de uma história curiosa e de paixão pelas abelhas, espero que ele não se importe por eu a divulgar.
O Mário já tinha abelhas há mais tempo, mas muito longe, apesar de bem entregues ou não fossem cuidadas pelo Mestre Duarte, quem também lhe ensinou a arte e o gosto por esta actividade.

A espera pelas férias ou fins-de-semana prolongados para envergar a “máscara” criaram tal ansiedade que só se curou com um apiário à beira de casa.
E não escolheu mal, uma quinta antiga com toda a vegetação que as caracteriza: flores de jardim, horta e pomar com variadíssimas espécies onde as abelhas têm muito por onde escolher e ao longo de todo o ano. O apiário com uma excelente localização e à sombra de ameixeiras que protegem as abelhas dos fortes calores da estação, o Inverno resolve-se com uma poda caprichada e o Sol trata do resto.

Dá gosto trabalhar num local assim, o ambiente urbano também ajuda no despiste dos amigos do alheio e tem-se tudo à mão.
Passamos uns bons momentos com as abelhas no apiário “Ferradela”, onde (segundo a regra do Mário) não terei sido lá muito digno de lhes provar o excelente mel, pois acabei por não ser picado!!!
Mas, aqui só para nós que ele não nos ouve, não será exagero chamar-lhe “ferradela”? É que com tais condições as abelhas pensam em tudo menos em ferrar seja quem for…

Um apicultor "babado":

Um apicultor "muito babado":

Obrigado Mário e Natália, pela simpatia com que nos receberam e pela forma como tratam as abelhas.

Abelhas, ovelhas, quem se importa?...

30 agosto, 2010

Montedomel: visita 80.000 - 100.000

Caros amigos,

Volvidos dois anos e dois meses da sua criação, o blog atingiu hoje o número record de 80.000 visitas.
Quero agradecer a todos os participantes, visitantes e amigos em todo o mundo, pelo apoio e incentivo que têm dado ao montedomel.
Creio que não estamos muito longe da visita n.º 100.000, matematicamente faltam 20.000 e pelas minhas contas deverá ocorrer lá para o fim do ano.
Para assinalar o evento deixo-vos mais um desafio, desta vez um “Concurso de Fotografia”, que se inicia desde já e termina até às 24 horas (TMG) do dia em que se atingirem as 100.000 visitas.

Regulamento…

Não será obviamente um concurso com grande “cerimónia”, os prémios serão simbólicos e os três primeiros lugares publicados no blog, mais alguma menção honrosa se o júri assim o decidir.

1. O período de participação decorrerá entre hoje (30–08–2010) e as 24 horas TMG do dia em que se atingirem as 100.000 visitas.

2. O tema do concurso será obviamente “APICULTURA” e poderá/deverá ser interpretado da forma mais criativa possível por cada um dos participantes.

3. Serão excluídas as fotos com tratamento de imagem por meios digitais e ou outros.

4. As fotos serão em formato digital e no máximo de 3 (três) por cada participante.

5. As fotos devem ser enviadas para o mail: montedomel@gmail.com identificadas com o nome, localidade, região e país do participante.

Posteriormente serão enviadas por mim em CD e sem identificação, para o júri que as avaliará e publicadas na semana seguinte.
Alguma “coisa” que me tenha escapado será reparada pelo júri nomeado para o efeito.

Muito obrigado,

Joaquim Pifano

28 agosto, 2010

26 agosto, 2010

Tarte de Coco e Mel...

Clique na imagem para ampliar

"...e agora algo completamente diferente", encontrei na revista TV 7 dias, enquanto a folheava.
Caso alguém resolva experimentar não precisa de me enviar fotos ou comentários para o mail, mandem mesmo um pedaço...

