13 dezembro, 2012

Avis mellífera 2012

Realizou-se no passado dia 8 de Dezembro a quinta edição das Jornadas Técnicas Apícolas - Avis mellífera. Trata-se de uma iniciativa que começou em 2008 e que durante estes cinco anos tem trazido a Avis apicultores, técnicos, dirigentes associativos e outros agentes do sector, oriundos de todo o território nacional.
Trata-se de um evento privilegiado para a troca de conhecimentos e experiências, quer pela diversidade de participantes como pela multiplicidade de temas que têm sido abordados.
É de louvar, dadas as dificuldades que as famílias portuguesas atravessam nestes tempos conturbados, o elevado número de visitantes e participantes que este ano acorreram a Avis para participar no evento que já é considerado uma “festa da apicultura”.

09:00 Concursos de Mel
Júri: Eng.º José Gardete; Eng.º Paulo Varela (Montemormel); Eng.º Jorge Rocha (ADERAVIS)
Mel Multifloral – 26 amostras
1º Lugar – João Domingos Xarez da Rosa – Avis (AVIS)
2º Lugar – Custódia Maria Casanova – Pavia (MORA)
3º Lugar – João Carlos Castelinho – Vale de Seda (FRONTEIRA)
Mel de Rosmaninho – 9 amostras
1º Lugar – Carolina Paraire Durão – Vale de Açor (PONTE DE SOR)
2º Lugar – José Nunes Oliveira – Montargil (PONTE DE SOR)
3º Lugar – José Zeferino Traquinas Barata – Alcórrego (AVIS)

09:30 Workshop – Produção de Hidromel
Formador: Dr. António Hermenegildo (SAP – Sociedade dos Apicultores de Portugal)
Foi um dos momentos mais marcantes das jornadas. Tão importante e misterioso como o “segredo da abelha” é o segredo de transformar o mel em vinho – hidromel.
Sempre que se solicita a receita de tal iguaria é habitual ouvirmos como adenda às instruções de fabrico: “…e ao fim de uns meses teremos hidromel, ou vinagre!”.
Foi pela dificuldade geral na confecção de tal sucedâneo do mel, pelo interesse demonstrado por inúmeros apicultores no Hidromel e conhecendo os trabalhos que o Dr. António Hermenegildo já desenvolvera nesse campo, que a organização das jornadas o convidou para formador no workshop e a quem agradecemos a disponibilidade e alegria que proporcionou ao evento.
Como era de esperar, a degustação de hidroméis que variavam entre o seco, meio seco e doce, redundou num dos momentos mais aguardados da manhã. Causando tal ajuntamento de participantes em torno da mesa de provas que não havia mãos a medir para encher tanto copo. O sabor, algo estranho a princípio, harmonizava-se depois com as papilas gustativas, melhorando gradualmente ao longo das provas, havendo quem chegasse ao 7º e 8º copo para o comprovar…

14:30 Colóquio
Boas vindas por parte da Direcção da ADERAVIS e pela Presidente da Junta de Freguesia de Avis, Dr.ª Anabela Pires, também em representação do Município de Avis.

Moderador – Eng.º José Joaquim Gardete
1º Tema: Flora Apícola, abordagem passiva/activa do apicultor - Dr. Joaquim Pifano (ADERAVIS)
Foram apresentados vários factores responsáveis pelo declínio da apicultura, como as questões sanitárias, a sobre-exploração de recursos e as alterações climáticas entre outros. Propôs-se também um novo formato de intervenção, mais activo, do apicultor sobre a flora apícola, nomeadamente a plantação/sementeira de espécies melíferas e poliníferas que floresçam sobretudo em datas determinantes para o desenvolvimento das colónias de abelhas.
É sabido que o período pós estival, cuja flora rarefeita pelas altas temperaturas associadas a incêndios devastadores e a más práticas agrícolas, impedem as abelhas de renovarem a população que há-de subsistir durante o Inverno, tendo como consequência o colapso de inúmeras colónias durante esta estação.
Qualquer intervenção no coberto vegetal que contribua com novas fontes de pólen/néctar é sempre desejável, não esquecendo a alimentação complementar ou mesmo a transumância.

