31 agosto, 2014

Calendarização da Alimentação Artificial

Desde que tenho “memórias apícolas” que os apicultores referem uma mortalidade de cerca de 5% nas colónias durante o Inverno. Este número pode oscilar três ou quatro pontos percentuais, sendo mesmo assim considerada normal.

Nos últimos seis ou sete anos a perda invernal de efectivos subiu consideravelmente nalgumas regiões, tendo atingido os 50% e até mais, se bem que ultimamente ande abaixo dos 20%.


A lista negra:

- Varroa (tem as costas largas, aguenta com qualquer culpa)
- Nosemose (suponho que foi mais uma “nosemose cerebral” e estratégica)
- Um virús israelita (sim, também matam abelhas)
- Alterações Climáticas (cuidado, esta é um perigo sério)
- Quimiotóxicos (estes também)
- Transgénicos (piores que os dois anteriores)
- Radiação electromagnética (negócio demasiado chorudo para matar seja o que for)
- Politica Apícola (essa até ponho a mãos no lume pela inocência… com luvas de amianto)

Os factos:

Nesses anos foram inúmeros os relatos de apicultores cujos efectivos sofreram baixas superiores a 50%, alguns profissionais chegaram a perder várias centenas de colónias, o que á cotação actual representa prejuízos muito avultados.
Em 2008, do meu efectivo de 90 colónias perdi exactamente 45 durante o Inverno. Se por um lado foi muito desagradável a experiência, por outro facilitou-me bastante as contas para saber a percentagem de mortalidade.
Alguns amigos sugeriram que seria varroose mal medicada.
Curiosamente tinha feito acurada busca a esses ácaros antes desse Inverno e não encontrei nenhum. Na época seguinte (um ano depois) tinha as colmeias completamente infestadas de varroa que eliminei com facilidade e sem prejuízo de nenhuma colónia.
Há cerca de oito ou nove anos recuperei uma dezena de colmeias com um grau de infestação de varroa de 56,4%. Limitei-me a usar uma dose ligeiramente reforçada de acaricida e tratei-as sem qualquer perda de efectivos.
Ou seja, pelas minhas experiências, estas e outras, a varroa é um bicho com um feitiozinho terrível, mas não justifica tal mortalidade de colónias, até porque os tratamentos disponíveis continuam a garantir bons resultados, recuperando até casos aparentemente perdidos.

No fim do Verão de 2009, em Montemor o Novo, tive a seguinte conversa com o conhecido técnico António G. Pajuelo, que podem consultar no link:
e que bastante me elucidou para as possíveis causas da elevada mortalidade invernal de colónias.

Nova lista negra mais actual:

- Alterações climáticas com período estival cada vez mais quente e seco.
- Mais e maiores fogos florestais durante o Verão.
- Maiores áreas de floração destruídas pela seca e pelos incêndios no fim do Verão.
- Pressão das seguradoras sobre os agricultores para que façam desmatações massivas.
- Grandes concentrações de colmeias motivadas pelos projectos Proder sem que hajam preocupações com o ordenamento por parte das entidades oficiais.

Segundo A. G. Pajuelo, o momento crucial que poderá ditar o sucesso/insucesso das colónias de abelhas durante o Inverno, é precisamente o fim do Verão. Nomeadamente a floração disponível (néctar e pólen) para que a rainha seja estimulada para a postura e para que essas abelhas novas e saudáveis sejam em número suficiente para resistirem aos quatro ou cinco meses de invernia.

Caso contrário, sem floração e sem postura, as abelhas destinadas a atravessar o longo período de Inverno seriam as abelhas adultas que passaram o Verão a trabalhar, exaustas e já com a vida no fim, levando inevitavelmente ao colapso da colónia.
Face ao exposto e mercê da minha má experiência de 2008 resolvi colocar tais conselhos em prática.

Continuação da Experiência:

Na última semana de cada mês de Agosto ou primeira semana de Setembro tenho por hábito inspecionar as colmeias, onde anoto sobretudo:

a) – Número de quadros ocupados por abelhas.
b) – Número de quadros ocupados por criação, que convém ser igual ou superior a cinco.
c) – Quadros com reservas de mel e pólen.
d) – Sinais de varroose e ou outra moléstia.