23 agosto, 2010

Transumância - Verão 2010

Acabou-se o girassol.
Que saudades do tempo em que a PAC e a OMC pouco ou nada influenciavam a nossa agricultura. Um tempo em que cada agricultor semeava o que queria ou pelo menos o que lhe desse melhores possibilidades de produção, respeitando obviamente a rotatividade e a aptidão dos terrenos.
Com esta filosofia sempre havia quem produzisse girassol. Mais nuns anos, menos noutros, mas sempre havia qualquer coisa que garantisse o sustento das abelhas (e apicultores) durante o Verão.
Há cinco ou seis anos atrás, com o fim do “giracídio”, a ausência de incentivos comunitários levou ao fim desta cultura que tanto embelezava os campos. Recordo-me do primeiro Verão sem girassol, em que um agricultor teve a feliz (ou infeliz) ideia de usar algum resto de semente que tinha em armazém e semeou meio hectare. Passei por lá para fotografar as abelhas e cheguei a encontrar mais de uma dezena na mesma flor, “trinta cães a um osso” como se diz na minha terra…
Pouco depois, com a subida do preço dos combustíveis e a alternativa do bio-diesel, nova corrida ao girassol, já sobravam flores para as abelhas. Os combustíveis voltam a baixar (ou não…), o ano passado ainda houve algum girasso mas este ano: nem para fazer uma mezinha…

Em finais de Junho com as elevadas temperaturas:

- Aumenta o perigo de incêndio nas zonas de mato (apiários de Primavera)
- Secam os regatos onde as abelhas bebem
- Riscos da cera derreter e destruir as colónias
- Ausência de qualquer floração para sustento das abelhas…

Acabamos por decidir-nos pela transumância para locais mais próprios para o Verão, sem flora de confiança no destino, mas as alternativas não são muitas. Na realidade até há o cardo e a melada de azinho, mas o girassol dar-nos-ia muito mais garantias.

Uma confissão: o “clique” que este ano me fez “colocar as colmeias às costas” e partir para outro lugar, teve sobretudo a ver com o mau estar que eu próprio sentia com as altas temperaturas. Apesar de ter acesso a variadíssimas formas de me refrescar, a consciência picava-me mais que as abelhas: não suportava imaginá-las sob o Sol escaldante numa apertada e superpovoada caixa de madeira com tecto de chapa…
Graças a um pastor e a um proprietário agrícola amigos, ambos apicultores, consegui um espaço à sombra (quase 24 horas por dia) e junto a um pequeno charco com água de nascente.

Fotografia anterior: tirada ao meio dia, com todas as colmeias à sombra.

Trata-se de um local muito curioso, essencialmente calcário e em cujo subsolo decerto deve passar um caudaloso rio subterrâneo, dada a facilidade e a quantidade com que a água surge à superfície.O tom azul-esverdeado da água é um garante da sua pureza e frescura.
O Sr. Francisco, o pastor, garantiu-me que nas horas de mais calor via uma nuvem de abelhas a pairar sobre o charco. Mais acima era outra nuvem, esta de abelharucos, que aproveitavam para "tirar um petisco..."

E as abelhas parecem corresponder à oportunidade que lhes é oferecida para fazer face ao rigoroso Verão de 2010:

As abelhas quase nunca bebem directamente na água, fazem-no sim sugando a "humidade" na areia ou na lama, mas o calcário ensopado também serve perfeitamente esse propósito. Com mais uma vantagem: o contraste do solo branco é óptimo para fotografar as abelhas que matam a sede...

Cuidado…!!!

Decididamente a transumância e o próprio maneio apícola ficam mais fáceis à noite, principalmente no Verão: as abelhas mais calmas e as temperaturas mais baixas permitem-nos fazer qualquer tarefa.
Este ano a diversão foi tal que o jantar ocorreu às 2:30 horas da madrugada, grãos com bacalhau e um vinho tinto da região. Estímulo que nos levou a colocar as alças em todas as colmeias quando já passava bem das 3:00 horas…

Não é comum abrirmos colmeias com a Lua no firmamento, mas lá que é divertido isso é! As abelhas voam menos, caminham mais, sobem-nos pelos pés, pernas e… dói que se farta!

Estou a pensar seriamente em partilhar toda esta diversão com os visitantes do montedomel, pelo que os interessados ficam desde já convidados para o regresso das colmeias aos apiários de Inverno/Primavera, o que deverá ocorrer lá para finais de Setembro ou princípios de Outubro.