2º Tema: A Apicultura e a Nova PAC – Eng.º Pedro Santos (CNA)
Uma perspectiva sobre a Agricultura em geral e Apicultura em particular, após a nova remodelação da já tristemente célebre PAC.
Um quadro a que infelizmente já nos habituamos, com novos agravamentos dos custos de produção, diminuição das ajudas e da protecção aos produtos nacionais, com os consequentes abandonos de explorações agrícolas e apícolas que se anteveem.
Já as importações de produtos apícolas, oriundos de países extra CE aumentam a cada ano…

3º Tema: Melarias Colectivas, vantagens e desvantagens – Eng.º Paulo Varela (Montemormel)
Também  nas melarias, a união de vários apicultores parece ser bem mais vantajosa que a iniciativa individual. Sobretudo no ponto de vista económico, onde a redução de custos com um único investimento colectivo, é preferível a investimentos vários, onde a taxa de utilização é quase sempre mínima, rentabilizando-se muito mais a exploração e aumentando a competitividade.
Como desvantagens, poucas mais se encontram além dum investimento inicial mais avantajado e da perda de individualidade de cada produtor.

4º Tema: Sanidade Apícola, produtos Químicos vs Homeopáticos – Eng.º José Serranito (Qalian)
A eterna polémica entre medicamentos de síntese química e à base de produtos naturais, as respectivas eficácias, condições e métodos de aplicação e… custos, sempre e sempre com o espectro dos produtos ilegais à espreita.
A Qalian disponibiliza actualmente o APILIFE VAR (à base de produtos naturais) e o APIVAR (de síntese química) ambos com comprovada eficácia no combate ao ácaro Varroa destructor.
Um apelo também à sincronização de tratamentos e utilização das mesmas substâncias activas em cada região, para um combate mais eficaz à Varroose, moléstia que há quase três décadas fustiga as explorações apícolas.

17:30 Entrega dos Prémios dos Concursos de Mel
18:00 Encerramento das Jornadas Técnicas Apícolas Avis mellífera 2012.


Conclusões das Jornadas de Apicultura Avis mellífera 2012
1. As entidades oficiais, nomeadamente a autoridade sanitária nacional para a apicultura, Direcção Geral de Veterinária, devia intervir no sentido de promover os tratamentos simultâneos em todo o território contra a varroose, bem como a uniformização dos medicamentos a utilizar pelos apicultores.

Só dessa forma se conseguirá um controlo efectivo da moléstia que tantas baixas tem causado no sector apícola, bem como evitar o surgimento de resistências por parte do ácaro em causa que tornam obsoletos os medicamentos utilizados.
2. Tendo em conta a dimensão do país, seria muito mais interessante e sobretudo eficaz, generalizar o estatuto de Zona Sanitária Controlada a todo o território. Fomentando assim as acções de carácter profilático e de controlo que actualmente apenas visam as áreas restritas com tal estatuto.
Mas que esse controlo vise também o imenso tráfego de colónias de abelhas estrangeiras que todos os anos são trazidas para Portugal, desrespeitando a legislação sanitária das já existentes Zonas Sanitárias Controladas.
3. Que os Serviços Oficiais do MAMAOT articulem e reúnam sempre que seja necessário com as várias associações e agentes do sector disseminados por todo o território, de modo a que o movimento associativo nacional seja ouvido no levantamento e resolução de todos os problemas do sector apícola.

4. O actual surgimento de grande quantidade de novos apicultores e consequente aumento muito elevado do número de colmeias neste sector, requer a coordenação e regulação pelas entidades oficiais, de modo a que seja respeitado o ordenamento apícola. Tendo em conta os recursos apícolas disponíveis em cada região, evitando sobrecargas de colónias de abelhas, evitando o esgotamento de recursos e ou a quebra de rendimentos até níveis insustentáveis.