Raro é o ano que tal análise me dê resultados satisfatórios, normalmente o número de quadros de criação é igual ou inferior a cinco.

Devo dizer que todos os anos desloco as colmeias dos apiários de Primavera para locais com floração de Verão, próximos de água e á sombra. Apesar das condições referidas e de quase sempre ter produção de mel de Verão, invariavelmente as colónias de abelhas encontram-se fracas de criação à entrada do Outono.
Suponho que este fenómeno seja semelhante em boa parte do território nacional, mais agravado ainda em locais sem floração de Verão e Outono.

Opto então por seguir o seguinte Calendário de Alimentação Artificial:

Setembro: 2 Sessões de Alimento Artificial Estimulante.
Outubro: 1 Sessão de Alimento Artificial de Manutenção.
Novembro: 1 Sessão de Alimento Artificial de Manutenção.
Dezembro: 1 ou 2 Sessões de Alimento Artificial de Manutenção.
Janeiro: 1 Sessão de Alimento Artificial de Manutenção.
Fevereiro: 2 Sessões de Alimento Artificial Estimulante.

Em que:

Alimento Artificial Estimulante: Alimento de consistência líquida ou quase líquida, semelhante ao néctar natural das flores, destinado a estimular a rainha para a postura, levando ao aumento da colónia de abelhas.

Composição por colmeia:
350g de açúcar + 100g de mel + 50g de (pólen ou levedura de cerveja) + água, sal e limão.

Esta composição não é rígida, quanto maior for o ratio açúcar/mel mais barato é o alimento, mas não convém ser exageradamente grande pois o mel torna o xarope muito mais apetecível para as abelhas. Já a proteína (pólen e levedura de cerveja) também podia/devia ser aumentada para 100g/colmeia, mas este é o componente mais caro…

Procedimento:
Coloca-se a totalidade do açúcar num recipiente suficientemente grande e com uma quantidade de água igual ao peso do açúcar mais o peso do mel (aprox. 450g/colmeia). A mistura é fervida até à dissolução do açúcar, tenho por hábito colocar uma colher de sopa de sal para adicionar electrólitos.

Retira-se o xarope do fogão, deixa-se arrefecer um pouco e adiciona-se a totalidade do mel. Só mais tarde e quando a temperatura da mistura ronda os 30 a 40º C (quando colocamos o dedo e não nos queimamos) é que se adiciona a levedura de cerveja e ou o pólen. Finalmente podemos também colocar o sumo de meio limão para evitar (ou retardar) a fermentação do xarope e distribui-se pelos alimentadores nas colmeias.

Alimento Artificial de Manutenção:
Alimento de consistência pastosa, quase sólida, que não estimula a rainha para a postura, é utilizado sobretudo no período de temperaturas mais baixas e serve para alimentar/manter a população existente.

Composição e Procedimento:
A composição é rigorosamente igual ao estimulante, apenas se utiliza muito menos água para o alimento ficar mais pastoso. Normalmente utilizo uma quantidade de água equivalente a 20% do peso do açúcar + mel.

Os custos por colmeia (em 2014):

Açúcar: 1,00€/kg, 350g = 0,35€/colmeia
Mel: 3,50€/kg, 100g = 0,35€/colmeia
Pólen: 7,00€/kg, 50g = 0,35€/colmeia
Levedura de Cerveja: 3,00€/kg, 50g = 0,15€/colmeia

Total (com Pólen): 1,05€/colmeia
Total (com Levedura de Cerveja): 0,85€/colmeia

Não contei com o gás, o combustível, o tempo, etc, mas estes factores não vão encarecer demasiado o alimento.

Humedecer o pólen ou a levedura de cerveja antes de os colocar na mistura ajuda à homogeneização e evita a formação de grumos.

Supondo que optamos pela Levedura de Cerveja, com resultados iguais ao pólen e mais barata e assumindo um custo total de 1,00€/colmeia, com o calendário de tratamentos que proponho lá atrás, temos um custo global por colmeia de 8,00€ ou 9,00€ num ano. Valor que me parece pouco relevante, o equivalente a 2,5 kg de mel aos preços de 2014.

