17 junho, 2009

MELIPONICULTURA no BRASIL

Voltei a visitar o Blogue http://www.meliponariodosertao.blogspot.com , aliás, já o visito com um vício e interesse crescentes. De forma que as visitas me suscitaram uma curiosidade tal, a ponto de pedir ao amigo Kalhil França que me respondesse a uma série de questões que de alguma forma nos elucidassem acerca do “mundo das Abelhas Sem Ferrão” ou (ASF).

Quais as espécies de ASF que se podem criar num meliponario? As diferenças / vantagens / desvantagens de cada espécie.

Os meliponídeos são bem diferentes da Apis, cada espécie se adapta melhor em certa região, como o Brasil possui dimensões continentais, nós temos muitas espécies de ASF, mas cada uma é específica de certo lugar, isso é até um problema pois muitas matas estão sendo destruídas sem nenhum controle, existe uma abelha chamada Uruçu, uma das melhores ASF em termos comerciais, melhor até que minhas Jandaíras pois produzem cerca de 8 a 12 litros de mel ano. Contudo são típicas de mata atlântica, são excelente polinizadoras e essa mesma mata atlântica já vem a séculos sendo dizimadas, restando uns poucos resquícios dessas matas, com isso as abelhas ficam restritas a esses lugares restantes, alguns exemplares foram introduzidos no Sertão, mas elas não se dão bem por aqui, pois precisam de mata úmida para uma melhor sobrevida, e aqui no sertão não é assim.

(ninhos de Uruçu, grande produtora de pólen e mel)

A Uruçu (melipona scutellaris) possui muitas subespécies em muitos lugares do Brasil, mas a mais famosa e manejada em todo o país é a scutellaris, popularmente conhecida com Uruçu verdadeira, São bastante populosas, chegam em colónias fortes a ter cerca de 3.000 abelhas, em termos proporcionais produzem mais que a Apis.

Não são agressivas, mas devido ao tamanho (tem o mesmo tamanho que a Apis) possuem quelíceras forte e as beliscadas doem, em colónias fortes eu uso uma capuz de apicultura.

(Rainha fisiogástrica de Jandaíra sobre os discos, ritual de postura)

(Caixa Modelo Nordestina, com colónia de Jandaíra)

A Jandaíra (melipona subnitida) é uma das espécies mais criadas no Nordeste brasileiro, juntamente com a Uruçu (melipona scutellaris), eu tenho cerca de 300 caixas só de Jandaíra, estão espalhadas em 4 regiões distintas no município de Taboleiro Grande-RN. Se você achou que tenho muita caixa, fique sabendo que existe um criador que é meu amigo, o Ezequiel, tem só de Jandaíra cerca de 2000 colónias, é isso mesmo, duas mil!!! Chega a produzir em épocas de boa safra uma tonelada e meia de mel de Jandaíra, agora multiplique isso por R$ 60,00 por cada kg. Pra você ter uma ideia da riqueza que essa abelha proporciona, a chave que abre o meliponário dele é feita de ouro, tudo lá é de ouro, até a peneira que ele colhe o mel, também é de ouro 18. Um dia eu também chego lá.

(Abelha Jandaíra,entrada na natureza, a sentinela sempre a postos para vigiar)

São típicas de minha região e são as melhores nos manejos, principalmente por serem rústicas demais, não precisam de muitos cuidados e são extremamente resistentes a regiões adversas como a minha, contudo não se dão bem em regiões de clima frio. Como tinha lhe dito acima, cada abelha responde melhor a seu habitat natural.
São abelhas que possuem população que varia entre 700 a 1000 abelhas, são agressivas, em colónias fortes defendem com vigor a colónia quando manejada, atacam beliscando o intruso.

(Discos de cria de mandaçaia, preparação para desbobramento)

Uma outra abelha muito criada nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, são as Mandaçaias (melipona quadrifaciata, essa é abelha é muito interessante pois ela possui quatro subespécies: a melipona quadrifaciata quadriafaciata (mandaçaia verdadeira), a Melipona quadrifaciata anthidioides, a Melipona mandaçaia (essa é menor e típica da caatinga do Estado da Bahia), a quarta é um cruzamento entre as duas primeiras.

