Porquê? É simples, apesar de ser uma das zonas mais verdes, florestadas e com muita vegetação espontânea e cultivada que já vi: não tem abelhas! Pelo menos, eu não as vi, ou melhor, vi muito poucas para o que estava à espera…
Finda a visita ao Gerês, continuamos o nosso périplo por aí acima, o objectivo era chegar ao cabo Finisterra, passando por Vigo, Pontevedra e Santiago de Compostela.
Ia arranjando um torcicolo por tanto olhar à direita e à esquerda na esperança de ver as ditas caixinhas pintadas, com insectos a entrar e a sair. Perdi a conta aos povoados com meia dúzia de casas, entre prados e florestas em busca de “colmeneros”, mas nada, “colmeneros aquí? no, no los hay”.
Quando muito conheciam um ou dois, com duas ou três colmeias e viviam lá mais para a frente, num local que eu nunca conseguia encontrar.
Em Santiago de Compostela ainda acertei na casa de um, mas segundo a família tinha-se ausentado por causa da caça…
Estavam em muito bom estado as ditas colmeias, bem orientadas, sobre suportes (blocos de cimento) e algumas com placas de fibrocimento a reforçar o tampo. Não lhe consegui adivinhar o modelo, pareciam um híbrido de Reversível com Langstrooth. Enfim, eram colmeias, com pouca população mas eram colmeias.
Após duas tentativas frustradas lá encontrei a casa do homem, mas nem cheguei a bater à porta, logo uma vizinha me advertiu que o mesmo se ausentara para ir ao médico, problemas com uma perna, enfim… contratempos…
Ainda não tinha chegado à estrada nacional quando num relance vislumbrei novo apiário com duas ou três colmeias instaladas num quintal. Identifiquei as caixas pelo característico telhado ondulado de fibrocimento. Desta vez havia de “apanhar” as abelhas e o apicultor, a coisa começava a aquecer.
Não calculam a curiosidade que tinha em conhecer a apicultura daquelas paragens, pela dificuldade em desencantar apicultores a busca tornou-se quase uma obsessão.
Nem cheguei a sair do carro, já preparava a máquina fotográfica quando de uma das “colmeias” saiu uma gigantesca abelha a ladrar enfurecida, felizmente estava presa a uma corrente…
Foi já perto do cabo Finisterra que mesmo junto à estrada encontrei o próximo apiário, ainda por cima o apicultor estava em casa, um caso de sucesso finalmente.
Há costumeira pergunta acerca da floração das redondezas, do tipo de mel e das doenças que mais afectavam a região, falou-me no Eucalipto, nas Silvas e na “Carrasca”, que percebi depois tratar-se de uma Urze semelhante à que tinha visto no Gerês.
Questionei-o quanto à localização do apiário num lugar tão alagadiço, se não tinha problemas com a micose. Respondeu-me que não e resolvera o problema da humidade colocando as colmeias em cima de autênticas torres feitas de blocos, como podem ver na próxima imagem:
Falou-me de uma série de apicultores da região que não constituindo uma verdadeira associação, se organizavam quando era para vender o mel por junto, mas ele não tinha dimensão para essas coisas, vendia tudo à porta.
Devo ter feito o dobro dos quilómetros por causa do ziguezaguear de um lado para o outro da estrada nacional, mas nem colmeias nem “colmeneros” quanto mais “abejas”...
Apesar disso acredito que as houvesse, pois a flora parecia ser suficientemente abundante e apropriada para tal prática, fosse pela quantidade de Castanheiros como da grande extensão de prados de trevo em flor:
Como é que posso encontrar colmeias em Espanha se eles as levam todas para Portugal?
Mas fiquemos por aqui…
4 comentários:
Boa noite,
gostava desde já dar os parabens pelo bom trabalho realizado a favor da apicultura portuguesa.
Quanto a apicultura na galiza tem o maior apicultor da peninsula iberica david curral «miel da anta», segundo ele acha que são mais de 8 mil colmeias,o segundo produtor com mais de 6 mil «miel orteda».
Demonstra muito rapidamente o peso da apicultura do pais vizinho, para conhecer melhor são realizadas em março um forum cultural e tem mais pessoas que o forum em portugal recentemente realizado.
obrigado pelo blog
Olá
Fico muito satisfeito por gostar do blog.
De facto, alguns apicultores dessa região mensionaram alguém com um grande efectivo, que até tinha uns apiários na zona, mas eu não consegui descobrir quem era.
Até creio que eles se referiam a alguém das Astúrias ou por esses lados...
Muito obrigado pela informação.
Joaquim Pifano
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Thanks in advance and good luck! :)
Ola Pifano: De facto o David Curral é um dos maiores apicultores com cerca de 7000 colmeias (eu n o conheço pessoalmente) mas já me disseram, tb existe a Associação de Pontevedra que abrange a maior parte da Galiza, penso k eles são os "gestores" da IGP Galiza para o mel...
No entanto, são poucos (ou nenhuns) galegos que colocam colmeias em Portugal
Felizmente, existem boas relações com a Galiza e o Minho, sendo as várias partes regularmente convidadas para fóruns nestas regiões...
Miguel Maia
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