Claro está que para cada estação ou propósito é sabido que a composição e a viscosidade do alimento apresentarão diferenças. Consequentemente o tipo de alimentador também terá de ser adaptado ao alimento a ministrar.
Certo é que nestes anos todos ainda não conheci um alimentador que satisfizesse todos os requisitos, nomeadamente:
- Fácil acesso às abelhas
- Que permita o aproveitamento total do alimento.
- Não entorne
- Seja seguro para as abelhas
- Económico
- etc…
Com a chegada do mês de Outubro, o espectro do Sindroma do Despovoamento de Colmeias começa a causar estragos. Mais no nosso espírito que propriamente nos apiários.
Há dois anos consegui recuperar mais de 60 colmeias onde a nota dominante era um enfraquecimento geral e uma diminuição acentuada da população. Bastou a administração de um xarope viscoso à base de açúcar branco, mel e pólen tal como foi veiculado neste blog.
No ano passado, 90 colmeias com os mesmos sintomas, o mesmo tratamento alimentar e apenas 45 sobreviveram. Talvez a alimentação não seja o factor determinante, apesar da grande importância.
Este ano nem esperei que elas enfraquecessem, apressei-me a confeccionar um alimento (caro) com 60% de mel e 40% de pólen. O objectivo foi mesmo a obtenção de uma “bomba” energética e proteica, para que as eventuais carências nutricionais não fossem uma desculpa.
Ainda é cedo para falar em resultados, o mês de Outubro já passou, mas Novembro também costuma ter a sua quota-parte de culpa…
Comecei há uns anos atrás com os sacos de plástico, muito baratos e eficazes mas com pouco rendimento em termos de aproveitamento do xarope, sobretudo quando é muito viscoso. A grande superfície de contacto do saco leva a que boa parte do pólen “melado” adira às paredes em zonas enroladas e inacessíveis acabando por se estragar.
Quando o alimento é demasiado líquido o saco de plástico torna-se mesmo inútil, face às perdas que se verificam…
Tentei solucionar esse problema com bons resultados: abrindo o saco sobre um prato de plástico e colocando folhas secas e palha para evitar afogamentos. O saco passou a funcionar apenas como recipiente para o transporte e como doseador.
No entanto, a palha e outras matérias vegetais costumam carregar microorganismos que aceleram a decomposição do alimento e decerto alguns patogénicos, pelo que cedo abandonei esse método.
Estava entretido a imaginar qualquer sistema que flutuasse, permitindo o acesso ao alimento e que impedisse o afogamento das abelhas quando as eternas discussões para o orçamento de estado me inspiraram para uma plataforma cheia de buracos, que descesse à medida que o xarope fosse consumido.
Vão-se lá saber as razões de tal associação, mas a mente humana…
Comecei então por recortar o fundo redondo de um prato de plástico, fazer-lhe vários orifícios e colocá-lo sobre o alimento artificial noutro prato. As abelhas poderiam aceder ao xarope ao longo de toda a borda do prato e se a população fosse muita também poderiam pousar na plataforma e alimentar-se pelos orifícios.
Resultados:
Plataforma de plástico perfurado (fundo de um prato):
Custos: 0,05 €/prato o que totaliza 0,10€/colmeia.
Rede de Plástico (malha de 4 ou 5 mm)
Desvantagens: o facto de ser um material algo rígido tem tendência a enrolar e afundar nas pontas, perdendo-se aí o efeito de plataforma e causando algumas baixas. Mais uma vez o problema das paredes não verticais do contentor do xarope.
Custos: Rede a 2,00€/m2, 60 discos/m2 o que equivale a 0,033€/disco mais 0,05€/prato, dá cerca de 0,08€/colmeia.
Rede Mosquiteira de Plástico
Única desvantagem: a dificuldade em recortar a plataforma (discos) ou o problema foi mesmo da tesoura que utilizei…
Custos: Rede a 1,00€/m2 o que dá cerca de 0,016€ + 0,05€ = 0,07€/colmeia.
Cuidados adicionais:
O ideal será utilizar pratos de sopa (mais fundos e que caibam entre a tampa e a prancheta, permitindo o acesso às abelhas) ou outro recipiente que tenha a borda pouco inclinada e o fundo com paredes verticais:
Alimentar só ao fim do dia para evitar a pilhagem entre as colónias.
Mais que apresentar certezas acerca do tipo de alimentador a utilizar, este post pretende sobretudo sensibilizar os visitantes para a partilha de conhecimentos e experiências neste domínio.
Obviamente que o montedomel está disponível e agradece antecipadamente toda a informação que possam enviar acerca deste e de outros assuntos!
http://montedomel.blogspot.com/2008/12/alimento-artificial-de-inverno.html
http://montedomel.blogspot.com/2009/10/alimento-artificial-para-abelhas-formas.html
http://montedomel.blogspot.com/2009/11/alimentadores-artificiais-colectivos-e.html

