Fotografia obtida por um amigo num Hipermercado, em Angra do Heroísmo na Ilha Terceira - Açores.
Assinalou-se a área de exposição dos méis desta ilha, a amarelo, em comparação com a restante área para os méis de outras ilhas dos Açores, méis do continente, da Europa, da Não - Europa, das Misturas Europa e Não Europa, talvez até de outros pontos do Sistema Solar, mas é pouco provável...
27 novembro, 2012
22 novembro, 2012
Mel de "Santa Maria de Todo o Mundo"...
Video enviado por um amigo
"No creo en las brujas, pero que las hay, las hay"
...e mais não digo!
18 novembro, 2012
Beetracker & Beechip
Clique nas imagens para ampliar
Finalmente o que nos parece ser um excelente sistema anti-roubo, disponível na MACMEL, para mais informações clique em:
13 novembro, 2012
मधुमक्खीपालन na Índia
Desta vez fui mesmo com pouca fé na “api-reportagem”.
Não só o desconhecimento quase total das práticas apícolas na
Índia, como as barreiras linguísticas e outras dificuldades que um país tão
populoso sempre apresenta, tornaram a missão quase impossível.
No entanto, não houve jardim público, mata, terreno de
cultivo ou simples vaso com flores onde não espreitássemos a possibilidade de
encontrar uma abelha a colectar o néctar. Certo é que as não havia, boa parte
do circuito foi em meio citadino e decerto que a elevada poluição atmosférica
há-de ter encorajado estes insectos a procurarem pastagens mais longe.
Mesmo quando questionava os habitantes locais, através da
preciosa ajuda dos guias, a resposta era sempre evasiva ou até negativa.
Estávamos na região Norte, mas as referências apícolas apontavam ainda mais para
Norte ou para Este.
Só mais tarde outro dos guias nos conseguiu indicar locais
onde com alguma certeza havíamos de encontrar explorações apícolas. Não sem que
tais interesses lhe fizessem alguma confusão, visto que os operadores
turísticos não estão ainda sensibilizados para a oportunidade que as
ruralidades deste género podem representar para o sector.
Deslocávamo-nos então por uma zona rural, entre Jaipur e
Agra, quando ali mesmo ao lado da autoestrada nos deparamos com o primeiro
apiário. Tinha umas quantas dezenas de colmeias, pintadas de branco e marcadas
eventualmente com as iniciais do
proprietário.
O modelo era semelhante à Langstrooth, cuja prancheta fora
substituída por uma serapilheira. Infelizmente as colmeias pareciam
despovoadas, não se detectando qualquer movimento de abelhas no exterior, nem
tão pouco nas flores em redor, apesar do calor que se fazia sentir.
Mais à frente, junto ao povoado de Bhartpur, região de campos
de cultivo, numa enorme clareira surgiu então um grande apiário com dezenas de
colmeias do mesmo modelo das anteriores, mantendo o pormenor da serapilheira
sob o tampo.
Neste assentamento havia um pormenor deveras curioso: mesmo
ao centro do extenso apiário encontrava-se uma tenda de campanha, em lona azul,
montada sobre uma estrutura de madeira. Pareceu-nos uma forma bastante
pitoresca de estar na apicultura, decerto o apicultor permanecia junto à
exploração nas épocas de maior actividade.
Enquanto aguardava pela autorização de visitarmos as
colmeias, conseguida por um dos motoristas que nos acompanhavam, vi as
primeiras abelhas Apis cerana (?)
pousadas sobre as flores. À primeira vista lembravam os híbridos da abelha
negra europeia com a amarela italiana, mas a tonalidade e sobretudo a
sobriedade das cores envolvidas era algo diferente. Comparei-as com fotos de A. cerana na net e mantenho as mesmas
dúvidas pelo que prefiro deixar a classificação para segundo plano.
Finalmente vi aparecer
o Sanjay com o sorriso habitual e com ele o almejado apicultor, de nome Shubash
Chand, conforme o motorista Anil Sharma mais tarde escreveu no meu caderno. Tínhamos
finalmente alguém com quem falar sobre a apicultura local.