Ainda assim, continuo a sentir muito a falta do girassol na região. Decerto que este ano as produções vão ficar muito aquém do habitual. Devo no entanto dizer acerca desta cultura que este ano “são poucos mas bons” ou não fosse ter encontrado o seguinte exemplar num jardim em Avis que até já foi notícia num jornal da região:

Fenómeno
Girassol gigante cresceu em Avis


Não é a primeira vez que damos notícia de alguns fenómenos que fariam corar os habitantes do Entroncamento, a terra dos fenómenos. Primeiro uma couve. Seguiu-se uma abóbora e agora é a vez de um girassol que nasceu e cresceu num quintal, em pleno aglomerado urbano na freguesia de Avis, a merecer honras de destaque. O senhor Silva é o obreiro de ter feito crescer um girassol, que chegou aos 5,30m de altura. Um grão que foi tirado ao jantar das caturras torna-se assunto de jornal, depois de ter sido motivo de conversa entre a família e os vizinhos. Num intervalo de três dias o girassol - que segundo a wikipédia foi domesticado pelo homem por volta de 1000 anos a.C e pode atingir os 3 metros – «cresceu cerca de 40 cm». Ainda segundo este sítio na internet, «na Hungria, acredita-se que a semente do girassol cura infertilidade, e sementes colocadas na beira da janela, em uma casa onde exista uma mulher grávida, o filho será homem». O filho do senhor Silva, Hélio Silva, surpreendido com altura do Helianthus annuus pesquisou na internet e encontrou «uma situação semelhante, numa notícia de um girassol com 5,20 metros». Temos fenómeno.

Cortesia: Jornal A Ponte, Agosto de 2010, João L. Ruivo

22 agosto, 2010

20 agosto, 2010

Cerificador Solar

Para aproveitar as elevadas temperaturas do Verão de 2010 cá temos mais uma excelente obra do amigo Octávio Rodrigues. Trata-se de um Cerificador Solar, construído sobretudo com materiais reciclados.
De facto, este Verão tem sido “óptimo” para a reciclagem das ceras. As altíssimas temperaturas que se têm feito sentir acabam afinal por ter alguma utilidade, quanto mais não seja a poupança em gás e electricidade para mais esta tarefa apícola.
Ainda se pode dizer em jeito de graça que o planeta Terra por mais que nós o destruamos continua sempre a primar pelo equilíbrio, senão veja-se:
As alterações climáticas (entre outras razões) que têm dizimado milhões de colónias de abelhas a nível mundial, caracterizadas sobretudo pelo aquecimento global, têm permitido que este mesmo aquecimento nos ajude a reciclar as ceras das colmeias “despovoadas”… a vida tem destas ironias…



A Construção do Cerificador Solar

A caixa tem como dimensões exteriores 118 x 73 x 14 cm, se bem que estas medidas possam ser adaptadas à necessidade do apicultor tal como aos materiais reciclados disponíveis para o efeito.

O tabuleiro (interior), em chapa zincada, tem 85 x 68 cm, foi fixo ao fundo da caixa com espuma de poliuretano, cujas propriedades isolantes ajudam à manutenção da temperatura.

É sobre este tabuleiro que a cera uma vez fundida e filtrada vai escorrer para dentro do recipiente.

O não aproveitamento do comprimento total da caixa de madeira justifica-se com a necessidade de espaço no interior para colocação dos recipientes que recebem a cera fundida.

Os quadros com ceras velhas, opérculos e outros restos de cera são colocados sobre uma rede de malha fina, que se encontra sobre o tabuleiro interior e que serve para filtrar resíduos como o pão de abelha e outras impurezas de maiores dimensões.
A rede com malha de 1 mm apresenta muito boa funcionalidade:

Todo o conjunto foi inclinado com a colocação de “pés” com cerca de 30 cm de altura. Tal pormenor permite não só facilitar o escorrimento da cera como também apresentar o vidro mais perpendicular à incidência dos raios solares.

Outro pormenor da construção: o aproveitamento de uma calha de plástico, onde se aplicou uma ripa de madeira longitudinalmente e que servirá como encaixe para os dois vidros de 3 mm (vidro duplo 2 x 3 mm) da tampa.

A temperatura interior é de tal forma elevada que pode destruir os quadros com partes em plástico.

É curiosa a opinião dos apicultores: o mesmo calor que há semanas atrás destruiu ceras e mel, arrastando inclusivamente as abelhas, é agora de grande utilidade para fundir e reciclar as ceras.
Como se diz na minha terra: nunca nos damos temperados…
Os parabéns ao Octávio Rodrigues pela forma lúdica e muito criativa com que se tem dedicado à apicultura e por partilhar as experiências connosco!

15 agosto, 2010