01 Março, 2009

Apontamentos: Inseminação Artificial de Rainhas


1. Lupa electrónica.
2. Manipulador esquerdo.
3. Manipulador direito, (com orifício).
4. Seringa do sémen.
5. Tubo de fixação da rainha, ligado à botija de CO2.

Há quatro ou cinco anos atrás frequentei um mini-curso de inseminação artificial de rainhas, no Algarve, nas instalações do Sr. Vicente Furtado.
Não substituindo de modo algum os ensinamentos do Sr. Vicente, nem tão pouco uma visita guiada, vou tentar contar-vos a forma como as “coisas” se processam...

Recolha de Sémen
Começamos por recolher o sémen dos zangãos com a ajuda de uma seringa concebida para o efeito. A “agulha” utilizada é de vidro para que se possam visualizar as doses recolhidas para injectar na rainha.
Na recolha de sémen, seleccionam-se os zangãos mais velhos, ou seja, mais maduros.
Seguram-se pelo abdómen, fazendo uma ligeira pressão até o insecto “projectar” para o exterior uma estrutura constituída pelo pénis e dois ganchos. Em condições naturais esses ganchos servem para “ancorar” o zangão à rainha, durante a transferência do sémen:

São aconselhadas seringas cuja “agulha” tenha graduação, para que se possam quantificar as doses de sémen. A mesma agulha, desinfectada com soro fisiológico, tem a ponta afunilada para entrar na abertura sexual da rainha.
Antes de “apertar” o abdómen do zangão, aspiram-se 3 ou 4 mm de soro fisiológico na agulha (na ponta afunilada) e só depois se recolhe a “gota” de sémen, que surge na extremidade do pénis do zangão. A gota de sémen tem uma cor rosada-alaranjada.

Deve haver todo o cuidado para que o sémen ou o aparelho sexual do zangão não toquem nos nossos dedos, ou noutra superfície que possa estar suja e provocar uma infecção.
Durante esta fase pode ser recolhido sémen a muitos indivíduos, juntando na mesma dose as “gotas” de cerca de sete zangãos. As diversas doses podem ser espaçadas por uma “bolha de ar” para as diferenciar, cada uma servirá para fecundar uma rainha:


Inseminação Artificial
As rainhas virgens, após emergirem do alvéolo real na incubadora, foram colocadas nos nucléolos de estágio uns dias antes, até estarem preparadas para a fecundação.
A próxima figura é uma espécie de “cachimbo” em vidro ou plástico, e serve para capturar a rainha nos quadros com muita facilidade. Coloca-se-lhe a abertura maior por cima, obrigando-a a entrar e a subir pelo tubo. A entrada é depois tapada com uma esponja.
Já no laboratório, retira-se a tampa da extremidade mais estreita e a rainha sai, onde lhe podemos pegar da forma correcta, ou seja, pelo tórax.


A rainha é então “enfiada” de cabeça num tubo, ficando com o abdómen de fora. O tubo foi previamente ligado a uma botija de CO2, Dióxido de Carbono, cujo fluxo a vai manter “adormecida”, de modo a que possa ser manipulada.

O tubo é orientado de forma a que o abdómen da rainha fique virado para cima, com a abertura sexual exposta.
Em seguida, à lupa, e com a ajuda de dois “manipuladores”, abre-se a vagina da rainha:

Como pode ser observado na figura com os dois “manipuladores”, o do lado direito apresenta um orifício onde se enfia o ferrão curvo da rainha.
Trata-se de uma etapa onde é necessária grande precisão: com o manipulador esquerdo na abertura sexual da rainha, “puxa-se” levemente para baixo, de modo que o ferrão faça um movimento para a esquerda. Após várias repetições, e “olho”..., consegue-se enfiar o ferrão curvo no orifício do outro instrumento, e assim dar a melhor exposição à abertura sexual da abelha.


Finalmente, a rainha “adormecida” e imobilizada, fica com a abertura sexual exposta de forma a poder receber o sémen que é injectado com a mesma seringa que serviu para o recolher.


Os movimentos de aproximação e afastamento dos manipuladores ou da seringa, são feitos indirectamente com um dispositivo que evita os movimentos bruscos e que possam danificar a rainha.
Na “injecção” do sémen, é muito fácil reconhecer a vagina da rainha, quando o movimento é bem feito surge-nos uma estrutura em forma triangular que se encontra na base do ferrão curvo.
A introdução da seringa (no triângulo) deve ser feita com o máximo cuidado e até ao nível do ponto “G” da rainha. Perdoem-me, mas não consegui resistir... risquem lá essa do ponto “G”..., mas a introdução deve ser mesmo muito cuidadosa para não inviabilizar a abelha.

No fim, “desmonta-se” tudo pela ordem seguinte:
Retirar a seringa de sémen da abertura sexual.
Retirar os dois manipuladores.
Desligar o fluxo de Dióxido de Carbono e retirar a rainha do tubo.

Normalmente aproveita-se esta fase de “entorpecimento” da abelha para a marcar com tinta, ou com um número colado no tórax.
Só depois de completamente “restabelecida” a rainha regressa ao nucléolo de estágio, onde fica até iniciar e normalizar a postura. Caso não seja “bem recebida” pelas outras abelhas, uma borrifadela de aroma de aniz tornará o processo mais fácil.

8 comentários:

Alien disse...

UMA ADIVINHA,para os mais atentos...

Num desses dias de inseminação artificial, o Vicente Furtado transportava uma rainha entre o apiário de nucléolos e o laboratório.
A dada altura, a meio do percurso, a rainha fugiu, vindo depois a encontrá-la uns bons minutos mais tarde.
A pergunta é: onde foi parar a rainha???
JPifano

Alien disse...

Não estava à espera de tantas respostas...

A rainha virgem escapou-se das mãos do apicultor a meio do percurso entre o apiário de estágio e o laboratório.
Ele foi procurá-la nas imediações do nucléolo de onde a retirou, na esperança de ela aí regressar.
Não a encontrou e regressou ao local onde a "perdeu", na esperança dela estar caída na erva.
Como devem calcular, ela não iniciou o voo nupcial a partir do nucléolo, mas sim a partir das mãos do apicultor no local onde se escapou.
Estava nesse local quando a rainha voltou, e lhe pousou no ombro, regressada do namoro. O Vicente Furtado acabou por não perder nada, o mesmo não se pode dizer da rainha...
JPifano

Mário disse...

lol linda aventura com a rainha... ainda bem que não se perdeu nada.

Pois não sabia que a inseminação artificial era assim tão complicada, e sem laboratório nada feito.

Teremos assim enxames In vitro :)

Abraço
Ferradela

Anónimo disse...

Então, só uma coisa q eu não entendi como q coloca a rainha no tubo sem machucar??

Alien disse...

Olá, boa noite

Creio que se refere ao tubo com fluxo de dióxido de carbono. De facto é uma tarefa muito delicada, mas o tubo tem um diâmetro suficiente para que a rainha fique confortável. Por outro lado, segundos depois de aí colocada ela fica como que "anestesiada" pelo CO2.

Cumprimentos
Joaquim Pifano

Paulo Pereira disse...

Olá Sº Joaquim
Tenho uma Filha que tem o curso de Biotecnologia e ela gostava de tirar uma formação em inseminação artificial de abelhas rainhas.
O Sº sabe algum sitio onde se possa tirar essa formação, (de preferência com diploma)
Mas com experiencia porque já ouvi muita gente a falar, mas com pouca experiencia.
Paulo Pereira
ANADIA

Alien disse...

Olá Paulo Pereira

As imagens e a prática de inseminação artificial a que me refiro ocorreram em Lagos, no Algarve, com o Sr Vicente Furtado
Não conheço no entanto nenhuma instituição em Portugal que faculte tais formações e passe certificado

Joaquim Pifano

Anónimo disse...

ONDE COMPRO TODA INSTRUMENTAÇÃO E EQUIPAMENTOS P/INSEMINAR RAINHAS?
PODE ME ENVIAR A RESPOSTA NO E-MAIL majaaz.ind.com@hotmail.com
att
VLADEMIR MIKULSKI
MAJAAZ APICULTURA