Começou por abrir uma das colmeias, onde logo percebemos quão
dóceis eram estas abelhas, permanecendo impávidas e serenas no quadro que ele
retirou para nos mostrar. Ao fim de algumas colmeias abertas percebemos que as
colónias nesta fase do pós cresta, decerto atravessam algum período menos
activo, dado o reduzido número de quadros ocupados em cada caixa.
Não se viam quadros colados ou mesmo os característicos
depósitos de própolis no interior das colmeias, que de resto me pareceram muito
limpas e higienizadas.
À minha questão o Shubash negou deslocar o apiário para
outras pastagens, limitando-se quase que exclusivamente à exploração do néctar
das culturas de mostarda, típicas do local e cuja floração não dura mais de dez
dias e que ainda assim conseguem encher uma alça de mel. Fiquei maravilhado: 10
dias de produção – 10 kg de mel.
Ocorreu-me depois que vivo numa realidade semelhante: Nos últimos anos, dos cerca de 50 dias que dura a floração do Rosmaninho, subtraindo os períodos de frio e chuva, sobretudo os dias ventosos, tenho contado entre os 9 e os 15 dias óptimos e isso traduz-se em produções médias entre os 15 e os 25 kg/colmeia.
Ocorreu-me depois que vivo numa realidade semelhante: Nos últimos anos, dos cerca de 50 dias que dura a floração do Rosmaninho, subtraindo os períodos de frio e chuva, sobretudo os dias ventosos, tenho contado entre os 9 e os 15 dias óptimos e isso traduz-se em produções médias entre os 15 e os 25 kg/colmeia.
Já no período de carência, este apicultor quase sempre
recorre à alimentação complementar para manter os efectivos, processando-se
este aspecto de forma muito semelhante ao praticado pelos apicultores
ocidentais, utilizando inclusivamente os saquinhos de plástico como suporte
para o alimento.
De qualquer forma decerto que houve algo que nos escapou em
termos de tradução, pois os campos agrícolas por onde passávamos encontravam-se
em plena produção e eram visíveis outras potenciais fontes de néctar para as
abelhas.
Confirmou-nos que a serapilheira utilizada entre o tampo e os
quadros servia para desencorajar a pilhagem entre colónias e como tal seria
então um substituto económico da prancheta.
Não há apicultor que se preze que na primeira oportunidade de
contacto com companheiros de outras latitudes não se interesse pelas
comparações sanitárias, ou não fosse a Varroa um pesadelo que nos acompanha
para todo o lado. Nunca ouvira falar dela, ou melhor ainda, não colocava um
único produto químico ou homeopático nas suas colmeias.
Referiu sim a existência de um parasita, que o Anil me
traduziu como “fly” e a minha imaginação terá levado para os forídeos (espécie
de mosca) que no Brasil não só afectam as abelhas sem ferrão como as próprias Apis africanizadas… De qualquer forma,
os quadros do ninho aos quais tive acesso pareceram-me bastante saudáveis, tal
como nada me garante tratar-se do mesmo parasita.
O momento mais esperado, quando o apicultor nos mostrou o mel
da sua produção, não foi propriamente a curiosidade em prova-lo, mas o facto de
isso nos ter feito abeirar da misteriosa tenda no meio do apiário. Já esperava
que a lona lhe servisse de abrigo nas épocas de maior actividade, mas
surpreendeu-me encontrar aí uma cama de campanha, uma colmeia travestida de mesa-de-cabeceira,
com utensílios de cozinha, uma arca e uma motorizada. Um verdadeiro asceta
apícola, muniu-se do estritamente necessário para a sobrevivência e claro está,
rodeou-se do objecto da sua veneração: as abelhas.
