07 julho, 2010

Metrosideros excelsa, uma “invasora” bem vinda…

Os Metrosíderos são árvores cujo nome vulgar deriva directamente da designação científica do género, Metrosideros estabelecido por Joseph Banks (1743-1820) naturalista inglês e grande mecenas da ciência que participou na primeira viagem de James Cook ao Sul do Pacífico a bordo do Endeavour, considerada a primeira expedição dedicada a fins exclusivamente científicos.
A designação, aponta a uma das principais características destas árvores (e arbustos). A dureza da sua madeira, semelhante ao ferro - sideros, em grego; com o primeiro elemento do nome - metro, do grego metra (útero) a transmitir a ideia de meio, interior, excelsa, do latim excelsus-a-um = alto, pelo porte que alcança.

Os Metrosíderos pertencem à extensa família das Mirtáceas, onde igualmente se incluem os eucaliptos, as murtas, etc. Há cerca de 20 espécies de Metrosíderos, onze das quais são originárias da Nova Zelândia. Em Portugal os mais comuns são os Metrosideros excelsa, sendo este último termo, referente à espécie, indicativo do porte que a árvore pode atingir em plena maturidade: acima dos 20 metros de altura, com copas de mais de 30 metros de diâmetro.
A designação sinónima de Metrosideros tomentosa que esta espécie ainda assume em alguma literatura, refere-se à característica lanugem branca que recobre a página inferior das folhas.
Na Nova Zelândia estas árvores são conhecidas pelo seu nome indígena, neste caso "pohutukawa", o que significa em linguagen maori, "salpicada pelo mar". Em Portugal são conhecidas simplesmente por Metrosídero ou árvore do fogo.

A sua distribuição no arquipélago dos Açores ocorre em todas ilhas excepto no Corvo. São muito resistentes à salinidade por isso são também utilizados nos Açores como sebes vivas, nomeadamente para protecção de bananais e pomares tendo no entanto uma desvantagem: crescimento demasiado lento e muito consumidoras de água e nutrientes. Devido à lentidão do seu crescimento, os fruticultores optam por espécies menos esgotantes como é o caso das Banksias e pelo Incenso (Pittosporum undulatum Vent) também originário da Oceânia mas das áreas húmidas da costa oriental da Austrália.

A espectacular floração produzida pelas inflorescências destas árvores ocorre, nos Açores, desde Maio até início de Julho. Como curiosidade a cor vermelha das flores, por ser semelhante ao azevinho, levou os primeiros colonizadores a utilizarem ramos desta árvores para enfeitarem as suas casas no Natal, sendo que na Nova Zelândia esta árvore é também conhecida por “árvore do Natal” e noutros países por “árvore de Natal da Nova Zelândia".


Estas árvores, apesar de ameaçadas em certas zonas do seu país de origem, são consideradas invasoras noutros países, como é o caso de Portugal – Açores, à semelhança do Incenso.
Observando um Metrosídero em plena floração e num dia de sol radioso ficamos com a plena sensação de que existe um enxame à volta da copa da árvore. Mas não é um enxame. São quantidades incomensuráveis de abelhas à procura de néctar e pólen que existem em grande abundância nas inflorescências do Metrosídero.

Numa breve passagem pelas ruas e avenidas ajardinadas de Angra do Heroísmo, tal como em contextos mais rurais, é notória a importância do Metrosideros. Espécie cada vez mais apreciada pelos apicultores face aos incrementos que induz na produção de mel.

Estames de flores já fecundadas caídos na calçada:

Senão vejam-se alguns números referentes ao Metrosideros excelsa, segundo Schmidt-Adam, 1999 ( http://hdl.handle.net/2292/1102 ):
- Cada inflorescência possui cerca de 14,3 flores hermafroditas que ficam abertas durante sete dias.

- Cada flor produz cerca de 45 microlitros de néctar por dia, néctar com 18% (peso/volume) de sacarose.

No país de origem (Nova Zelândia) são polinizados sobretudo por aves da família Meliphagidae e por algumas espécies de abelhas selvagens.