A ADERAVIS solidarizou-se com o movimento Em Defesa da Agricultura Familiar, e Contra o Fim dos Serviços Publicos e Freguesias, tendo exibido um cartaz de protesto.

11 dezembro, 2012

Como fazer um CÍRIO PASCAL com Cera de Abelha

Círios Pascais feitos pelo meu amigo José Barbado, apicultor apaixonado não só pelas maravilhas e mistérios da apicultura como também por tudo o que com ela se relaciona. 
Muitos foram os ensinamentos que me transmitiu, alguns dos quais já partilhados no montedomel.
Dada a quadra festiva e de carácter religioso que se aproxima, o Eng. José Barbado enviou-me as fotos e descrições acerca da confecção das velas de cera, neste caso dos Círios Pascais e da Coroa do Advento, que poderão servir de estímulo e incentivo aos apicultores para que façam obras semelhantes. Mãos à obra e bom trabalho...!!!
 
Material necessário
Lâminas de "Cera Moldada" e pavio (cordão de algodão embebido em cera).
 
Preparação do Pavio
Adquire-se numa retrosaria o cordão de algodão com cerca de 0,5 cm de diâmetro, o qual se mergulha duas a três vezes num recipiente com cera líquida de abelha, deixa-se depois em suspenso a arrefecer à temperatura ambiente. O comprimento do pavio deve exceder o da lâmina de cera em cerca de dois cm.


As Lâminas de Cera
Usa-se qualquer tipo de cera, no entanto aconselham-se os formatos Langstrooth e Lusitana em conjunto. Para fazer um bom Círio Pascal são necessários entre 1,25 a 1,50 kg de cera.
 
Confecção do Círio Pascal
Uma vez preparado o pavio, dedicamo-nos então às lâminas de cera que para se deixarem trabalhar deverão estar suficientemente maleáveis. Para isso deve-se recorrer a uma fonte de calor não muito forte. Neste caso aproximou-se por breves instantes a lâmina de cera a um aquecedor.


Uma vez aquecidas e maleáveis, as lâminas de cera são colocadas numa superfície limpa e lisa e coloca-se o pavio ao longo de uma das extremidades. É a partir desta extremidade que se começa a enrolar a lâmina.
Utilizam-se várias lâminas até o Círio atingir o diâmetro pretendido.


No sentido transversal colocam-se duas lâminas mais pequenas em largura e enrolam-se uma vez mais até à espessura desejada.
Como vai ficar uma "costura" entre as duas lâminas, esta é coberta por uma nova lâmina de cera de maiores dimensões.
Terminada esta operação, o Círio é aproximado da fonte de calor para soldar as extremidades da cera, tornando o conjunto mais estável.
Para um melhor equilíbrio da vela podemos bater com as exermidades numa superfície lisa até obter esse resultado.
Para finalizar o Círio Pascal este deve ser embelezado com pinturas alusivas ao evento, não esquecendo de mencionar o ano e as referências ( A ) e ( Ω ) para ser considerado "Pascal".
Vai para 14 anos que o Eng.º José Barbado faz o Cirio Pascal para a sua Paróquia de Naturalidade (Vila Fernando - Arquidiocese de Évora), tendo os mesmos sido embelezados com pinturas alusivas ao evento, e como não são gastos na totalidade, quando leva o Círio referente a detereminado ano oferecem-lhe o anterior, mantendo-os assim expostos.
Segue-se uma foto da Coroa do Advento, da mesma autoria e oferecida pela família Barbado à Igreja de Santo António, no Bairro dos Assentos em Portalegre.
Cada vela tem uma cor alusiva ao Domingo do Advento, e como os apicultores só têm acesso a uma cor ( a da cera) sugere-se que utilizem uma fita com a cor correspondente para o efeito.