Ainda imaginei o Shubash a ser acordado por uma multidão de abelhas
furiosas quando me ocorreu que estas eram bastante dóceis. Imaginei também a
distância em anos-luz que separam um apicultor indiano apartado de todos os confortos
para produzir mel, dos projectos ProDer que ora (des)animam a apicultura
portuguesa… Depois coloca-se o termo “competitividade” no sítio onde os
economistas o deviam ter e obtém-se uma salada curiosa…
Gostei do mel que nos deu a provar, decerto o néctar da
mostarda, de cor escura e viscoso mas muito agradável. Também nessa altura nos
mostrou dois baldes de 20 litros com a marca RAJ APIARIES, a entidade que
recolhia e comercializava o mel dos apicultores individuais. Um sistema muito
semelhante ao que vi no ano passado no Brasil, em Apodi – Rio Grande do Norte.
Contou-nos o apicultor que era ele próprio
que construía colmeias e quadros, que não sendo exemplos de perfeição tinham
dimensões e formatos tão homogéneos que nada ficavam a dever aos equipamentos
standard.
Saimos do abrigo para o escaldante Sol indiano, onde apesar
das altas temperaturas as colmeias não tinham qualquer protecção sobre o tampo.
Estavam no entanto assentes sobre estrados de metal, decerto que durante a
monção a humidade há-de atingir valores preocupantes na região.
Perto do minibus estacionado na berma da autoestrada,
começava a juntar-se uma pequena multidão. Se para estes povos rurais os
europeus já eram motivo de curiosidade, nem imagino o que pensariam de nós,
munidos de máquinas fotográficas e com tanto interesse em caixas de madeira
cheias de abelhas.Uma curiosidade: não sei para que lado estariam viradas as colmeias, mas o Sol estava a pique e havia sombra em todas as tábuas de voo, pelo que foi difícil fotografar as abelhas nesse local. Consegui no entanto captar algumas imagens de uma bonita rainha de cor dourada, que o Shubash nos exibiu com orgulho. Ocorreu-me que a maioria das mulheres que vimos a trabalhar nos campos vestia saris de cor semelhante, mas era mesmo coincidência.
Mal nos tínhamos despedido e voltado à estrada, quando deparamos com novo assentamento de colmeias ainda mais numeroso. Não há fome que
não dê em fartura…
Aqui estavam em plena laboração do que me pareceu ser a
cresta, meia dúzia de apicultores com redes de tule a pender de chapéus
camuflados, carregavam quadros e alças pelo apiário. O mesmo modelo de colmeia,
as mesmas cores e evidentemente a mesma tenda de campanha, garante de um
acompanhamento pessoal e constante no período crítico da produção.
Tirando as sessões de formação, nunca tinha visto tanta gente
a trabalhar em simultâneo num apiário, recordou-me um ditado popular que fala
em “trabalhar com muitos e comer com
poucos…” e que agora volta a fazer sentido, ou pelo menos a austeridade que
nos espera no regresso a casa assim o postula.
O que pareceu serem os restos de uma "borboleta caveira", no solo, junto às colmeias.
…
Obrigado ao Shubash
Chand pela forma amistosa como nos recebeu na sua exploração e que a partir
de agora, além do mel, há-de também valorizar o seu apiário como atracção
turística.
Obrigado ao Anil
Sharma pela tradução inglês – hindu, pela condução profissional no trânsito
caótico e pela paciência ilimitada que sempre demonstrava quando nos sentíamos
atraídos por estas atracções menos turísticas.Obrigado ao Sanjay Kumar pela forma intrépida com que avançou pelo apiário, antes de saber da nula agressividade das abelhas e pelo apoio e boa disposição que sempre demonstrou.
25 setembro, 2012
ORDENAMENTO APÍCOLA, Densidades de Colmeias
Quantas colmeias posso colocar em
cada apiário?
À partida parece um problema inocente, toda a gente o resolve, colocam-se umas quantas colmeias e logo se vê.
E isto basta para saber “quantas colmeias posso colocar em cada apiário?”
Mas convém lá colocar um (in)determinado número de colmeias…
Alguém fez as contas? A mim deu-me 15… ou 20, talvez 25 colmeias por apiário.
Outros factores a ponderar, como a evolução da densidade de colmeias e do coberto vegetal nas últimas décadas
Face ao exposto, os únicos argumentos favoráveis aos apiários com grande número de colmeias parecem ser a economia de tempo e de combustível. Diga-se em abono da verdade que não são de desprezar.