Apesar do design floral ser muito consistente com a auto-fecundação (Schmidt-Adam, 1999) é fácil perceber o interesse da Apis mellifera pela enorme quantidade de néctar disponibilizada nos nectários. As quantidades de néctar tal como outras características parecem no entanto demonstrar que os polinizadores naturais mais importantes são de facto as referidas aves e não os insectos:

1. Dimensão dos estames, o que torna demasiado longa a distância (para uma abelha) entre as anteras (onde se encontra o pólen) e o nectário, que atrai as abelhas. Supostamente, (e na maioria das espécies polinizadas por abelhas) o design da flor deve fazer com que o corpo da abelha roce pelos grãos de pólen quando acede aos nectários, o que aqui nem sempre se verifica.

2. Dimensão “gigantesca” dos nectários, com produções de néctar proporcionais. Obviamente que se fosse para atrair insectos não havia necessidade por parte da planta para tamanho investimento na disponibilização de néctar.

Tais quantidades são mais compatíveis com animais de maiores dimensões, como as aves.

3. Cor predominante das flores. Não são as pétalas as responsáveis pela cor da flor do Metrosideros, mas sim os estames. De qualquer forma, o vermelho é uma cor que atrai sobretudo as aves e não os insectos. Estes são mais atraídos pela cor azul, amarela e branca, como podem confirmar com a maioria das plantas melíferas da nossa flora.

Estes argumentos não servem de modo algum para desvalorizar tal espécie como excelente produtora de néctar, antes pelo contrário, não havendo polinizadores naturais no arquipélago dos Açores, as abelhas cumprem com agrado essa tarefa. As quantidades de néctar que satisfazem uma única ave, hão-de satisfazer decerto umas largas dezenas (ou centenas?) de abelhas…

Face ao “ódio” que determinados arquitectos paisagistas têm votado a algumas espécies ornamentais, por razões como a alergia aos pólenes, folhas caídas na calçada, entre outros actos de “terrorismo vegetal”, fica a proposta para a utilização geral do Metrosideros. Como é de crescimento lento decerto nunca será uma infestante descontrolada, as folhas são perenes tornando desnecessário contratar jardineiros suplementares. Para nós “abelheiros”, será sem dúvida mais uma importante fonte de néctar, ainda por cima num período considerado de carência em quase todo o país: meados de Maio a princípios de Julho.

Nos Açores, onde já é considerada uma importante espécie melífera, não se produz no entanto qualquer mel monofloral de Metrosideros, sobretudo por razões de maneio apícola. Esta floração surge pouco antes da cresta do Incenso (Pittosporum undulatum Vent.) pelo que se torna difícil separar os méis.
De assinalar o caso da Ilha do Pico, onde muitos apicultores já fazem a cresta do Incenso em Abril/Maio.
Quanto mais tarde se faz a primeira cresta, maior a quantidade de néctar de Metrosideros acumulada ao de Incenso, e consequentemente mais escuro se torna o mel.
Por outro lado, a “concorrência” das imensas variedades de trevo dos prados também dificulta a obtenção de monoflorais da espécie em causa. Fica no entanto a proposta para que se marquem alças e se separem os quadros pela cor, em locais sem trevo, talvez assim se consiga valorizar ainda mais o Metrosideros

Curiosa a forma como estas árvores são tratadas na Ilha de S. Jorge, onde a poda de tão elaborada mais lembra uma tosquia... mais um ponto para a versatilidade do Metrosideros, que não dispensa a ida ao cabeleireiro para uma conveniente recepção às abelhas!!!

António Marques - FRUTERCOOP
Joaquim Pifano - ADERAVIS

31 comentários:

sergio_apic disse...

Interessantes as características apícolas desta árvore.
"Cada flor produz cerca de 45 microlitros de néctar por dia, néctar com 18% (peso/volume) de sacarose". 18% de sacarose é muito é pouco? Cristaliza rápido ou lentamente? Já agora aquando da visita era notório algum "perfume" no ar que esta árvore produzisse?

Obrigado, Sérgio

montedomel disse...

