
Outra abordagem ao tema do dia 01/06/2011
Três modalidades possíveis de desdobramentos:
As diversas formas de desdobrar colónias de abelhas, dependem obviamente da disponibilidade e do tipo de equipamentos que o apicultor dispõe, tal como dos objectivos da exploração e dos métodos preferidos de quem o faz.
A) Desdobrar para duas colmeias móveis:

Pessoalmente desdobro quase sempre uma colónia para duas colmeias móveis. Tal se deve ao facto de ter poucos núcleos e bastantes colmeias de 10 quadros, uma vez que a minha exploração sempre se vocacionou para a produção de mel. Limito-me a dar uso aos equipamentos que já possuo, sem qualquer necessidade de custos adicionais.


Caso apostasse mais na venda de enxames/colónias, justificar-se-ia um maior investimento em núcleos de 5 quadros.
Desta feita, procuro encontrar a rainha, e coloco-a na nova colmeia. Deixo na original os quadros e a quantidade de abelhas necessárias para fazerem uma nova rainha. Os quatro quadros restantes, independentemente da composição, são colocados na caixa com a rainha “velha”.

Na colónia que fica com a rainha velha procuro deixar os cinco quadros originais ao centro e as lâminas de cera nova nas extremidades. Este procedimento visa sobretudo que a colónia se possa expandir para ambos os lados, aproveitando melhor a zona de calor.
Na semi-colónia órfã, opto por colocar os cinco quadros originais numa das extremidades, por duas razões: Esta colónia não tem necessidade (nem possibilidade) de ampliar a área de criação e por outro fica mais abrigada. De imediato lhe coloco também dois ou três quadros com lâminas de cera na outra extremidade, para que o “excesso” de abelhas possam puxar essa cera em vez de construírem favos naturais na prancheta.


Em pouco tempo (uma ou duas semanas, depende da floração, da rainha e do clima), a colmeia com a rainha original tem o ninho cheio (toda a cera puxada e ocupada) e está pronta a receber a primeira alça (ou sofrer novo desdobramento).

Entretanto também posso adicionar novos quadros com lâminas de cera à semi-colónia órfã, já puxaram as que lhe adicionei durante o desdobramento. Nesta fase a nova rainha já nasceu e poderá ou não ter iniciado a postura.
Se eu levar estas colónias com a nova rainha para o girassol/cardo/melada de Azinho, ainda produzem pelo menos uma alça de mel. Ironicamente eu vou colher mel de baixo valor (girassol) e as abelhas ficam com mel gourmet (rosmaninho na minha região) como reserva no ninho…
B) Desdobrar para dois (ou mais) núcleos:

Resolve-se o problema da semi-colónia órfã, mas restringe-se o normal desenvolvimento à parte que fica com a rainha, deixando-a confinada a cinco quadros.
Há muito quem o faça, desdobram as colmeias de dez quadros para dois (ou mais) núcleos de cinco. Certo que os problemas de espaço, temperatura, etc, da semi-colónia órfã ficam resolvidos, mas a colónia com rainha não se pode desenvolver.

Esta abordagem só é válida para a venda imediata ou a curto prazo de núcleos, sobretudo quando o comprador só quer mesmo comprar núcleos e não colmeias de 10 quadros.
De qualquer forma, o novo proprietário deve fazer a transferência para colmeia de dez quadros o mais rápido possível.
Por outro lado, há sempre a possibilidade de colocar as ditas alças nos núcleos, onde a colónia com rainha entra de imediato em produção, conseguindo armazenar algum mel até as semi-colónias órfãs estarem prontas para vender.

Outra justificação válida poderá dever-se a não haver mais floração que permita às colónias puxarem cera e dimensionarem o ninho. Nestas condições é de todo preferível deixarmo-las em núcleos.
C) Desdobrar para uma colmeia de 10 quadros (colónia com rainha) e para um núcleo de 5 quadros (semi-colónia órfã):
É o método que me parece mais ajustado, resolve os problemas das duas hipóteses anteriores e mantém as vantagens. Este processo funciona melhor quando deslocamos os núcleos (sem rainha) para um apiário específico onde possam ser alimentados sem risco de pilhagens.
Amplia-nos as opções de venda, se for esse o caso: colónias de dez e de cinco quadros.
Mais uma vez se justificam a utilização das ditas alças de cinco quadros para os núcleos. Até porque a semi-colónia órfã pode levar a alça logo após o desdobramento, como no caso anterior...

