29 agosto, 2011

MODAMACEDO, a Apicultura está na Moda…

Moda e Apicultura, duas palavras que parece nada terem em comum, mas, a empresa Macmel, de Macedo de Cavaleiros, provou que também se pode estar na moda na apicultura, e que podem caminhar de mãos dadas.
Cada vez mais, sentimos a necessidade de nos protegermos, quando visitamos os nossos apiarios, de vestirmos algo que nos proteja, de nos sentirmos seguros, livres das picadas.

Há algum tempo atrás íamos para o apiário, somente com uma mascara para proteger a cara, um par de calças, uma camisa e um par de luvas, hoje passamos muitas horas no apiário, incomoda-mos muito as nossas abelhinhas, que queriam estar a trabalhar sem a nossa presença, por isso por vezes brindam-mos com uma recepção mais calorosa.
Por isso hoje, existem no mercado fatos muito diversificados, uns melhores do que outros, mas o mais importante é a protecção.
É neste contexto que a Macmel, aceitou um convite da AJAM – Associação Juvenil dos Artistas Macedenses, para um desafio, algo inédito, participar na Moda Macedo – Moda Serviços.
A Macmel, já participou e organizou vários eventos, mas este era diferente, mas, como empresa jovem e dinâmica que é, e com espírito aventureiro, aceitou com muito agrado mais este desafio.

Foi com este espírito aventureiro que meteu mãos à obra, convidou alguns amigos, organizou o vestuário e calçado apícola, e mostrou na Capital da Apicultura, que também sabe dar cartas na moda apícola.
No dia 14 de Agosto de 2011, pelas 22,00 horas, deu-se inicio à Moda Macedo, com a participação de várias empresas de Macedo de Cavaleiros, do mundo da roupa, calçado, desporto, e na moda serviços, a Macmel empresa de apicultura, caça e pesca e uma empresa de roupa de protecção.

A Macmel, participou com 12 modelos de roupa diferentes, fatos completos, fatos ventilados, fatos de pano duplo, e pano simples, casacos simples com mascara redonda, casacos com mascara quadrada, casacos de pano duplo reforçado, pano simples, luvas de couro, napa, algodão reforçadas, nitrilo, mascaras com chapéu e botas de apicultor, com duas lindas e maravilhosas meninas, cheias de talento, apesar da sua tenra idade, vestidas de abelhinhas, que deram um brilho e uma cor diferente ao desfile.

Os doze manequins da Macmel, sem formação em moda, mas que tudo fizeram para mostrar a moda na apicultura, para mostrar como é bonita a actividade apícola mesmo parecendo uns “astronautas”, ficamos bonitos na fotografia de uma actividade linda e maravilhosa, em que o resultado final é o néctar dos deuses, o mel.

A organização esteve à altura de mais este evento que já vai na sua 3ª edição, estão de facto de parabéns, a avaliar pela presença de cerca de duas mil pessoas que estiveram a assistir, será um incentivo à continuação de uma nova edição.

De salientar que o mais importante foi mostrar que a apicultura ocupa um lugar muito importante na nossa sociedade e na nossa economia, que é uma actividade em expansão, e que cada vez há mais e bons apicultores, cada vez mais jovens, que querem fazer da apicultura a sua profissão e com muito profissionalismo.
A Macmel sempre na vanguarda da apicultura.
Por Manuela Miguel

19 agosto, 2011

GESTAPI 1.200

Acabou de ser lançada a versão 1.200 do Gestapi.

A todos que ainda utilizam a versão 1.106, recomenda-se fortemente a actualização para esta nova versão.

Até final deste mês (Agosto), o suporte do GESTAPI terá um preço promocional e simbólico, para novos subscritores.
A partir de Setembro, o custo do Suporte voltará ao actual valor.