Olá Sérgio,

Olha, eu acho que o volume de néctar é bastante (até a olho nu), quanto à percentagem de sacarose também me parece boa.
Quanto à cristalização, como dizemos no texto, não é fácil obter um monofloral de "Metrosideros", pelo que será melhor aguardarmos pela resposta do Eng.º António Marques dada a sua experiência com esta floração e o respectivo néctar.
Pessoalmente, e durante o tempo que permaneci junto a estas árvores não me apercebi de qualquer perfume forte que as caracterizasse.
Vi sim grande quantidade de abelhas a aceder às flores o que se justifica com tais quantidades de néctar disponibilizadas e a facilidade de acesso a tão grandes nectários.
O objectivo deste artigo (entre outros) prende-se com a tentativa de sensibilização dos apicultores e (jardineiros?) para a possível utilização desta ornamental, face à sua utilidade apícola e aparente ausência de risco de se tornar uma infestante descontrolada...

Abraços
Joaquim Pifano

galileu disse...

Olá, Sérgio

Quanto à produção de néctar/dia e à informação sobre a percentagem de sacarose, baseámo-nos na bibliografia consultada que supomos ser fidedigna - Schmidt-Adam.
No entanto parece-me que 18% de sacarose não é pouco uma vez que o néctar em traços gerais é uma mistura de açúcares (20%) com água (80%). Suponho que é esta percentagem que o autor refere e não a percentagem da sacarose relativamente aos outros açúcares. Essa sim, teria de ser muito maior.
Relativamente à cristalização, não é possível dar uma resposta concreta uma vez que não se faz monofloral, até porque o número de plantas por metro quadrado da espécie não seria suficiente para tal. Por outro lado , uma vez que não existe monofloridade não podemos saber ao certo as percentagens de frutose e glucose no sentido de aferirmos a cristalização.
Por outro lado, podemos sempre fazer uma comparação ao rosmaninho dada a quantidade de néctar que é produzido num curto espaço de tempo. Se assim for, elas não vão conseguir inverter tão bem a sacarose e teríamos -num hipotético monofloral de Metrosídero - valores elevados deste açúcar.
Quando ao "perfume" faço minhas as palavras do Dr. Pífano.

António Marques

Apisarte disse...

A primeira vez que vi esta arvore superpovoada por abelhas, perguntei qual o nome da arvore ou flor, à santa da minha sogra e obtive a seguinte resposta:
- Lava garrafas! Hehe
O jardineiro chamava-lhe “arvore de fogo”!
Agora os amigos dizem que é um “Metrosídero”,.... que raio de nome!
Mas as abelhas pouco se importam com aquilo que a gente lhes chama, o que lhes interessa é o seu néctar!
Se alguém souber a resposta, para o melhor método de propagação?
Cumprimentos
cp

Anónimo disse...

O "ódio" a que se refere dos Arquitectos Paisagistas, não vêm directamente da parte deles. Mas sim, das pessoas que se queixam a eles!! Acha realmente que têm os problemas que referiu? É lamentável o sentido que lhe está a dar, pois eles são responsáveis pela introdução de grandes quantidades de espécies vegetais que são benéficas para as nossas abelhas, devíamos estar do lado deles e não contra eles!! É bom pensarmos no porquê das coisas e não mandar cartas para o ar..

Alien disse...

Caro “anónimo”,

Antes de mais o meu muito obrigado pela sua participação.

O “ódio votado a algumas espécies vegetais” a que me refiro no texto, é notório em “alguns” Arquitectos Paisagistas, de modo algum o estou a generalizar à classe, grupo que de facto muito admiro.

Não “mandei cartas para o ar”, se o disse foi porque em 40 anos já vi abater tantas (demasiadas) árvores em espaços públicos e privados sem mais razões do que aquelas que escrevi no post… e olhe que por vezes se tratam de verdadeiros monumentos vegetais, com décadas (ou séculos?) de existência.
Em menos de um ano vi transformar um parque infantil na minha terra natal, com plátanos e com solo, numa abstracção metálica com pavimentos de cerâmica que decerto há-de causar pesadelos a quem dele tente desfrutar.

Agradeço a introdução (pelos Arquitectos Paisagistas) de espécies vegetais benéficas às abelhas, não posso é deixar de lamentar a permeabilidade dos mesmos face a “queixas” com tão pouco fundamento…

Com tal argumento fica a sensação que a prestação de um arquitecto paisagista ou de um lenhador não faz grande diferença!

