29 janeiro, 2013

O Açúcar no Alimento das Abelhas

Na preparação do alimento para as abelhas procuro que na composição haja sempre 70 a 80% de hidratos de carbono e 30 a 20% de proteína.

Na componente proteica uso sobretudo o pólen, a levedura de cerveja ou uma mistura dos dois, prevalecendo evidentemente a de custo mais baixo.

Com os hidratos de carbono o procedimento é semelhante, sendo aqui mais fácil saber qual o componente mais barato (o açúcar que ronda os 1,10 €/kg) não deixando de colocar também o mel (este ano a 2,80 €/kg) como aromatizante, o que irá atrair mais as abelhas. Por isso, os 80% de hidratos de carbono compõem-se habitualmente por 60 a 70% de açúcar e 40 a 30% de mel, podendo esta razão pesar ainda mais para o lado do açúcar.

O açúcar é por isso o componente mais barato e abundante no alimento artificial complementar, levando a sua utilização a dois problemas:
- Ministrado a frio: a sua consistência granulosa dificulta ou impossibilita mesmo a sua mobilização por parte das abelhas, cujo aparelho bucal sugador não está adaptado a tal alimento. Por isso é normal sobrar boa quantidade de depósito branco e granuloso nos pratos alimentadores.

- Ministrado a quente: resolve o problema anterior, na medida em que solubiliza grandes concentrações de açúcar em pequeno volume de água. Mas para se atingir tal ponto são necessárias temperaturas muito elevadas, o que resulta na produção de HMF (Hidroximetilfurfural) tóxico para as abelhas.

Segundo a Wikipédia, o HMF é uma molécula resultante da transformação dos monossacáridos (frutose e glicose).
Quanto mais calor, mais rápida é a conversão, logo, o HMF passou a ser usado como indicador de aquecimento, processamento inadequado ou mesmo adulterações em xaropes e no mel. Além do calor, também o envelhecimento e o pH contribuem para a velocidade de formação do HMF.”

A resolução dos dois problemas passa pela utilização do açúcar em pó, que pode ser preparado a frio, solubilizando-se com mais facilidade e obtendo-se uma massa muito fina e homogénea, facilmente mobilizável pelas abelhas.
O pior é mesmo os 5,84 €/kg que custa o referido açúcar em pó, vendido em embalagens de 250g, o dobro do preço do mel. Já soube que é possível adquiri-lo em embalagens maiores e a rondar os 2,00 €/kg.
Este ano resolvi fazer experiências com o açúcar granulado mais comum e barato, pulverizando-o.
Consegui adquirir um crivo de metal com orifícios de cerca de 1mm, que adaptei a um moinho de cereais que já possuía. Coloquei no depósito boa quantidade de açúcar granulado (uns 10 kg),  em poucos minutos e numa única passagem obtive o dito açúcar em pó.

Na confecção do alimento já não foi necessário ferver a mistura, utilizando apenas água quente e obtendo os resultados esperados.

Comparação das texturas do alimento quando confeccionado com o açúcar em cristal e com o açúcar em pó.
Opto igualmente por passar o pólen pelo referido crivo pelas mesmas razões apontadas para o açúcar.
 
O alimento artificial, nomeadamente a sua textura, é bastante melhorado quando os próprios grãos de pólen são passados pelo referido crivo.
No entanto, o pólen usado para alimentar as abelhas já resulta quase sempre do refugo obtido na selecção do utilizado para alimentação humana, pelo que já se encontra suficientemente farinado.

Já com o alimento pronto a utilizar são bem visíveis as vantagens da utilização dos componentes reduzidos a pó, facilitando-se muito a sua ingestão pelas abelhas e evitando perdas.

 

11 comentários:

Abelha Preguiçosa disse...

"Num bejo" nada de alimentação artificial de abelhas!
Ou melhor, vejo cada vez menos, e cada vez com piores olhos...

Paulo Pereira disse...