10 dezembro, 2012

Filatelia Apícola

Será que é desta que a Apicultura Portuguesa vai ser merecidamente homenageada pelas emissões filatélicas dos CTT?
Vamos esperar por 2013 para ver.
Informação obtida no blog "O Correio - Mor" pelo amigo Helder Luís Lucas, que reune em si as paixões pela Apicultura e pela Filatelia.

Montedomel, em entrevista na Revista Geração COOP

 Clique na imagem para ampliar, ou vá a:

04 dezembro, 2012

Avis mellífera 2012


PROGRAMA

09:00 h - Concursos de Mel

Júri - Engº José Gardete; Engº Paulo Varela; Dr. Emílio Sabido; Engº Jorge Rocha

09:30 h - Workshop - Dr. António Hermenegildo (SAP) - Produção de Hidromel

14:00 h - Colóquio

Sessão de Abertura: Dr. Manuel Coelho (Presidente do Município de Avis); Drª Anabela Pires (Presidente da Freguesia de Avis); Direcção da ADERAVIS.

Moderador: Engº José Gardete

Dr. Joaquim Pifano (ADERAVIS) - Flora Apícola, Abordagem  passiva/activa do Apicultor

Engº. Pedro Santos (CNA) - A Apicultura e a Nova PAC

Engº Paulo Varela (Montemormel) - Melarias Colectivas, vantagens e desvantagens

Engº. José Serranito (Qalian) - Sanidade Apícola, produtos Químicos vs Homeopáticos

17:00 h

Entrega dos prémios dos Concursos de Mel

Conclusão das V Jornadas Técnicas Apícolas Avis mellífera 2012

BEM VINDOS!!!

02 dezembro, 2012

Plano de Formação Apícola - MÉRTOLA

Plano de Formação Apícola 2012

II Curso de Iniciação à Apicultura em Modo de Produção Biológico
8, 9 e 10 de Fevereiro de 2013

Contextualização
Mel não é todo biológico?
A Apicultura Portuguesa em Modo de Produção Biológico
Regulamentação
Princípios Gerais
Conversão
Origem das Abelhas
Localização dos Apiários
Alimentação
Profilaxia e Assistência Veterinária
Práticas de Gestão da Produção
Características dos Materiais de Apicultura
Certificação
Organismos de Controlo
Contractos
Registos
Procedimentos de Instalação do Apiário
Localização e Exposição
Instalação de Colmeias
Distribuição
Povoamento
O Maneio Apícola: Particularidades em MPB
Materiais e Equipamentos
Inspecção e Manutenção de Apiários
Alimentação Artificial
Produção de Mel
Profilaxia e Sanidade Animal
Condicionalismos Regulamentares em MPB
Doenças e Infestações
Características e Diagnóstico
Alternativas Sanitárias em MPB
Varroa
Tratamentos em MPB
Extracção e Comercialização do Mel em MPB
Definição de Mel
Normas Comunitárias para a Qualidade do Mel
Regulamentos de Unidades de Preparação de Produtos de Origem Animal em MPB
Colheita e Processamento de Mel
Rotulagem e Especificações de MPB
Fronteiras para Além do Mel em MPB
Caderno de Campo em MPB
Preparação para a Visita de Campo
Visita ao Monte do Vento e Actividades no Apiário
Custo: 130,00 € NIB 0010 0000 45487500001 15


Curso de Criação de Rainhas e Recolha de Geleia Real
1,2; 15,16; 22,23 e 29,30 de Março de 2013

Selecção de Colónias Genearcas/Colónias Finalizadoras
Métodos de Criação de Rainhas
Introdução de Alvéolos Reais
Introdução de Rainhas Virgens
Introdução de Rainhas Fecundadas
Marcação de Rainhas
Quadros Porta-Cúpulas
Elaboração de Alimento
Estufas para Incubação de Alvéolos Reais
Transporte de Rainhas
Registo das Operações Efectuadas
Benefícios Associados à Criação de Rainhas
Custo: 370,00 € NIB: 0035 0459 00010386830 15