Podemos diminuir os custos da Alimentação Artificial com outra calendarização:

Setembro: 2 Sessões de Alimento Artificial Estimulante.
Outubro: 1 Sessão de Alimento Artificial de Manutenção.
Dezembro: 1 Sessão de Alimento Artificial de Manutenção.
Janeiro: 1 Sessão de Alimento Artificial de Manutenção.
Fevereiro: 1 Sessão de Alimento Artificial Estimulante.

Desta forma o custo global era de 6,00€/colmeia, mais arriscado mas ainda assim funcional.
Pessoalmente já utilizei esta fórmula com bons resultados e outra com doze sessões de alimentação o que me pareceu algo exagerado. Se não desdobrarmos as colónias antes da Primavera teremos de fazer um rigoroso controlo de enxameação.

Ainda acerca da Calendarização:

Setembro: As duas sessões de alimentação estimulante nesta data justificam-se pelas razões atrás apontadas: se por um lado é a data estratégica para a rainha aumentar a postura e assim haver quantidade suficiente de abelhas novas e saudáveis para passar o Inverno, por outro, a ausência de floração associada a grandes efectivos de abelhas leva a situações de fome e não renovação das populações de abelhas.
Tal afirmação há uns anos atrás era um contras-senso, uma vez que sempre se desaconselharam os apicultores a estimular as abelhas antes do Inverno e pelas razões mais que óbvias.

Outubro: A(s) sessão(ões) de alimento de manutenção (o mais sólidas possível) aconselhada(s) para este mês, justifica-se mais para desencorajar a rainha da postura do que propriamente para alimentar as abelhas. Até porque com as primeiras chuvas e com temperaturas ainda amenas há sempre algumas flores a despontar nesta data.

Novembro, Dezembro e Janeiro: Tratam-se de meses frios onde há toda a conveniência em alimentar as abelhas com xaropes pastosos e ricos em proteína.
Claro que há muitas regiões ricas em eucalipto, alecrim, algumas urzes entre outras florações, que dispensam um calendário de alimentação tão rigoroso.

Fevereiro (e até Março): A alimentação estimulante a partir do início ou meados de Fevereiro é já tradicional entre os nossos apicultores, sobretudo nas regiões de invernias rigorosas, para estimularem a rainha e dimensionarem a colónia para a época principal de produção. Quem seguir este calendário de alimentação (com a manutenção durante os meses frios) pode optar por uma única dose estimulante em Fevereiro pois é suficiente.

Extra Calendarização:

É comum (infelizmente), quando os meses de Março e Abril são muito chuvosos, depararmo-nos com algumas colónias mortas, quase sempre as mais fortes.
Tal facto costuma desconcertar os apicultores, visto as colónias menos desenvolvidas resistirem a dias contínuos de chuva e as mais populosas normalmente morrerem. Mas faz todo o sentido, nas colónias muito populosas onde os alvéolos que deviam conter as reservas estão ocupados por milhares de “bocas” famintas, após quatro ou cinco dias consecutivos de chuva podem colapsar muito facilmente.

Neste caso o apicultor deve estar atento e ao fim de dois ou três dias seguidos de chuva convém ministrar uma dose (ou mais) de alimento de manutenção muito sólido. Não só atrasa a postura da rainha como providencia a subsistência para a grande quantidade de larvas já nascidas.

Principais cuidados na ministração do alimento às colmeias:

- Utilização de alimentadores internos para evitar a pilhagem, normalmente colocados entre o tampo e a prancheta. Também se pode utilizar entre os quadros ou sobre o topo dos quadros, normalmente evito estes últimos para não abrir a colmeia na estação fria.

- A alimentação é ministrada ao entardecer ou à noite, quando as abelhas deixam de circular, também para evitar a pilhagem.

- Colocar palha, folhas secas ou outro material qualquer sobre o alimento para evitar que as abelhas se afoguem no xarope (seja líquido ou sólido)

- A dose de alimento deve ser proporcional à população da colónia (número de quadros ocupados por abelhas), cerca de 500 a 700g para dez quadros e 300g para cinco quadros.
Na próxima sessão de alimentação aferir as quantidades consoante as abelhas tenham mobilizado ou não o alimento e a velocidade com que o fizeram. Para isso deve inspecionar os alimentadores dois ou três dias depois.

