08 outubro, 2013
04 outubro, 2013
Eventos Apícolas no Alentejo: Montemor-o-Novo e Moura
Há já vários anos que no fim do
Verão, juntamente com a Luísa e o Gardete, rumamos a Montemor-o-Novo e a Moura,
para participarmos como júris nos respectivos Concursos de Mel.
Desde há muitas décadas que os
apicultores do Alentejo produzem alguns dos melhores méis de rosmaninho,
meladas e multiflorais, sem que o produto do seu labor chegasse à luz da
ribalta. Só recentemente com as parcerias entre municípios e associações de apicultores
se tem reconhecido e promovido o mel destas regiões.
Começaram com modestos concursos
de mel, poucos participantes, poucos apicultores e respectivas amostras,
seguiram-se as feiras e exposições, os colóquios e tantas outras iniciativas
que culminaram em autênticas festas em redor do mel, das abelhas e da
apicultura. Hoje contam-se em largas dezenas o número de lotes de mel que
concorrem aos primeiros lugares, cada vez mais apurados, cada vez mais difíceis
de distinguir tal não é o estado de perfeição a que os apicultores têm levado
estes produtos gourmet.
Foram inúmeras as vezes em que se
nos depararam na mesa de provas mais de uma dezena de méis em que todos
mereciam a nota máxima, impossíveis de distinguir, onde foi preciso recorrer a imperceptíveis
nuances de aroma, cor ou sabor, autênticos preciosismos, para escolher os
vencedores.
Mas é esse o principal objectivo dos
concursos de mel e das entidades que os organizam, estimular os apicultores a
melhorarem até ao limite as técnicas e condições de produção de modo a que
embalem autênticas maravilhas gastronómicas.
Actualmente os méis do Alentejo
já figuram entre os principais pólos de desenvolvimento e motivos de orgulho
desta região. Os apicultores e as abelhas já são reconhecidos com carinho pelo
desenvolvimento económico, social e ambiental incrementado pela sua actividade.
Vale a pena calcorrear tantos quilómetros para reencontrar cores, aromas e
sabores que sempre nos surpreendem, ouvir novas e velhas histórias com que os
apicultores nos brindam acerca das suas actividades solitárias nas encostas,
vales e planícies desta região.
XV Concurso de Mel de Montemor-o-Novo – Feira da Luz, Expomor 31/08/2013
De louvar esta iniciativa
partilhada entre a Montemormel e o Município de Montemor-o-Novo e que já viu
cumprida a sua 15ª edição. 24 amostras
de Mel de Rosmaninho e 38 de Mel
Multifloral, sendo os primeiros lugares de cada categoria:
Mel de Rosmaninho
1º Lugar: José Mendes Caeiro - Monsaraz (Reguengos de Monsaraz)
2º Lugar: Maria de Fátima Trejeira - Santa Susana (Alcácer do Sal)
3º Lugar: Paulo Pirata - Montemor-o-Novo (Montemor-o-Novo)
Mel Multifloral
1º Lugar: Jacinto Rodrigo - Coruche (Coruche)
2º Lugar: João Santos - Mora (Mora)
3º Lugar: Mihai Marcel Zai - Canha (Montemor-o-Novo)
De referir ainda o colóquio que
sempre ocorre a seguir ao concurso de mel e ao almoço convívio, onde os
oradores abordaram temas como: Conservação de Ceras, Contabilidade na
Apicultura, Créditos à Agricultura e Mel e Apicultura.
XX Concurso de Méis da Região de Moura 14/09/2013
Iniciativa do Município de Moura
em parceria com a associação de apicultores local, a Apivale, e que viu este
ano cumprida a 20ª edição. Sem duvida um evento que demonstra o carinho com que
esta autarquia tem brindado a apicultura e os apicultores da região.
22 amostras de Mel Multifloral, mais 27 de Mel de Rosmaninho, cujos primeiros
lugares couberam a:
Mel de Rosmaninho
1º Lugar: Mel Serra de Portel - Portel (Portel)
2º Lugar: Apiserpa - Serpa (Serpa)
3º Lugar: José Maria Lacão - Santana (Portel)
Mel Multifloral
1º Lugar: António Monteiro Tereno - Amareleja (Moura)
2º Lugar: Torcato José Bento - Moura (Moura)
3º Lugar: José Quitéria Mestre - Safara (Moura)
Expositor de méis da região, patente no stand da Apivale.