(Quadrifaciata anthidioides (listras intermitentes), quadrifaciata quadrifaciata (contínuas))

A mandaçaia possui população que varia de 400 a 600 abelhas, produzem cerca de 600 ml a 700 ml de mel ano, são as mais dóceis, são bobas, quando abrimos a caixa as vezes elas ficam nos rondando mas na maioria das vezes procuram se esconder entre os discos de cria, dá até pena da forma que elas se defendem.

Uma característica marcante dessa abelha e a formação de lamelas para encobrir os discos de cria, veja que você não vê os discos de cria que foram cobertos por completo dois dias depois.

(colónia recém criada de mandaçaia, discos cobertos)

Existem muitas outras meliponas, mas não posso falar de todas pois escreveria um livro, mas apenas para ilustrar temos a Guaraipo, típica do sul, temos a Rajada (melipona asivale) é a menor das meliponas, temos muitas outras... Falei apenas das mais famosas e mais criadas.

Na Tribo dos meliponídeos, temos ainda as Trigonas, são abelhas menores, bem pequenas, algumas são tão pequenas que seu ninho tem as dimensões de uma caixa de fósforo, as Ttrigonas mais famosas são Iraís (essa faz um canudo bem grande na entrada), Jataís (a mais famosa), moça branca (tem esse nome por que a ponta de suas asas são brancas), Irapúa (essa produz um mel horrível, não pode ser criada racionalmente e é daninha, ela destroe as flores pois não colhe o néctar por cima, ela tora a base da flor e suga, ela é esperta mais esse comportamento acaba sendo prejudicial as plantas pois inviabiliza os frutos), Cupira (essa habita ninho de cupim abandonados, daí seu nome, o mel também não é bom) Marmelada (essa é criada com facilidade, o mel pode ser consumido, o mel é bem concentrado), Iratim (abelha Limão) essa última mereçe um tópico a parte, tem muitas outras, outra interessante é Caga-fogo, essa quando manejada na natureza se defende expelindo no intruso uma secreção ácida que queima a pele, provoca um ardor danado, temos ainda a abelha Cachorro (também conhecida com boca de sapo) é aquela que vc chamou de Jandaíra e eu fiz a correção, tem um comportamento interessante, ela quando manejada se defende aos montes, saem quase que todas da caixa ao mesmo tempo, procuram enlouquecer o invasor com muitas beliscadas ao mesmo tempo.

(A cima, do lado esquerdo a entrada das Tubibas, do lado direito, canudo de entrada das Iraís, embaixo entrada das Jataís, nas trigonas há muitas abelhas na entrada do ninho)

A Tubiba é uma abelha muito legal, quase não produz mel, no máximo 200ml/ano, em compensação produz muito polém, chega a produzir cerca de 8 kilos só de pólem, lembre-se que estamos falando de uma abelha pequena, cerca de 4 milímetros, como população em torno de 5 mil indíviduos, são extremamente defensivas, essa abelha é pequena, mas não há como trabalhar com elas sem a roupa de proteção completa para apis, rapaz você não tem noção de quanto ela é defensiva, são pretinhas e possuem uma boca muito forte, as beliscadas não chegam a doer mais devido a quantidade de abelhas em cima de você, é preciso protecção, é mais criada no Maranhão e no Estado do Piauí.

Dentre essas menores a mais famosa, e que dá em todo o Brasil é a Jataí, a Jataí é bem pequena, mede aproximadamente 3 milímetros, seu ninho tem aproximadamente entre 2.000 a 3.000 indivíduos, seu mel é muito consumido no Sul do país, tem sabor muito peculiar, meio azedinho, é um pouco ácido, é um dos méis de ASF mais potentes, possui teor bactericida cerca de 15 vezes mais forte que o mel comum da apis. Essa abelha produz o melhor geoprópolis, pois 90% é puramente resina natural, para você ter uma comparação nas meliponas em geral esse nível beira os 30%. É tida como a abelha de comportamento mais higiénico. Muito comum no sul do país, se adapta a quase todo tipo de clima. Com certeza ela se daria muito bem aí em Portugal.

( Ninho de Jataís, lamelas cobrem os discos de cria, muitos potes de pólem e néctar)

Agora deixe eu lhe falar de uma abelha especial, essa é tida pela maioria dos meliponicultores como nossa inimiga, é a abelha Iratim, também conhecida como abelha limão, essa abelha ela não colhe nada da natureza, ela é uma abelha pilhadora, vive de atacar as outras abelhas para saquear o mel, resinas e pólem, seu mel é horrível, não pode ser consumido por nós, é muito populosa, chega a ter entre 3 a 4 mil indivíduos, precisam ser assim pois como vivem de pilhagem, em cada ataque que fazem muitas morrem durante as batalhas para roubar.