Oficina de Desdobramento de Enxames
27 de Março de 2013 Quarta Feira

Métodos de Povoamento de Colónias
Métodos de Desdobramento de Colónias
Acompanhamento das Colónias Recém-Formadas
Transporte para Apiários Definitivos
Transferência de Núcleos para Colmeias
Introdução de Ceras Laminadas e Puxadas
Custo: 75,00 € NIB: 0035 0459 00010386830 15

Curso de Higiene e Instalação de Equipamentos (Controle de Riscos Sanitários)
6; 7 e 8 de Maio de 3013
Apiário
Unidade de Produção Primária de Mel
Requisito dos Equipamentos e Utensílios
Higiene das Instalações, Equipamentos e Utensílios
Conceito de Limpeza e Desinfecção
Etapas da Limpeza e Desinfecção
Periodicidade de Limpeza e Desinfecção
Higiene Pessoal
Saúde
Apresentação e Vestuário
Regras de Comportamento
Controlo de Pragas
Cuidados na Extracção do Mel
Acondicionamento do Mel
Custo: 180,00 € - NIB: 0035 0459 00010386830 15

Oficina de Produção de Pólen, Própolis e Apitoxina
12 de Junho de 2013

Produção de Pólen
Composição do Pólen
Selecção das Colónias
Selecção e Colocação dos Capta-Pólen
Colheita e Processamento

Produção de Própolis
Composição do Própolis
Origem Botânica
Utilização do Própolis na Colónia
Métodos de Produção
Limpeza
Armazenamento e Conservação

Produção de Apitoxina
Composição da Apitoxina
Métodos de Produção
Colheita e Processamento
Custo: 75,00 € NIB: 0035 0459 00010386830 15

Oficina de Produção e Processamento de Ceras
11 de Setembro de 2013

Enquadramento Legal
A Biologia da Abelha e a Produção de Cera
Caracterização Química da Cera
Tecnologia da Cera
Importância da Substituição da Cera
Equipamentos para Processamento da Cera
Purificação da Cera
Moldagem da Cera
Prevenção da Traça no Armazenamento da Cera
Loque Americana na Cera
Branqueamento da Cera
Resíduos na Cera
O Apicultor e as Boas Práticas na Produção de Cera
Custo: 75,00 € NIB: 0035 0459 00010386830 15

INFORMAÇÕES UTEIS

Objectivos: Os cursos visam capacitar os/as formandos/as para a noção das técnicas de produção apícola em MPB em diversas vertentes.
Destinatários: Profissionais e interessados na temática com noções básicas na área apícola.
Funcionamento: Os cursos funcionarão com o número mínimo de 13 pessoas e máximo de 16, decorrendo no Centro de Acolhimento da Amendoeira da Serra – Mértola.
O almoço não está incluído nas formações.
Obrigatório trazer equipamento de apicultor.
Forma e prazo de pagamento: Por numerário, cheque ou transferência bancária no acto da inscrição. Após pagamento deverá ser enviado comprovativo para interambiental@adpm.pt
Inscrições: Enviar ficha de inscrição e documentos anexos
Critérios de Selecção: Motivação e Interesse na Temática, sendo dada prioridade a apicultores ou interessados com projectos na área.
Os critérios de selecção serão analisados mediante análise curricular e dada prioridade aos associados da APIGUADIANA.
Prazo Limite: Duas semanas antes do início do curso/oficina de formação.
Desistências: As desistências são aceites até uma semana antes do inicio, com reembolso do valor co curso/oficina.
Após esta data não haverá reembolso.
Certificação: Aos formandos/as será emitido um certificado de formação.

