09 novembro, 2009

Apicultura no Parque Nacional da Peneda - Gerês

Antes de mais, não fiquem à espera de um artigo de fundo, completo e exaustivo, sobre o assunto do título. Se por um lado a minha curta estadia no local não me permitiu ir mais longe, por outro, também não encontrei nenhum apicultor activo com quem falar, além do Sr. Pires das “Corpelas dos Cortiços”.
No entanto, aproveitei o que tinha à mão, fossem os apiários que encontrava nos passeios pela serra, a flora que muito me impressionou e outras ilações que fui tirando durante a viagem.
Na pior das hipóteses, e à falta de informações mais interessantes, apreciem as imagens que à partida me parecem sugestivas de um lugar com fortes aptidões apícolas.
Comecemos pelos Castanheiros, abundantes e responsáveis pela produção do característico mel de Castanheiro e Urze, de cor escura e com sabores e aromas inconfundíveis, que tanto aprecio.

Nunca antes visitara esta região, mas já contava com a presença dos Medronheiros que decerto terão bastante influência nas características do Mel do Gerês:

Esta vegetação sempre me impressionou, porque tal como a Laranjeira conseguem apresentar o fruto e a flor da próxima geração em simultâneo.

E agora, talvez uma das fontes de néctar mais importantes para a apicultura da Serra do Gerês, a Urze, tal como o Medronheiro é da família das Ericaceas.
Encontrei grandes extensões desta vegetação (creio que já na fase final) e não me cansei de lhes tirar fotografias, gosto do aspecto da flor e são muito raras na minha região.

São muitas as espécies e variedades em Portugal e impressionam-me sobretudo os nomes vernáculos: Urze, Queiró, Morganiça, Mongoiriça, Mangoiriça, etc…

As próximas duas flores têm “ar” de espécies protegidas, não me são estranhas, mas desconheço-lhes o nome.
Alguém sabe do que se trata? Têm alguma importância do ponto de vista apícola?
Pelo menos parecem-me bastante bonitas e atractivas para as abelhas…

O Tojo é uma “velha conhecida”, muito abundante no meu Alentejo, não sei se se trata da mesma espécie mas creio que sim.
Para uns apicultores é muito importante para as abelhas, como primeira flora de Inverno (no Sul), para outros não tem qualquer importância. Para mim digo que “quem não tem cão caça com gato”, onde as abelhas não têm outra alternativa o Tojo é o melhor petisco…

Esta é que eu não estava à espera, uma Cistacea (família a que pertencem as Estevas), julgava-a uma espécie de climas mais Mediterrânicos, mas como existem tantas espécies e variedades… Na minha região florescem só na Primavera.
Aqui só vi uma, esta que fotografei!

Alguns dos apiários que encontrei pelo caminho. Trata-se de um tipo de estrutura que a qualquer apicultor nunca passa despercebida, mesmo quando vamos a conduzir.
Aquele conjunto de formas geométricas cúbicas e de aspecto muito colorido, a contrastar com a vegetação, chamam-nos sempre a atenção: “Olha, lá está mais um…”
Ainda andei uns dias a pensar nos apicultores proprietários e no esforço que deveriam fazer aquando das crestas, com as alças carregadas por caminhos tão… impraticáveis…
Mas a zona pareceu-me ser muito boa para a prática da apicultura.

No próximo apiário, parabéns ao proprietário pelo aspecto saudável das colónias, pelo menos pela frequência e abundância com que as abelhas entravam e saiam das colmeias.

No entanto, para fotografar o dito apiário devo ter “violado” alguma regra local, tive que parar o carro na berma de estrada e não andei meia dúzia de metros quando se me deparou a placa da imagem seguinte:

Gostei do local e da disposição em “cascata” do próximo apiário. Se por um lado dificulta o acesso aos “amigos do alheio”, o proprietário também deve penar para se aproximar dele…

Sem desmérito de tudo o que vi e relatei até então sobre a apicultura do Gerês, o próximo aspecto foi o que mais invejei. Se pudesse teria trazido umas quantas para “plantar” um pouco por todo o Alentejo…
Não calculam o número de vezes que enchi e despejei os cantis para provar esta e aquela e mais aquela ainda. A Água, o verdadeiro tesouro desta região! Que pena não ser assim em todo o lado…

Fica a promessa para uma segunda visita, mais demorada, onde espero acompanhar alguns apicultores na sua labuta e apresentar uma notícia completa e digna dessa magnífica região que é o Parque Nacional da Peneda – Gerês.

5 comentários:

Rui disse...

Muito bom post! Parabéns. Já dá saudade...A flor a seguir à urze é a Quita-Merendas ou Quitamerendas.

Alien disse...

Olá Rui,
Muito obrigado pela sua informação. Eu já tinha visto a flor em algum lugar, mas desconhecia-lhe o nome.
Falta agora identificar a seguinte...
Um abraço
JPifano

António Campos disse...

Verdade que para se chegar ao apiário tem que se "penar" um pouco, mas mesmo assim os amigos do alheio parecem não se importarem!
No entanto é um apiário que já existe desde há imensos anos.
Há e o carro parado na berma, pelo menos agora (2010) são 200 euros :) Cobrados pelo ICN.
Abraço e não pensava encontrar o meu apiário por aqui.

Alien disse...

Olá António Campos,

De facto é lamentável que quem roube o faça sem olhar a "custos"... já não há lugares livres dessa praga. Ainda hoje me impressiona como conseguiram roubar 700 colmeias a apicultores da Lousãmel.
Um pedido de desculpa por ter publicado imagens do seu apiário sem ter pedido autorização, foi mesmo pena não o ter encontrado no local, sempre dava para tirar algumas impressões sobre a apicultura da região.

Um abraço
Joaquim Pifano

Paula Branco disse...

Nunca tinha visto a urze. Adoro o mel desta espécie floral.

Estou a actualizar um livro sobre os produtos da colmeia que escrevi há alguns anos, e gostava de trocar impressões consigo.

Obrigada e adorei as suas fotos.
Paula Branco
www.paulabranco.com