Olá SºAlien.
Na verdade já tenho feito esta mistura.
Mas só faço com açúcar em pó e mel, (não costumava misturar pólen, mas misturava um pouco de levedura de cerveja, ficava candy) compro sacos de 10kg de açúcar em pó, fica um pouco mais barato que os 2€.
Como se deve fazer a mistura, quais as quantidades de cada.
No alimento liquido então não se deve deixar ferver.
Sou um seguidor do seu blog, bem-haja pela ajuda que dá em prólogo da apicultura.
Se algum dia passar pela Bairrada gostaria de o receber em minha casa.
Paulo Pereira
Anadia

Alien disse...

Olá Paulo Pereira

Habitualmente, para cerca de 500g de alimento/colmeia, costumo utilizar cerca de 300g de açúcar + 150g de mel + 50g de pólen ou números em redor destes valores, consoante as disponibilidades.
Começo por aquecer o açúcar no fogão (nunca ferver, nem no alimento líquido nem no sólido).
Quando estiver dissolvido retiro do fogão e adiciono o mel.
Quando a temperatura estiver entre os 30 a 40ºC adiciono finalmente a levedura ou o pólen.
A maior ou menor quantidade de água que adiciono depende se pretendo um xarope líquido ou sólido.
Terei muito gosto em visitá-lo quando passar pela Bairrada!

abraços
Joaquim Pifano

jbandero disse...

Está muito didática a sua confecção da ração. Nós estamos fazendo essa ração adicionando pólen e também farinha de soja desengordurada (chamado "leite de soja") e também adicionamos própolis pois resido em região quente o ano inteiro(Mato Grosso) e corre-se o risco de haver fermentação da mistura e diarreia nas abelhas. Jefferson Banderó /Sinop - MT

Alien disse...

Olá JBandero,

Antes de mais muito obrigado pelo seu comentário.
Nós aqui já utilizamos também a farinha de soja e pessoalmente não me deu grandes resultados, mas há quem a utilize e com boa opinião.
Fiquei muito curioso com o uso do própolis, gostaria de saber a sua importância no alimento artificial, pois também vivo numa região muito quente.
Fico a aguardar por notícias de Mato Grosso, uma região sob a qual pouco ou nada conheço da apicultura que aí se pratica.
O meu mail: montedomel@gmail.com
Um abraço

Joaquim Pifano

Oskar Alvarez Marques disse...

Boas pessoal, sou novato nesta área, mas há uma coisa que me pergunto desde que sei que usam açucar como alimento para abelha...porque não utilizar açucar mascavado em vez de branco? Deixo aqui um pequeno excerto...100 gramas de um açúcar bem escuro, o mascavo, existem 85 miligramas de cálcio, 29 miligramas de magnésio, 22 miligramas de fósforo e 346 miligramas de potássio. Para comparar, na mesma quantidade de açúcar refinado, aquele tipo branco mais comum, a gente encontra no máximo 2 miligramas de cada um desses nutrientes.

Alien disse...

Olá Óscar,

Muito obrigado pelo seu contributo.
Um pedido de desculpa pelo atraso na publicação mas estive ausente uns dias.
Quanto custa o açúcar mascavado? Eu já o comprei em tempos mas para a minha alimentação, não para as abelhas, mas suponho que é mais caro...

abraço
Joaquim Pifano

Mário disse...

ola e em vez de açúcar refinado ou em grão por que não utilizar açúcar invertido?

Mario lourenço

Alien disse...

Olá Mário Lourenço,

Já participei varias vezes nessa discussão sem se chegar a nada de conclusivo, mas reconheço as vantagens do açúcar invertido.
De qualquer forma os custos e os resultados obtidos com o açúcar normal têm-me levado a optar por ele.

abraço
Pifano

Anónimo disse...

Boa noite.
Parabéns pelo blog, cheio de informação.
Ao procurar informação sobre alimentação de abelhas, e após ler a sua sugestão sobre o açucar em pó, meti mãos à massa e dei uso a uma pequena máquina que temos cá pela cozinha, chamada 1, 2, 3, da marca Moulinex - passo a publicidade. Resultado: açucar em pó, muito fino.

Alien disse...

Claro que assim tambem funciona, mas para uma pequena quantidade de colmeias, pois para grandes quantidades seria insustentavel.
Bom trabalho,
Abraçor

Joaquim Pifano