No entanto, com as tendências climáticas que se têm
verificado, com as péssimas políticas agrícolas e somando ainda os aumentos
descontrolados do número de apicultores por região e de colmeias por apicultor,
situações como a da próxima imagem são cada vez mais frequentes:
Apiário de um apicultor espanhol, no Alentejo
Críticas, conclusões e outros considerandos...
O ordenamento apícola deveria ser baseado em estudos que visassem conhecer as quantidades e diversidades da vegetação, só assim se conheceriam as capacidades de suporte de cada região e consequentemente a carga apícola mais adequada.
Nalgumas regiões mais propícias à apicultura, a densidade de colmeias é de tal ordem que quase se pode falar em monocultura de abelhas, com todos os riscos económicos e sanitários que daí advêm.
Desde os meus inícios na apicultura que este assunto me atormenta.
À partida parece um problema inocente, toda a gente o resolve, colocam-se umas quantas colmeias e logo se vê.
Mas… não seria
interessante fazê-lo de uma forma mais científica? Aproveitar todos os recursos
maximizando a produção ou diminuir custos evitando colocar colmeias
desnecessárias?
Toda a gente sabe quantas vacas, ovelhas, porcos, deve
colocar por hectare de terra de modo a maximizar a produção dessa área. Os
ajustes são feitos com os tipos de forragem, regas, fertilizações, cortes,
adensamentos, etc…
Qual a densidade de
plantas melíferas num hectare?
Normalmente arriscamos respostas qualitativas que se vão
aferindo com a experiência. Empiricamente sabemos se determinada área é ou não
propícia para a criação de abelhas.
Qual o volume de néctar
(ou de pólen) disponíveis por flor ou por unidade de área?
Fazemos este cálculo conhecendo a resposta do ponto anterior
e pelo clima (chuvas, ventos) dessa estação. Também já vi apicultores espremerem flores de rosmaninho entre os
dedos para estimarem a quantidade de néctar.
E isto basta para saber “quantas colmeias posso colocar em cada apiário?”
Quem não foi ainda brindado com esta pergunta por um apicultor iniciado?
Devemos pensar uns instantes, com aquele ar de quem faz
cálculos mentais e responde-se depois: "muitas, imensas, com as virtudes que
acabou de referenciar o local é caso para estender um apiário até onde a vista
alcança".
Se o “clima” não estiver para graças devemos passar logo à
resposta definitiva e com alguma sorte a correcta:
"Não sei, tal como você nunca conseguirá saber e se alguém lhe
disser um número está a mentir, até porque esse número não existe ou quando
muito não é válido para todos os anos".
Mas convém lá colocar um (in)determinado número de colmeias…
Factores a ponderar
para nos aproximarmos desse número:
a) A legislação para o ordenamento
apícola, que prevê um máximo de 100 unidades na maior parte do território e 75
no Alentejo. Não ajuda muito, mas ficamos a conhecer os limites.
b) Os recursos naturais: a flora
apícola disponível e a água. Este sim, já tem o que se lhe diga. Mas como o
objectivo é produzir muito, assumimos que toda a gente deve escolher lugares
bem providenciados de néctar e pólen.
Avaliar tal parâmetro requer métodos científicos, empíricos e independentemente
dos dois anteriores uma boa dose de sorte.
c) A proximidade de outros apiários,
nomeadamente o número de colmeias num raio de 5 km. Cinco quilómetros porque
este é o limite biológico de voo das abelhas e por assim dizer são as que se
encontram nesse raio que mais influenciarão as nossas na competição pela
pastagem tal como no contágio de doenças e pragas.
d) Economia de tempo e combustíveis.
Para um determinado efectivo, quantas mais colmeias por apiário melhor, menos
apiários temos de visitar e mais depressa se faz o percurso, como também menos
combustível se gasta, e como este factor importa actualmente.
e) As questões sanitárias. Quanto menor
for o apiário menores serão os riscos sanitários, os contágios, as perdas e
mais fácil será o controlo da moléstia.
f) Qualidade de trabalho. Pessoalmente
e a opinião é muito partilhada, quando o apiário é muito numeroso em colmeias,
as últimas já não são observadas e operadas com as mesma acuidade e paciência
das primeiras.