Outros factos, ou Conclusões…

Desde que optei por este formato de maneio apícola, no Inverno de 2009, que as minhas perdas de efectivos na estação fria são francamente inferiores a 5%.

Claro que além dos suplementos nutricionais mantenho e acentuo os cuidados com a sanidade e com a escolha de locais óptimos para a instalação de apiários entre outras preocupações.

Desde essa data que durante os meses de Fevereiro e Março desdobro as minhas colónias atingindo sensivelmente o dobro dos efectivos que posso e pretendo manter, sem com isso alterar muito a produção de mel.

Por essas e outras razões, há quatro ou cinco anos que “dispenso” cerca de metade do efectivo a apicultores interessados, para repor o número de colmeias original e cada vez que o faço exijo que o beneficiado seleccione as melhores colónias após aturada inspecção para evitar complicações futuras.

Ou seja, há quatro ou cinco anos que faço uma selecção negativa das minhas colmeias. Retendo só e apenas as piores, nomeadamente aquelas cuja população não ocupe a totalidade dos quadros à data da transacção ou que apresentem menos quadros com criação.

Tal perspectiva preocupou-me, por esse andar dentro de alguns anos era suposto ter as piores colónias ou mesmo ficar sem abelhas.

Mas os factos não demonstraram isso. Seguindo o maneio alimentar que ora apresento, e complementando-o com transumância na estação quente, sempre me deparo com colónias fortíssimas e a fervilhar de abelhas logo na primeira inspecção primaveril.

É quase certo que o factor limitante que tantas baixas provocou nas colónias de abelhas tivesse sido efectivamente a disponibilidade de nutrientes.

Providenciando às abelhas abrigos e sanidade adequada, controlando os predadores e os parasitas, proporcionando-lhes quantitativa e qualitativamente hidratos de carbono e proteínas, elas resolverão todos os seus problemas.

Será exagero colocar em causa a selecção de rainhas à luz do que aqui foi dito?

Assuntos relacionados publicados no montedomel:

1. Alimento Artificial de Inverno
2. Alimento Artificial para Abelhas: Formas de Aplicação
3. Contabilidade Apícola
4. O Açúcar no Alimento das Abelhas
5. Alimentadores Internos para Colmeias
6. Alimentador de Abelhas “Anti-afogamento”
7. Alimentadores Artificiais Colectivos e Individuais
8. A Sanidade Apícola ou a Insanidade Humana?
9. Ordenamento Apícola, Densidades de Colmeias

30 julho, 2014

Avis mellífera 2014

No passado dia 26 de Julho de 2014 a ADERAVIS organizou as VII Jornadas Técnicas Apícolas Avis mellífera e pelo sétimo ano consecutivo com a casa cheia.
Mais uma vez recebemos a visita de inúmeros apicultores, técnicos e dirigentes associativos oriundos de todo o território nacional que bastante enriqueceram o evento com a sua presença e participação. Reencontramos amigos que todos os anos dizem “presente” e outros que nos visitaram pela primeira vez, fica também a saudade de outros que este ano não puderam comparecer.

Para lá do carácter técnico, científico e económico que sempre tentamos dar a estas jornadas, importa sobretudo ressalvar o espírito de festa, companheirismo e amizade que sempre culminam com a celebração da apicultura enquanto actividade tão nobre a que todos nos orgulhamos de pertencer.

09:30 horas - Concursos de Mel

Júri – Eng.º José Gardete, Eng.º Paulo Varela; Eng.º Paulo Ventura e Eng.º José Grilo

Mel de Rosmaninho

14 amostras de mel oriundas de explorações apícolas nas localidades de Montargil, Fronteira, Ponte de Sor, Tramaga, Alcórrego, Casa Branca, Avis, Pavia e Cabeção.

Lugar – José Manuel Amâncio – Fronteira
Lugar – Carolina Paraire Durão – Ponte de Sor
Lugar – Ivo Correia Marçal – Casa Branca

Mel Multifloral

17 amostras de mel oriundas de explorações apícolas nas localidades de Aldeia Velha, Santa Vitória do Ameixial, Fronteira, Figueira e Barros, Ponte de Sor, Montargil, Pavia, Cabeção e Tramaga.