Também em Moura um dos pontos
altos da “festa da apicultura” é o almoço convívio oferecido pela autarquia aos
apicultores, onde os petiscos regionais, mesmo depois das dezenas de colheradas
de mel que ingerimos no concurso, se insinuam de tal forma que muito haveria
para contar sobre o tema. E contarei mesmo, ficam também os parabéns ao
restaurante “O Celeiro”, e em particular a uma conserva de pedaços de queijo de
ovelha em azeite, aromatizado com especiarias…
Na parte da tarde ainda houve uma palestra sobre a Criação de Rainhas, apresentada pela Eng.ª Dulce Alves.
Na parte da tarde ainda houve uma palestra sobre a Criação de Rainhas, apresentada pela Eng.ª Dulce Alves.
Apicultores da Serra de Portel, com muitos prémios no palmarés, uma grande variedade de produtos da colmeia, com o destaque especial para o Pão de Abelha que já provei e gostei bastante.
Produtos da colmeia no stand da Apivale.
03 outubro, 2013
Filatelia Apícola em Portugal Continental
Depois da emissão de selos apícolas das regiões autónomas da Madeira e dos Açores, surgem finalmente os selos de Portugal Continental.
É um orgulho para os apicultores portugueses verem a sua actividade homenageada pelos CTT.
Imagens enviadas pelo amigo Hélder Luís Lucas.
01 outubro, 2013
Secador Solar de Pólen?
Talvez o título seja ambicioso,
por isso lhe coloquei a interrogação. Mas também é possível que resulte e do
que me lembro das leis da Física talvez possa mesmo funcionar e ser útil.
A ideia ocorreu-me há uns anos
atrás, só não a coloquei em prática graças à minha destreza manual demasiado
sofrível para a marcenaria. Mais tarde acabei por encontrar uns quantos
utensílios semelhantes na net, vocacionados para secar ervas, frutos e
vegetais. Se por um lado perdi o pioneirismo da ideia, por outro regozijei-me
com o facto de ela não ser assim tão destituída de sentido.
Para isso baseei-me nas leis da
Física que dizem que quando um determinado fluido é aquecido, essa porção de ar
ou água tende a subir, perdendo calor, até ficar suficientemente fria e densa tornando
a descer. Temos então um fluxo de ar ou água a deslocar-se em dois sentidos
(ascendente, quando aquecido e descendente quando arrefece).
Veja-se por exemplo o que sucede
quando colocamos um recipiente com água sobre uma fonte de calor:
A água aquecida vai subir sobre o
ponto onde é aplicada fonte de calor (neste caso ao centro), vai até à
superfície onde arrefece e volta a descer nas extremidades.
Com o ar (atmosfera) sucede
exactamente a mesma coisa, ou seja, se aquecermos uma câmara inclinada, o ar
quente vai dirigir-se para o ponto mais alto e se tiver uma abertura escapa-se
continuando a subir. É precisamente este aspecto que nos interessa, a corrente
ascendente de ar quente e seco, onde podemos aproveitar trabalho útil deste
fenómeno.
O pólen da nossa produção é colocado no percurso dessa corrente ascendente de ar quente,
para que lhe seja removida a humidade em excesso tornando-o armazenável sem
riscos de se deteriorar.
A base deste equipamento poderá
ser algo muito semelhante a um cerificador solar, também inclinado, com uma
entrada de ar na parte inferior e uma saída na parte superior. Desenhei uma
base rectangular e outra trapezoidal que me parece ser mais estável, não sei se
tal se justifica:
A corrente de ar aquecida pode
assim ser direccionada da base para uma torre onde se sobreponham vários
tabuleiros (gavetas) com fundo em rede e que permitam a passagem do ar aquecido
entre os grãos de pólen.
Esse fluxo de ar quente vai gradualmente removendo a atmosfera humedecida, desidratando o pólen até este ficar armazenável.
As dúvidas…
Se por um lado tenho quase a
certeza que o ar aquecido pelo Sol vai subir pela torre onde se encontra o
pólen, por outro não sei se devido à torre ser bastante larga (para colocar os
tabuleiros) o fluxo de ar não tenha intensidade suficiente para que o seu
efeito seja notório.
Tenho essa dúvida porque há outra lei da Física (será do
Arquímedes?) relacionada com a passagem de um fluido por um espaço com uma
determinada secção e que acontece a uma determinada velocidade. Se diminuirmos
a secção, para passar a mesma quantidade de fluido por unidade de tempo, a
velocidade do mesmo terá de aumentar. Sendo o recíproco também verdade.
