18 setembro, 2009

Transumância na Apicultura Profissional

Muitas são as vezes em que acordo de madrugada (à força), tomo um duche, visto o equipamento e parto para os meus apiários.
Num ano ano normal-a-bom, consigo ganhar algum para umas férias mais folgadas, adquirir e renovar alguns equipamentos e obviamente ter mel para mim e para os amigos.
Nessas madrugadas em que saio contrariado da cama, boa parte dos pensamentos que me ocorrem andam à volta de:
se eu hoje não for, não se há-de ressentir muito nas produções...
se eu hoje não for, não é por isso que vou deixar de ter férias...
se eu hoje não for, não há-de ser por isso que vou deixar de ter mel para comer...
se eu hoje (e noutros dias) não for de forma que comprometa a produção e a exploração, não há-de ser por isso que vá à falência ou venha a passar dificuldades...

Em suma: eu não sou um apicultor profissional, não vivo da produção de mel. As grandes oscilações que o sector possa sofrer só as sinto indirectamente como técnico, o meu investimento é mais pessoal e profissional, para não falar da paixão que nutro pelas abelhas...

Mas há quem não possa pensar assim, há quem fazendo chuva ou Sol, apeteça ou não sair da cama tem de o fazer.
Do bom e oportuno maneio de centenas ou milhares de colmeias depende toda uma economia empresarial (e familiar), um modo de vida, uma profissão, empregados, compromissos... vidas.

As paixões que afectam o pescador de fim de semana que vai até ao lago com a cana e a lata das minhocas deve sr semelhante à do pescador que embarca numa casca de noz e se faz ao mar alto, ambos são pescadores, mas as motivações...

Costumo gracejar com o meu amigo Abílio da COLMEICENTRO – Abrantes: Posso telefonar-te a qualquer hora do dia ou da noite sem riscos de te incomodar, estás sempre acordado, as abelhas não te deixam parar... Pudera, perto de 3.000 colónias chegam e sobram para tirar o sono a muita gente.
Pior ainda quando se multiplica esse número pelo dobro ou pelo triplo ao apostar-se numa transumância contínua para manter as abelhas sempre a produzir.

Não há post sobre transumância neste blogue em que eu não me queixe das dores nas costas, e falo de umas dezenas de colmeias, será que o Abílio tem costas?
Tem, e tem melhor que isso, o tema central deste artigo, uma excelente grua adaptada à camioneta permitem-lhe transportar centenas de colmeias por noite e com um mínimo de esforço. O “truque” está na excelente ideia que teve em modificar as colmeias e adaptá-las a paletes de quatro unidades.



As colmeias não têm pranchetas, para um melhor arejamento durante o transporte. Aliado a isso, o tampo, perfurado para o mesmo efeito, não “encaixa” na colmeia, apenas se apoia sob os bordos da caixa. À primeira vista parece uma montagem pouco segura, mas as colmeias são aparafusadas à palete e os tampos são ligados aos ninhos através de grampos de mola.
Esta estratégia permite-lhe também transportar as alças sobre os ninhos – fixas com os ditos grampos.

As colmeias ainda possuem outras particularidades:

Uma chapa metálica perfurada no fundo para aumentar o arejamento.
Uma entrada de abelhas reduzida com duas tampas perfuradas, que lhes permite fechar hermeticamente a colmeia para o transporte e servem simultâneamente de tábua de voo.
Um segunda entrada de abelhas mais elevada, tapada com uma porta semelhante, onde poderá encaixar uma armadilha capta-pólen.

Tudo parece mais fácil assim, luzes retrovisoras de cor vermelha para não incomodar as abelhas, o braço extensível da grua encaixa nas duas asas da palete e levanta ou baixa quatro colmeias (com ou sem alças) sem o mínimo esforço.
Soube também que o Abílio se prepara agora para construir paletes para oito colmeias, uma vez que a grua o permite, o que decerto facilitará e acelerará ainda mais a transumância.

