23 janeiro, 2013

Como tirar as nódoas de Supona do fato de apicultor, vêm aí as multas...

Há poucos dias recebi uma mensagem de um dirigente associativo que relatava o telefonema de um associado que ficara em pânico por causa da alegada visita de dois técnicos da DGAV, (Direcção Geral de Alimentação e Veterinária).
Foi exigido ao apicultor que lhes facultasse o caderno de registo dos efectivos apícolas, onde constasse:

- O registo das manipulações efectuadas.
- O registo dos tratamentos efectuados.
- Prescrição do médico veterinário dos produtos homologados usados para o controlo da Varroa.
Não possuindo o apicultor nenhum destes elementos foi ameaçado com a aplicação de uma coima e se na próxima visita os referidos dados não estivessem disponíveis a coima seria efectivada.
O Decreto-Lei n.º 1/2007 de 2 de Janeiro, remete para o Anexo I do Regulamento CE n.º 852/2004 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 29 de Abril que postula que:

ANEXO I – PRODUÇÃO PRIMÁRIA
(…) III. MANUTENÇÃO DE REGISTOS
7. Os operadores das empresas do sector alimentar devem manter e conservar registos das medidas tomadas para controlar os riscos de forma adequada e durante um período apropriado, compatível com a natureza e dimensão da empresa do sector alimentar. Os operadores das empresas do sector alimentar devem disponibilizar quaisquer informações relevantes contidos nesses registos à autoridade competente e aos operadores das empresas do sector alimentar receptoras, a seu pedido.

8. Os operadores das empresas do sector alimentar que criem animais ou produzam produtos da produção primária de origem animal devem, em especial, manter registos sobre:
 
a) A natureza e origem dos alimentos com que os animais são alimentados;
b) Os medicamentos veterinários ou outros tratamentos administrados aos animais, data(s) de administração e intervalo(s) de segurança;
c) A ocorrência de doenças que possam afectar a segurança dos produtos de origem
animal;
d) Os resultados de quaisquer análises de amostras colhidas dos animais ou de outras amostras para efeitos de diagnóstico que se possam revestir de importância para a saúde humana; e
e) Quaisquer relatórios sobre os controlos efectuados nos animais ou nos produtos de origem animal.



Segundo as informações disponíveis, a PRESCRIÇÃO DO MÉDICO VETERINÁRIO é necessária se forem utilizados MEDICAMENTOS:
Estão classificados como “Medicamentos”: Thymovar, Apiguard, Api Life Var, Apistan, Apivar e Bayvarol.
Já os PUV’s não precisam dessa prescrição, (PUV’s – Produtos de Uso Veterinário): Segundo a informação disponível no site da DGAV não existem PUV’s para controlo da Varroose.
IMPORTANTE: Caso os medicamentos (Thymovar, Apiguard, Api Life Var, Apistan, Apivar e Bayvarol) tenham sido adquiridos pela associação (Medida 2-A aprovada), estes medicamentos NÃO PRECISAM da referida prescrição do médico veterinário.


No referido caderno, cujo conteúdo e especificações não estão regulamentados (salvo para as explorações em MPB e desde o ano passado), é suposto o apicultor anotar as principais intervenções nas colmeias e melarias, nomeadamente os medicamentos utilizados, a composição da alimentação artificial, desinfecções e higienizações da Unidade Primária de Produção e respectivas datas.
Evidentemente que na rúbrica (tratamentos) convém ler-se no dito caderno o nome de alguma das formulações da escassa lista de produtos homologados disponíveis em Portugal. E para isso há que os comprar, utilizar e comprovar tal facto mediante factura ou o documento da distribuição emitido pela associação.
Os custos elevados, a eficácia duvidosa dos produtos homologados ou a inexistência de estudos por região que provem o contrário e a reprovação da Medida 2-A do PAN a boa parte das associações, acabam por deixar apicultores, técnicos e dirigentes associativos sem saber o que fazer.