Um grande abraço
Joaquim Pifano

Mário disse...

Amigo Pífano, lá que é uma árvore bonita, lá isso é, com umas cores vivas e aguerridas, dignas da sua pose de ostentar respeito, rica em néctar e tal... Desconhecia a sua proveniência, embora já as tenha visto em certos jardins, nunca tive a oportunidade de ver uma única abelha pousada. Por vezes o abate de árvores é devido ao seu porte, pois pode ameaçar a integridade física de pessoas ou bens, contudo é sempre uma pena assistir a tais perdas.
Estou a ver que a visita aos Açores rendeu bastantes pormenores :)

Abraço
Ferradela

Alien disse...

Olá Mário,

Essa "adoração" pelas flores escarlates é mesmo apícola ou também chega à clubistica?
:-) :-) :-)

Abraços
Pifano

sergio_apic disse...

Agradeço as respostas do Joaquim Pifano e do Engº António Marques, não sou propriamente um jardineiro ou plantador de árvores exemplar, mas já será mais uma árvore a considerar quando um dia me fizer à enxada aqui por casa ou nos apiários. São tantas as vezes em que vou no carro e ao passar em alguns locais olho e de imediato penso para comigo "isto dava aqui um grande jardim apicola" por exemplo nas auto-estradas.

ATITUDE disse...

Olá CP (Apisarte)

A melhor forma de propagação que conheço é por semente. No entanto vou esclarecer melhor essa situação junto dos Serviços Florestais e depois digo-lhe qualquer coisa.
Entretanto vou recolher sementes e envio para quem quiser.

Cump.

António Marques

leerson disse...

como sempre outra otima materia do monte do mel. sou gaúcho e moro no interior do rio grande do sul, comecei com apicultura em 2009 e graças a Deus ja tive bons resultados, sempre fui muito curioso e aplico isto na apicultura. tenho uma pequena propriedade, da qual mesclo a pecuaria com a apicultura. com certesa futuramente vou passar minhas experiencias para os internautas do monte do mel, so dependo de mais resultados. gostaria de saber como eu poderia conseguir mudas ou sementes desta metrosideros? aparentemente sao resistentes ao frio, estou correto? haveria algum problema de adaptaçao dela no clima temperado do rio grande do sul? abraçao a todos.

Apisarte disse...

Olá António Marques,
As sementes são as protuberâncias que ficam nos ramos?
Tenho uma de porte médio, talvez a vá podar e sempre dá para tirar umas estacas para propagação. Devo dizer que para planta invasora é bem bonita! Melhor que as silvas misturadas com chopos, eucaliptos e cerejeiras em terras que outrora eram de cultivo junto ao rio Vouga!
Cumprimentos
Carlos Pimenta

Alien disse...

Olá Leerson,

Fico muito satisfeito que o Montedomel tenha dado alguma ajuda na sua actividade.
Já sabe que ficamos todos na expectativa de saber como é a sua experiência com a apicultura no Rio Grande do Sul.
Os Metrosideros abundam sobretudo nas Ilhas dos Açores (não em Portugal continental, onde eu vivo), vamos portanto aguardar pela resposta do Eng António Marques às suas questões e do amigo Carlos Pimenta.
Se precisar de me contactar pessoalmente o meu E.mail:

montedomel@gmail.com

Abraços

JPifano

ATITUDE disse...

Olá Carlos Pimenta

As protuberâncias nos ramos são raízes aéreas.
Sem que também fazem propagação por estacaria mas tem de ser no Outono quando começam as chuvas.Acho que é de experimentar.
Em que local é que tem o metrosídero de porte médio?
Vou para Vila Real no dia 23 e vou ver se levo duas ou três árvores enraízadas para oferecer.Entretanto quando houver sementes com abundância vamos invadir Portugal inteiro com metrosíderos :).

António Marques

Apisarte disse...

Olá António Marques,
As árvores encontram-se no jardim da casa da minha sogra!
Enviei fotos ao JPifano das raízes aéreas (protuberâncias).
Um abraço

AB disse...