Quem tem muitas centenas ou mesmo milhares é melhor ignorar esta alínea e outras…
Quem tem muitas centenas ou mesmo milhares é melhor ignorar esta alínea e outras…
Esquematização de apiário com 100 colmeias.
Alguém fez as contas? A mim deu-me 15… ou 20, talvez 25 colmeias por apiário.
Entre 15 e 25, dá uma boa margem de manobra. O ideal era
mesmo apontar para as 20, o meio termo e depois irmos aferindo ao longo dos
anos, para cima ou para baixo, consoante tenhamos subestimado ou sobrestimado a
capacidade de suporte do meio.
Esquematização de apiário com 15 colmeias, quase que dá para as chamar pelo nome...
Estas decisões, não sendo muito fáceis de tomar, permitem-nos
aumentar o número de colmeias/apiário quando após algumas campanhas
consecutivas obtemos um elevado número de alças de mel/colmeia ou o contrário
quando as baixas produções se fazem sentir ao longo de várias épocas.
De assinalar que se esse número descer abaixo das dez
unidades, há qualquer coisa que não está a correr bem e pode ser que o local
escolhido não seja o ideal para a prática da apicultura. Devo no entanto
garantir que volvidos 14 anos de experiência no sector a escolha do local do
apiário é DETERMINANTE.
Outros factores a ponderar, como a evolução da densidade de colmeias e do coberto vegetal nas últimas décadas
1)- Até à década de 1980 a apicultura em
Portugal era sobretudo praticada em cortiços, colmeias de “quadros” fixos.
Poucos apicultores, poucos apiários e poucos cortiços (com poucas abelhas).
2)- Apesar das baixas causadas pela
varroose desde essa altura, a estruturação do sector em associações e o
programa apícola nacional entre outras ajudas, levaram ao aumento do número de
apicultores e de colmeias, agora com colmeias de quadros móveis, muito mais
populosas.
Segundo as referências, uma colmeia móvel em plena produção poderá ter cerca de 80.000 abelhas, num volume de 0,11m3, nesse caso, um cortiço com 0,049m3 de volume só deverá suportar cerca de 35.000 abelhas, menos de metade...
3)- O crescente aumento do número de apicultores (com mais de 400 colmeias) nos últimos anos estimulados por ajudas extra programa apícola, como o ProDer.
3)- O crescente aumento do número de apicultores (com mais de 400 colmeias) nos últimos anos estimulados por ajudas extra programa apícola, como o ProDer.
4)- O declínio da agricultura nos
últimos anos, com a forte diminuição de culturas de interesse apícola no Verão (quando são mais
necessárias).
5)- As alterações climáticas com anos
mais quentes e secos têm sido responsáveis pela diminuição do coberto vegetal
quer em quantidade quer em diversidade e qualidade, resultando também em mais e
maiores incêndios responsáveis pela destruição do pasto das abelhas.
6)- Como medida para contrariar os
incêndios muitos são os proprietários rurais obrigados pelas companhias de
seguros a fazerem a gestão de matos da forma mais errada: eliminando-os na
totalidade, o que não só priva as abelhas das fontes de néctar em áreas cada
vez maiores como desprotege os solos, aumentando a erosão e tornando-os cada
vez menos produtivos.
Face ao exposto, os únicos argumentos favoráveis aos apiários com grande número de colmeias parecem ser a economia de tempo e de combustível. Diga-se em abono da verdade que não são de desprezar.
Vamos simular uma possível “paisagem apícola” com áreas de
montanha, vales, encostas e planície, onde se pretende demonstrar a forma como todos estes factores têm contribuido para a sobreexploração do terreno pelas abelhas, esgotamento dos recursos e consequentes baixas de produção:
Em situações normais, as áreas apícolas de excelência são
caracterizadas por florações como o Rosmaninho, a Esteva, o Alecrim, a Urze, o
Medronheiro e mais umas quantas espécies ditas espontâneas. Essas espécies
estão habitualmente associadas aos terrenos incultos, que ocorrem sobretudo nas
encostas e terreno acidentado.