Formulações homologadas para controlo da varroose em Portugal
 
APISTANfluvalinato
APIVAR amitraz
BAYVAROLflumetrina
APIGUARDtimol
THYMOVARtimol
API LIFE VARtimol
Não só pela curiosidade mas numa tentativa de comparar os preços, encontrei uma página comercial espanhola (Miel Valle de los Pedroches):
 Vocacionada para produtos e equipamentos apícolas, onde além da lista apresentada atrás ainda disponibilizam:
TIMOL (em pó, embalagens de 100g a 5,40€; de 500g a 25,50€ e de 1000g a 40,60€).
ÁCIDO OXÁLICO (em saquetas de 500g, preço sob consulta).
ÁCIDO FÓRMICO (concentração de 60% em garrafas de 1l, preço sob consulta).
BEEVITAL HIVE CLEAN (embalagem de 500ml a 23,70 €).

A somar a tudo isto uma infinidade de aplicadores, doseadores e demais utensílios para a utilização destas e de outras substâncias.
Curiosamente também são legalmente comercializados (ou pelo menos publicitados) em Espanha: a NEO-APICICLINA, a APICICLINA, o NOSAPIOL, e o NEO-NOSAPIOL, além de outros de que só ouvimos falar àqueles apicultores com muita imaginação…
Noutro website espanhol, a embalagem com dez tiras de APISTAN é comercializado a 17,81€, não basta a oferta limitada a que estamos sujeitos em Portugal como ainda a marcada especulação a que tais produtos estão sujeitos.
A tudo isto acresce uma informação curiosa, senão insólita, estes medicamentos disponíveis em Espanha não podem ser exportados para Portugal, incluindo mesmo os que são homologados no nosso país. A livre circulação de bens e pessoas já não é o que era na Europa, os muitos acordos europeus terão desconsiderado os acaricidas usados na apicultura?
Em França, um apicultor cuja exploração estava em Modo de Produção Biológica, fora-lhe especialmente recomendado o uso do timol + vaselina em cartão canelado, confeccionado pelo próprio.

Cabe aqui perguntar quantas Europas existem afinal? E mais importante ainda: em qual delas nos inserimos?
Perguntas que gostava que alguém respondesse:
- Porque proíbe a DGAV a utilização de medicamentos homeopáticos como o Timol, o Ácido Oxálico e o Fórmico em Portugal, quando os mesmos são considerados legais em Espanha, França e tantos outros países da Europa?
- Em cerca de 15 anos de Programa Apícola, quanto dinheiro já foi gasto em investigações, reformulações e melhorias dos acaricidas para controlo da varroose, sem que hajam resultados minimamente satisfatórios?
-Porque razão a DGAV autoriza a entrada e a permanência em Portugal de colmeias estrangeiras medicadas com produtos clandestinos e por isso proibidos no nosso país?
- Que fazer quando as nossas colónias de abelhas, obrigatoriamente medicadas com produtos homologados, pilham colmeias estrangeiras medicadas com produtos ilegais e arrastam consigo tais substâncias no mel?
- Quem deverá ser autuado neste caso? As abelhas ou o apicultor?
Parece-me pouco eficaz a construção de um bardo que lhes impeça o acesso, ou pior ainda colocar um chocalho nas mais gulosas…
- Assumindo que tal medida vise de facto a protecção dos consumidores, o que é de louvar, como é possível que se importe e comercialize mel proveniente de Espanha e de outras origens, onde se utilizam medicamentos proibidos em Portugal ?
- Porque razão os últimos governos usam e abusam do termo competitividade e é precisamente nesse ponto que mais limitam e condicionam as explorações agrícolas/apícolas nacionais?

Agora a pergunta mais triste                     
- Porque razão numa comunidade apícola com cerca de 20.000 apicultores ninguém faz ou diz seja o que for, ninguém toma medidas de contestação na defesa de um direito que nos devia assistir exactamente na mesma medida a que assiste a todos os outros apicultores europeus?
Ou pelo menos que procurem junto das entidades competentes uma resposta minimamente satisfatória às perguntas atrás formuladas.
É mais fácil encolhermo-nos e rezarmos para que o “lobo” leve a ovelha aqui ao lado e com um bocado de sorte escaparmos ilesos.
Recordo dos meus tempos iniciais de apicultor, numa das primeiras tertúlias em que participei, quando após largas horas de conversa e muitas hipóteses atiradas para a mesa, um dos maiores e mais discretos nomes do nosso sector se despediu com um encolher de ombros e uma resposta que ressoou como uma sentença:
“… o problema da apicultura? O problema da apicultura são os apicultores!"
Não faço ideia de como se removem as nódoas de Supona, nem tão pouco se isso deixa nódoas. Estou sim preocupado com a nódoa que é o associativismo no nosso país, cuja falta de coesão e individualismos evidentes nunca nos deixarão ser suficientemente credíveis de modo a fazermos valer os nossos direitos.