Olá Apisarte,

quer-me parecer que o amigo Carlos Pimenta está a confundir esta árvore com o arbusto Callistemon.

As flores do lava garrafas têm algumas «parecências» e as sementes do são com diz.

Um abraço.
AB

Apisarte disse...

Caros Amigos,
Atendendo ao que eu encontrei http://www.arthurleej.com/p-o-m-June09.html e Metrosideros glauca ---Callistemon speciosus http://www.ars-grin.gov/cgi-bin/npgs/html/taxon.pl?401795 leva-me a pensar que podem ter muito em comum.
A realçar que nada percebo de Taxonomia Vegetal.
Mas pela descrição da planta pelo JP e pelo que vejo á seis anos, insectos de vários tipos, a conviverem na mesma flor, acho-a fora do vulgar.
Consegue reunir presas e predadores na mesma flor!
Cumprimentos
cp

Anónimo disse...

Boa noite, o metrosidero excelsa não é o limpa garrafas, o que vulgarmente é designado de limpa garrafas é o Callistemon rigidus, arbusto ornamental que também é muito procurado pelas abelhas, pelo menos aqui no minho

Manuel Oliveira disse...

Boa tarde. Realmente os metrosideros sao uma arvore fantastica. Comocei este ano com a plantacao de 3 dessas arvores. Gostaria de saber no enanto como se identifica a semente?

Eco-Escolas disse...

Boa Noite
Suponho que as sementes são umas partículas pequeninas que estão no interior dos botões.
Nos açores nascem espontaneamente e são apanhadas pequeninas. Não é hábito fazer sementeira.

Cumprimentos

Pedro Mendonça disse...

Efectivamente lava-garrafas não é o Metrosídero. É o arbusto Callistemon sim, mas ambos são da mesma família: Mirtáceas.
Ambos têm florações abundantes muito ricas em néctar.

Aqui no distrito do Porto é muito frequente ver-se Callistemons em jardins privados e Metrosíderos nalgumas ruas e parques públicos.
A orla marítima desde a Foz a Matosinhos, é por alguns chamada a avenida dos Metrosíderos, já muito antigos (plantados em 1914) e quando floridos, é um espetáculo de vermelho vivo.
Muitos jardins públicos possuem exemplares de enormes proporções e no Parque da Cidade são usados como arbustos (como árvores basta podar os ramos baixos) para protecção dos ventos fortes e para constituirem abrigos para as aves e coelhos que lá habitam.
Também em Leça da Palmeira, algumas grandes avenidas estão a ser decoradas com esta espécie e o seu crescimento, apesar de lento, não é assim tão lento que deva desanimar o apicultor que pretenda ser mais pro activo em questões de flora nos seus apiários...Ao fim de 10 anos após a plantação, já o porte é considerável e a copa bastante densa e carregada de flor.

Por curiosidade, pelo menos no Parque da Cidade do Porto, existe outra espécie com flores em tudo semelhantes às do Metrosídero e do Callistemon. É o eucalipto de flores vermelhas (Eucalyptus ptychocarpa ou ), ou Corymbia ficifolia(nome de rebaptismo na década de 90).
É também uma mirtácea e, também como as anteriormente referidas, apresenta flores de vermelho garrido e estames longos. Floresce durante o Verão, assim como as outras.

A propósito da árvore do incenso dos Açores (Pittosporum undulatum), além dessa, existem tal como nas mirtáceas, as suas "primas" e que são cada vez mais usadas como ornamentais.

Destaco o Pitósporo (Pittosporum crassifolium), de flores vermelhas e o Pitósporo da china (Pittosporum crassifolium), com mesmo muito néctar. E o cheiro que esta última exala é fantástico.

Como as épocas de floração das diferentes espécies da mesma família podem ser ligeiramente diferentes, a plantação ou sementeira de uma variedade muito grande, com diferentes espécies de uma mesma família pode ajudar a aumentar o período de floração de um tipo de néctar...no limite, teoricamente seria possível obter-se monoflorais de espécies até agora nunca experimentadas.

Sabina Silva disse...

