08 março, 2012

8 de Março - Dia da Mulher, apicultora

Atrás dos montes e para lá do tempo, num dos locais mais ermos que já visitei, até de carro é difícil a aproximação à remota mas bonita aldeia transmontana.

O relevo caprichoso dobra a paisagem em vales e colinas pontilhadas de oliveiras, blocos de granito e amendoeiras em flor. O mato também abunda, local privilegiado para a apicultura onde a mancha de rosmaninho é garante de boas produções.

À nossa espera, Bernardete de Lurdes Valente, septuagenária de sorriso sincero, cujos traços deixam adivinhar uma coragem e ousadia de que poucos jovens se podem gabar.
Estava na melaria, provavelmente a divisão da casa onde passa mais tempo, ou não fosse ela um dos maiores produtores de mel da região. Curiosa a presença de pequeno aparelho de televisão em tal dependência, companhia de excelência para as longas horas que passa na extracção do doce néctar.

Conheci-a na véspera, nas Jornadas de Apicultura da Terra Quente. Participante assídua em tais eventos, “só não vou quando não tenho transporte”, Bernardete Valente anseia, procura e partilha novos conhecimentos, possuindo um espírito aberto e sem preconceitos para assimilar as novidades do sector e que lhe permitem uma actualização constante da exploração.

Surpreendem tais características numa idade conotada com actividades mais resguardadas no conforto do lar, talvez a tricotar junto à lareira com um gato a dormitar aos pés.

Trocou no entanto as agulhas pelo formão de apicultor, o gato pelas abelhas e fez-se à estrada em direcção aos apiários. E fê-lo literalmente, sem outro modo de locomoção calcorreia a pé vários quilómetros por dia, subindo e descendo por caminhos íngremes de terra batida cortados entre as penedias. Mochila às costas, onde carrega o equipamento e demais utensílios, vai de apiário em apiário onde trata as abelhas com o mesmo carinho com que uma mãe vela o sono de um filho.

Talvez o “pormenor” mais insólito na vida apícola de Dª Bernardete é o facto de se deslocar em tais caminhos pelo seu próprio pé e sem outra companhia que não seja a sua sombra.
Valem-lhe os sobrinhos que a ajudam nos dias de cresta ou na limpeza dos apiários, trabalhos mais duros e de todo impossíveis de realizar por uma septuagenária.
Desta vez, como os sobrinhos estão longe, pagou o frete de uma carrinha para que lhe transportassem o alimento das abelhas e lho depositassem num local estratégico de onde depois o distribuiu pelos apiários.

No entanto, na época dos enxames em que as visitas são diárias, ou noutras tarefas do maneio apícola, é vê-la sozinha nas labutas do apiário.

Não pude deixar de lhe dizer que nas associações de apicultores onde exerço ou já exerci assistência técnica, o que mais aconselhava aos apicultores, homens, é a necessidade e quase obrigação de se fazerem acompanhar por outra pessoa quando visitam as colmeias.

Os acidentes de trabalho são muito comuns entre os apicultores, trata-se de uma das regras mais básicas, ainda por cima a actividade é praticada em locais isolados no campo.

Respondeu-me com um “… pois, mas eu não tenho companhia”.

Confrontei-a com o facto de ser uma mulher numa actividade principalmente praticada por homens, questionando-a sobre como reagiam as pessoas da aldeia. Riu-se com a pergunta e disse-me que já estavam habituadas, ainda outro dia uma vizinha gracejava dizendo “lá vai a Bernardete para o seu emprego…” e na aldeia os clientes procuram-na como “a senhora do mel”.

Perguntei-lhe se em tais deambulações solitárias alguma vez apanhara um grande susto, o que não me parece destituído de sentido, tratando-se de locais tão pouco frequentados.
Lembrava-se de um episódio, não muito antigo, com um lobo que lhe apareceu no caminho. Sim, um lobo, pouco selvagem diga-se em abono da verdade, mas era uma dessas feras que ilustram os contos infantis de outros tempos. Tinha sido ali colocado pelos serviços oficiais nalguma tentativa de repovoamento.

A “fera” afastou-se sem qualquer prejuízo para a nossa anfitriã, nunca mais o viu e contou-se mais tarde que fora abatido por caçadores, “fiquei com pena, eu gostava de ver o lobo”.

Iniciou-se nesta actividade com o pai, há mais de trinta anos, quando regressaram de Angola. Antes eram quase só cortiços, poucos e um só apiário que herdou. Depressa percebeu as vantagens da colmeia móvel e não só substituiu os equipamentos como ainda aumentou bastante os efectivos, hoje conta com 210 colmeias, tendo já tido mais de 300.

Contou-me que um dos episódios mais tristes da sua vida se deu quando encontrou grande número de abelhas mortas frente às colmeias, tratou-se de um envenenamento acidental, alguém usou pesticidas nas culturas e resultou em tal prejuízo para os insectos.
Nunca soube quem foi o culpado, mas nunca mais esqueceu a imagem das suas queridas amigas mortas ou sem conseguir voar no chão do apiário.

Também me disse que nem sempre está na aldeia, tem uma casa em Felgueiras onde se radica em curtos períodos para visitar a família, mas “quando estou na cidade, um dia dói-me a cabeça, no outro uma perna, por vezes dói-me o corpo todo, há sempre uma doença, dores que só passam no regresso e à vista das minhas abelhas…”

E se isto não chega para definir um apicultor, decerto que mais nada o fará.

Tanto na conservação das colmeias, impecavelmente pintadas, como na arrumação do apiário sem ervas, lixos ou outros trastes, em que o terreno parece ser sido varrido, adivinha-se o frequente e assíduo toque feminino.

Infelizmente não tivemos muito tempo para conversar, mas mesmo assim facilmente percebi que a minha interlocutora tinha muitos e desenvolvidos conhecimentos de apicultura. À minha pergunta revelou-me a sua estratégia para capturar enxames, assunto que enche de orgulho qualquer apicultor e a Dª Bernardete não foi excepção:

“Tenho em cada colmeal, coisas da minha cabeça, (riu-se), um arame com uma pégazinha na ponta, meto-lhe um saco de plástico que é cosido à volta, e deixo aberto com um fiozinho. Subo à escada, coloco o saco por baixo e com a mão amarro-o por cima (do enxame) sacudindo depois as abelhas na colmeia”, “além mais à frente tive de subir três vezes a uma oliveira”

Quanto ao uso do mel em casa “quase há dois meses que não pego no açúcar, o leite adoço com mel, gosto da torrada com mel, ponho-lhe um pouco de canela…” e quem sabe não seja este o segredo para tanta energia?

Nunca procurei saber se tinha medo das ferroadas, isso sim uma pergunta sem qualquer sentido, até porque já sabia a resposta que aí vinha…

À despedida pedi-lhe que deixasse um conselho, uma mensagem para as mulheres apicultoras, sobretudo para as que agora iniciam a actividade e que decerto muito têm a aprender com o seu exemplo:

“Que elas andem para a frente, porque isto é uma coisa linda! Linda mesmo! Isto é a melhor terapia. Na Primavera a gente senta-se ao lado da colmeia a vê-las entrar carregadas de pólen, é maravilhoso…”

“Quando estou a falar das abelhas esqueço-me que o mundo existe”

No regresso destas andanças, enquanto faço a habitual digestão das surpresas e novidades que se me depararam, procuro sempre contextualizá-las com essoutra realidade mais dura e triste de quem vive num país em crise. Não foi difícil decalcar a “figura” da Dª Bernardete numa dessas formiguinhas laboriosas, a quem as brincadeiras tolas e irresponsáveis de uma criança lhe levantam barreiras e dificuldades, mas onde ela estoicamente e não sem sofrimento, continua o seu caminho, passa-lhe ao lado ou mesmo por cima, mas continua o seu caminho…

Obrigado Dª Bernardete

Joaquim Pifano
Paulo Ventura
Luís Lourenço

02 março, 2012

Meliponicultor de Apartamento...

Dizem-me alguns apicultores, que vivem em grandes centros urbanos, longe do campo, que contam as horas para o fim de semana e se fazerem à estrada que os leva às queridas abelhas.

Em alternativa, quem não gostaria de se recostar confortavelmente no sofá da sala, a tomar um café ou um whisky, comando da televisão para fazer zapping e periódicamente ir “deitando o olho” ao apiário... ali mesmo ao lado? Sim, ao lado da televisão, porque não?

Meliponicultor de Apartamento

Por Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão – RN - BRASIL

Algumas pessoas são viciadas em jogos de azar, bebidas, cigarro e até em drogas mais pesadas. Eu também sou um viciado, mas não é em nenhuma porcaria dessas aí descritas acima. Na verdade, meu vício é criar Jandaíras, minhas queridas abelhas sem ferrão do sertão.

Mas esse vício é legal, é um prazer que não faz mal nem a mim, nem a ninguém. Pelo contrário, faz é bem. Além de relaxar toda vez que vou manejá-las, sinto nesses momentos uma enorme satisfação pela atividade.

Elas são exemplos vivos da constante presença em nossas vidas do Grande Arquiteto Do Universo. O seu trabalho incansável e sua dedicação exclusiva à família são demonstrações que a vida em união e harmonia são princípios fundamentais do Criador.

Porém, como todo vício, tenho que ser constantemente abastecido desse hábito peculiar e, muitas vezes, estranho pra muita gente. Pois, afinal, não é todo mundo que compreende nossas paixões não é verdade?

Sendo assim, como um viciado que se preza, tenho que está constantemente em contato com as minhas queridas abelhas. Assim, mesmo morando em um apartamento, resolvi montar discretamente um meliponário na varanda. A idéia não é minha, afinal eu já postei aqui alguns malucos que fazem isso pelo Brasil à fora, e pior, com grande sucesso.

Algumas pessoas podem achar que isso não dá certo, mas podem acreditar, dá sim. Atualmente estou mantendo 15 colônias no apartamento. Mandei fazer uma prateleira de ferro especialmente desenhada para isso, pois como todo condomínio, não posso ultrapassar a linha imaginária da varanda. Mas bem que dá uma vontade de lotar aquilo tudo até o teto de abelhas...rsss...

Todos os dias, antes de sair para o escritório, assisto o Bom Dia Brasil com minha velha xicará de café/leite acompanhando a movimentação intensa das garotas chegando em suas ilustres residencias com muito pólen nas patas.

Meu bairro tem muitas fruteiras que nessa época do ano proporcionam uma grande abundância de alimento. Olha, criar abelhas em apartamento é mil vezes melhor do que criar um cachorro, ou mesmo um gato. Não dão nenhum tipo de trabalho.

Primeiro por que as abelhas não fazem barulho, não sujam, não precisam de ração, não precisam de água, etc, etc, etc... Não precisam de nada. Na verdade, eu é quem preciso delas, pois a final sou viciado né! rs...

Dessa maneira tenho mantido minhas crises de abstinência sob controle, pois agora posso, mesmo sem um quintal, manter minhas Jandaíras bem próximas de mim. Não é o ideal, mas é o possível dentro de minhas limitações físicas.

Essa marvilhosa dose diária de meliponicultura logo cedo é um ótimo estimulante. Assim consigo esperar o final de semana chegar para ir aos meliponários na zona rural que, logicamente, são bem mais populosos. Está aí a dica, mesmo morando nas alturas, podemos criar nossas abelhas sem ferrão.

Mossoró-RN, em 28 de fevereiro de 2012
.

Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

À minha questão sobre a confusão gerada pelas luzes da casa, a televisão, etc, quando criamos tais abelhas dentro de casa, o Kalhil respondeu-me que:

“...com relação as luzes, não há nenhum problema, as abelhas dessa espécie são muito tímidas, e mesmo com todas as luzes ligadas não saem depois das 17:30h. O único cuidado é evitar que as luzes da varanda fiquem ligadas durante toda à noite, pois aí sim elas acabam saindo muito cedo e ficam batendo na luz. De resto é só colher mel in natura diretamente dos potes para tomar no café!”

01 março, 2012

Por que não dar mel a crianças menores de 1 ano?

Por Mónica Lopes, Técnica de Apicultura

Alguns meses após o nascimento do meu segundo filho e com a entrada do Outono, os dias começaram a ficar frios. Em consequência, apareceram as constipações, nariz entupido, mal estar, olhos lacrimejantes, noites sem dormir…

Começa a pairar o desespero. Uma mãe habituada a comer e dar mel ao seu filho mais velho e marido… “Por que não lhe dar uma colherzinha de mel? Com certeza ficará menos entupido, logo sentir-se-á melhor!”

Após conversa com alguns amigos, e de algumas opiniões (negativas e positivas), lá fui pesquisar…

A maioria dos pediatras são contra a entrada do mel na dieta de crianças menores de 1 ano, devido, ao perigo de existência de uma bactéria chamada, Clostridium botulinum.

A ingestão desta bactéria origina a doença do Botulismo. O botulismo é uma doença neuroparalítica grave, não contagiosa, podendo ser transmitida de várias formas diferentes, através da ingestão de alimentos contaminados, ferimentos e acidentalmente. Havendo assim quatro formas de botulismo: botulismo alimentar, botulismo por ferimentos, botulismo intestinal e outras formas (acidental).

Esta bactéria liberta uma toxina ao longo do seu crescimento, provocando uma intoxicação alimentar em crianças com idade inferior a 1 ano. Seus esporos resistem a temperaturas de 120° C por 15 minutos.

As bactérias do botulismo são comuns na natureza, mas são mortas pelo oxigénio. As bactérias, portanto, formam esporos que as protegem do oxigénio, e esses esporos são activados assim que entram em ambientes livres de oxigénio. Estes esporos podem ser encontrados em produtos agrícolas como legumes, vegetais, mel, vísceras de crustáceos e no intestino de mamíferos e peixes.

O botulismo intestinal, resulta da ingestão de esporos presentes no alimento, seguida da fixação e multiplicação do agente no ambiente intestinal, onde ocorre a produção e absorção de toxina. A ausência da microbiota de protecção permite a germinação de esporos e a produção de toxina na luz intestinal. Ocorre com maior frequência em crianças de 3 a 26 semanas, e por isso foi inicialmente denominado de botulismo infantil (Guia de vigilância epidemiológica, 2005).

 As abelhas costumam colectar os esporos de botulismo enquanto colectam o néctar, e os misturam ao mel. A maioria das pessoas sem problemas relacionados com a flora intestinal e com um sistema imunológico saudável, o consumo desses esporos nos alimentos não gera qualquer tipo de problema para a saúde. Os bebés ainda não possuem essas defesas. Quando um bebé come mel, os esporos encontram-se em um intestino livre de oxigénio e entram em acção. Produzindo a toxina dentro do bebé.
A toxina botulínica invade as células nervosas estimulantes no lugar em que elas se encontram com as fibras musculares, bloqueando essa ligação para que nenhum sinal consiga passar. O resultado é a paralisia, e em casos graves, imobiliza o paciente completamente podendo levá-lo à morte.

Os sintomas nas crianças, varia de quadros com constipação leve ao síndrome de morte súbita. Manifesta-se inicialmente por constipação e irritabilidade, seguidos de sinais neurológicos, caracterizados por dificuldade de controle dos movimentos da cabeça, sucção fraca, disfagia, choro fraco, hipoactividade e paralisias bilaterais descendestes, que podem progredir para complicações respiratórias.
Portanto… mais vale prevenir que remediar!!!

http://saude.hsw.uol.com.br/questao214.htm

Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Guia de vigilância epidemiológica. 5. ed. rev. amp. Brasília: Fundação Nacional de Saúde, 2002.

CONBRAPI 2012

As Visitas Técnicas já estão programadas
Após o congresso serão realizadas visitas
técnicas aprendizado e integração do conhecimento

26/05
VISITA TÉCNICA 01 — Tour COOAPI, Feira da Rosca e Apiários Adans

Número de Vagas: 160 vagas
Início: às 13:30 na EXPOGRAMADO
Término: às 20:00 no aeroporto Salgado Filho em Porto Alegre
Começa com visita ao Entreposto de mel da COOAPI de Ivoti e em seguida à 4ª
Festa da Rosca, Nata e Mel no Buraco do Diabo, também em Ivoti. Depois segue
para Taquara para visita ao Entreposto de Mel dos Apiários Adams.

26/05
VISITA TÉCNICA 02 — Tour Sede da CBA, Sede AGA e JGCC Rainhas

Número de Vagas: 80 vagas
Importante: interessados em manejar colmeias devem trazer material de proteção.
Início: às 13:30 na EXPOGRAMADO
Término: ás 19:00 no Aeroporto Salgado Filho em Porto Alegre
Começa com visita à Sede Administrativa da CBA, Auditório Prof. Emílio Schenk,
Laboratório Apicultura (UFRGS) e Meliponário em Porto Alegre. Depois segue
para o entreposto de Mel da AGA (Associação Gaúcha de Apicultores). Última
visita será na sede da empresa JGCC Rainhas com sala de transferência e incubação,
área de recrias, fecundação e banco genético. em Viamão. Os apicultores
com material de proteção apropriado poderão manejar em apiário.

26/05
VISITA TÉCNICA 03 — PRÓMATA/PUCRS

Número de Vagas: 20 vagas
Início: às 14:00 na EXPOGRAMADO
Término: com pernoite encerramento no dia 27/05
Começa dia 26/05 às 14:00 em Gramado com pernoite no Pró-mata, na cidade de
São Francisco de Paula. Área de Conservação, voltada basicamente para a pesquisa
e a conservação da natureza, proposta pela Universidade de Tübingen, da Alemanha,
com a qual a PUCRS possui um convênio de cooperação desde 1983.

26/05
VISITA TÉCNICA 04 — Tour Brique da Redenção Sede da CBA, Sede AGA e
JGCC Rainhas

Número de Vagas: 40 vagas
OBS. Interessados em manejar colmeias devem trazer material de proteção.
Início: às 08:30 na EXPOGRAMADO.
Término: ás 17:00 no Aeroporto Salgado Filho em Porto Alegre
1º Feira de Orgânicos no Brique da Redenção
2º 12:00 — Almoço
3º 14:00 — Começa com visita à Sede Administrativa da CBA, Auditório Prof. Emílio
Schenk, Laboratório Apicultura (UFRGS) e Meliponário em Porto Alegre. Depois
segue para o entreposto de Mel da AGA (Associação Gaúcha de Apicultores).
Última visita será na sede da empresa JGCC Rainhas com sala de transferência e
incubação, área de recrias, fecundação e banco genético. em Viamão. Os apicultores
com material de proteção apropriado poderão manejar em apiário.

CONBRAPI
Por Sílvio Lengler


É uma excelente oportunidade para que os participantes possam ganhar
ainda mais conhecimento e incentivo para as suas atividades.
O mercado apícola está em expansão e vejo que tem muito futuro porque estamos trabalhando com alimento de primeira qualidade. A produção de mel está afinada com a polinização das lavouras e pomares, sendo muito importante a presença das abelhas para incrementar a quantidade e a qualidade dos grãos, cereais e frutas. Além disso, a presença de abelhas africanizadas e dos meliponídeos também é de grande importância.
Tendo em vista este cenário favorável e um futuro promissor na área, tenho o prazer de convidar a todos os apicultores e meliponicultores do País a participar do 19º Congresso Brasileiro de Apicultura, 5º Congresso Brasileiro de Meliponicultura e EXPOAPIS 2012. Esse impressionante evento que se realiza a cada dois anos vai passando pelos Estados brasileiros gerando intercâmbio de experiência entre os apicultores, pesquisadores e fabricantes de insumos apícolas, proporcionando o crescimento do setor. Sempre que o encontro ocorre, o anfitrião tem a oportunidade de mostrar sua apicultura ao País.
Em 2012, o evento será em Gramado e estamos fazendo diversas reuniões com as empresas organizadoras para deixar a estadia dos participantes e visitantes ainda mais prazerosa.
A expectativa é de que tenhamos entre 2.500 e 3.000 participantes, além dos visitantes da EXPOAPIS, que devem chegar a 10.000 pessoas. É uma excelente oportunidade para que os participantes possam ganhar ainda mais conhecimento e incentivo para as suas atividades.
Esperamos vocês em Gramado.

Palavras do Presidente da FARGS Silvio Lengler
Presidente do 19º Congresso Brasileiro de Apicultura e 5º Congresso Brasileiro de Meliponicultura
Sejam Bem-Vindos ao CONBRAPI 2012
Por José Cunha


O objetivo do Conbrapi é levar tecnologia, fortalecer a cadeia apícola,
os apicultores, o associativismo e, principalmente, gerar sustentabilidade
para a CBA articular, representar e defender os apicultores e a apicultura
em todos os fóruns.

O Congresso Brasileiro de Apicultura nasceu da crença de que “juntos somos fortes”, e esse pensamento persiste a cada edição. No ano em que a Confederação Brasileira de Apicultura completa seu 44° aniversário e realiza o 19° Conbrapi e 5° Congresso de Meliponicultura, temos que enaltecer os apicultores visionários que fundaram a CBA e tiveram a preocupação de realizar um grande evento que contemplasse todo o território nacional. O objetivo do Conbrapi é levar tecnologia, fortalecer a cadeia apícola, os apicultores, o associativismo e, principalmente, gerar sustentabilidade para a CBA articular, representar e defender os apicultores e a apicultura em todos os fóruns. Para esta edição em Gramado, a CBA vem se reunindo regularmente, estabelecendo contatos, e articulando parceiros como a Fundação, DRS Banco do Brasil, MAPA, MMA, MDA, Badesul, Banrisul, e Governo do Estado do Rio Grande do Sul, para proporcionar a você um evento inesquecível. Além disso, o Sebrae, parceiro estratégico do setor apícola brasileiro, está junto em todas as fases de organização e com apoio financeiro Master. E, como se não bastasse, uma ferramenta fundamental estará disponível dentro de poucos dias. É o site oficial e permanente deste evento e dos próximos. No endereço www.conbrapi.com.br, o visitante encontrará todos os detalhes do Congresso, além do banco de dados, a história e os personagens das edições anteriores. O site ficará a cargo dos realizadores de cada evento. Neste ano, a responsável é a Federação Gaúcha de Apicultura, FARGS. Em janeiro de 2013, o controle do site passa para a Federação Paraense de Apicultura, FAPIC, que será a idealizadora do próximo evento, que acontece no Pará em 2014. O endereço também poderá proporcionar uma inscrição antecipada. Com ela, você tem facilidades no dia da abertura, acesso rápido ao crachá, pastas e certificados. Além disso, o congressista pode solicitar a confecção da Carteira Nacional de Apicultor, CNA. Ela é fundamental para fortalecer a atividade apícola, gerar um cadastro nacional e contribuir para a sustentabilidade das Associações, Federações e da Confederação Brasileira de Apicultura. Através da CNA você vai obter descontos em eventos promovidos pela CBA. A Carteira pode ser requerida por um formulário que estará permanentemente no site www.conbrapi.com.br. Uma grande equipe está trabalhando para que você tenha um belo evento, uma ótima estada em Gramado e que possa desfrutar da hospitalidade do povo e das belezas naturais da serra gaúcha. Estamos esperando com um doce abraço.

Palavras do Presidente da CBA José Cunha
Presidente de Honra do 19º Congresso Brasileiro de
Apicultura e 5º Congresso Brasileiro de Meliponicultura


Gramado será a sede do Conbrapi 2012

Gramado é a cidade do natal luz, com suas ruas e praças enfeitadas por canteiros coloridos, prédios em estilo bávaro e enxaimel, vitrines cuidadosamente decoradas e infra-estrutura perfeita.
Além disso, a cidade tem uma variada opção gastronômica para os seus visitantes desfrutarem.
Sua cidade vizinha, Canela, também turística, fica há 5km de distância. Na cidade Gramado existem muitos hotéis e pousadas para passar uma temporada de hospedagem agradável e aconchegante.
Assim que chegar ao hotel peça informações sobre os pontos turísticos que são diversos.
O Lago Negro, como mostra a foto ao lado, é um passeio perfeito, é possível comprar tíquetes e andar de pedalinho para desfrutar a beleza do Lago Negro, cidade de Gramado—RS.

12 fevereiro, 2012

APIOCASIÃO 2012

Local: Macedo de Cavaleiros

Data: 3 e 4 de Março de 2012

Programa do Seminário

(Participação gratuita em todas as actividades Seminário dia 3 de Março 2012)

Moderador: Dr. Octávio Rodrigues (apicultor)

9h 30 - Abertura (Exmo. Sr.º Presidente da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros)

9h 45 - Dr.ª Ana Pelicano - (Médica e apicultora) Picadas de abelhas (Segurança no trabalho)

10h 15 - Sr. Ruben Rogão – (Gestor da Empresa MACMELe apicultor) Pólen produção e conservação

Intervalo

11h.00 - Eng.º Paulo Ventura – (Técnico Apícola e apicultor) Própolis produção e conservação

11h 30 - Eng.º António Mantas – (Gestor da Empresa Certificadora - SATIVA) Certificação de mel DOP e mel biológico

Almoço livre

Moderador Dr. Perdiz Martins (Médico veterinário)

14h 30 - Prof. Dr. Paulo Russo – (Universidade UTAD e apicultor) Produção de mel monofloral e qualidade do mel

15h 00 - Dr. Joaquim Pífano – (Técnico da Aderavis, Biólogo e apicultor) Cera, Conservação e Produção

Intervalo (moldagem de cera ao vivo)

15h 45 - Sr. Manuel Gonçalves – (Presidente da FNAP e apicultor) Associativismo

16h 15 - Engº Tiago Moreira (Engº Zootécnico/Apicultor) Alimentação artificial Discussão

16h 45 - Sr. Manuel Gonçalves – (Presidente da FNAP e apicultor) encerramento seminário 2ª APIOCASIÃO

Feira de materiais apícolas usados
(Entrada gratuita a visitantes e expositores com material apícola usado)

A 2ª APIOCASIÃO – Feira de materiais apícolas usados e demonstração de como moldar cera em casa. Irá funcionar no recinto da Feira (ao lado do auditório), não sendo necessário fazer inscrição, porém deverão indicar o material a trazer para geral@macmel.net (acompanhado preferencialmente, de fotos).

O material destinado à Feira, deve dar entrada antes das 9,00 horas.

Convite a todos os apicultores que queiram trazer mel, para venda, obrigatório ter banco de provas (gostaríamos de ter mel de todas as regiões de Portugal e Espanha). A participação é gratuita e as trocas feitas directamente entre as partes.

Horário da feira – 2ª Apiocasião

Dia 03/03/2012 - Das 9:00 H às 22:00 H
Dia 04/04/2012 – das 10:00 H às 17:00 H

Em simultâneo será feita apresentação e demonstração de uma máquina para moldagem de cera em funcionamento, no recinto da feira. Durante a feira teremos outras actividades para o público em geral: Stands com venda de artigos variados, informação, tasquinhas, animação e para os mais pequenos INSUFLAVEIS, para se divertirem enquanto os pais visitam o certame.

Dia 03/03/2012 Desfile de moda apícola - com manequins vestidos de apicultor

Concurso de fotografia - enviar fotos para geral@macmel.net

Tema "a apicultura"

1º prémio um fato de apicultor simples com mascara redonda
2º prémio um casco de apicultor simples com mascara quadrada
3º prémio um par de luvas de cabedal


A votação será feita por todos os visitantes da feira 2ª Apiocasião

Entre outras actividades e diversões a designar.

LANCHE apícola multi-sabores
Às 20:00 H: Decorrerá um lanche apícola multi-sabores, pelo 2º ano, para todos os participantes, nas instalações da Macmel. Todos os participantes, no referido lanche, podem trazer alguma coisa da sua região, produtos regionais típicos, por ex. alheira, salpicão, linguiça, broa, pão, vinho, etc, para que seja realmente um lanche, apícola multi-sabores e muito variado, e acima de tudo um lanche muito divertido com a participação de todos.

A Macmel, oferece a todos os amigos, arroz de cabidela e caldo verde, (mas para quem não gostar haverá alternativa), para tal contratou pelo 2º ano o afamado cozinheiro/apicultor Armindo Rodrigues.

TERTÚLIA ÀS 22:00 HORAS: Conversa e histórias à volta das abelhas e abelheiros.

FIM Quando o cansaço tomar conta de todos.

Dia 4 de Março de 2012, às 10:00 horas,

Inauguração do Museu do Mel e da Apicultura em Macedo de Cavaleiros, (instalações da Macmel) e de seguida inauguração do Museu Vivo de Apicultura, em Bornes.

https://docs.google.com/a/macmel.net/spreadsheet/viewform?formkey=dHFMMTJlYlJkeHAzd3V2VVgzNUF1VHc6MQ

http://www.macmel.net/

08 fevereiro, 2012

Apicultura em Apodi – Rio Grande do Norte – BRASIL

Novo dia a deambular pelo sertão nordestino.
Apesar das muitas chamadas de atenção para as potencialidades apícolas deste local, tal como para o forte desenvolvimento que o sector apresenta e representa para a região, à primeira vista era-me difícil optar por tal paisagem para assentar um apiário.

Senão veja-se das notas que tirei do local:

“As acácias, a flora principal, de baixa estatura, lembram as congéneres da savana africana, mas aqui, à medida que avançamos apresentam-se mais raquíticas e com as folhas mais ressequidas.

Chamou-me a atenção, quando lhe passamos sobre a ponte, o leito completamente seco e coberto de areia branca e fina de um rio.

Por todo o lado se vêem cactos muito ramificados e frondosos, bem diferentes dos estereotipados para o Oeste americano.

Seguem-se mais matas de acácias, algumas palmeiras, raras, arbustos completamente secos e incrustados num pasto amarelento e rasteiro.

Os blocos de granito que afloram no meio do mato seco são agora maiores e mais comuns. Já os arbustos são mais rasteiros e esparsos.

O Sol fortíssimo, cujos raios reverberam em todas as superfícies, a paisagem é quase surrealista e depressiva, pessoalmente agrada-me o contraste com os dias anteriores.

À saída de Açu, uma vedação típica, com paus esbranquiçados e arames, em cima de cada pau está pousado um Urubu de cor muito negra.

Segue-se uma placa, enorme outdoor, onde eu creio que pretendem chamar a atenção de quem passa para a eventual descentralização do governo e em que se pode ler: “O GOVERNO ESTÁ AQUI”.
A placa e a respectiva mensagem até passavam despercebidas ou não estivessem instaladas na parede de uma vacaria…”


Casa típica da região: por cima - a mesma casa vista através do vidro fumado do carro, uma das estratégias para melhor suportar o calor.

Era neste contexto e no meio de vastas e desoladas planícies que se nos deparou o município de Apodi. Foi na sua travessia que fortuitamente reparamos na fachada de enorme pavilhão onde se lia a sigla COOPAPI – Cooperativa Potiguar de Apicultura e Desenvolvimento Rural Sustentável.

Junto à sigla, a inevitável abelhinha fez-nos deter a marcha e abeirarmo-nos do edifício. Entramos e logo apareceu uma simpática funcionária, responsável pelo armazém, que nos convidou a entrar e mostrou-nos as instalações. Chamou-me a atenção enorme pilha de caixas de cartão cujo conteúdo compreendia curiosas embalagens de mel, um género de cápsulas transparentes concebidas para se chupar o conteúdo. Lembrava mesmo uma enfiada de salsichas, pela forma como estavam ligadas.

Uma estratégia de comercialização deveras interessante pelo carácter original como o mel é apresentado, sendo até muito atraente para as camadas mais jovens às quais se destina.

Loja de produtos da colmeia, nas instalações da COOPAPI.

A presença no mesmo espaço físico de apicultores de latitudes tão distantes só podia resultar no que se esperava: a habitual conversa sobre as abelhas, as curiosidades e as comparações entre as duas realidades tão distintas. Não podia deixar de assinalar os números e factos referentes à apicultura sertaneja e que tanto me surpreenderam pela positiva:

Mais uma vez e já se tornara um hábito, também em Rio Grande do Norte a varroa pouco mais era que uma “ilustre” desconhecida.

Contaram-me que chegam a ter produções superiores a 50kg/colmeia/ano, distribuídos por quatro ou cinco crestas. Nalguns casos chegam a fazer oito ou nove crestas e sem transumância, dada a riqueza florística do sertão.

Algumas das fontes de néctar que referiram e que consegui registar, eram entre muitas outras a melada da fruta madura do cajueiro, muito abundante na região e a flor do “marmeleiro”, um cipó que nada tendo a ver com o nosso marmeleiro, acaba por ter algum relacionamento e logo pelas razões menos ortodoxas, segundo me contou o Kalhil: “não há menino do Sertão que se preze que ainda não tenha apanhado com vara de marmeleiro…”.

No lado direito da imagem o referido "marmeleiro".

Usam sobretudo a colmeia Langstrooth, onde não colocam mais que duas ou três alças, retirando o mel logo que esteja maduro.

São 250 apicultores associados que criam a abelha africanizada em cerca de 4000 colmeias que chegam às 300 toneladas de mel por ano. Boa parte do mel é comercializada em tambores de 300 kg, outra em embalagens normais de vidro e outra ainda nas já referidas “salsichas” em doses individuais.

Um dos responsáveis pela cooperativa, o Eng.º Tertulino, ofereceu-se para nos mostrar as instalações da melaria onde processavam as curiosas embalagens de mel, localizada em Córrego, comunidade rural distante oito quilómetros de Apodi por uma estrada poeirenta de terra batida.

Pelo caminho deparavam-se-nos as paisagens imortalizadas por Vargas Llosa em “A Guerra do Fim do Mundo” ou por Bruce Chatwin em “O Vice Rei de Ajudá”. Locais áridos e agrestes cujo aspecto desolado chegava a evocar autêntico desterro. Mentalmente, e face a tais observações, ia revendo os números que momentos antes me tinham maravilhado.

Como é possível que em condições aparentemente tão adversas é possível criar abelhas e sobretudo fazê-lo com o sucesso que estes apicultores conseguem?

Foi quando me ocorreu um comentário ouvido no primeiro Fórum Nacional de Apicultura, há uns anos atrás em Mértola, em que alguém citava um antepassado apicultor que dizia: “…por mais madrasta que seja a terra, pelo menos o mel se há-de tirar dela!”

De qualquer forma, o aspecto estéril e ressequido da Caatinga na estação quente sofre profundas transformações no período das chuvas. O matagal de cores pardacentas dá lugar a campos verdes e imensamente floridos que justificam as abundantes produções de mel.

A Central Meleira da COOPAPI, ou Central de Beneficiamento do Mel de Córrego, obedece à Legislação Governamental para esse efeito. Requisitos e condições em tudo semelhantes aos previstos para instalações desse género na Europa.

Na ampla sala de embalamento, e era essa a principal vocação da central, quatro ou cinco funcionários processavam as ditas embalagens individuais de mel. Um tubo longo, transparente e de pequeno diâmetro, era cheio de mel e posteriormente seccionado nas pequenas doses numa máquina concebida para o efeito.

Parecia tudo tão simples, mas funcionava, e os compridos rosários de “cápsulas de mel” entre o dourado e o âmbar iam-se amontoando até serem colocados nas caixas de cartão que já conhecíamos.

À minha pergunta sobre o escoamento e a comercialização, maravilhem-se com a resposta, tal como me sucedeu a mim: o Governo garante a aquisição de toda a produção e que posteriormente distribui pelas escolas da região. Se por um lado fomenta a economia local tornando a apicultura uma actividade apetecível, por outro garante às crianças em idade escolar o acesso gratuito a um alimento saudável.

Além do mel, também a castanha de caju e o leite beneficiam das mesmas medidas governamentais, estratégias de desenvolvimento rural dignas desse nome e que decerto darão frutos a muito curto prazo.

A Cooperativa que visitamos congrega sobretudo os produtores de mel, de castanha de caju e ainda um terceiro produto que caracteriza a região: as fibras, ceras e outros produtos extraídos da palmeira Carnaúba.

Foi já no regresso que compreendi o cartaz que anunciava a “presença” do governo junto à vacaria, o mesmo governo que decerto estaria na melaria e em tantas outras iniciativas que enchem de orgulho os povos do Sertão.

Um obrigado especial aos dirigentes e associados da COOPAPI, pelo carinho e pela amizade com que nos receberam.

outras voltas...

Depois de quilómetros e quilómetros percorridos em vastas planícies do Sertão, subida à serra onde encontramos Portalegre e almoçamos borrego guisado... onde é que eu já vi isto???

Ex libris da região: Lampião e Maria Bonita, as histórias do cangaço.

Abelhas, térmites e vespas, ali tão perto, abundavam na vegetação junto à rodovia.


... outros méis ainda, de realçar o mel "antigripal"

07 fevereiro, 2012

Nova Doença ?

Artigo da revista TIME, de 16 de Janeiro de 2012, enviado por Juca da Silva, Aveiro.