Tenho ainda o prazer de informar que está já em desenvolvimento a versão 2.0 do Gestapi, com muitas novas funcionalidades e funções, que melhorarão em muito as lides do apicultor.
Devido ao enorme passo que irá ser dado, a versão 2.0 terá um custo bem diferente do actual GESTAPI, no entanto, TODOS os subscritores da versão 1 do GESTAPI, receberão automaticamente e gratuitamente o GESTAPI 2.0

Para mais informações dirija-se a WWW.GESTAPI.COM

22 julho, 2011

Economia Apícola I

Comunicação apresentada em Torres Novas, aquando do III Aniversário do FORUMEIROS, no dia 28 de Maio de 2011.

Combater a crise, recuperar a economia, confiança dos mercados…
Nunca o país esteve tão votado aos números como actualmente. Por muito que nos custe a aceitar devemos igualmente aderir à “mania da poupança”, tentando com isso rentabilizar as nossas explorações.

A redução de custos com aumento de receitas nem sempre é o trajecto mais linear para o sucesso económico, certo é que também na apicultura se cometeram e cometem excessos, gastos desnecessários que podem ser evitados.
Vamos ponderar sobre alguns dos aspectos da nossa actividade tentando com isso maximizar os lucros sem danificar minimamente a sustentabilidade desta actividade tão nobre que é a apicultura.

Para começar convém nunca esquecer o leque de possibilidades que nos permite a criação de abelhas. Pessoalmente gosto de olhar para uma colmeia como um bioreactor, uma caixa “negra” cada vez menos misteriosa, onde entram vários substratos e saem produtos. Com a grande vantagem de não termos de ser nós a recolher os substratos, as abelhas fazem-no de graça, de uma forma muito selectiva e com uma precisão cirúrgica.

O que para nós não passa de uma paisagem bucólica e de grande valor estético, para estes simples insectos de olhar mais calculista, tal imagem representa uma verdadeira mina, não só a sobrevivência como um autêntico manancial de recursos que a nós passa despercebido.

Os órgãos sensoriais das abelhas permitem-lhes não apenas detectar os substratos que necessitam para o seu labor: néctar, pólen, água e resinas, como também avaliar as florações mais adequadas para cada um deles.
A economia é indissociável destas decisões, as flores mais próximas, os pólenes mais proteicos, os açúcares mais concentrados e energéticos… tudo é medido e ponderado.

No fim do processo, o apicultor consegue colher na exploração uma série de produtos cada vez mais valorizados, como a crescente procura parece demonstrar.

A primeira medida que proponho é a Diversificação da Produção Apícola.
É sabido que na Natureza a especialização pode ser muito lucrativa a curto prazo e em determinadas situações. Certo é que pode também constituir uma “armadilha mortal” em termos de adaptação quando o ambiente se altera.

Transpondo tal evidência para a nossa realidade, imaginemos um apicultor que investe apenas na produção de mel, se apetrecha apenas e sobretudo de conhecimentos, experiência e equipamentos destinados à produção e processamento deste produto.
Ele será sempre um produtor de mel com mais sucesso que outro que produza de tudo um pouco: mel, pólen, própolis, geleia real…

Se houver alterações nos mercados, situação cada vez mais comum, diminuir muito a procura/preços do mel, essa exploração entra em colapso. O apicultor não tem conhecimentos ou equipamentos que lhe permitam uma rápida conversão da exploração.
Não sendo o melhor exemplo, visto que o preço dos méis continuou em alta, mas o ano passado a cotação do pólen subiu anormalmente, atingindo quase preços proibitivos.
Foi uma excelente oportunidade de negócio para os (poucos) produtores de pólen. Para quem não estava apetrechado de equipamentos e conhecimentos tudo isto lhe passou ao lado…

Este ano está a passar-se exactamente o mesmo com os enxames: a grande mortalidade do Inverno passado, associada a uma Primavera com pouca enxameação natural, mais a grande procura a nível de mercado fizeram subir o preço das colónias para números surrealistas.

Com a diversificação das nossas explorações adquirimos experiência e capacidade de resposta para as tendências do mercado.