(Abelhas Iratins (abelha limão) atacando colónia de mandaçaia)

Elas atacam qualquer ASF, são pequenas, medem mais ou menos cerca de 5 milímetros, essa abelha perdeu as corbíbulas no decorrer de sua evolução, pois deixaram de usar para passarem a roubar. São chamadas de abelha limão por que quando atacam elas exalam uma cheiro cítrico de limão para bloquear os ferômonios de defesa de suas vítimas. Possui um sistema articuloso de ataque. A entrada de sua colónia mais parece um obra de arte, possui diversos túneis falsos para enganar intrusos.

Bem essas são as mais famosas, mas temos muitas outras...

O mesmo criador tem mais que uma espécie?

Pode, como lhe falei eu mesmo tenho 9 espécies, mas tenho ênfase na Jandaíra por ser a da minha região, mas tenho Mandaçaias (todas as subespécies), tenho Rajadas, Uruçus, Iraís, Tubibas, tenho Jataís, tenho Moça Branca, etc.

(meliponários em vários lugares do Brasil)

O Ezequiel, meu amigo lá de Jardim Serído-RN, possui 16 espécie, ele é um dos maiores criadores do Brasil, é também um grande conhecedor da ASF.

Qual a estrutura social das ASF? Rainha, obreiras, machos, etc...

A estrututura social é parecida com a APIS, todas as colónias tem uma rainha Fisiogástrica (A Guaraipo é uma exceção, essa pode ter até 4 rainha ativas, trabalhando em conjunto normalmente), algumas centenas de obreiras, algumas dezenas de machos, contudo, como tudo nas ASF são especiais, nós temos castas intermediárias, nós as chamamos de obreiras rainhas ou rainhas obreiras, são abelhas que fazem a escolta da rainha e podem realizar diversas tarefas da rainha sob suas ordens, podem até participar do ritual de postura colocando ovos ferteis, que vão gerar crias obreiras, essa casta é muito peculiar, elas na aparência são muito parecidas com as obreiras comuns, só alguns detalhes fazem a diferença, elas possuem o dorso coberto por escamas de cera (o Cappas as chama de abelhas pangolins) o Pangolim é um reptil africano escamado, por isso a comparação.
Tem um comportamento de posse sobre os discos de cria, algumas são inimigas da rainha, outras são amigas, muitas vezes podem até destronar a rainha, podem assumir a liderança da colónia e bloquear a rainha, impedindo a postura real, muitas vezes o meliponicultor tem que intervir.

Como se reproduzem as colónias de Abelhas Sem Ferrão (ASF)?

Isso depende se é Trigona ou se é Melipona, nas Trigonas o sistema é bem parecido com a da Apis, a formação da rainha é alimentar, quando a colónia está grande e precisa enxamear as obreiras rainhas fazem umas realeiras, igual a da apis, dessa realeiras nascerá uma princesa que deverá ser fecundada por um macho.

Se for Melipona, a coisa é diferente, não há realeiras, a rainha é criada via genética, a rainha põem ovos reais, o mais interessante que nós não sabemos qual ovo é um real ou não, pois todos tem o mesmo tamanho, mais isso não é problemas pois 15% dos ovos postos são ovos reais, ela faz isso instintivamente, como a formação não é alimentar é preciso que sempre possam estar nascendo princesas caso a rainha venha a morrer.

(retiramos os discos de cria mais claros para realizar uma divisão, são os mais velhos, com abelhas prestes a nascer, aproximadamente 10% são princesas)

Nas caixas racionais podemos dividir os enxames até 4 vezes por ano. A divisão é simples, existe um tópico no meu blog de como fazer isso.

Quais os principais cuidados para criar ASF? Cuidados ao instalar um meliponário...

No geral os cuidados são poucos, no manejo é preciso ter cuidado na manipulação dos discos de cria, são muito sensíveis, amassam com facilidade, uma caixa mal fechada pode proporcionar a entrada de formigas, sarasas, forídeos (esse merece um tópico a parte).
Devemos ficar atentos à quantidade alimento nas caixas, nunca deixando faltar alimento, sempre que necessário fornecer alimento artificial.