Graças à forma do terreno, essas zonas têm ainda a vantagem
da protecção aos ventos dominantes e abundância de água, pelo que os
apicultores as elegem como locais preferenciais para a prática da apicultura.
Por estas e outras razões é também habitual que as regiões
mais acidentadas tenham sempre uma densidade de colónias de abelhas francamente
superior às grandes planícies.
Na imagem anterior as áreas de voo das abelhas (em torno do apiário) estão representados por um
círculo verde, que á escala têm 1 km de raio. Pode também verifica-se que todos
esses apiários (apesar das grandes densidades nalguns locais) estão a cumprir as
distâncias regulamentares da maior parte do território nacional.
Na próxima imagem, tal como na anterior, simula-se uma situação em que a quantidade de recursos disponíveis (néctar e pólen) são suficientes para a carga apícola no terreno:
Na próxima imagem, tal como na anterior, simula-se uma situação em que a quantidade de recursos disponíveis (néctar e pólen) são suficientes para a carga apícola no terreno:
A circunferência com 1 km de raio em volta do apiário não foi
desenhada por acaso: podemos defini-la como um possível “limite de voo ideal” dentro do qual estejam garantidas boas
produções de mel. Ou seja, dentro dessa distância as abelhas poupam bastante
tempo e energia nas actividades recolectoras, conseguindo grandes produções.
Também se pode falar no “limite
de produção” que poderá rondar os 2 km e a partir do qual as abelhas não
produzem, mas recolhem o suficiente (o possível) para a sobrevivência da colónia.
Teoricamente, abaixo dos 2 km as abelhas já conseguem
reservas suficientes para armazenar para a colónia e para a cresta, sendo no
entanto a situação ideal quando conseguem fazê-lo a distâncias inferiores a 1
km.
Pode inclusivamente definir-se outro limite: o “limite biológico de voo” que segundo as
referências aponta para os 5km e que as obreiras não podem ultrapassar por
questões biológicas.
As abelhas voam esta distância quando a floração é deveras escassa,
quer pelas características do local (má escolha do apicultor), quer pelo clima adverso
desse ano ou inclusivamente pela densidade excessiva de colmeias no local. Uma
abelha que exerça a sua actividade recolectora a estas distâncias é equivalente
a ir atestar o carro a 200 km, o combustível acaba por ser gasto no percurso,
não compensa…
Tal como foi referido, estes limites são sobretudo teóricos
mas ajudam a perceber o modo como a disposição das colmeias no terreno,
nomeadamente a sua densidade, pode ajudar ou comprometer as produções apícolas.
Voltando à nossa “paisagem apícola” e simulando agora um ano
menos bom, onde as abelhas pelas razões atrás apresentadas, sejam obrigadas a
aproximar-se do limite dos 2 km:
Nestas circunstâncias já se observa alguma sobreposição de áreas
de voo/pastagem. Mais acentuada nos locais de maior densidade de apiários:
Haverá decerto algum rearranjo dos voos na procura de
pastagens mais afastadas das zonas de sobreposição, mas ainda não é um quadro a
temer, as produções não estão em perigo.
Esta forma de exploração do terreno pelas abelhas, próxima do
seu limite biológico de voo, resulta do esgotamento dos recursos nas
proximidades do apiário devido à excessiva concentração de abelhas nas áreas de
sobreposição, para uma quantidade limitada de néctar e pólen.
Ainda relativamente ao
número de colmeias por apiário
Este assunto não é pacífico, nunca o foi.
Quando se decidiu o tecto de 100 colmeias/apiário para o
território nacional, bem como o de 75 para a região Alentejo, houve sempre
vozes discordantes e os números não foram (nem são) consensuais.
Antes disso imperava o bom senso, os apicultores respeitando
a proximidade de outros apiários, a capacidade de suporte e produção do meio
entre outros factores, faziam as suas explorações apícolas de uma forma mais ou
menos ordenada e sem grandes atritos com os vizinhos.
