12 Outubro, 2009

Alimento Artificial para Abelhas: Formas de Aplicação

Creio que já o disse uma vez que me irrita profundamente qualquer episódio de alimentação artificial. Seja pela sua confecção, pelos recipientes onde coloco o xarope ou a forma como o aplico.
Podia pensar em “comprar” alimentadores artificiais, mas os argumentos: preço; armazenamento e manutenção demovem-me de o fazer. De forma que prefiro improvisar cada vez que as abelhas precisam de nutrientes.

Além dos alimentadores comerciais disponíveis no mercado, com as mais variadas formas que todos conhecemos, apresento-vos outras estratégias (mais ou menos correctas) de aplicar alimentos artificiais (sólidos ou viscosos) nas colmeias.

1. Uma forma muito aconselhada consiste na aplicação de uma bola de massa quase sólida directamente sobre os quadros. Obviamente que esta técnica se adapta melhor a alimentos muito viscosos ou sólidos:

Só o fiz uma vez, e jurei para nunca mais. O alimento era de facto muito espesso e até duro, mas o calor e a humidade no interior da colmeia, rapidamente liquefez a "massa" e escorreu pelos quadros abaixo. Ao fim de um dia, o alimento que tanto trabalho me dera a confeccionar, já saía cá em baixo na tábua de voo, originando as conhecidas confusões de abelhas e respectivas pilhagens.
Para não falar no facto de que uma dose de nutrientes que supostamente duraria uma semana, pouco mais aguenta que 24 horas...
Se alguém conhecer uma formulação mais estável para esta aplicação, agradeço que a divulgue, pois a mim não me correu nada bem.

Mas há outras que se seguem com efeitos semelhantes:

2. Processo muito semelhante ao anterior, só que a “bola” de alimento, outra vez colocada sobre os quadros, tem por baixo uma folha de papel vegetal ou mesmo de plástico.
Não se adianta grande coisa, se o alimento for demasiado para a área de plástico, rapidamente se liquefaz e volta a escorrer pelos quadros abaixo:

Vamos agora experimentar a colocar o alimento artificial entre o tampo e a prancheta. Espera-se com isto, (entre outras coisas) livrar o dito alimento “sólido” aos calores e humidades excessivas do interior da colmeia e que rapidamente o liquefariam, fazendo-o durar menos tempo.

3. Tal como no ponto (1.), só que colocando a bola de alimento directamente sobre a superfície da prancheta, tendo o cuidado de deixar aberto o respectivo orifício de acesso às abelhas.
A única vez que o fiz, foi porque o alimento ficou tão duro que quebrei uma faca para o partir em pedaços...
Não valeu a pena, o resultado foi em tudo equivalente ao ponto (1.), só que desta vez o alimento liquefeito não escorreu só pelos quadros, (via buraco da prancheta): como a colmeia não estava nivelada escorria também pelas paredes exteriores, o que aumentou ainda mais a confusão.
Foi a primeira vez que vi entre a confusão de abelhas a minha cadela em pleno acto de pilhagem, ladrando alto, não sei se de dor ou de prazer...

4. Semelhante ao ponto anterior, só que com a dita folha de papel vegetal ou plástico entre o alimento e a superfície da prancheta.
Voltou a liquefazer e consumir-se depressa demais. Nova “avalanche” interna e externa de xarope com a respectiva confusão de abelhas. Desta vez a cadela evitou a sobremesa, o Pavlov sabia bem o que dizia...