(Abelhas no alimentador, é um prato de mesa com xarope a base de açúcar e vitaminas e alguns palitos de madeiras para elas não se afogarem)

Durante a instalação, observamos o espaço entre caixas, isso depende muito de cada espécie, por exemplo tem espécies que podem ser criadas bem próximas uma das outras, exemplo, Jandaíras, Mandaçaias. Outras precisam de mais distância: Uruçu, Jataí...

O meliponario deve obrigatoriamente ser sombreado, sempre, elas são muito sensíveis ao sol, mesmo a Jandaíras que é típica de clima quente tem problemas se sofrer aquecimento, se ficar exposta ao sol direto.

Como são os diferentes tipos de colmeia? Compram-se? Constroem-se?

A colméias tem diferente tipos, vários modelos, mas existe já um padrão (modelo INPA e o modelo Nordestino), que você muda só as medidas, menor ou maior a depender do tamanho da abelha, até porque a estrutura dos ninhos é o mesmo, discos de cria separados, em uma região e os potes de alimento em outro lugar, todas as ASF fazem isso.

(Caixa Modelo INPA pronta para ser habitada por Melipona, 4 compartimentos, esse aí sou eu!!!)
(Caixa modelo INPA desmontada)

Existem modelos mais avançados, são caixas que usam resistências elétricas para possibilitar um melhor conforto térmico para abelhas de clima quente em regiões frias, tem feito revolução pois tem gente criando Jandaíras e Uruçu em regiões de onde bate -4ºC. (Sul do País)

(Caixa com sistema de aquecimento, modelo INPA, usada no Sul do Brasil)

Geralmente eu mando um marceneiro de minha confiança fazer, mas eu já fiz algumas no passado.

Uma grande diferença das ASF da Apis e a entrada da colónia, nas ASF, existe um túnel de acesso ao interior do ninho que só passa uma abelha de cada vez, na entrada da caixa fica uma abelha parada (vigia), controla quem entra e quem sai, é muito engraçado, ela impede que as abelhas mais novas (que não sabem voar) saiam.

Que flores utilizam para produzir mel? Que outros produtos se podem extrair alem do mel?
Devido a diversidade de abelhas, utilizam muitas flores, mas não procuram as plantas exóticas, a Jandaíra por exemplo é altamente seletiva, mesmo na sua região não colhe em todas as plantas, só para você ter uma noção, aqui existe um arbusto espinhento que chamamos de Jurema, temos a Jurema branca e a Jurema preta, mas as Jandaíras só colhem na branca (elas são racistas, rsrs), é muito interessante por que as duas são bem parecidas, já cheguei a ver um fato interessante, no sítio tem dois pés de Jurema um do lado do outro, um branco e o outro preto, no inverno todas florescem com muito vigor, mas elas só vão na branca.

(Época de chuvas e florada)

(A mesma Foto de Cima, época de seca, no sertão do RN, quando é tempo seca é seca mesmo, observe que o lago acima secou na foto abaixo!)
(Vegetação arbustiva e espinhosa, quando chega o inverno esse mesmo deserto se transforma em uma explosão de vida, tudo floresce, época de fartura!!!)

(Sertão na SECA, visão da casa dos meus avós)

( O mesmo lugar no período chuvoso, no Sertão quando chove tudo floresce e renasce)

(Chuvas no Sertão)

O mel de Jandaíra é o mais comercial, mais até que o da uruçu, é delicioso, nem se compara com o mel da apis, tem sabor peculiar, na minha região tem sabor de amêndoas, tem teor bactericida muito elevado, chega a ser 10 vezes mais forte que o da apis, é medicinal e é usado muitas vezes puro sobre feridas e queimaduras.

(olhe a beleza da cor do mel, é um dourado intenso, vivido, de sabor encantador)


(Mel de Jandaíra já engarrafado e rotulado, pronto para venda)
(essa garrafinha custa R$ 20,00, mais ou menos uns 7 euros)

Como se faz a extracção do mel?

Como ele é armazenado em potes, usamos um sugador odontológico se for de grande quantidade, ou mesmo uma seringa descartavel quando é nos méis das Trigonas, não se usa o sugador nas Trigonas por que ele produz muitas bolhas nesse mel.

(alguns amigos colhendo mel de Uruçu amarela (mandory) com seringa)

Produzem todo o ano ou só em determinados meses?

Depende da espécie, mas a grande maioria produz em épocas específicas, as Jandaíras estão produzindo agora, vai de Abril a Julho. Por aqui é época de florada intensa, depois desse período, só no ano que vem, depois que passa Agosto eu tenho que alimentar nas caixas que extrai o mel.