Desde finais da década de 1990 (…até à actualidade) com a
entrada desordenada de grandes quantidades de colmeias estrangeiras, em
apiários com centenas de unidades, causando imensos distúrbios na produção e
sanidade das explorações nacionais, sentiu-se a necessidade de regular e
ordenar o sector.Apiário de um apicultor espanhol, no Alentejo
Claro que legislação e bom senso nem sempre andam de mãos
dadas e o dito "ordenamento” apesar de bem intencionado, resultou nalgumas
incongruências:
- Há locais no Alentejo, bastante ricos em floração, que
suportariam perfeitamente as 100 colmeias por apiário.
- Nos Açores, o tecto de 25 colmeias/apiário tem desmotivado
os apicultores, segundo notícias recentes do Diário Insular, o que se
compreende não só pela riqueza e abundância florística da região como do espaço
limitado para a instalação de apiários.
Considerando que as alterações climáticas associadas à
crescente devastação causada pelos incêndios, às más práticas agrícolas e ao
forte incremento do número de apicultores e colmeias em determinados locais, há
que repensar o ordenamento apícola.
Nalgumas regiões mais propícias à apicultura, a densidade de colmeias é de tal ordem que quase se pode falar em monocultura de abelhas, com todos os riscos económicos e sanitários que daí advêm.
Nunca se ouviu falar que uma superpopulação de abelhas
tivesse um impacto ambiental negativo, sobretudo para a vegetação (onde nunca
são demais) mas decerto que a competição interespecífica resultará em maior
stress para os insectos, nas já demonstradas quebras de produção e na
oportunidade que com isso se cria para os predadores, parasitas e agentes
patogénicos das abelhas.
Em última análise, estes sistemas insustentáveis tendem
sempre a tornar-se dependentes do ser humano e obviamente dos produtos químicos
laboratoriais que encarecem e artificializam o que sempre foi natural.
Ainda a propósito, nunca li nada sobre o assunto, mas as
populações de polinizadores selvagens decerto se hão-de ressentir com cargas
apícolas exageradas que muito rapidamente esgotem as fontes de pólen e néctar,
causando desequilíbrios desnecessários.
Soube que em alguns países da Europa do Norte há muitas
ajudas para os pequenos apicultores, aqueles que mercê dos baixos efectivos
colocam as colmeias em qualquer lado, independentemente da quantidade de
floração, levado assim a “magia” da polinização a pequenos nichos que de outra
forma seriam privados de polinizadores, pelo menos em tal quantidade. Ora não é
isto um modelo excelente de fazer ordenamento apícola?
Os apicultores não podem continuar a aguardar pelas florações
apícolas com a mesma passividade com que sempre o fizeram. Noutros países da
Europa, e do mundo, cada vez mais se intervem na quantidade/qualidade de
pastagem para as abelhas, plantando/semeando flora de interesse apícola.
Não seria mais interessante se se celebrassem convénios e
protocolos entre associações de apicultores e agricultores de modo a haver mais
harmonia entre as culturas e as
necessidades dos apicultores? Basicamente a troca dos serviços de polinização
pelas produções apícolas daí resultantes.
O tema ORDENAMENTO APÍCOLA não fica aqui minimamente esgotado, mas para já...
21 setembro, 2012
Modamacedo 2012
Mais uma vez a MACMEL se juntou à iniciativa MODAMACEDO 2012,
participando com vários modelos vestidos a rigor com os mais variados
equipamentos e utensílios apícolas.
Decerto que os macacões com máscaras de tule ou as luvas de
cabedal com manguito não brilharão nas passerelles de Paris ou Milão, tal como
não hão-de marcar as tendências da moda para a próxima estação, mas é sem
dúvida uma das formas mais originais de promover o “estranho” mundo da
apicultura junto de quem está menos habituado.
Desde há muito que este sector é uma das maiores curiosidades
para os leigos, uma história de rainhas, princesas e demais doçuras, mas que o
veneno injectado pelos aguilhões das abelhas continuam a manter a uma distância
segura.
Para encurtar essa distância, a MACMEL tem participado e
protagonizado inúmeras iniciativas elucidando os interessados sobre a magia da
transformação do néctar das flores em mel!!!
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