20 comentários:

Joaquim Lopes disse...

Meus amigos apicultores e associações lesadas, não vos aprece chegada a hora de nos juntarmos à volta de nós próprios e tomarmos nas nossas mãos os nossos próprios destinos? que é como quem diz, forçarmos a alteração das regras deste PAN, que a ninguém, pelos vistos serve, mas que teimosamente se mantém em "funções? reunindo-nos para tal em Avis ou em qualquer outro local que mais central nos fique a todos?é que cá para mim isto um dia destes acaba mal para todos e quando o lobo vier nem aqueles que rezam escapam...e depois tal como o poema de Bresht dizia "agora que me levam a mim é que percebi mas já era tarde"

Anónimo disse...

Estaremos presentes.

Abelhasah.

Anónimo disse...

á mais de 20 anos que os apicultores espanhóis instalam ilegalmente as suas colmeias em Portugal e até hoje nunca pagaram multa nenhuma uma das soluções é mudar o modelo das nossas colmeias e gravar nas caixas uns numeros com SA Exemplo (SA 9584) e estamos protegidos contra a DGAV. os apiculores espanhois, nunca trataram com produtos homologados para portugal, e nunca foram controlados por tal, os apicultores espanhois nunca fizeram caderno de campo e nunca lhes foi pedido, os apicultores espanhois nunca se preocuparam com as autoridades veterinárias nacionais porque nunca fizeram nada para evitar a entrada ilegal de abelhas em portugal, por estes motivos mais vale não meter placas e identificar as colmeias como espanholas de preferencia de salamanca que ficamos todos descansados.

Anónimo disse...

De facto, depois de ler o "post" anterior, há uma ou duas perguntas que eu gostaria de ver respondidas, não "à político", mas com frontalidade, pela DGAV, ou até pela Srª D. Assunção Cristas:
Porquê esta dualidade de critérios? Porquê tratar os apicultores portugueses como enteados e os espanhóis como filhos ?
Algum complexo ou remoque de Aljubarrota ?

Abelhasah.

Anónimo disse...

...pois eu gostava de dizer como disse aquele que encolheu os ombros....o problemas são os apicultores. Muito poucos estão dispostos a seguir planos nacionais, a cumprir regras em comum....Pelo contrário. Acham é que tem liberdade para fazer o que lhes dá na telha, porque são entendidos naquilo que fazem. Basta ver a questão da varroa. Se todos seguissem um plano e se deixassem de fazer as mézinhas caseiras e outras coisas do género, as coisas seriam certamente melhores. Todos sabemos que a má utilização dos medicamentos, neste caso acaricidas, poderá ter um efecto contrário ao desejado... Por outro lado, as organizações de apicultores não estão isentas de culpas. Muitas vezes são elas que originam a desunião, porque todas se acham as mais idónias. Enfim, enquanto os apicultores andarem às turras, ninguém lhes dispensa a devida atenção.

Sandra

Alien disse...

Em tempos falou-se num "plano", creio que era o Plano Sanitário Nacional, outro mito da família das Zonas Sanitárias Controladas e suponho que seria a então DGV a colocá-lo em prática.

A última vez que ouvi falar dele dizia-se que seria o saudoso D. Sebastião que o traria,numa manhã de nevoeiro...

Pifano

Anónimo disse...

Peço perdão, mas deve ter estado em coma alguns anos, e perdido algo que se tenha passado neste país !