Que doenças afectam as ASF? Como combatem essas doenças?

Não existem doenças catalogadas cientificamente, o mais próximo que posso comparar são somente os forídeos, forídeos são mosquinhas que entram nas colónias mais fracas (sem guardas) ou nas colónias que foram manejadas de maneira errada (retirada de mel de maneira errada, rompimento excessivo de potes de polém, fechamento mal feito da caixa, etc.

O combate a essa mosca quando ela consegue entrar é fácil, é a base de vinagre de maçã, fazemos umas iscas para capturá-los, a isca é simples, é um copo fechado com um ou dois furos, que só passam o forídeo, colocamos dentro da caixa, ele entra atraído pelo cheiro e não consegue sair mais, acaba morrendo afogado, quando a infestação é grande, trocamos a caixa das abelhas para nos livrar dos ovos postos nos potes de pólem e mel.

Que predadores afectam as ASF? Como os afugentam?

Os predadores são lagartixas, sapos, formigas doceiras (que querem roubar o mel), alguns pássaros, para afugentar usamos um óleo queimado na base de sustentação das caixas, para evitar a subida desse predadores, já contra os pássaros não há o que se fazer, mas eles comem somente algumas abelhas, não chegam a incomodar.

Como é o comercio do mel e outros produtos das ASF? Preços, embalagens, mercados...

O comércio ainda tem muito a melhorar, a produção ainda é muito baixa, principalmente como o potencial que o País tem, mas para quem produz isso é uma vantagem pois a procura é muito grande, para você ter uma ideia do que eu estou falando, minha produção desse ano já foi toda vendida já no ano passado, tenho clientes aguardando mel já para o próximo ano.

Os preços variam de acordo com a região, no sul e sudeste o kilo pode chegar a R$ 100, R$ 120,00, por aqui, chega a R$ 50,00, R$ 60,00. (1 euro vale 3 reais, faça a conversão).

Como é a convivência entre apicultores/meliponicultores Apis mellifera/ ASF's?

È boa, geralmente é assim, o marido é apicultor e a mulher é meliponicultora, atualmente eu estou assessorando uma ONG no Estado do Ceará, estamos trabalhando com um projeto de reintrodução da criação da Jandaíra em quatro comunidades, cada comunidade recebeu do meu meliponário 20 colónias e um curso básico de meliponicultor, o mais interessante é que 80% dos alunos são mulheres, rs.
Existem alguns entraves, muito se reclama, principalmente os ambientalistas que Apis mellifera estaria matando muito enxames de ASF (em épocas de escassez de alimento, a Apis invade colónias de ASF em busca de mel, é raro mais acontece, eu mesmo já perdi algumas colónias por isso, mas confesso que devido a erros meus, aberturas de caixa com derramamento de muito mel, o que atraí o comportamento pilhador da Apis.
Na verdade meu amigo, o grande inimigo é o próprio homem que destrói a mata nativa sem pena, veja a nossa Amazônia que vem sendo destruída a passos largos e ninguém por aqui faz nada.

Existe algum tipo de apoio governamental ao sector da meliponicultura? Qual? E como?

Não, não existe, raramente vemos alguma coisa a respeito, a meliponicultura ainda engatinha por aqui, até por que o que dá dinheiro para exportação e é muito mais comercial é o mel da Apis, recentemente, a poucos meses atrás, o governo federal criou uma lei que regulamentou a profissão de apicultor, esqueceram dos meliponicultores, e é por que as ASF são nativas...!!!

Preferem cuidar das exóticas a cuidarem das suas próprias riquezas, coisas do Brasil.

Talvez tenha esquecido algum aspecto importante...

Você sabia que as ASF do Brasil não fazem geleia real, é isso mesmo, não existe geleia real, o mel das ASF é tão poderoso que a rainha não precisa de um alimento especial, ela se alimenta do mesmo mel das obreiras comuns, a única diferença é que a rainha se alimenta de ovos alimentares de obreiras rainhas, são ovos inférteis postos única e exclusivamente para alimentação da rainha, esse ovos são compostos ricos em proteínas.

Uma abelha demora em média 44 dias para nascer, o dobro da Apis, o macho demora 42, a princesa demora 40 dias.

As células de cria são operculadas assim que a rainha põem o ovo, todo alimento para o desenvolvimento da larva é posto momentos antes da rainha realizar a postura, só sendo aberto pelas obreiras para o nascimento das abelha nova.