Lugar – José Nunes de Oliveira – Montargil
Lugar – Paula Isabel Carreiras – Aldeia Velha
Lugar – Célia Maria Gonçalves - Fronteira

10:00 horas – Workshop
Fabrico de sabonetes com Produtos da Colmeia

Formador: Eng.ª Mónica Lopes (APFMP)

Com o acentuado desenvolvimento do sector apícola nos últimos quinze anos, com a crescente promoção e procura dos produtos da colmeia, urge procurar e desenvolver novas referências em produtos derivados do mel, do pólen, própolis, cera, etc.

Cada vez mais o consumidor procura produtos naturais, isentos de qualquer artificialismo, onde os produtos da colmeia pela forma como são obtidos e processados não deixam qualquer dúvida acerca da sua qualidade e salubridade. Nesse sentido, a ADERAVIS, procurou que este ano o workshop fosse direcionado para a manufactura de um produto de uso diário e generalizado como são os sabonetes, apostando, claro está, nos produtos da colmeia para a sua composição.

Sabendo da experiência e do saber da Eng.ª Mónica Lopes nessa área, foi-lhe entregue tal tarefa que cumpriu com todo o profissionalismo e simpatia que lhe reconhecemos e que ficou bem patente no agrado geral de quantos participaram.

12:30 horas – Almoço

Nunca o almoço das Jornadas tinha sido notícia, mas este ano resolvemos fazê-lo de uma forma organizada de modo a que todos pudessem confraternizar à mesa.
Pelo sucesso da iniciativa podemos dizer que será mais uma “moda” a repetir nos anos vindouros, ficam os parabéns ao Restaurante Clube Náutico pelo excelente serviço que prestou às dezenas de apicultores aí presentes.

14:30 horas – Homenagens da ADERAVIS

Á semelhança do ano passado, a ADERAVIS continuou com as homenagens a pessoas e ou instituições cujo trabalho e acções se têm reflectido muito positivamente no desenvolvimento do mundo rural e da apicultura.
Pessoas que foram muito para lá das suas obrigações profissionais e de uma forma abnegada contribuíram para promover, ajudar e engrandecer um sector cujas carências todos conhecemos.
Este ano os homenageados foram:

Dr.ª Helena Cosinha (DRAAL)
Dr. José Calhau (DRAAL)
Leonor Fernandes (DRAAL)
João Vieira (CNA)
António Ferraria (CNA)
Eng.º Paulo Varela (Montemormel)

15:00 horas – Colóquio

Moderador: Eng.º José Gardete

Associações MultifuncionaisEng.º António Marques – FRUTERCOOP – Ilha Terceira – Açores.

A história e a evolução da apicultura na Ilha Terceira – Açores, e o importante contributo da FRUTERCOOP nesse processo. As dificuldades inerentes a uma organização de apicultores em território insular e os esforços levados a cabo para levar a bom porto os inúmeros produtos dos seus associados, não só no sector apícola como também na fruticultura, horticultura e floricultura.
Um verdadeiro caso de sucesso agrícola, associativo e comercial cujo resultado do seu labor tem culminado nas inúmeras exportações para diversos pontos do planeta.

Seguros para a ApiculturaDr.ª Teresa Lago – Corretora F. Rego – MAPFRE Seguros

Uma novidade surgida no início deste ano e que há muito fazia parte das principais reivindicações e anseios dos apicultores, uma vasta gama de produtos que poderão fazer face a inúmeros riscos que sempre afectaram as explorações apícolas.
Algumas reservas relativamente aos custos, mas que serão atenuados logo que haja suficiente número de subscritores à semelhança do que já se passa noutros países europeus, segundo nos disse a responsável.

Ácido Fórmico e Cítrico contra a VarrooseEng.º Afonso Silva – COOP TERRA CHÃ

Uma solução muito doméstica, dir-se-ia mesmo culinária, para um dos maiores problemas da apicultura e que segundo a experiência do Eng.º Afonso Silva tem controlado a varroose nas explorações apícolas dos cooperantes da Terra Chã.
Há muito que sentíamos falta destas inovações revolucionárias que enfrentando interesses instalados trazem novas luzes sobre problemas que julgamos imutáveis e até tabu.
Muito interessante também na perspectiva económica, pois limões encontramo-los em todo o lado a baixo custo.