5. Alimento sólido ou muito viscoso, dentro de um saco de plástico, que se coloca entre o tampo e a prancheta.
Uma vezes corre bem, outras nem por isso. Por vezes também liquefaz depressa demais com os conhecidos resultados, outras vezes fica muito sólido e entalado entre os meandros e circunvoluções do saco e torna-se de difícil acesso às abelhas.
É necessária muita prática para conseguir “tabelar” as dimensões da fenda a abrir no saco e a viscosidade do alimento que este contem. Para não falar na dimensão da colónia que se alimenta, parâmetro comum a todos os métodos que falo.
Não é um mau processo, mas pode e deve ser muito melhorado:

6. Saco de alimento, ligeiramente menos viscoso (ou mais liquefeito), onde se abrem vários orifícios e se coloca directamente sobre o buraco da prancheta.
A ideia não é má de todo, mas mais uma vez há o preciosismo de aferir o número e diâmetro dos orifícios a fazer no saco conforme a viscosidade do alimento.
Ou escorre depressa demais: demasiados buracos, demasiado largos, poucas abelhas, etc, ou então as abelhas rapidamente sugam a parte liquefeita, restando as partes sólidas dentro do saco. Não esquecendo que as ditas “partes sólidas” quase sempre são as mais importantes, como é o caso do pólen... :

7. Uma ideia mais “engraçada” e funcional, colocando uma bola de alimento sólido, viscoso ou até liquefeito, num prato de plástico que se coloca sobre a prancheta. Por mais que o alimento se liquefaça, nunca vai entornar e escorrer para fora, mas convém ter as colmeias niveladas.
Tem no entanto um grave inconveniente: a grande quantidade de abelhas que morrem afogadas no xarope líquido ou no alimento viscoso. Este problema resolve-se com relativa facilidade, deitando um punhado de palha, ou ervas secas sobre o alimento mal o coloquemos no prato: não se perde uma abelha:

8. Método muito semelhante aos dois anteriores, aliás, trata-se mesmo de um híbrido dos dois. Colocar o saco com alimento viscoso, onde se abrem várias fendas grandes, dentro do dito prato de plástico. Não esquecer de cobrir com o tal punhado de ervas secas anti-afogamento...

Quando optar por um ou outro dos dois métodos anteriores?

Método 7: Quando o alimento é líquido ou muito pouco viscoso e o posso transportar num garrafão ou vasilha. Chego ao apiário, retiro o tampo, coloco o prato e despejo a dose que me parece correcta para aquela colónia. De seguida deito as ervas secas por cima.

Método 8: Quando o alimento é demasiado viscoso ou mesmo sólido e fica mais fácil fazer a dosagem (para dentro dos sacos) em casa antes de sair para o campo.
Em casa já é difícil ensacar tal substância tão pegajosa, quanto mais, em pleno apiário e coberto de abelhas, estar com uma colher de pau a retirar o dito “melaço” da panela para os pratos... Mesmo o próprio acto de abrir, rasgar e fazer fendas nestes sacos junto à colmeia já garantem um “arraial” digno de ser visto... mas funciona muito bem, acreditem!

Daqui a uns dias espero poder apresentar uma reportagem sobre a ministração de alimentos sólidos (mesmo secos: farinha de soja, trigo, milho e mandioca) e xaropes mais líquidos, em alimentadores colectivos.
Esta prática muito curiosa, é usual em determinadas regiões do Brasil, e tanto as fotos como as respectivas explicações foram-me enviadas pelo meu amigo Carlos Correa de S. Paulo – Brasil.

3 comentários:

Jessé disse...

Eu não posso colocar o alimento das abelha fora da colmeia em hipótese alguma?

Alien disse...

Olá Jessé,

Não é impossível ministrar alimento artificial no exterior da colmeia, mas os riscos (e as consequências) da pilhagem são muitos.
Sobretudo quando se trata de alimento estimulante (líquido).
Não tendo outra alternativa coloque esse alimento a uma distância segura (20, 30, 50m ???), não se esqueça que não vai alimentar apenas as suas abelhas, e continua algum risco de pilhagem...

Joaquim Pifano

Anónimo disse...

eu fernando jose morador no concelho de ourike principiante na apicultura a minha maneira de alimentar as abelhas kuando precisam faço o alimento likido e pinto caixas ou tabuas ou paus de maneira k elas comam sem k fikem coladas e aproveitam a comida muito melhor sem desperdicios se alguem tem alguma ideia melhor e favor mandar menssagem para :balsinha61@hotmail.com