Contagem de VarroasDesde meados da década de 80 que a Varroose constitui um dos principais problemas da apicultura e dos apicultores portugueses. Seja pelas baixas na produção, custo dos medicamentos, trabalho/tempo suplementar despendido e os riscos de contaminação do mel. Regra geral, os apicultores fazem pelo menos duas aplicações de medicamento acaricida por ano, podendo até chegar às três ou quatro em casos de reinfestação.
Muitas vezes estes tratamentos são feitos em função de datas: como o período antes da Primavera, o pós cresta ou o fim do Verão, à semelhança da Luta Química Cega praticada noutros sectores. Raramente o grau de infestação é tido em conta, quando muito a observação dos sintomas mais comuns poderá acelerar ou antecipar a decisão de tratamento.
Não é meu objectivo discutir ou criticar a aplicação de acaricidas em períodos como antes da Primavera, porque é uma fase em que há todo o interesse em baixar o número de Varroas para um limite inferior e que garanta que não venham a haver infestações graves durante a fase de produção principal.
É regra nos seres vivos as populações aumentarem exponencialmente o número de indivíduos durante uma determinada fase, em que a capacidade de suporte do meio o permite, até atingirem um limite superior (de equilíbrio) em que o crescimento fique estável, não aumente nem diminua - (
GRÁFICO 1).
No caso da Varroose, como em qualquer ser vivo, a curva de crescimento teria um desenho semelhante, só não acontece por a coabitação entre
Apis mellifera e
Varroa destructor ser recente e ainda não haver uma fase de equilíbrio, levando à morte da colónia de abelhas e consequentemente ao fim das próprias Varroas numa colmeia. Não é de facto um verdadeiro fim para as Varroas porque entretanto já infestaram nova(s) colónia(s) - (
GRÁFICO 2).
Os apicultores ao aplicarem os medicamentos têm como resultado diminuir (raramente anular) a população de Varroas até um nível mínimo que não causa danos à colónia de abelhas e respectivas produções - (
GRÁFICO 3).

A actividade que hoje proponho, levada a bom termo, permite ao apicultor a monitorização do crescimento da população de Varroas e tomar a decisão mais acertada sobre o momento em que deve intervir para combater a moléstia. Evitam-se assim os custos e trabalhos acrescidos, tal como os riscos de contaminação do mel e até de tratar tarde demais.
RECOLHA DE ABELHAS ADULTAS PARA CONTAGEM DE VARROAS:Material: Frascos de vidro de boca larga (pelo menos um por apiário e com
capacidade de 1 kg de mel).
Água e detergente líquido.
Escova ou um ramo de arbusto.
Etiquetas para marcar os frascos.
Pinça.
Procedimento: Em casa devemos preparar para cada apiário pelo menos um frasco meio de água, onde deitamos uma colher de sopa de detergente, para receber as Abelhas. O detergente quebra a tensão superficial da água e alem de proporcionar uma morte mais rápida às Abelhas, obriga as Varroas a afundarem facilitando as contagens.

No apiário serão amostradas 30% das colmeias, escolhidas aleatoriamente, incluindo sempre as das extremidades que pelo facto de receberem abelhas de todas as outras são consideradas muito representativas, logo devem ser sempre testadas.

Nas colmeias sorteadas devemos colher cerca de 50 Abelhas em cada uma (aproximadamente). As Abelhas a recolher devem ser o mais novas possível, quando ainda apresentam muitos pelos e uma cor acinzentada. São mais frequentes nos quadros de criação, pelo que se devem evitar os quadros das alças e os das extremidades do ninho.
Claro que também irão abelhas mais velhas, o que não constitui qualquer problema, muito grave é se varrermos a rainha para dentro do frasco...
Uma vez seleccionado o quadro de onde retirar as Abelhas, com a ajuda da escova ou um ramo varrem-se cerca de 50 Abelhas para dentro do frasco com água e detergente. Devemos encontrar primeiro a rainha, colocar esse quadro num local seguro dentro da colmeia, e seleccionar outro quadro com o tipo de Abelhas desejado para o efeito. O ideal são duas pessoas para este trabalho, enquanto uma varre as Abelhas a outra segura o frasco que deve tapar imediatamente.
Todas as Abelhas de um apiário vão para dentro do mesmo frasco (50 Abelhas x 30% das colmeias).