A Apicultura pós Projectos PRODEREng.º Paulo Ventura – APISVENTURA

Uma apreciação do sector apícola após os projectos PRODER, nada melhor que quem passou pela experiência para nos alertar para “as letras pequeninas” que quase sempre nos escapam neste género de compromissos.
A almejada ajuda de muitos milhares de euros a fundo perdido pode toldar-nos a vista para as armadilhas anexas a estes projectos…
Fica o pedido do Eng.º Paulo Ventura para a responsabilização dos gabinetes que executam os projectos que devem informar os beneficiários ou candidatos não apenas dos benefícios mas também dos deveres a que se comprometem no acto da candidatura.

18:00 horas – Entrega dos prémios dos Concursos de Mel

18:30 horas – Encerramento das VII Jornadas Técnicas Apícolas – Avis mellífera

Agradecimentos ao Município de Avis e Juntas de Freguesia do Concelho de Avis, pelo apoio disponibilizado, sem o qual as jornadas não poderiam ter sido realizadas.

Agradecimentos também à MONTEMORMEL, à FRUTERCOOP, à COOP TERRA CHÃ, à Corretora F. Rego / MAPFRE Seguros, à APISVENTURA e à Associação de Produtores Florestais de Montemuro e Paiva, pela disponibilidade dos técnicos, formadores e oradores que tanto contribuíram para o sucesso destas jornadas.

Obrigado a todos os participantes nas Jornadas de Apicultura que todos os anos nos trazem e partilham novas experiências, novos conhecimentos e muita amizade!!!

04 junho, 2014

Jornadas Técnicas Apícolas Avis mellífera 2014

Mais uma vez e pelo sétimo ano consecutivo a ADERAVIS, Associação para o Desenvolvimento Rural e Produções Tradicionais do Concelho de Avis, vai realizar as Jornadas Técnicas de Apicultura – Avis mellífera 2014, no dia 26 de Julho de 2014 no Salão da Junta de Freguesia de Avis.

Contamos com a visita de Apicultores, Técnicos, Dirigentes Associativos e demais Agentes do Sector oriundos de todo o país para participarem nas jornadas, um acontecimento privilegiado para a troca de experiências, opiniões e até para o convívio.

Este ano, além dos habituais Concursos de Mel e ainda na parte da manhã, um workshop monitorizado pela Eng.ª Mónica Lopes (APFMP) sobre a Produção de Sabonetes a partir de Produtos da Colmeia.

No colóquio os temas a abordar este ano serão:

Seguros para a ApiculturaCorretora F. REGO/MAPFRE Seguros, a grande novidade apícola de 2014, um direito há muito reivindicado pelos apicultores e cuja necessidade se faz sentir sobretudo numa época em que os roubos de colmeias acontecem diariamente.

Associativismo - Associações Polivalentes – Eng.º António Marques (FRUTERCOOP – Açores), as vantagens e desvantagens na gestão associativa/cooperativa ao englobar diversas valências na mesma entidade, neste caso a Apicultura, a Floricultura, Fruticultura e Horticultura.

Sanidade ApícolaOs Ácidos Fórmico e Cítrico no Combate à Varroose – Eng.º Afonso Silva (COOP. TERRA CHÃ). O sempre polémico tema dos medicamentos a utilizar no combate à pior moléstia das abelhas, face ao habitual desinteresse e má gestão do problema por parte das entidades oficiais.

Apoios ao Sector Apícola – A Apicultura Pós Projectos ProDer – Eng.º Paulo Ventura – Uma reflexão sobre os prós e os contras que tais apoios trouxeram à apicultura nacional, um tema que se espera bastante participado dada a polémica que o mesmo tem suscitado nos últimos anos.

As Jornadas contarão ainda com a Sessão de Homenagens iniciada no ano anterior, onde serão reconhecidos os méritos e valores de pessoas e entidades cujos contributos relevantes para a apicultura nacional se fizeram notar.

O ALMOÇO CONVÍVIO: Este ano terá também um destaque especial, na medida em que pela primeira vez será um almoço organizado e que por isso necessitará de inscrições atempadas:
Restaurante: Clube Náutico - Custo por Pessoa: 12,00€.