Lembro-me muito bem de ver na televisão, há 45 ou 50 anos (e na altura só havia UM canal), avisos do Ministério da Agricultura, para os agricultores fazerem tratamentos fitosanitários contra o míldio e oídio em certas épocas do ano, para concertar os tratamentos a nível nacional.
Concordo inteiramente com a Srª D. Sandra, quando diz que os tratamentos deviam ser coordenados a nível nacional, ou no mínimo regional.
Eu próprio, já por várias vezes expressei esta opinião, pessoalmente, de viva voz , a responsáveis da DGAV.
O que aconteceu foi que eu devo ter estado em coma quando isso foi feito, porque nunca dei por nada !!!
Um abraço e um bom fim de semana para todos. Eu, por minha vez, vou tentar averiguar estas minhas "ausências comatosas", vou já telefonar ao meu médico.

Abelhasah.

anonimo disse...

peço desculpa pela pergunta, não devia ser a Federação a tratar este assunto com a DGAV ?.
Cordiais saudações apícolas

julio ricardo disse...

Boa noite,
Parece que a discussão está bastante redonda. Acordámos porque houve uma acção da DGAV e o PAN ficou aquém do que se pretendia. A apicultura continua desorganizada na sua base associativa e representativa. Em vez de sermos pro-activos e propositivos, vamos por atitudes reactivas, depois dos processos terem acontecido, quando pouco há para fazer.
Não há uma comissão paritária onde esteja a estrutura que lidera o PAN e as organizações representativas dos apicultores ?
Se a situação não está bem, mesmo que no início dos processos não se tenha feito o trabalho de casa, não aparece, perante o que está a acontecer, quem peça explicações ?

O Joaquim Lopes levanta a velha questão da representatividade das organizações e da necessidade dessa representatividade ser activa e estar ao serviço do sector.
Os problemas da apicultura têm de ser resolvidos pelos apicultores e pelas suas organizações, concebendo o PAN como uma ferramenta ao serviço da apicultura e as estruturas governamentais como parceiros do processo. Se não estamos bem, teremos de questionar o papel das associações de apicultores e das suas federações.

Júlio Ricardo (Cooperativa Terra Chã)

Anónimo disse...

Não estarei muito errada se disser qua as associações são aquilo que os seus associados querem que sejam, assim como a FNAP é aquilo que as suas associadas querem.
Aquilo que vejo é divórcio...A mentalidade de que "eles é que estão lá, agora que façam tudo por nós" não é filosofia para estes e novos tempos.
Penso que se assumir-mos o "nós" em vez de "eles", as coisas podem ser muito diferentes para melhor. A começar na mais pequena organização de produtores....

Harald Hafner disse...

Na minha experiência, (são 6 anos imerso na apicultura em Portugal agora) lamentavelmente ainda há uma grande falta de conhecimentos sobre a Varroa, como actua e quais podem ser diferentes estratégias e conceitos para o combate dela. Nenhum produto homologado ou não, químico sistémico ou mais natural é uma arma secreta. Sem um conceito integrado de observação, manejo e actuação a tempo preferivelmente de coordenação regional, todos podem levar ao fracasso ou pior a resíduos nos produtos da colmeia. Ali todos apicultores, associações, locais e nacionais devemos actuar mais em criar esta consciência e estos conhecimentos. (Há muitos bons exemplos e trabalhos a ser feitos em casas apicolas e associações muito activas mas ainda não chega!) E somos nos que devemos exigir dos nossos representantes, e da política, que os mesmos produtos que são permitidos no resto do continente europeu sejam rapidamente homologados aqui em Portugal (mesmo os cujo uso não traz beneficio para qualquer casa comercial (p.ex. acido formico)) e o seu uso deve ser adequadamente transmitido até o ultimo apicultor que o quer conhecer. Também para isso podem se usar os fundos comunitários e não só para projectos de moda no momento e para repetir estudos já feitos há muito no resto da Europa que era mais fácil de simplesmente ler. Se não estamos contentes com os nossos representantes corresponde a nos de mudar esta situação, explicar lhes o que precisamos deles e se é preciso mudar os.

Harald Hafner (A Abelha Azul), Mangualde

Pedro Mendonça disse...

Caro Abelhasah,

Se me permite, a concertação de tratamentos, pelo menos contra o mildio e o oídio, a nível nacional, não se faz e seria errado fazê-lo.