28 novembro, 2012

Abelhas Selvagens da Índia

Antes da minha passagem pelo sub continente indiano só tinha contactado com 25% dos representantes do género Apis, nomeadamente a Apis mellífera. Faltavam-me a Apis cerana, a A. dorsata e a A. florea no curriculum…

 A expectativa era imensa, sobretudo pelo exotismo das duas últimas espécies, visto a A. cerana ser a mais semelhante à nossa abelha europeia. A Europa apícola é muito monótona, vale-nos o amarelo dourado da A. mellífera ligústica para desenjoar da habitual abelha escura e peluda com que nos deparamos diariamente.

Já no ano passado tinha experimentado tal sensação ao contactar a imensa variedade de abelhas sem ferrão no Norte e Nordeste do Brasil.
No entanto, as espécies Apis dorsata e Apis florea não são domesticadas, é-lhes igualmente retirado o mel mas são de vida livre, nunca em estruturas construídas pelo Homem.
 
A primeira colónia de A. dorsata surgiu-nos na copa de uma acácia, num jardim algures entre Jaipur e Agra. Foi depois de um funcionário ter reparado no meu estranho interesse pela floração de determinado arbusto que lhe perguntei pela absurda ausência das abelhas, visto que outros insectos havia em abundância.
Levou-nos por um trilho que terminou junto à referida árvore onde a muitos metros de altura se encontrava a colónia. Não conseguimos grandes pormenores, dada a distância, mas serviu para matar a curiosidade. Surpreendeu-me a imobilidade destas abelhas, apesar das boas condições climáticas e da hora do dia, nenhuma saía ou entrava no favo.
 
Enormes colónias de Apis dorsata em Bateshwar, junto ao Rio Yamuna. Encontravam-se instaladas em figueiras (Ficus religiosa), uma das árvores que preferem para erigir os ninhos. Uns metros mais abaixo circulavam centenas de pessoas nos templos junto ao rio e no mercado.
 
A Apis florea só se “revelou” dias depois, num ramo de buganvília a cerca de meio metro do solo. Encontrávamo-nos no Chambal Safari Lodge, junto ao povoado de Jarar, e cujo naturalista residente alertado para o nosso interesse por tais criaturas logo encarregou o seu staff para nos encontrar uma colónia. Tivemos sorte, ao que parece não serão assim tão abundantes na região ou pelo menos só encontramos essa no jardim do Lodge.
São muito bonitas, pequenas e coloridas, um anel (ou anéis) de cor vermelho alaranjado logo a seguir ao tórax, seguindo-se depois 6 ou 7 alternados de preto e branco. Creio que são pelos brancos entre os anéis que fazem este contraste de riscas no abdómen.
O favo com uns 50 x 40 cm estava tão escondido na folhagem que foi difícil fotografar as abelhas na primeira incursão. Mas a curiosidade foi tanta que me arrisquei a afastar os ramos para melhor aceder à colónia.
Pedi ao naturalista Dushyant Singh para segurar um dos ramos enquanto eu fotografava as abelhas, ante o seu ar incrédulo, recordo que a única coisa que me ocorreu para o tranquilizar foi dizer-lhe que caso me visse a correr que fizesse o mesmo… felizmente não houve qualquer incidente a relatar, pelo menos nessa tarde…
Registei um comportamento muito semelhante ao da A. dorsata: apesar do dia quente e ensolarado, abundância de vegetação florida, as abelhas jaziam praticamente inertes e agarradas ao único favo que compunha a colónia. Procurei por diversas flores nos arredores e nem uma única abelha vi na colecta do néctar.
Mais tarde ao ver as fotos percebi a presença de um zangão a emergir da mole de abelhas coloridas, suponho que seja um zangão pelo tamanho e formato dos olhos.
 