Almoço: Sopa + Carne de Porco Preto com Migas + Bebida + Sobremesa + Café

Inscrições até ao dia 19 de Julho de 2014 para o mail: montedomel@gmail.com

A participação nas Jornadas/Colóquio/Workshop não tem custos nem tão pouco necessita de inscrição prévia, a informação anterior refere-se apenas ao Almoço Organizado optativo.

27 maio, 2014

Própolis Verde? uma curiosidade...

Nem o conhecido própolis verde (de Vassourinha) do Brasil é tão verde assim.
As imagens foram enviadas por um apicultor amigo que não conseguiu identificar a fonte da alegada "resina" que terá dado origem a este curioso "própolis".
De facto não se trata de verdadeiro própolis, será certamente qualquer substância sintética com propriedades semelhantes às resinas habitualmente recolhidas e que se encontrava na área de acção das abelhas, tendo sido por isso colectada e utilizada na colmeia.

Não são raros os relatos na bibliografia apícola que alertam para a possibilidade de as abelhas poderem recolher substâncias não naturais para fins semelhantes aos do própolis, pelo menos para calafetar fendas e orifícios da colmeia. 
São vários os exemplos de abelhas que recolhem o alcatrão das estradas nas tardes quentes de Verão, ou mesmo tintas e vernizes obtidas em superfícies pintadas de fresco.
Fica a advertência, sobretudo para os apicultores que optam pela produção e recolha do própolis, para uma avaliação mais cuidada da área de acção das abelhas para evitar surpresas como esta.

21 maio, 2014

Venda de Núcleos

Vendem-se 50 colónias de abelhas em núcleos (5 quadros Reversíveis) 50,00€ + IVA, além da respectiva cera e quadros.
Contactar Fernando Clímaco - Estremoz - 969029282

                                            ...

Aceitam-se encomendas de colónias de abelhas em quadros Reversíveis e Lusitanos, com rainhas de 2014.
Enxames e Núcleos disponíveis a partir de Abril.
Contactar António Sérgio - Torres Vedras - 933160802

04 abril, 2014

Lagar de Cera de S. Marcos da Atabueira - Castro Verde

O LAGAR DE CERA DE S. MARCOS DA ATABUEIRA

Recentemente foram encontradas várias referências a lagares de cera na região. De facto, para além de haver situações de lagares que eram simultaneamente de azeite e de cera, havia nesta região lagares que só trabalhavam a cera.

Um desses lagares situava-se em S. Marcos da Atabueira. A referência mais antiga encontra-se no Annuario Commercial de 1902 onde está, na parte relativa a S. Marcos da Atabueira, na página 1099, a entrada: “Cera com lagar e branqueio (Fabrica de): Bartholomeu Jaldon y Jaldon.” A mesma referência encontra-se ainda na edição de 1906 da mesma publicação, na página 1384, e na página 1909 da edição de 1911. Só tivemos acesso a estas três edições.

O edifício do lagar ainda existe, embora já não tenha qualquer vestígio da sua actividade relacionada com a cera. Encontra-se no limite Noroeste da aldeia e ainda é referido localmente como lagar de cera. Não foi possível encontrar na memória local referências ao seu funcionamento. O edifício, de grandes dimensões e em banda, divide-se em três áreas independentes: uma área central de residência e, no seguimento desta, um casão de arrumos da actividade agrícola.
Adossado e mais baixo, outro casão onde funcionou o lagar de cera. Note-se que, enquanto o casão agrícola tem acesso posterior pela cerca das traseiras, este último casão tem acesso directo da rua, o que parece pressupor uma utilização com entrada e saída frequente de pessoas estranhas ao grupo familiar. Como se disse atrás não tem já qualquer vestígio de estruturas que indiciem a actividade relacionada com a cera, que terá terminado algures nos anos 20 ou 30 do século passado. Foi-nos referido que, numa cerca que se encontra nas traseiras do edifício, haveria umas ruínas de estruturas que estariam relacionadas com o lagar de cera, mas de que já não restam vestígios nem foi possível confirmar.

Salvo algumas raras excepções localizadas no Norte do país, os lagares de cera foram declinando durante a primeira metade do século passado em virtude da diminuição do interesse económico da cera de abelhas.

