04 novembro, 2015

As Melinhas dos Açores e o Ovo de Colombo…

Segue-se uma curiosa história, passada recentemente, e cuja moral poderá servir a todos os apicultores. 

Faz lembrar aquela conhecida piada de alguém que se queixava a Deus por nunca lhe sair a lotaria, em que o Criador como resposta apenas lhe pediu uma pequena ajuda: que o interessado comprasse ao menos uma cautela, pois de outra forma era missão impossível…

É possível fazer uma encomenda de Donas Amelias confeccionadas com Mel em vez de utilizar melaço de cana-de-açúcar?”

E foi assim a abordagem ao dono do QB Food Court, pastelaria de grande requinte e qualidade com sede em Angra do Heroísmo. A resposta foi pronta: “porque não?!”.

No dia seguinte saíram do forno as Melinhas (versão Dona Amélia com Mel). A expetativa era grande e não ficou defraudada. As Melinhas não estavam boas, estavam excelentes.

Na semana seguinte a pastelaria QB Food Court já publicitava a novidade: “Melinhas confecionadas com Mel dos Açores”.



A ideia partiu da Frutercoop, na sequência do III Concurso Nacional de Mel da Sociedade de Apicultores de Portugal e I Concurso de Mel do Parque Florestal de Monsanto Monsanto e do I Concurso de Doçaria de Mel da Sociedade dos Apicultores de Portugal no âmbito do Protocolo assinado entre a SAP e o Parque Florestal. O concurso decorreu simultaneamente, como parte integrante da comemoração do octogésimo aniversário do Parque Florestal de Monsanto e teve lugar no passado dia 31 de outubro.

As Donas Amelias são uma receita típica da Ilha Terceira, tendo a sua origem em 1901, aquando a visita Régia da Rainha D. Amélia de Orleans e Bragança e do Rei D. Carlos pela Ilha Terceira. Este doce que foi confecionado em forma de uma queijada, provém de um outro bolo mais antigo, feito com especiarias. Os habitantes da ilha ofereceram ao Rei e à Rainha como forma de agradecimento, as queijadas, atribuindo assim o nome da Rainha aos doces, como forma de homenagem.

Quantas vezes nos queixamos das dificuldades/impossibilidades de escoamento do nosso mel?
Quantas vezes nos lembramos de sugerir aos potenciais clientes que possuímos um dos produtos naturais mais saudáveis para a alimentação?
Quantos bolos, doces e sobremesas tradicionais portugueses beneficiariam da substituição de outros adoçantes pelo nosso mel?

Fica a ideia, obrigado FRUTERCOOP pelo exemplo!!!


03 novembro, 2015

Formação de Apicultura - Gouveia - Sintra

Inscrição e Informações:
apipoeira@gmail.com  927066628

13 outubro, 2015

Avis mellífera 2015 e XVIII Encontro da Agricultura Familiar Alentejana

Este ano a ADERAVIS e a RURALENTEJO, em parceria, vão organizar os respectivos eventos anuais, Avis mellífera e Encontro da Agricultura Familiar Alentejana, no mesmo dia e no mesmo local, apenas a horas diferentes.

XVIII Encontro da Agricultura Familiar Alentejana - 10:00 h
Jornadas Técnicas Apícolas Avis mellífera 2015 - 14:30 h

Será interessante a participação dos apicultores no Encontro da Agricultura Familiar, uma vez que uma das comunicações sobre o PDR 2020 será dedicada aos investimentos no sector apícola.

Lembramos uma vez mais os interessados em participar no almoço organizado que devem contactar a ADERAVIS até ao dia 16 de Outubro (Sexta Feira) através do email: montedomel@gmail.com
O almoço será no restaurante Clube Náutico, a partir das 12:00 horas e constará de:
Sopa + Carne à Alentejana + Bebidas + Sobremesa + Café e custa 12,00€/pessoa.

25 agosto, 2015

Avis mellífera - 2015

Avis mellífera 2015

À semelhança dos anos anteriores, a ADERAVIS vai uma vez mais realizar as Jornadas Técnicas Apícolas – Avis mellífera, certame que celebra nesta edição o oitavo aniversário!

Mais uma vez convidamos todos os apicultores, técnicos, dirigentes associativos e demais agentes do sector a participarem nas jornadas que já se tornaram um ex libris da região, na medida em que são o evento privilegiado para a troca de conhecimentos e experiências, oportunidade de negócios e pura confraternização.

Por razões alheias à nossa vontade mais uma vez tivemos de alterar a data do evento, sendo desta vez marcadas para o dia 24 de Outubro de 2015, pelas 14:30 horas no Auditório Ary dos Santos, mesmo ao lado do local onde habitualmente se realizam.