Um dos responsáveis pelo jardim contou-me que a cresta do mel destas colónias era feita durante a noite, quando havia luar, um balde de água certeiro afastava as abelhas que subiam pelas ramagens e depois recolhia-se o favo completo. Garantiu-me que as abelhas não sucumbiam a esta intervenção, construindo um novo favo noutro local.
Favo abandonado que encontrei num canteiro de flores, junto a um restaurante em Agra, conseguem-se ver a disposição da criação em anéis.


Os alvéolos, construidos em cera tal como na Apis mellífera, mas de diâmetro muito menor.
 
Ainda o tentei convencer a crestarmo-las nessa noite, mas a ausência de luar não o permitiu. Resolveu compensar-me podando a buganvília de madrugada, quando o perigo de picadas era menor, para as fotografarmos no dia seguinte. Antes não o tivesse feito… encontrei-o de manhã, orgulhoso, com um inchaço em cada braço, a apontar para as abelhas agora com o favo mais exposto.
Apesar das melhores condições, ocorreu-me afastar algumas abelhas do enorme grupo para as fotografar mais individualizadas, antes não o tivesse feito também…
Munido de um pequeno raminho que enfiei cuidadosamente no meio dos insectos, consegui trazer cerca de uma dezena que coloquei no chão, uns metros afastado.
 
Enquanto posicionava o ramo e as abelhas para a foto, senti aquilo que todo o apicultor que se preza já sentiu, mesmo na canela esquerda, lá estava a abelhinha a girar furiosa para me enterrar o pequeníssimo ferrão.
Preocupei-me mais em focá-la com a objectiva do que repelir o ataque.
Em termos de intensidade a picada foi inferior a 50% da ferroada da Apis mellífera, pior foram as 8 horas de autocarro seguidas de 12 de avião no dia seguinte: a imobilidade da perna todo esse tempo depois da picada, originou um inchaço que passou do vermelho ao negro e com imensas dores, mas valeu a pena.

Podia ter sido pior, num desses dias e depois de ter ouvido a Luísa dizer “olha, vai ali uma cobra” deparou-se-me uma Naja com mais de um metro e com a característica cor negra, felizmente que não se interessou muito por nós…
 

O que Roger Morse e Ted Hooper dizem sobre as espécies do género Apis na Enciclopédia Ilustrada de Apicultura (Ed. Europa – América, 1988):

“Existem apenas quatro espécies de Apis no mundo e todas elas constroem favos de cera , recolhem e armazenam quantidades de pólen e néctar e têm biologias semelhantes. Qualquer das quatro é correctamente designada como abelha de mel, embora apenas uma espécie, a Apis mellífera, seja usada comercialmente na maior parte do mundo.
Duas das espécies, Apis florea, a mais pequena das quatro, e Apis dorsata, a maior, constroem um único favo numa área exposta, geralmente debaixo do ramo grande de uma árvore. (…) Como não os fazem (favos) em cavidades e não têm qualquer sistema de protecção para os mesmos, só se encontram nos trópicos.
A Apis cerana, (por vezes impropriamente chamada Apis indica) e Apis mellífera fazem ninho em cavidades abrigadas, encontrando-se tanto nas regiões temperadas como tropicais. Enquanto as quatro espécies de Apis diferem no tamanho, a estrutura dos seus corpos é semelhante; no entanto, os elementos de uma espécie não podem acasalar com elementos de outra, o que constitui a verdadeira marca da espécie.
Os investigadores já fizeram a inseminação instrumental de uma espécie de Apis com esperma de outras espécies. Embora o esperma faça a sua migração e pareça fertilizar o óvulo, não há incubação, não se produzindo operárias no estado de larva, ninfa ou adulto, nem rainhas ou zangãos.
(…)
E se um dia descobrirem abelhas em Marte, acreditem que o “montedomel” fará os possíveis e os impossíveis para... 
Obrigado ao Naturalista do Chambal Safari Lodge, Dushyant Singh, pela amabilidade, paciência e toda a ajuda disponibilizada na realização desta reportagem!