Os frascos etiquetados, uma vez em casa, são destapados e com a ajuda de uma pinça retiram-se e contam-se todas as Abelhas, tomando nota desse número. No frasco apenas ficam as Varroas, cuja contagem é muito fácil elevando o frasco e contando-as pelo fundo.
Sabendo o número de Abelhas e de Varroas basta calcular a percentagem de infecção:
VER RESULTADOS.

RECOLHA DE LARVAS DE ABELHA PARA CONTAGEM DE VARROAS:A contagem de Varroas pode e deve ser efectuada também nas larvas de Abelha, cujo resultado irá complementar o encontrado nas Abelhas adultas.
Nos testes efectuados nas colmeias dos associados da ADERAVIS apenas temos calculado o grau (percentagem) de infecção nas Abelhas adultas, o que tem sido suficiente para os nossos objectivos.
Material:
Faca ou canivete.
Sacos etiquetados ou numerados (um por apiário).
Faca de desopercular.
Tubo fino ligado à torneira.
Funil e papel de filtro.
Procedimento:Nas mesmas colmeias onde recolhemos as Abelhas na etapa anterior, seleccionamos um quadro com criação operculada em ambas as faces e cortamos um pedaço de favo com cerca de 8 x 8 cm. Todos os pedaços de criação oriundos do mesmo apiário devem ser guardados no mesmo saco.

Uma vez em casa, os pedaços de favo são desoperculados, e retiradas as larvas de Abelha com a ajuda de um pequeno jacto de água, que se consegue ligando um tubinho de diâmetro reduzido a uma torneira.
As larvas de Abelha, os eventuais ácaros de Varroa e a água devem cair para dentro de um funil ou outro utensílio equipado com um papel de filtro.


Logo que todo o favo esteja limpo de ambos os lados, retira-se o papel de filtro e contam-se as larvas de Abelha e as Varroas. Somam-se os resultados de todas as amostras do mesmo apiário e com os resultados totais calcula-se a percentagem de infecção da criação de Abelhas, resultado que complementa o encontrado nas Abelhas adultas.

CONCLUSÕESSegundo algumas fontes, quando a percentagem de infecção è igual ou inferior a 5%, temos cerca de um mês para efectuar os tratamentos contra a Varroose. Quando esse número ronda os 15% ou próximo deste valor, convém não demorar mais de uma semana a aplicar o acaricida. Quando o resultado encontrado é igual ou superior a 20/25% devemos tratar imediatamente e vigiar as abelhas com frequência.
Há cerca de dois anos conseguimos recuperar cerca de 20 colónias com 56,4% de infecção, ou seja, em cada duas abelhas havia uma que carregava com uma Varroa.
FACTORES QUE PODEM MASCARAR OS RESULTADOS FINAIS:A recolha de amostras para fins estatísticos deve obedecer a um grande rigor e imparcialidade, caso contrário poderemos obter resultados e respectivas extrapolações muito diferentes da realidade, levando a um mau procedimento à posteriori.
- Tal como já foi dito, não devem ser recolhidas Abelhas das alças ou dos quadros sem criação, pois têm quase que exclusivamente Abelhas adultas onde o número de ácaros é muito inferior.
- Por vezes os apicultores mostram pouca vontade na recolha de Abelhas para análises, temendo o enfraquecimento da colónia, e menos de 50 Abelhas/colmeia podem comprometer os resultados.
50 Abelhas numa colmeia normal representam cerca de 0,08% da população, ou seja, menos de 1%.
- A contagem de Varroas em larvas de zangão apresenta valores muito superiores à realidade da colónia, pelo que amostras de favos com estas características levam-nos a valores erróneos. Devemos notar que a população de zangãos numa colónia é de cerca de 3% das obreiras, como tal è pouco representativa.
- Quando retiramos as Abelhas adultas do frasco com água e detergente devemos lavá-las bem, não tragam algum ácaro junto, o que poderá levar a estimativas por baixo.
Há portanto um conjunto de pormenores a observar neste teste diagnóstico para retirarmos todo o potencial e ajuda que ele nos pode valer, e que dada a facilidade de execução, em pouco tempo qualquer apicultor estará apto a realizar.
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