
De facto, um quilograma de lâminas de cera moldada pode chegar aos 8,00€ e até aos 9,00€, conforme os escrúpulos de quem a vende. Se bem que o preço médio seja substancialmente mais baixo, arriscaria a dizer entre os 6,50€ e os 7,50€. Ainda assim, e comparativamente aos preços do mel, podemos afirmar que se trata de um produto muito caro.
Quem teve o trabalho e a paciência de aproveitar, fundir e apurar toda a cera dos quadros velhos substituídos, colmeias que morreram, opérculos e quadros quebrados durante a cresta, conseguiu decerto um “bolo” de cera considerável para trocar por cera moldada. O que lhe permitirá significativas poupanças. O custo da moldagem poderá oscilar entre os 1,50€ e os 2,00€ e às vezes mais uns “trocos” consoante as necessidades de quem a comercializa...

A origem da cera
O teor de parafina
Outros aditivos
A maior ou menor elasticidade
A cor
O aroma
etc
Enfim, uma série de requisitos que levam os apicultores a comprar esta ou aquela referência, neste ou naquele local, mais por uma questão de fé que por outro motivo qualquer, à semelhança de tantas outras decisões no sector apícola.
Mas desta vez o “assunto” é outro, vamos usar a cera que temos e aproveitá-la/poupá-la de modo a ter sempre ceras novas nos quadros do ninho e alças, sem que com isso tenhamos de dispor de muito dinheiro.
Um dos métodos que mais utilizo, obviamente que não há aqui grande magia, pois o espaço de manobra é curto, trata-se de usar cera de dimensões inferiores ao quadro, nomeadamente:
Cera Reversível em Quadros Lusitanos
Cera de Alça em Quadros Reversíveis




De qualquer forma, posso afirmar que noventa e muitos por cento dos quadros se assemelham à primeira destas três imagens, ou seja, os favos ficam exactamente iguais ao que ficariam se tivesse usado lâminas de cera completas.
Com isto tudo consegui uma poupança superior a 30% de cera...
Ao usar a cera de alças nos quadros Reversíveis o procedimento e os resultados são de todo semelhantes.
Já nas alças opto mesmo p'la “extravagância”, uso o formato próprio para alças, como a urgência é “puxar cera” e encher de mel prefiro não arriscar. Aliás, acho um exagero utilizar o termo arriscar, pois se se tratar de uma colónia populosa e com boas fontes de néctar, com ou sem lâminas de cera moldada os favos crescem rapidamente.
Os únicos “riscos” decorrentes deste prática poderão prender-se essencialmente com a orientação dos favos na ausência das lâminas de cera que lhes serviam de guia, senão veja-se o descrito em: (FAVOS DE COLMEIA E DE CORTIÇO – 29/07/2009). As abelhas “puxam” a cera até ao fim das lâminas e depois podem reorientar os favos segundo o dito ângulo em relação ao Norte Magnético.


Aliás, creio que toda a gente já viu o resultado quando nos esquecemos de completar o ninho com os quadros em falta após um desdobramento: os favos naturais (sem cera moldada) podem ser paralelos aos quadros já existentes ou surgirem numa posição mais caprichosa:

Volto portanto a referir que este método compensa bastante em termos de poupança de cera.
Outra forma de chegar ao mesmo resultado alterando um pouco o método e poupando 50% da cera, passa por cortar as lâminas de cera moldada na diagonal. Era um método que via usar nalguns apicultores em Portalegre.
Neste caso, uma lâmina de cera Lusitana dava para dois quadros Lusitanos, e uma de cera Reversível para dois quadros do mesmo modelo:




Finalmente, a “poupança total”: ideal para os tempos que correm.
Esta foi-me contada por um amigo, que ainda a deve ter em projecto, pois não sei se já a praticou. Consiste em cortar uma lâmina de cera em várias tiras (muitas), colocar cada tira num quadro e deixar as abelhas construírem o resto...
Tal método pode levar a uma poupança de 80% de cera, excelente, não posso é garantir que desta forma não suceda mesmo o que temíamos lá atrás... E quando nos prepararmos para retirar um quadro do ninho os outros nove não venham acompanhá-lo por simpatia...
Sempre podemos é orientar a colmeia e os respectivos favos no ângulo natural, relativamente ao Norte Magnético.
Agora a sério, quando me referiram este último método foi mais no sentido de obter cera biológica de facto, uma “guia” fininha para orientar as abelhas no topo do quadro e toda a cera restante vinda directamente do corpo das abelhas. Esquecemo-nos é que dentro de poucos meses a nossa cera biológica irá contactar com mais acaricidas...

5 comentários:
drone1952 stand for George from Apinews
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Parabéns, gostei de ver este trabalho.
Estas técnicas, ou métodos de trabalho, em pequena escala e de forma curiosa, foram e são utilizados por mim. Como curioso e pelo gosto da apicultura.
Parabéns, mais uma vez.
Nota: Gostaria de saber locais, onde se pode trocar cera derretida, por cera moldada, pagando a estampagem.
Olá Paulo,
Há uma série de locais um pouco por todo o país. Na revista "O Apicultor" há várias dessas casas com publicidade.
Pessoalmente costumo fazer isso no José Gil em Fortios - Portalegre, por uma questão de proximidade. Por outro lado também me agrada o facto de ele não usar qualquer aditivo nas ceras.
Se for útil, o contacto dele é o 245399132 e o 968073070,
Um abraço
JPifano
boa tarde,
no ultimo método, como fixa a cera ao quadro?
Obrigada
Olá Sara Ferreira
No último caso deverá utilizar cera fundida para fixar a lâmina na ranhura do quadro, em ambos os lados.
Deverá também cortar tiras de cera suficientemente grandes que alcancem o primeiro arame ou caso isso não seja possivel poderá fazer furos mais acima no quadro para que a estreita tira de cera alcance o primeiro arame.
espero ter ajudado
cumprimentos
Joaquim Pifano
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