O único senão é a procura de assentamentos planos ou aplanados para o efeito, mas nada que não se corrija com paus, pedras ou blocos de cimento para que as paletes fiquem bem horizontais.
As características do local onde o Abílio tem boa parte das colónias dá uma boa ajuda, os aceiros florestais permitem o descarrego das colmeias ao longo desses caminhos à medida que o camião se vai deslocando.

Eu continuo com os meus braços, a coluna e uma cinta lombar para ajudar nos esforços. Quando tenho ajudas, além da Luísa que leva a lanterna, também usamos uma padiola onde equilibramos uma colmeia de cada vez, mas o esforço é mais dividido e a transumância não deixa de se fazer.
Vou sugerir à Luísa que use uma lanterna de luz vermelha para não incomodar as abelhas, e quanto à minha cinta lombar, perdidos vinte quilogramas, descai-me para a cintura e só me protege essa zona, mais das picadas que do esforço.
Quem não tem cão...
Fica no entanto o apelo às Associações de Apicultores e ao Programa Apícola que em vez de investirem tanto nos laboratórios possam dotar cada associação com uma destas máquinas, incentiva a transumância e decerto aumentará as produções.

10 comentários:

Anónimo disse...

Espectaculo...outra dimensão.

Tambem gostava de abrir as minhas sem mascara, mas falta-me a coragem...ou sobra-me juizo, que são aguerridas...

Já o Abilio, parece totalmente à vontade.

Quanto custará um enxame buckfast? As imagens do Sr. Vicente Furtado, tambem me fazem inveja..

Abraço

Joao

Alien disse...

Caro João,

Não esqueça que as abelhas da primeira geração de Buckfast cruzadas com a nossa abelha negra, fazem as nossas parecer "anjos"...
Precisaria sempre de Buckfast puras.
Um abraço
JPifano

Anónimo disse...

Pois é, realmente a dimensão dos apiários e conseguir mantelos em actividade durante todo o ano é realmente de uma "divisão superior". Mas a apicultura como tudo nesta vida, é preciso muito empenho e prazer no que se faz, e o Sr. Abilio, é espelho disso mesmo.

Anónimo disse...

gostei muito da sua forma de trabalhar com as abelhas.

Anónimo disse...

espectacular... outra dimensão

FERNANDO MARTINS REFONTEIRA disse...

ola
ser. abilio
adorei seu trabanho e seu carinho com as avelhas os meus parabens
ser. abilio
eu tambem adoro tenho tambem e tambem adoro de as ter bem coidadas
o ser. pode vesitar meu blog e ver e quem sabe podermos nos encontrar
adorava visitar seu apiario
meu blog---http://fernandomanuela.blogspot.com
os meus comprimentos
fernando martins

FERNANDO MARTINS REFONTEIRA disse...

ola
ser. ABILIO
ADOREI SEU APIARIO E SEU CARINHO PELAS ABELHAS CUMO TEM TUDO BEM ORGANISADO
MEUS PARABENS
SER. ABILIO
EU TAMBEM ADORO TENHO ALGUMAS COLMEIAS QUE TENDO ALGUM TEMPO LIVRE VOU LOGO PARA LA
O SENHOR PODE VER O MEU BLOG E ESTE----http://fernandomanuela.blogspot.com---ADORAVA UM DIA PODER VISITAR SEU APIARIO CUMO O SER. PODERIA VIR AO MEU
MEUS PARABENS PELO SEU TRABALHO
COMPRIMENTOS
FERNANDO MARTINS

Anónimo disse...

O Sr. não é produtor de Propólis?
É um bom produto para cura de infecções feridas, problemas de pele etc...
Agradeço esta informação.
Jorge Rodrigues

Anónimo disse...

Sr Abílio gostaria de saber se o Sr. também é produtor de Propólis.
Obrigado

Alien disse...

Olá Jorge Rodrigues,

A resposta é afirmativa, produzo própolis, em pequenas quantidades mas já o faço há 3 anos.
Quanto ao Abílio não lhe sei responder se ele actualmente o faz, mas se me enviar um mail para montedomel@gmail.com posso dar-lhe o contacto dele.

Cumprimentos
Joaquim Pifan