O tempo de vida de uma obreira melipona pode chegar até a 100 dias, os machos vivem um pouco mais 120, já a rainha pode viver até 5 anos.

O mel da ASF, devido a maior concentração de água, fermenta com facilidade, assim que é colhido deve ser posto na geladeira, esse é um dos grandes impasses para exportação, o Jandaíra ele aguenta ficar fora da geladeira, mas precisa passar por processo de maturação ou congelamento para conseguir mais tempo.

Espero ter ajudado amigo Joaquim!!!

att,

Kalhil Pereira

15 comentários:

Alien disse...

Quero fazer o primeiro comentário !!!
Bem, a meliponicultura é mesmo de cortar a respiração... A diversidade de "abelhas" utilizadas, técnicas de maneio, tipos de colmeia, comportamentos... tornam a vida do meliponicultor tudo menos monótona.
Tenho vários amigos brasileiros que emigraram para Portugal. Sempre que estou com eles faço sempre a mesma pergunta... como é que é possível que nascendo num país como o Brasil fazem as malas e ... eu nunca o faria...
Joaquim Pifano

Mário disse...

Mestre Pifano, amigo França, acreditem ou não, demorei dois dias a ler este post.
Está divinal, as diversas formas de defesa e a qualidade boa ou não do mel foi o que mais me intrigou, são espécies exóticas abençoadas pelo clima e flora daquele pais.
Ainda não perdi a ideia das Jatai :) em breve falaremos melhor.

Abraços
Ferradelas
ou
Mordidelas

Alien disse...

Eu continuo completamente obcecado com tal actividade e tais abelhas, para não falar das paragens de onde provêm as fotografias...
JPifano

Anónimo disse...

Gostaria de deixar uma paravra de agradecimento ao Sr. Joaquim Pifano pelo excelente Blog, e ao Sr Kalhil Pereira, por este poste maravilhoso sobre belhas sem ferrão.
Continuem a nos maravilhar com a vossa sabedoria...
João Calado

kalhilpereira disse...

Caros amigos, o mundo da meliponicultura é apaixonante, o Mestre Cappas e Souza me deu a honra de ler o tópico e solicitou correções, (onde se lê: quelíceras, leam: mandíbulas); a Cupira habita cumpins vivos, e não abandonados conforme eu falei.

Solicitou ainda que se os amigos quiserem podem observar meliponídeos no Museu do Cappas em Alentejo.

att,

Kalhil Pereira França
Mossoró-RN-Brasil

Anónimo disse...

PARA TODOS LEITORES DO SITE URGENTE!!!
Gotaria de deixar um comentário... no site, quando foi falado sobre as jataís... foi relatado o incentivo para criação em Portugal... pedimos que reconsidere o texto... pois, introdução de seres vivos em outros habitats ou biomas diferentes... podem causar impactos severos ao ambiente... e por favor, pedimos a todos meliponicultores cuidados ao considerar introdução de espécies em habitats ou áreas não correspondentes... não queremos fazer da meliponicultura alvo de críticas dos órgãos ficalizadores, tais como: secretarias de meio ambiente, vigilância sanitária.. dentre muitos outros... não queremos dar este mal exemplo... portanto busquem o quanto mais... afiliar-se as associações de meliponicultores e/ou buscando SEMPRE conhecimento mais profundo sobre esses fascinantes seres... um abração a todos!!!

Alien disse...

Caro "anónimo",

Não há de modo algum qualquer pretensão, vontade ou objectivo deste blog (ou minha) em fomentar ou estimular a introdução de espécies exóticas em Portugal ou noutro lado qualquer. Não recordo, nem reli a passagem do texto onde tal hipótese tenha sido formulada. Admito sim que seria interessante podermos contar com tais seres vivos na nossa fauna, quer pelas suas características em geral, quer pelos benefícios ambientais em particular... mas tal não é possível, o Criador não nos presenteou com tais insectos. Em contrapartida deu-nos as abelhas, tão maravilhosos quanto quaisquer outros, só que... picam, e dói que se farta...

