22 março, 2013

MelToon - IIIª temporada

O MelToon IIIt começou há uns tempos atrás, no mercado de antiguidades de Estremoz. Foi quando comprei uma Abelha Maia em pvc, daqueles bonecos que surgiram aquando da série televisiva.

Fiquei algum tempo a olhar para ela até perceber que aos personagens das primeiras duas séries do MelToon faltava personalidade, algo de humano com que nos identificássemos, um rosto, qualquer coisa que nos permitisse adivinhar-lhe os sentimentos.

Na segunda série chegou a haver uma preocupação quase cientifica em desenhar as abelhas o mais parecidas possível com a realidade, mas também não resultou.

As cores utilizadas foram talvez o principal problema, nem sempre conseguia o contraste ou a atmosfera desejada para cada acção. Muitas vezes acabava por perceber que era a luminosidade do monitor completamente desajustada, e resolver o desajuste nos equipamentos de todos os visitantes tornar-se-ia algo moroso e sobretudo muito caro para os orçamentos do montedomel. O patrocínio generoso e desinteressado que este blog aufere da Sociedade dos Afiadores de Agrafos para Uso Exclusivo nos Quadros de Alça, nunca chegaria para tanto.

O MelToon da terceira temporada será a preto e branco, duas cores que combinadas permitem uma infinidade de tons e nuances, o cartoon ganha outra sobriedade e até dramatismo. Ou talvez seja apenas algum saudosismo dos tempos d’ O Cavaleiro Andante, do Jornal do Cuto, do Falcão, do Mosquito e de tantas outras páginas memoráveis que ainda a preto e branco nos enchiam a infância de cor.

Talvez o MelToon IIIt seja uma homenagem, ainda que humilde, a essas publicações que o meu pai me conta e um dia descobri numa velha arca lá em casa. Procurei inclusivamente reproduzir o papel já gasto e rasgado com que algumas se apresentavam, e será então nesse cenário nostálgico que as “aventuras” da nossa apicultura se vão desenrolar.

As personagens serão basicamente as mesmas, os suspeitos do costume, os bons, os maus e os assim-assim que povoam o imaginário e o dia-a-dia de todos quantos se dedicam ao sector apícola, a saber:

As Abelhas, no papel principal, a razão de ser desta “publicação”. Mais “abonecadas” desta vez, uma cabeça maior para que se lhes vejam os sorrisos e as tristezas. Contará com as obreiras, pousadas ou em voo, a rainha, os zângãos e as princesas sempre à procura de noivo.

Os Apicultores, também já mereciam outra cara. Contam com a habitual parelha, apicultor - principal e o gajo do fumigador, vulgarmente conhecido pelo “gajo-do-fumigador”, menos apreciador da actividade mas sempre presente e cumpridor.

Um apicultor idoso, apologista das tradições e das velhas técnicas, repudia tudo quanto é tecnologia e ainda mantém um apiário de cortiços, embalando e vendendo o mel nos saudosos frascos da “tofina”. Não deixa de ser útil, bom conselheiro, uma verdadeira cartilha dos saberes antigos.
Uma homenagem a um velho amigo e apicultor com quem fiz a primeira cresta de cortiços, o “Ti Barriga”, que nem é careca nem usa bigode mas não se importa com a representação. Lembro-me da tarde em que eu e ele fugia-mos colina acima, à frente de um enxame de abelhas furiosas e me ocorreu aconselhá-lo a desfazer-se desta colónia tão brava, ao que ele me respondeu com uma gargalhada “Bravas? Estas? As bravas já acabei com elas…

Justiça seja feita às mulheres, desta vez também temos uma apicultora. Ainda que se apresente de saltos altos na lida das abelhas lá vai dando conta do recado. Muito enérgica e activa, tem sempre uma solução para cada problema, mesmo que não seja a mais ortodoxa.

Os vilões, aqueles que diariamente fazem a vida negra às abelhas e apicultores, contarão com as personagens do costume e outras novas que aqui se apresentam, além de muitas que agora não me ocorrem.

O ácaro varroa, surge com um aspecto muito mais agressivo e desta vez com os olhos na posição correcta. Verdadeiro dizimador de colónias de abelhas, tem agora o pagamento merecido: uma miríade de pequenos parasitas que ainda não baptizei mas que lhe irão tornar a existência insuportável.