Este ano associamo-nos ao Ruralentejo na organização do XVIII Encontro da Agricultura Familiar Alentejana, certame que ocorrerá no mesmo lugar na parte da manhã, pelo que fica também o convite aos interessados nesta temática a participarem nesse colóquio.

Programa Avis mellífera 2015

09:30 horas – Concursos de Mel de Rosmaninho e Multifloral
José Gardete, Paulo Varela, Jorge Rocha

12:00 horas – Almoço livre e ou organizado pela ADERAVIS*

14:30 horas – Colóquio

Sessão de Boas Vindas pelo Município de Avis, Freguesia de Avis e Direcção da ADERAVIS

A Minha Apicultura
Harald Haffner, A Colmeia Azul
Uma forma diferente de estar na apicultura e com as abelhas, uma partilha de experiências e conhecimentos que nos são trazidos pelo conhecido apicultor austríaco residente no nosso país.

Sanidade Apícola
Apitraz – Nuno Costa, CALIER
Api Bioxal – José Serranito, QALIAN
A eterna questão da varroose, da correcta aplicação de medicamentos e as respectivas eficácias.

Apitoxina, o veneno da abelha
Daniel Catalão, Bee’O
Uma excelente oportunidade de diversificação da produção apícola e de negócio para os apicultores.

Tecnologia Apícola
APiS, a colmeia inteligente
Miguel Bento, Apistech
Mais que tudo será uma surpresa, a colmeia que há muito se fala… e se deseja!

Moderador: José Gardete

17:30 Horas – Entrega dos Prémios do Concurso de Mel
18:00 Horas – Encerramento das Jornadas Avis mellífera 2015

* ALMOÇO ORGANIZADO PELA ADERAVIS
Restaurante Clube Náutico (Avis) – 12,00 €/pessoa

Sopa + Carne à Alentejana (ou outro) + Bebidas + Sobremesa + Café

Inscrições para o Almoço: Enviar email para: montedomel@gmail.com

21 agosto, 2015

APiS, a colmeia inteligente

Tripla parede
A Colmeia APiS utiliza uma tripla parede com isolamento intermédio, garantindo um melhor isolamento térmico da colónia perante as variações de temperatura exterior.

Tinta elástica de cortiça
A colmeia APiS recorre a uma tinta inovadora no mercado, que alia um elevado grau de elasticidade a uma composição à base de cortiça. Desta forma, as nossas colmeias são mais resistentes à humidade e às deformações próprias da madeira. A cortiça garante-lhe um isolamento superior ao proporcionado pelas tintas normalmente utilizadas.

Asas de suporte
As asas de suporte da Colmeia APiS permitem ao apicultor segurar a colmeia com mais facilidade, enquanto executa os seus trabalhos nas colónias ou as transporta.

O resultado é uma colmeia:
- Termicamente mais eficiente, cerca de 50%
- Maior durabilidade

- Manuseamento mais confortável

Sistema de Monitorização

O sistema de monitorização APIS pode ser colocado em qualquer colmeia e permite acompanhar remotamente e em tempo real, todos os parâmetros relativos ao estado das suas colmeias.

Logística simplificada
Verifique a posição geográfica dos apiários, compare a produção entre colmeias e saiba quando tem ou não que fazer uma inspeção. Mantenha um registo digital de cada inspeção e manutenção do enxame.

Agora as visitas semanais a cada apiário e colmeia, que apenas serviam para inspecionar e verificar se tudo está bem com o enxame, podem ser evitadas. Para isso o apicultor apenas tem de aceder à Plataforma APiS a partir do seu computador, smartphone ou tablet.

Controlo o estado da sua colónia
Além de fornecer um ambiente seguro e otimizado para as abelhas, é possível receber alertas caso as colónias precisem de uma inspeção, permitindo ainda perceber se a nova rainha na colmeia já iniciou a postura.

Monitorização de desempenho
Monitorize o fluxo de entrada e saída de abelhas na colmeia, acompanhe o desenvolvimento dos seus enxames e preveja a produção de mel antes da colheita.

Controlo de ameaças
Permite gerar alertas em tempo real em caso de furto de colmeias, em caso de roubos entre enxames, ou se as colmeias foram derrubadas pelo vento ou animais de grande porte.

Como funciona
O sistema de monitorização APIS é aplicável em qualquer colmeia e muito simples de utilizar, mesmo para aqueles que não estão tão familiarizados com as novas tecnologias.

Em cada colmeia existe uma caixa de sensores que se liga, sem fios, a um sistema central que agrega os dados de todas as colmeias e os envia para uma plataforma web. Não importa o quão longe o apicultor está da colmeia, poderá estar sempre a par do que se passa com as suas abelhas, bastando para isso conectar-se à Internet.

1 – O Sistema de Monitorização recolhe dados de forma contínua sem que as abelhas sejam perturbadas.