Tenho 2 , simplesmente em vaso e não florescem..............
Comprei no Horto do Campo Grande e lé disseram para eu não deixar desenvolver todos os rebentos.
Será?

Eco-Escolas disse...

Bom dia

Pois em vaso é complicado uma vez que se trata de uma árvore de grande porte (acima dos 20 m de altura e com copas de mais de 30 m de diâmetro.
Mesmo em condições extremas conseguem florir apesar de não crescerem, por isso acho estranho não terem dado flor.
Quando lhe disseram para não deixar desenvolver todos os rebentos provavelmente transmitiu ao florista que iria manter a planta em vaso e assim poderia controlar o seu desenvolvimento.
O melhor seria passar a planta para o jardim e assim poderia usufruir de toda a sua beleza.

António Marques

Vanessa Sequeira disse...

Boa Noite,

Desde já os Parabéns pelo Blog.
Eu queria semear metrosideros para que possam ornamentar a minha propriedade, mas necessito de muita quantidade, assim, pensei em semear, pois as mudas são caras... mas não consigo identificar a semente.
Será que me pode ajudar?!

Cordialmente,

Vanessa Sequeira

Eco-Escolas disse...

Boa Noite D. Vanessa

Vou tentar ver se é possível arranjar sementes.
Qual é a zona do país onde pretende semear?

Cpts

António Marques

aral disse...

Como sempre os "posts" do amigo Pífano são de grande ajuda. Muito obrigada.
Gostaria de saber se possível ao fim de quantos anos os metrosideros começam a florir.
Já agora quantos deveriam plantar-se para dar algum efeito útil.
Um abraço
Felismina dulce

Eco-Escolas disse...

Boa tarde

O Meterosídero é uma planta de crescimento lento. Pode começar a florir ao fim de 3 anos dependendo das condições edafo-climáticas da região/zona onde foram plantados.
Não sei se percebi qual o efeito útil que refere (?) No entanto bastará uma única árvore, como pode observar pelas fotografias apresentadas, para que se crie um efeito de rara beleza.
São árvores de grande porte e normalmente utilizadas para embelezar avenidas e ruas. Pode perfeitamente ser utilizado em marginais dada a sua forte resistência à salinidade e a ambientes hostis.

aral disse...

Obrigado pela resposta o efeito a que me referia era o de ser util para as abelhas. Tambem tinha interesse em saber se são mais ou menos faceis de arder nos incêndios do que o eucalipto . Obrigada
Dulce

Eco-Escolas disse...

Bom dia.
É uma flor muito atrativa para as abelhas. Basta olharmos para uma árvore em plena floração e o número de abelhas que se encontra a recolher néctar é fora do normal. O mel produzido tem um tom vermelho-acastanhado e pela experiência que tenho forma cristais prematuramente o que por vezes dificulta a decantação do mel.
Quanto aos incêndios, não faço ideia porque na ilha Terceira os incêndios não são habituais ou melhor dizendo não existem. Mas presumo que no mês de agosto, numa região continental seja um bom combustível.

Anónimo disse...

o meu metrosidero ja tem mais de 8 anos e nao dá flor, está no jardim, gostava de saber se será por falta de algo. Não deve ser do clima porque cá temos muitas avenidas com eles floridos.

Eco-Escolas disse...

Bom dia

Não é uma situação normal, pelo menos por estes lados. Como refere, na sua zona existem muitas plantas destas onde não ocorre o mesmo problema. No entanto não conheço as condições edafo-climáticas da sua região e designadamente do local onde tem a árvore. Existem vários fatores que induzem a floração e podem ser endógenos ou exógenos. Dentro dos endógenos podíamos referir a questão nutricional; apesar desta árvore não ser de muitas exigências o solo onde foi instalada poderá não corresponder às exigências nutricionais da planta. Por outro lado o espaço para desenvolvimento do sistema radicular pode não ser o mais adequado (?). Quanto aos fatores exógenos penso que serão semelhantes aos dos locais onde estão instalados os outros meterosíderos uma vez que referiru que "cá tem muitas avenidas com eles floridos". Dos fatores exógenos podemos destacar o fotoperíodo, a disponibilidade de água (pode não ser a mesma) e a temperatura.