Fazem lembrar uma piada muito antiga, acerca do Pthirus púbis, mas que não devo aqui reproduzir por razões que irão perceber mais tarde.

Os abelharucos, os “passarões” irónicos cuja assiduidade marcou as primeiras duas séries do MelToon. Desta vez consegui representá-los a voar, enfim… quase que consegui, se na primeira vez pareciam um bando de radiadores a pairar sobre as colmeias, desta vez parecem as ventoinhas de refrigeração, mas dá para o gasto.

A cetónia ou “grosadeira”, que não aquece nem arrefece, mas cuja presença inconveniente tanto tira a paciência aos apicultores como às abelhas. Ainda que muito pacífica, faz lembrar uma conhecida personagem da saga Star Wars.

A borboleta caveira e o Braula coeca, duas relíquias da apicultura antiga. Personagens de um tempo em que o problema da apicultura era mesmo o não ter problemas.

Desconfiava-se que o dito piolho já estava extinto mas afinal ainda pulula nas abelhas de regiões indemnes de varroa. No MelToon IIIt será uma personagem algo Kafkiana, insólito até, mas de poucas conversas e um bom companheiro.

Não será uma figura assídua, até se mexe pouco, mas quando aparecer agradeço que não batam no vidro, até porque isso que tem à frente não é nenhum aquário.

A ripa de choupo e a tira de cartão canelado, representam os maiores tabus da nossa apicultura e por isso mesmo a sua participação não foi pacífica.

Parece conversa de vendedor, mas gostava que olhassem para elas pelo seu valor ecológico, onde a “ripa” personifica os atentados ambientais, o abate de árvores, nomeadamente do choupo. Já a “tira de cartão canelado”, qual hino à Natureza, evoca o ambientalismo pela prática da reciclagem.

Resta-nos agora a surpresa maior do MelToon IIIt: a notável presença de Lorenzo Lorraine Langstroth, criador da colmeia de quadros móveis, o pai da apicultura moderna. Qual provedor do MelToon, irá surgir em espírito, entre as nuvens, a cada tentativa de “avacalhar” o cartoon, repondo a moral e os bons costumes.

Ora vejam lá um exemplo:

E já sabem: qualquer semelhança com pessoas, entidades, casos, objectos e situações da vida quotidiana será mera coincidência…


8 comentários:

Piquena Catinha disse...

Boa tarde...
é possivel adquirir o canto da Sr. Chumbinho? Pois sou uma recente apicultora aqi na área e tive conhecimento que o senhor vende e molda cera pa fora--

Piquena Catinha disse...

*peço desculpa pelo erro... o contacto era o que qeria dizer!

Alien disse...

Olá Piquena Catinha

Convinha que me enviasse um mail para montedomel@gmail.com para eu lhe dar o contacto do Sr. José Chumbinho, como deve calcular não o posso fazer por aqui.

Joaquim Pifano

Rodrigues disse...

Pifano

Parabéns pelas renovadas personagens do Meltoon... A coisa promete...

Louvo a tua paciência e imaginação em torno deste teu Monte do Mel, que é para todos nós uma grande referência!!

Forte Abraço

Rosmaninho disse...

Parabéns por mais um MELTOON! Abraço

Alien disse...

Caros João Rodrigues e João Tomé

Obrigado pela vossa amizade!

Não é difícil encontrar inspiração para um cartoon com o nosso panorama apícola nacional...

Obrigado também pelo excelente contributo do "Abelhas da Lezíria" e do "Vale do Rosmaninho", e tantos outros lugares de visita obrigatória, onde tanto se aprende

Abraços
Joaquim Pifano

Filipe Pedro disse...

boa noite, nao conhecia o meltoon mas sigi este blogue á cerca de um ano e sempre me supreende e ensina muito, gostei e fiquei com curiosidade de acompanhar mais esta faceta, cumprimentos, filipe pedro

Alien disse...

Olá Filipe Pedro

De facto o MelToon esteve mais ou menos parado no último ano, espero agora actualizá-lo com mais assiduidade.
Seja bem vindo!

abraços
Joaquim Pifano