2 – Os dados são enviados para a internet (cloud).

3 – O apicultor pode aceder em tempo real a todos os dados da colónia.

Para mais informações:


www.facebook.com/apistechnology

Concurso APISTECH
(Oferta de Colmeia APiS sem sistema de monitorização)

 http://apistech.eu/giveaway/

16 junho, 2015

I Simpósio APICAVE - Braga

27 de Junho de 2015
Campo da Vinha - BRAGA

Para mais informações: apicave.associacao@gmail.com

13 março, 2015

XX Congresso de Apicultura - Belém do Pará - Brasil - Novembro 2014

Desde a primeira vez que estive na Amazónia não passa um dia sem que eu tenha de arranjar um bom argumento para não voltar para lá de vez… Em Novembro passado ou me faltaram os argumentos ou aliando a isso o facto de o XX Congresso Brasileiro de Apicultura se realizar em Belém do Pará fiz as malas e lá fomos.

O Norte do Brasil não é das regiões do país onde a apicultura está mais desenvolvida, pois o tipo de vegetação não é muito propícia às abelhas Apis, mas sim aos Meliponideos, no entanto há aí imensos apicultores com grandes explorações e a desenvolver trabalhos interessantíssimos.

Mais importante ainda foi a excelente oportunidade de rever amigos que já conhecíamos, tal como conhecer novos técnicos e apicultores e como eles abundavam: de facto o Brasil é um país imenso, o evento conseguiu reunir uns largos milhares de participantes.

1. Sobre as palestras

Não assisti a muitas, só por lá andei um dia e meio, mas retive as pérolas do que ouvi sobre a Sanidade Apícola, nomeadamente acerca dos OGM e dos Agrotóxicos, e cujas conclusões passo a partilhar:

- OGM sem efeitos comprovados sobre as abelhas.
- São benéficos porque se usam menos pesticidas. (para rir…)
- Agricultura com OGM resulta em pastos pobres para as abelhas (por causa das monoculturas e da restante vegetação ser dizimada por herbicidas, visto a cultura ser resistente).
- Rejeição do mel pelos mercados.
- Europa permite o comércio de mel com baixa percentagem de pólen OGM.

… e se isto não foi encomendado, não encontro outra razão para se ventilarem tais barbaridades.

Acerca dos Agrotóxicos (Neonicotinóides) o panorama não foi muito diferente:

Muito resumidamente o IBAMA, seguindo o processo habitual de registo e avaliação de agrotóxicos, concluiu que os Neonicotinóides eram prejudiciais para as abelhas e sensatamente proibiu o seu uso. Os agricultores contestaram tal decisão, pressionaram o IBAMA que resolveu desencantar um meio-termo. Resultado: para algumas culturas manteve-se a proibição e para outras apenas se permitiu o seu uso fora do período de floração e visitas das abelhas. Seguiram-se outras pérolas onde se tentou demonstrar que os Neonicotinóides não estão relacionados com o CCD e que o pudor me impede de aqui reproduzir.

Ora estas medidas parecem algo concertadas com as votadas aqui na velha Europa, com a agravante de em Portugal a ministra da agricultura tentou a todo o custo impedir votando contra a proibição de tais pesticidas, felizmente que estava isolada (ou quase), sina que há muito contempla este triste e Ocidental rectângulo, desta vez para nossa felicidade.

Ficou por fazer a pergunta sobre se a “vontade” dos agricultores têm influência na toxicidade dos pesticidas e por assim dizer na saúde dos humanos e demais seres vivos, mas estava num lugar demasiado bonito para ficar por ali a ouvir disparates destes e abandonei o colóquio.

2. Sobre a Exposição de Equipamentos e Utensílios Apícolas

Confesso que esperava mais do espirito inventivo e criativo dos brasileiros que tantas e tantas vezes nos surpreendem com fantásticas e úteis novidades, seja na apicultura ou noutros sectores. O que não invalidou que não nos tivéssemos deparado com utensílios e conceitos muito pertinentes.

Foi deveras interessante percorrer o espaço dos stands onde a imensa simpatia dos participantes nos proporcionou momentos de muita alegria, e porque não dizer que encontramos equipamentos e ideias práticas cuja aplicabilidade devia ser tida em conta pelos nossos apicultores.

Repara-se no pormenor do enorme fumigador, muito apropriado para a agressividade das abelhas africanizadas. Já os tampos das colmeias, também protegidos com metal, parecem ser algo simplificados, faltando-lhes as bandas laterais o que me parece torna-los menos seguros em caso de ventania, nada que não se resolva com uma pedra em cima, assim faço eu.