Por outro lado também beneficiamos com a colheita de outros produtos na mesma exploração, sem grande acréscimo no investimento e aproveitando a mesma deslocação ao apiário.

(continua)

15 julho, 2011

Controlo de Enxameação (continuação)

Relativamente a um post sobre Controlo de Enxameação, publicado em Abril de 2009, recebi este comentário de Leonardo Merlo – Brasil, que apresenta uma estratégia muito engenhosa para substituir a grade excluidora de rainhas à entrada da colmeia.
Uma das criticas que é feita à utilização deste método prende-se com o constrangimento que tal artefacto provoca no tráfego de abelhas, situação que parece ultrapassada com a utilização do equipamento apresentado:

Estava lendo um post antigo (http://montedomel.blogspot.com/2009/04/controlo-de-enxameacao.html) e ali falavas de uma tela para conter a rainha no processo de enxameação e resolvi te escrever para comentar o dispositivo que venho utilizando há quase um ano (usei-o na entrada da primavera e não retirei até agora em pleno inverno pois actua como redutor de alvado também) e tenho também recomendado para apicultores urbanos para evitar enxameações e posteriores remoções em locais de difícil acesso como escolas e prédios altos.

O dispositivo consiste de uma ripa de madeira onde faço um entalhe de 5 mm de altura com a serra circular, por esse entalhe as abelhas entram e como não são furos e sim um entalhe contínuo, não há perdas das pelotas de pólen (fotos em anexo).

Inicialmente utilizava o dispositivo somente durante a primeira semana após a captura de enxames para evitar a saída do enxame nos dois primeiros dias mas como acabei esquecendo de retirar em alguns e vi que não houve inconvenientes acabei por deixar mais tempo para avaliar.

Em outras colmeias que estão fora do padrão do apiário utilizo uma simples chapa de metal com o mesmo entalhe de 5 mm e funciona bem.

Durante esse ano acompanhei de perto as colmeias onde instalei o dispositivo, (somente em uma não pude deixar porque elas ficaram tão ocupadas tentando retirar que quando estava perto da caixa escutava estalos e fui ver e eram devido a que estavam tentando retirar as farpas da madeira, troquei de ripa por uma sem farpas e seguiram tentando "morder a madeira", ai acabei retirando), nas outras caixas aceitaram bem, inclusive as duas primeiras fotos anexas são de uma colmeia onde elas saem de cabeça para baixo sem nem antes tocar o chão da colmeia.

O único inconveniente que vi foi o aumento dos alvéolos de zângãos no centro da colmeia e solucionei colocando esses favos nas laterais, acredito que seja por causa do instinto de enxamear mas a produção nessas caixas foi de 27 a 32 kg em comparação com as que não tinham o dispositivo que variou de 12 a 17 kg. Logo, apesar de ter mais zângãos e de as abelhas terem maior trabalho para a retirada dos restos destes (vi que partem o zangão em pedaços para levarem para fora da caixa), a produção ainda assim é maior. Acredito que estes benefícios e inconvenientes também aconteçam com quem utiliza a gaiola que mencionasse.

Agora de posse dessas informações pretendo modificar o maneio no final do Inverno, antes da próxima Primavera, como é natural em todas as espécies a reprodução, acredito que com as abelhas não é diferente, no entanto como em outras espécies para nós não é benéfica essa multiplicação, mas mesmo assim vou retirar as ripas de alvado antes do início da primavera e espalhar caça-enxames em numero dobrado ao número de caixas que possuo e deixar que nos dois primeiros meses da primavera (Outubro/Novembro) elas enxameiem para que ocorra a renovação das rainhas e depois recolocarei as ripas novamente e os enxames que capturar farei a união deles de acordo com o tamanho e vou iniciar a trabalhar com o tabuleiro de Snelgrove neles.


Leonardo Merlo da Silva

11 julho, 2011

Turismo Apícola

Turismo com abelhas - a apicultura dá o mote à criação de uma nova tipologia do Turismo: o Apiturismo.