De qualquer forma também não é
possível fazer uma torre muito estreita onde não caibam os tabuleiros…
De qualquer forma, as dimensões (que
não assinalei), poderão ser calculadas como se a “torre” fosse feita por uma
pilha de 5 ou 6 alças, até porque a ideia inicial partiu de algo semelhante,
aproveitando-se esses equipamentos da apicultura.
A vantagem deste método face à
simples exposição dos tabuleiros com pólen à atmosfera, é que o processo é
francamente acelerado e com muito mais rendimento mesmo em estações menos
quentes, como na Primavera. Também este processo não traz quaisquer custos em
termos energéticos.
Gostava que alguém com destreza
manual suficiente construísse um destes secadores solares e partilhasse
connosco a experiência. Afasto desde já a (i)responsabilidade para o caso do
equipamento não funcionar (depois do dinheiro e tempo investido), pois como
disse no início não passa de uma ideia que me ocorreu e que complementei com
outros casos que encontrei na net, apesar de nunca ter visto nenhum ao vivo.
Curiosamente o nosso amigo
Ricardo Pinto, ele sim com uma habilidade invejável para a marcenaria,
construiu algo semelhante, é certo que de uma forma muito rudimentar, com objectivos
meramente experimentais e que segundo o próprio terá resultado, necessitando no
entanto de alguns ajustes e melhoramentos.
Como podem ver nas próximas
imagens, a abordagem algo minimalista do Ricardo Pinto contou com uma base
pequena, um tabuleiro de madeira, que cobriu com plástico para formar a câmara
de ar e aplicou-lhe um corpo de colmeia a um dos cantos, que funcionou como
torre onde se coloca o pólen a secar.
Também esta base tem uma entrada
de ar (assinalada na imagem).
10 setembro, 2013
Secagem Natural do Pólen
Ainda me recordo da primeira vez que fui com o meu pai à pesca, teria uns seis ou sete anos nesse tempo. Uma cana-da-índia, com um molinete rudimentar e minutos depois tinha o meu primeiro peixe na extremidade do fio. Enquanto accionava o molinete com um ruído ensurdecedor o pequeno peixe teve tempo de se soltar e fugir para bem longe, hoje deve ter uma descendência numerosa.
Ocorreu-me na altura que um bom equipamento teria feito toda a diferença. Anos mais tarde, ainda assim há muitos anos, resolvi comprar um equipamento à altura, apesar do meu rendimento piscatório não ter sofrido grandes melhorias.
Apesar disso pouco importar para o tema que hoje trago, lembro-me que nesse tempo qualquer loja de pesca desportiva disponibilizava uma tremenda parafernália de utensílios para o bom sucesso do pescador. Tornei-me um adepto dessas tecnologias e só as coloquei em causa no dia que me tentaram impingir um spray para que o fio afundasse mais depressa.
A apicultura atravessa agora uma fase semelhante.
A apicultura atravessa agora uma fase semelhante.
Há muito que aguardo o surgimento de tábuas de voo antiderrapantes que refreiem a aterragem das abelhas de modo a reduzirem os riscos para o insecto e produtos por ele transportados. Mas já não deve faltar muito...
Já perdi a conta aos novos apicultores que se abeiraram de mim com listagens de equipamentos que lhe foram aconselhados/impingidos e onde uma boa parte, além de muito caros são completamente inúteis ou desnecessários.
Não quero com isto dizer que um secador de pólen seja inútil ou desnecessário, mas:
- São muito caros, talvez dos equipamentos mais caros para a apicultura.
- Consomem muita energia, também ela muito cara.
- Desidratam e secam de tal forma o pólen que acabam por destruir boa parte dos elementos nutricionais mais interessantes.
Recordo-me de ouvir o Sr. Rosa Agostinho (Europrópolis) dizer mais que uma vez (ao comparar o pólen fresco ao seco artificialmente) que este último pouco mais era que “palha” em comparação com o primeiro.
É certo que temos de desidratar o pólen para o armazenar. Caso contrário aumentamos os custos ao conservá-lo a baixas temperaturas, o que também não é isento de lhe afectar a qualidade, mas temos outras alternativas económicas e com resultados muito satisfatórios.
Há cerca dois anos experimentei o melhor pólen que alguma vez me foi dado a provar e nem sequer teria a melhor origem floral, segundo me disse o produtor, o meu amigo Paulo Ventura.
Tinha no entanto uma diferença fundamental em termos de processamento, relativamente ao pólen corrente: tinha sido desidratado ao ar livre e sem recurso a fontes de calor artificiais. Recordo-me que o dito pólen era bem mais doce quando comparado com o gosto algo farinado que caracteriza o pólen corrente. Tal como a própria textura era muito mais macia e suave relativamente ao granuloso duro a que estamos habituados.