Colmeias equipadas com dispositivos para o Própolis

No campo das colmeias, o modelo utilizado é maioritariamente a Langstrooth, quase sempre adaptadas com os dispositivos laterais para a colecta do própolis ou pelo menos naquelas cuja exploração se presta a esse fim.

Outras havia, equipadas com alças capta-pólen, ou então com essa função no estrado, o que faz todo o sentido numa região famosa pela sua humidade. Parece por isso ser mais viável proteger as gavetas de pólen no interior da colmeia, sempre evitam alguma chuva repentina:


Gostei bastante dos equipamentos de inspecção de colmeias, vulgo fatos de apicultor. Encontrei desde os muito semelhantes aos nossos, com tecidos leves e frescos, arejados, e que permitem um trabalho mais confortável.

Chamou-me no entanto a atenção outros macacões esverdeados, que me pareciam destinados a apicultores “de barba rija”! 
Aquilo impressionava pela rudeza e aspecto grosseiro do tecido. Devo mesmo acentuar o “grosseiro”, pois mais pareciam confecionados em lona de camião e forrados por dentro com uma espécie de feltro negro. Nem abelhas mutantes com ferrão de aço deviam conseguir penetrar aquela verdadeira muralha de tecido, o pior é para quem tenha de o usar naquelas latitudes quentes e húmidas. Mais uma vez a criatividade dos nossos irmãos além atlânticos resolveu o problema: um orifício protegido por uma patilha de velcro permite a introdução de uma palheta para a ingestão de água ou de um suco gelado – achei a ideia GENIAL!!!

3. Sobre os Produtos da Colmeia

Voltei a constatar algo que já sabia: a excelente qualidade do mel e dos outros produtos, aliada a uma imagem de venda excepcional e deveras criativa, tal como a tremenda variedade de subprodutos e derivados que já são bastante aceites pelos consumidores. Repare-se na apresentação de alguns dos méis em garrafa, dada a pouca viscosidade dos mesmos, característica que nalguns casos ainda constitui um problema de conservação por causa da humidade excessiva.

Muito interessante a forma como combinam o mel com outros produtos típicos da região, nomeadamente a famosa castanha do Pará e o Cupuaçu entre muitos outros.

4. O Ovo de Colombo

Na imagem seguinte a maquete de uma melaria móvel para atrelar num camião.
Um assunto que para já fica por aqui mas que brevemente irei dissecar!


Tarumã - Com a Associação de Criadores de Abelhas de Manaus.

Já longe de Belém do Pará, nomeadamente em Manaus e em Jamaraquá, esta última perto de Alter do Chão (Santarém do Pará), tivemos oportunidade de confraternizar com apicultores e meliponicultores que já conhecíamos, entre outros que fomos conhecendo. De assinalar a tarde de criação de rainhas em Tarumã, com os associados da ACAM Manaus, momentos verdadeiramente bem passados.

Comunidade de Jamaraquá (Rio Tapajós) - Alter do Chão - Santarém do Pará

O sítio do João Fernandes, que já conhecíamos de 2011, com muitas dezenas de colónias de meliponídeos em redor da casa. Munidos de uma seringa íamos de colmeia em colmeia provar o mel destes incríveis insectos, impressionavam sobretudo porque apesar de disporem da mesma floração, as características do mel também dependiam do tipo de abelha que o produzia.

5. A Aventura!!!

Há muito que queríamos colocar isto no curriculum: subir o Rio Amazonas num dos pitorescos barcos “gaiola” que transportam pessoas e mercadorias pelo Pará e pela Amazónia. Em duas palavras: épico e surrealista!

Nunca tínhamos tido tais experiências de viagem, que são claramente para repetir logo que haja oportunidade.

Aconteceu de tudo nos seis dias de navegação rio acima, 1700km entre Belém e Manaus, começando por um atraso de nove horas à saída que se agravaram para 24 à chegada. Comida do barco estragada ao segundo dia, perdemos um motor, encalhamos num banco de areia e ainda abalroamos outra embarcação, entre outras que agora não me ocorrem, mas o saldo foi francamente positivo.

Ficávamos até às quatro da manhã a ouvir as melhores histórias da Amazónia pelo amigo Nelson Cauby que andou quinze dias perdidos na selva, e como estas histórias têm outro encanto quando o cenário são as impressionantes margens arborizadas do Amazonas iluminadas por um Luar que só aí se encontra.


Índios Sateré Mauwé - Rio Ariau, Índios Dessana - Praia do Tupé. 

A minha festa de aniversário, comemorada com Sidra e Açaí na tolda do Liberty Star: eu e a Luísa, o francês Jacques, o casal de belgas Jeremy e Adéle, o português emigrado na Suiça Ricardo, os brasileiros Carlos e Amélia e os holandeses que não fixei o nome, mais pareciamos um grupo de expatriados em trânsito, com tudo o que isso tem de épico!