Acredite que tenho imensa sensibilidade para os desequilíbrios que enumerou. Se ler outros “posts” deste blog poderá atestar o quanto prezo e na medida do possível apelo aos valores ambientais (ou não fosse Biólogo de formação)

Parecendo pouco relacionado, preocupo-me também com "pormenores" como o facto de um vizinho meu ter pago avultada multa por umas gotas de óleo do tractor que caíram e mancharam o chão. Face a isso, quanto terão pago os americanos pela poluição causada por milhares de toneladas de bombas no Iraque (fora outros) e incêndios que demoraram meses a apagar(...)?
Terá sido a tremenda "multa" ambiental que pagaram que os deixou (e nos arrastou) para a actual crise ???
Seria interessante que os órgãos fiscalizadores que tão bem enumerou se debruçassem sobre este e outros assuntos... bem mais graves.

Um grande abraço e muito obrigado pela observação,

JPifano

Anónimo disse...

SE FOR POSSÍVEL,EU GOSTARIA QUE VOCÊ,OU ALGUÉM QUE CONHEÇA DO ASSUNTO ME AJUDE:EU ESTOU INTERESSADO NA CRIAÇÃO RACIONAL DE ABELHA CUPIRA E JÁ OUVI DIZER QUE É QUASE IMPOSSÍVEL SE DAR BEM NESSA CRIAÇÃO.EU GOSTARIA DE SABER:TIPO DE CAIXA RACIONAL,CUIDADOS NA TRANSFERÊNCIA DO CUPINZEIRO P/ A CAIXA,DESDE JÁ MUITO OBRIGADO.

Alien disse...

Caro amigo,
eu vivo em Portugal e trabalho exclusivamente com a Apis mellifera,
quem melhor o poderá ajudar será o Sr. Kalhil Pereira França, cujo E.Mail é : kalhil_p@yahoo.com.br
um grande profissional na criação de Abelhas sem Ferrão. Se quiser pode visitar o blogue dele (MELIPONÁRIO DO SERTÃO) em:
http://www.meliponariodosertao.blogspot.com/

Um abraço
JPifano

Alien disse...

RESPOSTA ENVIADA POR MAIL POR KALHIL FRANÇA:

"No Brasil, muitas abelhas são chamadas de Cupira, mas a cupira verdadeira é uma abelha difícil de ser criada em caixas racionais, principalmente pelo fato de sua relação com cupins, precisam dos cumpins para que possam sobreviver por longo tempo, é uma abelha que produz um mel delicioso mas não recomendo a criação pois necessita de muitos conhecimentos (exige muita atenção e é cheia de segredos), só os meliponicultores mais velhos (e nem é todos) sabem manejá-las para que possam se adaptar nas caixas racionais sem a presença do cupinzeiro.

É muito melhor e mais fácil iniciar uma criação com meliponineos já conhecidas e consagradas como Jandaíras, Mandaçaias, Uruçus, jataís, irais, tubibas, mirins em geral.

Depois, com tempo e a aprendizagem (alguns segredos) vc pode tentar iniciar a criação da Cupira."


att,

Kalhil
www.meliponariodosertao.blogspot.com

Alguma dúvida pode/deve contactar Kalhil França em:

kalhil_p@yahoo.com.br

Anónimo disse...

caro amigo, fico muito feliz em saber que tão dedicadamente voçe com muita prestesa, compartilhou seu vasto conhecimento e experiência com nosco.
parabens.desejo que voçe consiga sua chave de ouro 18 e os demais utencilios que desejar,como seu amigo
conseguiu suas 2000 colônias
te desejo boa sorte.

anA disse...

Estimados amigos.Obrigada pela contribuição para os meus conhecimentos. Abelhas sem ferrão, e tanta variedade de abelhas, que surpresa enorme.
Grata.

Anónimo disse...

quanto me ira custar o envio de isco para capturar as abelhas de jataí para portugal.

Antonio disse...

Caros Amigos da natureza gostava de saber qual das melhores abelhas sem ferrão se dão em portugal mais propriamente no Alentejo,e como conseguilas,espero vossa resposta.
Um abraço.

Alien disse...

Caro apicultor,

Suponho que não seja possível a importação de meliponideos para Portugal, onde são considerados uma espécie exótica.
O único caso que conheço de abelhas sem ferrão em Portugal (no Alentejo) é no Insectozoo ou Museu Cappas e Sousa, em Vila Ruiva, Alvito, que poderá visitar pessoalmente ou acedendo ao link: http://www.cappas-insectozoo.com.pt/index1.html
Então poderá contactar o proprietário que possui essas abelhas para investigação e saber mais sobre o assunto.

abraços
Joaquim Pifano