Tinha no entanto uma diferença fundamental em termos de processamento, relativamente ao pólen corrente: tinha sido desidratado ao ar livre e sem recurso a fontes de calor artificiais. Recordo-me que o dito pólen era bem mais doce quando comparado com o gosto algo farinado que caracteriza o pólen corrente. Tal como a própria textura era muito mais macia e suave relativamente ao granuloso duro a que estamos habituados.
Cheguei a por em causa a conservação de tal pólen (que me pareceu algo húmido) quando o Paulo me asseverou que guardava essa amostra há cerca de dois anos.
Ocorreu-me que continuamos a gastar imenso dinheiro com preciosismos caros, quando o nosso país tem características climáticas completamente gratuitas, que nos permitem realizar determinadas acções de forma a sermos altamente competitivos em termos de qualidade/preço e não as aproveitamos.
Continuamos a importar toneladas de pólen espanhol, produzido em Portugal, muito caro e sem lhe aproveitarmos as mais-valias que tanto jeito nos davam. E o argumento que habitualmente acompanha tal facto prende-se sobretudo com o investimento necessário à adaptação das nossas explorações apícolas para este produto.
Resolvi fazer essa experiência, a secagem natural de pólen, não ao ar livre mas no interior de uma casa arejada, um sótão. Optei por não sujeitar tal produto ao Sol directo, uma vez que o pólen tal como a maioria das substâncias naturais para fins alimentares são fotossensíveis.
Para o efeito construi dois tabuleiros em madeira com cerca de 90 x 40 x 8 cm, utilizando rede mosquiteira para o fundo. Cada tabuleiro custou-me menos de 10,00€.
Esses tabuleiros são então colocados numa estrutura metálica, concebida também para o efeito, que permite ainda a utilização de um terceiro tabuleiro (este em inox e que já possuía) na parte de baixo, para aparar os resíduos de polén, nomeadamente os grãos muito pequenos que serão destinados mais tarde para a alimentação das abelhas.
As primeiras colheitas que fiz, durante o mês de Abril, foram colocadas nos tabuleiros de rede mosquiteira onde se retiraram os lixos e detritos que habitualmente acompanham esta produção: abelhas mortas, asas e patas de abelhas, opérculos dos alvéolos de criação e algumas larvas com ascosferiose.
Pólen de refugo, para alimentação das abelhas
Após a primeira semana de secagem, verifiquei que o pólen apesar de mais seco ainda não estaria suficientemente desidratado que permitisse o seu armazenamento sem risco de fermentar. Após a segunda semana, muito chuvosa e com a atmosfera saturada de humidade, a secagem do pólen regrediu bastante e cheguei a recear que este se estragasse nos tabuleiros.
Retirei tudo e resolvi armazena-lo no congelador.
Foi já durante os meses de Junho/Julho, com temperaturas superiores a 30ºC, que voltei a colocar o pólen nos tabuleiros. Abri as janelas do sótão e ao fim de 30 horas estava suficientemente desidratado pronto a ser ensacado.
Para saber do grau de humidade, que deve rondar os 6 a 7%, pressionei os grãos de pólen entre o polegar e o indicador, como os grãos não se desagregavam tinham atingido o ponto correcto para serem armazenados. Curiosamente, tinham-me oferecido um higrómetro, da marca SAMAP, para aferir o grau de humidade de uma forma mais acertada e científica, mas a minha “aversão” às tecnologias não me permitiram decifrar o modo de funcionamento a tempo e este ano ficou assim mesmo.
De qualquer forma, esta modalidade de desidratação valeu bem a pena, o pólen fica com uma textura e um sabor francamente superior à maioria dos pólens que se encontram no mercado, beneficiando de uma longevidade igual e com custos de processamento muito reduzidos.
Argumentos como a ineficácia deste método para grandes produções não fazem muito sentido, visto que cerca de 20 kg de pólen (em dois tabuleiros de 10,00€) não chegaram a dois dias de secagem, ficando os dois tabuleiros libertos para receber nova produção.
Argumentos como a ineficácia deste método para grandes produções não fazem muito sentido, visto que cerca de 20 kg de pólen (em dois tabuleiros de 10,00€) não chegaram a dois dias de secagem, ficando os dois tabuleiros libertos para receber nova produção.
Estamos em crise (estamos sempre), a somar à especulação dos preços que já se verifica nos equipamentos/materiais apícolas, motivada pelo grande acréscimo de novas explorações, tornam este género de iniciativas numa boa alternativa económica para o sector.
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