Não terão evidentemente de ser alças de boa construção, a sua utilização é muito específica e durante pouco tempo, pelo que o recurso a materiais reciclados deverá ser considerado.
Reforçando o que disse no post anterior, esta “proposta” não visa a produção de mel em núcleos como um fim ou um objectivo. Serve apenas para quem tenha encomendas de núcleos de abelhas, ou que se proponha a fazê-los para venda em colónias de cinco quadros, pode aproveitar as abelhas que durante o intervalo de tempo antes do nascimento da rainha não têm grande utilidade, para produzir mais algum mel…
Observações acerca dos desdobramentosQuando faço desdobramentos, uma das curiosidades que me traz alguma ansiedade é confirmar o nascimento da nova rainha.
Será que nasceu?
Já foi fecundada?
Já iniciou a postura?Estas três questões levam-nos a incontáveis visitas aos apiários e a abrir inúmeras vezes as colmeias, o que é contra indicado:
- Podemos danificar o alvéolo real antes do nascimento da rainha. Esta situação resolve-se abrindo a colmeia apenas quinze dias após o desdobramento.
- Podemos perder, matar, danificar a rainha virgem. Trata-se de uma rainha cujo comportamento é muito diferente de uma rainha fecundada e já estabelecida.
Extremamente nervosa, desloca-se com grande rapidez e insegurança pelos favos e podemos matá-la quando colocamos o quadro na colmeia. Também não são raras as vezes em que levanta voo enquanto a observamos sobre os quadros, podendo não conseguir regressar.
Para evitar estas situações podemos monitorizar o sucesso dos desdobramentos procurando outros indícios da presença e estado da rainha.
Se é certo que o ideal seria a sua visualização directa já com postura, esses indícios muito fáceis de encontrar e identificar são uma prova muito segura do sucesso do nosso trabalho.
Como foi dito inúmeras vezes atrás, logo no pós-desdobramento e à medida que as abelhas jovens vão emergindo dos alvéolos, as obreiras mais velhas rapidamente bloqueiam todos os quadros com néctar.
Quando a nova rainha nasce, se fecunda e antes de iniciar a postura, as obreiras apressam-se a desbloquear a zona de criação nos quadros, mobilizando esse néctar para que haja espaço para a postura e para a criação.

Na imagem anterior, as abelhas foram propositadamente sacudidas do quadro para se ver a área em questão.

Pormenor dos favos ainda com néctar.

Pormenor dos favos desimpedidos para a postura.Quando estes sinais surgem, regra geral e dentro de uma a duas semanas já há postura da nova rainha.
São esses os indícios que procuro, na zona central dos quadros, começa por surgir um pequeno círculo com poucos centímetros de diâmetro que depois vai alargando. Os alvéolos desse círculo surgem-nos vazios e polidos, chegam a ser brilhantes devido à propolização, e estão prontos para receber a postura da rainha.


Nas duas imagens anteriores, onde as abelhas não foram sacudidas, também podemos ver com muita facilidade o disco central de alvéolos já limpos: como me encontrava a inspeccionar a colónia, as abelhas tendencialmente começam logo a retirar o néctar, (para evitar a minha "pilhagem"), denunciando a zona central, sem interesse para elas porque já não tem qualquer nectar.


Novo quadro com os mesmos indícios, desta vez a área de alvéolos limpos é já muito grande.
Se assumisse-mos que a área de alvéolos limpos fosse inversamente proporcional ao tempo que falta para a rainha iniciar a postura, tinhamos aqui uma prova excelente. Pois se na imagem anterior ainda não há postura, observemos o outro lado do mesmo quadro:



Não confundir com a imagem seguinte, onde também surge um disco central desimpedido. As larvas operculadas em redor indicam que a rainha já está em postura há muito tempo e não se trata por isso de uma rainha nova que vai iniciar a postura.

Quando isto nos sucede num desdobramento, apenas confundimos o núcleo da rainha original com o órfão, também acontece...
Voltaremos a este assunto...