12 março, 2010

O infalível teste da “Bolha”…

Em determinadas circunstâncias, o “Teste da Bolha” devia estar para a apicultura como o fermento Inglês para as bolas de golfe…
Não há nada que mais me tire do sério do que ver um cliente com ar de entendido a emborcar um frasco de mel e seguir atentamente o percurso da “bolha”. O último foi precisamente no Natal passado.

Estava eu numa loja gourmet da região quando vi um casal que discutia animadamente frente à secção do mel, enquanto “o que usava calças” segurava duas embalagens “de cabeça para baixo”. “Este deve ser o melhor!” Concluía ele perante o ar estupefacto da esposa, e depois de ter revirado os frascos umas boas cinco vezes… Ainda assim ela duvidava do marido e do infalível teste.

Então não viste!!!???” E lá voltaram as embalagens a fazer o pino, mais parecendo uma corrida de bolhas. Entretanto, a senhora deve ter ficado alérgica ao mel e mudou de secção, deixando o respectivo na dúvida…

A apicultura é a minha profissão, boa parte da vida e até uma paixão. Ainda assim decidi nunca mais interferir no que não me dizia respeito desde que uma vez tentei comprar mel a um apicultor sobre a parede da barragem de Castelo de Bode. Para saber o que comprava perguntei a que tipo floral pertencia o mel exposto.
Então não foi que o apicultor me respondeu com um “Olhe, isso não sei, quando as abelhas saem da colmeia vão onde querem e eu não interfiro…”

Voltemos à “Bolha”, incorrigível como sou, abeirei-me do indivíduo e na medida do possível lá lhe expliquei que com tal malabarismo aos frascos pouco mais ficaria a saber que a humidade relativa de cada mel… se é que disso dependeria a sua decisão.

Tratava-se de um Mel de Rosmaninho e de um Multifloral, já não recordo qual dos dois acabou por levar, mas creio que nunca mais o verão a rodar embalagens para ver qual é o melhor…

Regra geral, e pelas datas de cresta quase sempre tardias praticadas nesta região, é uma raridade, senão impossível que algum mel venha a fermentar por excesso de humidade. Pelo que tal teste é quase sempre supérfluo, e mesmo assim a única verdade que conseguimos “arrancar” é a humidade comparada entre as duas amostras e não a absoluta de cada uma, que de facto interessa.

Muitas vezes recorremos ao teste da “bolha” nos concursos de mel (e na ausência de um refractómetro), quando duas amostras obtêm a mesma pontuação e se opta pela humidade como factor de desempate, ganhando obviamente o de menor humidade, mais viscoso e com a “bolha” mais lenta.

Digamos que se o Michael Schumacher fosse uma bolha de ar num frasco de mel, este já teria fermentado há muito, em contrapartida o “nosso” Pedro Lamy daria um excelente conservante para o mel…

3 comentários:

FERNANDO MÁXIMO disse...

Como não fui o visitante Nº 50 000 (mas por muito pouco...) em vez de receber um prémio, ofereço um prémio aos amantes da apicultura.
Ora cliquem lá em:
http://naturlink.sapo.pt/article.aspx?menuid=3&cid=15352&bl=1
Gostaram? Eu também!

Luís Miguel disse...

Sempre a aprender, pensava que a velocidade da bolha dependia da sua dimensão, pois há quem encha mais ou menos os frascos. Não sabia que era influência da humidade.
Mestre Pifano, um abraço aqui do jovem aprendiz,
Luís Miguel

Miguel Maia disse...

esta tese da bolha é equivalente aquela que o mel cristalizado é adicionado o açúcar...
Num dia vi na TV (naqueles programas da manhã) um apicultor afirmar que esta tese é válida...e infelizmente esta mensagem da "bolha" passou para milhares de consumidores...