16 julho, 2012

Produção de Hidromel (Parte IV)


A Saga dos Abacaxis (parte IV)

17 de Novembro de 2011
Hoje foram verificadas as densidades do mosto nos garrafões.
Pelo andar da carruagem, até atingir a densidade final (à volta de 990) , o processo leva , no total ,cerca de seis a oito semanas para os garrafões que estão a 20 - 21ºC e cerca de menos quinze dias para os que estão em incubação a 28ºC. Bem mais do que o confrade me confidenciou !!


Houve um período inicial de fermentação intenso e depois, ao fim de cerca de uma semana, acalmou e entrou na velocidade de cruzeiro que tem agora.

Parece que alguns dos garrafões não se vão despachar até ao Natal.

 11 de Abril de 2012
O dia tinha começado a clarear e o  chilreio dos pássaros fê-lo despertar do torpor em que estava mergulhado.

Lentamente rodou na cama, evitando todos os movimentos que lhe despertavam aquela maldita dor nas costas. Lá estava ela outra vez lembrando-lhe cruelmente que já ultrapassara a idade média da vida.
Mais um pouco e levantou-se. Ia começar mais um dia de esforço para as suas costas e já nem os analgésicos resolviam grande coisa. Aquelas meias alças eram um inferno. Devia arranjar umas mais pequenas.

Já de pé, o Apicultor lembrou-se que nesse dia talvez não fosse tão mau assim. Ia fazer a primeira trasfega do primeiro garrafão de hidromel que tinha terminado a fermentação.

A densidade tinha descido abaixo de 1000 e o sedimento estava completamente assente. O líquido estava límpido e cristalino. Agora faltavam as pequenas e subtis transformações químicas, que se iriam desenrolar lentamente, reacções de oxidação que iriam dar o toque final àquele néctar.

03 de Maio de 2012
Numa encosta moderadamente pronunciada, voltada a Sul, que se espraia sobre um vale onde evolui um braço do rio Trancão, onde os vestígios da ocupação humana recuam ao Paleolítico Médio, a uma altitude média de cerca de 350 metros, em terrenos basálticos e calcários, evolui a flora específica desta região, onde as abelhas irão colher o néctar que numa perfeita alquimia vão transformar no mel que está no cerne desta transformação única que é o processo de fermentação etílica.

 De cor âmbar claro, cristalino, límpido e espelhando bem, este hidromel é o resultado de uma lenta e controlada fermentação, em que as transformações que se foram operando, transformaram o mel no que será um delicioso néctar, alimento de deuses nesta terra.
De aroma pronunciado, ligeiramente frutado, com um toque das espécies florísticas que estiveram na sua origem, seco, de corpo suave e denotando notas de juventude, prepara este hidromel a sua maturação, atingindo então um patamar superior das suas características organolépticas, que farão as delícias de requintadas papilas.

15 de Junho de 2012

O tempo tem escasseado, mas hoje aproveito para referir que há cerca de uma semana, fiz a trasfega de mais um garrafão (1) da fase I. A cor é um pouco mais carregada e, embora seja da mesma "fornada" do (3) e (4) , não me espantou, porque estes tinham levado metabissulfito de potássio, que é anti-oxidante e estabiliza a cor e aquele não.
No entanto o cheiro ácido, que não do anidrido carbónico, deixou-me desconfiado.

A prova foi esclarecedora. Se conseguir convencer o resto do pessoal cá em casa, devo ter um excelente produto para consumirmos este ano na ceia de Natal, com o bacalhau. A temperar os grelos.
O "air-lock" da garrafinha não funcionou. O ponto fraco é a entrada do tubo no garrafão. Mesmo com a cola da pistola, detectei fugas por diversas vezes. É incrível. A entrada de ar é mínima mas, mesmo assim suficiente para o acetobacter se desenvolver !


*Acetobacter – Microorganismo responsável pela fermentação alcoólica, cuja acção sobre os substratos açucarados resulta na produção de vinagre e neste caso corrompendo os resultados esperados.
Também o açúcar não desdobrou completamente, como prova a fotografia da densidade que ficou nos 1034. Curiosamente o gosto ácido é tão forte que não se nota o adocicado.


Da série I já só falta o garrafão (2). Também algo de errado se passa, porque está límpido, mas as cascas de ananás ainda flutuam, o que significa que a densidade não é muito baixa. Estranhamente, no garrafão (1), com a densidade de 1034 as cascas tinham afundado.

 De referir que nem o garrafão (1) nem o garrafão (2) estiveram no banho-maria, portanto foram durante o Inverno sujeitos a temperaturas abaixo do 19º.

Os garrafões da fase II que estão no banho-maria , ainda fermentam.

2 comentários:

Abelha Preguiçosa disse...

Parece-me que ao furar a tampa da garrafa que serve de "air-lock", deve-se usar uma broca com o mesmo diâmetro, ou melhor ainda, com um pouco menos de diametro, do tubo que aí vai passar, de maneira a ficar mesmo justo, depois a cola já só vai fixar e ajudar.
Dessa maneira é mais fácil que fique estanque.

No meu caso um problema maior que este, foi o facto que os organismos presentes no mosto devem ter tido necessidade de oxigénio e sugaram para dentro do garrafão o liquido existente nas garrafinhas, que no meu caso era água salgada.

Miguel G. Carminatti disse...

Olá. Outro problema que pode estar acontecendo é o uso da cola quente. Ela pode ser muito boa para colar artezanato, mas para vedação ela sempre deixou a desejar por ser um tanto "dura" e "viscosa". Eu estou tentando a cola de silicone, que adere bem melhor as tampas de gafarrões de água mineral (o que eu estou usando). Ainda não fiz a primeira trásfega (ou seria trasfega?) para ver se a vedação foi perfeita, mas até agora não sinto cheiro acido na saida do arlock.