Isto, porque pragas e doenças (referindo-me aqui apenas à agricultura e não à apicultura), surgem quando se reúnem os parâmetros climáticos favoráveis, algo que não acontece simultanemanete em todo o país.
Caso se fizesse isso, o resultado a médio prazo seria (é), o aparecimento de resistências, para além de dinheiro desperdiçado em tratamentos em tempo inútil.

As épocas adequadas para os diversos tratamentos não coincidem muitas vezes dentro da mesma região, quanto mais dentro do país inteiro.
Para isso existe (deve existir) a monitorização constante das pragas e doenças e dos parâmetros que favorecem o seu aparecimento.

Transportando isto para a apicultura, é o mesmo que dizer que, mesmo para a Varroa, que está sempre presente, não seriam tratamentos a nível nacional que resolveriam o problema.
É uma monitorização constante por parte dos apicultores e técnicos apícolas, cruzando informação, para depois se poder tomar decisões e emissões de avisos de tratamentos a nível regional e local.
Claro que em muitas regiões todo o cuidado pode ser inútil, se entram milhares de colmeias espanholas, sabe-se lá com que nível de praga e doença e com que tratamentos. Para este caso, só a força política poderia impedir isto. Mas a política só funciona quando muito pressionada...e para isso não basta meia dúzia de associações baterem o pé. Terá de ser todo o tecido apícola nacional, com produtores, associações, federação, indústria fabril, comerciantes de material e tudo o mais que envolva a apicultura, em conjunto com a CAP, de forma a que um protesto/pressão do sector apícola não seja como um grito no meio do deserto.

Cumprimentos,
Pedro Mendonça

Alien disse...

Olá Pedro Mendonça,

A sincronização dos tratamentos contra a varroa é desde o surgimento deste ácaro um assunto algo polémico.

No entanto, tratando-se de um parasita obrigatório, que se encontra sempre dentro das colmeias (ou nas abelhas que entram e saem), convem que na mesma região, quando um apicultor trata todos os outros o façam.
Para que o dito ácaro não se consiga refugiar nas colónias não medicadas.

Sabemos que isso não é facil, há os enxames selvagens, há os apicultores que nunca tratam, as diversas formulações acaricidas, os diversos métodos de aplicação o que resulta em demasiadas variáveis para que num dado momento TODOS os locais (colmeias, cortiços, enxames selvagens) estejam sujeitos a uma dose considerada letal que aniquile a TOTALIDADE das varroas.

É certo que a nível nacional, o clima não é homogéneo de região para região, o que faz com que a flora esteja mais adiantada/atrasada nos diversos locais.
Também isso altera evidentemente a fisiologia/constituição de cada colónia, ou seja a quantidade de criação existente.
Sabemos também que a quantidade de criação ou de abelhas em ciclo reprodutivo afectam positivamente o número de varroas.
Este conjunto de factores, ou antes a cadeia de causas e efeitos não está sincronizada a nível nacional, sendo por isso dificil sincronizar os tratamentos em todo o território.

Mas, é possivel fazê-lo com diferenças mínimas de tempo de local para local, tal como há épocas do ano (fora dos periodos de produção) em que é possivel e aconselhável faze-lo na totalidade do território.

É relativamente fácil e desejável sincronizar as ditas aplicações de acaricida nas colmeias ao nível regional.
Quando falamos em sincronização de tratamentos não nos referimos evidentemente a uma "luta química cega" tal como noutros tempos (e actualmente com os calendários de tratamentos... acontece na agricultura).

Apenas a apicultura tem peculiaridades que a diferenciam de outras actividades.
Normalmente os apicultores fazem um primeiro tratamento antes da Primavera.
Fazem-no porque sabem que nos próximos 3 ou 4 meses estarão impossibilitados de o fazer visto as colmeias se encontrarem em produção. Não se pode arriscar uma infestação elevada de varroa quando os ninhos têm as alças em cima.

O próprio termo "tratamento contra Varroa" é já de si um tanto estranho, na medida em que não "tratamos", não eliminamos a totalidade da varroa, antes diminuimos os níveis de infestação para números relativamente baixos que permitam às abelhas "folgar" por mais uns meses.