Foi recentemente aprovado pelo Conselho Técnico-Científico da Escola Superior de Turismo e Hotelaria, (ESTH) do Instituto Politécnico da Guarda, um projecto de investigação inédito a nível mundial, no âmbito do Mestrado em Gestão e Sustentabilidade no Turismo, que versa sob o papel do Turismo Apícola como Factor de Desenvolvimento Local. A orientação está a cargo do Professor Doutor Manuel Salgado, investigador doutorado em Turismo e coordenador do mestrado em apreço, e a co-orientação é assegurada por um especialista nacional, Dr. Joaquim Pífano, biólogo e técnico de reconhecido valor no sector apícola português.

O trabalho, a levar a cabo pelo mestrando João Teixeira Gomes, licenciado e pós graduado pela ESTH, pretende demonstrar que a simbiose entre as actividades turística e apícola despertam relevantes interesses em diversos segmentos do mercado turístico, por se tratar de actividades essenciais à sustentabilidade e competitividade no desenvolvimento local, pelo verdadeiro impacte a nível económico, social e ambiental. Pretende-se ainda promover a criação de emprego qualificado através da geração de rendimento numa base local, que garanta um contributo essencial à preservação ambiental porque as abelhas actuam como polinizadores naturais de espécies nativas e cultivadas, preservando-as e consequentemente contribuindo para o equilíbrio do ecossistema e manutenção da biodiversidade, do mesmo modo que valoriza a cultura e as gentes locais.

O desenvolvimento do trabalho de investigação, será no decorrer do mesmo, tornado público através do site www.turismoapicola.com.

João Teixeira Gomes

28 junho, 2011

10 junho, 2011

VOTA EURO ABELHAS...

Mesmo a propósito do MelToon - 66, ora aí está uma eleição onde os APICULTORES não podem mesmo ficar de fora!!!

Vote agora no melhor desenho para a moeda comemorativa!

Como votar:Se é cidadão de ou residente num Estado-Membro da zona euro pode votar no desenho que quer que apareça na moeda comemorativa de 2 euros destinada à circulação. Esta moeda será emitida em Janeiro de 2012 pelos 17 Estados-Membros da zona euro para assinalar os 10 anos da entrada em circulação das notas e moedas de euros.

Para aumentar os desenhos é só clicar nos mesmos. Para votar basta clicar no botão Votar, por baixo do seu desenho preferido.

Depois, preencha as informações abaixo. Estas são usadas para validar e registar o seu voto e para o(a) contactar caso tenha sido seleccionado(a) de forma aleatória entre todas as pessoas que votaram no desenho vencedor para ganhar uma valiosa colecção de moedas de euros.

Para votar basta aceder ao link:

http://www.eurocoin-competition.eu/pt/vote

Não querendo ser tendencioso :-) mas há um candidato que está mesmo a pedir o nosso voto... ora vejam lá...

Tenham atenção às datas de votação, é só até ao dia 24 de Junho de 2011.

E que ganhe a melhor moeda de 2,00€... com abelhas!!!

Deixo uma ideia para a campanha eleitoral, e se "prometessemos" embalagens de mel a 2,00€ para o dia do lançamento?
Não esqueçam de indicar a quantidade líquida da embalagem, onde o tamanho dos caracteres está previsto em legislação própria :-) ...

09 junho, 2011

07 junho, 2011

Desdobramentos e Produção de Mel em Núcleos II

Outra abordagem ao tema do dia 01/06/2011

Três modalidades possíveis de desdobramentos:

As diversas formas de desdobrar colónias de abelhas, dependem obviamente da disponibilidade e do tipo de equipamentos que o apicultor dispõe, tal como dos objectivos da exploração e dos métodos preferidos de quem o faz.

A) Desdobrar para duas colmeias móveis:

Pessoalmente desdobro quase sempre uma colónia para duas colmeias móveis. Tal se deve ao facto de ter poucos núcleos e bastantes colmeias de 10 quadros, uma vez que a minha exploração sempre se vocacionou para a produção de mel. Limito-me a dar uso aos equipamentos que já possuo, sem qualquer necessidade de custos adicionais.