A zona de Aracelis e de S. Marcos da Atabueira foi, até inícios do século XX e à semelhança de grande parte do Alentejo, uma zona essencialmente de matos, denominados em documentos da época como charneca. Essa charneca era constituída sobretudo por arbustos, de que se destacariam a esteva e outros de menor porte como o rosmaninho.

Estas zonas de mato eram aproveitadas pelas populações locais para um conjunto de actividades como a recolecção de plantas comestíveis, medicinais e aromáticas, de cogumelos e túberas, a caça (bastante abundante, quer de aves quer de mamíferos), a lenha para cozinhar e aquecimento. E também para a apicultura actividade, antes como agora, importante nesta região. Num livro de 1747 refere-se, ao enumerar o conjunto de riquezas naturais da zona de Aracelis: “(…) e muitas cilhas de colmeias, de que recebem grande lucro os moradores”. De facto a apicultura, que já era uma actividade económica importante nessa altura, continuou a sê-lo durante muito tempo: a região baixo-alentejana foi, até finais do séc. XIX – inícios do séc. XX, grande produtora de mel e cera, de que exportava grande quantidade. A água-mel, em contrapartida, destinava-se sobretudo ao consumo local. A apicultura seria uma actividade muito divulgada, em que quase todas as famílias tinham uma pequena quantidade de cortiços, encontrando-se, por isso, a produção pulverizada pelo território.

Enquanto o mel era utilizado sobretudo como adoçante, a cera era um produto bastante valorizado pelas suas utilizações que iam desde a iluminação até ao tratamento e/ou impermeabilização de um conjunto de materiais, nomeadamente tecidos, couros e madeiras. A sua comercialização era feita por indivíduos, sobretudo espanhóis, que percorriam o território comprando a pouca cera que cada apicultor produzia.

 Carlos Pedro
 Castro Verde, Janeiro 2014

07 março, 2014

Macmel Formação - Moldagem de Cera

Macedo de Cavaleiros - Macmel - Formação de Moldagem de Cera - 22 de Março de 2014

Limite de Participantes - 15
Preço - 50,00€ + IVA

09:00 horas - Recepção nas Instalações da Macmel

10:00 horas - Parte Teórica - Introdução à Moldagem da Cera
- Como derreter cera
- Decantação da cera
- Temperaturas
- Métodos de moldagem

12:30 horas - Almoço

13:30 horas - Parte Prática
- Moldagem de cera utilizando várias técnicas

25 fevereiro, 2014

IV APIOCASIÃO Concurso de Mel

IV APIOCASIÃO
Concurso de Mel de Urze e Rosmaninho

Integrado na IV APIOCASIÃO organizada pela MACMEL e realizada em Macedo de Cavaleiros – Capital da Apicultura, a Confraria do Mel em parceria com a UTAD levou a efeito o seu primeiro concurso de mel com as categorias Mel de Rosmaninho e Mel de Urze.

Todos os méis apreciados pelo júri apresentaram características de alta qualidade e a demonstrá-lo estão as pontuações obtidas relativamente próximas.

Os dois tipos de mel a concurso, Rosmaninho e Urze, apesar de oriundos de regiões diferentes de Portugal e Espanha, eram todos bastante característicos das espécies florais em causa, apresentando aromas e paladares muito semelhantes.

Estão de parabéns os produtores portugueses e espanhóis que sujeitaram os seus méis à apreciação do júri, pela elevada qualidade das suas produções e que se encontram disponíveis para comercialização.

Os membros do Júri:
Paulo Russo
Paulo Vilarinho
Francisco Rogão
João Valente
António Pajuelo
André Vaz

Os três primeiros classificados de cada tipo de mel:

Mel de Rosmaninho


1º Lugar – APISVENTURA
2º Lugar – MONTES DO CÔA
3º Lugar – MEL CAROCHINHA

Mel de Urze

1º Lugar – MEL DO BARROSO
2º Lugar – MEL CAROCHINHA
3º Lugar – JOSÉ LUÍS TEIXEIRA

De referir ainda as Menções Honrosas para os seguintes méis:

Mel de Rosmaninho:
Mel Serra de Portel
Mel José Oliveira
Mel da Eira
Mel de Urze:
Mel Monte Alise
Mel Carla Montalegre
Mel Montesino Bragança
Para quem estiver interessado nos méis referidos deve contactar a Confraria do Mel: