20 julho, 2009

Cuidado com as Vespas Gigantes...

Vespa crabro conservada em álcool.

Outono de 2004, alguns dias depois do Congresso dos Açores e do susto com a “alegada” Aethinose no Alentejo, quando a almejada bonança que vem depois das tempestades era esperada, entra-me um apicultor pela porta dentro a queixar-se de um ataque de vespas às colmeias.
Situação bastante normal, no fim do verão estes ataques são frequentes, lá lhe dei a ensaboadela do costume: se a colmeia estivesse saudável, forte e bem povoada, as vespas não constituiriam problema, etc. etc. etc.
É então que ele me interrompe e coloca um frasco em cima de secretária com as ditas vespas conservadas em álcool. Bem, de vespas aquelas só tinham as cores e a forma, pois quanto ao tamanho não vos conto nada, eram mesmo “gigantes”.

Segundo o relato do apicultor, estes vespões esperavam as abelhas na tábua de voo da colmeia, agarravam-nas sem qualquer luta, dada a desproporção e carregavam-nas em voo para longe. Estes raptos decorriam com grande frequência, dado o vaivém de vespas junto às colmeias.
Mais tarde, outro apicultor da mesma localidade, Torre das Vargens – Ponte de Sor, telefona-me com um relato semelhante, viu abelhas a beberem água na margem de um regato, ouviu um voo ruidoso, surge a vespa gigante e desaparece com uma abelha. Logo surge outro vespão e captura uma vespa de tamanho normal que bebia junto às abelhas (nem estas se escapam...).
Este segundo apicultor encontrou o vespeiro das gigantes, alojado no tronco oco de um Choupo e via-as entrar e sair em grande quantidade, num fluxo tal que era equivalente “a uma colmeia bem povoada em plena Primavera” segundo as palavras dele.

Contaram-me também que um indivíduo dessa localidade foi picado por uma vespa na cabeça, o ferrão perfurou através do chapéu e andou dois dias com dores.
Tendo ficado bastante intrigado com esta série de acontecimentos liguei para um amigo meu, apicultor no Algarve, que me confirmou a existência destes estranhos insectos também naquela região. Segundo ele, as Vespas Gigantes chegavam a capturar as abelhas em pleno voo, pousavam num arbusto decepavam-nas e posteriormente comiam-nas.
Segundo consegui saber mais tarde assim é, de facto, as vespas adultas alimentam-se do néctar transportado no estômago do mel das abelhas, e a parte muscular rica em proteínas é dada como alimento às larvas das vespas, estas sim carnívoras.
No entanto, durante muitos anos com a presença destas vespas, nunca tinha visto tantas e tantos ataques como no ano de 2004, segundo os relatos de diversos apicultores algarvios.
Já no início deste ano recebo uma chamada de um apicultor de Benavila – Avis a queixar-se de um alegado ataque de Vespas anormalmente grandes, que desalojaram as abelhas de um cortiço e aí instalaram o seu ninho.

A “coisa” prometia, pensei eu, deve vir aí uma bronca das grandes.
Resolvi ir visitar o apiário de Benavila para ver o dito vespeiro alojado no cortiço. Mas como era de esperar, em pleno Inverno as vespas coloniais não estão activas, nem sequer formam uma colónia. Durante o Outono morrem, sobrevivendo apenas as fêmeas fecundadas que se escondem em locais abrigados para no fim da Primavera iniciarem nova colónia cada uma.

No cortiço apenas restava o vespeiro, igual a todos os vespeiros das vespas “normais” só que cada alvéolo tinha aproximadamente um centímetro de diâmetro, cabia um dedo lá dentro.

Esta estrutura do tamanho de uma bola de futebol, era feita de “papel”, restos vegetais amassados (madeira podre) e encontrava-se em andares ou camadas interligadas por pilares feitos com a mesma substância. Estes “favos” tal como os das restantes vespas coloniais tinham alvéolos apenas numa das faces e com as aberturas viradas para baixo.

Já não havia qualquer vespa viva ou morta no cortiço.
Já tinha visto outro vespeiro igual a este encontrado por um apicultor da Cunheira – Alter do Chão há três ou quatro anos atrás.
Um amigo meu, a viver na Serra de Portalegre teve também um ninho com estas “simpatias” alojado no interior da casa, mais precisamente dentro da chaminé, quando o vespeiro foi destruído despertou-lhe a atenção o tamanho descomunal da rainha da colónia. Felizmente ninguém da casa foi picado, aparte um susto por outro.
Muitos apicultores, confrontados com a amostra de vespas em álcool alegaram desconhecer estes insectos, apesar de um por outro já as terem visto no passado, afirmando que eram bastante raras.

Ao que parece, o ano de 2004 pode ter reunido diversas condições que potenciaram um bom desenvolvimento e expansão desta espécie, o que não é de modo algum indicativo de que daqui para a frente estas se tornem mais uma praga para a apicultura e provoquem estragos notáveis.
No entanto, e em caso de ataques graves poderemos consultar qualquer “cartilha da apicultura” e montar o ataque:
A saber ...
Carne envenenada próxima das colmeias, mas dentro de uma gaiola onde possam passar as vespas e inacessível aos outros animais. As abelhas também cabem mas são “vegetarianas”. Tenham mesmo muito cuidado com este método, os EUA já têm invadido países por coisas menores...
Se não quiserem usar veneno sempre podem cortar uma garrafa plástica de refrigerante, a dois terços de altura, e encaixarem a parte afunilada com a boca para baixo sobre o “copo” ou seja sobre a base da garrafa. Coloca-se também um atractivo lá dentro, as vespas entram e já não saem.

Há semelhança de tantos outros animais menos queridos pelos apicultores, como os Abelharucos, Ratos, Lagartos, Texugos, Formigas e outros, a Vespa crabro, terá decerto uma importância determinante no equilíbrio ambiental, esse assunto ainda tão obscuro para nós e cujas reacções às acções Humanas por vezes se fazem sentir da forma mais brutal e inesperada.
Importa pois estarmos atentos a tudo o que se passa no apiário e só então agir se tal se tornar necessário, ao invés de avançarmos já com as nossas costumeiras profilaxias exageradas com pesticidas e outros venenos do género, não vá o tiro sair-nos pela culatra.
Não devemos esquecer que as abelhas e os apicultores gozam de muito boa reputação como guardiões da Natureza e do ambiente, convém não perder de vista este sentimento, pelo que respeitar seres vivos que de alguma forma colidam com os nossos interesses ou das nossas explorações só reforçará essa fama que tanto nos tem evidenciado.

A título de curiosidade, esta vespa é alvo de grande admiração e protecção na Alemanha, chegando até a haver quem coloque ninhos artificiais (caixas de madeira) para lhe providenciar alojamentos.

18 comentários:

Mário disse...

Vi um documentário algures sobre esse invertebrado diabólico, realmente tem o seu fascínio, tem um grande grau de resistência, oriundos da Ásia, podem chegar até nos num simples vaso sobre uma planta importado de um desses países, mas para mim tudo o que for anti-apis é para eliminar (dependendo do seu grau de risco e perigosidade)

Anónimo disse...

eu gostaria de matar esses vespões a paulada, com alfinetes e esferovites mas de preferencia equipada claro...
já que matam as abelhas do mel, o mais simples seria atirar-lhes com 3 bombas de fumo para as drogar e em seguida uma boa pontaria de uma granada de mão sobre o vespeiro
os asiáticos que aprendam que aqui no ociente não há inescto que escape, já que eles se lambuzam com a carne dos animais que respeitamos

escolovar disse...

Entrei neste blogue hoje (Maio de 2011) e fiquei muito informado acerca da vida das abelhas. Procurei por «cortiço» e vim aqui parar. A propósito de vespas gigantes, há mais de 25 anos, comiam a fruta doce (pêras, especialmente) lado a lado com as vespas (aquelas mais amarelas e esguias). Também descobri o seu buraco (sito num pinhal). A vida animal é fascinante.

Alien disse...

Olá Escolovar,

Seja bem vindo ao "montedomel".
Fico bastante satisfeito por ter podido ser útil!!!

Um abraço
Joaquim Pifano

Anónimo disse...

Neste momento tenho num curral que está sem ser utilizado como tal, um vespeiro que me impede de utilizar as ferramentas de que preciso. Agradecia alguma ajuda para eliminar o vespeiro que se encontra dentro de um barril. São realmente assustadoras devido ao tamanho e zumbido que avisa a sua presença.A propriedade fica a cerca de cinco km de Grândola.

António Costa disse...

Há cerca de 4 anos tive uma experiencia com vespões gigantes quando andava com a m/ mulher a apanhar uvas. Estavam dentro dum tronco de uma oliveira, São realmente anormais em relação ás vespas normais. Ferram em grande velocidade com um ferrão que têm na parte traseira, chegando a arrancar pele, deixando em carne viva cerca de 2 ou 3 milimetros quadrados. M/ mulher teve de ser assistida no Hospital de Torres Novas onde lhe foi administrado injecões de Tavegyl e Soludacortina,ficando em observação toda a manhâ. Consegui matá-las, ou pelo menos a maior parte com METACIDINE, é um produto muito tóxico, mas acabei por queimar a oliveira com fogo, receando que tivessem ninho na raiz onde o produto não conseguia chegar. Muito cuidado com esses vespões.

Anónimo disse...

estas vespas muitas vezes nidificam mesmo debaixo da terra.

uma vez encontrei um ninho delas com mais de 1,5 M .
apenas tinha um pequeno buraco a vista, que era por onde saiam.

a unica forma de as matar foi regar com oleo e gasolina e pegar o fogo.

outra vez tambem vi outro ninho dentro de um carvalho que era oco,

O processo para as eliminar foi o mesmo.

oblogdopancho disse...

tenho um ninho destas vespas no meu sótão desde há dois anos. no ano passado consegui eliminar uma parte da com uma fogueira e mafu no forro da casa. mas este ano voltaram. como me podem ajudar?

Alien disse...

Olá Pancho

Se elas voltaram é porque terão ficado as estruturas (ninho) que as atrairam. A vespa crabro não passa o Inverno em colónia.
O ideal será mesmo contactar um apicultor da região qua vá ao local bem equipado para que decida sobre a melhor forma de as eliminar e retirar o ninho.
Se o local onde se encontram não oferecer perigo de picadas a ninguém, poderá esperar pelo Inverno, que a colónia colapse e destruir então o ninho vazio...

Joaquim Pifano

Anónimo disse...

Eu tinha um cortico com abelhas estava cheio de mel ate a baixo onte fui ver o cortico e fiquei admirado com o que vi as vespas comeram as abelhas todas e estava a comer o mel,eram tantas como um enxame de abelhas,agarrei no dum dum dos mosquitos e matei mais de 500 vespas que estava dentro do curtiço,acabei então de retirar o mel que ainda pesou 6 kilos.Nunca vi nada assim algem me pode dar uma pista para ver se descubro onde esta o vespreiro

Alien disse...

Olá

Contou-me um apicultor que conseguiu encontrar um desses vespeiros atando um cordão de algodão a uma vespa que atacava as colmeias.
Como o cordão é muito visivel e atrasa o voo da vespa foi facil encontrar o ninho.
Pessoalmente nunca experimentei o método, mas faz sentido...

Joaquim Pifano

pancho disse...

obrigado pela ajuda. realmente elas parecem estar muito menos activas neste período de mais frio. vou tentar descobrir o ninho mas até me tremem as pernas só de pensar no que posso encontrar. com raid azul eliminei cera de oitenta vespas em vários ataques que fiz pelo buraco do cano do esquentador. vou ver se as descubro. abraço

Raquel Weishaupt disse...

Olá estou com um grupo grande de abelhas, não sei o nome, mas são pretas e tem a picada bem dolorida.
E assim, não sei para quem ligar, defesa civil, bombeiros e tal, o que devo fazer, além de evita-las é claro.

Raquel Weishaupt de Godoy disse...

Tenho uma invasão de abelhas pretas, e não sei o que fazer. Não sei para quem devo ligar e tal.

Alien disse...

Olá Raquel

Talvez contactar um apicultor na região, como têm equipamento para se aproximar desse género de insectos, talvez seja a melhor alternativa.
É possivel enviar-me fotos dessas vespas para montedomel@gmail.com ?

Obrigado
Joaquim Pifano

Eduardo Lima disse...

Boa noite
Tenho um ataque de vespas Crabro num apiário. Pensava que não seria grave até ao dia de ontem em que verifiquei que as abelhas se encontravam todas dentro dás colmeias em pleno dia, isto pelo receio dos ataques.
Por esse motivo 3 colmeias estavam já mortas (à fome).
Vou montar armadilhas, mas dado o grande numero de vespas, não sei bem o que fazer.
Alguém tem idéias?
Obrigado

Alien disse...

Olá Eduardo Lima,

O ideal será encontrar o ninho das vespas e eliminá-las.
Suponho que se trata de uma espécie protegida ou perto disso, mas também convém que alguém proteja as abelhas.
Como encontrar o ninho? ou observando a rota de voo das vespas se ele estiver próximo, ou segundo me contaram atando um fio de algodão colorido (e comprido) a uma delas e assim seguir a sua rota mais facilmente.
Oxalá que resolva o problema!

Joaquim Pifano

Eduardo Lima disse...

Muito obrigado
Tenho tentado seguir a rota, mas sem sucesso.
Vou tentar a técnica do fio.

Um abraço
E mais uma vez obrigado

Eduado Lima