Caso apostasse mais na venda de enxames/colónias, justificar-se-ia um maior investimento em núcleos de 5 quadros.

Desta feita, procuro encontrar a rainha, e coloco-a na nova colmeia. Deixo na original os quadros e a quantidade de abelhas necessárias para fazerem uma nova rainha. Os quatro quadros restantes, independentemente da composição, são colocados na caixa com a rainha “velha”.

Na colónia que fica com a rainha velha procuro deixar os cinco quadros originais ao centro e as lâminas de cera nova nas extremidades. Este procedimento visa sobretudo que a colónia se possa expandir para ambos os lados, aproveitando melhor a zona de calor.

Na semi-colónia órfã, opto por colocar os cinco quadros originais numa das extremidades, por duas razões: Esta colónia não tem necessidade (nem possibilidade) de ampliar a área de criação e por outro fica mais abrigada. De imediato lhe coloco também dois ou três quadros com lâminas de cera na outra extremidade, para que o “excesso” de abelhas possam puxar essa cera em vez de construírem favos naturais na prancheta.

Em pouco tempo (uma ou duas semanas, depende da floração, da rainha e do clima), a colmeia com a rainha original tem o ninho cheio (toda a cera puxada e ocupada) e está pronta a receber a primeira alça (ou sofrer novo desdobramento).

Entretanto também posso adicionar novos quadros com lâminas de cera à semi-colónia órfã, já puxaram as que lhe adicionei durante o desdobramento. Nesta fase a nova rainha já nasceu e poderá ou não ter iniciado a postura.

Se eu levar estas colónias com a nova rainha para o girassol/cardo/melada de Azinho, ainda produzem pelo menos uma alça de mel. Ironicamente eu vou colher mel de baixo valor (girassol) e as abelhas ficam com mel gourmet (rosmaninho na minha região) como reserva no ninho…

B) Desdobrar para dois (ou mais) núcleos:

Resolve-se o problema da semi-colónia órfã, mas restringe-se o normal desenvolvimento à parte que fica com a rainha, deixando-a confinada a cinco quadros.
Há muito quem o faça, desdobram as colmeias de dez quadros para dois (ou mais) núcleos de cinco. Certo que os problemas de espaço, temperatura, etc, da semi-colónia órfã ficam resolvidos, mas a colónia com rainha não se pode desenvolver.

Esta abordagem só é válida para a venda imediata ou a curto prazo de núcleos, sobretudo quando o comprador só quer mesmo comprar núcleos e não colmeias de 10 quadros.

De qualquer forma, o novo proprietário deve fazer a transferência para colmeia de dez quadros o mais rápido possível.

Por outro lado, há sempre a possibilidade de colocar as ditas alças nos núcleos, onde a colónia com rainha entra de imediato em produção, conseguindo armazenar algum mel até as semi-colónias órfãs estarem prontas para vender.

Outra justificação válida poderá dever-se a não haver mais floração que permita às colónias puxarem cera e dimensionarem o ninho. Nestas condições é de todo preferível deixarmo-las em núcleos.

C) Desdobrar para uma colmeia de 10 quadros (colónia com rainha) e para um núcleo de 5 quadros (semi-colónia órfã):

É o método que me parece mais ajustado, resolve os problemas das duas hipóteses anteriores e mantém as vantagens. Este processo funciona melhor quando deslocamos os núcleos (sem rainha) para um apiário específico onde possam ser alimentados sem risco de pilhagens.

Amplia-nos as opções de venda, se for esse o caso: colónias de dez e de cinco quadros.

Mais uma vez se justificam a utilização das ditas alças de cinco quadros para os núcleos. Até porque a semi-colónia órfã pode levar a alça logo após o desdobramento, como no caso anterior...