Pelas mesmas razões se trata no Verão (após a cresta e para quem termina aí o ciclo anual de produção) ou antes do Inverno no final de todas as crestas (mesmo para quem produz e não tratou durante o Verão)

Infelizmente os medicamentos de que dispomos (entre legais e ilegais) não nos permitem debelar a totalidade dos ácaros e nós (apicultores) habituamo-nos a dar estes paliativos às abelhas e a aceitar isso como uma solução definitiva.

Nós não tratamos as abelhas, apenas prolongamos o tempo de vida, até ser possível, a esses insectos sempre "moribundos"...

Joaquim Lopes disse...

Apenas aqui regresso para lembrar que a Constituição da República Portuguesa, e segundo sua Exª o sr. Presidente da República, ainda não está suspensa e nem se prevê que venha a estar, digo eu, mas nunca se sabe, por isso um dos direitos que a nossa Constituição nos assegura, é o livre associativismo, e a ADERAVIS livre e conscientemente optou por não ser associada da FNAP, e como tal assim parece querer manter-se, por isso não entendo um dos apelos para a unidade em torno da Federação e da CAP quando existem mais confederações neste País, lembro apenas para os mais distraídos que a maior parte dos responsáveis deste Ministério são hoje ex-quadros da CAP e isto inclui secretários de Estado, por isso não me parece que seja preciso a CAP fazer força basta decidir e é isso que espero que faça rapidamente, sem criminalizar ninguém por delito de opinião ou por livre escolha associativa,mas que decidam a favor da apicultura e dos apicultores Portugueses...todos.

Pedro Mendonça disse...

E como os apicultores não podem deixar de apicultar durante alguns anos até que a varroa virtualmente desapareça por não haver hospedeiros suficientes, esta vai continuar a estar sempre presente.

Concordo com o combate concertado a nível Local. Regional, talvez, mais por questões de facilitismos burocráticos. A nível Nacional, não me parece exequível devido à variabilidade climática e a outras questões, especialmente se introduzirmos as variáveis “apicultores que não tratam”, os “apicultores que experimentam mesinhas do arco-da-velha” e ainda os “apicultores espanhóis sabe-se lá o que fazem”.

Desta conjuntura resulta que há sempre varroa pronta a se espalhar para outras regiões, mas que é praticamente impossível impedir que tal aconteça…a não ser que o combate a nível local funcione na perfeição e haja uma revolução no sector apícola, mandando quem melhor sabe e é capaz de defender os interesses dos apicultores, em tempo útil, sem que seja necessário existir primeiro o acumular de frustração e contestação em todos os intervenientes.

Claro que só falar é fácil…e enquanto isto não ata nem desata, não são apenas as abelhas a andar moribundas…

Quanto a FNAPs e CAPs e outras que tal, mesmo para quem não as veja como boas instituições à quais se possa ponderar uma união, pelo facto de terem estado lá actuais membros do ministério da agricultura, eu julgo que essa é mesmo uma das razões pelo qual se deve apelar à união.
Sem influência a sério, não se chega lá a não ser que se paralisem as auto-estradas...

E seja ADERAVIS, seja outra associação qualquer, não precisa de dizer amém com FNAP e CAP, desde que todos lutem pelos mesmos objectivos essenciais.

Senão isto mais parece uma colmeia zanganeira. Todos zumbem, cada um põe onde quer, e no final nada se faz em prol da apicultura.

Anónimo disse...

Boa tarde caro Pedro Mendonça !

Pelo teor do seu comentário, posso concluir que nunca viu na televisão, os avisos do Ministério da Agricultura de há 50 anos, para os tratamentos do míldio e oídio. Olhe que eram eficazes e funcionavam !
Quando eu disse que os tratamentos eram concertados a nível nacional e assim deveria ser para o varroa, disse-o com muita razão e não retiro uma vírgula.
O meu amigo é que coloca na ponta da minha caneta coisas que eu nunca escrevi.
Senão vejamos o que se entende por concertar:

Do dicionário :
Concertar - Conjugar
(latim concerto, -are, combater, altercar)
v. tr.v. tr.
1. Combinar, ajustar, conciliar.

Precisamente CONCILIAR, AJUSTAR, COMBINAR. Não significa , ao contrário do que transparece das suas palavras , tratar todo o país no mesmo dia e à mesma hora.
E não tenho razão ?
Esses tratamentos eram CONCERTADOS para as várias regiões do país, de acordo com as condições climatéricas verificadas na altura e de acordo com as delegações regionais de agricultura.
Se o meu amigo tivesse a minha idade e tivesse visto esses avisos, saberia muito bem do que estou a falar.
"Ipsis verbis" para o varroa.
De que me serve tratar as minhas colmeias se um vizinho a dois quilómetros as não trata ?
Se a monitorização do varroa é importante ?
É essencial mas, ao contrário do que acontece em alguns países de outros climas, que preconizam tratar apenas acima de um determinado nível de infestação (e aqui apenas vi estudos efectuados no Canadá e na Europa Central onde as abelhas SUSPENDEM a criação, havendo apenas varroas em fase forética, o que permite a utilização de certo tipo de tratamentos com elevada eficácia, que cá , para além de irrealistas são ILEGAIS), dizia eu, na europa do sul, a monitorização preventiva é um fracasso. E falo por experiência própria . Fi-la durante dois anos e as baixas,assim como a inerente infestação dispararam.
Defendo a monitorização sim mas, no pós tratamento, para aquilatar da eficácia do mesmo, porque a aqui a dúvida não é se devemos tratar ou não. Temos que tratar. A dúvida é se o tratamento foi eficaz ou não.
Porque o varroa tem uma particularidade interessante... nem no mesmo apiário todas as colmeias têm o mesmo nível de infestação . E olhe que por vezes há grandes diferenças. Quererá isto dizer que tratamos umas e não outras ?? De maneira nenhuma .
E o que é o país senão um gigantesco apiário ?
Não . Mantenho, sem retirar uma vírgula o que disse. Os tratamentos têm que ser concertados a nível nacional, o que como já expliquei acima , não quer dizer que sejam todos no mesmo dia. Aliás neu fui eu que descobri a pólvora. Nem é preciso ir longe. Aqui ao lado, na vizinha Espanha, é assim que se faz !
Um abraço,
Abelhasah.

Abelha Preguiçosa disse...

Provavelmente já venho atrasado para esta discussão, atrasado e provavelmente também não lhe acrescento grande coisa, mas têm falado muito no varroa das abelhas, mas não é de descuidar pensar um bocadinho no varroa dos apicultores, até me parece que, aqui, é mais esse que está em causa, o terrível Varroa colossallis: http://montedomel.blogspot.pt/2011/04/varroa-colossallis-hora-da-verdade.html
(Espero que me desculpem a brincadeira, logo num assunto tão sério, sou um bocado parvo...)

Abraço
PS: do Brecht gosto mais do Dificuldade de governar: http://www.citador.pt/textos/dificuldade-de-governar-bertolt-brecht

Zé Aranha disse...

Boa noite
Em comprei 10 embalagens de Bayvarol a essa firma espanhola ao preço de 3,75 euros cada embalagem e foram-me enviadas por uma transportadora, aqui em Portugal vendem a 7,50 cada embalagem e são da Bayer como as espanholas.

Alien disse...

Olá Zé Aranha,

De facto é essa a nossa triste realidade.
Até porque já passaram largos meses sobre o levantar destas questões e ninguém alterou nada ou tão pouco deu resposta.

Abraços
Joaquim Pifano

Anónimo disse...

Estando ja um pouco fora do tempo,e deixando uma dica a todos os lesados,associacoes,ministerios,DGAVs....
Sendo nos abrangidos pela EU e tendo direitos e leis que nos obrigam a ser todos iguais porque nao se faz como na Alemanha onde os Apicultores em conjunto com associacoes e um bom advogado nao enviam um baixo assinado ao tribunal europeu?Pode ser que aasim com uma boa coima ao estado(infelizmente)mudem de ideias!Como por exemplo com o setor Avicola
Nao e so fazer usos de fundos europeus e nao os comprovar!Talvez assim ganhem um bocado de respeito pelos Apicultores e outros setores agricolas