Não terão evidentemente de ser alças de boa construção, a sua utilização é muito específica e durante pouco tempo, pelo que o recurso a materiais reciclados deverá ser considerado.

Reforçando o que disse no post anterior, esta “proposta” não visa a produção de mel em núcleos como um fim ou um objectivo. Serve apenas para quem tenha encomendas de núcleos de abelhas, ou que se proponha a fazê-los para venda em colónias de cinco quadros, pode aproveitar as abelhas que durante o intervalo de tempo antes do nascimento da rainha não têm grande utilidade, para produzir mais algum mel…

Observações acerca dos desdobramentos

Quando faço desdobramentos, uma das curiosidades que me traz alguma ansiedade é confirmar o nascimento da nova rainha.

Será que nasceu?

Já foi fecundada?

Já iniciou a postura?


Estas três questões levam-nos a incontáveis visitas aos apiários e a abrir inúmeras vezes as colmeias, o que é contra indicado:

- Podemos danificar o alvéolo real antes do nascimento da rainha. Esta situação resolve-se abrindo a colmeia apenas quinze dias após o desdobramento.
- Podemos perder, matar, danificar a rainha virgem. Trata-se de uma rainha cujo comportamento é muito diferente de uma rainha fecundada e já estabelecida.
Extremamente nervosa, desloca-se com grande rapidez e insegurança pelos favos e podemos matá-la quando colocamos o quadro na colmeia. Também não são raras as vezes em que levanta voo enquanto a observamos sobre os quadros, podendo não conseguir regressar.

Para evitar estas situações podemos monitorizar o sucesso dos desdobramentos procurando outros indícios da presença e estado da rainha.

Se é certo que o ideal seria a sua visualização directa já com postura, esses indícios muito fáceis de encontrar e identificar são uma prova muito segura do sucesso do nosso trabalho.

Como foi dito inúmeras vezes atrás, logo no pós-desdobramento e à medida que as abelhas jovens vão emergindo dos alvéolos, as obreiras mais velhas rapidamente bloqueiam todos os quadros com néctar.

Quando a nova rainha nasce, se fecunda e antes de iniciar a postura, as obreiras apressam-se a desbloquear a zona de criação nos quadros, mobilizando esse néctar para que haja espaço para a postura e para a criação.

Na imagem anterior, as abelhas foram propositadamente sacudidas do quadro para se ver a área em questão.

Pormenor dos favos ainda com néctar.

Pormenor dos favos desimpedidos para a postura.Quando estes sinais surgem, regra geral e dentro de uma a duas semanas já há postura da nova rainha.

São esses os indícios que procuro, na zona central dos quadros, começa por surgir um pequeno círculo com poucos centímetros de diâmetro que depois vai alargando. Os alvéolos desse círculo surgem-nos vazios e polidos, chegam a ser brilhantes devido à propolização, e estão prontos para receber a postura da rainha.

Nas duas imagens anteriores, onde as abelhas não foram sacudidas, também podemos ver com muita facilidade o disco central de alvéolos já limpos: como me encontrava a inspeccionar a colónia, as abelhas tendencialmente começam logo a retirar o néctar, (para evitar a minha "pilhagem"), denunciando a zona central, sem interesse para elas porque já não tem qualquer nectar.

Novo quadro com os mesmos indícios, desta vez a área de alvéolos limpos é já muito grande.

Se assumisse-mos que a área de alvéolos limpos fosse inversamente proporcional ao tempo que falta para a rainha iniciar a postura, tinhamos aqui uma prova excelente. Pois se na imagem anterior ainda não há postura, observemos o outro lado do mesmo quadro:

Não confundir com a imagem seguinte, onde também surge um disco central desimpedido. As larvas operculadas em redor indicam que a rainha já está em postura há muito tempo e não se trata por isso de uma rainha nova que vai iniciar a postura.

Quando isto nos sucede num desdobramento, apenas confundimos o núcleo da rainha original com o órfão, também acontece...

Voltaremos a este assunto...